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sábado, 2 de janeiro de 2016

Consciência e Responsabilidade



            O homem é o único responsável pela aflição e pela angústia em que se debate, que apontam compromissos sérios assumidos diante da própria consciência.

            Para explicar tal situação, não nos cabe aqui dar busca nos escaninhos do Universo, nem mesmo fazer retrospecto dos erros milenares, os quais lançaram à geena, aos poucos, a humanidade terrestre. Trabalho já executado, merece, contudo, algumas considerações em face da riqueza de matizes que traz no bojo, sempre que entendido de acordo com os princípios de iluminação que o nosso Pastor veio trazer-nos.

            Atualmente, esses princípios ganharam sua verdadeira vida com o Espiritismo, renascença suprema do Evangelho, que veio a favor dos homens, visando fornecer
subsídios para o restabelecimento da pureza original do Espírito. Em momento algum o Espiritismo deve ter sido como veículo de projeções pessoais, com que venhamos a
agradar quem quer que seja, em prejuízo da Doutrina. E, muito menos, que através dele jamais se endossem ideias anticristãs, sendo, para tanto, o nosso critério único aquele do Evangelho. Façamos praça do postulado de base no Espiritismo: a liberdade com responsabilidade, perante Deus, perante nossa consciência. Por isso, recordemos, já não mais temos que lançar mão dos meios mundanos, caracterizados pela hipocrisia contumaz, nos quais, a pretexto de bem viver, simulamos deferência ao próximo, odiando-o cortesmente. Ao contrário, nosso proceder estará pautado tão somente no fato de encararmos com benevolência a realidade do mundo, por estarmos conscientizados de suas carências profundas, sem que nos adaptemos aos desvarios que a inexistência de equilíbrio costuma acarretar, e, principalmente, por fazermos profissão de fé espírita e, portanto, raciocinada, a fim de que alcancemos a unidade de entendimento na unidade do amor.

            Em face disso, é útil relembrar a existência dos mais variados interesses, em sua maioria conflitantes, na arena da humanidade, já nos últimos gritos do inconformismo. É lícito a esses que ainda vivem na cegueira a busca de posições de destaque na sociedade, ou o culto ardente às perspectivas - que lhes são ainda grandiosas - de vitória no terreno das facilidades do mundo. Desculpam-se lhes, de certo modo, faltas que mais não nos cabe cometer, porque ainda não abandonaram os antolhos da aparência, permanecendo escravizados do imediatismo. Em seus raciocínios confundidos é perfeitamente plausível o esforço de competir violentamente com o próximo, porque eles ainda vivem no plano do banal, contrario em essência ao espiritual. Por isso, abalançamo-nos a perguntar aos companheiros: será conveniente nossas transformação em feras esfomeadas, para que possamos auxiliar o mundo? Se é lícito ao homem buscar bens imediatos, será conveniente àquele que os recebeu procurar granjear a todo custo, sem prejuízo da coerência, as fugacidades do mundo? Qual há de ser a atitude do espírita, que em si e por si já é o cristão, se bem vive o Evangelho? Compactuar com a terra, ou lutar em seu beneficio, sobrepujando quaisquer orgulhos e vaidades?  

            Parece-nos, cumpre que repitamos, imperiosa a tomada de consciência do espírita no Espiritismo verdadeiro.

            Para todos nós, disputas mundanas não passam de miragens no deserto de aridez espiritual, principalmente se trazidas para o corpo do Espiritismo. É urgente a compenetração de que nossa luta é íntima; de que só temos como contendor o egoísmo, com seu séquito de misérias morais.

            Avante, portanto, na luta deflagrada contra suas barricadas, nós que permanecemos na trincheira do amor, porque os entrechoques do mundo se veem esgotados com a descida do véu da grande transição. Mas, a competição do amor contra o ódio é a luta verdadeira do homem novo contra o homem velho.

            Na consecução desse ideal, que já se torna realidade, acima de tudo unamo-nos, sem precipitações, na batalha contra as sombras, porque acima delas está o Sol Inapagável, único que nos há de acalentar por toda a eternidade.

            Paz.

Consciência e Responsabilidade
por Sayão

(Mensagem recebida na sessão pública de 17-9-1974, na FEB - Seção Rio.) 

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