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domingo, 17 de setembro de 2017

Graus de Convicção


Graus de Convicção
Cristiano Agarido (Ismael Gomes Braga)
Reformador (FEB) Janeiro 1941

A Fé que transporta montanhas é a expressão máxima da convicção dos Espíritos Superiores, perfeitamente identificados com o Criador. Dessas alturas até nós outros, há infinitas gradações de convicção.

Desde a indiferença impensante, que crê para não se dar ao trabalho de pensar, até aos que creem porque têm certeza, a escala é extensíssima. Sobe da Terra ao Céu, pelos degraus da afirmação ou desce da Terra aos abismos insondáveis, pelos degraus da negação pessimista.

A imensa maioria da humanidade, por infelicidade sua, é indiferente. Crê friamente no que ouve, mas tem o pensamento ocupado pelas necessidades materiais, que constituem, de fato, o alvo único de tudo o que ela pensa. Essa maioria ainda está adormecida para a vida espiritual, de que não cogita. Acompanha “exteriormente as traduções, sem indagar como, nem porque o faz."

Entre os que já despertaram se interrogam a si mesmos e ao mundo ambiente, existe outra escala com muitos degraus ascendentes. Nos primeiros, a convicção mal se esboça: pouca profundeza e muita curiosidade. Depois, pelo estudo, pela observação, a convicção se vai consolidando e transformando em certeza "científica" isto é, certeza que não altera o curso da vida, porque está unicamente no consciente! Em seguida, acumula-se no subconsciente e se transforma em "certeza vital", ou automatismo da crença. Desde então, inicia-se uma vida nova: todos os valores mudam de significação. Coisas que antes pareciam possuir valor imenso, descem para plano secundário; outras, ao contrário, que pareciam, insignificantes, crescem de importância,        

A ânsia de aprovação, o receio dos juízos alheios, a preocupação de justificar-se vão desaparecendo. Amortecem o temor do futuro, as esperanças entusiásticas, o apego aos bens da Terra.

Pela leitura continuada da boa literatura espírita, a pouco e pouco todos vamos conquistando o estado d’alma, que tende a abolir essa mesma literatura, salvo as mais belas que sobreviverão como obras de arte, quais alguns poemas de combate à escravidão que ainda agora se reeditam. Quando chegarmos à certeza absoluta, por exemplo, da sobrevivência, toda a primorosa literatura de Bozzano, que hoje nos encanta, terá perdido significação. Reclamaremos, então, uma literatura que não nos fale de coisa já tão, sabida, mas que nos ajude a construir em nós mesmos estados mais elevados de consciência.

São infinitas presentemente as gradações da fé; mas, essa fase é passageira. Estamos galgando novo estado de consciência, que não deixará vácuo para a dúvida ou a hesitação. Quando descerem do consciente para o subconsciente os conhecimentos que nos estão sendo ministrados pela mediunidade" a nossa fé se tornará intuição da verdade. Teremos em nossa própria alma a verdade que nos há de libertar dos grilhões do pecado e, então, seremos construtores de um novo mundo.

Do nosso vocabulário desaparecerá a palavra “impossível", porque já teremos conquistado a fé que tudo pode. 


A literatura espírita de hoje, a multiplicidade dos fenômenos por toda a face do globo são a obra preliminar, cremos, da preparação dos obreiros necessários às grandiosas realizações do terceiro milênio. Nossa convicção já está sendo elevada a novo grau. 

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