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quinta-feira, 8 de outubro de 2015

Exemplificar e Divulgar



            Ninguém, depois de acender uma candeia,
a cobre com um vaso ou a põe debaixo duma cama;
pelo contrário, coloca-a sobre um velador,
a fim de que os que entram vejam a luz. (Lucas, 8:16, Marcos, 4:21)


            A palavra do Mestre de Todos os Tempos envolve, sem dúvida, dois aspectos, muito importantes, do problema evolutivo dos seres humanos, indispensáveis ao próprio aperfeiçoamento: a) exemplificação, b) divulgação da verdade.

            Pe. Manuel Bernardes, escritor, poeta e filósofo português, advertia que “não há modo de mandar ou ensinar mais forte e suave do que o exemplo: persuade sem retórica, reduz sem porfia, convence sem debate, todas as dúvidas desata, e corta caladamente todas as desculpas.”

            Sêneca, o grande filósofo, preceptor de Nero, sentenciava que “é longa a estrada dos preceitos; a dos exemplos é breve e mais segura.

            S. Paulo faz a complementação: “O amor nunca falha.”

            Em nossos dias, no âmbito da literatura mediúnico-espírita, o preceito, luminoso em sua essência e belo em sua forma, vem de André Luiz, o seguro benfeitor: “A uniformidade entre o movimento das suas ideias, dos seus conceitos e das suas ações, disseca, à vista de todos, a fibra da sua vontade.”

            E, em escala maior, Emmanuel, o notável Instrutor Espiritual, indaga, sereno, compreensivo e bom: “Se possuímos a luz da verdade, porque não seguir lhe a rota de luz?”
           
            O Espiritismo é, realmente, a grande escola.

            Insuperável educandário, onde o Evangelho e a Codificação Espírita distribuem, a mancheias, orientação e consolo.

            E nós - todos nós, em verdade -, aprendizes quase sempre aptos a entender-lhes, no cérebro, os ensinos, mas falhos, no coração, no cumprimento.

            A Doutrina dos Espíritos, no entanto, é, não apenas escola a ensinar e corrigir. É, também, farmácia espiritual onde se buscam os medicamentos da fé, da esperança e da caridade, do esforço, do esclarecimento e da persistência, destinados, por ingredientes renovativos, a nos fortalecerem o coração, a nos clarearem o entendimento, de modo a bem lhe vivermos as lições, naturalmente de acordo com as nossas possibilidades individuais, quase sempre pequenas.

            Com o Espiritismo, portanto, conceitos e valores se reformulam. A caridade, com ele, não é, exclusiva e simplesmente, o ato material de atendermos, transitoriamente, à necessidade do companheiro que estagia na carência do pão e da roupa.

            Com a Doutrina dos Espíritos, caridade é, sobretudo veículo perene de ajuda substancial, nos escaninhos mais profundos da psique; a fim de que o amparo se alongue no tempo e no espaço, além das necessidades físicas.

            Com ela, corrigir não é esmagar, ao peso do verbo impiedoso ou da atitude desumana, mas ensinar com bondade e segurança, reservando ao irmão que jornadeia indeciso a iniciativa de seguir o melhor.

            O jardineiro ampara o tenro arbusto, para que ofereça ele, mais tarde, a beleza e o perfume da flor.           

            No segundo aspecto da lição, de Jesus - divulgar a verdade -, a palavra divina é convite ao trabalho incessante de sua difusão, para que as luminosas expressões da verdade não se enclausurem em bibliotecas ou gabinetes, mas se expandam, generosas e abundantes, na tribuna, no livro, no jornal ou na mensagem esparsa, a exemplo da linfa cristalina e pura que, fluindo nas encostas, fertiliza vales imensos.

            Com todo o respeito aos que buscam a Deus noutros sítios religiosos, filosóficos ou científicos, e até mesmo niilistas, a Moral Espírita, em plena harmonia com a Moral Cristã, simboliza a candeia que não devemos ocultar, mas pô-la em lugar bem visível, no altar de nossas realizações internas e externas, especialmente daquelas, para que seus reflexos alcancem outras consciências e outros corações.

            Todos nós, almas em processo de redenção e aperfeiçoamento, constituímos a farândula das almas que, em passado próximo ou remoto, esquecemos o endereço de Deus.        

            Divulgar o Espiritismo, com nobreza e dignidade, com seriedade e critério e com absoluto respeito aos seus princípios e à elevação dos Benfeitores Espirituais, não significa anseio de proselitismo. Nosso objetivo, fraterno, é de que as alegrias que fruímos, como partícipes dos banquetes de luz da Terceira Revelação, se estendam a outras inteligências, encarnadas e desencarnadas, ainda no clima da incerteza e da aflição.

Exemplificar e Divulgar
J. Martins Peralva

Reformador (FEB) Fevereiro 1970

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