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quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020

Médiuns e Mediunidade


Médiuns e mediunidade
Sylvio Brito Soares
Reformador (FEB) Março 1951

            Em todo ser humano existe uma faculdade que lhe é peculiar, a que todos chamamos mediunidade. Assim, o homem é uma espécie de antena, mais ou menos sensível, em condições, portanto, de captar com variável precisão as infinitas ondas vibratórias que se espalham em nosso ambiente terrenal, ondas que tanto podem ser inferiores, como plenas de sabedoria e amor. Não nos esqueçamos de que o verdadeiro significado de mediunismo é percepção espiritual.

            Há indivíduos que não se julgam médiuns no sentido geralmente emprestado a este vocábulo, mas que, no entanto, são dotados de uma percepção espiritual muito acentuada. Suas vibrações, harmonizando-se de maneira tão perfeita com as das entidades do Além, veiculam ideias e pensamentos desses invisíveis, deixando-os absolutamente convictos de que estão externando seus próprios pensamentos e ideias.
            Há criaturas que, sem o saberem, são médiuns notáveis, ora reproduzindo magníficas frases musicais que lhes soam distintamente aos ouvidos; ora compondo versos encantadores que bailam, voluteiam em suas mentes, sem que saibam, em verdade, explicar o porquê de tais fenômenos. No intuito, porém, de lhes darem uma explicação, apelam simplesmente para a tão decantada inspiração. Mas o certo é que os negadores do mediunismo se limitam a dizer que a inspiração é um sentimento que nasce espontaneamente no coração, no espírito. E criaram, então, talvez sugestionados pela mitologia da antiga Grécia, as figuras do gênio, da musa, da música, como verdadeiras deusas.

            Mozart, por exemplo, esse grande musicista que aos seis anos de idade já assombrava os meios cultos da velha Europa, com suas geniais produções, respondendo certa ocasião à pergunta que lhe fizeram, isto é, qual a maneira ou método que seguia para compor, limitou-se a dizer: “Quando me acho em boas disposições, completamente só, durante o meu passeio, as inspirações musicais vêm com abundância. A verdade, porém, é que não sei explicar de onde nem como vêm”.

            Beethoven, o magistral compositor das famosas sonatas, tinha o dom de escutar as harmonias siderais, e vibrante de emoção as reproduzia, tanto quanto lhe permitia a gama musical da Terra., rudimentar em confronto com as infinitas tonalidades e consequentes acordes inteiramente impossíveis de ser por nós obtidos, dado o baixo teor potencial vibratório do meio em que vivemos, pois, como se sabe, as notas musicais são efeitos de ondas vibratórias e os acordes mais agradáveis aos nossos ouvidos compõem-se de notas que produzem por exemplo 400, 500, 600 e 800 ondas por segundo. Daí, sem dúvida, o ter Schumann escrito este pensamento, que se encontra em sua correspondência: “Tenho por vezes ímpetos de esmagar o meu piano, cada dia mais incapaz, na sua estreiteza, de conter a minha ideia”. E essa idem era indubitavelmente o eco das sonorosas harmonias siderais que ele, médium sem o saber, percebia, deslumbrado, sem as poder reproduzir através do teclado de seu piano.

            Os grandes e reais artistas são médiuns videntes e audientes que sofrem extraordinariamente, pelas impossibilidades de reproduzirem aquilo que ouvem e veem.

            Leão Tolstoi foi, sem a menor sombra de dúvida, um médium. Com cinco anos de idade concluíra que a vida “não era um período de divertimento, mas uma tarefa muito pesada”.

            Shakespeare, nome mundialmente conhecido, hoje sabemos ter sido possuidor de notáveis faculdades mediúnicas. Henri Thomas, em sua “História da Raça Humana” referiu-se ao extraordinário autor de "Hamlet", entre outras coisas, disse: “Compreender Shakespeare é compreender o complexo mistério da Criação, pois suas peças são a reprodução, em miniatura, de todo o drama estupendo da vida. Santayana fez notar, num de seus sonetos, que Deus dobrou a Criação ao criar Shakespeare”.

            “Shakespeare foi um homem dotado de pensamentos e da linguagem de um Deus. No entanto, externamente, sua vida foi tudo, menos divina - A carreira desse grande poeta foi uma das menos poéticas do mundo”.
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            “Os críticos transformaram-no em católico e ateu, patriota e pacifista, pregador e cínico humanitário e misantropo, realista "snob" e democrata utópico. Ele não era nada disso e, no entanto, bastante paradoxalmente, era tudo isso”.

            Vamos transcrever, para melhor documentarmos ainda a mediunidade de Schumann, a seguinte carta por ele escrita, em 7 de Abril de 1839, a Clara Wieck:

            “Já te contei o triste pressentimento que me assaltou entre 24 e 27 de Março, enquanto escrevia minha nova composição. Nessa obra encontrarás uma frase repetida com insistência; parece alguém a suspirar do mais fundo do coração. Durante o improviso vi cortejos fúnebres, esquifes e gente em desespero e, ao terminar esse ciclo de quatro peças, procurei durante largo tempo um título, que lhe conviesse; ocorreu-me o de “Fantasia fúnebre". Não achas isto curioso? Enquanto trabalhei, senti-me tão comovido que me vieram, sem motivo e sem eu saber porquê, as lágrimas aos olhos. Horas depois chegou-me a carta de Teresa... Só então compreendi o motivo da minha emoção”.

            Note-se que a carta de sua irmã Teresa, a que Schumann se refere, continha a notícia que seu irmão Eduardo se achava em agonia, falecendo pouco depois.

            A aptidão para o mediunismo, como aliás todas as aptidões humanas, precisa cultivada com muito carinho e devotamento. E os nossos Maiores do Além asseveram, mesmo, ser necessário santificar-se essa qualidade, isto é, convertê-la no ministério ativo do bem. Daí o concluir-se que todos os que desejam manter salutar intercâmbio com as esclarecidas entidades do Além devem, antes de tudo, higienizar os seus sentimentos, moderar seus impulsos, refrear suas paixões pelas coisas mundanas e, sobretudo, alimentar a chama sagrada do amor. Porque inúteis serão sempre as nossas rogativas de luz se nos preservamos nas sombras, baldados serão os nossos pedidos de felicidade se continuarmos semeando sofrimentos.

            Há inúmeros casos de pessoas que praticam o mediunismo, ignorando, por completo, as obras básicas da nossa doutrina, e por essa falta de conhecimento é comum vermos, diariamente, médiuns que poderiam ser magníficos veículos, para esse intercâmbio espiritual, ficarem inteiramente inutilizados.

            Precisamos ter sempre em mente este sábio conselho que um bondoso mensageiro do Além nos ofereceu: “Não provoqueis o desenvolvimento prematuro de vossas faculdades psíquicas. Ver sem compreender e ouvir sem discernir pode ocasionar desastres vultosos ao coração. Buscai, acima de tudo, progredir na virtude e aprimorar sentimentos. Acentuai o próprio equilíbrio e o Senhor vos abrirá a porta dos novos conhecimentos!”

            É por isto que os espíritas e especialmente os médiuns espíritas carecemos ler e meditar profundamente as obras de Kardec, a fim de que cientes e conscientes das grandes responsabilidades que pesam sobre os nossos ombros, saibamos comportar-nos com galhardia e fé, em todos os momentos acidentados de nossa marcha em busca do progresso espiritual!

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2020

O suicídio de Judas



O Suicídio de Judas

 27,1  E, chegando a manhã,  os sacerdotes e os anciãos  reuniram-se em conselho para entregar Jesus à morte.                 
27,2  Amarraram-No  e  levaram-No  ao governador Pilatos. 
27,3  Judas, o traidor, vendo-O  então condenado, tomado de remorsos, foi devolver aos sacerdotes e aos anciãos as 30 moedas de prata 
27,4  e disse: - Pequei, traindo o sangue de um inocente. Eles, porém, responderam: -Que nos importa? Isto é contigo! 
27,5  Ele jogou no templo as moedas de pedra, saiu, e  enforcou-se.  
27,6  Os sacerdotes recolheram o dinheiro e disseram: Não é permitido lançá-lo no tesouro do templo porque se trata de preço de sangue; 
27,7  Assim, resolveram comprar, com aquela soma, o campo do oleiro, para que ali se fizesse um cemitério de estrangeiros. 
27,8  Esta é a razão porque aquele  terreno  é  chamado,  ainda  hoje,  de “campo de sangue” 
27,9  Desta forma cumpriu-se  a  profecia  do profeta  Jeremias: Eles receberam 30 moedas de prata, preço Daquele cujo montante foi estipulado pelos filhos de Israel  
27,10  E, deram-No pelo campo do oleiro, como o Senhor me havia prescrito.”
  
         Para  Mt (27,11-26) -O Olhar de Jesus... - leiamos Luiz Sérgio por Irene Pacheco Machado, em “Dois Mundos Tão Meus”:

            “No palco víamos a figura de Judas Iscariotis.

            Pouco antes da Páscoa, ele renovara seu trato com os sacerdotes para entregar Jesus. Judas renovara seu trato com os sacerdotes para entregar Jesus. Judas possuía muito amor ao dinheiro. O amor a Mamon sobrepujava o amor a Cristo.

             Judas era altamente considerado pelos discípulos e exercia sobre eles grande influência. Considerava-os, porém, inferiores a ele. Excessivamente vaidoso, julgava-se o salvador da obra do Cristo e foi assim que se tornou presa fácil dos sacerdotes.

            A alta figura de Judas apresentava-se com o rosto pálido e transtornado, coberto de suor. Aproximando-se do trono do juízo, atirou perante o sumo sacerdote as moedas de prata, preço de sua traição. Agarrando-se às vestes de Caifás, implorou-lhe que soltasse Jesus, dizendo que Ele nada fizera de mal.

            Vimos Judas gritando: Pequei, traindo sangue inocente e os sacerdotes responderam: Que nos importa?  Depois, Judas foi lançar-se aos pés do Mestre, suplicando que livrasse a Si mesmo.

            Jesus depositou em Judas o mais belo olhar que a Terra já contemplou: o olhar do perdão.
            Assistindo no teatro vivo a esta cena, comovi-me por demais.

            Era o Rei, o Cristo de Deus, perdoando. Só neste momento compreendi o que vem a ser o perdão, pois somente as grandes almas tem força para perdoar. Jesus fitara Judas com intensa piedade.

            Judas sofria demais e o Mestre o perdoou. Ao gritar: Pequei, traindo o sangue inocente e ouvir o sumo sacerdote, duro, implacável, responder: Que nos importa? Isso é lá contigo ...(Mt 27,4), Judas compreendeu que suas súplicas não seriam ouvidas.

            Deixou no chão as moedas que recebera pela traição e saiu da sala desesperado. Sentia o peso de sua insensatez e saiu da sala desesperado. Sentia o peso de sua insensatez e que não teria forças para ver Jesus torturado e crucificado.

             Logo depois, todos os que passaram por certo local retirado viram, ao pé de uma árvore, o corpo sem vida de Judas.

             Os cães já o devoravam... ”

         Para Mt ( 27,4), -Que nos importa?  Isso é contigo...-  encontramos em “Pão Nosso” (Ed. FEB), de Emmanuel por Chico Xavier,  trecho que nos orienta sobre essa passagem:

            “A palavra da maldade humana é sempre cruel para quantos lhe ouvem as criminosas insinuações.  O caso de Judas demonstra a irresponsabilidade e a perversidade de quantos cooperam na execução dos grandes delitos.

            O espírito imprevidente, se considera os alvitres malévolos, em breve tempo se capacita da solidão em que se encontra nos círculos das conseqüências desastrosas.

            Quem age corretamente encontrará, nos felizes resultados de suas iniciativas, aluviões de companheiros que lhe desejam partilhar as vitórias; entretanto, muito raramente sentirá a presença de alguém que lhe comungue as aflições nos dias da derrota temporária.

            Semelhante realidade induz a criatura à precaução mais insistente.

            A experiência amarga de Judas repete-se com a maioria dos homens, todos os dias, embora em outros setores.

            Há quem ouça delituosas insinuações da malícia ou da indisciplina, no que concerne à tranqüilidade interior, às questões de família e ao trabalho comum.

            Por vezes, o homem respira a paz, desenvolvendo as tarefas que lhe são necessárias; todavia., é alcançado pelo conselho da inveja ou da desesperação e perturba-se com falsas perspectivas, penetrando, inadvertidamente, em labirintos escuros e ingratos.

            Quando reconhece o equívoco do cérebro ou do coração, volta-se, ansioso, para os conselheiros da véspera, mas o mundo inferior, refazendo a observação a Judas, exclama em zombaria - “Que nos importa? Isso é contigo...”.”



            Em ‘Revelação dos Papas’ (UES-1936) lemos psicografia de um espírito que entitulou-se Judas ratificando nosso caminho perene para o amor e a caridade, apesar dos nossos muitos esforços em contrário:

            “Judas, meus bons amigos, volta hoje ao Mundo para declarar perante os homens as verdades que lhe foram inspiradas por Nosso Senhor Jesus Cristo - o grande e amado Mestre - a quem, num momento de cegueira, de trevas e extrema fraqueza traiu, vendendo-o aos inimigos.

            Jesus, meus bons amigos, o Messias, aquele que foi enviado por Deus para salvar o Mundo onde viveis hoje, já perdoou a Judas Iscariote a sua fraqueza e cegueira. Deus, em sua misericórdia infinita, concedeu, pela boca de Seu filho amado, o perdão àquele que foi outrora infiel, traidor, perjuro, falso e criminoso discípulo do Messias, que jamais deixou de lamentar e compadecer-se da fraqueza e miséria do seu discípulo.

            Venho, meus bons amigos, em nome do meu querido Mestre - o Salvador do mundo - dizer-vos alguma coisa que vos interessa.

            Compareço a vossa presença, a fim de restabelecer a verdade desvirtuada, falseada pelos homens interessados em se conservarem no caminho do erro e da mentira.

            Estou diante de vós, meus bons amigos, para me confessar agradecido pelas grandes e imensas provas de amor que me foram dispensadas por Deus e por Nosso Senhor Jesus Cristo.

            Apareço aqui, perante vós, meus companheiros e amados irmãos, para penitenciar-me dos erros que pratiquei e, ao mesmo tempo, entoar hinos à Infinita sabedoria e à pureza imaculada desse Mestre admirável, à incomparável bondade desse coração todo feito de doçuras e de amor!

            Venho cantar hosanas à sublime misericórdia do Criador e erguer uma prece, na qual todos vós deveis acompanhar-me, pois, nesta oração subiremos até junto do Pai Celestial e de Jesus, que, nesta hora, estendem as vistas misericordiosas sobre este planeta atrasado, mundo de expiações e sofrimentos, de lágrimas e de dores.

            Dizei comigo, meus queridos irmãos,

            Jesus, nosso salvador, filho de Deus e luz sublime que clareia o nosso caminho, que nos guia na Terra e na eternidade! Senhor! aqui estão os Teus filhos, tendo à frente aquele que no mundo errou profundamente, o maior de todos os criminosos que pisaram a superfície deste planeta; aqui estamos todos nós, Senhor! tendo à nossa frente o mais pérfido e infiel de Teus discípulos; aqui nos achamos todos nós, junto do mais fraco e criminoso dos Teus filhos -Judas Iscariote!

            Nós, Senhor, somos também fracos, praticamos grandes erros, pesam sobre nós imensas culpas, grandes pecados nos obrigam a curvar a fronte diante de ti, Senhor! Temos, Jesus, a nossa alma coberta de chagas, o nosso coração envenenado pelos mais impuros sentimentos que nele temos alimentado; sentimos o nosso espírito combalido ao rever o nosso passado espiritual, cheio de crimes e faltas graves; somos, Senhor, ainda escravos da matéria, sentindo as entranhas devoradas pelos desejos pecaminosos, a alma presa, agrilhoada à matéria que a retém na superfície da Terra, de onde não poderá desprender-se para as luminosas regiões, sem primeiro expurgar-se das impurezas e das máculas que os pecados deixaram sobre ela e onde os vícios produziram sulcos profundos, as misérias da carne lançaram vestígios que dificilmente se apagarão!

            Temos, Bom Jesus, as mãos tintas do sangue dos nossos irmãos, os pés cheios de lama pútrida dos antros e dos monturos por onde caminhamos durante longo tempo; conservamos também nas mãos o azinhavre da moeda a troco da qual vendemos a nossa consciência, atraiçoamos os nossos irmãos; guardamos ainda nos lábios os sinais das nossas abjeções, da impureza das paixões que alimentamos em nossos corações; trazemos estampados na fronte os estigmas das nossas baixezas, das podridões, misérias e devassidões a que nos entregamos na vida, conservamos nos olhos os traços das nossas crueldades, o brilho das volúpias e prazeres que durante esta existência terrena temos desfrutado.

            O nosso corpo, Senhor, é o livro onde se acha escrita a história dos nossas abusos e da s nossas transgressões, a nossa lama, Jesus, é o espelho onde neste instante se refletem todos os nossos atentados às leis de Deus, todas as violações do Seu Evangelho; a nossa consciência é, nessa hora, sudário onde se acha estampada a tua efígie, mas tão apagada que dificilmente a reconhecemos.

            Senhor! Senhor! Querido e adorado Mestre! Todos os nossos pecados aqui se acham gravados no nosso espírito; todas as nossas culpas aqui estão desenhadas na nossa consciência, que nos acusa diante de ti e de teu Pai!  

            São grandes as nossas faltas, imensos os nossos pecados, infinitos os nossos erros, mas na tua bondade há sempre lugar para todos os perdões; em tua alma existem grandes reservas de misericórdia e tolerância; no teu incomensurável coração há um transbordamento constante de piedade e de amor para os que sofrem, que gemem e choram, os fracos, os infelizes e os pecadores, como nós!

            Recebe, portanto, bom Jesus, esta prece que te oferecemos e que é pronunciada pelos lábios mais impuros que já existiram sobre a Terra, ditada pela consciência mais sombria que palpitou neste planeta; prece nascida da alma mais culpada que este mundo conheceu até hoje, o espírito mais fraco e criminoso dos que se têm encarnado na Terra.

            Aceita, Senhor, bom Jesus, a prece que Judas, o traidor de ontem, o falso e o pérfido de outros tempos nos faz recitar neste momento, na tua presença, para que possamos, como ele, alcançar o nosso perdão, merecer da tua bondade a graça de recebermos do teu Pai a mesma luz e a mesma paz que Ele concedeu ao mais cruel, ao mais criminoso e infame dos Seus filhos!

            Ouve Jesus, a nossa prece e dá-nos o que deste a Judas pelo mal que ele te fez, pela traição que praticou contra a tua pessoas divina, pelo ultraje que infligiu a ti, no momento mais doloroso da tua vida de Missionário, de Redentor, de Salvador do Mundo e Filho de Deus!

            Tu, que tiveste em tua alma a grandeza, a doçura e o amor para perdoar a esse falso e perjuro discípulo, Senhor, perdoa-nos também a   nós, cujos erros, cujas faltas, crimes e pecados estão muito distantes do crime e do pecado daquele que se acha à nossa frente, nesta hora de luto e de dor, para render graças à infinita misericórdia de Deus e ao imenso e inesgotável manancial de doçura, carinhos, afetos, pureza e imenso amor - o Coração de Jesus!  

            Perdoa-nos, Senhor! Salve-nos Jesus! como salvaste Judas!”

            Eu direi também:

            “Meu Jesus! meu Salvador! se mereci o teu perdão e a tua misericórdia, os meus irmãos podem também merece-los, pois, diante de Judas, a humanidade inteira, com todos os seus crimes, os seus pecados e as suas misérias, é santa, inocente como a mais inocente das criancinhas que brincam na superfície da Terra!

            Perdoa, portanto, Senhor, à humanidade como perdoaste ao maior dos traidores!”
                                                   Judas Iscariote
                                                               (2 de Setembro de 1916)
                                                
                                                                                       
                 

sexta-feira, 31 de janeiro de 2020

Quem guardar a Minha palavra nunca verá a morte...



Quem guardar a Minha palavra, nunca verá a morte...                                       
 8,37 “ -Bem sei que sois a raça de Abraão, mas quereis matar-Me, porque a Minha palavra não penetra em vós. 
8,38 Eu falo o que vi junto de meu Pai; e vós fazeis o que aprendestes de vosso pai. 
8,39 Nosso pai, replicaram  eles,  é  Abraão.  Disse-lhes  Jesus: “ -Se fosseis filhos de Abraão, faríeis as obras de Abraão. 
8,40  Mas, agora, procurais tirar-Me a vida, a Mim que vos falei a verdade que ouvi  de  Deus!  Isto  Abraão  não  fez!   
8,41 -Vós fazeis as obras de Vosso Pai, replicaram-Lhe eles. -Nós não somos filhos do acaso; mas temos um só Pai, Deus! 
8,42  Jesus replicou: “-Se Deus fosse vosso Pai, vós me amaríeis, porque Eu saí de Deus.
É Dele que Eu provenho, porque não vim de mim mesmo, mas foi Ele que me enviou 
8,43  Por que não entendeis a Minha linguagem? Por não poderdes ouvir a Minha palavra.”

         Para  Jo (8,43), -Por que não entendeis   a  minha  linguagem?  - tomemos  “Fonte Viva” (Ed. FEB) de Emmanuel por Chico Xavier:

            “A linguagem do Cristo sempre se afigurou a muitos aprendizes indecifrável e estranha.

            Fazer todo o bem possível, ainda quando os males sejam crescentes e numerosos. Emprestar sem exigir retribuição. Desculpar incessantemente. Amar os próprios adversários. Ajudar aos caluniadores a aos maus.

            Muita gente escuta a boa nova, mas não lhe penetra os ensinamentos.

            Isso ocorre a muitos seguidores do Evangelho, porque se utilizam da força mental em outros setores. Creem vagamente no socorro celeste, nas horas de amargura, mostrando, porém, absoluto desinteresse se ante o estudo e ante a aplicação das leis divinas.

            A preocupação da posse lhes absorve a existência. Reclamam o ouro do solo, o pão do celeiro, o linho usável. o equilíbrio da carne, o prazer dos sentidos e a consideração social, com tamanha volúpia que não se recordam da posição de simples usufrutuários do mundo em que se encontram, e nunca refletem na transitoriedade de todos os patrimônios materiais, cuja função única é a de lhes proporcionar adequado clima ao trabalho na caridade e na luz, para engrandecimento do espírito eterno.

            Registram os chamamentos do Cristo, todavia, algemam furiosamente a atenção aos apelos da vida primária. Percebem, mas não ouvem. Informam-se, mas não entendem.

            Nesse campo de contradições, temos sempre respeitáveis personalidades humanas e, por vezes, admiráveis amigos. Conservam no coração enormes potenciais de bondade, contudo, a mente deles vive empenhada no jogo das formas perecíveis. São preciosas estações de serviço aproveitável, com o equipamento, porém, ocupado em atividades mais ou menos inúteis.

            Não nos esqueçamos, pois, de que é sempre fácil assinalar a linguagem do Senhor, mas é preciso apresentar-lhe o coração vazio de resíduos da Terra, para receber-lhe, em espírito e verdade, a palavra divina.”

Quem Guardar a Minha Palavra, nunca verá a Morte.
                        
 8,44 “ -Vós tendes como pai um espírito do mal e quereis fazer os desejos de vosso pai. Ele era homicida desde o princípio e não permaneceu na verdade, porque a verdade não está nele. Quando mente, fala do que lhe é próprio, porque é mentiroso.  
8,45 mas Eu, porque vos digo a verdade, não me credes. 
8,46  Quem de vós Me acusará de pecado? Se vos falo a verdade, por que não Me credes? 
8,47 Quem é de Deus, ouve as palavras de Deus, e, se vós não as ouvis, é porque não sois de  Deus.” 
8,48 Responderam então os judeus: -Não dizemos com razão que és samaritano e que estás possuído de um espírito mal? 
8,49 Respondeu-lhes Jesus: “ -Eu não estou possuído, mas, sim, honro a meu Pai. Vós, porém me ultrajais! 
8,50 Não busco a Minha glória. Há quem a busque e Ele fará  justiça.
8,51 Em verdade, em verdade vos digo, se alguém guardar a minha palavra não verá jamais a morte”

          Para  Jo (8,51), -Quem guardar a Minha palavra, nunca verá a morte - tomemos  “Conduta Espírita” (Ed. FEB), de André Luiz:

Conduta Espírita perante a desencarnação...

            -Resignar-se ante a desencarnação inesperada do parente ou do amigo, vendo nisso a manifestação da Sábia Vontade que nos comanda os sentidos. Maior resignação, maior prova de confiança e entendimento.

            -Dispensar aparatos, pompas e encenações nos funerais de pessoas pelas quais se responsabiliza, abolir o uso de velas e coroas, crepes e imagens, e conferir ao cadáver o tempo preciso de preparação para o enterramento ou a cremação. Nem todo Espírito se desliga prontamente do corpo.

            -Emitir para os companheiros desencarnados, sem exceção, pensamentos de respeito, paz e carinho, seja qual for a sua condição. A caridade é dever para todo clima.

            -Proceder corretamente nos velórios, calando anedotário e galhofa em torno da pessoa desencarnada, tanto quanto cochichos impróprios ao pé do corpo inerte. O companheiro recém desencarnado pede, em palavras, a caridade da prece ou do silêncio que o ajudem a refazer-se.

            -Desterrar de si quaisquer conversações ociosas, tratos comerciais ou comentários impróprios nos enterros a que comparecer. A solenidade mortuária é ato de respeito e dignidade humana.

            -Transformar o culto da saudade, comumente expresso no oferecimento de coroas e flores, em donativos às instituições assistenciais, sem espírito sectário, fazendo o mesmo nas comemorações e homenagens a desencarnados, sejam elas pessoais ou gerais. A saudade somente constrói quando associada ao labor do bem.

            -Ajuizar detidamente as questões referentes a testamentos, resoluções e votos, antes da desencarnação, para não experimentar choques prováveis, antes inesperadas incompreensões de parentes e  companheiros. O corpo que morre não se refaz.

            -Aproveitar a oportunidade do sepultamento para orar, ou discorrer sem afetação, quando chamado a isso, sobre a imortalidade da alma e sobre o valor da existência humana. A morte exprime realidade quase totalmente incompreendida na Terra.”



Filhos e servos... Conhecereis a verdade...



              Filhos e Servos / Conhecereis a Verdade...             
        
 8,30  Tendo proferido estas palavras, muitos creram Nele. 
8,31  E Jesus disse aos judeus que creram Nele: “- Se permanecerem na minha palavra, sereis meus verdadeiros discípulos, 
8,32 E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará” 
8,33 Replicaram-Lhe: -Somos descendentes de Abraão e jamais fomos escravos de ninguém. Como entender o -Sereis livres? 
8,34 “ - Em verdade, em verdade vos digo, todo homem que se entrega ao erro é seu escravo. 8,35 Ora, o servo não fica para sempre na casa; mas o Filho fica para sempre. 8,36  Se, portanto, o Filho vos libertar, sereis verdadeiramente livres!”

       Para Jo (8,32) -Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará - leiamos “Fonte Viva” (Ed. FEB):

        “A palavra do Mestre é clara e segura.

            Não seremos libertados pelos “aspectos da verdade” ou pelas “verdades provisórias” de que sejamos detentores no círculo das afirmações apaixonadas a que nos inclinemos.

            Muitos, em política, filosofia, ciência e religião, se afeiçoam a certos ângulos da verdade e transformam  a própria vida numa trincheira de luta desesperada, a pretexto de defendê-la, quando não passam de prisioneiros do “ponto de vista”. Muitos aceitam a verdade, estendem-lhe as lições, advogam-lhe a causa e proclamam-lhe os méritos, entretanto, a verdade libertadora é aquela que conhecemos na atividade incessante do Eterno Bem.

            Penetrá-la é compreender as obrigações que nos competem. Discerni-la é renovar o próprio entendimento e converter a existência num campo de responsabilidade para com o melhor. Só existe verdadeira liberdade na submissão ao dever fielmente cumprido.

            Conhecer, portanto, a verdade é perceber o sentido da vida.  E perceber o sentido da vida é crescer em serviço e burilamento constantes.

            Observa, desse modo, a tua posição diante da Luz... Quem apenas vislumbra a glória ofuscante da realidade, fala muito e age menos. Quem, todavia, lhe penetra a grandeza indefinível, age mais e fala menos.”

         Para Jo (8,35), -Filhos e Servos - tomemos “Caminho, Verdade e Vida” (Ed. FEB):

            “Na sua exemplificação, ensinou-nos  Jesus como alcançar o título de filiação a Deus.

            O trabalho ativo e incessante, o desprendimento dos interesses inferiores do mundo, a perfeita submissão aos desígnios divinos, constituíram traços fundamentais de suas ligações na Terra.

            Muitos homens, notáveis pela bondade, pelo caráter adamantino, sacerdotes dignos e crentes sinceros, poderão ser dedicados servos do Altíssimo.  Mas o Cristo induziu-nos a ser mais alguma coisa. Convidou-nos a ser filhos, esclarecendo que esses ficam “para sempre na casa”. E os servos? Esses, muita vez, experimentam modificações. Nem sempre permanecerão, ao lado do Pai.

            Mas, não é a Terra igualmente uma dependência, ainda que humilde, da casa de Deus? Aí palpita a essência da lição. O Mestre aludiu aos servos como pessoas suscetíveis de vários interesses próprios. Os filhos, todavia, possuem interesses em comum com o Pai.

            Os primeiros, servindo a Deus e a si mesmos, porque como servidores aguardam remuneração, podem sofrer ansiedades, aflições, delírios e dores ásperas.

            Os filhos, porém, estão sempre “na casa”, isto é, permanecerão em paz, superiores às circunstâncias mais duras, porquanto reconhecem, acima de tudo, que pertencem a Deus.”


quinta-feira, 30 de janeiro de 2020

Fardo penoso



Fardo penoso
Luiz de Oliveira
Reformador (FEB) Novembro 1940
                                             
            Penoso é o fardo destinado ao exercício para desenvolvimento moral dos seres que se espiritualizam.

            Penosa é a existência do homem arrastado pelo desejo de caminhar para o seu Criador.

            Exercitar a natureza material, sem se "deixar prender por excessiva ambição às coisas da Terra", eis a difícil tarefa do espírito que, com objetivo cristão, toma a seu cargo a direção do corpo humano.

            Proveitosos ensinamentos, para o adiantamento e maior cultivo inteligente e moral, recolhe de suas viagens à Terra; mas, quão poucos o conseguem, quão poucos suportam resignadamente os encargos da vida terrena, no cumprimento da missão divina - orando, vigiando - e, humildemente, seguindo as instruções do Filho do Homem: "Amai a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a vós mesmos"...
           
            Dificuldades surgem de todos os lados. O que se quer tornar digno do Pai espiritual é ainda um elemento revoltoso que contraria a ordem social estabelecida no mundo.

            As criaturas humanas, sob o império do egoísmo, da presunção e das ambições desmedidas, se repelem mutuamente, olvidando, na voragem das guerras que se travam a divina sentença: "AMAI-VOS UNS AOS OUTROS". 

            Os que se esforçam pela vitória das leis cristãs não podem ser acreditados porque existem falsos profetas que ocupam os melhores lugares e, à semelhança dos "doutores da lei" que pontificavam na era pagã, ditam sentenças e recebem o apoio das multidões ...

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

Jesus, enviado do Pai



Jesus Enviado do Pai                       

  8,21  Jesus disse-lhes: “ -Eu Me vou, e, procurar-Me-eis e morrereis no vosso erro. Para onde Eu vou, vós não podeis ir.” 
8,22    Perguntaram os judeus: -Será que Ele vai se matar, pois diz: “Para onde Eu vou, vós não podeis ir!” 
8,23  Ele lhes disse; “ -Vós sois cá de baixo, Eu sou lá de cima. Vós sois deste mundo, Eu não sou deste mundo. 
8,24  Por isso vos disse: Morrerei no vosso erro: Porque, se não crerdes o que Eu sou, morrereis no vosso erro.” 
8,25 - Quem és Tu? Perguntaram-Lhe  então.   Jesus  respondeu: “ -Exatamente o que vos declaro. 
8,26  Tenho muitas coisas que dizer e julgar a vosso respeito, mas o que Me enviou é verdadeiro e o que Dele ouvi Eu digo ao mundo.” 
8,27  Eles, porém, não compreenderam que Ele lhes falava do Pai. 
8,28  Jesus, então, lhes disse: “ -Quando tiverdes  glorificado a Mim como Filho, então sabereis quem sou e que nada faço por mim mesmo, mas que falo e faço como meu Pai me ensinou. 
8,29  Aquele que me enviou está comigo, Ele não me deixou sozinho; porque faço sempre o que é de seu agrado.”

                Tomemos “Emmanuel”, de Emmanuel, por Chico Xavier: Aos Meus Irmãos...

            Homens, meus irmãos, considerai a fração de tempo da vossa passagem pela Terra.

            Observai o exemplo das almas nobres que, em épocas diferentes, vos trouxeram a palavra do Céu na vossa ingrata linguagem; suas vidas estão cheias de sacrifícios e dedicações dolorosas.

             Não vos entregueis aos desvios que conduzem ao materialismo dissolvente.

             Olhando o vosso passado, que constitui o passado da própria Humanidade, uma cruciante amargura domina o vosso espírito: atrás de vós, a falência religiosa, ante os problemas da evolução, impele-vos à descrença e ao egoísmo; muitos se recolhem nas suas posições de mando e há uma sede generalizada de gozo material, com a perspectiva do nada, que a maioria das criaturas acredita encontrar no caminho silencioso da morte; mas eis que, substituindo as religiões que faliram, à falta de cultivadores fiéis, ouve-se    a voz do Espírito da Verdade em todas as regiões da Terra.

             Os túmulos falam e os vossos bem-amados vos dizem das experiências adquiridas e das dores que passaram.

            Há um sublime conúbio do Céu com a Terra.

            Vinde ao banquete espiritual onde a Verdade domina em toda a sua grandiosa excelsitude.

             Vinde sem desconfianças, sem receios, não como novos Tomés, mas como almas necessitadas de luz e de liberdade; não basta virdes com o espírito de criticismo, é preciso trazerdes um coração que saiba corresponder com sentimento elevado a um raciocínio superior.

            Outros mundos vos esperam na imensidade, onde os sóis realizam os fenômenos de sua eterna trajetória. Dilatai vossa esperança, porque um dia chegará em que, na Terra, devereis abandonar o exílio onde chorais como seres desterrados. Que todos vós possais, no ocaso da existência, contemplar no céu da vossa consciência, estrelas resplandecentes da paz que representará a vossa glorificação imortal.”