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sexta-feira, 20 de fevereiro de 2015

O Silêncio é o Princípio e o fim de tudo


O Silêncio é
o princípio e o fim de tudo

José Brígido / Indalício Mendes
Reformador (FEB) Abril 1956

            Tênue e vacilante luz duma lâmpada de óleo impedia que o velho templo se ocultasse inteiramente na treva que chegara ao anoitecer. Galaor se deteve no limiar do átrio, seguido de perto pelos discípulos. Depois, fez-se ouvir mansamente a voz grave e morna de sua predicação:

                 "No profundo sossego da noite, o Silêncio é a prece da Natureza.  Respeitemos a força desse Silêncio, porque ele é o Princípio e o Fim de tudo."

            Logo após, em delicada materialização de fluidos, começaram a desfilar, emoldurados de argêntea luz, os perfis de Rama, Krishna, Hermes, Pitágoras, Moisés, Buda, Sócrates, Platão, Aristóteles, Maomé... Em face de um clarão aurifulgente, mais belo e nítido, esses perfis foram-se esbatendo, surgindo a figura suave de Jesus da Galileia, o Cristo de Deus! Angélico sorriso agitou os lábios de Galaor, cujo olhar se perdia, feliz, em sutilíssima emoção. E de novo sua voz ressoou pela colunata do templo augusto:        

               “Ante a Natureza prodigiosa, que atesta a realidade admirável da Suprema Inteligência, permaneçamos simples, humildes e reverentes. Contemplemos a Serenidade que vive em todas as coisas, ainda mesmo naquelas que se tornaram prisioneiras do Rumor, porque o Silêncio é o Princípio e o Fim de tudo.
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                "O poder de Deus se evidencia na Inteligência que Ele conferiu ao homem. Todavia, só o sentimento aprimorado da criatura humana poderá penetrar os arcanos da Espiritualidade."
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                     "O Êxtase é um eco do Silêncio dentro do Silêncio. Nele, Silêncios menores se aglutinam e se fundem em Silêncios maiores, consumando a expressão   metafísica da Realidade Espiritual. A imanência do Silêncio revela-se no Êxtase,   porquanto este estado de alma nasce do Silêncio, nutre-se no Silêncio e se realiza integralmente no Silêncio. E no Silêncio se dissolve..."

                        "O Silêncio é o Princípio e o fim de tudo."
  
*

            Movimentou-se o grupo, vagarosamente.

            Galaor transpôs o umbral do templo centenário e se sentou na êxedra (recinto semicircular utilizados para reuniões) granítica, entre os discípulos atentos. Todos aguardaram tranquilamente que se expandisse a sabedoria do mestre. E Galaor falou assim:

                "Muitas vezes o olhar é uma mensagem do Silêncio e em seus      colóquios com o Infinito o Silêncio emprega a linguagem do pensamento. A existência terrena é apenas um episódio iniciatório, porque há somente uma Realidade intrinsecamente incorruptível: a do Espírito. Suas vibrações possuem um sentido cósmico, de grandeza que excede à compreensão comum."
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                 "Na composição dos poemas do Sentimento, o Silêncio colhe seus ritmos nas escalas da Meditação."
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            Ia longe a noite. A madrugada fez-se anunciar através do crepúsculo matutino. Galaor ergueu-se, estendendo os braços, para tornar ainda mais enfática a derradeira lição:
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                   "Purificai sempre o Espírito na meditação e não vos esqueçais em nenhum instante do que ela representa - como elo entre o mundo astral e o mundo material."
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                   "O Silêncio é o Princípio e o Fim de tudo. A Morte significa a       repercussão do Silêncio no estágio da vida física. Ela exprime a serenidade         imperturbável de um aspecto da Vida que se transforma no plano visível para se   projetar em outro aspecto da Vida, no plano invisível."
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                  "No profundo sossego da noite, o Silêncio é a prece da Natureza. Respeitemos a força desse Silêncio, porque ele é o Princípio e o fim de tudo."


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