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sexta-feira, 22 de julho de 2011

'Jesus não é Deus' por Luciano dos Anjos




‘Jesus não é Deus’
por Luciano dos Anjos
Contracapa do livro ‘Jesus não é Deus’
contendo a série de artigos de autoria
de Adolfo Bezerra de Menezes
e publicados no ‘Jornal do Brasil’em 1895.

 Coordenação e notas por Jorge Damas Filho

           Nem católicos nem protestantes se arriscam, intelectualmente a acreditar ainda que Jesus é Deus. Os espíritas, desafeitos ao obscurantismo, nunca absorveram esse disfarçado antropomorfismo, que o Concílio de Nicéia inventou, em 325. Todos os argumentos lógicos contra essa metafísica sem meta (com perdão do trocadilho\) já são amplamente conhecidos. Seria, então, anódico um compêndio de 109 páginas destinadas a evidenciar, ainda hoje, que Jesus não é Deus? Talvez, se o autor não fosse Adolfo Bezerra de Menezes. De sua pena tudo é sempre atual. Primeiro, pelo sabor de se ler ou reler algumas construções muito bem carpinteiradas, que valem não propriamente pela novidade, mas pela arquitetura cuidadosa de um dos mais notáveis estudiosos da teodicéia espírita. Segundo, pela vantagem de se possuir enfeixado em livro esse repertório dialético do chamado Kardec brasileiro, com vista à melhor preservação histórica e ao testemunho de contagiante fé religiosa. Terceiro, pela lição oferecida a todos em termos de clamor evangélico acidulado pela indignação sincera contra os adversários do espiritismo e em favor das idéias por que se vive.
            Quando deparamos com os cuidados cosméticos dos que acham que para atrair é necessário silenciar as belezas doutrinárias; quando observamos as lideranças passeando entibiadas entre o amor e a culpa, a esconderem  a crença por medo da crítica; quando anotamos a conduta de dirigentes de instituições patinando na acomodação suspicaz e fugindo ao dever de enfocar questões de suma importância apenas para afagar os ânimos do movimento espírita; quando, enfim assistimos aos marqueteiros da ilusão propagarem que para ser cristão e espírita é preciso amordaçar a verdade – eis, nessas circunstâncias, a importância dos textos de Bezerra de Menezes.. Eles podem até ser considerados anacrônicos pelos mais avoados, que não vêem neles o que realmente exibem: a fibra, a coragem, empenho, o destemor sempre atuais de quem nunca curvou a espinha, nunca usou meios clandestinos de argumentação, nunca tentou vender uma imagem domesticada do movimento espírita nacional. E apesar disso, sempre soube amar profundamente tanto amigos quanto inimigos.
            Nisso consiste, em especial, o valor e a oportunidade desta obra produzida pelo talento e pela fé do inesquecível Bezerra de Menezes, grande presidente da veneranda Federação Espírita Brasileira.


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