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sexta-feira, 21 de junho de 2013

a/c 'O Mandamento do Senhor'


a/c  O Mandamento do Senhor
Ernani Cabral
Reformador (FEB) Fevereiro 1959

            Albert Schweitzer - le Grand Docteur - esse novo apóstolo da caridade, que recentemente recebeu o Prêmio Nobel da Paz e que tão assinalados serviços tem prestado aos nativos da África, foi inquirido, por um repórter, sobre qual dos dez mandamentos considerava o mais importante. "Cristo” - disse ele – “só nos legou um Mandamento. E este é o do Amor."

            Quem quer que estude o Novo Testamento e reflita sobre os ensinamentos deixados por nosso Divino Mestre, há de tirar a mesma conclusão. Com efeito, está escrito em Mateus, 22 :34 a 40:

            "E os fariseus, ouvindo que ele fizera emudecer os saduceus, reuniram-se no mesmo lugar: "E um deles, doutor da lei, interrogou-o para o experimentar, dizendo: "Mestre, qual é o grande mandamento na lei?
            "E Jesus lhe disse: Amarás o Senhor teu Deus de todo o teu coração, e de toda a tua alma, e de todo o teu pensamento. "Este é o primeiro e grande mandamento. "E o segundo, semelhante a este, é: "Amarás o teu próximo como a ti mesmo. "Destes dois mandamentos depende toda a lei e os profetas."

            Portanto, os mandamentos são: amar a Deus sobre todas as coisas, amar a nós mesmos e ao próximo como a nós mesmos. Tudo se resume em três modalidades do amor, tudo isso é amor, e dele depende a lei e os profetas, na palavra sábia do Cristo. Aliás, como disse o apóstolo João, o próprio Deus é amor (I João, 4:8). A sabedoria mesmo, que é excelente, e que adquirimos através do estudo, da meditação e das virtudes, é também amor, que manifestamos a nós mesmos, instruindo-nos para podermos ser úteis às nossas individualidades e aos nossos semelhantes.

            Assim, os dez mandamentos da lei antiga em um só se resume, pois quem ama o próximo não mata, não furta, não trai, não adultera, não pratica o mal.

            Mas precisamos treinar o espírito no grande, no admirável amor que devemos a Deus. Ele nos criou; é, portanto, nosso Pai Celestial; a Ele tudo devemos e Ele quer sempre a nossa felicidade, embora "escreva certo por linhas tortas", como diz o brocardo popular. Nós não compreendemos Seus altos desígnios e nossa ignorância ou fraqueza faz—nos, às vezes, revoltar contra certos acontecimentos, que são necessários ao cumprimento da Lei, pois estamos sujeitos às conjunturas da causa e efeito - da ação e reação - que fogem à medida média de nossa percepção ou de nosso fraco entendimento. Todavia, podemos estar certos de que tudo o que sucede conosco, absolutamente tudo, seja uma injustiça, uma ingratidão, uma traição ou uma maldade, tem sua razão de ser! Exaurindo nosso carma, como a vida no-lo apresenta, ou sujeitando-nos às provações do mundo, mesmo dolorosas, estamos adquirindo experiências ou virtudes, que só poderão servir para nosso bem.

            "Ninguém é bom senão um, que é Deus.". (Marcos, 10:18.)

            Esta passagem bíblica foi registada ainda pelos outros evangelistas sinóticos (Mateus, 19 :17 e Lucas, 18 :19), como para ponderarmos que a bondade de Deus é inigualável. Mas, se Ele é bom, é justo também. Aliás, é o único Ser que sabe equilibrar bondade e justiça, com precisão absoluta, porque é perfeito.

            Façamos tudo por amá-Lo sobre todas as coisas! sobre todas nossas preferências, colocando-O em nossos corações no lugar por excelência, mesmo porque Seu reino deve estar dentro de nós mesmos (Lucas, 17:21). O Pai Celestial só quer nossa felicidade, que algum dia obteremos por mérito pessoal, isto é, por nossos próprios esforços, através das vidas sucessivas (João, 3:3). Se fôssemos criados perfeitos, não teríamos merecimento no gozo da luz eterna, que algum dia todos merecerão, dependendo a ascensão do ânimo de cada um, em vencer suas próprias imperfeições. O ciclo completo da evolução do Espírito, que é criado simples e ignorante, decorre de sua boa vontade, de compreender e cumprir voluntariamente a lei divina, até integrar-se nela, por sua conduta e por seus sentimentos.

            O amor a nós mesmos manifesta-se também de três formas: espiritual, intelectual e materialmente.

            Espiritualmente, pela transformação moral ou pela aquisição de virtudes. Por consequência, nunca é demais repetir-se a lição de AIlan Kardec: "Conhece-se o espírita por sua transformação moral e pelos esforços que faz por domar as suas inclinações más." Porém a pedra de toque do espírita ou cristão verdadeiro, é a humildade, virtude sublime, que tudo devemos fazer por adquirir.

            O amor a nós mesmos deve levar-nos ainda ao estudo, ao desejo de possuirmos sabedoria, de desenvolvermos o aspecto mental ou intelectual de nosso Espírito.

            Está escrito em Provérbios, 2: 10: "A sabedoria entrará no teu coração, e o conhecimento será suave à tua alma." E mais além, em 3: 13: "Bem-aventurado o homem que acha sabedoria, e o homem que adquire conhecimento." E, finalmente, Salomão insiste (Prov., 5:7): "A sabedoria é coisa principal; sim, com tudo o que possuis, adquire o conhecimento."

            Os Espíritos do Senhor confirmam a lição.

            Ainda recentemente, em seu interessante livrinho "Pensamento e Vida", Emmanuel esclarece: "Já se disse que duas asas conduzirão o espírito humano à presença de Deus. Uma chama-se Amor, a outra, Sabedoria."

            Mas a sabedoria é o desenvolvimento intelectual do Espírito, obtido através do estudo, do esforço, da meditação, do amor que manifestamos a nós mesmos.



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