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domingo, 26 de março de 2017

Posta Restante XXI


Posta Restante XXI 
Sólon Rodrigues
Reformador (FEB) Janeiro 1974

            Novas questões propostas, para soluções à luz da Doutrina Espírita.
                         
            P. - Que fazer diante daqueles que buscam o núcleo Espírita tão somente para questões de ordem material, rejeitando as obrigações de conhecer os fundamentos da Doutrina Espírita?

            R. - Deveremos acolhê-los com carinho. A busca ao fenômeno ou do inusitado, tão chamado milagre ou de soluções miraculosas, não se deve transformar em motivação para que agridamos irmãos de caminhada evolutiva com exigências intempestivas. Eles estarão, hoje, na mesma posição nossa de ontem. Não existe um segundo passo sem o primeiro. Allan Kardec considerava que, dada a diversidade de graus evolutivos das criaturas, teríamos na área espírita a procura de todas as manifestações fenomênicas e, inclusive, as doutrinárias. Vamos, pois, abraçá-los com carinho fraternal e, à medida que comportarem, esclarecê-los.

                 P. - Será próprio ou impróprio exigirmos um estudo das bases do Espiritismo de todos os que procuram os agrupamentos espíritas?

                 R. - Será útil sugerir, mas não torná-lo compulsório. Os próprios Mentores Espirituais chegam a informações inconsistentes (não raro impróprias), quando tratam com diferentes povos, de costumes diversificados. A exemplo, não se demoram a falar de reencarnação a grupamentos humanos incapazes de absorver-lhe os princípios. Evitam discorrer sobre o suicídio a povos que fazem da autodestruição um ponto de honra.
            As crianças – dizia-nos Paulo de Tarso - dá-se alimento de crianças e, aos adultos, de adultos.
            Nada é compulsório na Doutrina. Saber dosar a informação doutrinária é de bom senso. Poderemos tomar, por paridade, a dosagem dos conhecimentos intelectuais que são distribuídos em diferentes ciclos nas escolas.
            Não se transmite aos do pré-primário as noções de um segundo ciclo, a não ser como princípio rudimentar.

            P. - Se a formação intelectual de quem busca os arraiais da Doutrina comportar, não será de presumir que tenha melhores condições de apreender os princípios fundamentais do Espiritismo?

            R. - Não devemos confundir a titulação acadêmica com a maturidade espiritual.
O diploma pode representar um degrau intelectual ou profissional, mas nem sempre corresponde a maturação do senso moral, que poderia abrir os horizontes da Doutrina Espírita à criatura.
            Há jovens ou iletrados que apreendem a Doutrina - diz Kardec -, enquanto outros, favorecidos pela freqüência de cursos superiores, não alcançam o seu sentido profundo.
            A "transferência de conhecimentos" só se realiza por afinidade. Um médico, a exemplo, terá facilidade em apreender conhecimentos similares à medicina, mas não necessariamente aos que escapem de sua área de formação.

            Por vezes exigimos demais dos outros.
            Empenhemo-nos, nós mesmos, em viver o Espiritismo e os que ainda não podem lê-lo nas páginas da Codificação receberão a mensagem ao vivo pelos nossos exemplos.

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