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quinta-feira, 28 de maio de 2015

Promessas

                                                               
                                             Ele, porém, respondendo, disse: Não quero.
   Mas, depois, arrependendo-se, foi" 
(Do Evangelho.)

             Declarou Jesus que passaria o Céu e passaria a Terra, mas suas palavras jamais passariam.

            Através de semelhante afirmativa, quis o Mestre assegurar que suas lições atravessariam os séculos e os milênios sem que os milênios e os séculos conseguissem desfigurar lhes o sentido de eternidade.

            Analisemos o trecho que serve de motivo à nossa página de hoje, extraído da "Parábola dos dois filhos", bem conhecida de quantos se dedicam a leituras evangélicas.

            Um homem tinha dois filhos. A um deles, disse: "Filho, vai trabalhar, hoje, na minha vinha. Ele, porém, respondendo, disse: Não quero. Mas, depois, arrependendo-se, foi."

            O segundo, também instado ao trabalho, disse: “Eu vou senhor." Mas não foi. Perguntou Jesus: “Qual dos dois fez a vontade do Pai?" - E os príncipes dos sacerdotes e anciães do povo que ensinavam no Templo, aquela hora, responderam: o primeiro. Também nós daríamos ao Mestre, sem dúvida, a mesma resposta. Problema de raciocínio...
             
            Todavia, pouco temos aproveitado, no curso de renovadas experiências, da lição que a parábola encerra, em sua contextura simples, sugestiva e profunda. Problema de sentimento, de boa vontade...

            Não é necessário nos reportemos ao tempo em que, ensinando e exemplificando, Jesus transitou pelo Mundo. Fixemos a anotação evangélica, considerando nossas atuais cogitações fragilmente cultivadas, permanecendo, inclusive, no campo religioso que nos é próprio,  o do Espiritismo.

            Não há necessidade de invadir a seara alheia.

            É muito fácil prometer, muito difícil quase sempre, executar a promessa.

            Via de regra, quando entramos em contato com as belezas doutrinárias, tornamo-nos pródigos, fartos e exuberantes na promessa.

            Empolgados pelo sabor da novidade o nosso espírito se engalana e se ornamenta, jubiloso, inclinando-se para brilhantes promessas e exaustivos programas.

            No entanto, quando sobrevém a realidade, percebemos que a aceitação do Espiritismo nos sugere algo diferente: responsabilidades novas, realizações íntimas, substituição de hábitos que os milênios cristalizaram em nossa individualidade ainda defeituosa ...

            No Espiritismo é como se existissem namoro, noivado e casamento.

            Na terceira dessas fases, se o nosso entusiasmo não se baseia na convicção e na lealdade, retraímo-nos, distanciamo-nos da luminosa sementeira que nos daria, no futuro, o equilíbrio e a paz. O progresso, enfim.

            Jesus não podia, nem pode, evidentemente, enganar-se.

            Mais vale dizer "não" e, depois, arrependendo-se, realizar a tarefa, do que dizer “sim" e, depois, insensatamente, fugir ao esforço renovativo.

            Vale menos, na aferição dos valores eternos, o entusiasmo excessivo, que propicia exageradas promessas, do que a firmeza doutrinária, que pontilha de trabalho efetivo e substancial o caminho do servidor bem intencionado.     

            Promessa não cumprida indica, em qualquer parte, leviandade.

            Quem nada promete, mas, depois, refletindo, coloca o coração a serviço do Bem, revela bom senso. E nunca é tarde para agirmos desta maneira, isto é, retificando atitudes inadequadas.

            A "Parábola dos dois filhos" deve ser, necessariamente, objeto da mais acurada meditação.

            Em particular, para nós, espiritistas, porque muito temos recebido do Senhor.

Promessas
Martins Peralva
Reformador (FEB) Junho 1957

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