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domingo, 6 de março de 2016

Escândalo e nós



            Acalmar-nos, a fim de trabalhar e servir com segurança será sempre o processo
mais eficiente para libertar-nos da influência de escândalos, quaisquer que eles sejam.

            Não poucas vezes, demoramo-nos acalentando mágoas e condenações contra nós mesmos, das quais costumamos sair desolados ou deprimidos, aumentando a incapacidade própria para qualquer reajuste.

            Teremos errado, reconheçamos.

            Lamentar-nos, porém, indefinidamente, seria o mesmo que segregar-nos em remorso, não só improdutivo mas destrutivo também, porquanto comunicaríamos o fogo de nossas próprias inquietações aos entes que mais amamos.

            Importante aceitar nossas culpas, mas desaconselhável acomodar-nos voluptuosamente com elas, sem a mínima diligência para extinguir--lhes os desastrosos resultados.

            Queixar-se alguém de si próprio, uma, duas, três vezes, quanto às dívidas e defeitos de que se lhe onere o caminho, será claramente compreensível, mas lastimar-se, todos os dias, e acusar-se, em todas as circunstâncias, sem qualquer esforço para melhorar de situação, pode transformar-se em atitude compulsiva, gerando enfermidade e perturbação.

            Esterilidade, em qualquer setor, será invariavelmente esterilidade.

            Recordemos a lição viva e constante do livre arbítrio, a conclamar-nos ao próprio burilamento, e utilizemos o empréstimo das horas que nos é concedido, nos recursos em mão, comandando as oportunidades que o tempo nos faculte para empreender as renovações de que sejamos carecedores.

            Somos espíritos eternos, e, conquanto nos caiba o dever de aproveitar as experiências do passado, no que evidenciem de útil, e de preparar o futuro para que o destino se nos faça mais elevado, lembremo-nos de que somos chamados nas áreas do agora a viver um dia de cada vez.

            Erros, teremos perpetrado inúmeros.

            Débitos, temo-los ainda enormes.

            Entretanto, se soubermos empregar com critério e equilíbrio os instrumentos de que dispomos, não há tempo a desperdiçar com lamentos inúteis, de vez que, quanto mais quisermos aprender e trabalhar, compreender e servir, mais alto e mais belo se nos fará o caminho na direção da Vida Melhor.
Escândalo e nós
Emmanuel
por Chico Xavier

Reformador (FEB) Novembro 1970

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