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domingo, 1 de novembro de 2015

Ante os Mortos


            É verdade que te martirizas, à frente da morte, na Terra, mormente quando a morte surge, a ceifar-te os entes caros.

            Aflitiva a contemplação dos que partem do mundo, em nossos braços, quando nos achamos no mundo, muita vez a nos endereçarem angustioso olhar, como a pedir-nos mais vida no corpo físico, sem que nos possamos arredar da impossibilidade de fazê-lo.

            Profundamente constrangedora a mágoa de sentir-lhes as mãos desfalecentes em nossas mãos ansiosas, na despedida.

            Entretanto, pensa neles, os companheiros que partem, na condição de viajores amados que te deixam provavelmente carregando consigo indagações muito mais agudas que aquelas que se te estancam no coração.

            Reflete nisso e não lhes agraves a dor.

            Muitos deles se afastam marcados por impositivos urgentes de reajuste.

            Compelidos a se arrancarem de hábitos longamente estabelecidos, quase sempre oscilam entre os chamamentos da rotina terrestre e as exigências de renovação da Vida Espiritual. E isso lhes custa empeços e problemas para as readaptações necessárias.

            Mentaliza-os na condição de criaturas queridas, em precioso refazimento para que se afeiçoem, sem maiores delongas, aos encargos novos que os aguardam.

            Abençoa-os com as tuas melhores recordações, porque a tua lembrança ou a tua palavra alcançam a todos eles, com endereço exato.

            Compadece-te, pois, dos supostos mortos e abstém-te de sobretaxar-lhes as preocupações com o pranto da angústia.

            Ao invés disso, dá-lhes a cobertura de teu afeto, cumprindo, tanto quanto possível, os deveres que estimariam ainda continuar a satisfazer.

            Eles estão em outras faixas de vivência, mas não irremediavelmente distantes.

            São amigos que te antecederam na inevitável viagem para a Vida Maior, a te rogarem auxílio, a fim de se retomarem no próprio equilíbrio, ante o desempenho das novas tarefas que abraçam.

            Não olvides: converte a saudade em oração de esperança e envia-lhes os teus pensamentos de compreensão e de paz.

            Ampara-os agora para que te amparem depois.

Ante os Mortos
Emmanuel por Chico Xavier

Reformador (FEB) Novembro 1972

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