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sexta-feira, 25 de novembro de 2016

À Allan Kardec


À Allan Kardec 
por Dias da Cruz (Dr.)
Reformador (FEB) Março 1889

            Mestre - Mergulhar nas negruras da incredibilidade que asfixia, ou entregar-se cego aos absurdos da crendice, que nada explica, tal o estado do espírito humano, antes que tu o esclarecesses com os lampejos da doutrina, que, por assim dizer, do nada fizestes surgir.

            Tal também o mar irrequieto e brumoso em que desnorteava meu pobre espírito, só afeito a excogitar na organização as origens da vida.

            Mas eu li as tuas obras, e alma que naufragava encontrou a boia salvadora. Mas eu li as tuas obras, e as trevas se tomaram claridade, e à noite sucedeu o dia. Mas eu li as tuas obras, e o oceano encapelado se transformou na planície firme e cheia de segurança!

            Hoje, Mestre, posso afirmar, com tuas crenças, que Deus é a Verdade; hoje, Mestre, posso proclamar através da buzina da convicção enraigada que a alma é vida, que a vida é evolução, que a evolução não tem fim; posso gritar, com as veras de entusiasmo que a convicção produz, que o espírito sobrevive ao corpo, o qual, por ser para ele apenas um instrumento de aperfeiçoamento, pode ser-lhe dado tantas vezes quantas as necessárias para que atinja aquele fim; hoje, Mestre, graças a ti, posso afirmar que entram em relação Espíritos providos e desprovidos de corpo material.

            Vê, portanto, oh! Mestre, que horizontes sem limites descortinastes aos olhos de um infeliz cego pela filosofia dominante. Por isso é que com maior desembaraço já posso enfrentar com o terrível problema: o destino do homem e a sua origem; por isso é que, em outra ordem de ideias no terreno da biologia, já posso explicar alguns fenômenos vitais que me eram letra morte.

            Que te devo, portanto, Mestre? -Devo-te as minhas crenças; mais do que isto, a minha alma; mais ainda a feição atual do meu ser.

            Mas que te poderei dar em troca do tudo que me deste?

            Nem mesmo a gratidão será bastante.

            Entretanto, como afirmação de que te sou grato, de que te devo mais do que a vida material, porque te devo o meu espírito, venho, hoje, que uma parte da Humanidade esclarecida por tuas luzes se rejubila por teres libertado os liames desta vida-cadeia, venho fazer-te a oferenda pública de minhas crenças, oferenda que só pode ter valor pelo desprestígio em que voluntariamente caio para a multidão daqueles infelizes cegos entre os quais vivo, e dos quais tiro a minha subsistência; venho proclamar bem alto: eu sou espírita, sou discípulo de Kardec!

            Possa eu ter forças para ser um dos soldados que te auxiliam na cruzada bendita em que te afanas ainda: a transformação do planeta pela regeneração da Humanidade!


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