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sexta-feira, 4 de dezembro de 2020

Do arrependimento

 


    Aquele que se arrepende sinceramente, que purifica o seu coração do lodo, da lepra do mundo e se volta, cheio de fé e de esperança para o seu Criador, esse está por natureza batizado em fogo; está ao abrigo das dores e das provações; está apto para receber o nome de filho de Deus e ver a sua glória.- Ismael   (Reformador (FEB) 16 Fevereiro 1924)

domingo, 2 de agosto de 2020

"Sim, sim; Não não".


“Sim, sim; Não, não.”
Antônio Luiz Sayão
por Olímpio Giffoni
(em sessão do Grupo Ismael, na FEB, em 4-11-71)

Reformador (FEB) Agosto 1972

            Em serviço na leira do bem, onde marcamos nossos passos ao compasso do bordão do bom pastor, seguimos com calma e tranquilidade o caminho, certos de estarmos sendo vigiados e protegidos por divina presença.

            Enquanto obedientes à Voz do pastor, não nos atingirão os lobos ocultos na estrada. Somente os invigilantes que se prendem às fantasias e se descuidam, retardando os passos, é que são envolvidos pelas forças inferiores. Ao serviço de Jesus, teremos sempre que defrontar aqueles que ainda tendem a servir como Judas e sacrificam os próprios ideais. Isto é esperado, pois também esta foi lição exemplificada por Jesus. Mas, afrontando as mais pesadas injúrias e incompreensões, teremos de ser positivos, sustentando com humildade, bem alto, a bandeira que nos cabe carregar. Ao serviço de Jesus, não se pode agradar a dois senhores. Agindo, no entanto, sem violência, mas, ao contrário, com humildade e amor, temos de nos decidir com o “sim, sim; não, não” do Evangelho.

            A verdade virá em toda a sua luminosidade, ofuscando os que não querem entendê-la. Porém, é preciso paciência, tolerância, aguardar que o tempo faça o que nem sempre nos é possível fazer hoje.

            A lição da cruz permanece viva para nós, mas muitos ainda não a entenderam em seu verdadeiro significado. Assim como ela renasce cada dia, para os homens, como um convite à renúncia do mundo, o nosso esforço e de quantos passaram por esta Casa servindo ao Senhor na sustentação do seu Evangelho em verdade e vida, ficará para que outras gerações encontrem o roteiro de luz indispensável. Guardai paciência e humildade. Eles retomarão, um dia, em busca daquilo que hoje mantemos com amor, certos de que esta é a vontade de nosso bom Anjo Ismael.

sexta-feira, 10 de agosto de 2018

Fraternidade e Paz



Fraternidade e Paz
Ismael
Reformador (FEB) Junho 1976

Permite-me, Senhor, imitar tua sublime lição, quando, subindo ao Monte, reuniste em torno de ti a multidão dos aflitos, dos injustiçados, dos que tinham necessidade de ser assistidos em amor e em compreensão, dos que fossem capazes de renunciar para exemplificar humildade.

Nós, Senhor, a quem convidaste à graça de servir-te, suplicamos, ainda uma vez,
volveres para nós o teu coração, tão cheio de amor, a fim de que possamos igualmente transmitir, aos que nos confiaste, as esperanças da bem-aventurança, sem que seja retirada a noção da responsabilidade e dos testemunhos que lhes são inerentes.

Permite-me, Senhor, assistir os discípulos da minha oficina de trabalho santificado, distribuídos pelo imenso campo de atividade para onde transferiste a Árvore do Evangelho, que, um dia, estenderá seus ramos por todo o orbe terreno, exigindo, até lá, suor e lágrimas dos desbravadores dos caminhos, dos responsáveis pela aradura da terra.

Tu os conheces, Senhor, melhor do que eles mesmos, sabes das fraquezas e das paixões neles enraizadas. Nós te suplicamos, Senhor, lhes fortaleças a fé, diante das lutas. Renova-lhes o Sermão do Monte, lembrando-lhes que o Reino dos Céus pertencerá aos humildes, aos que forem capazes de, renunciando, perdoar setenta vezes sete vezes. Faze-lhes, Senhor, sentir que somente os compreenderás como teus irmãos pelo amor que tiverem uns para com os outros.

Meus filhos, meus irmãos, se me amais, ajudai-me a: reunir, em torno da bandeira da Fraternidade, da bandeira branca da Paz, as ovelhas que Jesus me entregou.

Meus filhos, uni-vos! Buscai solucionar vossas divergências na mansidão e na prudência, na humildade e no amor, mas, antes de tudo, busquemos seguir Jesus, porque Ele é o Caminho. Ele é toda a Verdade, toda a Luz, toda a Sabedoria que a Humanidade pode comportar.

Meus filhos, meus irmãos em Jesus, discípulos de seu Evangelho - irmãos espíritas: Busquemos antes de tudo entender-nos, busquemos confraternizar-nos, busquemos servir sem preocupar-nos com o lugar, que cada um renuncie um pouco a si mesmo, em favor do próximo, buscando todos em Jesus a Divina Luz, o Divino Amor, onde encontrarão, por certo, Sabedoria capaz de solucionar todas as dúvidas,

Rogo-te, Senhor, abençoeis as tuas ovelhas, os discípulos que me confiaste.

Abençoada seja a vossa comunhão.
Ismael
(Mensagem recebida no Grupo Ismael,
da Federação Espírita Brasileira, em 8-4-1976.)



quarta-feira, 20 de setembro de 2017

Prefácio do livro "No Oásis de Ismael"



                 Prefácio do livroNo Oásis de Ismael” – Ensinos e Meditações
Francisco Thiesen
1ª Edição FEB - 1989

"Os espíritas podem divergir nas ideias, mas não podem afastar-se da fraternidade, porque, se o fizerem, não são espíritas."
"Não há por onde fugir: ou o Evangelho é assimilado, ou não há Espiritismo."
(Dos Espíritos Bittencourt Sampaio, Pedro Richard e Romualdo de Seixas.)

Se existem razões que dispensam a apresentação de determinadas obras ao leitor, neste volume estariam elas evidenciadas em todo o seu conteúdo.

Na realidade, qualquer apreciação elogiosa do prefaciador sobre a profundidade dos pensamentos contidos nas páginas que se seguem resultaria desnecessária, eis que seu valor e beleza patenteiam-se à simples leitura atenta daqueles que aprenderam a admirar o bom e o belo.

Todavia, não resistimos ao prazer de colocar no limiar do livro, com a epígrafe, uma amostra do que ele contém da primeira à última página.

Resta-nos, assim, a tarefa de explicar as origens e o porquê da organização da obra. Todas as joias do pensamento espírita e cristão para aqui trasladadas procedem de comunicações obtidas por via mediúnica no tradicional "Grupo Ismael", cuja trajetória vale a pena rememorar , mesmo que sucintamente, para melhor conhecimento e apreciação do leitor, especialmente dos que pertencem às novas gerações de espíritas.

O "Grupo de Estudos Evangélicos do Anjo Ismael", conhecido simplesmente como "Grupo Ismael", célula de estudos evangélico-doutrinários e de trabalhos de natureza mediúnica, cuja fundação antecedeu à da Federação Espírita Brasileira, à qual se encontra incorporado desde 1895, na gestão de Bezerra de Menezes, tem suas origens nos mais antigos núcleos de estudos e práticas espíritas no Rio de Janeiro.

Sua história centenária começa, na realidade, com a fundação do pequeno "Grupo Confúcio", de efêmera duração, passando sucessivamente pela Sociedade "Deus, Cristo e Caridade", posteriormente transformada em "Sociedade Acadêmica" do mesmo nome e depois pela "Sociedade Espírita Fraternidade" que, por sua vez, transmudou-se em "Sociedade Psicológica Fraternidade". Finalmente, em 6 de junho de 1880, Antonio Luís Sayão, Bittencourt Sampaio e Frederico Pereira da Silva Júnior, juntamente com outros companheiros, organizaram o "Grupo Ismael", inicialmente denominado "Grupo dos Humildes" ou "Grupo do Sayão"; constituído pelos elementos fiéis ao Espiritismo estreitamente vinculado ao Evangelho de Jesus.

O nome "Ismael" surgiu como homenagem ao Guia Espiritual que preside os destinos da nacionalidade brasileira e orienta o movimento espiritista voltado para o Cristo de Deus.

Em mais de um século de lutas e de testemunhos, realizando reuniões semanais ininterruptas, fácil será imaginar-se o extraordinário acervo da fecunda produção mediúnica desse Grupo.

Muitas das mensagens espirituais nele recebidas foram levadas ao conhecimento público através da revista "Reformador", mas muitas outras se perderam no tempo ou nos arquivos.

Desse Grupo fizeram parte, dentre centenas de obreiros, nomes que o Movimento Espírita guardou, seja por sua dedicação à Grande - Causa, seja por sua lucidez e exemplificação em momentos cruciais do Espiritismo no Brasil: Bittencourt Sampaio, Bezerra de Menezes, Antonio Luis Sayão, Frederico Júnior, Pedro Richard, Leopoldo Cirne, Aristides Spinola, Manuel Quintão, Guillon Ribeiro, Frederico Figner, João Celani Júnior, Antônio Wantuil de Freitas, Arnaldo São Thiago são apenas alguns dos trabalhadores que se tornaram mais conhecidos no meio espírita, desde o último quartel do século passado.

No período compreendido entre junho de 1939 e dezembro de 1942, Guillon Ribeiro, com seu espírito metódico a serviço de uma sensibilidade admirável, preservou para a posteridade grande número de comunicações de Guias, Amigos e Companheiros Espirituais, recebidas pelo médium J. Celani, elucidando questões, analisando fatos, advertindo e aconselhando, enfeixando-as em três volumes publicados pela antiga Livraria da Federação, os quais despertaram grande interesse, achando-se hoje esgotados.

Francisco Thiesen, percebendo o vazio que a falta de reedição daqueles volumes constituía, especialmente para as novas gerações de espíritas que não tiveram acesso às excelentes obras, e, ponderando, por outro lado, que, pelo menos os ensinamentos mais profundos e mais atuais contidos nas belas comunicações reunidas por Guillon Ribeiro deveriam ser levadas ao conhecimento público, resolveu publicar no "Reformador" alguns extratos e excertos dos pensamentos dos diversos orientadores espirituais.

Foi o que fez, a partir de 1979 até 1984, sob o título genérico de "Ensinos e meditações do oásis de Ismael".

O presente volume enfeixa toda a compilação de Francisco Thiesen. É mais um trabalho de mérito devido ao esforço do companheiro que se acha à frente da Diretoria da Casa de Ismael há vários anos.

            Ficaram preservados, neste livro, verdadeiras sínteses do pensamento espírita cristão, orientações lúcidas para a atualidade e para o futuro, que não envelhecem porque têm o cunho da sabedoria e da intemporalidade.

Os beneficiários desta obra são todos os espiritistas sinceros, jovens ou velhos, que vão perceber que as matrizes espirituais do Espiritismo Cristão praticado na "Pátria do Evangelho" têm sua origem no Mundo Espiritual Superior.

Todos quantos labutam e porfiam em melhorar-se, seguindo o caminho indicado pelo Cristo, têm nesta obra copioso manancial de ensinamentos cristãos e preciosos esclarecimentos doutrinários para revigorar-lhes o ânimo. 

Assina: Juvanir B de Souza


Francisco Thyssen

segunda-feira, 11 de janeiro de 2016

Fraternidade e Paz


Permite-me, Senhor, imitar tua sublime lição, quando, subindo ao Monte, reuniste em torno de ti a multidão dos aflitos, dos injustiçados, dos que tinham necessidade de ser assistidos em amor e em compreensão, dos que fossem capazes de renunciar para exemplificar humildade.

Nós, Senhor, a quem convidaste à graça de servir-te, suplicamos, ainda uma vez, volveres para nós o teu coração, tão cheio de amor, a fim de que possamos igualmente transmitir, aos que nos confiaste, as esperanças da bem-aventurança, sem que seja retirada a noção da responsabilidade e dos testemunhos que lhes são inerentes.

Permite-me, Senhor, assistir os discípulos da minha oficina de trabalho santificado, distribuídos pelo imenso campo de atividade para onde transferiste a Árvore do Evangelho, que, um dia, estenderá seus ramos por todo o orbe terreno, exigindo, até lá, suor e lágrimas dos desbravadores dos caminhos, dos responsáveis pela aradura da terra.

Tu os conheces, Senhor, melhor do que eles mesmos, sabes das fraquezas e das paixões neles enraizadas. Nós te suplicamos, Senhor, lhes fortaleças a fé, diante das lutas. Renova-lhes o Sermão do Monte, lembrando-lhes que o Reino dos Céus pertencerá aos humildes, aos que forem capazes de, renunciando, perdoar setenta vezes sete vezes. Faze-lhes, Senhor, sentir que somente os compreenderás como teus irmãos pelo amor que tiverem uns para com os outros.

Meus filhos, meus irmãos, se me amais, ajudai-me a: reunir, em torno da bandeira da Fraternidade, da bandeira branca da Paz, as ovelhas que Jesus me entregou.

Meus filhos, uni-vos! Buscai solucionar vossas divergências na mansidão e na prudência, na humildade e no amor, mas, antes de tudo, busquemos seguir Jesus, porque Ele é o Caminho. Ele é toda a Verdade, toda a Luz, toda a Sabedoria que a Humanidade pode comportar.

Meus filhos, meus irmãos em Jesus, discípulos de seu Evangelho - irmãos espíritas: Busquemos antes de tudo entender-nos, busquemos confraternizar-nos, busquemos servir sem preocupar-nos com o lugar, que cada um renuncie um pouco a si mesmo, em favor do próximo, buscando todos em Jesus a Divina Luz, o Divino Amor, onde encontrarão, por certo, Sabedoria capaz de solucionar todas as dúvidas,

Rogo-te, Senhor, abençoeis as tuas ovelhas, os discípulos que me confiaste.

Abençoada seja a vossa comunhão.
Ismael
(Mensagem recebida no Grupo Ismael,
da Federação Espírita Brasileira, em 8-4-1976.)

Fraternidade e Paz
Ismael

Reformador (FEB) Junho 1976

terça-feira, 24 de setembro de 2013

Um Semeador saiu a semear a sua semente...


Um Semeador saiu 
a semear a sua semente...
Ismael
por Maria Cecília Paiva
Reformador (FEB) Junho 1978

            E assim também em nome do Cristo vivo, com a participação da Cúpula Divina, que tudo programa para redimir a Humanidade, reuniram-se as entidades mais nobres, supervisoras dos trabalhos de várias nações do mundo, e sob a égide do Cristo lançaram a semente da Boa Nova à luz da verdade espírita.

            Eis por que os planos celestes foram executados, necessariamente dentro das limitações humanas, mas condicionados à revisão do amor divino que se acerca de seus tutelados, propiciando-lhes meios e modos para que a evolução do mundo e das almas se faça sem obstáculos maiores.

            Sabemos dos grandes problemas oriundos da ambição, orgulho e egoísmo que os povos alimentam, construindo suas cruzes de dores. Mas a mão divina, afagando os filhos de seu amor, a todos conduz para a paz e segurança porvindouras.

            Sendo assim, assistimos de perto aos trabalhos efetuados em nome do Senhor e reverenciamos a luz que nasceu, fulgurante, para quantos além-mar se afogavam na desolação, levados ao báratro da indiferença por supostos representantes do Cristo de Deus.

            Mas a semente foi lançada como bênção do grande e glorioso Amor.

            Falangiários do Celeste Amigo estão a postos no trabalho da renovação e consagração da sementeira.

            Agradecemos, felizes, a quantos lutaram por bem executar os ideais do Mestre Jesus e rogamos-Lhe ampare e abençoe seus servos de boa-vontade.

            Permaneçamos unidos na comunhão sagrada dos altos objetivos, pois muito terá esta Casa, por sua conscientização do bem superior, a fazer em prol da Humanidade necessitada de paz e amor.

            Nossa gratidão, ó Mestre Jesus, por nos teres concedido a bênção de projetarmos no tempo e no espaço a fulgurante tela da reunião bendita de trabalhadores teus, do mundo e do Plano Espiritual.

            Que sejas louvado, Senhor, hoje e sempre.


sexta-feira, 30 de dezembro de 2011

O Programa de Ismael



O Programa de
 Ismael

           
            A propósito dos doestos de gratuitos rivais que o combatiam e tentavam suplantá-lo, criticando-lhe, inclusive, o método de ação "muito lento ou muito rápido", Allan Kardec escreveu, em memorável artigo, transcrito no livro "Obras Póstumas" (FEB, 16ª ed., p. 253), as seguintes palavras significativas:

            “Insta não perder de vista que estamos num momento de transição e que nenhuma transição se opera sem conflito. Ninguém, pois, deve espantar-se de que certas paixões se agitem, por efeito de ambições malogradas, de interesses feridos, de pretensões frustradas. Pouco a pouco, porém, tudo isso se extingue, a febre se abranda, os homens passam e as novas ideias permanecem."

            E acrescentou, num outro artigo (ob. cit., p. 347):

             "Uma questão que desde logo se apresenta é a dos cismas que poderão nascer no seio da Doutrina. Estará preservado deles o Espiritismo? Não, certamente, porque terá, sobretudo no começo, de lutar contra as ideias pessoais, sempre absolutas, tenazes, refratárias a se amalgamarem com as ideias dos demais; e contra a ambição dos que, a despeito de tudo, se empenham por ligar seus nomes a uma inovação qualquer; dos que criam novidades só para poderem dizer que não pensam ou agem como os outros, pois lhes sofre o amor-próprio por ocuparem uma posição secundária."

            E escreveu mais (ob. cit., p. 368):

            "Dizer-se alguém espírita, mesmo espírita convicto, não indica, pois, de modo algum, a medida da crença; essa palavra exprime muito, com relação a uns, e muito pouco, relativamente a Outros. Uma assembleia para a qual se convocassem todos os que se dizem espíritas apresentaria um amálgama de opiniões divergentes, que não poderiam assimilar-se reciprocamente, e nada de sério chegaria a realizar, sem falar dos interessados em suscitarem no seu seio as discussões a que ela abrisse ensejo."

            O que aconteceu com Kardec, acontece com a FEB. Alguns gostariam de vê-Ia lançar-se acelerada e temerariamente ao porvir; outros prefeririam contemplá-Ia de costas para o futuro. Há quem a acoime de isolacionista e indiferente; e há quem julgue descobrir, na sua ação moderada e firme, desejos inconfessáveis de açambarcadora hegemonia. Quereriam uns que fosse ela uma Casa anárquica e indisciplinada, a troco de ser de todos; outros a veriam melhor se ela se retirasse a inacessível e silenciosa torre de marfim. A FEB, porém, vigia e opera, lembrada da lição de Jesus a Pedra, quando este lhe veio dizer, arrebatado: "Mestre, chamaram-vos servo de Satanás e reagimos prontamente!" Então, Jesus lhe asseverou que “a melhor réplica é sempre a do nosso próprio trabalho, do esforço útil que nos seja possível". E acrescentou: "De que serviriam as longas discussões públicas, inçadas de doestos e zombarias? Ao termo de todas elas, teríamos apenas menores probabilidades para o triunfo glorioso do amor e maiores motivos para a separatividade e odiosas dissensões. ( ... ) Nas ilusões que as criaturas da Terra inventaram para a sua própria vida, nem sempre constitui bom atestado de nossa conduta o falarem todos bem de nós, indistintamente. Agradar a todos é marchar pelo caminho largo, onde estão as mentiras da convenção. Servir a Deus é tarefa que deve estar acima de tudo e, 'Por vezes, nesse serviço divino, é natural que desagrademos aos mesquinhos interesses humanos." ("Boa Nova", de F. C. Xavier, pelo Espírito Humberto de Campos, FEB, 1H ed., pp. 70 e 71.) 

            Desde que o anjo do Brasil  “escolheu as reservas preciosas da Federação e assentou, dentro dela, a sua tenda de trabalho espiritual", vem sendo a FEB o "porto luminoso de todas as esperanças, entre o Grupo Ismael, que constitui o seu santuário de ligação com os trabalhadores do Infinito, e a Assistência aos Necessitados, que a vincula, na Terra, a todos os corações infortunados e sofredores". ("Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho", de F. C. Xavier, pelo Espírito H. de Campos, FEB, 9ª ed., pp. 221 e 222.) Ela sabe que "a tarefa é vagarosa, mas, de outra forma, seria a destruição e o esforço insensato" (ob. cit., p. 230), mas está tranquila, porque "podem as inquietações da Terra separar, muitas vezes, os trabalhadores humanos no seu terreno de ação; mas a sociedade benemérita, onde se ergue a flâmula luminosa - "Deus, Cristo e Caridade" - permanece no seu porto de paz e de esclarecimento. A sua organização federativa é o programa ideal da Doutrina no Brasil, quando chegar a ser integralmente compreendido por todas as agremiações de estudos evangélicos, no país. A realidade é que, considerada às vezes como excessivamente conservadora, pela inquietação do século, a respeitável e antiga instituição é, até hoje, a depositária e diretora de todas as atividades evangélicas da Pátria do Cruzeiro". (Ob. cit., pp. 222 e 223.)

            Por isso, a FEB resguarda, prudentemente, em sua estrutura orgânica, certos dispositivos defensivos do seu patrimônio espiritual, que nem sempre são por todos compreendidos, mas que se justificam amplamente, como, por exemplo, a competência privativa de seu Presidente para falar por ela e o direito exclusivo de representação do Movimento Espírita Brasileiro, no exterior. O programa da FEB, em lento mas seguro desenvolvimento, através do tempo, é o programa de Ismael e pertence ao próprio Cristo. Não temos nenhum direito de alterá-lo, segundo as nossas idiossincrasias pessoais. Temos apenas o dever sagrado de cumprí-Io.

Editorial “Reformador” (FEB) Dezembro 1977

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

Prossegui...


Prossegui...

            Meus irmãos.

            A fonte deixa correr a linfa pura, que brota de entre as rochas, despreocupada com o emprego que dela farão dali em diante. Por certo se regozijaria se pudesse manifestar emoções com a carícia dos pássaros que lhe beijam o regaço, para de gota em gota mitigar a sede; ou com as lágrimas vertidas pelo viajor exausto, que dela se vale para refrescar o rosto escaldado pela inclemência do Sol e saciar a sede que lhe resseca as entranhas.

            Sois convocados para a sublime missão de, como a fonte, deixar correr de entre vós a linfa cristalina que desce do Céu para dessedentar os que têm sede de Sabedoria Divina.

            Abri os vossos corações, dai curso ao que do Céu recebeis e não vos importeis com o mau uso que dela farão; contentai-vos, amados meus, com o bem que dela fizerem os que receberem com alegria a Mensagem de Vida Eterna.

            Como a fonte, amados do meu Senhor, regozijai-vos com o aproveitamento dos que derem prosseguimento com fidelidade ao que lhes transmitistes. Tanto quanto vos seja possível,limpai o caminho para que ela possa alcançar o mais longe possível sem se contaminar.

            Os obreiros da Vinha do Senhor, que vos antecederam, da mesma forma como hoje, tiveram de defrontar-se com os detratores que procuraram impedir o curso normal das mensagens do Meigo Nazareno, mas apesar destes as mensagens prosseguem a sua jornada vitoriosa, levando no seu bojo inclusive os que tentaram impedir-lhe a marcha.

            Prossegui, amados do meu Senhor, levantando bem alto o estandarte do Anjo Ismael, que proclama o lema DEUS, CRISTO E CARIDADE.

            Vossa irmã em Jesus Senhor Nosso,

                                                                  Celina
 (Página recebida na FEB, no Rio de Janeiro-RJ,
 na reunião do Grupo Ismael da noite de 6-8-1981, 
pelo médium Olímpio Giffoni.)


segunda-feira, 12 de dezembro de 2011

Helil e Ismael - Luminosa Aliança



Luminosa Aliança – De Mãos Dadas
 Helil e Ismael


Reformador (FEB)  Fevereiro 1980




            Como é do conhecimento de todos os que têm acompanhado pelo "Reformador" e demais órgãos da Imprensa Espírita, esteve em nosso país no mês de novembro e até 12 de dezembro, D. Maria Raquel Capeta Alvarez Duarte Santos, Vice-Presidente da Federação Espírita Portuguesa, em visita à FEB e também para participar, a convite desta e da ABRAJEE, e como representante daquela Federação coirmã, do VII Congresso de Jornalistas e Escritores Espíritas.

            Foi edificante para todos os seus confrades brasileiros, a presença e as manifestações dessa lídima representante do Movimento Espírita Português.

            Em "Notícias Diversas", vão referidos, já neste número de nossa Revista, alguns dos muitos contatos mantidos pela nossa visitante com diversas entidades espíritas brasileiras e de suas múltiplas atividades em nosso país.

            Neste momento queremos apenas tornar conhecido o teor das mensagens que, motivadas peio estreitamento dos laços fraternais entre o Brasil e Portugal espíritas, e ensejados pela visita da nossa caríssima irmã, foram dadas em sucessivas sessões do "Grupo Ismael", na Federação Espírita Brasileira.
             Eis as mensagens, na ordem em que foram recebidas.

LUMINOSA ALIANÇA

            Do País da Luz,  contemplo, desvanecido, as luzes magníficas que clareiam os nossos terrenos países e que neste glorioso instante se entrelaçam, qual se fora para ainda mais liga-los através da ponte multicolorida de um arco-íris de amor.

            Dir-se-á, talvez, que não é deles que nascem e se projetam esses maravilhosos raios; que toda a luminosidade terrestre deriva da grande lâmpada solar e não passa de simples reflexos; que tudo na face do orbe é ilusão, clareada pelo esplendor do Sol, apesar da condição opaca de nosso pobre planeta.

            Sim, dir-se-á tal, quem sabe? Nada obsta, porém, que a luz da grande estrela tudo vivifique e faça resplander; que nasça, cada dia, uma manhã festiva que as flores desabrochem, ridentes, nos hastis, e que os frutos amadurem nas árvores fecundas.

            Nada obsta, igualmente, que o Amor Solar do Cristo seja refletido pelas almas sinceras e plenas de ideal, o que esses reflexos, de sublimada beleza, espanquem, sobranceiros e vitoriosos, os novelos de treva que tanta vez ameaçam a face de nossos alcantis.

            Se Ismael e Helil se entrelaçam na luz de excelsa fraternidade e erguem, Juntos ao Arcanjo Supremo, o pensamento em prece, o mover de seus braços intangíveis cria jorros de tão Intraduzível claridade, que nenhum Sol físico jamais conseguiria fabricar.

            Portugal e Brasil, fiéis à augusta missão que o Mestre Excelso lhes assinalou, no Tempo e na História, selam agora portentosos compromissos de fundação evangélica, à face de todo um porvir que desde já se parteja, no berço generoso de uma aliança de trabalho comum e amor construtivo.

            Felizes operários, em serviço nestas terras benditas, neste momento de glórias indizíveis, somos naturais beneficiários dessa alvorada que jamais entardecerá, ainda que nuvens gigantescas possam temporariamente dar a impressão de noite irreversível.

            Avante, pois, Amigos e Irmãos, na faina abençoada que o Grande Arquiteto comanda do Infinito!

            Do chão da nossa solidariedade fraterna e alma, se erguerá um mundo novo - a Nova Jerusalém que nunca será destruída.

Fernando de Lacerda

Hernani T. de Sant'Anna,

em  22-11-1979, no "Grupo lsmael",
na FEB, no Rio de Janeiro-RJ.)



DE MAOS DADAS

            Oiço dizer, frequentemente, desde tempos, que o Velho Mundo se esboroa; e, quando em vez, guardo a dolorosa impressão de haver sentido, no tom em que se vaza tal afirmativa, um laivo de ironia ou menosprezo. Entendo justíssimo se acalente a jubilosa esperança, e mais do que esperança, a gloriosa certeza da venturosa missão do Novo Mundo, à frente do próximo milênio que rapidamente se avizinha; entretanto, não acolho no coração que se desmereça o berço onde nasceu a nossa civilização ocidental, regada com as lágrimas dos santos e com o sangue dos mártires.

         Se a lógica mais rudimental repudiaria qualquer desperdício na economia de qualquer processo vital, carece de sentido, no campo de nossas cogitações espirituais, o mais leve pressuposto de inutilidade ou de descrédito, quando se trata de um ninho de povos de rica cultura e honoráveis tradições.

         De muito longe amo as gentes do meu Portugal, da França e da Itália, não por excesso de sentimento em relação à minha velha Pádua, mas porque, ao longo dos horizontes de toda a Europa, meu Espírito sempre se derramou de ternuras pelas gentes irmãs que nela habitaram e habitam.

         Esse amor não foi jamais exclusivista, porquanto nada pode limitar-se no serviço dos ideais do Cristo a quem seguimos.

         Tive a ventura de sentir a beleza e a glória dos céus e das terras deste mundo novo, nas plagas de Santa Cruz. Também aqui fui sacerdote, aqui fui pregador e fui Antônio.
        
          Lembram-me ainda pelos sermões que proferi, pelo que deixei registrado, pelo que contam,  até agora, do meu famoso "estalo". Preferiria que me recordassem peio amor com que amei e pelo fervor com que busquei servir aos nossos ideais maiores.  

         Perdoem-me se meu falar de agora dá impressão de que prezo as justificativas pessoais ou me interesso por colocações palavrescas.

         Na verdade, em nada se me dá o juízo humano, na atribuição de santidades a que me não candidatei, ou na critica, nem sempre isenta, aos meus dizeres.

         O que me faz aqui vir, e de novo grafar letras no papel terrestre, é o imenso desejo de cooperar nesta sublime Cruzada do Evangelismo Espírita, que brasileiros e portugueses organizam, para a conquista final do mundo para o Cristo.

         Nesse tecer da um novo esquema, a Europa é o primeiro objetivo, ao lado das Américas, sem que isso signifique qualquer preterição aos outros Continentes.

         Aqueles povos sofridos e idealistas, que experimentarão, muito em breve, o fogo terrível das supremas provações, merecem e precisam receber, com urgência, o socorro da Nova Mensagem do Mestre Imortal.

         Peço-lhes que não pensem em Civilizações ou povos que se substituem, mas em povos e civilizações que se Irmanam e se somam, para a grande batalha da Luz.

         Não há Mundo Velho o Mundo Novo. O mundo é um só. E nossos povos não se haverão de sobrepor-se ou suceder-se, mas de trabalhar, de mãos dadas, sob as bênçãos excelsas de Jesus.

Antonio

Hernani T. de Sant’Anna
FEB-Rio, em 29 da novembro de 1979



HELIL E ISMAEL

            Irmãos e filhos em Nosso Senhor Jesus-Cristo, a paz seja convosco.

         O amor é a lei, que pressupõe ordem e harmonia para a vida. Por Isso, em todas as dimensões do universo, as forças que dirigem a Natureza, sob o influxo divino, asseguram, através de insuspeitados mecanismos, o equilíbrio indispensável, dosando as tensões e prevenindo excessos de predação dos instintos em conflito.

         Nas esferas superiores, os Gênios dos Povos organizam a ação Inteligente que protege a existência em todos os quadrantes do orbe, de tal modo que, sem jamais inibir a ação de nenhum ser, garantam a continuidade do progresso.

         Eis por que a maldade, filha da ignorância, não conseguiu levar a subversão da ordem das coisas até além de limites suportáveis para as coletividades humanas. O Céu sempre velou, solicito, por todos.

         Atingimos, porém, aquele patamar da evolução comum, em que a necessidade de crescimento impõe decisivas ascensões, para que a marcha sublime para os píncaros não cesse. Nessa hora, a Infinita Misericórdia do Eterno Pai supera os  condicionamentos normais da ordem costumeira, a fim de que ninguém deixe do receber o estímulo santo de todas as oportunidades de redenção.

         Para um equilíbrio em nível mais alto, as tensões devem mediar-se na plenitude das forças dinâmicas, de modo que a luz triunfante seja a alvorada a nascer do bojo oculto da noite.

         De repente, abrem-se as comportas das contensões habituais e os vales infernais, rasgados pelo poder da permissão de Mais Alto, dão acesso à luz do dia, na superfície da Crosta Planetária, a todos os que se esconderam nos abismos.


         Então, um caos aparente parece, aos mais tímidos ameaçar a estabilidade da Civilização e pejar o mundo de sombras.

         A resistência dos operários do Bem não pode, porém, ser temerosa e defensiva, como se o jejum e a penitência devessem ser a antevéspera da rendição.  Muito ao contrário, os infantes de Jesus precisam erguer bem alto o estandarte do amor que age e constrói, sereno e confiante.

         Se as comunidades humanas multiplicam agora as suas necessidades de socorro e de luz, os seareiros do Senhor estarão a postos, na vanguarda de todas as posições para levar a todos os Espíritos o remédio e a consolação dos Evangelhos.

         O Divino Condutor convoca, nesta hora, as primícias das Nações, para a conquista do mundo para Deus.

         Coragem, pois, meus filhos. Que a vossa fé, tantas vezes provada na luta e na adversidade, vos leve, nos novos mares da Graça, à Suprema Glória de erigir, na Terra, o Tabernáculo Divino.

         Agora, Glorioso lsmael,  peço-te permissão para ajoelhar-me no chão da tua Casa e rogar ao Cristo Celeste que proteja e abençoe o meu povo e o teu povo. Que juntos e irmanados possamos ser fiéis  à nossa velha vocação de serviço, e que, na nova Cruzada que todos empreendemos, vença, em toda parte, o Amor de nosso Pai.

Helil

            (Mensagem recebida no "Grupo Ismael", da Federação Espírita Brasileira, no Rio de Janeiro-RJ , aos 6 de dezembro de 1979 pelo médium Hernaní T. Sant'Anna. Estava presente como convidada do Presidente da FEB,  D. Maria Raquel Capeto AIvarez Duarte Santos, Vice-Presidente da FEDERAÇÁO ESPIRITA PORTUGUESA, a representante do Movimento Espírita Português, visitando a FEB e o Movimento Espírita Brasileiro, inclusive  "VII Congresso de jornalistas e Escritores Espíritas”, realizado, de 15 a 18-11-1979, no Rio de Janeiro-RJ, sob o  patrocínio da Federação Espírita Brasileira e promoção  da Associação Brasileira de Jornalistas e Escritores Espíritas - ABRAJEE.)


quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Não temais pequeno rebanho...



Não temais
pequeno rebanho...

           
            Repartindo conosco as responsabilidades do trabalho na oficina de Ismael, convocamo-vos a permanecer na trilha de Jesus, a fim de que seja alcançado o objetivo colimado pelo nosso Governador Espiritual, predispondo a semeadura nas terras brasílias para a renovação do mundo em que temos a felicidade de educar a alma e fazer progredir o sentimento.

            A luta deve ser o nosso clima; mas a boa luta, o bom combate.

            Para os mortos espirituais, o paraíso está representado pelo vazio das coisas e dos seres. É o silêncio ou a paz da morte. Para os vivos, todavia, vivos em espírito, o paraíso consiste na movimentação dos sublimes recursos que jazem, substancialmente, em cada um de nós, aguardando o simples desenvolvimento das faculdades próprias, capacitando-nos a viver em novas dimensões do Universo.

            É assim que, comprometidos com o dever de realizarmos o reino de Deus em nós e buscarmos, acima da nossa precária vontade, a vontade do Altíssimo, compreenderemos a necessidade de lutar, trabalhar, sofrer e amar em benefício da causa que nos é comum - a causa do Cristo, a causa do Amor e da Paz.

            Não lutaremos mais, é evidente, guardando as predisposições mórbidas do passado, mas, com a disposição sadia do presente, no sentido de errar menos, de corrigir os próprios defeitos, de sermos infinitamente amorosos, compreensivos e tolerantes para com as limitações do próximo. É reconhecendo a nossa própria necessidade de burilamento que encontraremos os verdadeiros recursos para ajudar.
           
            Colocando-nos sempre na posição humilde dos verdadeiros discípulos do Mestre, buscando o encontro com o Senhor através do encontro com a necessidade alheia. Mas é reconhecer, também, que a prudência não significa intransigência ou má fé ante os atos de nossos semelhantes. Reconhecer que os lobos e os leões possuem o seu lugar próprio, mas que não têm nenhum poder de molestar o humilde e verdadeiro cordeiro.

            Nossa trincheira deve ser a da humildade e nossa principal arma o amor em forma de compreensão e esperança, de paz e paciência.

            Mas tudo é útil e necessário. O trabalho nem sempre pode desenvolver-se em lago de aparência límpida e tranquila. As vezes, ele lembra os grandes e agitados rios, os grandes mares, que correm e se abrem, abrigando a vida em seu verdadeiro sentido.

            A FEB é a grande esperança de Jesus para a renovação do mundo. Conservemo-nos em nosso programa de trabalho e de paz. "Não temais, pequeno rebanho". Jesus está no leme.

Romualdo
(Página recebida pelo médium A. I. M.,
no Grupo Ismael, na FEB, em 30-12-71)

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Creio em Deus...



“Creio em Deus
porque Deus está dentro de mim”

Anunciado em nossa edição de novembro último, damos ao leitor um resumo
da palestra realizada pelo tribuno baiano Divaldo Pereira Franco,
na noite de 3 de outubro do corrente, quando da inauguração do Cenáculo
da sede da Seçâo-Brasília da Federação Espírita Brasileira.

Reformador (FEB) Dezembro 1970

            “Naquele 31 de março de 1870, no Cemitério do “Père-Lachaise”, diante do dólmen ali erguido em memória de um dos maiores benfeitores da Terra, Monsieur Levent não conseguia reprimir a sua justa emoção. E depois - de contemplar o quadro, falou em voz embargada: “Continuai a derramar sobre os vossos discípulos o vosso concurso benéfico e benfazejo! A obra se cumprirá e o vosso nome, gravado no Panteon da História, entre os que se tornaram imortais na Humanidade, passará de geração em geração, como os dos profetas antigos!” A voz embargada de Monsieur Levent traduzia as homenagens do mundo espírita a Allan Kardec, por ocasião do 1º aniversário de sua desencarnação, evocando a data em que fora sepultado no Cemitério de “Montmartre” e então trasladado para o “Père-Lachaise”, que guardaria os despojos das pessoas mais célebres do mundo.

            Mas, essas palavras pertencem ao passado. No presente, é a voz atormentada do pensamento moderno a bradar a morte do sentimento, o desequilíbrio psíquico, a ética anárquica dos mais nobres empreendimentos da Humanidade! No dia de hoje, e exatamente nesta hora, é a assertiva de que Deus morreu e de que o homem não tem a mais mínima esperança no sentido moral das suas dimensões na busca da felicidade sobre a Terra! Mas isto também pertence ao passado; mas isto também morreu!

            O brado dos novos teólogos sem Deus não representa mais do que o renascimento de velhas crenças filosóficas, que depois de atingirem o ápice das gerações do passado, adormeceram momentaneamente na indiferença do pensamento para eclodirem nas suas volúpias terríveis da atualidade! E é do passado porque, há quase 100 anos, Nietzsche pregava ao mundo o extermínio de Deus e o aprimoramento das civilizações mediante a preservação apenas dos mais fortes. Contudo, não seria possível matar Deus.

            Depois de Nietzsche, apesar dos químicos alemães, Deus voltou à humanidade. Curie teve oportunidade de deter o rádio e, ao receber o Prêmio Nobel, disse: “Eu adoro a Deus porque é a alma da minha vida”.

            E Deus voltou à humanidade, quando Alfred Russel Wallace disse: “Eu era um materialista completo, mas os fatos são imperiosos. Eu creio no Espírito! Eu creio em Deus!”

            Rutherford, que teve a audácia de, em 1911, bombardear o átomo, também contribuiu para que Deus paulatinamente voltasse ao coração da sociedade amargurada.

            Mas, ao mesmo tempo, na Europa ouvia-se uma voz: “Nós assassinamos Deus, porque nós é que criamos Deus!” E espalhou-se pelo mundo essa asserção. “Matemos Deus e proclamemos a vitória da Vida!”

            Erich Fromm, discípulo de Freud, chega à conclusão de que o homem deve matar Deus, porque Deus é uma frustração sexual. Quando o homem perde o pai, faz o processo de transferência para Deus.

            A mentalidade de Fromm chega até todos.

            Mas que é Deus? Onde se encontra Deus?

            Allan Kardec disse: “Caminhando de par com o progresso, o Espiritismo jamais será ultrapassado, porque se novas descobertas lhe demonstrassem estar em erro acerca dum ponto qualquer, ele se modificaria nesse ponto”.  Ainda agora essa palavra é atual. A Doutrina Espírita não tem dogmas, é racional. Deus, carinhosamente estudado na Codificação, veio preencher as lacunas das crenças do passado.

            Examinemos. Desde os pensamentos bíblicos até as conquistas galáticas, tudo proclama a grandeza de Deus!

            Desde os céus de Davi, até aos de Brasília, em cuja Primavera o homem verá milhões de astros cantando como o fulgor de diamantes preciosos. Mas esse homem se reajusta. Ele não pode ver tudo. São 150.000 estrelas! E se Ele usa um grande telescópio, como o de Monte Palomar, pode então contar agora 30 milhões de estrelas! E Ele perguntará atônito: “Quais as mãos que espalharam isso no empíreo?” Contemplará a estrela Polar, Aldebarã, Vega, Antares, e sentirá necessidade de querer saber quem fez essa maravilha! Verá Cabra, Sírio, a Espiga da Virgem, Betelgeuse! E, 30.000 vezes maior que a Terra - Pigmeia! Esse homem, então, recorda a Terra e considera: o sistema em que gravita é um dos mais ínfimos! Olha Plutão a 6 bilhões de quilômetros do Sol, e ele, por não poder mais acompanhar mentalmente essas medidas, cai nas considerações abstratas.  Aceitará dados que não pode comprovar ... Perceberá as ilhas interplanetárias, as nébulas... Esse homem irá interrogar os astrônomos e saberá que além da sua Via-Láctea existem classificados aproximadamente 100 bilhões de sistemas solares!

            Em seguida, o homem se recolherá dentro de si mesmo e meditará nas maravilhas que existem dentro de seu próprio organismo. Em suas conjecturas pensará na mente que o deslumbra e, penetrando na câmara craniana, vê que somente para o fenômeno do pensamento existem cerca de 2 bilhões de células ! No seu sangue, observa a circularem 40 trilhões de hemácias! E para que esse sangue se distribua por todo o seu organismo, a fim de que ele viva, possui milhares de quilômetros de veias e artérias!

            E o fenômeno ótico? A luz penetrando pelo diafragma até chegar à concha do cérebro ...

            Por outro lado, se sua epiderme é picada por um alfinete, logo ela se reconstitui, mediante a fibrina que, como algodão, elabora imediato coágulo protetor! Medita, esse homem, no milagre das hemácias, fabricadas a razão de 1 bilhão e meio em cada segundo, para substituir outro bilhão e meio que desaparece! O homem começa a reconsiderar os seus conceitos e sente a vida manifestar-se dentro dele, desde a hipófise até às glândulas genitais! Tudo canta a glória de Deus! Começa a pensar nas glândulas sudoríparas espalhadas em toda a extensão da sua epiderme, a fim de que ele possa viver mediante a eliminação das toxinas! Começa a estudar o comportamento dos capilares e então,  afinal, perguntará: Como se dá o milagre da célula viva? Responder-lhe-á a Ciência: Não sabemos ... Meditará ainda no processo do sangue dentro dos capilares, no seu aparelho excretor, nos rins com seus 108 quilômetros de artérias, vasos, etc! O homem então há de gritar: Creio em Deus! porque Deus está dentro de mim!

            Crer é fenômeno biológico, hereditário. Pesquisar é fruto da evolução. Por essa razão é que Allan Kardec já afirmava que “fé inabalável só o é aquela que pode enfrentar a razão face a face em todas as épocas”... Por isso disse que o Espiritismo caminhará sempre ao lado do progresso.

            A Ciência investiga as consequências, mas o Espiritismo penetra as matrizes da própria vida.

            Quando Allan Kardec desencarnou, vários espíritas perguntaram: que será da Doutrina?
Ficará de pé, porque ela não é dos homens! “Se fracassares, outro te substituirá” - disseram-lhe os Espíritos, dando ao Codificador a lição de que todos nós somos meros transeuntes da vida carnal, demandando ao porto, além da vida sensorial.

            Porém, quando Kardec desencarnou, já a Doutrina havia atravessado os oceanos e plantara a sua bandeira na Terra do Cruzeiro, em 1865, com Luiz Olímpio Teles de Menezes, na Bahia. Quando Kardec tomba, tem-se a impressão de que a Doutrina fracassará, porque os homens estão acostumados a ver os fundadores de doutrinas morrerem com elas. Eis que ela chega ao Brasil para firmar as suas bases, em 1883, quando Augusto Elias da Silva apresenta o “Reformador”, venerado órgão da Federação Espírita Brasileira. No ano imediato aparece a Federação Espírita Brasileira, em 1884, com Augusto Elias da Silva e um grupo de denodados trabalhadores, a fim de plantar a bandeira “Deus, Cristo e Caridade” no Brasil! No ano seguinte, em 1885, aqueles mesmos lidadores, ao lado de Bittencourt Sampaio e Antônio Luiz Sayão, incorporam à FEB o ”Grupo Ismael”. Em 1887, de repente, como a Verdade, apareceu em “O Paiz”, Max, com crônicas memoráveis que mereceram de Carlos de Laet grandes elogios. Em 1889, diante das ansiedades da Casa de Ismael, Frederico Júnior recebe Allan Kardec para falar sobre o futuro da humanidade. Em 1890 o setor de Assistência aos Necessitados se firma e, em 95, Bezerra de Menezes é convocado por Ismael para dirigir os destinos da FEB, até que em 1900 tomba “O Médico dos Pobres»!

            Sucedem-se as grandes jornadas e, em 1943, a calamidade da guerra chega ao Brasil.  Guillon tomba e Wantuil é chamado a dirigir a FEB. Em outubro de 49 é assinado o Pacto Áureo. Em 8 de março de 1950 o ”Reformador” apresenta a “Proclamação aos Espíritas” e, em 1951, a Caravana da Fraternidade sai de Porto Alegre: Lins de Vasconcelos, Leopoldo Machado,  o gaúcho Spinelli, semeando a esperança e, ao retornar a Caravana, todo o Brasil responde à chamada. Até que, em 6 de março de 1966, sob os céus goianos, é colocada em Brasília a sede da FEB - Seção-Brasília, para servir a este povo, para ensinar este povo a estudar e a amar. Hoje, 4 anos transatos, a Casa de Ismael abre as portas do seu Cenáculo para dizer: Continuai, Allan Kardec, a derramar sobre os vossos discípulos o vosso concurso benéfico e benfazejo!

            Essas palavras são de hoje, porque o maior antídoto contra o Materialismo é o Espiritismo. Este tem resposta para tudo. O Espiritismo diz: bom ânimo! coragem! É a Doutrina que cai sobre a Terra do Cruzeiro e grita: Deus vive! O Deus que os homens mataram foi o Deus que eles criaram, o Deus inclemente e impiedoso!

            A Doutrina Espírita veio apresentar o Deus--Amor.  Aquele a Quem João, o místico de Patmos definiu tão bem: “Deus é Espírito”.

            Em 1968, quando a Apolo n." 8, tripulada pelo homem, dava a sua primeira volta histórica em torno da Lua, ouviu-se dos lábios do comandante Neil Armstrong uma oração: “Oh, Deus! dai-nos a esperança! Oh, Deus! deixai-nos soluçar pelo Dia da Fraternidade Universal !”

            Aquela voz longínqua chegava do espaço sideral ao coração da humanidade e bradava: “Eu creio em Deus!”

            E agora?

            Huxley, eminente psicólogo inglês, escreveu “A Ilha”. É uma experiência no campo da percepção. Solitários, numa ilha, numerosos sensitivos se ressentem da convivência com seus semelhantes. Então, vários mainás foram treinados e educados para sair pela floresta e espalhar repetidamente, com perfeição: “Aqui e Agora!” E saíram a repetir: “Aqui e Agora!”  Aqui e Agora - é este o momento de renovar o homem! Aqueles que trazem a mensagem de Jesus estão agora a dizer: Aqui e Agora! Esse é o momento da nossa renovação espiritual!

            E aqui estão também as realidades das obras do Sr. Rivail, passados apenas 100 anos depois! Passados apenas 100 anos, eis aqui a tua obra, Allan Kardec, no dia da evocação da tua data! As lutas, os espinhos cravados na tua carne, Allan Kardec, aqui estão representados na alma pura do amor, aqui e agora, para apaziguar as ânsias das paixões das almas atormentadas!

            Quando Allan Kardec perguntou aos Espíritos: “Qual o Espírito mais perfeito que o homem conhece?” - a resposta foi um dissílabo: “Jesus”. Voltamos às terras da Galileia que escutou aquela voz meiga e o cantochão: “Oh, vinde a mim vós que estais cansados e aflitos e eu vos aliviarei”! ...

            Quereis conhecer, afinal, Deus? - Amai-vos! E não busqueis entendê-Lo senão pelo coração. “Creio, porque é absurdo” - dizia Santo Agostinho. Só pela imaginação o homem pode entender Deus! Por que, pois, não dizer a Deus do nosso reconhecimento à vida, ao nosso próprio pensamento? É necessário, para entender Deus, que voltemos a ser criança!

            No ato inaugural da sede da Seção-Brasília da FEB, seja esse o nosso dia de gratidão a Deus! Obrigado, Deus! Obrigado pelo amor, a ternura, a esperança que nos deste! Obrigado, Senhor, pelos olhos que me deste para ver a Natureza! Obrigado, Senhor, porque posso escutar! E pela minha voz, obrigado, Senhor! Obrigado, Senhor, pelas minhas mãos, pelas mãos da ternura, que afagam, que apertam ...  Oh, obrigado porque posso abraçar, Senhor! Obrigado, Senhor, porque posso andar! Obrigado, pela minha casa! Obrigado pelo amor que me deste! Obrigado porque amo a Ti; porque Tu és a Vida da Vida, obrigado! Obrigado, meu Pai! Obrigado, meu Deus! Obrigado ...