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quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Esforços Esparsos Unificados



            Escrevendo certa vez aos Coríntios (II Cor. 6, 11 e seg.), dizia Paulo:
           
            "Coríntios! temo-vos falado com toda a franqueza; nosso coração se abriu de par em par. Não está fechado o nosso coração para vós; os vossos, sim, é que estão fechados para nós. Correspondei-nos; falamo-vos como a filhos; abri-vos também. Não vos junteis aos infiéis. Pois que relação há entre a retidão e a iniquidade? Que união, entre a luz e as trevas? Que harmonia, entre o Cristo e Belial?
Que participação, entre o fiel e o infiel? Que conformidade, entre o santuário de Deus e o dos ídolos? Porque nós somos santuário de Deus vivo."

            Divergências e desvios doutrinários começavam a infiltrar-se sutilmente no meio dos seus amados coríntios e ele não podia estar pessoalmente entre eles para aconselhar, advertir, corrigir e ensinar. A segunda carta, tanto quanto a primeira, ou qualquer outra do Apóstolo dos Gentios, revela o seu carinho pelos inexperientes cristãos das primeiras comunidades, seu cuidado em preservar a pureza da doutrina do Cristo. Já naqueles tempos tão recuados, o gênio multiforme de Paulo podia claramente discernir os dois conceitos fundamentais em que se apoiam os impulsos ideológicos do homem: o movimento e a doutrina. A doutrina é a alma do movimento, o seu conteúdo, a sua substância, o seu ideário, a sua filosofia. O movimento é estrutura de apoio, o instrumento, a ferramenta de trabalho, o corpo físico da doutrina. O corpo precisa mais da alma do que a alma do corpo. A doutrina pode sobreviver sem o movimento, preservada no coração dos homens de boa vontade ou em papiros, pergaminhos, livros e folhetos, e um dia tornar a eclodir para reiluminar o mundo que nos cerca; mas o movimento esvaziado da parte doutrinária perde-se completamente em desmandos e se avilta, convertendo-se em núcleo de poder, nada mais. O exemplo da História é dramático e veemente. A Igreja dos Apóstolos é o casamento sagrado entre movimento e doutrina. A doutrina atuante se apoia em estruturas ainda embrionárias, mas firmes na sua concepção, harmonizadas no coração de seus componentes. A Casa do Caminho é o centro nervoso daquele movimento doutrinário ou, se quiserem, da doutrina cristã pura em movimento. A doutrina viva e a sua ferramenta de trabalho estão unidas, como corpo e alma, num só propósito: implantar na Terra a filosofia do amor, em substituição à prática desumana do olho por olho, dente por dente. Para isso era preciso amar e instruir a todos, indistintamente. Esse mesmo conceito básico, fundamental, o Espírito de Verdade repetiria a Kardec, em mensagem subscrita em Paris, em 1860 ("O Evangelho segundo o Espiritismo", capo VI, número 5, pág. 124 da 57ª edição da FEB):

            "Espíritas! amai-vos, este é o primeiro mandamento; instruí-vos, este o segundo. No Cristianismo se encontram todas as verdades; são de origem humana os erros que nele se enraizaram."

            A Casa do Caminho praticava o amor e procurava instruir, pois só na disseminação da palavra do Mestre que partira havia esperança de propagar o amor, que sempre foi a tônica da pregação de Jesus, através dos milênios. Amar é o primeiro mandamento, aquele que não exige condições, não se esconde em ressalvas, nem se mancha de insinceridade: é o amor sem reservas, sem desejo de recompensas, nem de gratidões, nem de reconhecimentos; amor, puro e simples, que em si mesmo encontra a sua razão de ser. Esta a força que impulsiona e sustenta a doutrina; o resto, como dizia o Cristo, é comentário. Recebendo Estêvão doente, ardendo em febre, Pedro cuidou primeiro de amá-lo e servi-lo; só depois o instruiria. A instrução é a segunda parte da equação da verdade. Apoia-se no movimento, na organização. Alguém tem de transmitir a alguém o conhecimento adquirido, sob alguma forma, em algum lugar, no tempo certo. O amor sem o conhecimento é muitas vezes inativo, com frequência incompleto, inconsciente de seus objetivos, limitado pelo desconhecido, e comprometido com o egoísmo ou pela ausência de uma formulação consciente de sua força e de suas possibilidades. O conhecimento sem o amor é instrumento perigoso, porque tanto serve para oprimir como para libertar para construir, como para destruir, para levantar das suas angústias o que sofre ou para mergulhá-lo mais fundo nelas.

            No Cristianismo se encontram todas as verdades.

            Eis uma declaração de tremenda responsabilidade, partida de quem dispõe de plena autoridade para fazê-la. Todas as verdades. Estarão, porém, essas verdades no movimento cristão? Certamente que não pelo menos em sua totalidade, e o Espírito falou em todas e movimento cristão hoje - vamos examiná-lo mais de perto - é um dos grandes centros de poder político, econômico e social. Sabendo disso, o Espírito de Verdade acrescentou que "são de origem humana os erros que nele se enraizaram". Há, pois, erros que criaram raízes profundas ao longo do tempo. Existe ainda amor no Cristianismo? Sim, muito amor na doutrina cristã. Para se certificar disso basta abrir em qualquer ponto a mensagem do Cristo preservada nos Evangelhos. Enquanto escrevo isto, abro "ao acaso", a "Bíblia de Jerusalém" e leio, em Mateus (19:16 e seguintes), o episódio do jovem rico que desejava seguir o Mestre, encantado que se achava com a figura e a pregação de Jesus. Que lhe competia fazer? Era muito simples, ensinou-lhe o Cristo:

            - Não matarás, não cometerás adultério, não roubarás, não levantarás falso testemunho, honra teu pai e tua mãe e ama ao teu próximo como a ti mesmo.

            O jovem disse que isso tudo ele observava e perguntou:

            - Que me falta?

            Faltava a renúncia. Teria de vender tudo quanto possuía e distribuir o produto pelos pobres. Assim teria um tesouro no céu.
- Em seguida, vem e segue-me.

            A conclusão é melancólica:

            "Ao ouvir estas palavras, o jovem retirou-se tristemente, porque possuía muitos bens."

            O Cristo não exige a sua presença, nem o censura porque ainda não está pronto para atender ao chamado. Deixa-o partir, certamente com uma prece e um bom pensamento. Quando e onde o jovem rico ouviria novamente o chamado? Também o Cristo não lhe diz que ele não está preparado. Apenas lhe demonstra, sutilmente, sem ferir, que ele ainda não tinha o amor implantado no coração. Assegurou ele ao Mestre que cumpria toda a lei, até mesmo aquela que mandava amar ao próximo como a si mesmo, mas, quando se tratou de converter o amor platônico em ação, falhou. É fácil amar a humanidade, disse alguém, mas é difícil amar aquele que está ao nosso lado. Está perto demais.

            Tudo isso era preciso ensinar. Amar e instruir.

            O amor está, pois, intacto e vivo na doutrina cristã, mas só restam dele vestígios no movimento cristão. Não procuremos somar tudo numa palavra só - Cristianismo -, que estaríamos cometendo grossa injustiça em relação àquele que nos trouxe pessoalmente a sua mensagem.

            O Cristianismo atual - o movimento, bem entendido - está interessado nos processos modernos da massificação, do proselitismo que se traduza em crescimento estatístico, adotando técnicas publicitárias bem estudadas para arregimentar as multidões, porque o poder vem delas. Acreditamos na sinceridade de muitos desses líderes, que procuram almas para o Cristo e realmente encaminham muitas para as especulações superiores do bem, mas discordamos dos processos utilizados que se apoiam em técnicas de venda, como se o Cristo e sua mensagem fossem produtos de consumo. Jesus não é mercadoria para se vender às multidões que, impressionadas pelo impacto da palavra vibrante dos grandes líderes e oradores, levantam a mão em sinal de adesão, mas continuam presas às suas insuficiências, sem nenhum esforço para se libertarem delas. São muitos hoje os que entram para o Cristianismo, mas são poucos os que permitem que o Cristianismo entre neles, porque não aprenderam a fazer a distinção entre doutrina e movimento.

            Por isso não cremos em movimentos de massa em termos de Espiritismo. Muitos são os que nos acusam de elitistas, ou seja, iniciados presunçosos de um círculo fechado, voltado para dentro, e hostis ao mundo que nos cerca. Nada disso. Assim como entramos, todos podem entrar. Tanto o movimento como a Doutrina Espírita estão abertos a todos, como estava e sempre esteve o verdadeiro Cristianismo. O Espiritismo não busca adesões em massa simplesmente para engrossar fileiras e fortalecer as suas estatísticas. O Espiritismo não busca ampliar-se quantitativamente, fazendo concessões doutrinárias e posicionais; aspira, antes, apurar-se qualitativamente. Daí a insistência incansável no estudo da Doutrina. A estrutura do movimento é apenas a manifestação exterior, a materialização de uma contraparte muito mais sutil, que são os princípios doutrinários, ensinados pelos livros básicos e complementares da codificação de Allan Kardec.

            Pregamos, sim, a Doutrina Espírita a quem quiser ouvir, a quem desejar ler, mas estamos longe do desejo insaciável de arrastar multidões que, como o jovem de que nos fala Mateus, não estejam ainda prontas para a renúncia. Aos que hoje nos perguntassem o que lhes competiria fazer para seguir os ensinamentos de Kardec, poderíamos repetir o Cristo e recitar lhes o Decálogo. E se nos dissessem que isso já fazem e nos perguntassem o que lhes faltava, responderíamos com uma pergunta:

            - Estais prontos para a renúncia?

            Não tanto a renúncia ao dinheiro que o Cristo pediu ao jovem, mas ao poder, ao brilho, à glória. Para o Espiritismo moderno, seria esta a alternativa escolhida. Aqueles que aderem ao movimento espírita precisam estar bem certos de que já aderiram à sua doutrina, porque o movimento pode ser hoje, e é, especialmente no Brasil, um novo núcleo de poder que se acumula. E está ainda em muitos de nós, pobres seres imperfeitos, a sede do mando, o desejo da manipulação das massas para a satisfação pessoal da triste e miserável vaidade pessoal de seres que ainda não sabem ser grandes, porque ainda não aprenderam a ser humildes. A renúncia do poder, sim; o domínio sobre as próprias paixões, tão facilmente redespertadas porque apenas dormem em nós, mas ainda não se extinguiram. Para isso é preciso começar pelo amor fraterno, incondicional, porque, amando de verdade, não precisamos dominar. O trabalho na seara espírita é uma bênção, mas também um teste, porque representa um crédito de confiança que o mundo espiritual nos concede. Respondemos ao apelo dos nossos amigos maiores que sim, que estamos em condições de vender os nossos bens terrenos, ou seja, livrar-nos de nossas paixões inferiores e segui-los. Será, porém, que conseguiremos cruzar a ponte que une os dois ciclos evolutivos de nossas vidas? A ponte está ali e é só atravessá-la para encontrar os primeiros clarões da redenção e da paz. Conseguiremos fazê--lo? Certamente, se não buscarmos dominar e sim servir.

            Há riscos enormes para nós; não nos outros, mas em nós mesmos, porque ainda somos aqueles que vieram de erros clamorosos e que buscam repetir-se. Quantas vezes, no passado, tomamos de assalto estruturas de poder, sem a mínima intenção de servir aos outros, mas com a de curvar-nos servilmente às nossas próprias paixões insaciáveis?

            Parafraseando a expressão famosa de John Kennedy, deveremos nos perguntar não o que pode o Espiritismo fazer por nós, para nos projetar, para nos proporcionar poder de opressão e condução das massas (quem somos nós, para conduzir alguém?), mas o que podemos nós, a despeito dos aleijões espirituais que se mostram a cada momento, fazer de bom pelo Espiritismo. Se não pudermos ainda ajudar, pelo menos não atrapalhemos. Se não soubermos ainda o que fazer, tenhamos a humildade comovente de Saulo que, num - momento de grandeza, saltou por cima dos séculos e se transformou de perseguidor implacável que buscava as massas, porque lhe davam poder, no último dos servidores do Cristo. Sua renúncia total e imortal ficou condensada numa só pergunta, que ressoa até hoje:

            - Senhor, que queres que eu faça?

            Certamente que o Cristo não deseja o nosso personalismo, nem a nossa vaidade, nem a ânsia do poder. Ele quer trabalhadores que se amem e que procurem instruir-se nas grandes verdades da vida. Onde estão essas verdades? Segundo sua própria palavra autorizada, estão todas no Cristianismo.

            O mundo espiritual nos tem advertido inúmeras vezes e amorosamente que são muitos os que, ainda seriamente comprometidos com um passado de erros, tentarão se apossar do movimento para usá-lo, abandonando a doutrina à sua própria sorte, como já o fizeram alhures, com a doutrina cristã, que, em vez de estar no apogeu da sua prática, está precisando ser restaurada por um novo movimento. É preciso, no entanto, uma parada para meditação. Quando lemos essas advertências amigas do mundo espiritual, pensamos sempre, cegamente seguros de nós mesmos:

            - Isto não é comigo... É com os outros.

            Acontece que pode ser com a gente mesmo, porque ainda somos aqueles que trazemos as taras e os carmas de muitas falhas passadas. Fomos fanáticos, impulsivos, dominadores, agnósticos, brilhantes figuras vazias de compreensão e amor, ignorantes dos ensinamentos evangélicos, julgando-nos superiores a eles, "libertados" de crendices infantis, desobrigados da prática da caridade, interessados apenas em nós mesmos, na nossa projeção, no nosso poder, nas nossas paixões. Fomos tudo isso. Fomos? Ou será que ainda não somos assim? Estaremos realmente curados, prontos para abandonar tudo e seguir o Cristo? Estaremos curados do auto-endeusamento? Estaremos preparados para deixar viver os que não pensam como nós?

            É preciso estudar bem as nossas verdadeiras e íntimas intenções, para que não sacrifiquemos a doutrina ao movimento.  Paulo nos adverte para que não nos juntemos aos infiéis. E se um dia descobrirmos que os infiéis somos nós mesmos? A voz amiga do Apóstolo nos alerta, através de dezenove séculos, que não existe relação entre a retidão e a iniquidade, que não há união entre a luz e as trevas, que não pode existir harmonia entre o Cristo e Belial, nem participação entre o fiel e o infiel, ou conformidade entre o santuário de Deus e o dos ídolos, porque somos nós mesmos o santuário do Deus vivo. Seremos, sim, sempre que o puro amor governar os nossos impulsos, mas é preciso estarmos bem certos de que estamos realmente do lado da retidão e não da iniquidade, na luz e não nas trevas. É hora de conclamar todos os trabalhadores da seara, ajustar as diferenças naturais devidas às nossas impurezas e não a imperfeições da doutrina que professamos. É claro que em nossas mãos o movimento pode falhar e prejudicar novamente a implantação da doutrina do amor na Terra. Outros nos virão substituir, porque os planos divinos não se apoiam irremediavelmente nas nossas imperfeições. A ponte continuará lançada entre a luz e a treva e outros irão atravessá-la, mas nós teremos perdido a nossa oportunidade.

            - Não vos junteis aos infiéis - dizia Paulo.

            Sim, mas não é para desprezá-los, como impuros e irrecuperáveis; é para não seguir os caminhos da infidelidade. Paulo não os desprezava; ao contrário, ia busca-los corajosamente nas sinagogas, nas praças, à beira dos caminhos, no recesso de seus lares. Ao dizer da impossibilidade de participação entre o fiel e o infiel, afirmava a impraticabilidade de uma conciliação, enquanto cada um não respeitasse a posição do outro. No momento, porém, em que os corações se abrissem um para o outro e se entendessem, um novo mundo se revelaria aos olhos do infiel. Mesmo, porém, que não fosse ainda possível o entendimento, que pelo menos prevalecesse o amor e que cada um seguisse o seu caminho. O Cristo não obrigou o jovem a voltar sobre seus passos e vender suas coisas. Ele sabia muito bem que não chegara a hora; ainda não estava maduro para a renúncia. O jovem queria juntar-se ao movimento cristão, mas não estava doutrinariamente preparado. O Cristo não tentou "vender-lhe" a adesão a qualquer preço, apenas para engrossar fileiras. Nem pretendeu fazer-lhe concessões. As condições eram aquelas. Com suas inúmeras concessões posteriores, o Cristianismo tornou-se movimento poderoso que em dois séculos empolgou até o Império Romano, mas, à medida que avultavam as estatísticas, crescia o poder e ampliava-se a máquina política, econômica e social de compressão em nome do Cristo, a doutrina abandonou mansamente o movimento, tal como se retira o espírito de um corpo que não mais lhe serve aos propósitos. A doutrina continuou viva no coração de muitos, pois a alma é imortal. Ela até mesmo se reencarnou no Espiritismo, em nova -e última - tentativa de reimplantar o amor na Terra. A doutrina vai seguir em frente. Estamos prontos para ir com ela, ou preferimos novamente a opção trágica de ficar com o corpo de um movimento que, crescendo em poder, pode esvaziar-se de amor?

            A hora é de exames de consciência, para todos nós. Estamos nos lembrando agora daqueles que há um quarto de século procuraram unificar os esforços esparsos, dando estrutura ao movimento, para que a doutrina do amor se ampliasse por toda parte. Estejamos certos, porém, de que eles queriam o movimento sujeito à doutrina pura e não como força em si mesmo, para atrair corações ainda não bem estabilizados na renúncia ao exercício do poder. Estejamos vigilantes e em prece, para não sermos daqueles que se juntam ao movimento espírita, mas aos quais ainda falta a adesão à Doutrina Espírita, que ensina o amor, a tolerância o entendimento.            

            - Contudo - dizia o Cristo a João (12:35) -, por algum tempo estará a luz entre vós. Caminhai enquanto tendes a luz para que não vos surpreendam as trevas; o que caminha nas trevas não sabe aonde vai. Enquanto tendes a luz, crede na luz, para que sejais filhos da luz.

            E dito isto - conclui João -, caminhou Jesus e se ocultou de sua vista.

            Será que aprendemos a lição? É tão simples: caminhar humildemente e de coração grato, enquanto temos a luz que nos ilumina o caminho. Com o tempo virão as trevas e aquele que anda pela escuridão não sabe aonde vai. Enquanto podemos ver-nos e reconhecer-nos na luz que nos cerca, esquecemo-nos das nossas trevas interiores e talvez até consigamos expulsá-las de nós. Enquanto temos a luz. Procuremos antes o que nos une e não o que nos separa. Enquanto temos luz. Somente assim seremos, um dia, filhos da luz. Ou será que deixaremos partir o Cristo e ocultar-se das nossas vistas?

Esforços Esparsos Unificados
Hermínio C. Miranda

Reformador (FEB) Outubro 1974

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