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segunda-feira, 14 de dezembro de 2015

Do Mercantilismo Religioso - 2



Do mercantilismo religioso- 2’
por Hermínio C. Miranda
trechos de artigo publicado sob título
‘Não tenho prata nem ouro...’ in Reformador (FEB) Maio 1976

            “Qualquer artifício, ..., para extrair proveito de faculdades mediúnicas ou da pregação da palavra esclarecedora, tem a condenação formal do Mestre e Senhor, reiterada através de seus emissários de confiança, como Kardec e sua equipe.

            Não desconhecemos os sofismas aparentemente muito hábeis. Há os que dizem:

            ... Mas os médiuns precisam viver ...

            É certo; vivam, porém, de suas atividades profissionais. Se o salário é pequeno é porque a lei exige de nós o reajuste na pobreza. Poderemos lutar pela conquista de melhores situações, pois é legítimo o esforço pela realização pessoal, mas não viver da mediunidade remunerada, nem complementar os rendimentos com o passe pago, ou a mensagem psicofônica a tanto por hora.

            Quem tentar esses recursos acaba enfrentando inesperadas e dolorosas decepções. A mais comum destas é a súbita perda da mediunidade. Se o médium habituou-se a usufruir os proventos resultantes do exercício de suas faculdades, sincronizou também seus compromissos financeiros àquela renda e, sem coragem para recuar no atendimento de suas necessidades materiais, entrega-se, com frequência, à fraude e acaba ficando à mercê de seus adversários das sombras.

            Felizmente, o Espiritismo no Brasil adotou, quanto a esse aspecto doutrinário, posição firme, inflexível mesmo, não admitindo remuneração de espécie alguma, não apenas no exercício da mediunidade, como nos postos de direção de grupamentos espíritas, ou quanto a direitos autorais de trabalhos doutrinários. O escritor espírita não é pago pelos seus artigos, nem pelas seus livros ou palestras, sob qualquer forma. A tarefa que cabe a cada um de nós, das mais humildes às mais destacadas no seio do movimento, é oportunidade que nos foi concedida pelos nossos mentores e não posições para brilharmos, muito menos, ainda, empregos que nos garantam o sustento material.

            Essa posição tem de ser continuamente reiterada, insistentemente repetida, intransigentemente defendida, sem concessões, sem exceções, sem tibiezas, porque, por mais que pareça secundária, é vital à preservação da pureza doutrinária. Então não sabemos que foi o vírus da cupidez que destroçou as instituições religiosas do passado? Tais organizações não precisavam ter sido abandonadas à sua própria sorte e praticamente neutralizadas, quando não destruídas, para darem lugar a outras, se tivessem conseguido manter-se limpas- da cobiça. Como a revelação da verdade é progressiva, dosada segundo a nossa capacidade de absorção, ela vem sempre por etapas, em patamares, como degraus de uma escada infinita que se projeta para a Alto. Não destruímos o primeiro degrau quando passamos para o segundo. Pelo menos, não seria necessário fazê-lo, se o primeiro não estivesse corrupto e apodrecido. Se isto acontecer, e se não for possível recuperá-lo e restaurá-lo, não resta alternativa senão deixá-lo desintegrar-se, por melhores serviços que tenha prestado. Estejamos certos, porém, de que o germe da deterioração tem sido, no passado, a tenebrosa resultante da inconcebível mercantilização da fraternidade universal. Se, como disse Kardec, Deus não vende a sua bênção nem o seu perdão, por que haveremos de vender perdões que não temos o direito de distribuir e bênçãos que apenas partilhamos em nome d’Ele?”

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