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domingo, 5 de março de 2017

Aviso Oportuno


Aviso Oportuno 
Ignácio Bittencourt
por Chico Xavier
Reformador (FEB) Janeiro 1956

            Meus amigos: Louvado seja o Senhor.
           
            Em minha última romagem no campo físico, mobilizando os poucos préstimos de minha boa vontade, devotei-me ao serviço da cura mediúnica; no entanto, desencarnado agora, observo que a turba de doentes, que na Terra me feria a visão, aqui continua da mesma sorte, desarvorada e sofredora.

            Os gemidos no reino da alma não são diferentes dos gemidos nos domínios da carne.

            E dói-nos o coração reparar as filas imensas de necessitados e de aflitos a se movimentarem depois do sepulcro, entre a perturbação e a enfermidade, exigindo assistência.

            É por esta razão, hoje reconhecemos, que acima do remédio do corpo temos necessidade de luz no espírito.

            Sabemos que redenção expressa luta. E que resultados colheremos  no combate evolutivo, se os soldados e obreiros das nossas empresas de recuperação jazem, desprevenidos e vacilantes, infantilizados e trôpegos?

            Nas vastas linhas de nossa fé, precisamos armar-nos de conhecimento e qualidade que nos habilitem para a vitória nas obrigações assumidas. Conhecimento que nasça do estudo edificante e metódico, e qualidade que decorra das atitudes firmes na regeneração de nós mesmos.

            Devotamento à lição que ilumine e à atividade que enobreça.

            lndubitavelmente, ignoramos por quanto tempo ainda reclamaremos no mundo o concurso da medicina e da farmácia, do bálsamo e do anestésico, da água medicamentosa e do passe magnético, à feição de socorro urgente aos efeitos calamitosos dos grandes males que geramos na vida, cujas causas nem por isso deixarão de ser removidas por nós mesmos, com a cooperação do tempo e da dor.

            Mas, porque dispúnhamos de semelhante alívio, temporário embora, não será lícito olvidar que o presente de serviço é a valiosa oportunidade de nossa edificação.

            A falta de respeito para com a nossa própria consciência dá margem a deploráveis  ligações com os planos inferiores, estabelecendo , em nosso prejuízo, moléstias  e desastres morais, cuja extensão não conseguimos sequer pressentir; e a ausência de estudo acalenta em nossa estrada os processos de ignorância, oferecendo azo às mais audaciosas incursões da fantasia em nosso mundo mental, como sejam:: a acomodação com fenômenos de procedência exótica, presididos por rituais incompatíveis com a pureza dos nossos princípios, o indevido deslumbramento  diante de profecias mirabolantes e a conexão sutil com inteligências desencarnadas menos dignas, que se valem da mediunidade incauta e ociosa entre os homens, para a difusão de notícias e mensagens supostamente respeitáveis,  pela urdidura fantasmagórica, e que encerram em si o ridículo finamente trabalhado, com o intuito de achincalhar o ministério da verdade e do bem.

            A Morte não é milagre e o Espiritismo desceu à Humanidade terrestre com o  objetivo de espiritualizar a alma humana.

            Evitemos prometer como aquele artífice do apólogo que pretendia consertar a vara  torta, buscando aperfeiçoar-lhe a sombra.

            Iluminemos o santuário de nossa vida interior e a nossa presença será luz.

            Eis a razão por que, em nos comunicando convosco reportamo-nos aos quadros dolorosos que anotamos aqui, na esfera dos ensinamentos desaproveitados, para destacar o impositivo daquela oração e daquela vigilância, perenemente lembradas a nós todos pela advertência do nosso divino Mestre, a fim de que estejamos seguros no discernimento e na fé, na fortaleza e na razão, encarando o nosso dever face a face.

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