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quinta-feira, 25 de setembro de 2014

O temor da ciência



                "Sente-se que o temor da Ciência é ter que presenciar o destroçamento total, completo, de suas mais queridas crenças materialistas. A revolução que se processará em todos os ramos do conhecimento humano será tão radical, profunda e irreversível que intimida os “donos” da Ciência. Praticamente, tudo terá de ser reconstruído, não somente em matéria de Filosofia, Religião, Sociologia, Psicologia e Metafísica, como também nos domínios das ciências físicas.

            A matéria, que parece ser a única realidade, será apenas uma das manifestações de uma realidade muito superior. O Evangelho do Cristo, que parecia aos menos avisados mero conjunto de regras de fundo místico, será reconhecido como o verdadeiro fundamento da nova Moral, da nova Metafísica, da nova Sociologia, do novo Direito, da nova Medicina.

            Tudo terá que ser revisto, corrigido, ampliado. As crenças religiosas e científicas, que ora parecem mais firmes e mais apoiadas na realidade, se verão subitamente sem base orgânica de sustentação. Velhas e abandonadas doutrinas, desprezadas pelo chamado racionalismo moderno, ressurgirão cheias de vigor, como a reencarnação, por exemplo. A comunidade humana, que primitivamente era constituída por simples agrupamento familiar de indivíduos, passando depois a tribos, estados, nações, será encarada, não mais como terrena, mas cósmica, pois que há uma comunidade universal de seres humanos em incontáveis graus evolutivos, na matéria e no espírito, em cada astro ou planeta que povoa o espaço. Somos todos irmãos, num sentido amplo, infinito, eterno; apenas habitamos casas diferentes, mundos diversos.

            O desconhecimento dessas verdades conduz a vícios de raciocínio dos mais lamentáveis. Não faz muito tempo, um cientista inglês declarava que o progresso da Medicina acabaria com os gênios, que, na sua maneira de pensar, são produtos de deformações físicas e psicológicas. Uma vez curadas as deformações, cessariam as condições que criam os gênios. Como “prova”, acrescentava que a grande maioria dos gênios media menos de 1,60 m ou eram aleijados; que praticamente nenhum deles foi pai de crianças geniais; que muitos foram alcoólatras, toxicômanos, tuberculosos ou mentalmente instáveis. No entanto, como é fácil, dentro da Doutrina Espírita, responder a essas observações e invalidar essas “provas”. O ilustre cientista toma o efeito pela causa. O gênio não é produto de deformações e deficiências orgânicas ou morais; é, sim, o coroamento de uma longa série de encarnações, em que o conhecimento se acumulou e a inteligência se aperfeiçoou e evolveu. O que, porém, muito frequentemente acontece é que o desenvolvimento das faculdades intelectuais não é acompanhado pela evolução das qualidades morais. Para corrigir o desnível, as leis cármicas determinam a reencarnação sob condições adversas, para que, sem sufocar o cérebro, possa a criatura preencher o vácuo que existe entre suas qualidades morais e as intelectuais. Cabe ao Espírito reencarnante lutar contra as adversidades da existência material, para superar suas próprias deficiências morais. Nessa luta se fortalece e se recupera, preparando-se para a promoção a um estágio superior no mundo espiritual. Assim, o gênio não é produto de taras e deficiências, e sim resultado de longo aperfeiçoamento intelectual, através de muitas existências.

            Resgatadas as faltas e restabelecido o equilíbrio moral, o gênio não deixará de sê-lo; ao contrário, prosseguirá com novos recursos, aparelhado para novas conquistas, colaborando na obra do Criador.

            Por essa pequena amostra vemos quanto falta ainda à Ciência para a exata compreensão dos problemas humanos. Como poderá ela, então, propor soluções para a angústia da nossa época se ainda nem sequer admitiu a existência do Espírito? Como pode receitar remédios se orientar o homem e pontificar sobre questões transcendentais se nem mesmo arranhou a superfície do conhecimento?"

Hermínio Miranda
Trechos do artigo sob  título
 ‘Lendo e Comentando’

in ‘Reformador’ (FEB) Julho  1961

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