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quarta-feira, 25 de julho de 2018

Deus no Vaticano



Deus no Vaticano
Túlio Tupinambá (Indalício Mendes)
Reformador (FEB) Janeiro 1956

            Rejubila-se o mundo católico com mais um "'milagre", do atual Papa, nosso irmão Pacelli, que viu Deus, isto é, Jesus-Cristo, que a Igreja Católica, como se sabe, considera Deus. Portanto, mais uma legítima manifestação espírita se verifica entre católicos de alto coturno, alvoroçando os corações de todos os membros da Santa Madre. Nós, os espíritas, a quem os padres atribuem relações com o demo, porque também vemos Espíritos desencarnados, ainda que não sejamos Papas, não podemos, é claro, ter a pretensão de ver Deus.  Isto é privilégio do Pontífice e não de pobres cristãos sem credenciais papalinas. Ver Deus é algo de extraordinário e excepcional. Caísse algum espírita na tolice de ver Deus... Seria imediatamente excomungado, tido como o pior dos hereges, dado como mistificador e, se outros fossem os tempos, conduzido às câmaras de tortura de ferozes inquisidores, antes de serem torrados e reduzidos a cinzas em crepitantes fogueiras como nos tenebrosos espetáculos que enegreceram à Idade Média.

Muito embora Jesus houvesse reiteradamente demonstrado não ser Deus, intitulando-se Filho do Homem e chamando Pai a Deus, a Igreja católica, mais sábia, sobrepôs-se à palavra do Mestre, promovendo-o Pai, ele, que é o Filho... Encontramos, no Evangelho, inúmeras passagens que abonam o que dissemos: "Credes em Deus, crede também em mim”; "Se perdoardes aos homens as faltas que cometerem contra vós, também vosso Pai celestial os perdoará os pecados", "Aquele que me confessar e me reconhecer diante dos homens eu também o reconhecerei e confessarei diante de Deus Pai que está nos céus”. Ao dizer-lhe Simão Pedro que ele era "o Cristo, Filho de Deus vivo" Jesus replicou : "Bem-aventurado és, Simão, filho de Jonas, porque não foram a carne nem o sangue que isso te revelaram mas Meu Pai, que está nos céus."

Nós, que procuramos aprender as lições do Evangelho de Jesus, sem espalhafato, realizando vida simples e humilde, não temos a estultície de ver Deus. Essa graça é para quem pode.  Contentamo-nos em ver, quando possível, Espíritos familiares, Espíritos  amigos, Espíritos protetores. Não obstante, nossos "voos" modestos, a Igreja nos estigmatiza, condena e persegue, às vezes, até com diabólica sutileza...

Mesmo muito antes da Terceira Revelação, já se sabia, embora de modo vago e nebuloso, que o suicídio é pecado mortal para a alma. As igrejas consideravam irremissivelmente perdida a alma do suicida; mas só a Terceira Revelação nos vem mostrando todos os horrores a que conduz esse ato de orgulho rebelde contra a Justiça Divina.

Ver Deus. Ver Jesus. Milagres... O "Osservatore Romano" apareceu embandeirado em arco, segundo os telegramas, festejando o acontecimento, o grande "milagre" do Papa Pio XII, que viu Deusl

Pode ser até que o piedoso Pacelli tenha visto apenas um Espírito luminoso em manifestação comum, que nada tem de extraordinária e muito menos de milagrosa, e supusesse, maravilhado com o fato, ter visto o próprio Mestre. Houve talvez um caso de Teopsia (suposta aparição súbita de uma divindade), a aceitar-se a hipótese da aparição de Jesus. O fenômeno é comum, repetimos. Vem confirmar, uma vez mais, a realidade espirita, a procedência das afirmativas do Espiritismo, a verdade da Doutrina de Kardec, pois os fenômenos chamados espiritas não são exclusivos do ambiente espiritista porquanto podem ocorrer em qualquer ambiente, com qualquer pessoa, espírita ou não, crente ou não, rico eu pobre, branco ou preto, vacinado ou não vacinado. Evidentemente, não pomos a menor dúvida na realidade do fenômeno. Os padres sabem perfeitamente que tudo quanto o Espiritismo prega é verdadeiro mas não lhes convêm aos interesses confessar a verdade, porque, então, teriam de confessar também a inconsistência do edifício doutrinário católico, que vai desmoronando aos poucos, à medida que se ilumina o espírito do povo, operando-se a natural destruição de fantasias erigidas em dogmas, como o absurdo da ascensão de Maria em corpo material.

O curioso é que haja sempre dois modos de encarar um fenômeno. Se este ocorre no Espiritismo, é falso, é obra demoníaca, é embuste. Entretanto, se é no Catolicismo que ele sobrevém, é milagre e todos os sinos repicam alegremente... Nosso consolo é que, assim ou assado, a Razão vai ganhando terreno e dia virá em que se falada justiça ao Espiritismo, hoje negado, amanhã reconhecido.

Seríamos insinceros se afirmássemos não ter ficado contentes com a visão do Papa Pio XII. Sempre nos alegramos quando há manifestações psíquicas fora do Espiritismo. Elas podem ocorrer em qualquer tempo e em qualquer lugar, com qualquer pessoa. Foi o que aconteceu em 1954 quando a agência telegráfica United Press divulgou duas fotografias, reproduzidas em Agosto desse mesmo ano nesta revista, sob o título "Dois fenômenos espíritas" (ver página 179 de "Reformador" Agosto de 1954) . Numa, em desenho muito bem feito, vê-se, em Espírito, o Papa Pio X ao lado da freira Marta Ludovica Scorcia, a quem curou de meningite. Noutra, igualmente desenhada com capricho, acha-se o Espírito do referido Papa ao lado do advogado Francesco Belsani, de Nápoles, curado igualmente por esse Pontífice desencarnado, de uma moléstia pulmonar. Fatos tão corriqueiros no Espiritismo, de bondosos Espíritos que socorrem enfermos, fazem curas, realizam operações, significam milagres quando se verificam no meio católico. Em "Reformador" de Julho de 1954, (ver págs. 165 e seguintes). reproduzimos, sob o título "Pio X aparece a Pio XII", que foi o antigo Cardeal Pacelli e Papa atual, minuciosa notícia divulgada na Itália, na qual se lê que Pio X anunciara a Pacelli que este seria o novo Papa, o que efetivamente aconteceu. Em vista disto, os católicos consideram o episódio como outro "milagre" na vida de Pio XII!..

Diante do que vimos de escrever, o Espiritismo anda desembaraçadamente no Vaticano.  Não será surpresa se, algum dia, nos afirmarem que ali se realizam magníficas sessões espíritas, com o mais absoluto sigilo, como certas reuniões que se efetuavam no Rio, segundo soubemos, entre frades, desejosos, não apenas de estudar os fenômenos, mas de se aprofundarem mais e mais nos segredos da comunicação do mundo visível com o mundo invisível... Agora, é o "Osservatore Romano", com a sua autoridade de órgão pontifício, que confessa a vidência do Papa Pio XII, vidência prodigiosa, que lhe permitiu ver Deus no Vaticano.

Nosso desejo é que o Pai, com a sua infinita misericórdia, continue a obra de esclarecimento dos que tem olhos e não querem ver senão quando lhes convém... A mediunidade de Pio XII poderia até ser muito útil à Humanidade, se ele tivesse liberdade de revelar ao mundo católico o que lhe é mandado do Além, tal como faz o boníssimo e querido Francisco Cândido Xavier, psicografando ou psicofonando (perdoem-nos frieza do neologismo) mensagens de Emmanuel, André Luís, Irmão X e tantos outros abnegados trabalhadores invisíveis da Seara de Jesus, na luta pelo esclarecimento evangélico dos homens.

Quanto a nós, continuamos a cultivar a companhia desses bons Espíritos até que, por misericórdia de acréscimo, possamos um dia ter a mesma graça que alcançou Pio XII, e ver Deus... fora do Vaticano.  

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