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quinta-feira, 19 de março de 2015

A Dor é instrumento da lei divina - Parte 3

A dor é
instrumento da lei divina
Parte 3

Indalício Mendes

Reformador (FEB) Março 1973


            Estamos vendo, nestes dias tumultuosos, o caminho perigoso por que vai enveredando a humanidade, acossada pelo rebaixamento dos costumes e vergastada por atos de violência de inacreditável ferocidade. Panorama sombrio, que nos faz estremecer diante das perspectivas lúgubres do futuro, porque constitui a semeadura do ódio e da morte que prometem colheitas terríveis dentro do vasto campo cármico.

            Temos diante de nós um opúsculo valioso, que acabamos de reler com extremo cuidado - "Le drame de Ia souffrance humaine devant Ia science occulte", conferência realizada por Raoul Montandon, em 8 de dezembro de 1934, na Société d'Etudes Psychiques de Genebra. 

            O nome de Raoul Montandon possui justa e enorme autoridade, por se tratar de homem que estudou profundamente o mundo psíquico e escreveu uma série portentosa de obras que comprovam o seu valor, decorrente da grande experiência que adquiriu durante largos anos de atividade.

            Vamos reproduzir aqui, em tradução livre, alguns trechos do opúsculo supracitado, relativos às consequências fatais dos atos que praticamos, lesivos a terceiros. Por exemplo: "Todo efeito, na ordem Universal, procede de uma causa e o sofrimento  - qualquer que seja sua forma - não poderá fugir a essa lei." Efetivamente, como já acentuamos anteriormente, o carma, lei de causa e de efeito, é acionado pelo exercício do livre arbítrio de que somos dotados. Daí se deve inferir que o sofrimento é causado por nós mesmos, como resultado do uso inconveniente da nossa vontade. "Parece, à primeira vista, que essa noção do carma seja fácil de precisar; na realidade, ela se reveste de uma extraordinária perplexidade e algumas noções que me vou esforçar para dar convencerão bem depressa da dificuldade de lhe perceber o senso profundo, para encontrar- se possível -, uma aplicação racional capaz de obter a solução do problema que aqui objetivamos. A ciência exterior, por oposição à ciência espiritual, insiste muito, em nossos dias, no fato de seu principal valor advir de ela se apoiar nas leis gerais de causalidade. Assim, diz: "Um efeito é o que deriva de uma causa". Muito bem, mas para que o conceito  do carma intervenha preciso se torna que ocorra a reação do efeito sobre o ser que esteja em causa e que esse efeito de reação atinja o mesmo ser. É preciso ainda, diz Rudolf Steimer, "que a causa e o efeito de retorno se verifiquem simultaneamente, porque, neste caso, o ser que provocou o efeito por sua vontade, diretamente, o previu como consequência, pois já conhecia todos os fatores determinantes do seu aparecimento. Desse modo, por exemplo, não se pode falar de carma quando um homem executa uma ação precisa com determinado objetivo, e que, em seguida, segundo seu propósito, esse efeito por ele desejado se produz. Deve haver, entre a causa e o efeito, qualquer coisa que escapa imediatamente daquilo que haja engendrado a causa, de tal maneira que se estabeleça uma relação, não intencional, que não tenha sido pretendida pelo próprio ser. Se essa relação não houver sido desejada pelo próprio ser, depreender-se-á, então, que a existência de uma relação de causa e efeito tenha sua base em outro ponto que não na intenção do ser referido. Deve-se, então, admitir que essa relação se baseie na necessidade interna de uma lei e que ela, a relação de causa e efeito seja, por sua vez, uma relação da lei da necessidade, que ultrapasse as intenções imediatas do ser." (1)

            Para que os compromissos cármicos possam ser resgatados, imprescindível é a submissão dos Espíritos desencarnados, que tenham infringido a Lei de Causa e de Efeito, a uma outra lei importante, isto é, a da encarnação e reencarnação, também conhecida como o Ciclo da Necessidade do renascimento. Em seu interessante livro "Reincarnation - The Cycle of Necessity", já mencionado, Manly Palmer Hall esclarece: "Milhões de anos de evolução se acham à nossa frente. O homem se faz humano lentamente, mas inevitavelmente porque a entidade subjetiva constantemente procura organismos melhores e mas adequados ao seu aperfeiçoamento. O processo completo através do qual o ser humano é conduzido ao mistério do crescimento ou desenvolvimento pode ser apropriadamente chamado de ciclo da necessidade. Todo desenvolvimento é motivado pelo carma, isto é, pela ação e a reação. É o carma que torna a reencarnação necessária como processo de compensação justamente administrada. É difícil para a média das pessoas realizar uma existência altamente significativa até o fim dos tempos. Mas, apesar de suas ações virtudes e vícios, dos esforços para se autodestruir, o homem é imortal, ser eterno manifestando-se através de infinita sequência de encarnações em corpos diferentes, sempre um pouco melhor do que aja sido anteriormente. Hoje, estamos aqui fazendo as coisas pertinentes a este dia, por motivo dessa sequência de vidas. Não há fatalismo algum na doutrina que nos faz responder pelo que fazemos. Cada estado e condição futura nada mais são do que resultados de nosso comportamento pessoal. Nós fazemos e desfazemos de nós mesmos. Nós somos instrumentos cegos de alguma necessidade fatal. Não somos marcados pelo pecado de Adão. Cada pessoa dá testemunho do seu verdadeiro caráter, dos pensamentos e nas ações de vidas pregressas. Somos os arquitetos de nossa vida futura. O futuro está em nossas mãos." (2)

            (1) Raoul Montandon - "La Drame da Ia Souffrance humaine devant Ia Science Occulte", pág. 10 a 12.
            (2) Manly Palmer Hall - "Reincarnation - The Cycle of Necessity", págs. 97 e 98.

            É-nos muito agradável ler tais coisas num autor norte-americano, porque evidencia que a doutrina da reencarnação progride nos Estados Unidos de maneira relativamente rápida. Em "O Livro dos Espíritos", no capítulo "Da Pluralidade das Existências", há a seguinte resposta à pergunta nº 167 ("Qual o fim objetivado com a reencarnação?): "Expiação (o grifo é nosso), melhoramento progressivo da Humanidade. Sem isto, onde a justiça?" Em "Os Quatro Evangelhos", coordenados por J.-B. Roustaing, há a confirmação: " ... é um castigo (é nosso o grifo), já o dissemos. E o castigo não pode preceder a culpa". (3) Ambas as respostas são de entidades espirituais. A páginas 338 desta última obra há também este outro trecho interessante: "A reencarnação é a escada santa que todos os homens tem que subir. Constituem lhe os degraus, as fases das diversas existências nos mundos inferiores, depois nos mundos superiores, -porquanto disse Deus ao seu enviado celeste, nosso e vosso Mestre, que, para chegar a ele, teria o homem que nascer, morrer e renascer até atingir os limites da perfeição. E nenhum lá chegará sem se purificar pela reencarnação;" (4) 
           
            (3) J.-B. Roustaing - "Os Quatro Evangelhos" - Vol. I, pág. 317. 5.8 ed.

                (4) Idem, idem, ob. cit. págs. 338 e 339. 

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