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sábado, 20 de fevereiro de 2016

Posta Restante - 16

Posta Restante - 16
por Sólon Rodrigues
Reformador (FEB)  Fevereiro 1973


            Há indagações que, por sua natureza, levam a outras. E há respostas que, inevitavelmente motivam outras questões.
            Resta-nos convidá-los à leitura.

             P. - Por que entre casais, inclusive os que se acham há longos anos consorciados,  estão ocorrendo tantos desquites, conflitos, aventuras amorosas?

            R. - Grande parcela das criaturas faz do sensualismo a manifestação da própria
vida. A busca do prazer, não raro, sufoca impulsos nobres.
            Muita separação é ditada pela fome de sensações grosseiras.
            Se bem a Doutrina Espírita aceite o divórcio por remédio extremo, não nos é
lícito fazer vistas grossas ao fato de que, repetidamente, um casamento é solapado
pela insatisfação dos sentidos. A sede de paixões abrasa a criatura.

            P. - Que conviria aos casais, então?

            R. - A reeducação religiosa. Incorporar princípios elevados, regeneradores,  para que se suportem mutuamente, evitando fazer concessões aos impulsos para aventuras afetivas. Mais que se suportarem a contragosto: descobrirem, no Evangelho, a área da compreensão, tornando-se caridosos um para com o outro.
            Se  nos condicionamos à poligamia, por uma falsa interpretação de liberdade, toca-nos, agora, a correção de tais impulsos irrefletidos. A deseducação de nossos sentimentos precisa de ser dissipada.

            P. - Se ocorrer a separação, justifica-se um novo lar?

            R. - Toda relação afetiva cria liames. Em certas ocasiões, um companheiro para a viagem reencarnatória, após a separação do casal, poderá inscrever-se  como socorro. Sabe-se, contudo, que serão outros e novos compromissos, somados aos de que não se libertou pela distância física.
            Valerá ponderar muito, antes de agravar mais.

            P. - O divórcio, mais que o desquite, não criaria melhores condições sociais para esse novo lar?
            R. - O casamento não é indissolúvel. Só o é diante de algumas leis humanas. O divórcio permitiria legalizar o novo contrato matrimonial, dando-lhe a cobertura legal que muitos requerem para suas experiências de relacionamento afetivo e consolidação da família.
            As condições de um lar, porém, não se subordinam à legislação humana. Por perfeitos fossem nossos códigos, não substituiriam jamais a necessidade de conduta
equilibrada.
            Nosso problema sempre será o de educação.
            Se, diante dos homens, o divórcio traria melhores condições, diante da Espiritualidade somente a conduta evangélica nobilita a criatura, diante da própria consciência.

            P. - Se sobrevier a desencarnação dum dos cônjuges, logo após a separação,
como ele encarará o lar desfeito e o companheiro que tomou distância?

            R. - Frequentemente permanece imantado ao que ficou e tanto mais quanto
menos desejou tal separação.
            Num casamento, envolvem-se pais, irmãos, parentes e até amigos. Numa separação, todo esse quadro, que se aproximou ou se estabeleceu por  fruto da união esponsalícia, igualmente é agitado, tumultuado por vezes.
            Nada é simples, salvo para o juízo dos egoístas.
            Em função desse complexo humano, o Espírito que dali partiu materialmente permanece aprisionado aos valores que elegeu como os mais importantes.
            E não estamos falando de um sentimento de rancor.
            "Onde estiver o seu tesouro, aí estará o seu coração."
            A máxima do Evangelho encontra ampla aplicação.
            Observemos, simultaneamente, que a lei humana não modifica o quadro espiritual da criatura. Embora possa trazer-lhe uma sensação de "honestidade convencional”, por agir dentro de princípios aceitos pela maioria, tal fato não altera a essência íntima de ninguém.
            O resgate de dívidas de amor é compulsório.
            Se ocorrer uma desencarnação prematura, oriunda do desajuste emotivo provocado pela separação, o débito espiritual aumentará e em muito. Somos responsáveis, queiramos ou não, pelas imagens mentais que a nossa conduta precipitar no companheiro de romagem.

            P. -Quando ambos estiverem na Espiritualidade, considerando-se que se acusem mutuamente pela separação, como ficariam para as próximas reencarnações, se são devedores um para com o outro? 

            R. -Sempre é hora de mudar o destino.
            Se se conservarem algemados, através do ódio e da retaliação mútua, poderão
atingir o porto reencarnatório na posição de irmãos. Serão parentes problemas, enquanto dilatarem o rancor em qualquer posição em que se encontrem.
            Poderão, no entanto, retomar como cônjuges.
            No caso terão, após vencida a fase de paixão que lhes caracterizará  namoro e noivado, dificuldades crescentes de relacionamento. Da mesma forma que um afeto pode ser inato, e inata foi a atração que os reuniu de novo, a antipatia poderá explodir entre ambos por razões aparentemente injustificáveis.
            Porém, ocorrem também desníveis espirituais.
            Um dos dois, antes do renascimento, poderá redimir-se.
            Tomemos, para exemplo, que nesse casal, cujo conflito se transferiu do cenário humano para o espiritual, a mulher venha a sublimar seus sentimentos.
            Ela poderá reencarnar e receber o o antigo desafeto por filho.
            Tudo, enfim, se subordina à vontade dos beligerantes.
            As nossas decisões firmes alteram o destino.

            P. - Diante do quadro atual de separações, conflitos, malícia ou inconsequência  de adultos e jovens, poderão ocorrer muitos processos reencarnatórios sob modalidades anormais?
            R. - Se contraímos débitos, ferindo o nosso semelhante, deveremos resgatá-los
até o último centavo.
            Não que a Providência imponha o resgate.
            A nossa própria consciência por isso clamará.
            À proporção que nos violentarmos, o inesgotável amor de nossos Superiores Espirituais se manifesta, abrindo-nos  portas de recomposição.
            Na Terra, ou noutro plano do Universo - preferentemente, porém; no panorama que perturbamos , poderemos chegar na posição de monstros teratológicos ou sendo portadores de anomalias as mais diversas.
            Quem com ferro fere... - é princípio de ação e reação.
            Sempre que destruirmos ou ferirmos a harmonia das células perispirituais, por guardar a mente nas vibrações corrosivas do rancor, do ódio, do egoísmo, do sensualismo, receberemos um programa de recomposição consequente. Isso equivale a dizer que voltaremos alienados, se nos alienamos.
            Quem semeia, colhe.
            O amor em que se move a Justiça Divina, no entanto, oferecer-nos-á o esquecimento do passado por bênção e o reencontro com quem ferimos como oportunidade de resgate.

            P. - Diante desse quadro, ocorrerá que Espíritos elevados reencarnem para
auxiliar a recomposição de nosso campo afetivo?

            R. - Com bastante frequência o doente é quem precisa de remédio.
            Se fôssemos relegados a viver somente entre os que nos são semelhantes em virtude e defeitos, jamais escaparíamos dum círculo vicioso. Os bons Espíritos são aqueles irmãos mais experientes. Podem e ajudam-nos. Alentando-nos pacientemente e suportando-nos em nome da caridade, eles nos soerguem na direção do Senhor Jesus.


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