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sexta-feira, 31 de julho de 2015

Doutrina Espírita

É de vital importância para o espírita o conhecimento real da Doutrina, base e fundamento da nossa crença. Ela possui todos os elementos necessários à orientação correta e segura dos profitentes do Espiritismo. Quanto mais se puder evitar as deturpações oriundas do Espiritismo. Quanto mais se puder evitar as deturpações oriundas de insuficiente conhecimento ou da assimilação dos princípios doutrinários, tanto melhor para os espíritas e para o Espiritismo. Precisamos compreender que a nossa crença não se destina ao cultivo de superstições e preconceitos, mas justamente ao esclarecimento da verdade, a fim de que todos possamos realizar uma vida simples e objetiva, que nos leve à exemplificação dos preceitos contidos no Evangelho segundo o Espiritismo. Devemos, pois, permanecer fiéis ao espírito de nossa Doutrina e prestigiá-la pelo estudo e pelo exemplo. Isto é bem mais importante de que se possa admitir à primeira vista. O espírito esclarecido não pode deixar de guiar-se pelo Evangelho e pela Doutrina, porque em ambos alcançará o verdadeiro rumo para a felicidade espiritual e a compreensão legítima dos deveres compatíveis com a vida terrestre.


            É na Doutrina que os espíritas encontrarão os melhores argumentos para o próprio esclarecimento e a iluminação daqueles que buscam a paz e a compreensão que o Espiritismo pode dar. Ela é um poderoso elemento disciplinador e possui grande poder para unificar, dando aos espíritas a indispensável solidez de opinião a cerca dos problemas fundamentais da vida e dos objetivos primaciais do Espiritismo. Aqueles que se uniram à Federação Espírita Brasileira, aceitando, consequentemente, a Doutrina codificada por Allan Kardec, formam elos de uma grande e forte corrente cristã, destinada à consumação dos propósitos contidos no Evangelho segundo o Espiritismo, obra santificada pelos princípios de Jesus, interpretados em espírito e verdade. Tão grande e benemérita é a finalidade do Espiritismo, que dele se pode dizer que é a luz que veio dar à Humanidade o verdadeiro sentido das palavras cristãs, porquanto é o Paracleto prometido pelo suave Nazareno. O Espiritismo não pertence a ninguém, não é de grupos humanos, pois provém do Alto, que é obra dos Espíritos, mensageiros do Cristo, que realizam, entre todas as dificuldades imagináveis, engendradas pela ignorância do homem, o trabalho cristão que  há de redimir as criaturas pela elucidação , pelo ensino, pelo exemplo. Recordemos  estas  palavras de  André Luiz: "O Espiritismo com Jesus é o edifício do aperfeiçoamento moral que os corações de boa vontade estão erigindo para o mundo."


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            Pela Doutrina espírita, o homem aprende a compreender a vida e se exercita na tolerância esclarecida, Sabe que o aperfeiçoamento progressivo do espírito tem de ser fruto da autoeducação. Conhecendo o rumo traçado pela Doutrina, pode seguir nesse caminho a passos firmes, porque sabe para onde se dirige e o que o aguarda ao fim da jornada. Todavia, é mister conhecer e principalmente estudar a Doutrina. Ela tem de ser nossa preocupação constante porque, tal como a bússola, precisa de ser consultada a todos os momentos para que possamos retificar nossa rota, muitas vezes desviada sem que o percebamos. Uma vez assentada nossa diretriz, sob a luz do Evangelho segundo o Espiritismo, podemos estar certos de que, desde que não nos falte o testemunho indispensável da exemplificação cotidiana, no inclinaremos  para  Jesus, fiéis às diretrizes por ele traçadas para a Humanidade.


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            Podemos saber tudo concernente ao Espiritismo. Desde que desconheçamos o Evangelho e a Doutrina Espírita, nada sabemos. O primordial e essencial é o estudo diário, a meditação frequente, a exemplificação permanente, para que possamos ter a consciência absolutamente tranquila quanto ao nossos deveres para com o Pai e o Cristo. Muitas obscuridades poderão desaparecer mediante a compreensão da Doutrina Espírita que está iluminada pelo Evangelho segundo o Espiritismo. Conheçamos as leis reguladoras da vida do espírito sob o fardo da matéria. Interpretemos devidamente a correlação da vida presente, terrena, com a vida futura, espiritual. Saibamos discernir com serenidade o papel que representamos na vida, perante os nossos semelhantes e, sobretudo, perante Deus e Jesus. Ser espirita apenas porque se aceita o fenomenismo psíquico, sem haver enriquecido o coração com as luzes do Evangelho e da Doutrina codificada pelo mestre Allan Kardec, é mera fantasia. Não é espírita quem não .realiza a exemplificação do Evangelho e da Doutrina. Essa exemplificação é  que define se somos realmente espíritas ou se apenas somos uns teóricos, de pena fácil e palavra solta, que arrancamos elogios dos que nos leem ou nos ouvem, mas não fazer colheita satisfatória, porque a semeadura, em tais condições, é ilusória.


            Estudar a Doutrina, explica-la com simplicidade e clareza, disseminá-la entre aqueles que dela necessitam e não sabem busca-la por si mesmos, é realizar plantio abençoado. Quem assim procede, pode aguardar serenamente a colheita, porque terá dado ao Espiritismo a garantia de uma boa safra. Quanto mais for a Doutrina  Espírita  estudada e compreendida, espalhada e assimilada, maia forte estará o Espiritismo. E é preciso que assim seja porque não sabemos o dia de amanhã. Precisamos ser previdentes e efetuar e efetuar o plantio  com escrupulosa atenção, para que o futuro não nos surpreenda desprevenidos.

Doutrina Espírita
Indalício Mendes

Reformador (FEB) Setembro 1955

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