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quarta-feira, 8 de abril de 2015

Formas de Governo

Formas de  Governo

Cristiano Agarido /
 (Ismael Gomes Braga)


Reformador (FEB) Maio 1956

            Os primeiros governos do mundo foram espíritas, embora pouco se cogite disto. Foram os Espíritos desencarnados, tomando nomes de deuses e deusas das mitologias, que deram aos homens suas primeiras organizações sociais e governamentais.

            Saltando-se o longo período das mitologias, que nos chegou muito deformado pelas lendas, com seus deuses e deusas bons, maus e péssimos, detentores ainda de todas as paixões humanas, vamos encontrar em formação o povo de Israel que nos deu o Monoteísmo.

            Era um Espírito de tremenda energia, de acordo com as necessidades daquele tempo, quem ditava ao povo suas leis, por vezes admiráveis, sábias, como o Decálogo, o Regulamento para o Ano Jubilar e outras; mas sempre de dura severidade, porque se tratava de dominar um povo endurecido e brutalizado por séculos de escravidão no Egito.

            O médium que primeiramente recebeu instruções desse Espírito, ou quiçá desse grupo de Espíritos encarregados de governar os judeus e fazer deles uma nação coesa e capaz de resistir a todas as vicissitudes da História, foi Moisés.

            Dentre as partes maravilhosas do Pentateuco, uma é o já mencionado Regulamento para o Ano Jubilar, que se acha no Levítico, cap. 25: 8 a 28.

            Por esse Estatuto ficava afastado o perigo de acumularem-se as terras e outros bens em mãos de uns poucos, com empobrecimento total das grandes massas humanas.

            Era uma legislação social avançadíssima, ditada há três mil e quinhentos anos, e até hoje irrealizada.

            Depois de Moisés surgiram outros médiuns em Israel e foram ditando novas leis, novas formas de governo.

            O primeiro rei dos judeus foi escolhido e sagrado por um médium, Samuel. Esse primeiro rei, Saul, se desviou de sua missão e foi condenado pelo Espírito de Samuel, já então desencarnado, como lemos no relato da bela sessão espírita realizada na cidade de En-Dor, da qual temos ata minuciosa: no Primeiro Livro de Samuel, cap. 28: 1 a 25.

            As formas de governo foram-se tornando mais materialistas e perdendo afinidade com o mundo espiritual superior, deixando dominar-se pelos Espíritos inferiores, contudo, continuou a crença, quase sempre errada, de que era Deus quem escolhia os reis.

            Essa influência espiritual na direção dos povos sofreu os mais tremendos desvios. Desceu a verdadeiros abismos na Idade Média, quando a Igreja Romana, onipotente, parecia inspirada exclusivamente por Espíritos inferiores e cruéis, encarnados e desencarnados,

            Nas linhas gerais da evolução da Humanidade, porém, sempre se observa um Plano Elevado que se cumpre lentamente, no sentido duplo de organizar a vida dos homens de modo a resolverem os problemas passageiros da matéria, e promover o progresso intelectual e moral dos Espíritos.

            A tendência mais forte de hoje é no sentido da socialização dos bens, da produção, do trabalho, com a finalidade de abolir da Terra a pobreza material e fazer reinar a abundância para todas as criaturas.

            Neste sentido vão-se realizando trabalhos pasmosos de colaboração e solidariedade, parecendo que em breve tempo a pobreza será um termo arcaico na linguagem humana. Em todas as formas de governo, no entanto, tenham elas o título que tiverem, há uma elite dirigindo as grandes massas humanas; existe uma aristocracia espiritual governando. Pouco importa que o regime se diga monarquia, república, democracia, nacionalismo, fascismo, comunismo, o que há sempre é o governo de uma pequena aristocracia espiritualmente superior às massas.

            Democracia é uma bela palavra, mas nunca dominou e parece que nunca dominará; porque as massas são sempre conduzidas pelas elites espiritualmente mais inteligentes, mais enérgicas, que as governam e lhes ditam as leis.

            Longe de ser um mal, essa situação é um bem, porque as aspirações das massas - se elas tivessem aspirações - seriam de nível muito baixo, tremendamente egoísticas e dispersivas. Na verdade, porém, as massas não têm aspirações coletivas: aceitam as ideias que lhes são apresentadas pelas elites dirigentes que orientam e governam o mundo. Igualmente no mundo espiritual não há democracia: só há aristocracia. O governo não sobe das massas de Espíritos atrasados, por meio de eleições, para os Espíritos superiores que dirigem e governam. Estes recebem ordens, sempre de cima e não de baixo.

            Nos regimes democráticos da Terra, igualmente, o poder não sobe do povo para o governo, como se supõe, porque o povo, isto é, as massas, são orientadas pelas elites na propaganda eleitoral.

            Todas as formas de governo são dirigidas somente por uma pequena aristocracia de Espíritos mais elevados do que a grande massa humana. 

            Até agora essa aristocracia dirigente só pode governar pela força das armas dirigidas contra as massas; mas, pela evolução, a força das armas terá que ser substituída por outra mais alta: pela força da compreensão e do amor.

            Quando a Compreensão e o Amor orientarem os homens, eles serão guiados pelas Altas Esferas espirituais; permanecerão sempre em convívio com Altos Espíritos desencarnados. Os grandes médiuns - conscientes ou não - surgirão por toda a parte e o mundo terá um governo espírita, mas de Espíritos muito mais amorosos do que os antigos que falavam pela boca de Moisés e outros profetas. A Humanidade então já estará redimida e não necessitará de dores e abalos para caminhar, porque saberá progredir conscientemente pelos impulsos amorosos em busca do bem para todos.

            Para esse grande porvir caminhamos todos.


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