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quinta-feira, 9 de agosto de 2018

Desprendimento



Despreendimento
Emmanuel por Chico Xavier
Reformador (FEB) Julho 1954

Fácil é desprender-se alguém da moeda que sobra, em favor do vizinho necessitado, mas é muito difícil projetar, a benefício dos outros, o sorriso de estímulo e o abraço da fraternidade que ajuda efetivamente.

Fácil é dar, de acordo com a nossa vontade e modo de ver ou sentir, mas é sempre difícil auxiliar o companheiro de jornada humana segundo os projetos e aspirações que ele nos apresenta.

Fácil é desligar o coração de objetos e bens no enriquecimento de quantos sejam simpáticos aos nossos caprichos individuais mas é muito difícil ceder em favor daqueles que não nos acompanham as opiniões,

Fácil é transmitir o que não nos custou esforço algum, entretanto, é difícil espalhar o que supomos conquista nossa.

Fácil é sacrificarmo-nos pela melhoria dos nossos amigos e familiares, no entanto, é sempre difícil a renunciação em auxilio dos que não oram pela cartilha de nossas devoções pessoais.

Fácil é libertar a palavra que ensina, mas é muito difícil desenvolver a ação que realiza.

lncontestavelmente, grande amor à Humanidade demonstra o aprendiz do Evangelho que distribui o pão e o remédio, o socorro e o ensinamento, a esmola e o auxílio, nas linhas materiais da vida; contudo, enquanto não aprendermos a dar de nosso suor, do nosso ponto de vista, do nosso concurso individual, do nosso sangue, do nosso tempo e do nosso coração, em favor de todos, não ingressaremos, realmente, no grande Templo da Humanidade, onde receberemos, edificados e felizes, o título de companheiros e discípulos de Jesus, nosso Mestre e Senhor.





Nas asas da Prece



Nas asas da Prece
 Luiz de Oliveira
Reformador (FEB) Julho 1954


Pai adorado
E Senhor meu,
Santificado
É o nome teu.
Tua paz eu tenha:
Pleno de afeto,
Teu reino venha
Florir-me o teto.

Dá-me à existência,
Que em dor se esvai,
Tua assistência,
Meu Deus, meu Pai.

Tua bondade,
Senhor, se encarte
Na Imensidade,
Por toda a parte.

Que ela se faça
Em mim. Senhor,
Pois quero a Graça
Do teu Amor.

Cansaço tenho,
Meu Pai celeste,
Pesa-me o lenho
Que tu me deste.


Em dor tropeço...
Dá-me energia:
O pão te Peço
De cada dia.

Sou delinquente...
Perdão imploro!
pois não ignoro
Que és indulgente.


Aos meus credores
Também perdoa,
E esta alma em dores,  
Pai, abençoa.

Eu me reservo
Neste viver,
Porque teu servo
Desejo ser.

Submisso e pobre,
Sem luz, sem brilho,
Em mim descobre
Também teu filho.

Dá-me agasalho
Para as ações
Contra o trabalho
Das tentações...

Dá-me guarida
Espiritual:
Livra-me a vida
De todo mal.

A Busca




A Busca
Emmanuel
por Chico Xavier
Reformador (FEB) Agosto 1954

Todo desejo é rogativa endereçada às Forças Sublimes que governam a vida; e toda realização, em nosso caminho, é oração atendida por semelhantes poderes.

Toda aquisição, porém, exige pagamento e toda conquista tem o preço que lhe corresponde.

Acharás o que procuras - disse o Senhor -, mas pagarás igualmente pelo que receberes.

Pede a beleza física e tê-la as realmente, todavia, as tentações de natureza inferior multiplicar-te-ão os anseios.

Roga a riqueza material e, de certo, atingir-lhe as o patrimônio amoedado na Terra, mas a tua aflição, na defesa da posse, reduzirá o teu círculo de alegria.

Solicita o brilho da fama e, sem dúvida, a popularidade fulgurará em teu nome; entretanto, a tua paz sofrerá golpes rudes.

Insiste na materialização de teus propósitos pessoais, nas linhas obscuras da leviandade ou do egoísmo e, incontestavelmente, receberás a experiência que exiges; contudo, em teus erros encontrarás o elixir amargo, destinado à própria cura.

Aprendamos, assim, a procurar a nossa felicidade, não propriamente conosco, mas em companhia do Cristo, nosso Mestre e Senhor.

Logicamente, junto d'Ele, padronizando a nossa busca pelos seus moldes divinos nem sempre marcharemos entre aplausos e flores, mas conheceremos, de perto, a luta, a renunciação, a dor e o sacrifício, terminando o nosso roteiro pela flagelação e pela cruz; todavia, nessa estrada pedregosa e sublime, escura e luminosa, cheia de feridas e resplendores, encontraremos a alegria divina e a ressurreição eterna, de vez que estaremos buscando em todos os ângulos de nossa jornada a santificante Vontade de Deus.
           

terça-feira, 7 de agosto de 2018

Renova-te sempre



Renova-te sempre
Emmanuel por Chico Xavier
Reformador (FEB) Março 1953

"Ainda que o nosso homem exterior se corrompa, o interior, contudo, se renova, dia a dia."
– Paulo em Coríntios 4:16


Cada dia tem a sua lição.

Cada experiência deixa o valor que lhe corresponde.

Cada problema obedece a determinado objetivo.

Há criaturas que, torturadas por temores contraproducentes, proclamam a inconformação que as possui, à frente da enfermidade ou da pobreza da desilusão ou da velhice.

Não faltam, no quadro da luta cotidiana, os que fogem espetacularmente dos deveres que lhes cabem, procurando, na desistência do bom combate e no gradual acordo com a morte, a paz que não podem encontrar.

Lembra-te de que as civilizações se sucedem no mundo, há milhares de anos, e que os homens, por mais felizes e por mais poderosos, foram constrangidos à perda do veículo de carne para o acerto de contas morais com a eternidade.

Ainda que a prova te pareça invencível ou que a dor se te afigure insuperável, não te retires da posição de lutador, em que a Providência Divina te colocou.

Recorda que, amanhã, o dia voltará ao teu campo de trabalho.

Permanece firme, no teu setor de trabalho, educando o pensamento na aceitação da Vontade de Deus.

A moléstia pode ser uma intimação transitória e salutar da Justiça Celeste.

A escassez de recursos terrestres é sempre um obstáculo educativo.

O desapontamento recebido com fervorosa coragem é trabalho de seleção do Senhor, em nosso benefício.

A senectude do corpo físico é fixação da sabedoria para a felicidade eterna.

Sê otimista e diligente no bem, entre a confiança e a alegria, porque, enquanto o envoltório de carne se corrompe, pouco a pouco, a alma imperecível se renova, de momento a momento, para a vida imortal.



Reverenciando Roustaing



Reverenciando Roustaing
Indalício Mendes
Reformador (FEB) Março 1973

 Jean Baptiste Roustaing é uma das personalidades mais fascinantes do Espiritismo. Coube-lhe a importante tarefa de, através da médium Collignon, trazer esclarecimentos valiosos sobre Jesus-Cristo e a doutrina evangélica. Sua obra "Os Quatro Evangelhos", pelo que encerra de transcendente, deve ser lida, relida e meditada, porque seu texto exige bastante atenção e discernimento. Contestar o valor da contribuição de Roustaing para o esclarecimento da verdade espírita, será limitar a amplitude da conceituação kardequiana relativa à pluralidade dos conhecimentos humanos, assim como às revelações progressivas. Roustaing não contestou Kardec nem estabeleceu fronteiras para o pensamento kardecista. Negar a magnitude da missão de Allan Kardec seria um contra senso, nem isto preocupou por um só instante o pensamento de Roustaing. Não há contradição entre o fundamental da obra kardequiana e o fundamental de "Os Quatro Evangelhos". Por isto, Roustaing consolidou seu prestigioso conceito dos homens iluminados pelos trabalhos do Codificador.  

Admirador de Allan Kardec, cujos, méritos enaltecia e respeitava, Roustaing veio trazer, por misericórdia de acréscimo do Pai, um precioso adendo à obra kardecista. Ao tratar da delicada questão do corpo de Jesus, não se desviou das verdades evangélicas, porque a Revelação da Revelação nos tem ensinado muita coisa que se distingue da letra, porque, como disse Paulo na I Epístola aos Coríntios, não a anunciou com palavras ensinadas pela sabedoria humana, mas com palavras ensinadas pelo Espírito, combinando coisas espirituais com espirituais. Se o espírito sopra onde quer... por que razão não poderia Roustaing receber, por intermédio de Collignon, o que consta em "Os Quatro Evangelhos"? Basta considerar o imenso valor espiritual de Jesus para se aceitar de boamente que ele, senhor de toda a gama de fluidos que enchem o universo, não teria necessidade, para se mostrar aos homens, como tantas vezes, depois, o demonstrou, de se apequenar na carne, subordinado aos efeitos da comum ação biofisiológica indispensável à reprodução dos seres carnais. Já na Epístola aos Romanos, o valoroso Paulo afirmara, com a sua incontestável autoridade: " ... Deus, enviando a seu próprio Filho em semelhança de carne de pecado e por causa do pecado, condenou o pecado na carne", tanto mais quanto acrescenta ele aos Coríntios, “nem toda carne é a mesma carne”, etc. O que é preciso, a fim de se interpretar devidamente "Os Quatro Evangelhos" e situar Roustaing no lugar distinto em que deve figurar entre os espíritas, é compreender essas coisas em espírito, porquanto "a letra mata, mas o espírito vivifica", consoante a palavra de Paulo na II Epístola aos Coríntios.

O grande e nobre espírito de Guillon Ribeiro tratou do melindroso assunto com maestria. Homem culto e probo, lidimamente cristão porque lidimamente espírita, devotava a Jesus, quando na vida terrena, um preito de admiração esclarecida. Sua autoridade moral e intelectual, por conseguinte, constituíram escudo para a defesa de Jean Baptiste Roustaing, cuja passagem por este planeta se assinalou por uma vida simples, laboriosa e austera. A probidade de Guillon Ribeiro e a sua indiscutível capacidade cultural foram motivos que muito influíram para que eu e outros obscuros estudiosos do Espiritismo buscássemos compreender a essência de "Os Quatro Evangelhos" e pudéssemos, depois, extasiar-nos ainda mais no respeito ao Codificador, pelo trabalho gigantesco e extraordinariamente valioso que nos deixou, e a Roustaing, pela serenidade e humildade com que se dispôs a trazer também a sua contribuição importante, recebida, como a de Kardec, dos nossos nobres e bondosos irmãos do plano invisível.

Lendo-se o Evangelho segundo Mateus, 1-18 :25, onde se alude ao nascimento de Jesus, a questão se apresenta meridianamente clara e compreensível. E Jesus chegou mesmo a dizer aos discípulos que "não tem aparecido entre os nascidos de mulher outro maior que João Batista", o que é expressivo e significativo. Como, na Terra, geralmente se consideram irmãos os filhos dos mesmos pais, Jesus respondeu quando lhe falaram na família: "Quem é minha mãe, e quem são meus irmãos? Estendendo a mão para seus discípulos, exclamou: Eis minha mãe e meus irmãos! Pois aquele que fizer a vontade de meu Pai que está nos céus, esse é meu irmão, irmã e mãe" (Mateus. 12 :48-50}. Este pormenor constitui mais uma evidência de que o conteúdo de "0s Quatro Evangelhos", no que concerne também ao corpo do Mestre, não discrepou da verdade.

Neste artigo, inspirado apenas pelo desejo de uma homenagem ao espírito de Roustaing, portanto, sem qualquer intenção de polêmica,  vai também um pouco do muito de gratidão à sua obra, que concorreu para eliminar algumas das inumeráveis arestas do meu espírito rebelde. Mas é curioso que os que se recusam a aceitar Roustaing, negando a natureza fluídica do corpo com que Jesus baixou à Terra, aceitem, de outro lado, o simbolismo desta passagem do Evangelho segundo João: "Disputavam, pois, os judeus entre si, dizendo: Como pode este homem dar-nos a comer a sua carne? Respondeu-lhes Jesus: Em verdade, em verdade vos digo: Se não comerdes a carne do Filho do homem e não beberdes o seu sangue, não tendes à vida em vós. Quem come a minha carne e bebe o meu sangue, tem a vida eterna". A carne e o sangue de Jesus, neste caso, são a sua Doutrina, o amor a Deus, a exemplificação do bem. Quem comer a sua carne e beber o seu sangue, quem seguir a sua Doutrina, assimilando-lhe as lições - terão vida eterna, porque estarão na conformidade dos desejos de Deus. O mesmo simbolismo dessa passagem evangélica é encontrado em outras expressões, como esta: "o Filho do homem", "pensais que vim trazer paz à Terra?", "deixai que os mortos enterrem seus mortos", "o que não tem dinheiro, venda a sua capa e compre espada.", etc. Por que, então, aceitar-se, num caso, a letra como simbolismo a ocultar um pensamento que o Espiritismo pode,  afinal, compreender em espírito e verdade e, em outro caso, recusá-lo?

Jean Baptiste Roustaíng foi um cristão respeitável e sua memória deve ser reverenciada pelos espíritas, porquanto ele trabalhou com fé e honestidade pela grande causa. Merece e terá, sem dúvida, entre os espíritas verdadeiramente compenetrados dos deveres evangélicos, a homenagem a que fazem jus todos quantos enfrentaram o ultramontanismo ferrenho e lograram, sem temor a processos violentos, colaborar para a. difusão e a vitória dos princípios espíritas codificados por Allan Kardec, o Pioneiro excelso.


A noite é feita de silêncios - 6



Ok A Noite é feita de silêncios - 6
José Brígido (Indalício Mendes)
Reformador (FEB) Agosto 1952

A noite é feita de silêncio: silêncio da vida que descansa, silêncio da esperança, paciente, silêncio das juras do amor inocente, silêncio dos arrependimentos, silêncio das decepções amargas e sem eco, silêncio das alegrias íntimas que enobrecem a alma, silêncio das tristezas enclausuradas no coração, silêncio das almas frágeis e incompreendidas ... Silêncios curtos... Silêncios intermitentes... Silêncios longos... O silêncio dos silêncios, o grande silêncio da morte, que é o silêncio da vida que para hoje para recomeçar amanhã...

A noite é feita de silêncios...

A noite é feita de silêncios - 5



A Noite é feita de silêncios - 5
José Brígido (Indalício Mendes)
Reformador (FEB) Agosto 1952

Antiquíssimos túmulos de Tell-el-Amarna, no Egito, mostram aos séculos esta inscrição: “A Terra está em silêncio, porque Aquele que a criou repousa em seu horizonte." É a sabedoria de Alá que se revela nos prodígios do Universo. Graças à Sua misericórdia, podem os homens esclarecidos confraternizar com os Espíritos que transpuseram a fronteira do Desconhecido, buscando os sonhos multicolores do Paraíso. Lá se encontra a luz eterna do Conhecimento. Louvai a onisciência do Criador e tentai realizar a alquimia do Sentimento, transmudando o Orgulho em Simplicidade, a Indiferença em Fé, a Arrogância em Humildade e o Egoísmo em Amor! Bendito seja Alá!

A noite é feita de silêncios - 4



A Noite é feita de silêncios - 4
José Brígido (Indalício Mendes)
Reformador (FEB) Agosto 1952

A noite é feita de silêncios. Erguei o olhar para os céus, onde tudo é paz. Voltei o olhar para a Terra, onde a Natureza repousa, adormecida. Mergulhai ainda mais a alma na meditação, a fim de que possais sentir a presença da Realidade Espiritual. Respeitai a majestade da noite que se escoa e saciai-vos no festim da prece que vos identifica com a Vontade Suprema!

A noite é feita de silêncios - 3



A Noite é feita de silêncios - 3
José Brígido (Indalício Mendes)
Reformador (FEB) Agosto 1952

Permanecei quietos, a fim de que o enlevamento destes instantes não se dilua nos  ruídos profanos. Conservai-vos mudos para que o Silêncio não se extinga, ferido pelas asperezas da linguagem humana. Celebrai pelo espírito as bodas da vossa consciência com uma centelha do Absoluto. Silêncio, amigos. Silêncio... As dores alheias devem ser um pouco vossas. Acudi aos desesperados. Matai nele a sede da Serenidade, para que a Esperança o ampare no resto da caminhada. Bem pior que a dor é o Desespero que embriaga as almas aflitas. Silêncio. Olhai o céu de veludo negro, onde rutilam os astros, joias delicadas de mágicos artífices. Vede a Lua iluminada que flutua no imenso oceano da noite imensa, vogando entre as estrelas, flores brilhantes do miraculoso Jardim de Alá!

A noite é feita de silêncios - 2



A Noite é feita de silêncios - 2
José Brígido (Indalício Mendes)
Reformador (FEB) Agosto 1952

Lembrai-vos da recomendação de Maomé: “Amai os pobres”. E respeitai a pobreza. Olhai os humildes com amor ou, pelo menos, com terna simpatia. Procurai compreender que somente o sentimento situa o valor real do homem. Quem não sabe sentir, não vive superiormente. Tanto mais refinado é o espírito, quanto maior for a sua sensibilidade. Não vos esqueçais disto, quando retornardes ao tumulto da vida comum, depois de haverdes gozado as delícias da noite opulenta de encantos. Guardai a piedade para os que sofrem, o perdão para os que erram e a tolerância para os que ignoram. E amai sempre, amigos, porque o amor é o fundamento da vida universal!

A noite é feita de silêncios - 1



A Noite é feita de silêncios - 1
José Brígido (Indalício Mendes)
Reformador (FEB) Agosto 1952

Permanecei quietos, amigos, para que a paz que desce sobre vós não se retire, assustada... Permanecei calados, para que a vossa personalidade se impregne de Silêncio e se dissolva no êxtase da Tranquilidade. Não perturbeis a placidez da noite cheia de doces mistérios e de suaves encantamentos. Elevai o espírito e meditai sobre a sublimidade do Silêncio que fortalece a alma e estimula a ascese. Conversai com o vosso próprio Eu, fruindo o prazer místico do solilóquio. Honrai o silêncio com a meditação que multiplica a riqueza da paz interior.

sexta-feira, 3 de agosto de 2018

No Princípio




No Princípio
Djalma de Matos
Reformador (FEB) Agosto 1954

Em artigo publicado Sexta-feira Santa do corrente ano, sob a epígrafe "O Cristo Redentor", nas colunas dum jornal profano, citando o versículo inicial do Evangelho de João, dissemos que a locução “no princípio”, ali empregada, refere-se à formação da Terra pelo influxo do verbo do Cristo, expressão genuína do verbo de Deus, e não ao Universo, constituído de incalculáveis multidões de galáxias que povoam o espaço infinito, - porque aquele jamais teve princípio, como não terá fim.
           
Assim afirmamos amparados pela razão e pela revelação espírita.

Da revelação espírita faz parte uma série de mensagens mediúnicas ditadas à Sociedade Espírita de Paris, em 1862 e 1863, pelo sábio Espírito Galileu, versando sobre uranografia geral, e que constituem o capitulo VI do livro “A Gênese” – Milagres e Previsões, de Allan Kardec, destacamos, de uma delas, os elucidativos ensinamentos seguintes:
           
"Existindo, pois, sua natureza desde toda a eternidade, Deus criou desde toda eternidade, e não poderia ser de outro modo visto que, por mais longínqua que seja a época que recuemos, pela imaginação, os supostos limites da criação, haverá sempre, além desse limite, uma eternidade - ponderai bem nesta ideia - a eternidade durante a qual as divinas hipóstases, as volições infinitas, teriam permanecido sepultadas em muda letargia inativa e infecunda, uma eternidade de morte aparente para o Pai eterno, que dá vida aos seres; de mutismo indiferente para o Verbo que os governa: de esterilidade fria e egoísta para o Espírito de amor e vivificação.

Transportando-nos alguns milhões de séculos somente, para trás da época atual, verificamos que a nossa Terra ainda não existe, que mesmo o nosso sistema solar ainda não começou as evoluções da vida planetária; que, entretanto, já esplêndidos sóis iluminam o éter, já planetas habitados dão vida a existência a uma multidão de seres, nossos predecessores na carreira humana, e que as produções opulentas de uma Natureza desconhecida e os maravilhosos fenômenos do céu desdobram, sob outros olhares, os quadros da imensa Criação. Que digo! Já deixaram de existir esplendores que, muito antes, fizeram palpitar o coração de outros mortais, sob o pensamento da potência infinita! E nós, pobres seres pequeninos, que viemos após uma eternidade de vida, nós nos cremos  contemporâneos da Criação!"

Esta revelação é plenamente confirmada pela Astronomia, que nos testa a existência atual e pretérita dos mundos inumeráveis, de sóis que já se extinguiram há milênios, mas cuja luz ainda brilha no firmamento.

A Gênese mosaica não mais pode ser invocada para elucidar transcendente questão da criação primária do nosso mundo, e muito menos do Cosmos, porque a autoridade de que se revestia já há muito foi superada pelos fatos e conquistas da Ciência.

Esse venerável monumento da Revelação antiga satisfez as exigências mentais e religiosas duma época, em que Humanidade acreditava piamente estar a Terra  fixada no centro do Universo, iluminada durante o dia pelo disco do Sol, que surgia no Oriente, percorria a abóbada celeste e se punha no ocidente, para passar por baixo dela e reaparece no Oriente, iluminando o novo dia. Essa época compreende o longo período histórico, que se conta desde Moisés até o século décimo sétimo da era cristã, quando o insigne Galileu foi obrigado a abjurar de joelhos, perante o Santo Ofício, porque afirmava, como verdade, que a Terra é que gira, em movimento diuturno, em redor do Sol.
           
Moisés era sem dúvida, um médium vidente poderoso e, como missionário, teve a visão retrospectiva da formação da Terra, na fase em que, cessado o estado fluido incandescente, começam a arrefecer e solidificar-se, oferecendo condições propicias à vida de seres orgânicos. Mas, quem nos garante que o que ele realmente viu, foi o que se acha narrado na Gênesis? – uma vez que, para representar a sua visão, serviu-se de caracteres ideológicos e não da escrita alfabética, que era então desconhecida.

            O vidente, por certo, contemplou a Terra ainda aquecida, envolta em cerrado nevoeiro que interceptava a passagem dos raios solares, parecendo-lhes que “era sem forma e vazia, e havia trevas à face do abismo” (1-2). Diluindo-se o nevoeiro, pelo gradativo arrefecimento das águas, chuvas torrenciais caíam sobre elas e, estiadas estas, pesadas nuvens apareciam suspensas na atmosfera, operando-se, aparentemente, a separação “das águas que estavam por baixo do firmamento, das que estavam por cima” (1-6 a 8). Como surgissem, mais tarde, o Sol e a Lua, por entre as nuvens, Moisés, na compreensível ignorância em que estava do nosso sistema planetário, supôs que Deus criara, depois da Terra, “dois grandes luminares: - o luminar maior para governar o dia, e o luminar menor para governar a noite; e as estrelas” (1-14 a 18).

            Ora, sem esta, ou semelhante, interpretação dada pelo Espiritismo, a Gênese mosaica não resiste à crítica: será relegada para o rol das lendas antigas, como já a consideram os corifeus da ciência materialista.

            Assim, também, as figuras de Adão e Eva não representam, em face da revelação espírita, as primeiras criaturas humanas, das quais toda a Humanidade descende, e sim, entidades alegóricas, simbolizando uma numerosa falange de Espíritos intelectualmente adiantados, degredada, por seu desmedido orgulho, de um planeta mais evolvido (paraíso perdido), do sistema da Capela, onde se tinham constituído entrave ao progresso, e, vindo encarnar na Terra, transformaram-se em fator eficiente do desenvolvimento mental e cultural dos povos. Não se concebe, aliás, que a primeira mulher se tivesse formado da costela de dão – como pretendem os que interpretam a figura simbólica ao pé da letra – porque, no capítulo 1º, versículo 27, está consignado que Deus, ao sexto dia, criou o homem macho e fêmea. Assim se explica porque, tendo Caim matado a Abel – como narra o capítulo 4º - e, arrependido, desejasse morrer, lhe foi posto um sinal para que ninguém o matasse, prova de que já havia então mais gente, além de seus pais – o que se torna mais evidente por ter ele casado e fundado uma cidade, como consta do versículo 17.

            Donde poderia provir a mulher de Caim e a população da cidade, senão dos seres humanos que já haviam sido criados macho e fêmea?

            Ao enunciar estes esclarecimentos, guiados pela razão e o bom-senso, mas sem a menor pretensão à infalibilidade, que seria estultícia, não nos move, a nós espíritas, senão secundariamente, a intensão de fazer prosélitos.

            Sentimo-nos felizes e confortados com a nossa fé esclarecidas, racional e consoladora, e desejaríamos que todos compartilhassem da nossa felicidade; desejaríamos que todos compreendessem Deus, como nós o compreendemos, Pai de amor e justiça, que, “enviou seu Filho ao mundo, não para o condenar, e sim para salvá-lo”, e que sendo a suprema sabedoria, a suprema bondade, não iria eternizar o mal em sua obra, criando um inferno de sofrimentos sem fim, satanás e a condenação eterna, pois temos a serena convicção de que de que dá  a seus filhos, por mais perversos e ignorantes que sejam, a oportunidade de se tornarem sábios e bons, mediante o cadinho purificador das vidas sucessivas.

            Não queremos, porém, de modo algum, desviar ninguém da religião, seja qual for, em que se sinta bem e confortado, desde que faça por ser bom e fraterno, procurando por em prática a recomendação de Jesus, de não fazer aos outros o que não queira que lhe façam, - uma vez que a finalidade do Espiritismo é a de promover a reforma moral dos indivíduos, para que possam reinar, neste mundo, a paz, o amor e a harmonia, sem exigir que todos rezem pela mesma cartilha.

quinta-feira, 2 de agosto de 2018

O Desenvolvimento da Mediunidade



O Desenvolvimento da Mediunidade
Indalício Mendes
Reformador (FEB) Março 1944

O desenvolvimento da mediunidade é uma das tarefas mais árduas dos que se dedicam à prática do Espiritismo. Além da experiência do mundo, precisam ter em elevado grau o senso da observação, para bem analisarem as comunicações, os Espíritos e os médiuns, afim de tirarem dos fenômenos as mais proveitosas lições.

Quase todos, presidentes, médiuns e assistentes, têm pelos fenômenos, uma impaciência doentia, desejando resultados imediatos, sem levarem em conta que "a pressa é inimiga da perfeição".

As árvores frondosas, que dão a melhor sombra e os melhores frutos, levam anos para atingir o seu completo crescimento.

Muitos confrades não ligam ao desenvolvimento da mediunidade todo carinho que deve merecer esse abençoado trabalho, alegando que os Espíritos é que se encarregam de escolher os seus médiuns e produzir os fenômenos que desejam, e para corroborar suas afirmativas citam casos de pessoas que nunca se assentaram em mesas de sessões terem recebido manifestações. Ninguém contesta, porém, esses casos são em número reduzido. Esses médiuns, classificados por Allan Kardec, de espontâneos ou naturais, nem por isso dispensam a assistência de espíritas esclarecidos para poderem fazer bom uso da sua faculdade.

Não há ninguém capaz de dizer que Pedro, Sancho ou Paulo sejam médiuns, pois, nenhum sinal notável se observa no indivíduo. Só a experimentação o prova. E isso também é difícil, porque se há pessoas que recebem comunicações logo da primeira vez que comparecem a uma sessão, outras há que só o conseguem depois de meses, havendo ainda outras que só mesmo depois de anos de assiduidade e perseverança logram-no conseguir.

Pelo que acabamos de dizer, é o bastante para se verificar a necessidade de cuidarmos do desenvolvimento gradual e metódico dos médiuns, porque só pela instrução em geral, da parte moral e doutrinária do Espiritismo, poderão eles servir de instrumentos dóceis aos Espíritos comunicantes.

Em nosso trabalho anterior, fizemos referências às vibrações dos Espíritos e dos médiuns, e dos esforços que os primeiros fazem para estabelecer o equilíbrio a fim de se produzir o fenômeno. Assim, não podemos deixar de fazer um reparo no que se passa em grande número de Centros. É frequente vermos médiuns já desenvolvidos, segundo afirmam, a dar passes desordenados, sem a menor orientação, sobre os outros que se acham em desenvolvimento. A nosso ver, isso longe de favorecer dificulta seriamente.

Se a experiência nos diz que não há dois médiuns iguais, logicamente nem todos os médiuns desenvolvidos servem para dar passes, e muito menos para auxiliar o desenvolvimento da mediunidade.

Se, para a combinação de duas vibrações, como dissemos, há dificuldades, maiores serão elas para a harmonia de quatro: do médium desenvolvido e seu guia, e do médium em desenvolvimento e do Espírito que se quer manifestar.

Como se originou essa prática? Não o sabemos.

O certo é que, no O Livro dos Médiuns, Allan Kardec diz que estava dando bom resultado o colocar um médium psicográfico, desenvolvido, a mão sobre a do médium em desenvolvimento, ou, mesmo, no ombro deste; porém, isso não é passe, na pura acepção do termo, e sim aposição da mão, do mesmo modo que faziam os Apóstolos conforme se lê nos Atos dos Apóstolos.

Os passes desordenados são prejudiciais. Não se pode dar passes sem preparo prévio, pois eles variam segundo a sua finalidade. Há passes horizontais, verticais, concêntricos, rotativos e dispersivos e, assim, o seu emprego não pode ser indistinto.

É preciso notar-se, também, que nem sempre há afinidade entre o médium em desenvolvimento e o que lhe fica atrás. Deste modo, como se operar o fenômeno com facilidade?

Em muitos grupos, os confrades se envaidecem ao mencionarem o elevado número de médiuns desenvolvidos em seu meio, entretanto, quando se deseja uma receita, uma consulta, um estudo interessante, não aparece um só médium que sirva.

O desenvolvimento da mediunidade deve ser objeto de escrupuloso cuidado de todos os que se dedicam ao Espiritismo prático, pois não necessitamos de muitos médiuns sofríveis ou medíocres, bastando-nos poucos, mas, bons e seguros. Em Espiritismo, é preciso observar, não fazemos questão de quantidade, mas, sim, de qualidade.

Da equipe do Blog:
Enorme é o respeito e consideração à aquele que muito contribuiu durante décadas com artigos de excelente conteúdo para a revista Reformador (FEB). Apenas este Blog, em seu trabalho de busca, supera 310 artigos do saudoso Indalício Mendes. Porém, o trecho sublinhado acima é um dos temas de pesquisa do nosso grupo e para o qual ainda não temos opinião formada. “Sopro quente”, “Sopro frio”, “Passes longitudinais, verticais, concêntricos, rotativos e dispersivos”... Para nenhuma dessas técnicas encontramos suporte nos autores que pesquisamos, a saber: Jacob Melo, Roque Jacintho, Salvador Gentile, entre outros. Encontramos, sim, em ‘Terapia dos Passes’ do Projeto Manoel P. de Miranda (Ed. Leal), uma afirmação de Divaldo Franco encontrada à página 110 do livro citado: “Preferimos, no entanto, a mais simples, a fim de que a preocupação com a forma não se transforme em impedimento com a qualidade do recurso.”  E ainda: “Reconheço sua validade, no entanto, não me preocupo muito com a sua forma de aplicação.  Existe, inclusive, uma filmagem no YouTube onde Divaldo explica a aplicação do passe e o faz com gestual de extrema simplicidade ou seja, simples imposição das mãos. Lembremo-nos que grandes nomes do Movimento Espírita como Hermínio Miranda citam técnicas de aplicação de passes que guardam significativo gestual. (vide “Eu sou Camille Desmoulins.” Ed. Lachatre).  Assim, rogamos aos nossos leitores suas contribuições sobre o tema sempre oferecendo-nos suas fontes.


O Corpo Fluídico na Bíblia




O Corpo Fluídico na Bíblia
I. Pequeno (Antônio Wantuil)
Reformador (FEB) Março 1944      

Quando Esdras foi autorizado pela Sinagoga Magna a rever e compilar os Livros Sagrados, os hebreus não tinham, no seu Catálogo, o livro de Tobias, escrito em caldáico pelo próprio Tobias e por seu filho.

Atualmente, não existe qualquer exemplar nessa língua, tanto assim que a versão latina, de S. Jerônimo, foi feita da versão grega, da qual se diferencia em alguns pontos de pequena importância.

As edições populares da Bíblia, distribuídas pelos Protestantes, não incluem o Livro de Tobias, que, no entanto, faz parte das edições católicas, e mereceu aprovação dos teólogos e dos Concílios.

Nesse Livro, encontraremos o anjo Rafael, que sob a forma humana viveu vários meses entre os familiares de Tobias, com o nome de Azarias (socorro de Deus)...

Depois de cumprida a missão, Azarias, confessando ser ele o anjo Rafael, desapareceu de diante deles, que não mais o viram.

Antes, porém, de efetuar a desmaterialização dos fluidos com que formara o seu corpo, disse-lhes  

"A vós parecia-vos que eu comia e bebia convosco, mas eu me sustento de manjar invisível e de bebida que não pode ser vista pelos homens. É pois tempo que eu volte para Aquele que me enviou."

Como vemos, Rafael formou o seu corpo fluídico, viveu alguns meses entre os homens, e desmaterializou-se em presença da família a que viera proteger e encaminhar.

Esse fato nos demonstra que os Espíritos não criaram uma nova teoria, quando transmitiram, pela mediunidade mecânica da Sra. Collignon, as explicações de todos os versículos dos Evangelhos, na obra ‘Os Quatro Evangelhos’, de Roustaing, obra única e incomparável no gênero, por ser a única que nos faz compreender o Cristo, nem Deus, nem homem, mas, como enviado daquele que lhe entregou a direção do nosso planeta.