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segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Paulo II, papa em 'Revelação dos Papas' (UES 1936)



Paulo II, papa

 Fonte: ‘Revelação dos Papas’ (UES 1936)

O médium vê um homem moreno, pálido, de olhos grandes, rosto redondo, altura regular, corpo cheio,
cabelos compridos e grisalhos. Está cabisbaixo. Veste habito escuro, tendo no pescoço uma pala branca ou colarinho,
 e traz na cabeça a tiara. Circunda-o belíssima luz roxa.
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          Tendes na vossa presença o espírito de Paulo II, que vos vem trazer notícias suas e narrar tudo quanto se passou com ele na vida espiritual. Vem à vossa presença o espírito de Paulo II para dizer-vos que muito sofreu após a morte, grandes foram as dores, cruéis os seus sofrimentos no mundo da verdade. Está perante vós o espírito de Paulo II para vos dar uma lição de moral de grande e sabido valor, narrando fielmente a sua vida pontifical e também a sua vida de espírito desencarnado.

          Sou de todos os papas o que menos se conformou com os ensinamentos de Jesus, o que mais se afastou da moral ensinada pelo Mestre, e maiores provas de fraqueza e falta de fé demonstrou durante o seu pontificado.

          Fui um papa desobediente às leis da Igreja, infiel aos princípios da sagrada doutrina de Jesus, que desrespeitou e falseou, desonrou e profanou, cometendo ações pouco dignas de ser praticadas por um sacerdote incumbido de guiar e conduzir a cristandade para o caminho da felicidade espiritual. Sou o espírito de um papa intolerante, orgulhoso, prepotente e insubmisso à lei de DEUS e que não teve escrúpulos em adulterar a doutrina cristã, para saciar a sua volúpia de ouro, a sua sede de domínio e desmedida ambição de gozar a vida material, cujos encantos o seduziam sempre, fascinando-o até o delírio. Sou a alma de um sacerdote sem a mais insignificante parcela de critério moral, de senso comum e de espírito de justiça e caridade.

          Sou o espírito de um impulsivo, voluntarioso, que obedecia mais aos instintos egoísticos, venais e grosseiros, que é voz da consciência e às aspirações da Infinita Sabedoria, do bem, da justiça e do amor!

                Tendes diante de vós o mais completo tipo de criminoso, o mais acabado perfil de tirano e déspota, perverso e covarde! Ides julgar um dos mais indignos chefes que tem tido a Igreja Católica.

          Não podeis avaliar a soma de responsabilidades que pesa sobre o pontificado de Paulo II, os crimes cometidos pelo papa que ora se comunica convosco!

          Não podeis mentir nem conceber o grau de desmoralização a que atingiu a religião de Jesus Cristo no tempo em que pontificou entre vós Paulo II.
          Eu vos contarei, não detalhadamente como desejaria faze-lo, mas largamente, em grandes e vigorosos traços; pintarei de maneira sugestiva, uma série de quadros que vos darão a impressão exata da situação em que se achavam a doutrina de Jesus Cristo e a cristandade terrena durante o governo pontifício de Paulo II, aqui presenta, para dar, perante Deus, que o escuta, e os cristãos que o leem, a maior prova de humildade que um espírito pode oferecer perante o mundo onde viveu, onde praticou os erros e as faltas que o fizeram sofrer na eternidade!

          DEUS, que invocarei sem cessar no correr desta comunicação, é testemunha do que venho declarar à face do mundo; DEUS será o fiador desta revelação que venho fazer perante a cristandade; ELE me dará força e coragem para que não desfaleça em meio do caminho, ao narrar-vos as minhas misérias e fraquezas, os meus abusos e delitos.

          Jesus que invoco neste instante, será também o meu protetor, o meu guia nesta explanação que venho fazer diante dos meus irmãos da Terra, para mostrar-lhes a verdade, desvendando-lhes o mistério que envolve as coisas d’além tumulo, e ao mesmo tempo, fazer-lhes sentir que já é tempo de se emancipar dessas crenças funestas que nada lhes adianta na vida terrena, criando para eles, na eterna vida, dias sombrios e amargurados. Direi hoje aos meus irmãos a verdade que não tive coragem para sustentar e defender outrora.

          Senti-me na cadeira papal à custa de esforços que fiz para colocar sobre a minha cabeça a tiara, com a qual sonhara desde o início da minha carreira sacerdotal, cheia esta de episódios dramáticos, cenas trágicas em que figurei sempre como principal protagonista, representando os mais indignos papeis.

          Subi ao trono pontifical por um golpe de astúcia, ato criminoso praticado por mim e por aqueles que tinham interesses em colocar-me no alto, para que, uma vez lá em cima, lhes desse a mão, os guindasse também as culminâncias, onde, à farta, pudesses saciar a gula, os apetites vorazes, satisfazendo as ambições criminosas que vinham alimentando nas suas almas danadas, nas suas entradas de verdadeiras bestas humanas.

          Galguei a elevada posição de Pontifice Maximus à custa do sangue de um adversário que me podia vencer com o seu prestigio e o seu valor, cardeal possuidor de raro mérito e brilhantes e invejáveis virtudes, inteligência culta, coração generoso, repleto dos mais puros e sinceros sentimentos de fé, caridade, justiça e amor à doutrina de Jesus.

          Presto-lhe aqui todas as minhas homenagens, hoje, depois de haver recebido desse extraordinário e bondoso espírito a grande prova de amor que acaba de dar-me, perdoando-me, intercedendo por mim junto a DEUS e a Jesus.

          Eu o proclamo daqui santo e puro, espírito eleito, digno e glorioso servo do Senhor! DEUS lhe concedeu a luz e a glória supremas de viver ao lado dos grandes, mas, na sua imensa bondade, ele abandona constantemente o mundo da bem-aventurança para vir ombrear com os humildes e os pequenos, os pobres da luz divina, para ajudá-los, confortá-los nas suas provações.

          Esse foi um dos meus maiores crimes; outros cometi ainda durante o meu pontificado. Direi vós — mas todos esses crimes são ignorados na Terra! Eu vos responderei — nada sabeis, meus irmãos, do que se passa dentro desse palácio sinistro a que chamais — Vaticano; nada conheceis da vida intima dessa gente que na Terra se inculca santa e imaculada! Felizmente para eles e para todos vós, soou já a hora em que a verdade vai brilhar com todo o esplendor da sua pureza! Não poderão mais enganar-vos; passou o período das ilusões e das falsidades e mentiras, raiou a aurora sublime do Espiritismo, que há de restabelecer a verdade em toda parte e sobre todas as coisas. Ouvi, portanto, o que me diziam os espíritos dos papas nesta “Revelação”.

          Sentei-me na cadeira chamada de S. Pedro à custa do sacrifício de uma vida preciosíssima; revesti-me dos ornamentos pontificais com as mãos tintas do sangue de um companheiro, amigo e irmãos; empunhei o cetro de rei da cristandade, tendo os pés sobre o túmulo de um sacerdote merecedor de todas as honras e distinções, de todos os respeitos, de toda a estima e de todo o amor.

          Pontifiquei após um ato abjeto, infame miserável e covarde! Não parou aí a minha fraqueza e miséria; fui além, muito além!

          Persegui os amigos daqueles que eu sacrificara à minha ambição e à minha inveja, ao meu ódio e ao meu egoísmo. Sacrifiquei ainda outras vidas; fiz calar as vozes que se fizeram ouvir protestando contra os meus atos desumanos e covardes!

          Não perdoei os que diziam ser eu um verdadeiro criminoso celerado, indigno de sentar-me na cadeira da verdade!

          Fui além, muito além, sacrifiquei ainda os que não quiseram pactuar com as minhas infâmias; roubei a vida aos que procuravam punir-me pelos atentados que cometera. O veneno foi sempre a minha arma o meu instrumento de vingança. Os meus auxiliares nessas empresas funestas foram contemplados, cumulados de honras, prêmios e galardões, tendo alguns desses assassinos chegado a vergar a púrpura cardinalícia.

          Os meus amigos tiveram a mais completa satisfação de todas as suas ambições e viram realizados todos os seus sonhos por mais absurdos que fossem. Nada lhes faltou, nada lhes neguei; tudo lhes concedi, tudo lhes dei; somente não lhes pude dar a paz e a tranquilidade de consciência na vida espiritual, onde, ao meu lado, padeceram cruéis tormentos, participando das minhas dores e das minhas lágrimas.

          Dei-lhes tudo em minha vida, dispensando-lhes todos os favores e atenções; não lhes pude dar, entretanto, depois da morte, a felicidade e o perdão quando ao meu lado os imploraram, apelando para o meu prestígio pontifical, pedindo-me fizessem cessar a sua tortura, mitigasse as suas dores, fizesse terminar o seu martírio.

          Conquistei tudo quanto desejei em vida, realizando quanto sonhara na Terra, ainda mesmo à custa do sacrifício do meu semelhante; mas na vida eterna nada consegui, nada alcancei que não fosse à custa dos maiores sacrifícios e horríveis tormentos, e, se não fosse a intervenção das minhas próprias vitimas, principalmente dessa de quem há pouco vos falei exaltando lhe as virtudes, a estas horas estaria eu ainda suportando os horrores das trevas, gemendo, chorando, padecendo no inferno que eu mesmo abri na minha própria consciência.

          Outros crimes pratiquei ainda e DEUS também nos perdoou. Outras crueldades cometi também contra inocentes criaturas que sacrifiquei ao meu capricho e a minha gula sensual!

          Não respeitei o pudor das virgens confiadas à guarda da Igreja que eu chefiava, não me preocupando com as consequências dos meus atos volutuosos, da minha concupiscência desmedida, que me levou à prática das reprovadas e criminosas ações. Tudo isso que confesso aqui, diante de DEUS e na vossa presença, foi praticado por aquele que se dizia representante de Cristo na Terra, pelo grande pastor, chefe supremo da doutrina de amor pela qual o Divino Mestre se deixou imolar para nos dar exemplos de caridade, abnegação, humildade, amor e justiça. Foram esses os atos de impiedade cometidos por Paulo II que se dizia pai e pastor dos rebanhos de Jesus; foram essas atrocidades praticadas por aquele que devia ser a personificação da pureza, da inocência, da virtude, da caridade e do amor!

          Paulo II foi, pois, um bárbaro, criminoso vulgar, réprobo, covarde e feroz assassino.

          Cometeu Paulo II essas torpezas seguro de que todos os seus crimes ficariam impunes, que DEUS não os levaria em conta, por terem sido praticados pelo papa, pelo representante de Cristo da Terra.

          Assim também pensavam muitos antecessores meus, que se transviaram do caminho do dever, certos de que nada lhes aconteceria na vida eterna, onde, supunham, continuariam a gozar os privilégios e prerrogativas que desfrutaram na Terra. Ilusão! Ilusão! DEUS é justo e sábio e, por isso, a Sua justiça atinge igualmente a todos sem distinção de classe, sem olhar a posição hierárquica a que pertenceu o espírito quando no mundo.

          DEUS, na Sua infinita sabedoria, quer apenas ver as causas que nos levaram à prática dos delitos, dos atos criminosos pelos quais respondemos na Sua presença.

          Ilusão! Ilusão! Nada se apaga do bem ou do mal que praticamos na vida terrena; tudo fica gravado no infinito, onde os nossos atos repercutem e deixam vestígios, clichês das nossas ações dignas ou reprovadas, e um dia, quando chegarmos ao mundo dos espíritos, vamos nós mesmos ler o que está escrito em caracteres luminosos e inapagáveis, os nossos erros, as culpas que recaem sobre os nossos espíritos, o perdão ou a condenação que merecemos pela miséria porque nos conduzimos na vida.

             Ilusão! Ilusão! Vos disse já e repito: Ilusão! Tudo quanto pratiquei foi por mim mesmo lido no infinito, em presença dos espíritos incumbidos de distribuir a justiça, perante os juízos que examinam as nossas consciências quando abandonados o corpo material para entrar na vida eterna e imortal.

           Padeci pois, e muito, após a morte, e ainda hoje esses recordações atormentam o meu espírito e perturbam a minha alma.

          DEUS me deu o meio de expurgar as minhas faltas; por isso me encarnei na Terra nove vezes, depois de ter sido papa. Suportei nessas existências as maiores provações e, graças a elas, hoje, gozo de alguma felicidade e posso, em nome de DEUS e de Jesus, que me ouvem nesta confissão, dizer-vos: Meus amigos, abandonai as ilusões, não vos deixei enganar pelos falsos ensinamentos; buscai a verdade onde ela existe de fato; não vos deixeis iludir por essas crenças que nada tem de legítimas, que devem ser para vós outros suspeitas, duvidosas, por emanarem de fonte também suspeita e duvidosa.

          A verdade está no Espiritismo, que deveis cultivar e estudar e cujos ensinos deveis aceitar, para poderdes um dia encontrar a felicidade e a paz eternas.

          Só esta doutrina poderá elucidar o vosso espírito, iluminar as vossas consciências, esclarecer a vossa razão, dar-vos a certeza e a segurança da verdade, dessa verdade que eu proclamo daqui como a única e confiável, completa, indestrutível e absoluta.

          Antes de me retirar direi: não mateis, jamais sacrifiquei vidas, jamais procureis abater o vosso semelhante para satisfação dos vossos interesses, jamais busqueis subir na escala social à custa do sacrifício de quem quer que seja.

          Não procureis alcançar a glória sacrificando interesses alheios, humilhando os vossos irmãos, calcando aos pés os princípios sagrados da justiça e do amor ao vosso semelhante, cuja vida e interesses deveis respeitar sempre e sempre!

          Não vos desvieis dos ensinamentos de Jesus, jamais vos afasteis da verdade espírita, a única que existe e que poderá livrar-vos dos sofrimentos e torturas por que passou o espírito de Paulo II que se retira satisfeito por ter dito aqui toda a verdade, diante de DEUS e em face do mundo cristão, humilhando-se perante os seus irmãos da Terra, para os quais invoca neste momento a Misericórdia Infinita e a proteção e amparo de Jesus Cristo — o nosso Redentor.

          Adeus, e cumpri o que vos peço, para poderdes, um dia, serem Felizes na eternidade, onde vos espero para felicitar-vos, em nome de Jesus, por haverdes cumprido o que hoje vos recomendo.

Paulo II             (Novembro de 1915).

Fonte : Wikepedia

        Paulo II nascido Pietro Barbo (Veneza, 23 de Fevereiro de 1417 - Roma, 26 de Julho de 1471) foi Papa entre 30 de Agosto de 1464 e a data da sua morte.

      Sobrinho do Papa Eugénio IV, adere à carreira eclesiástica quando da eleição do tio, em 1431.  As suas promoções foram rápidas: Cardeal em 1440 e eleito Papa por unanimidade em 30 de Agosto de 1464, sucedendo ao Papa Pio II.

     O seu juramento obrigava-o a abolir o nepotismo na Cúria Romana, incentivando a moralidade, a combater os turcos e a convocar um concílio ecuménico nos primeiros três anos do pontificado, o que não ocorreu.

      Sua morte foi causada pela quantidade exagerada de joias que usava nos dedos, que com o tempo muito frio lhe causou uma pneumonia.




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