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terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

Dados históricos

 


Dados históricos  

A Redação           Reformador (FEB) Abril 1946

             Os confrades que, em 1884, fundaram a Federação Espírita Brasileira, muito antes dessa época já se dedicavam ao estudo das obras de Kardec e de Roustaing, traduzindo os trechos destinados a cada sessão.

            Em 1884, ao ser fundada a Federação, reunindo num só grupo as principais sociedades espíritas do Rio, elegeram para presidente da novel associação exatamente o tradutor de Roustaing, o Sr. Marechal Ewerton Quadros, que foi reeleito por vários anos.

            A primeira tradução de - “0 Livro dos Espíritos” -  em língua portuguesa, foi feita por Fortúnio, pseudônimo de um dos confrades da época, e exposta à venda no ano de 1885, conforme se vê em REFORMADOR de 15 de janeiro daquele ano.

            - Em 15 de janeiro de 1898, sendo presidente da Federação o saudoso Dr. Bezerra de Menezes, o REFORMADOR iniciou a publicação da primeira tradução da obra de Roustaing, livro que só muito mais tarde foi publicado, diante do elevado custo por que ficaria a impressão.

            - Bezerra de Menezes, o Kardec brasileiro, fez a sua primeira conferência na Federação, em 6 de agosto de 1886, na qual contou fatos relativos à sua conversão ao Espiritismo. Em 1888, passou a exercer o cargo de redator-chefe do REFORMADOR, em 1890 foi eleito vice-presidente e, em 3 de agosto de 1895, presidente da Federação Espírita Brasileira. Bezerra desencarnou às 11 horas da manhã de 11 de abril de 1900, deixando viúva e filhos na maior pobreza, visto que, apesar de médico de enorme clínica, tudo o que conseguia com o seu trabalho profissional ele o distribuía com os necessitados. 


 Do blog: A estrema pobreza atribuída ao Dr. Bezerra foi, mais adiante no tempo, contestada por seus biógrafos. Se por um lado era indicativo de seu desprendimento material por outro lado poderia ser entendida como desatenção às necessidades materiais de sua família. Seus biógrafos corrigem o dado histórico demonstrando o equilíbrio das decisões do Dr. Bezerra.   

 


terça-feira, 31 de dezembro de 2013

A Paixão de Jesus



A Paixão de Jesus
Ewerton Quadros
por W. Vieira
Reformador (FEB) Outubro 1961



            O Espiritismo não nos abre o caminho da deserção do mundo.

            Se é justo evitar os abusos do século, não podemos chegar ao exagero de querer viver fora dele. Usufruamos a vida que Deus nos dá, respirando o ar das demais criaturas, nossas irmãs.

            Para seguir a própria consciência, podemos dispensar a virtude intocável que forja a santidade ilusória.

            Não sejamos sombras vivas, nem transformemos nossos lares em túmulos enfeitados por filigranas de adoração.

            Nossa fé não é campo fechado à espontaneidade.

            Encarnados e desencarnados precisamos ser prudentes, mas isso não significa devamos reprimir expansões sadias e não nos abracemos uns aos outros. A abstinência do mal não impõe restrições ao bem.

            Assim como a virtude jactanciosa é defeito quanto qualquer outro, a austeridade afetada é ilusão semelhante às demais. Não façamos da vida particular uma torre de marfim para encastelar os princípios superiores ou estrado de exibição para entronizar o ponto de vista.

            A convicção espírita não é insensível ou impertinente.
           
            A inflexibilidade, no dever, não exige frieza de coração. Fujamos ao proselitismo fanatizante, mas, nem por isso, cultivemos nos outros a aversão por nossa fé.

            Se o papel de vítima é sempre o melhor e o mais confortável, nem por Isso, a título de representá-lo, podemos forçar a nossa existência, transformando em verdugos, à força, as criaturas que nos rodeiam.

            Não sejamos policiais do Evangelho, mas candidatemo-nos a servidores cristãos.

            Nem caridade vaidosa que agrave a aspereza do próximo, nem secura decoração que estiole a alegria de viver.

            Quem transpira gelo, dentro em breve caminha em atmosfera glacial.

            A crença, aferrolhada no orgulho, desencadeia desastres tão grandes quanto aqueles criados pelo materialismo. Não sejamos companhias entediantes. Um sorriso de bondade não compromete a ninguém.

            A fé espírita reside no justo meio-termo do bem e da virtude.

            Nem o silêncio perpétuo da meia-morte, que destrói a naturalidade, nem a fala medrosa da inibição a beirar o ridículo.

            Nem olhos baixos de santidade artificiosa, nem anseio inexperiente de se impor a todo preço.

            Nem cumplicidade no erro, na forma de vício; nem conivência com o mal, na forma de aparente elevação.

            Fé espírita é libertação espiritual. Não ensina a reserva calculada que anula a comunicabilidade, constrangendo os outros, nem recomenda a rigidez de hábitos que esteriliza a vida simples . Nem tristeza sistemática, nem entusiasmo pueril.

            Abstenhamo-nos da falsa ideia religiosa, suscetível de repetir os desvios de existências anteriores, nas quais vivemos em misticismo acabrunhante. Desfaçamos os tabus da superioridade mentirosa, na certeza de que existe igualmente o orgulho de parecer humilde.

            O Espiritismo nos oferece a verdadeira confiança, raciocinada e renovadora; eis porque o espírita não está condenado a atividade inexpressiva ou vegetante. Caridade é dinamismo do amor. Evangelho é alegria. Não é sistema de restringir as ideias ou tolher as manifestações, é vacinação contra o convencionalismo absorvente.

            Busquemos o povo - a verdadeira paixão de Jesus -, convivendo com ele, sentindo lhe as dores, e servindo-o sem intenções secundárias, conforme o "amai-vos uns aos outros" - a senda maior de nossa emancipação.



sábado, 8 de outubro de 2011

A Religião de Jesus



  A Religião de Jesus

           Cultivando o pensamento libertador com que a Nova Revelação te insufla à vida, reflete na religião de Jesus.
Em todas as circunstâncias, reconheçamo-nos defrontados pelo Mestre, no exercício da fraternidade dinâmica.
Indubitavelmente, asseverou Ele não ter vindo para destruir a lei e sim para dar-lhe cumprimento.
E executou-a, substancializando-lhe os enunciados na ação construtiva com que lhe ampliou todos os preceitos em luzes de ensino e afirmação de trabalho.
Não levantou quaisquer santuários de pedra; não fomentou discussões teológicas; não insistiu pagamento por serviços religiosos; não criou amuletos ou talismãs; não consagrou paramentos e nem traçou rituais.
Ao revés, ajustou-se à comunidade, em penhor de soerguimento e sustentação do homem integral, amparando-lhe corpo e alma.
Explicou a verdade, tanto aos rabinos quanto aos pescadores de vida singela.
Pregou a divina mensagem no tope dos montes, alimentando estômagos famintos e clareando cérebros sequiosos de luz.
Socorreu mulheres infelizes e crianças abandonadas; leu nas sinagogas; curou cegos; restaurou doentes; ergueu paralíticos; recuperou obsidiados, doutrinando espíritos perturbados e sofredores; encorajou os tristes e banqueteou-se com pessoas apontadas ao escárnio social.
Bem qualquer laivo de culto à personalidade, viveu no seio da multidão.
Entretanto, pois, no Espiritismo a Boa Nova renascente, convençamo-nos de que as nossas casas doutrinárias devem ser lares de assistência gratuita ao povo que, em todos os tempos, é a verdadeira família de Cristo.
Meditando nestas observações incontestes, evitemos converter os templos espíritas em museus do Evangelho ou doutorados mausoléus do Senhor, reconhecendo que é preciso constituir neles escolas de fé raciocinada, a se povoarem de almas ardentes no serviço desinteressado em favor do próximo, a fim de que possamos sustar as explosões do desespero subversivo e as epidemias de descrença que, ainda hoje, lavram na Terra com a sanha do incêndio destruidor.

Ewerton Quadros
por  Chico Xavier
in “Ideal Espírita” (8ª Ed CEC – 1982)

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Ewerton Quadros




Ewerton Quadros - 1º Presidente da FEB

Paixão
 de
 Jesus

             O Espiritismo não nos abre o caminho da deserção do mundo. Se é justo evitar os abusos do século, não podemos chegar ao exagero de querer viver fora dele. Usufruamos a vida que Deus nos dá, respirando o ar das demais criaturas, nossas irmãs. Para seguir a própria consciência, podemos dispensar a virtude intocável que forja a santidade ilusória. Não sejamos sombras vivas, nem transformemos nossos lares em túmulos enfeitados por filigranas de adoração. Nossa fé não é campo fechado à espontaneidade. Encarnados e desencarnados precisamos ser prudentes, mas isso não significa devamos reprimir expansões sadias e não nos abracemos uns aos outros. A abstinência do mal não impõe restrições ao bem. Assim como a virtude jactanciosa é defeito quanto qualquer outro, a austeridade afetada é ilusão semelhante às demais. Não façamos da vida particular uma torre de marfim para encastelar os princípios superiores, ou estrado de exibição para entronizar o ponto de vista. A convicção espírita não é insensível ou impertinente. A inflexibilidade, no dever, não exige frieza de coração. Fujamos ao proselitismo fanatizante, mas, nem por isso, cultivemos nos outros a aversão por nossa fé. Se o papel de vítima é sempre melhor e o mais confortável, nem por isso, a título de representá-lo, podemos forçar a nossa existência, transformando em verdugos, à força, as criaturas que nos rodeiam. Não sejamos policiais do Evangelho, mas candidatemo-nos a servidores cristãos.

         Nem caridade vaidosa que agrave a aspereza do próximo, nem secura de coração que estiole a alegria de viver.

         Quem transpira gelo, dentro em breve caminhará em atmosfera glacial.

         A crença aferrolhada no orgulho desencadeia desastres tão grandes quanto aqueles criados pelo materialismo. Não sejamos companhias entediantes. Um sorriso de bondade não compromete a ninguém.  A fé espírita reside no justo meio-termo do bem e da virtude. Nem o silêncio perpétuo da meia-morte, que destrói a naturalidade, nem a fala medrosa da inibição a beirar o ridículo. Nem olhos baixos de santidade artificiosa, nem anseio inexperiente de se impor a todo preço. Nem cumplicidade no erro, na forma de vício; nem conivência com o mal, na forma de aparente elevação.

         Fé espírita é libertação espiritual. Não ensina a reserva calculada que anula a comunicabilidade, constrangendo os outros, nem recomenda a rigidez de hábitos que esteriliza a vida simples. Nem tristeza sistemática, nem entusiasmo pueril. Abstenhamo-nos da falsa idéia religiosa, suscetível de repetir os desvios de existências anteriores, nas quais vivemos em misticismo acabrunhante. Desfaçamos os tabus da superioridade mentirosa, na certeza de que existe igualmente o orgulho de parecer humilde.

        O Espiritismo nos oferece a verdadeira confiança, raciocinada e renovadora; eis porque o espírita não está condenado a atividade inexpressiva ou vegetante. Caridade é dinamismo do amor. Evangelho é alegria. Não é sistema de restringir as idéias ou tolher as manifestações, é vacinação contra o convencionalismo absorvente. Busquemos o povo - a verdadeira paixão de Jesus -, convivendo com ele, sentindo-lhe as dores, e servindo-o sem intenções secundárias, conforme o “amai-vos uns aos outros” - a senda maior de nossa emancipação.
Ewerton Quadros
por Waldo Vieira
em “O Espírito da Verdade”