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domingo, 16 de abril de 2017

Nótulas Espiritualistas XX


Nótulas Espiritualistas - XX
Dr. Antônio J. Freire
in Reformador (FEB) Setembro 1956


            Perante as religiões tradicionais do Ocidente, o estudo da alma humana não tem avançado para além de ingênuas concepções abstratas, vagas, nebulosas, desfigurando todo o dinamismo anímico através duma dialética bizantina, de sofismas inconsistentes, duma imaterialidade irreal, sem estrutura objetiva, e, por vezes, sem a devida elevação religiosa e espiritual, soçobrando no favoritismo divino da graça e na predestinação.

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            A alma humana é um mero e insubsistente produto de especulações racionalistas e escolásticas, sem base científica ou experimental, quer para as Filosofias gnósticas, quer para as Religiões dogmáticas.

            Quanto às Ciências, que deveriam ser os expoentes máximos da mentalidade humana, encontram-se orientadas num falso e grosseiro monismo materialista, ateu e agnóstico integrado numa degradante teofobia, com o seu lúgubre cortejo de descrença e niilismo.

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            O Espiritismo, surgindo no meado do século p. passado, não só demonstrou, pelo método científico - observação e experimentação  - a existência objetiva da alma humana, mas ainda a sua preexistência e sobrevivência dentro do ternário - corpo orgânico, perispírito e espírito - ao ritmo das vidas sucessivas, alternantes de Mundo para Mundo, expressas na Palingenesia (Reencarnacionismo), ao comando do infalível e justiceiro Carma.

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            O Espiritismo estabeleceu em bases experimentais a linha de continuidade causal de cada vivência com um passado multimilenário e também com um futuro sem limites, regidos e impostos pela Justiça lmanente ao impulso da casualidade cármica e das divinas leis da Evolução, quer físicas e psíquicas, quer espirituais.

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            Para a Ciência, na sua cegueira de descrença e negação, todo o psiquismo humano é função exclusiva do cérebro e do sistema nervoso; toda a Vida, para cada vivente, está limitada ao espaço que vai dum berço a um túmulo, despida de toda a ligação preexistente e sobrevivente. A sanção moral seria uma utopia, uma quimera, com o predomínio do mais forte ou do mais astuto.

            Este falso conceito materialista seria trágico se não fosse infundamentado e absurdo à face do experimentalismo supranormal do Espiritismo desde a telestesia às bilocações e aos organismos ectoplasmáticos (materializações: Katie King a Estela Livermore).

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            A Humanidade deve ao Espiritismo a sua carta de alforria espiritual, libertando-a do obscurantismo que a escravizava ao mais negregado e anti-progressivo materialismo, proclamado pela Ciência oficial.

            Quanto às Religiões dogmáticas, o Espiritismo libertou a Humanidade dos falsos conceitos do inferno, do antropomorfismo e do geocentrismo, da graça e da predestinação teológica.

            À luz do Espiritismo o homem pode desfraldar as asas do anjo que contém, em potência, no seu espírito divino, na sua alma imortal.

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            Anteriormente ao Espiritismo, toda a crença na alma humana era fundada numa titubeante e frágil fé passiva, rebaixado, por vezes, a um impiedoso e perverso fanatismo, donde promanavam as mais sangrentas e odiosas guerras religiosas, e onde se alicerçou a nefasta e desalmada lnquisição de tristíssima e arrepiante memória.

            Outras vezes, escondendo por detrás de sacristias e altares os mais sórdidos interesses temporais e monetários, através de burlescos ritualismos, de apologéticas mais que suspeitas, sem profundeza moral, sem elegância espiritual, orientados num aviltante e interesseiro pragmatismo, os chefes de tal crença contribuíram para a difusão do materialismo.

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            Foi neste sacrílego malabarismo de ciências e religiões, negando aprioristicamente ou deturpando o valor da alma humana e do seu Divino Criador, que se consumiram os últimos séculos, com manifesto e retumbante triunfo para o materialismo e ateísmo.

            A indiferença religiosa e a perversão moral daí provenientes são os fatores determinantes do estado calamitoso em que nos encontramos e os mais poderosos entraves para o aperfeiçoamento moral e para progresso espiritual da Humanidade.


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