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terça-feira, 14 de julho de 2015

Amor a Deus

Respondendo à interpelação dos que o queriam confundir, asseverou Jesus, o Mestre por excelência, que devemos “amar a Deus de todo o nosso entendimento.”

            Somente com o luminoso advento do Espiritismo começamos a entender, realmente, as palavras do Mestre.

            Descortinando novos horizontes, mais amplos e sugestivos, para a segura interpretação do pensamento evangélico, a Doutrina dos Espíritos ensina que Deus, Supremo Criador, está em toda a parte. Que todos os seres e todas as coisas têm vida espiritual, ou psíquica, ou anímica, embora rudimentar, assinalando o começo da evolução. A marcha para o reencontro com o Pai.

            Francisco de Assis - “uma espécie de estrela d'alva da Renascença”, como o descrevem alguns biógrafos, não feria nem uma pedra, nem uma planta, nem um animal, porque, assim dizia ele, o animal, a planta e a própria pedra teriam, como efetivamente têm, alma. E sendo essa alma criada por Deus, não lhe seria lícito, por sua extrema sensibilidade, maltratar uma obra divina.

            O Espiritismo aceita, inteiramente, a tese orientalista de que “a alma dorme na pedra, sonha na planta, move-se no animal e desperta no homem.”

            Em toda a Natureza, vemos a Inteligência Suprema, que nos compete amar pelo entendimento, porque Deus é onipresente.

            As florestas são obra divina.

            Nos troncos enormes e nas galharias frondosas, no fruto delicioso e no perfeito desenho da flor, o princípio anímico, que mais tarde se tornará alma consciente, realiza valiosas experiências, necessárias ao seu grande futuro.

            Os oceanos são obra divina.

            A sabedoria do Pai está no incessante fluxo e refluxo das ondas, nas correntes marinhas que sobem e descem.

            Através dos mares, que são caminhos de Deus, os homens se aproximam.

            Intercambiam ideias.

            Comerciam.

            Constroem a prosperidade.

            Desenvolvem a cultura.

            Expandem o bem.

            Conhecendo a Deus, e amando-o pelo entendimento, utilizará o homem Sua obra em favor do progresso e da felicidade.

            Dos oceanos vêm, ainda, elementos curativos indispensáveis à saúde física e espiritual, em conhecidos processos de reequilíbrio perispiritual.

            Os mundos são obra divina.

            Nos espaços infinitos a mecânica celeste mantém o maravilhoso desfile dos astros, o fabuloso cortejo dos milhões de orbes, girando sem cessar girando, cada um deles dentro de sua própria órbita, matemática e infalivelmente delimitada.

            Nesse movimento sublime, estonteantemente belo, estão a Sabedoria e o Amor de Deus na sustentação das moradas a que se refere Jesus, seu Dileto Filho e nosso Irmão Maior - “Há muitas moradas na Casa do meu Pai” onde os Espíritos evoluem pelo conhecimento e pela virtude.

            Os Espíritas procuramos entender e amar a Deus porque a Ele devem as humanidades o tesouro da Vida.

            De Deus, através de suas augustas manifestações, recebemos tudo quanto necessitamos para alcançar a Luz.

            Procuramos amar a Deus pelo sentimento, na sincera e profunda religiosidade que supera as nossas deficiências.

            Buscamos, igualmente, amá-lo pelas vias do entendimento superior, no raciocínio sublimado pela fé, que nos leva aos nobres caminhos da Ciência, através da pesquisa edificante, em que pesem aos andrajos de nossa incultura.

            As exclamações dos astronautas americanos, ao descortinarem nesgas do Universo, revelam ser possível amar a Deus pelo conhecimento científico, desde que tenhamos, lastreando a cultura, a religiosidade autêntica, que se não manifesta no fanatismo obscurecente.

            As palavras de Jesus, esclarecendo o malicioso intérprete da Lei Antiga, foram, como não podia deixar de ser, exatas, perfeitas: “Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, de toda a tua alma e de todo o teu entendimento. Este é o grande e primeiro mandamento. O segundo, semelhante a este, é: Amarás o teu próximo como a ti mesmo. Destes dois mandamentos dependem a lei e os profetas.”

Amor a Deus
J. Martins Peralva  

Reformador (FEB) Maio 1970

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