"A Igreja romana não relegou para segundo plano o pai, fazendo do filho o objeto exclusivo de seu culto de adoração? E o culto prestado a Maria já não ameaça substituir o que ela, a Igreja, presta ao filho? "Mas virá o tempo, e já veio, em que os verdadeiros adoradores adorarão o pai em ESPÍRITO E VERDADE; esses são os adoradores que o pai quer. " "Os Quatro Evangelhos" de J.-B. Roustaing, à pág. 221 - Vol 4 - 7ª Ed. (FEB) 1990.
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quinta-feira, 6 de maio de 2021
Calamidades
quarta-feira, 5 de maio de 2021
Imortalidade condicional
Imortalidade
Condicional
A Redação
Reformador
(FEB) Abril 1914
Embora as religiões o proclamem
ainda, figura, nos seus artigos de fé, como um texto morto, que tem o seu lugar
na história das aberrações humanas.
Essa crença, que tantos terrores
infundiu em espíritos atrasados de outras épocas, não penetra mais nas consciências.
Não podem os encarnados de hoje, com
algum adiantamento, aceitar a velha solução tradicional do problema escatológico.
Impossível é, entretanto, afasta-lo
das nossas cogitações porque o destino das almas a todos interessa.
Em artigo da nossa edição anterior,
demos perfunctória noticia de uma solução, já acolhida em círculos protestantes
e que se aproxima da doutrina espírita.
Vamos apresentar, agora, outra
reposta ao magno problema, também adotada por teólogos e pastores protestantes,
que a tem propagado em numerosos volumes.
Não se pode negar que, entre o
sectário do protestantismo, se ligue importância a esse movimento contrário ao
dogma tradicional das penas eternas e que, tendo precursores na filosofia,
começou, em meados do século passado, com a obra de Edward White - ‘A lmortalidade Condicional’, com as
suas prédicas e foi impulsionado por numerosos adeptos.
Para conhecer a doutrina condicionalista
lemos, entre outras, as obras notáveis de H. Drummond (‘As Leis da Natureza no Mundo Espiritual’) e E. Petavel-Ollif (‘O Problema da Imortalidade’) bem
diferentes no método e na exposição, mas chegando ao mesmo resultado.
Sustentam os condicionalistas que a
alma humana, como todo ente criado, é, em principio, mortal.
Torna-se, porém, imortal pela fé em
Cristo, libertando-se do pecado pela prática de sua doutrina. A imortalidade,
adquire-a o indivíduo pela sua fé e por seus atos.
A alma pecadora, depois de punida em
outra existência, morre de... inanição.
Drummond, em estilo atraente, aplica
ao mundo dos espíritos, por analogia, as leis da natureza, conhecidas e
interpretadas, conforme a doutrina darwínica.
Na luta pela existência sucumbem os
fracos, sobrevivem e se perpetuam os fortes, que souberam adaptar-a ao meio.
No mundo espiritual, os fracos, que
tem de desaparecer, porque não souberam Iutar, resistir, adaptar-se ao meio,
vencer, em suma, são os pecadores, os que fazem o traspasso na impenitência.
Peteval-Olliff acumula textos sobre
textos do antigo e do novo Testamento, e de escritores velhos e modernos, para
provar que a Bíblia condena, não ao fogo eterno, mas à morte, ao aniquilamento
a alma dos pecadores impenitentes.
Irreconciliáveis com o dogma das penas eternas, os condicionalistas encontraram uma solução, que poderemos chamar de política religiosa, porque ameaçam os pecadores com as penas temporárias, em que podem acreditar, e com a extinção da personalidade, o nada.
A igreja católica está petrificada
no seu dogma.
Bosquejando uma notícia sobre as modernas
ideias escatológicas da teologia protestante, considerada liberal e
progressiva, o nosso intuito é tornar patente a superioridade da solução espírita,
expressa no lema kardeciano: nascer, morrer, renascer, progredir sempre.
Estão as nossas provas:
- Na própria natureza da alma
preexistente e sobrevivente; nos fenômenos do nascimento e da morte, cujos mistérios
estão desvendados.
- Nas revelações dos espíritos;
- Nos fatos observados, estudados,
recolhidos nos nossos anais, na crônica, na tradição e na história.
A nossa documentação não pode ser apagada.
A solução espírita, que remove todas
as dificuldades - fácil seria enumera-la - opostas ao dogma e às variantes
modernas, não é fantasista, como a teológica.
Assenta em fatos positivos e
concludentes, que opulentam os nossos arquivos.
Ainda que pese ao negativismo estéril
e dissolvente, aí estão as revelações sobre o destino da alma, fora dos domínios
do sobrenatural, que a ignorância inventou.
O concilio de Trento recomendou aos
padres que, em suas prédicas, evitassem o problema escatológico. Calvino
confessava-se horrozisado com a solução da sua teologia - decretum quidem horribile falcor. (Na verdade, decisões horríveis falham)
Passou esse período sombrio.
As lições do Espiritismo sobre este
assunto, antes considerado transcendente, são positivas, claras, simples,
singelas, como as do Evangelho, e, amanhã, serão verdades incontestes e banais,
como a rotação do planeta, negada durante os séculos de dominação da igreja
romana.
Grupo Ismael
Grupo Ismael
por Bezerra de Menezes (Espírito)
Reformador
(FEB) 1º Maio 1916
Aí, nessas ligeiras linhas,
vencendo quiçá dificuldades que mal podemos apreciar, quais as de afinidades
mediúnicas e cabedais latentes do próprio médium, transparece, de fato, o
cintilante narrador de “Casa assombrada” e o profundo filósofo dos “Estudos de
Max”.
E, sente-se, de contrapeso, o
ritmo suave de um coração de crente palpitando em diástole de amor, de
luminosos eflúvios, lembrando carícias maternais.
Foi no dia 13 do corrente,
memorativo de sua desencarnação que os confrades do “Grupo Ismael” por ele,
Bezerra, presidido outrora, se lembraram de ouvi-lo eventualmente sobre
assuntos doutrinários, pertinentes à Federação, de que ele foi também por
longos anos principal coluna e o mais extremo defensor, na Terra.
Aliás, essa eventualidade já havia
sido preconizada possível por outro assíduo e não menos valioso companheiro da
espiritualidade naquele “Grupo” – Bittencourt Sampaio.
O que não podemos transfundir para aqui
– e com mágoa o dizemos – é a tonalidade da voz, a expressividade da palavra
articulada, a humildade do gesto do vero discípulo de Jesus, cuja passagem pelo
nosso meio social foi um padrão de exemplos imorredouros, constituindo, por
assim dizer, o centro de convergência do proselitismo incipiente.
Essa posição de destaque em meio a
companheiros outros da primeira hora, possuidores, todos, de sólida bagagem
intelectual e moral, ninguém a disputa ao que hoje vulgarmente conhecido por
bom velhinho, tem a fortalece-lo e a ampara-lo no mundo espiritual uma pirâmide
de corações agradecidos.
O nosso órgão por ele magistralmente
dirigido no passado, tanto quanto assistido agora, ufana-se de estereotipar lhe
o pensamento, no qual há sempre que meditar e aprender.
Eis a comunicação:
Louvado
seja por toda a eternidade o Cordeiro de Deus!
Atraído
por vossos sentimentos sou igual e sumamente grato aos conceitos emitidos em
meu favor, conquanto deles me não julgue digno pelo só esforço de me revelar o
mais insignificante soldado das hostes de Jesus, a quem tudo devo, inclusive a
felicidade que hoje desfruto.
Há muito acalento o
desejo e espreito a oportunidade de vos falar assim de viva voz, não obstante a
minha assídua permanência a vosso lado, no posto de trabalho que a misericórdia
de Deus e a graça de Jesus me confiaram.
Hoje,
tivestes a lembrança de invocar o meu nome sob os desígnios e consoante a
vontade de Jesus, aqui estou a dizer-vos:
Ah!
Quem me dera ter caridade e ser humilde!
Mas,
como esse Jesus é bom, como Ele me curou e curará a todos vós, eu vos direi: -
Avante, lutai sem temor, desenvolvei vossa fé, buscai páginas do Evangelho –
manancial inesgotável de amor, de caridade, de misericórdia – as forças para
prosseguirdes na vossa trajetória.
Não vos preocupeis com
a luta que vem travada, visto que Ele, o Cordeiro de Deus tem os seus legítimos
defensores que são os seus legítimos defensores, que são os seus mensageiros
encarregados de velar pela marcha e propagação da sua doutrina no mundo.
Não
se intimidem, tampouco, os vossos espíritos pelas constantes investidas dos
agentes das trevas contra este templo.
Mas,
digo-vos eu, intimidai-vos antes de vós mesmos; temei, amigos, as vossas
fraquezas, pois são elas que nutrem e fortalecem as hostes inimigas.
Rendei
graças a Deus, sempre, e no íntimo das vossas consciências fazei vibrar bem
alto o reconhecimento por haver Deus permitido possuirdes aqui um lugar de
trabalho.
É
aqui, de fato, a grande oficina na qual se formam e aptos se tornam os
artífices para curar os enfermos do corpo e da alma.
Como
é grandioso, como é extraordinário o que se passa acima das vossas cabeças!
Ah!
Que por viverdes ainda mergulhados no cárcere da carne, não possais apreciar em
toda a plenitude e beleza esses quadros inenarráveis!
Mas dia virá no qual,
como eu, coxo e estropiado, também tereis a vossa recepção neste plano...
E,
como eu, exclamareis então: Como Deus é bom!
O
momento, meus amigos, não comporta desenvolvimento de programas, ainda mesmo
porque o instrumento de que me utilizo pela primeira vez não está apto para
tanto; mas eu respondo ao vosso pensamento em duas palavras:
A Federação tem sua
orientação traçada, orientação que tem dado frutos excelentes e continuará a dá-los.
Quanto à Propaganda falaremos mais tarde e
oportunamente, porque ligados a ela há muitas questões não menos importantes e
que precisam ser abordadas.
Cumpram
vocês à risca – digo eu – o programa traçado pela Federação, tornem-se passivos
e obedientes às sugestões dos guias, cerrem colunas de modo a não permitir
brechas ao inimigo, abriguem-se sob o estandarte do Evangelho, procurem com
calma interpretar os seus ensinamentos; não se dividam por princípio algum,
afirmem, e mais, demonstrem aqui dentro e lá fora que este templo é de Jesus,
onde só se pratica o bem e a caridade, amai-vos uns aos outros, em suma, e eu
estou bem certo que essas prevenções , essas barreiras de improviso levantadas
, cairão por terra como por encanto, a fim de que fulja radiante, luminosa e
digna de veneração a figura gigantesca de N.S.J.C. – que estenda sobre esta
casa o seu manto misericordioso.
Por
hoje, não devo ir além. Ao despedir-me, agradeço do fundo d’alma o testemunho
eloquente da vossa solidariedade e simpatia ao vulto desvalioso e
insignificante do vosso obscuro e sempre dedicado companheiro.
Bezerra
terça-feira, 4 de maio de 2021
Bilhetes
Bilhetes
por G. Mirim (Antônio Wantuil de
Freitas)
Reformador
(FEB) Outubro 1946
Muito se fala atualmente em democracia, em liberdade de cultos, em respeito à consciência e ao direito do homem. Mas, pelo que vimos observando, a nossa legislação clericalista, inquisitorial, forjada à sombra do longo período “dipiano”, que não permitia a liberdade de a Imprensa e muito menos de as classes sociais se defenderem, continua, qual espada de Dâmocles, sobre a cabeça dos que não rezam pela cartilha da chamada maioria católica.
Enquanto certos jornais, dirigidos
por padres geralmente estrangeiros, têm a liberdade de agredir os não
católicos, mentindo, enredando e difamando, sem menor respeito às leis do País,
que os não atemorizam, porque se sentem senhores, as suas vítimas, quando
muito, só têm o recurso de ouvir e calar, visto que aquelas mesmas leis
poderiam ser invocadas, no caso de se defenderem.
Há mesmo, jornais católicos especializados
no plano, encarregados de maquinarem a intriga ou a infâmia, em seguida
transcrita pelos demais órgãos clericalistas. Desmentidos e diante mesmo de
documentos comprobatórios da sua artimanha, não dão qualquer satisfação, antes,
deixam que a intriga corra todo o território brasileiro, através de seus órgãos
e, em seguida, lançam mão de novo ardil.
É de lamentar que tudo isso ocorra.
Não por nós, que estamos dispostos a receber todas as afrontas e as julgamos insignificantes
quando comparadas às que o sacerdócio organizado atirou contra o Custo, mas,
por eles mesmos, por conhecermos a Lei a que estão sujeitos e a qual pagam o
seu tributo periodicamente, num ou noutro pais.
Constantemente esta revista se vê
obrigada a desmentir as infâmias propaladas pelos órgãos clericais. De quando
em vez, não contentes com seus planos de nos classificarem como inimigos da Religião,
da Família e da Pátria, urdem planos maquiavélicos em que nos apresentam como
conspiradores contra o governo constituído. E, com isso, algumas vezes têm
conseguido fechar os nossos Centros, os quais, porém, reabertos em seguida,
após a verificação policial de que não nos preocupamos senão com o Evangelho,
se enchem cada vez mais, obrigando-nos a desdobrá-los, visto que se tornam insuficientes
para receber o grande número de novos adeptos que surgem após cada perseguição.
São esses padres, cuja estatística nos demonstra serem
quase todos estrangeiros, os senhores absolutos. Fazem o que bem entendem. “O
Brasil é um País cristão e nós somos os ministros do Senhor.” - dizem eles.
Ninguém se atreva a perturbar lhes os planos de domínio das consciências - ad majorem Dei Gloriam. (“Para maior glória
de Deus", lema da Companhia de Jesus, cujos membros são chamados
‘jesuítas’.)
Para eles toda a
liberdade; seus gestos e suas palavras não estão sujeitos ao Código Penal que
eles próprios engendraram. Criaram-no para os espíritas, para meter os estorvadores
na cadeia, já que não nos podem levar à cegueira, não porque receiem as leis
brasileiras, mas pelo temor às represálias que poderiam surgir noutros países.
Os passes, porém, continuam a ser dados! Os doentes
continuam a recebe-los. Não são mais administrados livremente sob a proteção da
Lei, mas nos lares espíritas, transformados hoje em catacumbas semelhantes às
dos primeiros tempos.
E nós, os cristãos novos que viemos
para fazer ressurgir o Cristianismo, expurgando-o dos enxertos, das deturpações
e das interpretações interesseiras que lhe ofuscaram o brilho e consequentemente
afastaram os homens dessa fonte de Sabedoria - O EVANGELHO, aqui, estamos
dispostos ao sacrifício e em prece contínua para que Deus abençoe os nossos
algozes, iluminando lhes a consciência e o raciocínio, harmonizando-os com os
ensinos d'Aquele que é a Verdade, o Caminho e a Vida.
Que Deus se apiede dos nossos
perseguidores.
segunda-feira, 3 de maio de 2021
Origem dos Espíritos
Origem dos
espíritos
por Arthur
da Silva Araújo ‘Brasil-Espírita’
Outubro 1971
- Numa série de
existências que precedem o período a que chamais Humanidade. (Questão n. 607 de
“O Livro dos Espíritos”)
Os Espíritos
Reveladores haviam dito a Kardec, na questão nº 190, que o estado da alma, na
primeira encarnação, era semelhante ao da infância na vida corporal, o que
levou o Codificador, então, a formular a pergunta que está merecendo o nosso
estudo.
Antes, contudo,
de considerarmos essa manifestação do Mundo Espiritual, convém nos detenhamos
no exame dos termos utilizados para a indagação, sobretudo neste precioso
conceito: “Onde passa o Espírito a primeira fase do seu desenvolvimento?”
É que Kardec
desejava saber em que condições ou estado o Espírito se encontrava antes de
receber, pela primeira vez, a vestimenta física humana.
Que era
ele? Simples fluido?
Os Reveladores,
sempre atentos, responderam de maneira a não deixar dúvidas: “Numa série de
existências que precedem o período a que chamais Humanidade.”
O ensino é claro,
mas o Mundo Espiritual procura torná-lo mais compreensível, assegurando que
tudo na natureza se encadeia e caminha para a unidade e ainda que os seres
inferiores da criação, cuja titularidade estamos longe de conhecer, significam
o princípio inteligente que se elabora e individualiza, a pouco e pouco,
ensaiando-se para a vida consciente. Anunciam os Reveladores que, depois de
longo trabalho preparatório, em outros estágios, o Espírito entra em período de
humanização, começando a ter consciência do seu futuro, a possuir capacidade
para distinguir o bem do mal e a conquistar responsabilidade para os seus atos
ou melhor dizendo, as condições indispensáveis para manipular o livre arbítrio.
Assim, - voltamos
a indagar -, que existências são essas, anteriores à fase hominal?
Serão,
certamente, aquelas mencionadas pelos Evangelistas e ditadas, entre os anos de
1861 a 1865, ao advogado J. B. Roustaing, por intermédio da médium mecânica
Mme. Collignon.
Examinemos
mais detidamente o assunto.
Deus cria
espíritos incessantemente, segundo afirmação do Mundo Espiritual na questão nº
81; mas ninguém sabe por que os cria e em que momento o faz, como acrescenta na
questão nº 78.
Ora,
sabendo-se que Deus cria permanentemente, será que Ele plasma o Espírito já
como homem, na condição de “simples e ignorante”, como está consignado na
questão nº 115? Não, evidentemente que não, uma vez que os próprios
Reveladores, na questão nº 607, afirmam que ele passou por uma série de
existências anteriores.
É nessa hora que
somos levados a consultar “Os Quatro Evangelhos”, para neles recolher as
explicações complementares, todas simples, lógicas e convincentes, que os
Evangelistas ofereceram a Roustaing.
Vejamos, em síntese,
como eles se expressaram:
O Espírito inicia
sua trajetória no reino mineral, como simples essência espiritual, sem
individualidade. Depois através de fase realmente curta, mas sempre
progressiva, atinge o reino vegetal, conhecendo as sensações, participando de
atos exteriores, com ideia de sofrimento mas sem ter a consciência de suas
causas.
Posteriormente,
ingressa no reino animal, ocasião em que inicia as relações ostensivas com o
exterior. Permanece no campo dos instintos e da conservação. Tudo muito
limitado, evidentemente e obedecendo à marcha evolutiva anunciada na letra “a”
da questão nº 597 de “O Livro dos Espíritos”: “É também uma alma, (dos
animais), se quiserdes, dependendo isto do sentido que se der a esta palavra.
É, porém, inferior à do homem. Há entre a alma dos animais e a do homem
distância equivalente à que medeia entre a alma do homem e Deus.”
Finalmente,
após estágio em mundo “ad-hoc” (para esta finalidade), no qual
recebe a responsabilidade integral do livre arbítrio e é alertado sobre os
deveres e os riscos da caminhada evolutiva, o Espírito inicia sua marcha em
demanda da Eternidade e da Luz Imortal, agora com a sublime missão de abandonar
os instintos que conserva do reino animal, para incorporar os sentimentos e as
virtudes que o conduzam ao Reino de Deus.
O certo é que
todos nascemos iguais, atravessando os mesmos reinos até chegarmos ao período
de humanização, onde damos os primeiros passos na condição de “simples e
ignorantes”, como falaram os Reveladores a Kardec.
Aí começa o
grande trabalho, a grande opção. Escolhemos os caminhos que mais nos agradam e
selecionamos os grupos com os quais nos afinamos, sempre com a assistência e as
bênçãos divinas.
Muitos caem e
alguns vencem.
Para ritmar
nossos passos nas sendas do mundo, sempre contamos com a ajuda generosa de
Jesus, que não esconde sua condição de Salvador do Mundo. É claro que Ele não
se propõe a nos carregar ao colo, enquanto permaneçamos deslumbrados com as
fascinações do caminho, mas nos oferece o seu Evangelho de Luz, transbordante
de moral e de bondade, para servir como roteiro de redenção para o nosso
Espírito.
O Cristo Agênere
‘O Cristo Agênere – Considerações morais’
Fonte: ‘A queda original segundo o Espiritismo’
por J.-E.
Guillet
Pesquisa e coordenação: Jorge Damas Martins
Copyright:
Casa de Recuperação e benefícios Bezerra de Menezes RJ RJ
“Se o Cristo,
diz-se, só teve um corpo fluídico, ele não provou nem a dor nem o sofrimento.
Se ele não sofreu, a cena do jardim das Oliveiras, sua paixão e sua agonia são
apenas um vão simulacro e uma comédia indigna que lhe tira todo o mérito que
ele pode ter aos nossos olhos.”
Os sofrimentos e
a dores são de duas espécies: físicas e morais. Quanto mais o ser se eleva, á
medida que seu ideal cresce, ele faz pouco caso das privações, menos ainda dos
gozos materiais, e oferece sua vida, de boa vontade, para o triunfo de uma
ideia. É como se tem visto os heróis e os mártires, por meio dos mais cruéis
suplícios, morrerem com sorriso nos lábios. Vede Joanna D’Arc, Savoranola e
todos os grandes perseguidos, e dizei se neles o sofrimento moral não
ultrapassou a dor física?
Mas sem procurar
exemplos tão altos, qual é aquele dentre nós que, vendo sofrer alguém dos seus,
não provaria as mesmas torturas que o ser amado? Crê-se que a mãe que visse massacrar
seu filho sob seus olhos não sofreria mais do que ele?
Está demonstrado que a dor física entorpece pouco a
pouco o ser que a sente; é o que faz que um ferido, por exemplo, quase sempre
perca os sentidos se o sofrimento é muito violento. Por outro lado, o estado
psicológico no qual ele então se encontra neutraliza às vezes completamente a
dor: como atestam as religiosas de Loudun, que nada sentiam dos atrozes
tratamentos que elas se auto infligiam.
Pois bem,
pensar-se-á que, na paixão do Cristo, seja preciso ter-se em conta apenas a dor
física? Será que os golpes da flagelação, do coroamento de espinhos, da
crucificação não se repercutiam moralmente sobre a sua alma? Que diferença
haveria então entre o mártir divino e os dois ladrões que participavam o seu
suplício? e qual era o mais doloroso para ele ou o de estar crucificado, ou o
de estar posto na classe dos criminosos?
E é assim que a
questão se apresenta por seu lado verdadeiramente grandioso. Se se imagina este
Espírito puro, um Messias da mais elevada ordem, deixar os esplendores celestes
para vir fazer o que? Repor sobre o caminho reto uma humanidade decaída; ser
exposto a se ver insultado, vilipendiado como ninguém o foi jamais; ser
condenado, ele, a Luz do mundo, a vir parlamentar com um Caifás, um Herodes, um
Pilatos; ser obrigado a se valer constantemente de seu Pai celeste para aceitar
sua missão, apesar dos benefícios que semeava sob seus passos; ser flagelado,
achincalhado, maculado, por uma multidão vil amotinada contra ele; ser enfim
abandonado, traído, renegado pelos seus, por aqueles mesmos que se aprouvera de
encher do seu amor; e isso depois de uma vida dolorosa, fluidicamente falando;
porque não é necessário se dissimulá-lo; ser atacado materialmente durante
longos anos em um corpo perispirítico deve ser para um Espírito desta elevação
uma prisão horrível e um suplício sem igual.
E quem nos prova,
de fato, que uma encarnação fluídica em um mundo material não seja um grande
sofrimento e um devotamento admirável da parte de um Espírito puro!
P.S.: Este livro pode ser obtido via
internet acessando o site da CRBBM: www.crbmm.org
domingo, 2 de maio de 2021
Os maiores propagandistas do Espiritismo
Os maiores propagandistas
do Espiritismo
por Rodolfo Calligaris Reformador (FEB) Outubro 1963
Qualquer que seja a modalidade desse
combate, o resultado é sempre o mesmo: contraproducente para quem o pratica e
favorável a quem o recebe. Haja visto o que sucedeu ao Cristianismo nascente;
quanto mais cruentas eram as perseguições e mais terríveis as ameaças aos seus
adeptos, mais desassombrada se tornava a sua coragem e mais rija a têmpera de
sua fé, e a cada chacina em que eram massacradas muitas centenas de cristãos,
correspondia um número muito maior de conversões à nova doutrina.
O mesmo ocorre atualmente cem o
Espiritismo, que é sua revivificação, guardada apenas a diferença das armas e
dos meios de combate.
Impossibilitados de atirar os seus
adeptos às feras nos picadeiros circenses, de passá-los pelas armas ou içá-los
aos postes, besuntá-los e atear-lhes fogo, quais tochas humanas, porque as leis
e os costumes, hoje, já não permitem semelhantes atrocidades, seus atacantes
ora procuram cobri-los de ridículo, ora os cobrem de impropérios, taxando-os de
endemoninhados e outros epítetos menos corteses... a par disso, inventam
episódios comprometedores à figura impoluta do Codificador e de seus
continuadores levantam dúvidas sobre a
honestidade dos médiuns que mais se destacam no campo da fenomenologia
psíquica; forjam estatísticas com o fim de demonstrar que as sessões espíritas
são fábricas de loucos e de criminosos, etc., etc.
Todavia, malgrado todo esse esforço, as fileiras
espíritas se avolumam cada vez mais, principalmente nas classes cultas, abrindo
brechas nas colunas das religiões decrépitas e carunchosas, inimigas
irreconciliáveis da luz e do progresso, cujos templos, dia a dia, vão-se
tornando desertos pela dispersão de uns, pela indiferença de outros e pela
repulsa da nova geração, que, livre e consciente, tudo examina, tudo perquire, tudo
submete ao cadinho da razão e se recusa a alimentar uma fé cega e a aceitar
dogmas absurdos, incompatíveis com a ciência e contrários aos fatos
demonstrados pela observação.
Esse resultado justifica plenamente
o que repetidas vezes os Espíritos hão dito: “Não vos inquieteis com a oposição; tudo o que contra vós fizerem, se
tornará a vosso favor e os vossos adversários, sem o quererem, servirão à nossa
causa. Contra a vontade de Deus não poderá prevalecer a má vontade dos homens."
“Não
vos contenteis com dizer: “isto não é assim”; demasiado fácil é semelhante
afirmativa. Provai, não por negação, mas por fatos, que isto não é real, nunca
o foi e não pode ser. Se não é, dizei o que o é, em seu lugar. Provai,
finalmente, que as consequências do Espiritismo não são tornar melhor o homem e,
portanto, mais feliz, pela prática da mais pura moral evangélica, moral a que
se tecem muitos louvores, mas que muito pouco se pratica. Quando houverdes
feito isso, tereis o direito de o atacar.”
A Incógnita do Além
A
Incógnita do Além
Emmanuel por Chico Xavier Reformador (FEB) Janeiro 1943
Meus amigos, Deus vos conceda muita paz espiritual no caminho diário.
Conheço a ansiedade com que muitos de
vós outros batem às portas da revelação. Sei de vossas aspirações e já
experimentei vosso desejo muito.
O homem defrontará sempre a incógnita
do além túmulo, tomado de incertezas augústias, quando se distancia do alimento
espiritual, matéria prima da vida eterna, o que ocorre no cenário de vosso século,
repleto de acontecimentos de profunda significação científica e filosófica, cercados
de realizações, da máquina e empolgados que de ideologias políticas; permaneceis
à beira de abismos que solapam os séculos laboriosos de realizações.
O homem moderno cresceu em suas
realizações puramente intelectualísticas, avançando no domínio das organizações
materiais; entretanto, por trás de muralhas de livros, ao longo de códigos
pacientemente elaborados, a inteligência da criatura se esconde para preferir a
morte. A ciência que devassou desde o subsolo até a estratosfera, manifesta a
sua impossibilidade de dominar o vulcão mortífero. Vinte séculos de pensamento
cristão não bastaram: Milhares de mensagens da Providência Divina, convertidas
em utilidades para a civilização de nossos tempos sopitaram os novos surtos de
devastações e misérias. Não lamentamos porém. Apenas nos referimos à semelhante
derrocada para exaltar a grandeza da experiência espiritual.
O homem econômico de nossas
filosofias atuais não pode subsistir no quadro da evolução divina. Um homem é espírito
antes de tudo. A Terra é a nossa escola milenária, aguardando resignadamente a
nossa madureza de sentimentos.
É por isto que acorrestes à presente
reunião, em vossa maioria tangidos pelo desejo de auscultar o desconhecido. E, por
isto que esperáveis expressões fenomênicas que vos modificassem inteiramente.
No fundo, meus amigos, desejais a Fé, quereis tocar a certeza. Entretanto, a
curiosidade não pode substituir o trabalho perseverante e metódico, nenhuma técnica
profissional por mais singela pode-se eximir de cultores da experiência sentida
e vivida.
Alguns dentre vós formulais
indagações mentais enquanto outros aguardam manifestações que firam as
percepções externas. Todavia, apesar do desejo de vos atender particularmente,
não seria possível quebrar a lei universal da iniciativa de cada um no campo do
livre arbítrio relativo que nos rege os destinos. Vossa ansiedade palpita em
todo mundo. A humanidade suplica expressões novas que lhe definam as diretrizes
para o mais alto e vossos corações permanecem cansados do atrito dispensivo.
Sois, de modo geral, os viajores que, extenuados do caminho árido começam a
indagar as profundezas do céu, tendo sempre uma resposta para quantos o
contemplam, convictos de que a vida é testemunhos de trabalho, de realizações e
de confiança. Nenhuma elevação se verificará sem o esforço próprio.
É por este motivo que as ideias
religiosas antigas, embora respeitáveis pelas mais sublimes tradições, não mais
satisfazem. Os templos de pedra deixam exalar ainda o incenso da poesia, mas as
vossas esperanças pedem esclarecimentos concretos e roteiros precisos.
Sim, vossa sede é justa.
A fonte, porém, ainda é aquela que o
Mestre nos trouxe há dois mil anos.
Procurai esta água da vida eterna.
Não vos deixeis dominar tão somente
pela ânsia que, às vezes, é doentia.
Procurai de fato conhecer.
Não vos restrinjais ao campo
limitado da curiosidade. Toda curiosidade é boa quando conduz ao trabalho.
Recebei, portanto, os serviços de
Deus, em vós mesmos. Vosso coração e vossa inteligência constituem a grande
oficina. Aí dentro operareis maravilhas desde que não condeneis vossas melhores
ferramentas de observação e possibilidades de serviço à ferrugem do
esquecimento.
Que a vossa curiosidade seja um
marco útil na estrada da sabedoria.
Continuai no vosso esforço lembrando
que se viestes hoje bater à porta do mais além, o mais além respondendo vem
bater igualmente às vossas portas.
sábado, 1 de maio de 2021
Allan Kardec
Allan Kardec
Reformador
(FEB) Agosto 1946
‘”Não
vos viemos dizer que devamos ficar confinados no círculo, por mais vasto que
seja, do espiritismo kardeciano. Não; o próprio mestre vos convida a avançar
nas vias novas, a alargar a sua obra.”
“Estendemos
as mãos a todos os inovadores, a todos os de boa vontade, a todos os que têm no
coração o amor da Humanidade.”
Que escândalo!
Que
escândalo!
por I. Pequeno (Antonio Wantuil de Freitas)
Reformador
(FEB) Fevereiro 1947
“Diário de Notícias” jornal insuspeitíssimo, publica na sua primeira página da segunda seção de 29 de Janeiro, deste ano, uma reportagem ilustrada com fotografias tiradas bem ao pé da catolicíssima estátua do Cristo no alto do Corcovado. Nela são vistos dois padres que tomava parte num joguinho onde era bancado o chamado “jogo de chapinha” (Do Blog: este jogo foi tornado ilegal no Brasil desde muitos anos).
E
foi por única e exclusiva causa dos padres que quase se estragando a
reportagem. Não gostando de ver aquilo que eles faziam, ali, bem nas barbas do
Cristo, fiz sinal para que se afastassem. É que o Armando estava agindo, muito
nervoso, mas estava. A máquina já feito ‘tee’! duas vezes. Todo encabulado, o
padre mais velho puxou um outro e disse: é a polícia! Ora, se isso era coisa
que se dissesse naquela hora. Ouvido de malandro é Radar para essa palavra. O
“travesseiro” logo desapareceu, porque há um travesseiro bem feitinho, aliás,
em cima do qual o jogo é feito, e as chapinhas e a bolinha também e a bolinha
também e também o jogador tomaram sumiço. Um otário ficou de dente de fora numa
risadinha imbecil, só porque já havia perdido quinhentos cruzeiros, mas
acertara uma vez, recuperando cem dos quinhentos perdidos.
Logo perceberam que
tinham sido pegados na boa. Começaram a rondar, estou fingindo que não é
comigo, e desandei a dizer uma porção de banalidades sobre a paisagem, coisas
que no meu entender seriam boas para disfarçar. Que diabo, ainda se aqueles
padres deixassem de me olhar com aqueles olhos de oração? Mas não tiravam os
olhos da máquina!"
Não
desejamos comentar o fato. Comentem-no os jornais católicos que tanto se
preocupam com o Espiritismo, quando têm assunto excelente e real dentro dos
seus próprios arraiais.
Livros excomungados
Livros excomungados
I. Pequeno (Antonio Wantuil de Freitas)
Reformador (FEB) Janeiro 1955
Assim, um “bom católico” não poderá
ler “Os Quatro Evangelhos” de Roustaing, recentemente reeditados pela Federação
Espirita Brasileira, obra que estuda, versículo por versículo, os Evangelhos,
evidenciando ao mesmo tempo o erro das interpretações oferecidas pela Igreja,
máxime o seu erro maior, aquele que apresenta Jesus como Deus, fazendo com o
Mestre o que os povos do Oriente fizeram com Buda.
Que não na leiam, pois, os “bons
católicos”; todavia, podemos informar, com segurança, que o clero culto do
Brasil é o primeiro a desrespeitar a ordem da Igreja, pois inúmeros são os exemplares
que têm sido adquiridos por respeitáveis e eruditos pregadores e escritores do
Catolicismo.
Condenando a obra rusteniana, a
Igreja não deixa de ter razão, tem-na mesmo de sobra, visto que tal obra deixa
perceber claramente que o Catolicismo é uma “heresia romana”, uma deturpação do
vero Cristianismo da Palestina.


