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domingo, 15 de janeiro de 2017

Bittencourt Sampaio no Grupo 'Ismael'.


Trabalhos do Grupo "Ismael" 
Dois ditados (psicografias) de Bittencourt Sampaio.
Reformador (FEB) Janeiro 1941

            Com a que publicamos em o Reformador de dezembro ultimo, ficou encerrada a série de manifestações através das quais puderam os leitores acompanhar, em suas fases sucessivas, a transformação radical que se operou nas três entidades espirituais que as produziram: Miguel, maioral da Inquisição, conforme ele próprio se qualificou, Espírito de portentosa inteligência, de vasta e variadíssima cultura científica e filosófica, orador de formidável eloquência, que arrebatava e dominava as massas, dos púlpitos das catedrais; o Padre Ascêncio, seu lugar-tenente e substituto eventual no comando das falanges numerosíssimas a cuja frente combatiam, no espaço, pela igreja de que foram servidores na Terra; e o outro, cujo nome não chegou a ser declinado, executor fiel das ordens que recebia dos dois primeiros, fanático de ambos, querido destes e temido em toda parte, pela impassibilidade e frieza com que praticava as violências que aqueles lhe ordenassem. Os três, empenhados sempre em perseguir, tenaz e implacavelmente, a quantos se não submetiam ao jugo da igreja em cujo seio ainda militavam no infinito, esforçando-se por ampliar-lhe na Terra, o poderio e a dominação, perseguidores, sobretudo, dos que, desde o advento do Espiritismo, se fizeram profitentes do Evangelho em espírito e verdade; os três, dizíamos, abateram, como se há visto, ao influxo do amor puríssimo da Virgem, as armas com que manobrando as suas legiões, guerreavam a Igreja do Cristo de Deus e encetaram, no Colégio de Ismael, sob as vistas e o amparo desse glorioso Anjo, que até ali os encaminhara, o aprendizado necessário a se tornarem servidores fieis dessa Igreja, a verdadeira Igreja Cristã.

            Do valor, da importância, da significação e do alcance de tão notável obra de conversão espiritual, que certamente acarretou a de uma multidão dos legionários que acompanhavam os três chefes vencidos pela misericórdia do Senhor, disseram sobejamente os grandes Espíritos de Bittencourt Sampaio e Pedro Richard, falando após cada uma das manifestações em apreço, para que precisemos encarece-Ia nesta breve nota com que apenas assinalamos o término dos trabalhos em que foram protagonistas os Espíritos a que vimos de aludir, trabalhos esses que se prolongaram por perto de três meses.

            Assim, sem mais sobre eles acrescentarmos coisa alguma, passaremos a publicar as resenhas de outros trabalhos análogos, tão interessantes e elucidativos quanto os de que tratamos e que também giraram em torno de personalidades espirituais que, depois de terem sido aqui figuras proeminentes da igreja romana,  continuaram no Além a sustenta-Ia, propugnando à sua definitiva predominância material no mundo e combatendo, logicamente, os que se hão posto ao serviço da de que é Pontífice único e eterno, Jesus, o Cristo Salvador.

            Antes, porém, da publicação desses novos trabalhos, inseriremos dois ditados, altamente instrutivos e extremamente oportunos na atualidade, de Blttencourt Sampaio, transmitidos no final de duas sessões em que não se manifestara nenhum Espírito sofredor ou obscurecido e obstinado no combate à Verdade.

Primeiro Ditado

            A conquista da paz, como efetuá-Ia - Os temores que assaltam a igreja. - Assombro das falanges do mal. - A dor: diversidade nas maneiras de interpretá-la.  - A do Cristo, neste momento. - Em que naçõcs preferencialmente se originam as guerras. - À que causa estas se filiam. – Advertências aos praticantes do Cristianismo à luz da nova Revelação. - O eco das paixões que se exteriorizam por palavras levianas e insensatas. - Atitude que compete aos espíritas em face dos  acontecimentos que se desenrolam no mundo. Os heroísmos, as gloríolas terrenas, ante a majestade do  Criador.

            Meus companheiros, Deus vos abençoe e vos conceda a sua doce Paz!...

            Quanto a desejam as criaturas, filhas de um mesmo Pai, colhidas inesperadamente no torvelinho de sofrimentos inenarráveis!

            É tão fácil, entretanto, a conquista desse bem supremo, desde que o Espírito se dispõe a realiza-Ia, mediante um trabalho Íntimo, no sentido de crIar dentro de si um estado de serenidade e confiança!

            Todo aquele que crê no Supremo Poder, na Suprema Caridade, no Supremo Amor aguarda tranquilo, firmado na sua fé, que se cumpra a vontade de Deus, expressa imutavelmente na sua Lei, sábia e justa, Esse o ‘x’ do problema que, como se vê, é de fácil solução, mas que, no entanto, se conserva afastado das cogitações humanas neste século de idolatria e de perversão.

            Aquela, que devera ser o baluarte da mansidão e da autoridade moral, vê,  atemorizada. as chamas a lhe envolverem as muralhas e seus servos, estarrecidos, perguntam: Onde está o Cristo? O sacerdos magnus inquire, sobressaltado: o defensor da Igreja abandona o seu vigário ao descrédito e às chacotas das massas pagãs?

            Não é menor, deste lado, o assombro entre as falanges aguerridas do mal, que pensavam restaurar, no seio da humanidade, as práticas do passado, concretizadas no "crê ou morre".

            Há pouco, acompanhei o vosso estudo. Ouvi a leitura e os comentários que cada um de vós fez, sobre a maneira de interpretar-se a dor. É difícil a questão, porque os sentimentos se diferenciam, segundo a elevação dos Espíritos. Há quem sofra por ver malogrado o seu anseio de dominação; há quem sofra por não poder praticar o bem; há quem sofra por não poder impedir as hecatombes que devastam o mundo e assim por diante.

            Figurai-vos, então, o que deverá sentir, neste momento, o Cristo de Deus, contemplando, na amplidão dos campos ensanguentados, os quadros que Ele debuxou para Jerusalém!

            A História como que se repete, em suas fases e períodos. É que o Espírito, quando na carne, quase sempre se compraz na prática dos vícios e dos crimes. Olvida facilmente as resoluções que tomou na Espiritualidade, de acordo com o grau do seu progresso, e deixa-se dominar pelas tendências do homem velho.

            Poderemos acaso, medir a extensão do sofrimento do Cristo, vendo, após vinte séculos da implantação da sua doutrina de amor, trucidar-se reciprocamente os homens que se dizem cristãos? Porque, atentai bem, nas nações de onde se originam as guerras, a religião professada é uma das variantes do Cristianismo. Naquelas onde se praticam o Xintoísmo, o Budismo, o Esoterismo e outras seitas religiosas semelhantes a essas em sua substancia, os povos vivem mais ou menos aquietados e conformados com as suas condições. Não é sintomático? Será por defeito do Cristianismo? Não; é por efeito dos desvirtuamentos que o homem lhe infligiu aos ensinos, através dos tempos.

            Aí tendes a razão das nossas constantes e férvidas advertências, a vós outros que praticais o mesmo Cristianismo, porém à luz da Nova Revelação. Comedimento nas palavras e exteriorização de sentimentos cristãos, eis o
caminho a seguir, porque é o que conduz à regeneração do mundo e a livrá-lo de futuras hecatombes. Homens houve que anteviram os acontecimentos cujos primórdios se estão desenrolando.

            Chegam até nós os ecos das paixões que se exteriorizam por palavras levianas e insensatas, porque as criaturas, em vez de se recolherem dentro de si mesmas, para orar e meditar, discutem o poderio destes ou daqueles valentões que se atiram à arena para se entredevorarem como feras bravias. Ouvimos a repercussão de tais palavras e lastimamos a insensatez do homem, a sua nenhuma preparação para compreender o que se passa, para enfrentar as consequências que se seguirão.

            Será possível que também aos espíritas precisemos ainda advertir, para que se abstenham desses comentários insensatos? Um único é o dever que lhes corre: o de implorarem a misericórdia do Altíssimo para os infelizes instrumentos do mal necessário; o de rogar ao Pai que lhes ilumine a inteligência e o coração, a fim de compreenderem que não só de pão vive o homem.

            De que serve a posse de imensos campos para a semeadura do grão, se a inclemência da Natureza pode devastar toda a cultura e reduzir à fome as populações, que se lançaram na conquista deles com violência e fúria? Que valem os heroísmos, as condecorações, as gloríolas terrenas, símbolos do orgulho, ante a Majestade do Pai Criador, que ordena a seus filhos se amem como irmãos?

            Oremos, meus caros companheiros, á nossa excelsa Mãe. Para as grandes dores, os grandes remédios. Como símbolo da doçura, só o sentimento de Maria. Que Ela, pois, purificando com a sua virtude a prece do pecador, a conduza ao seio de Jesus, advogando a causa da humanidade, que se deixou empolgar pelo espírito do mal, que tudo subverte.

            Que Ela acoberte com o seu manto de piedade o Colégio de Ismael e não consinta que no coração de nenhum de seus membros penetre o vírus das paixões maléficas, que o levem, sequer em pensamento fugaz, a armar o braço
fratricida para o assassínio de seu irmão.

            Que a Mãe Santíssima defenda o eventual detentor do poder na Terra de Santa Cruz, para que não se interrompa o trabalho preparatório  dos prepostos de lsmael à obra da sua missão.

            Meus companheiros, cuidado! O tempo atual é o predito, como bem o sentis.

             Apegai-vos à Virgem, para poderdes, sem falir, chegar gloriosamente ao fim da jornada, satisfeitos por haverdes cumprido o vosso dever

            Paz fique convosco. - Bittencourt.


Segundo Ditado

                O pavor sucedendo à estupefação, nos mundos visível e invisível. - Estado de ânimo da igreja nos dois planos. - Situação em que se encontra o papa. - A confusão entre os sacerdotes do espaço. - O grande educador do homem. - Papel da caridade nessa educação. - A seleção natural dos Espíritos, no Além. - Enquanto isso, o que fazem os homens. - O timoneiro da barca como lhe contempla a singradura. - Os marinheiros da nau como devem proceder. - O turbilhão processando a separação dos bodes e das 8 ovelhas. - Como devem viver nesta hora os discípulos do Cristo. - Mais do que nunca necessárias a vigilância e a oração.

            Companheiros caros, paz seja convosco.

            A estupefação sucedeu o pavor nos dois mundos que se completam. A igreja da Terra e a igreja do espaço, porque desprezaram o Cristo espírito, sentem-se embotadas e cegas para divisar as clareiras do futuro e o que aguarda a humanidade terrena, após vinte séculos de civilização supostamente moldada nos ensinos do carpinteiro.

            O papa, prisioneiro dos instrumentos de caldeamento das massas, é uma figura sem expressão. Sua palavra só ecoa na consciência dos potentados, quando se exprime de acordo com os interesses deles. Na consciência das massas, nulo é o seu efeito, porque não se firma na essência da palavra revelada pelo Verbo de Deus aos simples, de coração puro.

            Os sacerdotes do espaço não menos confusos se encontram nesta hora trágica, porque, colocados num plano que lhes proporciona maiores elementos de apreciação, anteveem a derrocada de suas idéias, a nulidade de sua ação e o destino que lhes está reservado, nas trevas exteriores, onde há choro e ranger de dentes.

            Sempre entendi, nos meus estudos do Evangelho, quando aí estive burilando, calcinando o meu espírito, também necessitado de progresso, que nada valem fórmulas, nem ritos, nem palavras eloquentes na predicação da Verdade, simples e pura.

            Sempre entendi que o coração é e deve ser o grande educador do homem. A caridade é a mensageira dessa verdade, a propagadora dessa educação. E, por assim entender e sentir, pude encerrar a última página do livro da minha vida na carne e encontrar nos cursos superiores do Infinito elementos para confirmação desse sentir e desse pensar.

            Vejo aqui a seleção natural dos Espíritos. Eles vêm como que destinados a seus núcleos, segundo o grau de progresso que trazem. Estudam, debatem idéias, atraem sumidades das mais altas regiões do Infinito, para lhes esclarecerem as dúvidas na interpretação da ciência divina.

            Que fazem os homens? Cogitam, porventura, de conhecer as causas dos acontecimentos que os envolvem? Não. Atentam mais para o futuro imediato das condições terrenas, preocupados com a satisfação dos gozos, do século. Por isso, quando das grandes hecatombes, ou por eles mesmos provocadas, na sua cegueira e maldade, ou provenientes dos cataclismos naturais do planeta, quedam-se apavorados, sem norte e sem bússola.

            A igreja pequena, da Terra e do Espaço, começa a vislumbrar as suas tremendas responsabilidades nesse caos que domina a mente do homem moderno, no planeta. 

            Mas, é o Filho do Homem, quer dizer: o Espírito não nascido do conúbio dos sexos, o timoneiro da barca. Ele sente a fúria dos mares encapelados e percebe os escolhos à frente de sua singradura. Contempla, porém, sereno, o deslizar da nau por sobre o furor das ondas, porque vê além, muito além o plácido porto que a espera.

            Assim é que deveis pensar e sentir; já que sois marinheiros dessa nau. Nela embarcastes por vontade própria e assentimento do Mestre. Confiai que, depois da tempestade, chegareis com Ele ao bonançoso porto.

            Mas, precisais enfrentar a fúria dos elementos, vencer as paixões humanas e as vossas próprias paixões, antes que possais realizar dentro de vós mesmos os festins da paz, da esperança, do amor com o nosso Cristo e nosso Mestre.

            Meus companheiros, nunca foi mais oportuno o conselho da oração e da vigilância, e turbilhão envolve a humanidade. É bem a separação dos bodes e das ovelhas o que se processa. Os discípulos do Cristo devem viver em silêncio e em prece, porque sobre suas cabeças pairam as legiões do mal, prontas a atender aos chamamentos dos corações humanos. Assim, aqueles que quiserem servir ao Cristo e a sua obra precisam imunizar-se contra a lepra das paixões que degradam as criaturas humanas, levando-as à categoria das feras.

            Nunca foram tão necessárias a vigilância e a oração para os que quiserem viver uma  vida plácida. apegados à sua crença em espírito e verdade, dentro do torvelhinho dessas lutas pavorosas, mas indispensáveis, para salvação da humanidade.            

            Maria, Mãe carinhosa, obrigado, por mais esta hora de labor, que concedeste ao servo de teu Filho.  Volvo os olhos para o passado de séculos e vejo as mãos ensangüentadas e o cérebro encandecido por ideias de vingança e maldades. Vejo também o marco da nova estrada que o meu Espírito, na companhia destes, vem percorrendo, em busca de teu Filho, da sua pureza, da sua moral.

            Ajuda-nos, a estes que ainda se acham na carne e a nós libertos dela, para a realização desta obra que redime séculos de crimes, obra de purificação, de fraternidade, de amor, prescrita pelo teu Filho divino.

            Ajuda-nos; sê para nós outros o que o Cirineu foi para o teu Filho na sua via-sacra de redenção dos homens. Lustra os nossos corações, para que possamos sentir e guardar a essência do Evangelho santo. Defende com a coorte dos teus servidores as portas da Casa de Ismael e os lares dos seus fieis trabalhadores, a fim de que eles dêem tudo o que esteja nas suas possibilidades ao serviço da humanidade.

            Obrigado. Faze que o olhar de Nosso Senhor Jesus Cristo não se afaste deles um só instante.

            Paz, meus companheiros. Recomendo-vos muita concentração na reunião próxima. Possivelmente os nossos rogos serão ouvidos e merecemos uma graça maior.

            Ide em paz para os vossos lares e até breve. - Bittencourt.





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