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domingo, 2 de maio de 2021

Os maiores propagandistas do Espiritismo


Os maiores propagandistas do Espiritismo

por Rodolfo Calligaris    Reformador (FEB) Outubro 1963

             Positivamente, os que combatem uma doutrina quando ela está com a verdade, não podem ser considerados seus inimigos; pelo contrário, são até os seus mais eficientes propagandistas. Sim, porque despertam a curiosidade dos seus leitores ou ouvintes, levando-os a examinarem a doutrina combatida, muitos dos quais acabam por perfilhá-la.

            Qualquer que seja a modalidade desse combate, o resultado é sempre o mesmo: contraproducente para quem o pratica e favorável a quem o recebe. Haja visto o que sucedeu ao Cristianismo nascente; quanto mais cruentas eram as perseguições e mais terríveis as ameaças aos seus adeptos, mais desassombrada se tornava a sua coragem e mais rija a têmpera de sua fé, e a cada chacina em que eram massacradas muitas centenas de cristãos, correspondia um número muito maior de conversões à nova doutrina.

            O mesmo ocorre atualmente cem o Espiritismo, que é sua revivificação, guardada apenas a diferença das armas e dos meios de combate.

            Impossibilitados de atirar os seus adeptos às feras nos picadeiros circenses, de passá-los pelas armas ou içá-los aos postes, besuntá-los e atear-lhes fogo, quais tochas humanas, porque as leis e os costumes, hoje, já não permitem semelhantes atrocidades, seus atacantes ora procuram cobri-los de ridículo, ora os cobrem de impropérios, taxando-os de endemoninhados e outros epítetos menos corteses... a par disso, inventam episódios comprometedores à figura impoluta do Codificador e de seus continuadores  levantam dúvidas sobre a honestidade dos médiuns que mais se destacam no campo da fenomenologia psíquica; forjam estatísticas com o fim de demonstrar que as sessões espíritas são fábricas de loucos e de criminosos, etc., etc.

            Todavia, malgrado todo esse esforço, as fileiras espíritas se avolumam cada vez mais, principalmente nas classes cultas, abrindo brechas nas colunas das religiões decrépitas e carunchosas, inimigas irreconciliáveis da luz e do progresso, cujos templos, dia a dia, vão-se tornando desertos pela dispersão de uns, pela indiferença de outros e pela repulsa da nova geração, que, livre e consciente, tudo examina, tudo perquire, tudo submete ao cadinho da razão e se recusa a alimentar uma fé cega e a aceitar dogmas absurdos, incompatíveis com a ciência e contrários aos fatos demonstrados pela observação.

            Esse resultado justifica plenamente o que repetidas vezes os Espíritos hão dito: “Não vos inquieteis com a oposição; tudo o que contra vós fizerem, se tornará a vosso favor e os vossos adversários, sem o quererem, servirão à nossa causa. Contra a vontade de Deus não poderá prevalecer a má vontade dos homens."

             Eis o que, há cem anos, já dizia também Allan Kardec aos detratores do Espiritismo:

             “Quereis, vós todos que o atacais, um meio de combatê-lo com êxito? Aqui o tendes. Substitui-o por alguma coisa melhor; indicai solução mais filosófica para todas as questões que ele resolve; dai ao homem outra certeza que o faça mais feliz, porém, compreendei bem o alcance desta palavra certeza porquanto o homem não aceita, como certo senão o que lhe parece lógico.

            “Não vos contenteis com dizer: “isto não é assim”; demasiado fácil é semelhante afirmativa. Provai, não por negação, mas por fatos, que isto não é real, nunca o foi e não pode ser. Se não é, dizei o que o é, em seu lugar. Provai, finalmente, que as consequências do Espiritismo não são tornar melhor o homem e, portanto, mais feliz, pela prática da mais pura moral evangélica, moral a que se tecem muitos louvores, mas que muito pouco se pratica. Quando houverdes feito isso, tereis o direito de o atacar.”

 


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