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terça-feira, 11 de setembro de 2012

20. "Amor à Verdade" por Alpheu Campos



20
“Amor à Verdade”
por Alpheu Gomes O. Campos
Marques Araújo & C. – R. S. Pedro, 216
1927


Muitos chamados

            “A seara do Senhor precisa de obreiros; eu venho para aliciá-los.

            “Sou Pedro; feliz não seria se aqui deixasse de voltar para completar a obra, cujos planos grandiosos foram traçados pelo Mestre.

            “De todos os tempos influímos sobre nossos auxiliares da terra, no intuito de abrir-lhes os olhos e chamá-los ao cumprimento do dever. Pomos em campo todos os meios possíveis, dentro do livre arbítrio, para que, despertados pelo amor, corram a busca de um lugar na divina messe. Debalde, muita vez, é certo, lhes incutimos pensamentos virtuosos e, sobretudo, os orientamos em suas provas, para que sejam aproveitados.

            “Muitos são os chamados e poucos os escolhidos. Porém, agora mais do que nunca, vão todos ser invitados, porque soou a hora de separarmos os bodes das ovelhas.

            “Em seu coração rejubila Jesus com o progresso realizado pelos habitantes da terra; e por isso nos manda para que, por nossa vez, os façamos adiantar espiritualmente.

            “o sinal dos tempos chegados ai o vedes - a guerra que se alastra pelo mundo, e a profecia dos médiuns que falam sob a inspiração dos mensageiros siderais. Nada há que duvidar; tudo está preparado para o assenso moral. Os maus, que até agora tem servido de instrumento da dor, estão sendo esclarecidos, como esclarecidos estão sendo os médiuns de modo que se inscrevam uns e outros entre os servidores leais.

            “O ódio, o orgulho e a ambição constituem as maiores barreiras a transpor, os maiores empeços a vingar para que venham a ser dos escolhidos; por isso mesmo, nós os discípulos de Jesus, nós os humildes, os perseguidos e injuriados, preferimos a tarefa de os educar paciente e carinhosamente.

            ‘Não duvideis do que vos digo; eu vou para ensinar-vos o caminho: dizia o Mestre, quando falava das diversas moradas em casa do Pai ; pois os antigos aprendizes também aqui nos achamos no ofício de revalidar as verdades, acender a fé, levantar os ânimos e conduzir nossos irmãos pelas sendas que levam ao solar paterno.

            “Sim; com amor e brandura empregamos toda a nossa força e esforço em guiar-vos à porteira da celeste vinha, serena estância, onde, sem embargo, por amor de Deus e do próximo, não cuidamos de repousar enquanto se ouve o choro e ranger de dentes noutros sítios.

            “Se, porém, assim fazemos e desta sorte o quer o Filho de Maria, importa que na terra, entre dores e perseguições, irmãos amigos se prontifiquem a prestar-nos auxílio com devotamento e abnegação de verdadeiros cristãos. Nada podemos obter faltando aqui os elementos.

            “Temos fé, amor, coragem, humildade e, sobretudo, proteção; porém, a lei que regula as harmonias não nos permite elevar endurecidos, ambiciosos, ou orgulhosos, que estacionários vivem (se é isso viver) e permanecê-lo-ão, enquanto o egoísmo lhes impedir ver a luz, que, afinal, receiam possa ofuscá-los.

            “Meus irmãos: sacudi os sonhos vãos e ambições, que vos tanto infelicitam; e principalmente vós, ó espiritas, abri fenda nas trevas, para que a luz penetre e ilumine a humanidade inteira.

            “Sempre, em todas as idades, houve médiuns, de cujos fluidos temos que nos utilizar para os serviços de regeneração. O atraso dos povos obrigava-nos outrora, a tomar um corpo e prestar-nos à divina vontade. É que percebíamos que, em determinadas fases da vida planetária, urgia certo impulso para o progresso, impulso que só um eleito poderia realizar, estando em condições de receber as inspirações. Hoje, que a evolução fez da terra um planeta em franco desenvolvimento, os médiuns tornaram-se vulgares. A par dos que são reais missionários, contam-se outros em extremo tardinheiro (atraso) e rebeldes, que receberam tal graça para o fim de poderem beneficiar seu próximo e fazerem jus a um auxílio que os eleve.

            “Esses são os chamados: alguns saem escolhidos. Porém - ainda mal! - não se verifica regularmente a lei da equidade entre eles: refratários aos ensinamentos, não se conhecem; detestam-se mutuamente, entregando-se a similares do espaço, que os movimentam alongando-os da luz e da verdade, a qual diligenciam abafar, ou torcer, com o propósito de os terem à mão, quais máquinas executoras das suas paixões.

            “Meus irmãos, não vos admireis de que novamente eu torne à Terra trajando um corpo igual ao vosso, para servir como médium e confirmar, pelo exemplo, o ensino que ora transmito.

            “Deus, em sua infinita bondade, permitiu que seus filhos fossem mais uma vez elucidados. Ao espírita, mais do que a qualquer outro, lhe serão pedidas contas.

            “Glória a Deus nas alturas, paz na terra aos trabalhadores de boa vontade – Pedro.”

*

            De visão perfeita não se poderá gabar, parece, todo aquele que relute ver o sinal dos tempos chegados. A dor, a luta que se desenrola diante dos nossos olhos, são bem significativos núncios; e nada mais impede fazermos senão procurar na paciência e na instrução, na dor nobremente suportada e no conhecimento das coisas e dos seres, a suspirada felicidade.




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