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domingo, 10 de maio de 2015

A Doutrina é Tudo


A Doutrina é Tudo

Percival Antunes / (Indalício Mendes)


Reformador (FEB) Junho 1962

            O Espiritismo, tal como o definem os Espíritos na codificação kardequiana, não será jamais uma religião sacerdotal e muito menos profissional, dotada de templos suntuosos e subordinada a encenações litúrgicas, incompatíveis com a humildade evangélica encontrável nos princípios do primitivo Cristianismo.

            Desse modo, o Espiritismo é o refúgio de todos os que se sentem desamparados de justiça, de todos os que sofrem, de todos os que percebem a necessidade de orientar a vida terrena com as luzes da Espiritualidade. Os sofredores, os humildes, os injustiçados, os preteridos, os esquecidos, encontram no Espiritismo o lenitivo de que precisam para vencer as suas dificuldades morais e os seus problemas espirituais.

            Todavia, aqueles que concorrem para o desequilíbrio social, os maus ricos e os poderosos que subestimam os fracos, também costumam buscar no Espiritismo, quando atingidos pela lei correcional do Carma, a paz que deles se afasta.

            Então podem aprender que não são melhores que os seus semelhantes. Se aproveitam as lições e procuram reparar os males causados por seu comportamento terreno, conseguem salvar parte da experiência encarnacionista.

            Em suma, o Espiritismo mostra a nova forma do verdadeiro Cristianismo, do Cristianismo do Cristo, e pode continuar cumprindo sua missão educativa e corretiva no seio da Humanidade, levando luz onde houver treva, água onde houver sede, pão onde a fome predominar, e paz onde a dissidência estiver em ação.

            Para que o Espiritismo possa cumprir, como até hoje, sua alta missão, seus adeptos terão que repelir tudo quanto seja capaz de deturpar ou comprometer a Doutrina dos Espíritos, a fim de que ele não venha a sofrer no futuro o que sofreu o Cristianismo do Cristo, cujos princípios foram falseados e não chegaram a influir positivamente na formação moral dos homens.

            Há na criatura humana a tendência natural para inovar ou para acomodar-se a conveniências, ainda que à custa da desnaturação de ideais, doutrinas e programas. Alguns querem correr demais, outros não querem correr mais. Numa doutrina, como a espírita, não há necessidade de inovações nem de estagnação. Tudo está perfeitamente determinado e previsto. Basta que a doutrina seja exemplificada como é preciso, para que tudo corra bem.

            A Doutrina Espírita não é obra humana.  Diz o Codificador na “Introdução” de “O Livro dos Espíritos”: “A Doutrina dos Espíritos não é de concepção humana. Foi ditada pelas próprias Inteligências que se manifestaram, quando ninguém disso cogitava, quando até a opinião geral a repelia.”

            O Espiritismo expande-se pelo mundo e, para alegria nossa, o Brasil constitui o bastião do movimento espírita mundial. É que a Doutrina dos Espíritos não necessita de adaptações, pois a Humanidade é uma só, em qualquer parte da Terra. Além disso, é da própria natureza da Doutrina o possuir enorme elasticidade e capacidade de adaptação, sem perigo de serem constringidos ou feridos os princípios essenciais em que ela está erigida.

            Importa, porém, que todos os espíritas compreendam, aceitem e prestigiem essa maravilhosa maleabilidade que assegura a eternidade dinâmica da nossa Doutrina. Nosso dever é pensar e agir de modo a evitar se instalem no Espiritismo os preconceitos sectários, o fanatismo, o farisaísmo, o misticismo mórbido, a passividade suicida, a aquisição de hábitos e práticas trazidos de outros credos, o intelectualismo fofo e estéril, além do personalismo e da presunção de onisciência. Precisamos ser cada vez mais humildes, cada vez mais convencidos de que nada somos, nada sabemos e nada poderemos alcançar sem que estejamos sendo fiéis, assim na teoria que na prática, às determinações da Doutrina.


            O espírita só o é mesmo quando conhece e exemplifica a Doutrina, mantendo-se humilde, fraterno, prestativo, sereno, tolerante, ativo e trabalhador, mais apto a perdoar do que a punir.

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