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quinta-feira, 7 de outubro de 2021

João Batista

 Amaral Ornellas 


João Batista

por Amaral Ornellas (*)

Reformador (FEB) Maio 1919

 (*) Gustavo Adolfo do Amaral Ornellas, poeta, 

dramaturgo, jornalista e médium espírita brasileiro. 

Nascimento: 20 de outubro de 1885   Desencarne: 5 de janeiro de 1923.   Fonte: Wikipédia


Quem foi João Batista, o homem da solidão e do deserto, que alimentava o seu corpo com mel silvestre e a sua alma com os cânticos maravilhosos das glaucas folhagens, com as vozes misteriosas e soturnas da floresta?

Porque se embrenhava ele pelo fundo verde da mata, com o corpo mal coberto por uma pele de camelo, procurando o silêncio da sombra e bebendo o sol coado da folhagem dos arbustos?

Porque semelhava uma fera humana, de cabelos revoltos como um leão, de olhar felino como de um tigre e mãos crispadas como uma garra ameaçadora?

Porque fazia ecoar pelo deserto a sua voz rouquenha e tonitruante como a linguagem cavernosa dos trovões?

Porque o João falava ainda pelos lábios espirituais de Moisés, porque o Batista sentia a atração maravilhosa da floresta, em cujo seio Elias tinha meditado sobre a grandeza do Pai, chorando a miséria dos homens.

Porque o sol pequenino e brilhante que iluminava o corpo de Moisés, o óleo sagrado que lubrificara os músculos de Elias, foi o mesmo óleo que acendeu a lâmpada corpórea do João, foi o mesmo sol encarcerado na matéria do Batista.

Quando Moisés se despojava do invólucro material na terra de Moab, o seu espírito subia às tranquilas regiões siderais, embalado pelos soluços do povo que o chorava na planície. Subia para adquirir novas forças, beber novas luzes, sorver novos ensinos. Ascendia para descer depois mais iluminado e mais forte para viver o corpo de Elias, enquanto a sua primitiva carcaça se decompunha no vale de Moab entrando no grande laboratório da natureza para o geral aproveitamento das suas moléculas. A alma do profundo legislador hebreu, do divino pastor do rebanho de Israel, que, conhecendo o refluxo das águas do mar vermelho as passou a pé enxuto; profeta que, como nos diz a Bíblia, outro não houve semelhante em todas as coisas fortes e maravilhas grandes, veio com Elias viver a vida das feras, habitar as cavidades dos rochedos. De onde, na frase de Renan, saía como o raio para fazer e desfazer os reis.

Despojado da vestidura carnal de Elias, ergue-se Moisés novamente às paragens serenas do Bem, e assumindo no Alto a máxima integridade do seu espírito, volta ao Planeta na ascética figura de João Batista, para ser a voz clamante do deserto de que falava Isaías.

Aí é que a grandeza do seu espírito assume luminosidades fantásticas.

Seu Deus não é mais o que lhe aparecia numa chama ardente no meio de uma sarça; não mais o que incitava a cólera do anacoreta na aspérrima solidão do Carmelo, é o Pai todo carinho e brandura, que o mandara aparelhar o caminho da vida para a passagem luminosa do Amor.

Ouçamos a sua voz trovejando no deserto: “Fazei penitência!”

 “O machado está posto à raiz das árvores. Toda árvore que não der bom fruto será cortada e lançada ao fogo. Eu na verdade nos batizo em água para vos trazer a penitência; porém o que há de vir depois de mim é mais poderoso do que eu, e eu não sou digno de desatar as correias das suas sandálias. Esse batizará no espírito santo e em fogo.”

Que extraordinário poeta era João! Poetar é traduzir por palavras as maravilhas da natureza! O poeta no momento em que sente acender-se no cérebro a lâmpada maravilhosa da inspiração é o mortal que mais sobe a Deus, porque interpreta o mundo através do verbo.

Que extraordinário poeta era João! Vê-se nas suas palavras essa estranha poesia do Oriente, forte porque rescende às virgens florestas; odorante, porque está impregnada da essência suave dos castanheiros em flor; límpida, poque reflete a pureza cristalina das águas dos córregos mansos que rasgam como uma lâmina o colo aveludado da selva.

O verbo de João tem pela forma por estrídulo (som agudo, penetrante) da floresta agitada, e o odor dos castanheiros e a limpidez das águas, se a ele pudermos erguer o nosso espírito. As suas palavras tem o poder admirável da síntese. Tentemos traduzir em linguagem corrente o poder dos seus símbolos: Fazei penitência; isto é, limpai a vossa alma, tornai-a pura como o vosso Pai é puro. Fazer penitência é não reincidir nos erros, é caminhar para Deus com a alma voltada para Ele, sem olhar para o caminho percorrido pelos crimes do pecado. Feita a penitência “eu vos batizo com água, porém outro virá depois de mim que vos batizará em fogo.”

A água é o símbolo da pureza, o fogo é a simbolização da tortura. Parece-me que o Batista queria dizer que limpava a alma para o futuro, mas o Outro, investido de funções mais santas, levava essa alma a olhar para o seu passado e sofrer o que era necessário para a sua purificação.

A dor é o cadinho por onde passam as nossas imperfeições. Eis o batismo de fogo, que só Deus poderia impor. Não sou digno de desatar-lhe as correias das sandálias. Forma admiravelmente poética para exprimir a inferioridade do seu espírito diante da maravilhosa espiritualidade daquele que vinha dizer ao mundo que a Terra é apena um pouso na estrada infinita da criação, porque muitos e muitos são os palácios de seu Pai.

“O machado está posto à raiz das árvores. Toda árvore que não der bom fruto será cortada e lançada ao fogo.”

Forte imagem que num rápido traço sintetiza com máscula eloquência o que seria preciso acumular vocábulos sobre vocábulos, orações sobre orações, períodos sobre períodos para exprimir em linguagem comum o que o gênio define com um só jato do seu pensamento. O machado é a revelação de Jesus, é o verbo divino que se coloca ao lado do coração de cada homem. Aqueles cujos ensinamentos não aproveitarem serão entregues a sua própria ignorância, serão fechados dentro do círculo de fogo da sua imaginação, que anseia a luz mas que caminha para a treva, que aspira o Bem, mas que se chafurda no mal. O fogo é a própria tortura como a de um cego que sente o sol queimar lhe a epiderme mas não pode fita-lo entre as colchas douradas do poente ou no túmulo ensanguentado do Ocaso.

Imaginai agora o que a semente da doutrina de Jesus poderia produzir dentro do cérebro de cada homem, que diverge desta maleabilidade do seu caráter, como aquele diverge dos demais pelo entusiasmo das paixões que se aninham no seu íntimo, e chegareis à conclusão de que sobre esse símbolo do Batista poderiam escrever-se não períodos, porém livros sobre livros, tomos sobre tomos, toda a copiosa literatura de uma raça.

O Batista, como todos os grandes sonhadores, deixem-me chamar assim àqueles que passam pela Terra, sem viver na Terra, queria dar uma forma, um corpo à sua ideia. E essa corporificação da sua ideia ele a foi encontrar na fresca e límpida corrente do Jordão. O próprio Jesus não quis despertá-lo do seu grande sonho e lá foi, ainda como prova da mais rara humildade, receber o batismo daquele que não era digo de desatar as correias das suas sandálias.

“Eu vos batizo em água!”

Como acharemos profundas essas palavras se nos remontarmos à época em que floresceu João Batista. A água para os hebreus o único princípio de todas as coisas. Eu vos batizo em água! Isto é, eu vos batizo com o poder que tenho sobre a Terra. O Outro vos dará o batismo do fogo, porque tem em suas mãos o altíssimo poder dos céus.

A palavra do Batista era como uma vergasta de luz chicoteando e impureza dos homens. E como a abundância de luz ofusca as retinas, Herodíades que se ofendera com a pública verdade do seu adultério estigmatizado por João, consegue de Antipas o seu encerramento na fortaleza de Machero.

E uma noite em que o palácio do tetrarca se abrira luminosamente em festa, Salomé, a lubrica filha de Herodíades, depois de provocar Antipas, meio ébrio, com a formosura estuante da sua carne em flor, entre lascivos volteios de um dança caracteristicamente voluptuosa, estende, por insinuação materna, uma salva de prata ao tetrarca maravilhado e pede, com os lábios desabrochando em sorrisos, que sobre ela seja deposta a cabeça de João Batista.

Antipas, bêbado de vinho e ébrio de volúpia, ordena a um guarda que cumpra o estranho desejo da irrequieta Salomé.

E desce a guarda à fortaleza subterrânea. O Batista lá estava sereno, confiante, pensando - quem nos dirá? -  nas passagens mais íntimas do grande pastor das ovelhas de Israel, no canavial ondeante que à margem do rio escondeu o cestinho de junco que mal abafava o seu choro inocente.

E pensando em Moisés, talvez que um jato de sangue rubro lhe tivesse manchado a brancura da sua divagação espiritual, lembrando-se do cadáver daquele egípcio que soubera esconder na areia, como soubera esconder-se da cólera do Faraó, refugiando-se em terras de Madian.

Range soturnamente a porta do presídio, aproximando-se o guarda, refulge no ar uma lâmina brilhante, e eis calada a voz do que clama no deserto.

E assim terminou a missão do Batista, que foi a do precursor divino, a de preparar com o arado da sua palavra o terreno infértil onde Jesus plantou a semente do Amor.


terça-feira, 29 de setembro de 2020

João Batista


João Batista

por Amaral Ornellas         Reformador (FEB) 1º Maio 1919

             Quem foi João Baptista, o homem da solidão e do deserto, que alimentava o seu corpo com mel silvestre e à sua alma com os cânticos maravilhosos das glaucas folhagens, com as vozes misteriosas e soturnas da Floresta?

             Porque se embrenhava ele pelo fundo verde da mata, com o corpo mal coberto por uma pele de camelo, procurando o silêncio da sombra e bebendo o sol coado através da folhagem dos arbustos?

             Porque semelhava uma fera humano, de cabelos revoltos como de um leão, de olhar felino como de um tigre e mãos crispadas como uma gana ameaçadora?

             Porque fazia ecoar pelo deserto a sua voz rouquenha e tonitruante como a linguagem cavernosa dos trovões?

             Porque o João falava ainda pelos lábios espirituais de Moisés, porque o Batista sentia ainda a atração maravilhosa da floresta, em cujo seio Elias tinha meditado sobre a grandeza do Pai, chorando a miséria dos homens.

             Porque o sol pequenino e brilhante que iluminava o corpo de Moisés, o óleo sagrado que lubrificara os músculos de Elias, foi o mesmo óleo que acendeu a lâmpada corpórea de João, foi o mesmo sol encarcerado na matéria do Batista.

             Quando Moisés se despojava do invólucro material na terra de Moab, o seu espírito subia às tranquilas regiões siderais, embalado pelos soluços do povo que o chorava na planície. Subia para adquirir novas forças, beber novas luzes, sorver novos ensinos. Ascendia para descer depois mais iluminado e mais forte para viver o corpo de Elias, enquanto a sua primitiva carcaça se decompunha no vale de Moab entrando no grande laboratório da natureza para o geral aproveitamento das suas moléculas. A alma do profundo legislador hebreu, do divino pastor do rebanho de Israel, que, conhecendo o refluxo das águas do mar vermelho as passou a pé enxuto; profeta que, como nos diz a Bíblia, outro não houve semelhante em todas as coisas fortes e maravilhas grandes, veio com Elias viver a vida das feras, habitar as cavidades dos rochedos, de onde, na frese de Renan, saía como o raio para fazer e desfazer os reis.

             Despojado da vestidura carnal de Elias, ergue-se Moisés novamente às paragens serenas do Bem, e assumindo no Alto a máxima integridade do seu espírito, volta ao Planeta na ascética figura de João Batista, para ser a voz clamante do deserto de que falava Isaias.

             Aí é que a grandeza do seu espírito assume luminosidades fantásticas.

            Seu Deus não é mais o que lhe aparecia numa chama ardente no meio de uma sarça; não mais o que incitava a cólera do anacoreta (o que vive solitariamente) na aspérrima solidão do Carmelo, é o Pai todo carinho e brandura, que o mandara aparelhar o caminho da vida para a passagem luminosa do Amor.

             Ouçamos a sua voz trovejando no deserto: “Fazei penitência!”

             “O machado está posto na raiz das árvores. Toda árvore que não der bom fruto será cortada e lançada no fogo. Eu na verdade vos batizo em água para vos trazer à penitência; porém o que há de vir depois de mim é mais poderoso do que eu, e eu não sou digno de desatar as correias das suas sandálias. Esse batizará no espírito santo e em fogo.”

             Que extraordinário poeta era João! Poetar é traduzir por palavras as maravilhas da natureza! O poeta no momento em que sente acender-se no cérebro a lâmpada maravilhosa da inspiração é o mortal que mais sobe a Deus, porque interpreta o mundo através do seu verbo.

             Que extraordinário poeta era João! Vê-se nas suas palavras essa estranha poesia do Oriente, forte porque rescende às virgens florestas; odorante, porque está impregnada da essência suave dos castanheiros em flor; límpida, porque reflete a pureza cristalina das águas dos córregos mansos que rasgam como uma lâmina o colo aveludado da selva.

             O verbo de João tem pela forma o estridulo (som agudo, penetrante) da floresta agitada, e o odor dos castanheiros e a limpidez das águas, se nele pudermos erguer o nosso espírito. As suas palavras têm o poder admirável da síntese. Tentemos traduzir em linguagem corrente o poder dos seus símbolos: Fazei penitência, isto é, limpai a vossa alma, tornai-a pura como o vosso Pai é puro. Fazer penitência é não reincidir nos erros, é caminhar para Deus com a alma voltada para Ele, sem olhar para o caminho percorrido pelos crimes do pecado. Feita a penitência “eu vos batizo em água, porém outro virá depois de mim que vos batizará em fogo.

             A água é o símbolo da pureza, o fogo é a simbolização da tortura. Parece-me que o Batista queria dizer que limpava a alma para o futuro, mas o Outro, investido de funções mais santas, levava essa alma a olhar para o seu passado e sofrer o que era necessário para a sua purificação.

             A dor é o cadinho por onde passam as nossas imperfeições. Eis o batismo de fogo, que só Jesus podia impor. Não sou digno de desatar-lhe as correias das sandálias. Forma admiravelmente poética para exprimir a inferioridade do seu espirito diante da maravilhosa espiritualização daquele que vinha dizer ao mundo que a Terra é apenas um pouso na estrada infinita da criação, porque muitos e muitos são os palácios de seu Pai.

             O machado está posto à raiz das árvores. Toda a árvore que não der bom fruto será cortada e lançada ao fogo.”

             Forte imagem que num rápido traço sintetiza com máscula eloquência o que seria preciso acumular vocábulos sobre vocábulos, orações sobre orações, períodos sobre períodos para exprimir em linguagem comum o que o gênio define com um só jato do seu pensamento. O machado é a revelação de Jesus, é o verbo divino que se coloca ao lado do coração de cada homem. Aquele cujos ensinamentos não aproveitarem serão entregues a sua própria ignorância, serão fechados dentro do círculo de fogo da sua imaginação que anseia a luz mas que caminha para a treva, que aspira o Bem, mas que se chafurda no mal. O fogo é a própria tortura como a de um cego que sente o sol queimar lhe a epiderme mas não pode fita-lo entre as colchas douradas do poente ou no túmulo ensanguentado do Ocaso.

             Imaginas agora o que a semente da doutrina de Jesus poderia produzir dentro do cérebro de cada homem, que diverge deste pela maleabilidade do seu caráter como aquele diverge dos demais pelo entusiasmo das paixões que se aninham no seu íntimo, e chegareis à conclusão de que sobre esse símbolo do Batista poderiam escrever-se não períodos sobre períodos, porém livros sobre livros, tomos sobre tomos, toda a copiosa literatura de uma raça.

             O Batista, como todos os grandes sonhadores, deixem-me chamar assim àqueles que passam pela Terra sem viver na Terra, queria dar uma forma, um corpo à sua ideia. E essa corporificação da sua ideia ele a foi encontrar na fresca e límpida corrente do Jordão. O

próprio Jesus não quis despertá-lo do seu grande sonho e lá foi ainda como uma prova da mais rara humildade, receber o batismo daquele que não era digno de desatar ao correias das suas sandálias.

             Eu vos batizo em água!

             Como acharemos profundas essas palavras se nos remontarmos à época em que floresceu João Batista. A água era para os hebreus o único princípio de todas as coisas. Eu vos batizo em água! Isto é, eu vos batizo com o poder que tenho sobre a Terra. O Outro vos dará o batismo do fogo, porque tem em suas mãos o altíssimo poder dos céus.

            A palavra do Batista era como uma vergasta de luz chicoteando a impureza dos homens. E como a abundância de luz ofusca as retinas, Herodíades que se ofendera com a pública verdade do seu adultério estigmatizado por João, consegue de Antipas o seu encerramento na fortaleza de Machero.

             E uma noite em que o palácio do tetrarca se abrira luminosamente em festa, Salomé, a lúbrica filha de Herodíades, depois de provocar Antipas, meio ébrio, com a formosura extuante da sua carne em flor, entre lascivos volteios de uma dança caracteristicamente voluptuosa, estende, por insinuação materna, uma salva de prata ao tetrarca maravilhado e pede, com os lábios desabrochando em sorrisos, que sobre ela seja deposta a cabeça de João Batista.

             Antipas, bêbado de vinho e ébrio de volúpia, ordena a um guarda que cumpra o estranho desejo da irrequieta Salomé.

            E desce o guarda à fortaleza subterrânea. O Batista lá estava sereno, confiante, pensando. - quem nos dirá? - nas passagens mais íntimas do grande pastor das ovelhas de Israel, no canavial ondeante que à margem do rio escondeu o cestinho de junco que mal abafava o seu choro inocente.

            E pensando em Moisés, talvez que um jato de sangue rubro lhe tivesse manchado a brancura da sua divagação espiritual, lembrando-se do cadáver daquele Egípcio que soubera esconder na areia, como soubera esconder-se da cólera do Faraó, refugiando-se em terras de Madian.

             Range soturnamente a porta do presídio, aproxima-se o guarda, refulge no ar uma lâmina brilhante, e eis calada a voz do que clama no deserto.

             E assim terminou a missão do Batista, que foi a do precursor divino, a de preparar com o arado da sua palavra o terreno infértil onde Jesus plantou a semente do Amor. 


 

terça-feira, 27 de março de 2012

Mensagem de João Batista



Mensagem de
João Batista

 11,2 Tendo João, em sua prisão, ouvido falar das obras de Cristo, mandou-lhe dizer pelos seus discípulos:
11.3 Sois Vós aquele que deve vir ou devemos esperar por outro?
11,4   Respondeu-lhes Jesus: Ide e contai  a  João  o  que  ouviste e o que vistes:
11,5 Os cegos veem, os coxos andam, os leprosos  são  limpos,  os  surdos  ouvem, os mortos ressuscitam, a boa nova é anunciada aos pobres...
11,6 Bem aventurado aquele para quem Eu não for ocasião de queda!
11,7 Tendo ele partido, disse Jesus a respeito de João: “ -Que fostes ver no deserto?  Um caniço agitado pelo vento?
11,8 Que fostes ver então? Um homem vestido de roupas luxuosas? Mas, os que estão revestidos de tais  roupas vivem nos  palácios  dos  reis.
11,9 Mas, então, por que fostes para lá? Para ver  um profeta? Sim, Digo-vos Eu, mais que um profeta.
11,10  É dele que está escrito: “ -Eis que envio Meu mensageiro diante de ti para te preparar o caminho.”(Mal 3,1)
11,11 Em verdade vos digo, entre os filhos das mulheres, não surgiu outro maior que João Batista. No entanto, o menor no reino dos céus é maior do que ele.
11,12 Desde a época de João Batista até agora, o reino dos céus é  dito ser arrebatado
a força e que são os violentos que o conquistam.
11,13 Porque os profetas e a lei tiveram a palavra até João.
11,14  E, se quereis compreender, é ele o Elias que devia voltar.

         Para Mt (11,12-14),  encontramos a palavra de Kardec, no Cap. IV de “O Evangelho...”:

            “Esta passagem de Mateus é inequívoca; é ELE MESMO o Elias que deve vir; não há, aí, nem figura, nem alegoria: é uma afirmação positiva.

            “Desde os tempos de João Batista até o presente, o reino dos céus é tomado pela violência.” Que significam essas palavras, uma vez que  João Batista vivia naquele momento?  Jesus as explica dizendo: “Se  quereis  compreender o que  vos disse, é  ele mesmo o Elias que deve vir.” Ora,  João não sendo outro senão Elias,  Jesus faz alusão ao tempo em que  João vivia sob o nome de Elias.  “Até o presente, o reino dos céus  é  tomado pela violência” é uma outra alusão à violência da lei mosaica que ordenava o extermínio dos infiéis para ganhar a terra prometida, paraíso dos Hebreus, enquanto que, segundo a nova lei, o céu se ganha pela caridade e pela doçura.” 

            Para  Mt  (11,11) - Maior ou menor no reino dos Céus - leiamos ao Cap. III de “O Céu e o Inferno”, de Kardec, uma das cinco obras em que se codifica o Espiritismo:

O Céu

            “Em geral a palavra céu designa o espaço indefinido que circunda Terra, e mais particularmente a parte que está acima do nosso horizonte. Vem do latim coelum, formada do grego coilos, côncavo, porque o céu parece uma imensa concavidade. Os antigos acreditavam na existência de muitos céus superpostos, de matéria sólida e transparente, formando esferas concêntricas e tendo a Terra por Centro. Girando essas esferas em torno da Terra, arrastavam consigo os astros que se achavam em seu circuito. Essa ideia, provinda da deficiência de conhecimentos astronômicos, foi a de todas as teogonias, que fizeram dos céus, assim escalados, os diversos degraus da bem-aventurança: o último deles era abrigo da suprema felicidade. Segundo a opinião mais comum, havia sete céus e daí a expressão - estar no sétimo céu - para exprimir perfeita felicidade...”

            “A ciência, com a lógica inexorável da observação e dos fatos, levou o seu archote às profundezas do Espaço e mostrou a nulidade de todas essas teorias. A Terra não é mais o eixo do Universo, porém um dos menores astros que rolam na imensidade; o próprio Sol mais não é do que o centro de um turbilhão planetário...”

            “Revelando-nos a Ciência mundos semelhantes ao nosso, Deus não podia tê-los criado sem intuito, antes deve tê-los povoado de seres capazes de os governar.”

            “O homem compõe-se de corpo e Espírito: O Espírito é o ser principal, racional, inteligente; o corpo é o invólucro material que reveste o Espírito temporariamente, para preenchimento de sua missão na Terra e execução do trabalho necessário ao seu adiantamento...”

            “Existem, pois, dois mundos: o corporal, composto de Espíritos encarnados; e o espiritual, formado dos Espíritos desencarnados. Os seres do mundo corporal, devido mesmo à materialidade do seu envoltório, estão ligados à Terra ou a qualquer globo; o mundo espiritual ostenta-se por toda parte, em redor de nós como no espaço, sem limite algum designado...”

            “Pelo progresso, os Espíritos adquirem a felicidade, de sorte que, de dois Espíritos, um pode não ser tão feliz quanto outro, unicamente por não possuir o mesmo adiantamento intelectual e moral, sem que por isso precisem estar, cada qual, em lugar distinto....”

            “Sendo a felicidade dos Espíritos inerente às suas qualidades, haurem-se eles em toda parte em que se encontram, seja à superfície da Terra, no meio dos encarnados, ou no Espaço.”

            “O mundo espiritual tem esplendores por toda parte, harmonias e sensações que os Espíritos inferiores, submetidos à influência da matéria, não entreveem sequer, e que somente são acessíveis aos Espíritos purificados...”

            “A suprema felicidade só é compartilhada pelos Espíritos perfeitos, ou, por outra, pelos puros Espíritos, que não a conseguem senão depois de haverem progredido em inteligência e moralidade...”

            “A encarnação é necessária ao duplo progresso moral e intelectual do Espírito: ao progresso intelectual pela atividade obrigatória do trabalho; ao progresso moral pela necessidade recíproca dos homens entre si. A vida social é a pedra de toque das boas ou más qualidades...”

            “Uma só existência corporal é manifestamente insuficiente para o Espírito adquirir todo o bem que lhe falta e eliminar o mal que lhe sobra...”

            “Mas Deus, que é soberanamente bom e justo, concede ao Espírito tantas encarnações quantas as necessárias para atingir seu objetivo - a perfeição...”

            “No intervalo das existências corporais o Espírito torna a entrar no mundo espiritual, onde é feliz ou desgraçado segundo o bem ou o mal que fez...”

            “A reencarnação pode dar-se na Terra ou em outros mundos...”

            “A suprema felicidade consiste no gozo de todos os esplendores da criação, que nenhuma linguagem humana jamais poderia descrever, que a imaginação mais fecunda não poderia conceber.

             Consiste também na penetração de todas as coisas, na ausência de sofrimentos físicos e morais, numa satisfação íntima, numa serenidade dalma imperturbável, no amor que envolve todos os seres, por causa da ausência de atrito pelo contato dos maus, e, acima de tudo, na contemplação de Deus e na compreensão dos seus mistérios revelados aos mais dignos.

             A felicidade também existe nas tarefas cujo encargo nos faz felizes.

            Os puros Espíritos são os Messias ou mensageiros de Deus pela transmissão e execução das suas vontades. Preenchem as grandes missões, presidem à formação dos mundos e à harmonia geral do Universo, tarefa gloriosa a que se não chega senão pela perfeição. Os da ordem mais elevada são os únicos a possuírem os segredos de Deus, inspirando-se no seu pensamento, de que são diretos representantes.”

            “Nessa imensidade ilimitada, onde está o Céu? Em toda parte. Nenhum contorno lhe traça limites. Os mundos adiantados são as últimas estações do seu caminho, que as virtudes franqueiam e os vícios interditam.” 


sexta-feira, 10 de junho de 2011

João Batista. O Elias que há de vir...




João Batista,
Reencarnação de Elias


Rodolfo Calligaris
Reformador (FEB)
Parte 1 -  pág. 41, em Fevereiro 1968


            Quem foi Elias e qual os seus feitos?
            Foi um valoroso profeta, cuja atuação se desenvolveu numa época em que olvidando os mandamentos divinos, o povo de Israel, mal influenciado pelo rei Acab, descambara para o culto de Baal, que consistia em queimar crianças vivas diante do altar e chegou a ser praticado no próprio templo de Salomão.
            Além de enfrentar seu soberano, verberando-lhe o procedimento, Elias, disposto a fazer que os hebreus voltassem a cultuar o verdadeiro Deus, desafiou os sacerdotes do deus Baal para uma confrontação entre este e Aquele.
            Como?
            Providenciou para que o povo e os baalitas fossem reunidos no alto do monte Carmelo, onde duas pilhas de lenha foram erguidas, à guisa de altar, colocando-se sobre cada uma delas um boi esquartejado.
            Quatrocentos e cinqüenta sacerdotes de Baal deveriam invocar o seu deus e pedir-lhe que, mandando fogo do céu, consumisse a vítima. Elias, em seguida, faria o mesmo pedido a Jeová. O deus que saísse vencedor da prova teria que ser reconhecido o único Deus de Israel.
            Por mais que gritassem desde as primeiras horas da manhã até o meio-dia, os adoradores de Baal nada conseguiram.
            Chegada a vez de Elias participar do teste, dirigiu uma veemente evocação ao Senhor. O fogo caiu, devorou o holocausto, e todos os judeus presentes à cena prostraram-se com o rosto em terra, exclamando: O Senhor é o Deus, o Senhor é o Deus!
            Ao invés, porém, de dar-se por satisfeito com isso, Elias, empolgado, talvez, com o resultado do desafio, incitou o povo a que agarrasse os sacerdotes de Baal e, dando o exemplo, ordenou que fossem todos decapitados e atirados à corrente do rio Ciron.
            Malgrado a boa causa defendida por Elias, esse homicídio constituiu-lhe, sem dúvida, uma grande falta perante as Leis Divinas, pois contrariava o ‘não matarás’.
            Por outro lado, não produziu tal chacina o efeito desejado: reconduzir os rebeldes filhos de Israel às suas melhores tradições religiosas. Efetivamente, anos depois, com a morte de Acab, seu filho e sucessor, Ocozias, continuou servindo aos deuses estrangeiros, tanto assim que, ao sofrer um acidente, mandou consultar a Belzebu, deus de Acaron, se lhe seria dado convalescer.
Elias, sabedor disso, sai ao encontro do mensageiro e manda dizer ao rei que, devido a sua atitude, decidindo-se a consultar não a Deus, mas a Belzebu, morreria na certa.
            Informado sobre quem lhe mandava esse recado, Ocozias encarrega um capitão e cinqüenta soldados para obrigar a Elias e vir explicar-se. O profeta invoca fogo do céu, que fulmina os cinqüenta e um.
            Ocozias destaca outro capitão e mais cinqüenta soldados para a mesma incumbência e novo fogo do céu os consome também.
            Um terceiro pelotão é despachado, mas o capitão deste, caindo aos pés do profeta, suplica-lhe poupe suas vidas, no que é atendido.
            Elias vai, então, pessoalmente, à presença de Ocozias, repete-lhe o vaticínio, e o rei morre mesmo.
            Diz o Velho Testamento que, mais tarde, Elias foi arrebatado aos céus num carro de fogo, puxado a cavalos igualmente de fogo.
            É muito difícil compreender semelhante narrativa, mas, seja lá como for, o certo é que ele desaparece deste mundo e só voltou a ser citado nas Escrituras numa profecia em que Deus falando ao povo judeu, lhe disse:       
            “Eis aí vos enviarei eu o profeta Elias antes que venha o dia grande e horrível do Senhor. Ele converterá o coração dos pais aos filhos, e o coração dos filhos a seus pais, para não suceder que eu venha a ferir a terra com anátema.” (Malaquias, 4:5-6.)

Parte II                              Reformador (FEB) Março 1968
               
            Cerca de três séculos após a profecias que vimos de citar, um anjo aparece a Zacarias a fim de anunciar-lhe o nascimento de um filho, que deveria receber o nome de João, do qual diz que ‘converterá muitos filhos de Israel ao Senhor seu Deus’ e que ‘irá adiante d’Ele no espírito e virtude de Elias, para reunir os corações dos pais nos filhos, e reduzir os incrédulos à prudência dos justos, e assim preparar ao Senhor um povo perfeito.’ (Lucas 1;13-17)
            Confirmava-se, destarte, que Elias voltaria ao proscênio da Terra, tendo como missão dar continuidade ao seu trabalho anterior de edificação espiritual do povo judeu, preparando-o (e por seu intermédio a Humanidade toda) para o recebimento do Cristo.
            E, voltou, de fato, assumindo a personalidade de João Batista.
            Malgrado, porém, todo o seu esforço no sentido de preparar o caminho do Senhor, isto é, converter os hebreus ao arrependimento e à penitência, de sorte que seus espíritos e corações ganhassem condições de receptividade para a mensagem cristã, poucos lhe deram ouvidos.
            O povo judeu, mais uma vez, no exercício de seu livre arbítrio, não correspondeu ao que dele se esperava, pois recusou-se (salvo um pequeno número) a reconhecer no humilde carpinteiro da Galiléia ‘aquele’ que estava para vir Jesus. E que, segundo criam, ‘o esperado’ haveria de libertá-lo da opressão estrangeira e conduzi-lo a uma situação de hegemonia mundial, e não seria o meigo Jesus, com sua doutrina de amor, de perdão, de fraternidade universal e de renúncia aos bens temporais quem fosse capaz desse desiderato. Longe, então, de aceitá-lo como o Messias, acabou pedindo a sua crucificação.
            Daí as palavras de João Evangelista, referindo-se ao Batista:
            “Houve um homem enviado por Deus, que se chamava João. Este homem veio por testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que todos cressem por meio dele. Essa ‘luz verdadeira’ (o Cristo) veio para o que era seu, mas os seus não o receberam.” (João 1:6-11.)

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            Observem os leitores a concordância desta série de textos escriturísticos sobre a reencarnação de Elias.
            Primeiro, aquela profecia através de Malaquias; em seguida, o anúncio do renascimento registrado por Lucas; depois, a confirmação dada por João Evangelista, de que o Batista era, realmente, aquele antigo profeta que deveria vir de novo a este mundo para ser o precursor do Cristo Jesus.
            As expressões ‘houve um homem enviado por Deus’ e este (homem) veio por testemunha’ são bastante esclarecedoras. Se FOI ENVIADO e VEIO  é porque ele já existia, e se já existia, seu ressurgimento na Terra, na pessoa de João Batista, só poderia dar-se, evidentemente, por via da reencarnação, não acham?
            Agora, outro detalhe corroborrante de que João Batista não foi outrem senão o próprio Elias reencarnado.
            Na encarnação anterior, como vimos, Elias tomou da espada e comandou a degolação de 450 sacerdotes de Baal.
            Ora, pela Lei de Causa e Efeito, ‘todos os que lançam mão da espada, à espada morrerão’ (Mateus 26:52; João 10:11; Apocalipse 13:10), para que, sofrendo na própria carne o que fizemos outros sofrerem, todos aprendamos a viver de conformidade com a regra áurea, ‘não fazendo aos outros o que não queremos que nos façam’.
            Elias era um Espírito de certa elevação, prestara bons serviços batendo-se pela pureza da religião, mas excedera-se em seu zelo e, no citado morticínio que teve por palco as margens do Cison, cometera um grave delito, do qual teria que redimir-se.
            Que lhe aconteceu então, em sua nova existência?
            Di-lo o Evangelho: cedendo à exigência da amásia, ‘Herodes tetrarca mande DEGOLAR João no cárcere e sua cabeça foi trazida em um prato’.  (Mateus 14:8-11; Marcos 6:27-28).
            Matara à espada, à espada morreu.

Parte III                             Reformador (FEB)  Abril 1968

            Os que combatem a lei palingenésica costumam valer-se de dois episódios registrados nas Escrituras para negarem tenha sido João Batista a reencarnação de Elias, mas apenas alguém com as virtudes daquele profeta.
            Primeiro: seu encontro com os sacerdotes e levitas do templo de Jerusalém que lhes foram perguntar: “És tu Elias?”, ao que respondeu: “Não o sou.”(João 1;21.)
            Isto não invalida, absolutamente, a tese que estamos desenvolvendo porque, enquanto encarnado, o Espírito raramente se lembra de suas vidas pregressas. Haja vista que perguntado, também: “És tu profeta?”, deu como resposta: “Não”. No entanto, como veremos logo mais, ao referir-se as João Batista, o Cristo Jesus, que o conhecia de outras idades, afirmou exatamente o contrário, considerando-o muito mais que um simples profeta.
            A resposta negativa dada por João justifica-se, ainda, porque poderiam tomá-lo como a ressurreição da pessoa de Elias, o que não seria verdadeiro, pois embora Elias e João se constituíssem uma só individualidade, representaram, cada um a seu tempo, duas personalidades distintas.
            Segundo: o fato ocorrido no momento da transfiguração de Jesus, fato esse posterior à morte de João Batista, no qual quem apareceu ao Mestre, falando com ele (juntamente com Moisés) foi Elias e não João Batista.
             Entendem que a entidade manifestante, em tal circunstância, deveria ter-se apresentado como João e não como Elias, e se a coisa não se passou assim é porque o Batista não fora a reencarnação de Elias.
            Este argumento também não vale nada, porquanto a Doutrina Espírita nos elucida que o Espírito ao manifestar-se pode tomar a forma de qualquer uma de suas encarnações e não apenas a da última.
            Mas, ponhamos de lado a opinião do Espiritismo e dos espíritas, deixando que o próprio Cristo nos diga a respeito:
            Abramos Mateus, capítulo 17:
            “E quando eles desciam do monte (após a transfiguração), pôs-lhe Jesus este preceito, dizendo: Não digais a pessoa alguma o que vistes, enquanto o Filho do homem não ressurgir  dos mortos. E os seus discípulos lhe perguntaram: Porque dizem os escribas que importa vir        Elias primeiro? Mas ele, respondendo, lhes disse: Elias certamente há de vir e restabelecerá todas as coisas; digo-vos porém que Elias já veio, e eles não o reconheceram, antes fizeram dele quanto quiseram. Assim também o Filho do homem há de padecer às suas mãos. Então conheceram os discípulos que de João Batista é que ele lhes falara.”(v. 9:13)
            Que outra interpretação se poderia dar, honestamente, a um texto de tal clareza? Nenhuma outra, afora esta: “Elias veio, como não o reconheceram, mataram-no.”
            Aliás, bem antes, Jesus já houvera afirmado a mesma coisa.
            Ouçamo-lhe novamente a palavra, referindo-se a João Batista:
            Que saístes a ver? um profeta? Certamente, eu vos digo, e ainda mais do que profeta. Porque este é de quem está escrito: Eis aí vos envio eu o meu anjo a tua face, que aparelhará o teu caminho diante de ti. Desde os dias de João Batista até agora o reino dos céus padece força, e os que fazem violência, são os que o arrebatam. E se vós o quereis bem compreender, ele mesmo é o Elias que há de vir. O que tiver ouvidos de ouvir, ouça.” (Mat. 11, 9-15.)
            Que significam estas palavras: “desde os dias de João Batista até agora”, se este ainda vivia na ocasião? É que, como ele e Elias eram a mesma individualidade, Jesus aludia ao tempo em que João vivera com a nome de Elias.
            Acrescentando: “Aquele que tiver ouvidos de ouvir, ouça”, expressão essa que repetia freqüentemente, Jesus queria dizer que nem todos estavam em condições de compreender a lei da reencarnação, o que não é para admirar, pois ainda hoje há quem não a ‘suporte’ e a negue, obstinadamente.
            Que se há de fazer? Ninguém os obriga a crer. Nem Jesus obrigou seus discípulos a isso. Limitou-se a dizer: “Se quereis dar crédito” e, “quem tiver ouvidos de ouvir, ouça.” A verdade, em última análise, é esta: o Cristo afirmou, incisivo: João Batista é o mesmo Elias que havia de vir, e seus discípulos compreenderam-no perfeitamente. 
            Os espíritas, reencarnacionistas que somos, estamos, pois, em muito boa companhia.