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terça-feira, 1 de novembro de 2011

Lendo e Comentando (6)




Lendo e Comentando (6)
por Hermínio C Miranda

in Reformador (FEB)  Março 1970


            Edmund Bentley também se refere aos jovens no seu pequeno artigo intitulado «Where do we go from here?» (Daqui para onde vamos?). Está ele igualmente interessado em discutir. a renovação das pessoas dentro do movimento espírita mundial. Os velhos médiuns, escritores e pregadores espíritas vão dando lugar aos novos. «Cada geração parece insubstituível. No entanto, uma nova porta psíquica se abre quando outra se fecha».
           
            Na realidade, o Espiritismo tem conteúdo, tem substância, tem o que há tempos se chamava uma mensagem para todos aqueles que buscam honestamente o auto aperfeiçoamento e, por conseguinte, o aprimoramento da sociedade em que vivemos. Fizemos progressos consideráveis nos últimos anos. A mediunidade não é mais objeto de ridículo, muito menos passaporte para a fogueira; é hoje estudada a sério por cientistas de renome . Nossas ideias são discutidas livremente e divulgadas na imprensa leiga, no rádio e até na televisão, como na Inglaterra. Há inúmeros livros cuidando do tema fascinante dos problemas psíquicos que constituem a província do Espiritismo.

            Numa conferência pronunciada em Londres para um grupo jovem, notou Bentley que seus ouvintes estão mais interessados no que realizar agora, neste mundo, do que na sobrevivência post-mortem , De certa forma, isto é compreensível. O homem é essencialmente espírito, mas, enquanto viver neste mundo da matéria, tem que cuidar também dos problemas suscitados pelo dia a dia da existência. A Doutrina Espírita oferece os elementos necessários à conciliação entre espírito e matéria. Nossos mestres espirituais não nos aconselham uma fuga dos problemas humanos; ao contrário, temos de viver a vida de todos, participar das dores de crescimento da civilização. De outra forma, corno é que iríamos aplicar o conhecimento adquirido em relação ao mundo espiritual?
           
            O espírita convicto de suas ideias é um ser privilegiado porque vive em dois mundos que a rigor não têm razão nem motivo de estarem em choque. Podemos claramente discernir o ponto de equilíbrio e a necessidade de balancear os nossos problemas materiais e o apelo superior da nossa natureza espiritual. Seria um suicida igual aos outros aquele que se matasse à fome para mortificar o corpo pecador, num exagero de espiritualismo mal orientado, mas seria igualmente lamentável a uma pessoa na posse de conhecimentos espirituais avançados, como o Espiritismo, perder-se em lutas e violências inglórias para implantar à força princípios de uma filosofia puramente materialista, escorada num idealismo falso ou deformado.

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