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domingo, 15 de janeiro de 2017

A Felicidade



A Felicidade 
por Lauro S. Thiago
Reformador (FEB) Janeiro 1941

            A alma humana tem a intuição de que foi criada para a felicidade - por isso a sua vida inteira na Terra se resume num prolongado anseio de ventura. Os dias correm, os anos passam e a alma humana está sempre renovando as suas esperanças num futuro feliz, que nunca chega, entanto, perfeito, integral. Se corações existem que trazem: em si mesmos a felicidade interior, conquista de suas almas evoluídas, como podem eles sentir a felicidade integral em meio da sociedade humana cheia de chagas e de dores? Quem compreende a felicidade egoísta e que não é o resultado de uma imensa e fraterna partilha de bens? Não! A felicidade deve fazer os corações menos mirrados e mais amplos, não tão mesquinhos, mas cheios de ideal nobreza!

            Não é possível pretender-se, sequer, no momento atual, a felicidade na sua plenitude, quando milhões de corações sangram, tangidos das mais acerbas provações físicas e morais.

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            Se essa é a condição da alma humana diante do quadro geral da humanidade, nem por isso deixam de existir, pela justiça implícita nas coisas e distribuída pela magnanimidade do Criador pequeninas felicidades parciais, esboços longínquos da grande Felicidade que a sociedade deve conhecer um dia. Dentre todas, uma é particularmente grata á alma humana e resulta do entendimento amoroso de dois corações. O amor é, para os corações humanos, como o orvalho celeste que refresca as grandes e vigorosas árvores, assim como os arbustos pequenos e frágeis. O homem e a mulher se sentem mais completos quando tocados pelo divino chamamento do amor e, então, marcham, assim amparados, assim unidos, como animados por um novo sopro de vida, para maiores e mais gloriosos destinos. A felicidade, para dois corações afins, está na nobreza dos sentimentos que os enlaça e na elevação dos ideais que nutrem suas almas engrandecidas.

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            Quando felizes, os corações bem formados não devem permanecer egoisticamente indiferentes ao quadro atual da humanidade, mas meditar sobre ele e sua origem, que está no potencial de forças maléficas acumulado pela humanidade, gerado pelos seus crimes, e que agora sobre ela se abate sob forma de devastações, de guerra, de calamidade! Devem esses corações bem formados e, por isso, felizes, resistindo à influência nociva de uma sociedade que se decompõe, saturada das tendências mais criminosas e dos piores relaxamentos morais, constituir-se, em núcleos de resistência, que preparem para depois
da tempestade um mundo de bonança e de felicidade, onde floresçam as nobres qualidades da inteligência e do coração!

            Sim, é preciso não descrer do futuro.

            A felicidade não é um mito, mas uma realidade prometida, que o coração advinha e que será um dia vivida em sua plenitude pela Humanidade Redimida.






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