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sexta-feira, 6 de setembro de 2019

A bebida mortal



A bebida mortal
 Redação 
Reformador (FEB) Dezembro 1925

Ao dar a seus apóstolos e discípulos as últimas instruções, antes de desaparecer definitivamente de suas vistas humanas e voltar às regiões superiores donde dirige e governa o nosso mundo e a humanidade terrena, disse Jesus, entre outras coisas: “Aos que crerem acompanharão estes milagres; expulsarão os demônios em meu nome; falarão novas línguas; segurarão a serpente com as mãos e se tomarem alguma bebida mortal, esta nenhum mal lhe fará”.

Falando quase sempre por parábolas e por símbolos, como lh'o impunham as necessidades daquela época e o estado das inteligências dos que o ouviam, Jesus, compondo em poucos termos uma imagem material singela, oferecia aos homens ensinamentos de uma profundeza que, obscurecidos pela carne, os nossos Espíritos, ainda agora, só muito imperfeitamente podem alcançar.

É o que mais uma vez se nos depara nesta figura de extrema simplicidade com que ele simbolizou o poder extraordinário, formidável da fé, como a ensinou e
exemplificou em todo o curso da sua missão messiânica: “Os que crerem segurarão com as mãos a serpente e, se tomarem alguma bebida mortal, esta nenhum mal
lhes fará.”

De novo se apresenta aqui a serpente corno símbolo do mal. Tendo que dali partir, para desempenharem a missão em que ele os investia - a de pregarem
pelo mundo o Evangelho a todas as criaturas, iam os discípulos pôr-se em contato com a serpente de mil cabeças, pelas quais instila os venenos mortíferos dos vícios, paixões e misérias, que taravam e ainda taram a pobre humanidade. Eles, porém, criam, tinham a fé viva e pura lhes garantia a assistência continua do Espírito Santo, isto é, dos Espíritos puros, dos Espíritos superiores, dos Espíritos elevados, que são os ministros do Senhor, agentes da misericórdia divina. Tanto bastaria, afirmava-lhes o divino Mestre, para que nenhum mal lhes causasse a peçonha do temível réptil e, mais ainda, para que o segurassem com as mãos, o dominassem, livrando-se de suas terríveis mordeduras.  

            Tampouco, mal algum lhes faria essa bebida mortal que tanto prazer dá ao homem- a lisonja, que alimenta a vaidade, filha primogênita do orgulho, principal tropeço ao progresso do Espírito.

            Era de certo a esse outro veneno que aludia Jesus, quando dizia: “Se alguma bebida mortal tomarem (os que crerem), ela nenhum mal lhes fará.”

Pela fé, estariam preservados, mas não pela fé que só existe nos lábios. A fé que preserva da peçonha do monstro de tantas cabeças quantas são as causas de queda, de pecado para o homem, é a fé como a tinham os apóstolos, a que assenta na humildade, a que só reconhece poder no Criador e no seu Cristo, que dele o recebeu para tudo quanto respeita ao nosso mundo; a que repete sinceramente com Jesus, que a personificava: só Deus é bom, porque só Ele é absolutamente perfeito.

Quando, como os discípulos do Mestre divino, todos os homens abrigarem nos seus corações a fé qual na amplitude infinita do seu poder; Jesus, a mostrava, a serpente do orgulho, do egoísmo, da vaidade, de todos os vícios e paixões que degradam a humanidade e que daqueles derivam, estará banida da Terra, onde só viverão mansas ovelhas do rebanho do divino Pastor.

            De que esse dia chegará, de que não vem por demais longe, temos a certeza, pela fé plena que depositamos nas promessas do mesmo Jesus.

            E tanto mais pronto serão seu advento, quanto mais depressa os novos discípulos do Cristo, os espíritas cristãos se revelarem possuidores dessa fé, se mostrarem verdadeiros crentes do Evangelho, que lhes incumbe a eles pregar agora pelo mundo, e o pregarem demonstrando que dominaram por completo a infernal serpente e se imunizaram contra aquela mortal bebida.

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