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sexta-feira, 12 de abril de 2013

Embainha a tua espada



Embainha tua espada

Embainha tua espada ... "  Jesus em João, 18:11.



            A guerra foi sempre o terror das nações.

            Furacão de inconsciência, abre a porta a todos os monstros de iniquidade por onde se manifesta. O que a Civilização ergue, ao preço dos séculos laboriosos de suor, destrói com a fúria de poucos dias.

            Diante dela, surgem o morticínio e o arrasamento, que compelem o povo à crueldade e à barbaria, através das quais aparecem dias amargos de sofrimento e regeneração para as coletividades que lhe aceitaram os desvarios.

            Ocorre o mesmo, dentro de nós, quando abrimos luta contra os semelhantes ...

            Sustentando a contenda com o próximo, destruidora tempestade de sentimentos nos desarvora o coração. Ideais superiores e aspirações sublimes longamente acariciados por nosso espírito, construções do presente para o futuro e plantações de luz e amor, no terreno de nossas almas, sofrem desintegração e desabamento, porque o desequilíbrio e a violência nos fazem tremer e cair nas vibrações do egoísmo absoluto que havíamos relegado à retaguarda evolutiva.

            Depois disso, muitas vezes devemos atravessar aflitivas existências de expiação para corrigir as brechas que nos aviltam o barco do destino, em breves momentos de insânia ...

            Em nosso aprendizado cristão, lembremo-nos da palavra do Senhor: - “-Embainha a tua espada.”

            Alimentando a guerra com os outros, perdemo-nos nas trevas exteriores, esquecendo o bom combate que nos cabe manter em nós mesmos.

            Façamos a paz com os que nos cercam, lutando contra as sombras que ainda nos perturbam a existência, para que se faça em nós o reinado da luz.

            De lança em riste, jamais conquistaremos o bem que desejamos.

            A cruz do Mestre tem a forma de uma espada com a lâmina voltada para baixo.

            Recordemos, assim, que, em se sacrificando sobre uma espada simbólica, devidamente ensarilhada, é que Jesus conferiu ao homem a bênção da paz, com felicidade e renovação.

Emmanuel
por Chico Xavier
in Reformador (FEB) Fevereiro 1955





quinta-feira, 11 de abril de 2013

16. Ciência Religião Fanatismo




16


Ciência   Religião   Fanatismo

por  MINIMUS  (A. Wantuil de Freitas)
Ed. FEB
c.1938

Palestra 3   c/e

           
            Claude Bernard escreveu, nas suas "Lições sobre o Calor Animal", que a terapêutica mais racional seria a que se dirigisse diretamente ao sistema nervoso. O sábio fisiologista sonhava o aparecimento da medicina mediúnica, essa terapêutica que seus discípulos chamam histeria, apesar de ignorarem a causa desta moléstia e os meios de a curar.

            O Espiritismo é uma nova alavanca do progresso da ciência humana. Com ele, a ciência de amanhã rir-se-á dos que hoje nada mais fazem senão rir, com esse riso que Crookes classificou de idiota.

            O Espiritismo é ciência, porque prova suas asserções com fenômenos inteligentes, porque cogita das leis da criação e leva suas observações acima da ciência humana, investigando além da matéria palpável e visível.

            O Espiritismo é filosofia, porquanto se dedica à natureza do homem, explicando a este o seu próprio aparecimento na Terra e indicando-lhe o fim aonde se dirige.

            O Espiritismo é religião, visto que ensina os meios da criatura religar-se ao Criador e ainda por pregar os mesmos preceitos dos Evangelhos do Cristo.



'Judaísmo, Cristianismo e Espiritismo'


Judaísmo,
Cristianismo
e Espiritismo

O Sr. Allan Kardec classificou o Espiritismo como a Terceira Revelação, e esta classificação mereceu aprovação de todos os Espíritos superiores que se têm comunicado conosco nestes cem anos que nos distanciam do momento em que tal nome foi dado ao Espiritismo. E, portanto, uma definição clássica e consagrada por cem anos de repetição.

Para o espiritista a primeira Revelação é o Judaísmo, como se acha expresso no Velho Testamento; a segunda é o Cristianismo, conforme o Novo Testamento, que em parte confirma e em parte revoga o Antigo; a terceira é o Espiritismo, que confirma e esclarece e amplia as duas precedentes.
Não houve descontinuidade entre essas três Revelações e a sua ética, que se vem aprimorando, ampliando, poder-se-ia resumir a estas palavras "AMARAS O TEU PRÓXIMO COMO A TI MESMO", que aparecem pela primeira vez no 3º Livro de Moises, Levítico, 19: 18, e depois vem sendo repetidas na Bíblia toda e em todo o Espiritismo.

A forma de recebermos a Revelação é a mesma: os judeus e os cristãos empregavam para os intermediários o nome de "profetas", palavra grega formada com PRÓ (por) , e FANAI (falar), portanto, falar por (outrem), e por extensão "falar por um deus". Os nomes "deus", "anjo", "espírito" tinham o mesmo sentido na compreensão dos antigos. Acreditavam em deuses e deusas bons e maus, anjos bons e maus, espíritos bons e maus. A palavra "profeta" tinha no Velho e no Novo Testamento o mesmo sentido que damos hoje ao vocábulo "médium", isto é, intermediário entre os seres espirituais e os homens.

Portanto, a fonte era a mesma e a canalização era a mesma, isto é, o mundo espiritual era a fonte, e o canal que a conduzia a nós era o médium. Folheemos agora a Bíblia para citar alguns tópicos.

"Não se achará entre vós... nem o que consulte a espíritos ou a um espírito familiar, nem aquele que consulte aos mortos.”  (Deuteronômio, 18: 11, 12)

Esta proibição de Moisés nos mostra que se usava e abusava da mediunidade, como tentam fazer hoje. Mas a medi unidade superior e instrutiva não era proibida, pois que era empregada pelo mesmo Moisés e por todos os demais profetas e até o foi pelo Divino Mestre, como veremos mais adiante. Também hoje deveria ser proibida a mediunidade para finalidades inferiores, porque a moral espírita não a aprova, mas veementemente a reprova.

Os Espíritos obsessores ja agiam do mesmo modo que hoje. Leiamos estas linhas:

"Tendo-se retirado de Saul o espírito do 'Eterno, atormentava-o um espírito maligno...”  (I. Samuel, 16:14.)

" ... tomava David a harpa e a tocava com sua mão; então Saul sentia alívio, e se achava melhor, e o espírito maligno se retirava dele ,"    (I. Samuel, 16 :23.)

Esse Saul, obsidiado por Espíritos inferiores, foi o primeiro rei de Israel e praticou toda sorte de faltas, dentre as quais a exterminação de todos os médiuns, e finalmente se suicidou, para não cair em mãos de seus inimigos (I. Sam., 31 :4); mas na véspera de sua morte (ano 1.055 AC) fez ele a célebre evocação do Espírito de Samuel, que em parte aqui transcrevemos:

"Então disse Saul aos seus servos: Buscai-me uma mulher que consulte a um espírito familiar, para que eu vá consultá-la. Responderam-lhe os seus servos: Há em Endor uma mulher que consulta espírito familiar.
Saul disfarçou-se e, tomando outros vestidos, foi, acompanhado de dois homens, e chegaram de noite a casa da mulher. Ele disse: Adivinha-me pelo espírito familiar e faze-me subir aquele que eu te disser. Respondeu-lhe a mulher:  Eis que tu sabes o que fez Saul, como exterminou da Terra os que consultam espíritos ou espírito familiar; porque me estás armando um laço à minha vida, para me fazeres morrer? Saul jurou-lhe pelo Eterno, dizendo:  Pela vida do Eterno, nenhuma culpa te sobreviverá por causa disso. Perguntou-lhe a mulher: Quem te farei subir? Respondeu ele: Faze-me subir Samuel. Quando a mulher viu a Samuel, deu um grande grito, e disse a Saul: Porque me enganaste?  pois tu és Saul. Respondeu-lhe o Rei: Não tenhas medo; que vês tu? Disse a mulher a Saul: Vejo um deus subindo da Terra. Perguntou-lhe ele: Como é a sua figura? Respondeu ela: Vem subindo um ancião, e está envolto numa capa. Entendeu Saul que era Samuel, prostrou-se com o rosto em terra e fez-lhe uma reverência.
Disse Samuel a Saul: Porque me inquietaste, fazendo-me subir? Respondeu Saul:  Estou mui angustiado, porque os filisteus me fazem guerra.” (I. Samuel, 28: 7 a 15.)

Aqui, segue-se a conversação que não copiamos, de Saul com Samuel, a qual termina por estas palavras de Samuel:  "Amanhã tu e teus filhos estareis comigo ...” E assim se deu: no dia seguinte morreram Saul e seus três filhos no monte Gilboa.  Todo o exército israelita foi exterminado pelos filisteus.

Espíritos enganadores e mentirosos também nunca faltaram. Leiamos estas linhas como amostra:

"Perguntou o Eterno: quem enganará a Ahab, para que suba e caia em Ramot-Gilead? Um disse uma coisa, e outro outra. Saiu um espírito, apresentou-se diante do Eterno e disse: Eu o enganarei. Perguntou-lhe o Eterno: Como? Respondeu ele: Sairei e serei um espírito mentiroso na boca de todos os seus profetas." (I. Reis, 22: 20-22.)

E assim foi. Todos os médiuns da regíão foram mistificados.

Como exemplo de uma comunicação em escrita direta, leia-se no cap. 5º do Livro de Daniel os versículos 25 e seguintes, onde se acha o longo relato da célebre frase: "MENE, MENE, TEKEL, UFARSIN” ,

- Até aqui citamos somente livros do Velho Testamento , Vejamos agora no Novo.

No cap. 17 de Mateus, 9 de Marcos e 9 de Lucas, vem o belo relato da Transfiguração. Copiemos de Lucas, 9: 28 a 32:

"Cerca de oito dias depois de haver assim falado, levou consigo a Pedro, a João e a Tiago e subiu ao monte para orar. Enquanto orava, o aspecto do seu rosto alterou-se, e as suas vestes se tornaram brancas e resplandecentes. Eis que dois varões falavam com ele; estes eram Moisés e Elias, que apareceram em glória e falavam da sua retirada que ele estava para realizar em Jerusalém. Pedro e seus companheiros estavam oprimidos de sono; mas, conservando-se acordados, viram a sua glória e os dois varões ao lado dele."

Nas sessões de materialização os médiuns em geral dormem profundamente, mas estes três aqui mencionados conservaram-se acordados, embora oprimidos de sono. Há também hoje exemplos de materialização com o médium acordado. Já ouvimos até o médium conversar com o Espírito materializado. Temos nesse relato dos evangelistas, bem como no episódio da evocação de Samuel, acima citado, verdadeiras atas de sessões espíritas realizadas, esta última há 1921 anos, e aquela outra há 3.009 anos. Parece-nos que basta de citações para os fins a que se destina este artigo.

Os fenômenos são os mesmos no Velho Testamento, no Novo Testamento, e nos anais do Espiritismo de nossos dias. É impossível negá-las, porque há concordância perfeita e constante de testemunhas de vários lugares e de muitos tempos, nas mais diversas civilizações e graus diferentes de cultura.

Temos que aceitar os fatos como perfeitamente provados e fora de qualquer dúvida. Esses fatos são o fundamento de todas as religiões do mundo; portanto, poderíamos dizer que todas elas são espíritas, desde que sejam espiritualistas, porque se baseiam em fenômenos espíritas, hoje mais rigorosamente controlados.

Podemos dar como rigorosamente assentado que o Judaísmo, o Cristianismo e o Espiritismo se baseiam nas comunicações dos Espíritos, têm um fundamento comum; mas a moral progrediu muito. No Velho Testamento a moral era racista e inferior. Mesmo na comunicação de Samuel a Saul, o Espírito disse que Saul fora punido, "porque não obedeceste a voz do Eterno, e não executaste o furor de sua ira contra Amalek ...”

O Deus de amor universal só começa a aparecer no Novo Testamento e só é compreendido como Pai de todas as criaturas, no hino sublime da fraternidade universal, no Espiritismo. O "amor ao próximo como a si mesmo" era lei antiga, foi ampliado por Jesus no episódio do Bom Samaritano, e alcança sua plenitude na Terceira Revelação. Ao tempo de Jesus era impossível ensinar por palavras esse amor sublime, e ele preferiu ensiná-lo por exemplos que teriam de eternizar-se e ser interpretados mais tarde, à luz da Terceira Revelação, como ele mesmo prometeu.

Quanto à moral, o espírita de hoje vive contraditoriamente:  O meio dificulta-lhe por em prática suas convicções e por instinto de conservação ele se adapta a formas de vida materialistas, egoístas, contrárias aos seus anseios. Só num mundo moralmente muito mais adiantado do que o nosso de hoje poderá reinar a moral evangélica comentada pelos Espíritos superiores.

Quando um judeu combate os fenômenos espíritas, comete o erro inconsciente de lutar contra sua própria crença, de minar sua própria casa. Quando um cristão nega os fenômenos espíritas, está negando seu próprio livro sagrado e alistando-se entre os materialistas, contra o Cristianismo. Quando um espírita nega a Bíblia toda, está pondo em dúvida as bases do Espiritismo.

O caminho das negações nos leva ao mais pavoroso abismo. O negador quase nunca pode acertar. Já Sir Oliver Lodge exemplificou muito bem os perigos da negação. Disse: "Para eu afirmar que Shakespeare empregou certa palavra, basta-me conhecer um verso dele; mas para negar que ele tenha empregado certa palavra eu terei que estudar cuidadosamente durante anos toda a obra do poeta, e ainda estarei sujeito a erro. Nossa pouca ciência dá para afirmarmos, mas é demasiado curta para negarmos."

Não nos percamos, no declive das negações. Sejamos mais humildes, mais estudiosos, mais prudentes do que os negadores.

por Ismael Gomes Braga
in Reformador (FEB) Fevereiro 1955





07. Histórias do Chico...


07 Histórias do Chico...

           

            Seremos uma Estrela de Cinco Raios


            Quando psicografava o maravilhoso livro PAULO E ESTEVÃO, de Emmanuel, o Chico via, a seu lado, um sapo feio, gorduchão, que o amedrontava.

            No princípio, distava-lhe alguns metros. Depois, à proporção que a grande obra chegava ao fim, o sapo estava quase aos pés do médium.

            Isto lhe dava um mal estar intraduzível.

            Emmanuel, observando-lhe o receio, diz-lhe:

            - O sapo é um animal inofensivo, um abnegado jardineiro, que limpa os jardins dos insetos perniciosos. Não compreendo, pois, sua antipatia ou animadversão pelo pobre batráquio... Procure observá-lo mais de perto, com simpatia e acabará sentindo lhe estima.

            Após à ponderação justa de seu amado Guia, o Chico começou a ter simpatia pelo sapo, a achar-lhe até certa beleza, particular utilidade, um verdadeiro servidor.

            Terminou a recepção do formoso livro, Emmanuel, completando lhe seu asserto, pondera-lhe bondoso:

            - O homem, Chico, será, um dia, uma Estrela de Cinco Raios, quando possuir os pés, as mãos e a cabeça alevantados, liberados. Já possui três Raios: as mãos e a cabeça, faltando-lhe os dois pés, os quais serão libertados quando perder a atração da Terra. Existem, no entanto, germens, animais, seres outros, com os cinco raios voltados para baixo, para a Terra, sugando-lhe o seio, vivendo de sua vida. Assim, é o sapo, coitado, que luta intensamente para levantar um raio, pelo menos, a cabeça. O boi já possui a cabeça alevantada, já progrediu um pouco. É preciso, pois, que o Homem sinta a graça que já guarda, e lute, através dos três raios já suspensos, à aquisição dos outros dois.  Que saiba sofrer, amar, perdoar, renunciar, até libertar-se do erro, dos vícios, das paixões, e, desta forma, terá livres os pés para transformar-se numa Estrela de Cinco Raios e participar da vida de outras Constelações, em meio das quais brilha uma Estrela Maior, que é Jesus.

Ramiro Gama
in ‘Irmãos do Bom Combate’
Edição G E Regeneração RJ RJ - 1969



quarta-feira, 10 de abril de 2013

06. Histórias do Chico...


06 Histórias do Chico...

           

            Datilógrafo da Espiritualidade

            Desejando ganhar um melhor ordenado e ter um cargo nos quadros do funcionalismo federal, o Chico resolveu inscrever-se à prova de Datilógrafo do DASP.

            Na época aprazada, foi chamado e compareceu. Fez o que lhe foi possível fazer, que seu segundo ano de instrução primária lhe possibilitou. Não se saiu bem nas provas escritas. Mas deixaram que fizesse a prova oral, como compensação. Um dos examinadores fez-lhe várias perguntas sobre português, matemática, história, geografia, etc. Mas o pobre médium pouco sabia destas disciplinas. Foi quando, surpreso com sua ignorância, o examinador, identificando-o como sendo o conhecido intermediário dos Espíritos, de Pedro Leopoldo, autor de tantas obras magistrais, exclama:

            - Mas você não é o Chico Xavier, autor de tantas obras eruditas, versando história, ciência, filosofia, revelando conhecimentos profundos de nossa língua?

            - Sou apenas o médium. As obras são dos Espíritos, respondeu-lhe humildemente o Chico.

            - Então, rapaz, continuou o examinador, diante disto, agora acredito que o Espiritismo é uma verdade, porque verifico que você, pelo que demonstrou, não poderia escrever tamanhas maravilhas ...

            Foi reprovado.

            Voltou a Pedro Leopoldo com a fisionomia triste, desanimada. Dormiu e sonhou. Viu-se defronte de um casarão em cujo frontispício estavam escritas as palavras:

            DASP

            E exclamou para Emmanuel, a seu lado: Ainda há pouco, saí de uma casa com este nome. Fiz a prova para datilógrafo e não logrei aprovação. E, agora, aqui, encontro também o mesmo DASP. E seu Guia informa-lhe bondoso:

            - Lá embaixo, na Terra, existe o Departamento Administrativo dos Servidores Públicos, ao passo que aqui existe coisa diferente: DEPARTAMENTO ADMINISTRATIVO DOS SERVIÇOS DO PAI. Naquele você não conseguiu ser datilógrafo, mas aqui você já o é.

            O Chico acordou contentíssimo e jamais pensou em pertencer ao quadro de Funcionários Públicos. Contenta-se em ser mesmo um extranumerário, extra-quadro ...

Ramiro Gama
in ‘Irmãos do Bom Combate’
Edição G E Regeneração RJ RJ - 1969


15. 'Ciência Religião Fanatismo'


15


Ciência   Religião   Fanatismo

por  MINIMUS  (A. Wantuil de Freitas)
Ed. FEB
c.1938

Palestra 3   b/e


            Da última vez tratamos do Fluido Universal, demonstrando a possibilidade racional e científica da sua existência, transformações e transmissões. Procuraremos hoje ampliar, um pouco mais, o mesmo assunto, dentro do limite dos nossos conhecimentos e do tempo destinado a uma conferência. Desenvolvê-lo, como seria desejável, é impossível; mas esperamos continuar a despertar a atenção dos que nos ouvirem, num estudo extremamente vasto, qual o é o da existência e da transmissão dos Fluidos.

            São inúmeros, e dos mais notáveis, os sábios que principiaram combatendo a Codificação de Allan Kardec e acabaram, após longos anos de estudos, de observações e do desejo de arrasá-la, por se render à evidência dos fatos, por se exporem à cólera das Academias e por se incompatibilizarem com os distribuidores de honrarias oficiais, preferindo ficar com a consciência, com a honra e com a Verdade.

            Lombroso foi um dos gênios que se prejudicaram. Ele o confessa na sua obra - "Hypnotisme et Spiritisme" - onde, não recuando diante da verdade, afirma textualmente: - “Depois de ter sido adversário do Espiritismo, negando-lhe todas as experiências e recusando assistir a elas, observei fatos psíquicos estranhos, inexplicáveis pelos atuais recursos científicos."

            Aliás, o que disse Lombroso foi confirmado por Crookes e por uma série de sábios, tendo Lodge classificado o estudo do Espiritismo como pertencente à região intermediária entre a energia e a vida - no sentir do grande sábio uma das mais legítimas esperanças da ciência.

            É desculpável o materialismo dos genros dos séculos XVIII e XIX, em época anterior ao aparecimento da Terceira Revelação, visto como o Cristianismo lhes era exposto deturpado e completamente em desacordo com a ciência. Lendo-se as obras dos sábios daquela época, não se lhes pode negar a coerência das argumentações. Diderot, a quem Rousseau e Voltaire rendiam as maiores homenagens, combateu ritos e religiões, ridicularizou teólogos e padres, procurou demonstrar a superioridade de Satã sobre o Deus do clero, porém, de outro lado, parecia estar-lhe já latente a Verdade, quando recomendava só se aceitassem teorias baseadas em experiências.

            Se o Espiritismo já tivesse sido revelado, Diderot seria seu adepto; e isso asseguramos, porque, em todas as suas obras, sentimos lhe a sinceridade dos gênios e o respeito às ciências experimentais.

            Gustavo Le Bon - o sábio que se admirou de Lombroso afrontar o mundo acadêmico, declarando-se convicto da realidade dos fenômenos - termina o seu livro - "A Evolução das Forças" - com as seguintes palavras: - "Nossa sonda é ainda muito curta para a imensidade de tais abismos".

            Voltaire, Rousseau, Spencer, Büchner e tantos outros também foram sinceros em suas argumentações materialistas, pois as religiões lhes apresentavam um Deus humanizado, vingativo e colérico, cuja realidade tentavam provar com a criação de mistérios e de interpretações cabalísticas dos Evangelhos.

            Desta forma, acastelarem-se os materialistas em Diderot, Büchner e outras muitas genialidades científicas é pretenderem renegar a evolução insofismável das ciências. Eles foram realmente sinceros, mas aos homens da atualidade, que lutam contra fatos tão fartamente documentados, não se lhes pode chamar senão incoerentes e desleais, porquanto se baseiam em argumentos reconhecidamente frágeis e já destruídos, no interesse exclusivo de combater o que não conhecem, não estudaram ou não compreendem.

            As grandes concepções são sempre prejudicadas por esses morcegos, que se escondem da luz e preferem as trevas para transportar, na sucção do sangue das vítimas, o vírus da hidrofobia, o gérmen da descrença. A luz elétrica só iluminou Paris, cem anos depois de Galvani ter demonstrado que as pernas das rãs dançavam. Galvani se queixava sempre de ser atacado por duas correntes opostas: a dos sábios acadêmicos e a dos ignorantes presumidos, ou antes pelos morcegos e as suas vítimas.

            Mesmer, ao anunciar a teoria do magnetismo animal, que eles hoje praticam, foi taxado de charlatão por todas as Academias do mundo.

            Todas as descobertas, todas as concepções e todas as maravilhas, que hoje nos suavizam a vida, custaram lágrimas aos gênios que as trouxeram ao mundo, acarretando-lhes o ódio dos morcegos, desses mesmos notívagos que atualmente procuram lançar a sua baba peçonhenta sobre o Espiritismo.

            Deixemos, entretanto, os morcegos na sua obra destruidora. Façamos a luz que eles não desejam, a luz que os afugentará.

            A transmissão dos Fluidos, de cuja existência só agora o mundo científico vem tomando conhecimento, é produzida por três modos: pelo magnetismo humano, que vem sendo largamente usado pela medicina oficial; pelo magnetismo espiritual, que é exercido pela transmissão direta dos Fluidos do Espírito desencarnado sobre o doente; e pelo magnetismo humano-espiritual, que é a transmissão dos Fluidos do Espírito combinados aos do médium.

            O magnetismo humano, repudiado pelos acadêmicos de ontem e aceito pelos de hoje sob o rótulo de hipnotismo, já goza de lugar de destaque, constituindo uma especialidade, ultimamente muito espalhada - a psiquiatria - termo que, significando medicina da alma, torna a designação imprópria, visto que eles não creem na positividade do que lhes origina o nome da profissão. Apesar de observarem que os indivíduos hipnotizados apresentam muito maior lucidez que no estado normal, e que muitos, mesmo depois de acordados, ainda obedecem cegamente às ordens recebidas durante o sono hipnótico, não querem ligar os fatos e nem sobre eles meditar, preferindo atribuir ao cérebro a faculdade de orientações inteligentes e dar à matéria o poder de reter e dirigir conhecimentos.

            Se o cérebro fosse o órgão do pensamento e a massa cinzenta o seu laboratório, naturalmente os homens de cérebros volumosos deveriam ser mais inteligentes, como já foi apregoado; tal, entretanto, se não verifica, comprovando as estatísticas que a inteligência nenhuma relação tem com o tamanho do cérebro.

            As outras duas variedades de magnetismo, ambas originárias da mesma Fonte Espiritual, são hoje o que o Hipnotismo foi para os acadêmicos de ontem: - charlatanismo, feitiçaria, curandeirismo, exploração.

            E como há charlatães que se dizem espíritas e que anunciam pelos jornais propondo consultas, concluem que todos são da mesma gavela (Feixe, molho (de ervas, de espigas)), como se fosse justo classificar a Medicina de charlatanice, por pulularem clínicos não diplomados, e até diplomados, que aviltam a mais respeitável das profissões humanas.

            E tão nobre concebemos esse sacerdócio que nos dirigimos sempre aos médicos, suplicando-lhes estudar o que enunciamos, no desejo de que a humanidade sofredora seja aliviada em seus padecimentos, e ainda para que essa mediunidade possa melhor ser exercida com a difusão de aparelhos mais apropriados à transmissão dessa dádiva celeste, cujo estudo traria o adiantamento da medicina material, que há séculos morosamente se arrasta.

            É uma injustiça que nos fazem suporem-nos seus concorrentes; e é um engano cuidar que a decadência pecuniária da medicina oficial seja resultante da nossa prática caritativa de dar consultas, remédios e, muitas vezes, o dinheiro necessário à dieta e ao melhor conforto do doente. Nossa clínica é quase toda composta de desamparados sociais ou de desenganados da medicina oficial. Socorrendo aos pobres, desobrigamos os facultativos de doentes que lhes não poderiam pagar. Confortando ou curando os desenganados, tiramos-lhes, aos médicos, a dor moral de quem não pode sequer consolar um infeliz a quem desejava salvar.

            Tanto isso é verdade que contamos em nosso seio milhares de médicos entusiastas pelo estudo dessa medicina fluídica, que foi codificada na França por Kardec, propagada na Inglaterra por Conan Doyle, na Itália por Bozzano, no Brasil por Bezerra de Menezes, todos médicos diplomados, como o são milhares de seus discípulos espalhados pelo globo.

            Afirmamos que o homem tem o corpo visível e o corpo invisível, originários ambos do Fluido Universal; asseveramos que os fluidos espirituais agem sobre o perispírito do enfermo e dele partem para o corpo visível; entretanto, em vez de estudarem o que nos foi revelado e confirmado em milhões de doentes, agarram-se na comodidade de um negativismo impróprio de homens de cultura, tentando explicar os fatos com palavras gregas que nada provam, criando teorias incompreensíveis, incongruentes e mais sobrenaturais que as do demônio dos
clericalistas.

            Verificam a ação dos anestésicos nos doentes; e daí concluem que o medicamento agiu sobre a totalidade da criatura, quando, na realidade, só teve influência na matéria, adormecendo-a e inibindo-a da perfeita união com o espírito; tanto que há doentes com tal domínio sobre a alma que se deixam operar sem necessidade de anestesiantes.

            Assoalham que o homem resulta exclusivamente do espermatozoide, e, com isso supõem comprovar as semelhanças de raças, de caracteres físicos e doenças; mas não esclarecem o motivo por que não transmite ele os dons intelectuais, as virtudes ou os vícios do ascendente. Vemos constantemente pais inteligentes com filhos broncos, e virtuosos com filhos viciados. Corno conciliarem suas teorias, se o gérmen inicial só transmite caracteres carnais?! No entanto, aceitando nós a teoria da transmissão carnal, explicamos as semelhanças e as diferenças de caracteres morais pela doutrina da reencarnação, pela qual se reúnem, numa mesma família, espíritos simpatizantes ou espíritos inimigos de vidas anteriores, conforme a necessidade de progresso de cada um. Preferem os nossos adversários viver na ignorância dessas questões a ter de admitir a alma, cuja existência combatem sem se preocupar com os fatos observados, que eles não sabem explicar.

            O fenômeno da fagocitose (é o englobamento e digestão de partículas sólidas e micro organismos por fagócitos ou células ameboides), que eles aceitam, não os leva à meditação. Como compreendem a inteligência desses defensores do nosso organismo, combatendo os inimigos que nos iriam prejudicar! Como explicam os fenômenos da imunidade sem admitir a existência de uma inteligência extra material!

            Ensina-lhes a Fisiologia que a temperatura do corpo é mantida pela combustão do carbono e do hidrogênio dos nossos tecidos. Como explicam os longos jejuns de anos, observados por médicos, entre os quais poderemos citar o caso da futura "santa" Tereza Neumann (vide http://en.wikipedia.org/wiki/Therese_Neumann), que se acha há alguns anos sob a vigilância de padres e médicos num convento da Baviera!

            A nossa teoria do Fluido Universal, elucidando todas essas questões, não pretende destruir a Fisiologia, antes deseja faze-la sair do estacionamento em que o orgulho humano a retém.

            Como podem explicar, sem a existência de seres espirituais, fatos e mais fatos, como o da filha do juiz Edmonds, ex-Presidente do Senado Americano, a qual, em transe, escrevia, na presença de inúmeras pessoas, mensagens em várias línguas, completamente desconhecidas tanto da médium como de todos os presentes.

            Contradizem ilogicamente todos os fenômenos espirituais e continuam a repetir velhas e destruídas teorias de sábios que negavam "a priori", esquecendo ou fingindo ignorarem que quase todos os sábios, em cujas argumentações se estribam, acabaram desprezando suas próprias teorias para aceitar a que o Espiritismo vem sustentando há oitenta anos, sem alteração de uma vírgula, desde o tempo em que foi apresentada aos homens para progresso da coletividade.

            Confundem-nos com os forjadores de dogmas e de mistérios, sem notarem que o Espiritismo é a única religião científica, a única que convida os homens a examinar, estudar e decidir, sem lhes apresentar mistérios e sem lhes impor crenças absurdas e aberrantes. Enquanto as demais se fundamentam em teólogos suspeitos, o Espiritismo se baseia no raciocínio, na lógica e nos fatos, propagando-se com os livros dos sábios que imparcialmente o examinaram.



14. Ciência Religião Fanatismo



14

Ciência   Religião   Fanatismo

por  MINIMUS  (A. Wantuil de Freitas)
Ed. FEB
c.1938

Palestra 3   a/e


            Amigos e Companheiros:

            Ao iniciarmos a palestra de hoje, volvamos o pensamento ao Criador, numa prece de agradecimentos pelos benefícios espirituais que vimos recebendo, prece em que nós outros suplicamos à bondade do Pai bênçãos para todos vós que nos vindes ouvindo.

            Ainda se nos não apagou da memória o quadro confortador que nos apresentastes aos olhos, quando da última vez que palestramos convosco. Dias seguidos de chuvas constantes, inclusive o da palestra, convenceram-nos que o auditório, sempre numeroso às conferências desta Casa, seria, quando muito, de meia dúzia de amigos íntimos.

            Qual não foi, pois, a nossa surpresa ao verificarmos que mais de trezentas pessoas afrontavam o temporal, para comungar com seus irmãos nesse templo de Caridade, em que nos reunimos em nome de Jesus, para com Ele aprendermos a cumprir as leis do Senhor. A vossa presença, em aquele dia, não só nos demonstrou que erráramos em nossos cálculos, como nos advertiu que não devêramos julgar o próximo pelas nossas imperfeições, e, ainda, nos encheu de júbilo por se nos ter oferecido ensejo de auscultar o vosso adiantamento espiritual, a vossa abnegação e tolerância cristãs.

            Concedei, portanto, com a vossa generosidade habitual, que prossigamos, em que nos pese à insuficiência oratória, nas nossas perlustrações em torno da sublime Doutrina, de cujos princípios nos propomos ser humildes divulgadores.



Questão de Valor



Questão de valor


            Ninguém pode alegar insignificância ou desvalia para fugir aos deveres que lhe competem, na obra de elevação do mundo.

            A pedra quase impermeável serve aos alicerces.

            A areia áspera é valioso elemento na construção.

            O remédio amargo é instrumento da cura.

            O mal de agora pode ser simplesmente um véu de sombra, ocultando o bem de amanhã.

            Há pessoas que se confessam inaptas para qualquer serviço do Evangelho, entretanto, isso acontece porque vivem esquecidas de que a direção da vida, entre os filhos da fé, não pertence à vontade humana.

            O bloco de mármore, perdido no matagal, é simples calhau sem valor, mas, nas mãos do artista, é a fonte de que sairá a obra-prima.

            Uma enxada ao abandono é traste inútil, entretanto, nos braços do bom lavrador, é precioso
instrumento na garantia do pão.

            O pântano, em si, é pestilência e ruína, contudo, se recebe a assistência do pomicultor, dá lugar a vegetais que enriquecem a vida.

            Um fio de cobre, perdido na via pública, é resíduo destinado à lata de lixo, mas se for ligado entre a usina e a lâmpada é o condutor imponente da luz e da energia, que sustentam o progresso.

            Se contamos exclusivamente conosco, na realidade somos meros átomos pensantes, todavia, se aceitarmos a direção de Jesus para a nossa vida, cada experiência ser-nos-á indubitavelmente rica de bênçãos do Divino Mestre.

            Pelo nosso passado, somos simples sombras, mas se nosso presente procura imanar-se com o Cristo, nossa bússola indicará os horizontes da verdadeira luz em nosso favor.

            Não te consideres tão somente pelo que és. Vejamo-nos em companhia do Cristo, para que o Senhor esteja em nós.

            O zero à esquerda do número será sempre nada, mas, à direita do algarismo, é valor substancial em ascensão crescente para o Infinito.

            Lembremo-nos de que Jesus é a Divina Unidade e situemos nossa existência à direita do Nosso Senhor e Mestre.

Emmanuel
por Chico Xavier
em 5 de Maio de 1952, em Pedro Leopoldo (MG)
in Reformador (FEB) Fevereiro 1955



terça-feira, 9 de abril de 2013

05. Histórias do Chico...



05 Histórias do Chico...

             
'Não precisa de Remédio mas de prece...'


            Quando o Caso Humberto de Campos vivia sua fase aguda, o Chico foi experimentado por todos os meios. Inimigos ocultos, que nos adversam a crença, procuravam apanhá-lo numa infração, num deslize, numa mistificação, em algo que ferisse a Lei de Cesar e pudesse servir de motivo para sua prisão e deslustre de sua famosa mediunidade.

            Numa tarde, descansando-se das lutas diárias, lia a um canto do humilde quarto, quando alguém lhe bate à porta e pede:

            - Seu Chico, tenho um parente muito mal e venho pedir-lhe, por caridade, uma receita.

            Atendeu. Era um senhor idoso, desconhecido em Pedro Leopoldo. Toma-lhe a folha de papel com o nome, a idade e a residência do enfermo e diz:

            - Espere um instante, vou ver o que posso fazer.

            Ao sentar-se, concentra-se e Emmanuel vem e lhe diz:

            - Cuidado, Chico, com os pedidos de receitas e as aparências dos que lhe batem à porta...  Escreva: ESTE DOENTE NÃO PRECISA MAIS DE REMÉDIOS, MAS DE PRECES, POIS JÁ É UM DESENCARNADO...

            O Médium arregala os olhos e agradece ao seu Guia. Tudo compreende e promete a si mesmo ter mais cautela. . . E entrega a RECEITA ao portador, que a recebe pressuroso, se surpreende com o que lê e sai correndo...

            Adiante, numa esquina, outros amigos o esperavam ansiosos.

            Leem o remédio receitado pelos Espíritos e saem às pressas, verificando que o Espiritismo não é mentira como supunham, mas uma Verdade triunfante em marcha para seus destinos consoladores traçados por Jesus.


Ramiro Gama
in ‘Irmãos do Bom Combate’
Edição G E Regeneração RJ RJ - 1969