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domingo, 20 de dezembro de 2015

A Escola das escolas



            Continua indomável o desafio da vida, assim como permanece inderrogável a própria vida. Viver, meus filhos - temos dito - é sinônimo de aprender, aprender como o estudante que, sempre de série em série, por vezes naufraga na questão difícil, repetindo o ano para firmar seu entendimento, ante a amplitude da sabedoria do Espírito.

            Assim a vida: cumpre-nos considerá-la Escola das escolas que se situam nos prédios, nas vilas, nos casebres e nas mansões, onde quer, enfim, que se reúnam criaturas de Deus para o santificado ministério da convivência no mundo.

            Na vida, somos todos - meus filhos - professores e alunos uns dos outros. Aprendemos e ensinamos. Não sabemos o quanto ensinamos e o quanto aprendemos: lutamos. As posições que a vida nos confere não querem significar que saibamos mais - nem que não o saibamos -, mas, simplesmente, que precisamos aprender mais.

            Não nos dá a criança lições belíssimas, desde os primeiros momentos, e quando principia a descobrir o mundo que a rodeia, dando pancadas - sem suficiente coordenação motora - nos objetos, conquanto deseje exprimir a máxima curiosidade saudável, o desejo irrefreável de aprender e o carinho que o sorriso não oculta nas faces rosadas, a suplicar-nos também carinho e amor?

            Deus nos faz pequeninos para que saibamos o que é ser grande.

            A criança, meus filhos, é o testemunho de que na vida existe sempre um lado belo, porque bela é a evolução. A vida é tão sublime que, não obstante crivá-la o homem de espinhos, ela não deixa de ser o dom absoluto no Universo. Nem mesmo o suicida corta o fio de uma etapa existencial por desejar a morte, propriamente dita, mas, sim, por pressentir os horizontes da vida, e desejar, no íntimo, alucinadamente, vivê-los. Para nós, ainda é assim: o supremo dom, o grande paradoxo.

            Cultivemos o entendimento da vida qual nos fornece o Espiritismo, procedendo com amor face aos bebês que dão pancadas nos objetos fascinantes que lhes mostra o mundo. Procuremos entendê-los como os que ainda não sabem expressar-se. Eles têm intensa necessidade de nosso Amor.

            Assim como a mãe será responsável pelo filho que abandona, nós responderemos pelo que não fizermos em favor dos milhares de Espíritos que ainda engatinham na escadaria da Evolução.

            Muita Paz.
A Escola das escolas
Bezerra de Menezes
Reformador (FEB) Janeiro 1976


(Página recebida no Grupo Ismael - FEB - Rio, RJ -, em 20-11-1975)

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