“A esmola ostensiva é tão ignóbil como
o amor interesseiro.”
Pensamentos de Jax
Reformador
(FEB) Fevereiro 1920
"A Igreja romana não relegou para segundo plano o pai, fazendo do filho o objeto exclusivo de seu culto de adoração? E o culto prestado a Maria já não ameaça substituir o que ela, a Igreja, presta ao filho? "Mas virá o tempo, e já veio, em que os verdadeiros adoradores adorarão o pai em ESPÍRITO E VERDADE; esses são os adoradores que o pai quer. " "Os Quatro Evangelhos" de J.-B. Roustaing, à pág. 221 - Vol 4 - 7ª Ed. (FEB) 1990.
“A esmola ostensiva é tão ignóbil como
o amor interesseiro.”
Pensamentos de Jax
Reformador
(FEB) Fevereiro 1920
“Não merece muito o que dá muito, nem pouco o que dá pouco: o fiel da balança da justiça divina é – a intenção.”
Pensamentos de Jax
Reformador
(FEB) Fevereiro 1920
Pensamentos de Jax
Reformador
(FEB) Fevereiro 1920
“Caridade
não é monopólio de ninguém: filha do amor, irradiação do amor, habita em todos
os corações. Quando São Paulo colocou a caridade, mesmo acima da fé, evangelizou-a,
universalizou-a: porque Deus é de todos; Deus é caridade.”
Pensamentos de Jax
Reformador (FEB) Fevereiro 1920
O fenômeno da morte aparente
por Heitor Modesto
Reformador (FEB) Agosto 1925
A propósito dos casos da morte aparente, fenômeno que acontece com certos médiuns, de que trata a medicina legal e foi objeto de um de nossos artigos nu, dos passados números de Reformador, escreve-nos o Sr. Heitor Modesto, redator dos debates da Câmara dos Deputados, publicista, e que se vem entregando ultimamente ao estado dos assuntos espiritualistas:
“Tenho
para mim que o primeiro requisito que um homem deve apresentar, para pesquisar
o mistério da vida e descobrir a verdade sobre a nossa origem e o nosso
destino, é a boa-fé, muito embora se diga que a boa-fé é o apanágio da
ignorância. Boa-fé, porém, não se entenda credulidade fácil, abandono cômodo do
raciocínio, senão honestidade em confessar aquilo que impressione o nosso juízo
e convença a nossa razão. A boa-fé, assim, diz mais respeito a nós mesmos que
ao próximo.
Não
sou um espírita sectário- sou apenas um homem de boa-fé, que procura descobrir
a verdade.
Ao
citar enfaticamente a opinião de Richet, colhida no tratado de Metapsíquica, o
Sr. Medeiros e Albuquerque refere-se, com ar de penalizada ironia, a constantes
alusões dos espíritas à obra desse notável mestre, como sustentáculo da
doutrina espírita.
É
um engano de observação do ilustre polígrafo. Os espíritas não se referem às
conclusões pessoais escritas de Richet, mas à conclusão de sua obra, naquilo
que o eminente cientista, numa lamentável manifestação de – respeito humano –
(segundo a definição católica romana) diante da intolerância da ciência
oficial, expos aos olhos da crítica de modo tão perturbador, como aconteceu nos
trabalhos sobre o ectoplasma, sem aventurar-se a prosseguir, preferindo cobrir
todo o supranormal de suas conclusões científicas com o manto de uma nova
esfera de conhecimentos humanos, que ele não define, mas de que pretende ser o
classificador – a Metapsíquica.
O
verdadeiro Espiritismo jamais se valeu do embuste para propaganda de suas
ideias.
Ainda
neste momento tenho em mão o número de maio deste ano da “Revue de Metapsychique”
– sob o título “Um falso médium desmascarado”, um artigo do notável Dr. Osty,
dando o compte renda (relatório) de
sua admiração dos fenômenos apresentados por Madame Albertine, esposa de
Bourniquel, um nome assaz conhecido como escritor espírita (Les tèmoins posthumes, etc.)
A
boa fé e a honestidade da “Revue Spirite”, de Paris, fazendo-se veículo de um
fato escandaloso, por atingir uma das bases das investigações de Bourniquel,
vem mostrar à evidência a sinceridade que os verdadeiros espíritas desejam que
reine sobre as suas investigações, muito embora se pudesse alegar que cem
fraudes não destroem a verdade controlada uma só vez e que os mais notáveis
médiuns, como Eusápia Paladino, foram apanhados em fraude.
Veja,
porém, que me estendo demasiado em entrar no verdadeiro objetivo desta carta,
escrita especialmente para apresentar-lhe um exemplo a mais, às suas
interessantes afirmativas sobre o fenômeno da morte aparente.
A
narrativa, que me foi feita pelo Sr. J. G., capitalista, homem culto e lúcido,
eu a ouvi na presença do meu ilustre amigo Dr. Domingos Barbosa, este ano, em
S. Lourenço.
O
Sr. J. G. internara sua esposa numa das mais afamadas casas desta capital, para
sujeita-la a uma delicada operação cirúrgica. Realizada essa, foi declarado
pelos médicos presentes, depois de rigorosa verificação, que a operada
sucumbira. Estava morta.
O
marido, não se conformando com o veredicto dos médicos, fez com que
ministrassem à morta – várias injeções, sem o menor resultado.
Isso
aconteceu à tarde. Amigos e parentes se encarregaram das providências exigidas
em tais casos e o corpo foi vestido devidamente, rodeado de círios e coberto de
flores, enquanto aguardava a hora do enterramento, que seria no dia seguinte.
Ao
velar, longas horas durante à noite o – cadáver – de esposa, o Sr. J. G. não se
conformava com o desenlace brusco daquela vida tão cara aos sentimentos de amor
conjugal. Era como a gota d’água a bater naquele
monoideísmo tenaz. Ela não morreu!
Quase
à meia noite conseguiu ele, ainda uma vez, que o médico de plantão num gesto
mais de delicada concessão social, que de alcance científico, desse no –
cadáver – mais uma injeção, aliás sem resultado algum.
Pela
madrugada, ao passar pela porta do quarto onde estava a – morta – um enfermeiro,
pediu-lhe para sair. J. G. ainda uma vez, que obtivesse do médico de serviço o
favor de fazer mais uma injeção no corpo da esposa, porque –estava certo de que
ele não morrera. O enfermeiro propôs lhe de preferência um calmante para os
nervos, visivelmente abalados pelas emoções violentíssimas que havia sofrido o
já então viúvo. Não era mais possível recurso algum, além de que o médico de
plantão estava dormindo. Não se conformou o Sr. J. G. com a a desculpa do
enfermeiro e foi em pessoa acordar o médico e pedir lhe que mais uma vez desse
uma injeção no corpo, considerado há muito como cadáver. Após relutância feroz
e quase agressiva, o médico, vendo que não havia outro meio de repousar,
consentiu em levantar-se e ir à câmara mortuária, fazer - pela última vez - uma
tentativa de trazer de novo à vida a operada de véspera. Feita a injeção,
momentos depois o corpo começou a suar, não tardando a manifestação de
movimentos de pálpebras, denunciando a vida.
Tão
sensacional foi esse caso, que ainda agora, segundo diz o Sr. J. G. , o ilustre
diretor da casa de saúde onde ele se deu
quando se encontra o ex viúva, tem por costume perguntar lhe – “Como vai
a nossa ressuscitada?”
Como
explicar este fato? Simples coincidência de morte suposta com o abalo nervoso
do esposo inconsolável? Monoideísmo resultante de ligação ódica entre os
esposos? Sugestão de qualquer entidade invisível?
São
passados quatro anos, desde que Mme. J. G. voltou à vida. Dizem os médicos que
foi a injeção que fez voltar à vida o corpo da morta aparente. Oficialmente
está certo. Se os médicos tem o privilégio
de decretar a morte, devem tê-lo também para sancionar a volta à vida...
Madame
J. G. até hoje está viva. Ela mesma ouviu a narrativa de sua morte e sorria ao
esposo amantíssimo, ao vê-lo narrar o seu desespero, quando a julgou perdida
para sempre.
Sem
mais, desculpando-me da importunação, peço-lhe que me considere sempre um dos
seus mais atentos leitores e admiradores.
Bilhetes
por G. Mirim (Antônio
Wantuil)
Reformador (FEB) Dezembro 1946
“Rogo-vos, irmãos, que noteis bem aqueles que causam as dissensões e os
escândalos contra a Doutrina que aprendestes, e apartai-vos deles; porque esses
tais não servem ao Cristo nosso Senhor, mas ao seu ventre; e com palavras doces
e lisonjas enganam os inocentes. Paulo – Rom.
XVI-17-18.
Com
palavras doces, cheias de aparente amor pela Doutrina, lisonjeando um grupo ou
uma criatura, à cata de auxiliares favoráveis aos seus planos, fingindo-se
cheios de boas intenções, esses tais, diz o Apóstolo, procuram satisfazer ao
próprio ventre, às suas ambições autoristaristas, lançando ataques,
distribuindo conselhos separatistas, gerando confusões, deturpando propósitos
nobilíssimos, espalhando mentiras, demolindo sempre, sem respeito à verdade dos
fatos.
“Reencarnação
-
estudo sobre as vidas sucessivas."
Capítulo VI a ‘As Causas
Dos Nossos Sofrimentos’
por Aurélio A. Valente
Editora:
Moderna - Ano: 1946
Biblioteca
Espírita Brasileira
Nota do blog: Após a postagem, melhor identificaremos
cada um dos citados ao longo deste capítulo.
Em qualquer parte do mundo que paremos para
observar a humanidade, ficamos impressionados com os contrastes. Ao lado dos
palácios há sempre casos humildes; defronte de um prédio, onde, entre prazeres
e risos, festeja-se o nascimento de uma criança, vemos pessoas circunspectas,
com semblantes angustiados acompanhando um enterro; perto de um clube onde
dança-se, canta-se e come-se regaladamente, há uma casa na qual pessoas
tristes, com fisionomias sombrias permanecem em redor do leito de um doente em
estado grave; perto de um edifício luxuoso onde se homenageia um homem de
elevada posição social, presta-se socorro a um outro que foi esmagado por um
carro, e assim, seria interminável a série de citações.
Porque tudo isso, quando o objetivo
de todos é ter uma vida ditosa: riquezas, bem estar, conforto, a felicidade,
enfim, sob todos os seus aspectos?
É que a Terra é um mundo de
expiação, de sofrimentos sem conta, provações penosas, reparações cheias de
embaraços. Aqui neste planeta está uma legião de espíritos desgraçados,
falidos, para expurgarem-se de suas faltas, expiarem seus crimes, repararem
todos os males causados, em busca da conquista de sua emancipação espiritual.
O homem tem um objetivo sagrado,
portanto; viver, mas viver bem, instruir-se para sair das trevas da ignorância,
moralizar-se, espiritualizar-se, para alcançar uma situação mais favorável, em
que a existência não lhe seja tão amarga e tão atribulada, e o pão de cada dia
tão feio, duro, com sabor de suor e lágrimas.
Todos nós temos o direito à vida, a
usufruir aquilo que a natureza nos concede, porém, piores que animais, os
homens, enchendo-se de egoísmo, vaidade e orgulho, querem suplantar os outros,
de modo infame, sumamente abjeto, como não fizeram os nossos ancestrais, que
não tinham as luzes da ciência e a revelação religiosa que hoje temos.
Há momentos em que os homens
apresentam-se com ambições de proporções assustadoras, parecendo que uns querem
a desgraça dos outros para viverem livremente, embora tenham que pisar direitos
alheios e saltar por cima dos cadáveres, e ainda se jactem de civilizados,
instruídos e moralizados.
Nas grandes calamidades, epidemias,
enchentes, guerras, terremotos, há uma notícia que apavora mais que a
encarcerados das penitenciárias. Semelhantes a hienas, eles se atiram sobre os
cadáveres para despojá-los de todo que possa ser convertido em dinheiro; cortam
os dedos para tirarem os anéis; arrebentam bocas retorcidas pelo terror, para
arrancarem as dentaduras que tenham ouro, profanam os corpos mutilados; violam
tudo, e fogem rapidamente a fim de gozarem longe, o produto de tão miserável e
lúgubre rapina; mas... se esses entes nos causam horror e revolta pelo
desrespeito aos mortos e pela desgraça alheia, piores ainda, mil vezes piores,
são aqueles que espoliam os vivos.
Na ocasião das crises econômicas e
financeiras, aparecem abutres que esvoaçam sobre os homens, para alimentarem-se
da sua carne, da sua miséria, das suas horas de fome, enfermidade e incertezas
de conseguir uma casa para morar. Essas criaturas destituídas de todo
sentimento nobre, querem enriquecer, querem ser felizes, gozar conforto,
preparar o futuro para uma velhice descansada, querem divertir-se em casinos,
cabarés, gastar prodigamente no jogo, satisfazer os seus caprichos sensuais com
mulheres sem juízo.
E esses fatos repetem-se em todos os tempos, em todos os países, sem que
haja uma força humana capaz de refreá-los. Tudo isso é produto do materialismo.
É essa ideologia desagregadora dos laços da fraternidade que leva os homens a
agirem de modo pior, mil vezes pior que os animas. E ainda dizemos que o mundo
está civilizado!!! Essa ideologia adulterou os princípios religiosos e cada um quer
fazer sua própria religião, coadunando o seu caráter de moralidade precária com
a religião de convenção social.
O Espiritismo pretende acabar com
esses desregramentos, com essas ambições sem termos, ensinando a Lei da
Reencarnação, e procurando educar o povo para estabelecer no mundo uma “Nova
Era de Fraternidade”, advertindo a todos que ninguém entrará no reino de Deus
sem haver pago o último centil, segundo sentenciou Jesus.
A nosso ver, é um grande erro que
está arraigado na humanidade, atribuir-se à inflação monetária todos os males
de uma situação de emergência, às crises econômicas as causas das revoluções.
Todos os males que afligem a humanidade terrena têm um só nome - a crise
espiritual.
Queres uma prova, leitor? Ei-la:
“Um homem talentoso, artista, dotado
de sentimentos morais, finos e elevados, achava-se desde a mocidade afetado de
um desejo que tinha por objeto exclusivo as meninas de cinco anos. Os
vestidinhos curtos, as pernas â mostra excitavam-no loucamente. Desde que as
crianças cresciam, e mesmo antes de se tornarem púberes, pediam para ele todo
atrativo. Os adultos, homens e mulheres foram-lhe toda a vida indiferentes. Sua
paixão intensa eram as meninas. Reconhecendo cedo essa anomalia do seu desejo,
conseguiu dominá-lo toda a vida. Contentava-se em acaricia-las sem lhes fazer
mal e sem que percebessem os seus secretos sentimentos. Seus sentimentos morais
e seus princípios foram sempre bastante fortes para impedirem-no a ir mais
longe. (“A Questão Sexual”, de
Augusto Forel, páginas 252-253).
Os grifos são nossos.
É um caso isolado, pode-se objetar,
todavia, u fato só tem impedido de uma proposição firmar-se em teoria. É um
exemplo e basta, porém, afirmarmos, não é um caso isolado.
Esse homem julgou-se realmente
doente e recorreu ao médico, porém, quantos estão nessas condições e
consideram-se bons? E quantos compreendendo que estão efetivamente enfermos não
ousam confessar a ninguém a sua penosa situação, dominam-se e nada confessam?
Desse modo, não se deduz logicamente
que um homem espiritualmente elevado é capaz de resistir a todas as tentações
do mal? Acaso o homem probo não prefere passar fome e miséria a conspurcar o
seu nome? Quantas mulheres preferem morrer a manchar seu corpo com o contato
impuro de um atrevido sensual? Quantas mulheres sacrificam-se pelos seus filhos
e maridos que as martirizam contribuindo para a sua beleza estiola-se pouco a
pouco, como uma delicada flor a fanar-se sob os raios ardentes de um sol de
estio.
É preciso educar o povo para acabar
com essas desgraças. Agora que o mundo prepara-se para o porvir de após guerra,
sistemas sobre sistemas inventam-se; todavia, nenhum resultado satisfatório
será obtido, se não houver a espiritualização do mundo. E para isso, é preciso
instruir e educar o povo nos elevados ensinamentos da Doutrina Espírita, que é
a própria Doutrina de Jesus – em Espírito e Verdade...
Educar é ensinar, mas ensinar com a
Verdade, e não sob convenções puramente sociais de castas e privilégios.
Educar é ensinar a alguém que não
devemos fazer o mal, não por medo da polícia ou do cárcere, mas pelo horror ao
crime e ao erro. O homem de bem não teme a polícia, nem se apercebe das leis
repressivas, entretanto tem medo de manchar a sua consciência, a sujar suas
mãos com qualquer ato vergonhoso. A sua confiança no seu valor pessoal é tanta
que nunca se arma para defender-se mesmo quando ameaçado.
E essa educação que preconizamos,
dentro dos sãos princípios do Espiritismo deve ser ministrada sem tirarmos a
liberdade do nosso semelhante, pois esse bem do Céu vem diretamente de Deus e
deste modo é necessário respeitarmos. Aquele que não a devem ter, ficam
paralíticos, mas conservam a sua faculdade de raciocínio, logo, ainda lhe fica
a liberdade de consciência. Meditando sobre esta verdade foi que o grande
pensador Victor Hugo disse: “é permitido, mesmo ao mais fraco, ter uma boa
ideia e expô-la.”
Dos Estados Unidos da América do
Norte, essa grande e gloriosa nação, veio-nos a afirmativa do que acabamos de
dizer.
A Lei Seca, que por meio da força tirou
o copo das mãos dos viciados e até dos que não o eram e nem se excedam gerou a
mais terrível categoria de bandidos que já assolou aquele País e quiçá o mundo:
os gangsters, os bandos de salteadores e contrabandistas que usavam de todos os
recursos da ciência moderna para o crime. Somente quando essa lei foi revogada
é que eles extinguiram-se, assim mesmo com grande dificuldade.
A humanidade terrena é uma
aglomeração de seres de diversas idades espirituais, que trabalham sem cessar
pelo seu próprio progresso. Por esta razão há os revoltados e os conformados,
os broncos e os inteligentes, os maus e os bons, os fracassados e os
vencedores, os apáticos e os idealistas.
Para compreender essas aparentes desigualdades da sorte, é preciso recorrer ao Espiritismo, como já temos dito, estudando a lei dos renascimentos sucessivos.
De modo geral, essa legião que povoa a Terra está vivendo em expiação - reparação – provação, e raramente em missão gloriosa e abençoada, pois assim o é sempre.
O Trabalho Espírita
por Inaldo Lacerda Lima
Reformador (FEB) Julho 1966
O Espiritismo, quando praticado por pessoas sérias, altamente responsáveis, estudiosas, muito tem de semelhança com o Cristianismo primitivo. Caracteriza-se pela simplicidade nos trabalhos, nas reuniões, nos serviços de auxílio aos necessitados; destaca-se pela moral elevada de seus adeptos ou obreiros que se esforçam no sentido de zelar pela pureza doutrinária; convence pela seriedade de seus movimentos sociais, confraternativos, intelectuais; faz-se respeitar pela sisudez do exercício mediúnico, em que as manifestações se apresentam completamente isentas de aparatos materiais, de ritos e outras esquisitices.
Conforme
nos elucidam relatos mediúnicos a respeito do modo pelo qual os discípulos de
Jesus se comportavam, no exercício do mandato evangélico, após o drama do
Calvário, o Espiritismo se apresenta como continuação da obra do Cristo, já
agora de maneira mais avançada quanto ao teor de suas revelações, porquanto
contando com possibilidades novas e com fatores proporcionadas por dezenove
séculos de experiências diversas, por vezes dolorosas.
O
Centro Espírita de nossos dias, bem orientado nos princípios básicos da
Terceira Revelação, constituído de elementos conscientes da Missão do
Consolador entre os homens e despidos da roupagem perigosa do personalismo
extravagante e doentio, muito se próxima da chamada “Casa do Caminho”, onde os
apóstolos recebiam os filhos da dor e da tristeza para um duplo tratamento – a
cura da alma e a correção da conduta.
A
preocupação inicial dos apóstolos, dando continuidade à obra do Mestre Jesus,
não era de fabricar novos apóstolos,
mas ajudar a Humanidade a despertar para uma consciência espiritual, religiosa.
Eles sabiam que os apóstolos novos viriam natural e gradativamente na pessoa
daqueles mais reconhecidos que, em recebendo o auxílio, em compreendendo a
verdade, se resolvessem a FICAR, para sempre, entre os arautos da Verdade, na
disposição sincera de se tornarem também obreiros.
Essa
mesma compreensão rege o trabalho espírita na hora presente, pois o espírita
sabe que o propósito primeiro da doutrina revelada pelo Espírito da Verdade e
codificada por Allan Kardec não é multiplicar espíritas, mas curar a
Humanidade, despertando os homens para uma consciência cristã autêntica,
iluminando o coração humano, preparando o mundo para o grande advento da Era do
Espírito. Os espíritas crescerão em número, naturalmente. Todos os dias
surgirão aqueles que, uma vez acordados, não se satisfarão apenas com a
compreensão da necessidade de uma conduta de auto vigilância. Eles se integrarão
no trabalho, conscientes de uma verdade sobremodo soberana e que muitos
colaboradores antigos esquecem: não se
compreende espírita de braços cruzados. Porque Espírita é aquele que
constrói, que realiza, que constrói, que realiza a obra do Senhor, sempre
humilde, compreensivo, paciente, porém, intimorato, decidido e guiado pelo bom
senso.
O
trabalho espírita é obra inteiramente de amor e de alta responsabilidade. E o
homem que já portador de uma consciência espírita sabe que a seara em que opera
não é propriedade sua, mas de Deus, e cujo plenipotenciário é Jesus. Por
conseguinte, diante do bem a ser feito, ele não espera uma ordem especial; ele
realiza, ele trabalha. E se alguém cochila a seu lado, ele não exprobra, não
brada, não acusa, não condena – mas adverte, compassivo e fraterno, que os
trabalhadores de fato são poucos e os espíritas representam, na parábola
evangélica, os obreiros convocados à hora última para
a vinha o Senhor.
Trabalho espírita é, portanto, obra de consistência destinada a desafiar
o próprio tempo e a sobrepor-se a interesses materiais e transitórios. É
trabalho de unificação doutrinária, de fraternidade verdadeira, de integração
cristã.
Cada
instituição religiosa é um centro vivo de comunhão espiritual; razão por que
nos disse certa vez respeitável confrade a propósito do inesquecível
companheiro Arthur Lins de Vasconcelos: “é um seareiro que se sente responsável
pela edificação e desenvolvimento de qualquer sociedade espírita, em qualquer
ponto do país onde ela se situe.”
Eis
um exemplo típico de conduta espírita, em que o homem espírita se sente no
dever de amar a missão do Espiritismo, não apenas em termo de simpatia, mas
sobretudo de dedicação, interesse e esforço.
Presentemente,
as atenções de todo o Brasil espírita se encontram voltadas para Brasília. É
que a construção da Casa de Ismael, na nova Capital, parece apresentar-se como
um teste do Mundo Maior à compreensão e no esforço de cada um de nós. Ao mesmo
tempo que preocupa, entusiasma. Todos queremos ser parcela vivas para o sublime
total. Todos opinamos pela divisão da responsabilidade do soerguimento do
venerando edifício. Todos nos sentimos, nesta hora, mais do que nunca,
espíritas. É a conclusão a que chegamos diante das mensagens refertas de fé,
entusiasmo e empenho que de todos os recantos da Pátria do Evangelho chegam à
Federação Espírita Brasileira.
Não
foi por acaso que o Codificador inscreveu, com caracteres de esperança, no pedestal
simbólico da Doutrina viva: Trabalho, Solidariedade, Tolerância.
Decálogo para Estudos Evangélicos
Por
André
Luiz
/ Chico Xavier
Fonte: Livro: ‘Lindos Casos’ de Ramiro Gama
“Na noite de 21 de Março de 1952, no Centro Espírita Luiz Gonzaga, em Pedro Leopoldo, discutia-se sobre a melhor maneira de orientar a pregação espírita cristã, quando André Luiz externou-se a respeito do assunto, com a seguinte página, em psicografia de Chico Xavier:
2. Não fuja ao espírito do texto lido.
3. Fale com naturalidade.
4. Não critique, a fim de que a sua palavra possa construir para o bem.
5. Não pronuncie palavras reprováveis ou inoportunas, suscetíveis de criar imagens mentais de tristeza, ironia, revolta ou desconfiança.
6. Não faça leitura, em voz alta, além de cinco minutos, para não cansar os ouvintes.
7. Converse ajudando aos companheiros, usando caridade e compreensão.
8. Não faça comparações, a fim de que se verbo não venha ferir alguém.
9. Guarde tolerância e ponderação.
10. Não detenhas indefinidamente a palavra; outros companheiros precisam falar na sementeira do bem."
Perseverança
por Juvanir Borges de Souza
in “Tempos de Transição” (pg. 266 1ª ed. FEB)
Isto se deve à própria
natureza da Doutrina, que inspira segurança fundamentada na realidade viva das
coisas e não em meras criações mentais. Estando o Espiritismo na ordem natural,
concepções e criações da imaginação cedo ou tarde cedem à realidade...”
Vinélius Di Marco / Indalício Mendes
Reformador (FEB) Junho 1962
Vivemos num século de reivindicações gerais, num século de reajustamentos sociais, que representam indiscutível tomada de contas. Tudo isso, porém, se processa em ambiente de inquietação, porque o mundo vive assustado, presa do medo e sujeito a perturbações decorrentes da educação materialista em que se desenvolveu.
Povos
fracos realizam o velho sonho da autonomia, da autodeterminação, como é moda
dizer-se, ansiando por dirigirem seus próprios destinos. O desmoronamento da
opressão colonialista comprova a sabedoria dos Espíritos também quanto ao
conceito de liberdade e justiça.
Defendem
as mulheres brasileiras, no momento, a modificação do art. 6º do Código Civil,
que colocou a mulher casada em nível inferior ao do silvícola: “São
relativamente incapazes a certos atos, ou à maneira de os exercer, os menores
de idade, as mulheres casadas, os pródigos e os silvícolas.”
Em
virtude do regime patriarcal estabelecido no Brasil antigo, tão desumano quanto
o matriarcado, ainda hoje as mulheres brasileiras sofrem inadmissíveis restrições
e coações incompatíveis com a mentalidade moderna.
No
parágrafo único do referido artigo está dito que “os silvícolas ficarão
sujeitos ao regime tutelar estabelecido em leis e regulamentos especiais, o
qual cessará à medida que se forem adaptando à civilização do País”. Quer dizer
que a lei se preocupou em amparar o silvícola, o que é mais do que justo, mas
deixou a mulher entregue à própria sorte...
Ainda
há países onde as mulheres são tratadas como escravas, sujeitas ao domínio arbitrário
e à vontade tirânica dos homens. Tudo isso terá de desaparecer e desaparecerá mais
depressa do que se poderia prever há cinquenta anos.
Vale
lembrar que, há mais de um século, já continha ‘O Livro dos Espíritos”,
codificado por Allan Kardec, a defesa da mulher.
Considerava
iguais aos direitos dos homens os seus direitos e afirmava que a inferioridade
moral da mulher em certos países provém “do predomínio injusto e cruel que
sobre ela assumiu o homem. É o resultado das instituições sociais e do abuso da
força sobre a fraqueza. Entre homens moralmente pouco adiantados, a força faz o
direito” (1)
Perguntados:
“... uma legislação, para ser perfeitamente justa, deve consagrar a igualdade
dos direitos do homem e da mulher?” – os Espíritos responderam: “Dos direitos,
sim; das funções, não. Preciso é que cada um esteja no lugar que lhe compete.
Ocupa-se do exterior o homem e do interior a mulher, cada um de acordo com a
sua aptidão. A lei humana, para ser equitativa, deve consagrar a igualdade dos
direitos do homem e da mulher. Todo privilégio a um ou a outro concedido é contrário
à justiça. A emancipação da mulher acompanha o progresso da Civilização. Sua
escravização marcha de par com a barbaria. Os sexos, além disso, só existem na
organização física. Visto que os Espíritos podem encarnar num e noutro, sob
esse aspecto nenhuma diferença há entre eles. Devem, por conseguinte, gozar dos
mesmos direitos”. (1)
É indispensável que ambos, o homem e a mulher, compreendam a alta
significação do papel que representam na vida e não se deixem vencer por
sentimentos que conduzam à debilitação da família. Não devem esquecer que o
cumprimento dos deveres importa muito mais do que a satisfação de alegados
direitos. Cada qual precisa sacrificar um pouco do seu próprio “eu” em benefício
da vida matrimonial, da harmonia que pode tornar imperecível o amor conjugal. A
humildade esclarecida é tão útil quanto a necessidade de saber renunciar.
Por
qualquer coisa, nos dias que correm, sobrevêm desquites, frutos de divergências
entre esposos que não se esforçam, as mais das vezes, para encontrar um clima
de compreensão real. A educação materialista afrouxa o sentimento. Num mundo
dito cristão, mas que de cristão só guarda a aparência, quem domina e decide é
o materialismo, desde o lar à vida mundana. O desequilíbrio moral provém
justamente do abandono dos princípios evangélicos. Pensa-se muito em dinheiro e
em prazeres nem sempre defensáveis. No ambiente materialista do mundo atual, os
assuntos do espírito não interessam tanto quanto aqueles que proporcionam
vantagens imediatas. Falta reflexão, não há tempo para pensar no espiritual. A
vida é absorvente, agitada, fatigante, porque o dinheiro e os prazeres dos
sentidos exigem muito da criatura humana não espiritualizada.
Os
Espíritos ensinam que os dois – homem e mulher – cabe “o dever de se ajudarem
mutuamente a suportar as provas de uma vida cheia de amargor” (1) quando a
provação lhes bate à porta.
Os
vícios sociais, a ambição de aparecer bem nas reuniões elegantes, a vaidade
exacerbada, a escassa noção de responsabilidade familial, provocam atritos
entre os cônjuges. Cada vez um exige mais do outro e as exigências acabam por
abrir entre eles um abismo. Somos favoráveis ao remédio do divórcio, quando a
incompatibilidade entre marido e mulher é irremediável. Reprovamos, porém, a
fragilidade dos laços matrimoniais atualmente, pois se rompem pelos mais fúteis
e ridículos pretextos.
A
razão dessa fragilidade está na falta de educação moral, na ausência de
obrigações espirituais, na carência de orientação evangélica, que subordinem o
homem e a mulher a preceitos éticos indispensáveis à estabilidade do vínculo
conjugal.
A
mulher acha bonito fumar e beber álcool, frequentar reuniões e espetáculos
impróprios à visita da virtude. As conversações livres são comuns, durante as
quais o tema preferido é o sexo. Pensa-se muito no adultério e há quem
considere a infidelidade uma demonstração de bom-tom... As peças de teatro e os
filmes cinematográficos, com poucas exceções, oferecem tramas licenciosos,
porque asseguram excelentes tramas licenciosos, porque asseguram excelentes resultados
financeiros. No rádio e na televisão, o “humorismo” predominante é deletério,
acintosamente imoral. Eles entram livremente, pelo som e pela imagem, na
intimidade dos lares. Para lá dirigem os germes da corrupção moral, de forma
sutil, insidiosa, simuladamente humorística, mas que tem por fim gangrenar o
espírito da mulher, da criança, da juventude. As canções, tanto no Carnaval
como fora dele, têm, não raro, muita inconveniência. Mas são gravadas e
difundidas pelo Brasil inteiro.
Para
combater essa ofensiva organizada da corrupção, somente a educação moral com base
evangélica poderá ter efeito. Mas será um trabalho moroso, embora de resultados
fecundos, se convenientemente orientado. É mister, por isso, que se lute com o
bem para rechaçar o mal.
Doutrina, aviso e conselho,
Dentro de casa ou no templo,
Só valem quando mantidos
No clima do bom exemplo.
Reformador (FEB) Junho 1962
Muito luxo, muita festa,
Muito aplauso e muito vinho
São nevoeiros dourados
Para ensombrar o caminho.
Reformador (FEB) Junho 1962
Se aspiras a triunfar,
Maneja as armas do amor.
Jesus, cansado e vencido,
Foi o grande vencedor.
Reformador (FEB) Junho 1962
Sofre muito quem bem ama...
E não existe outro jeito.
Sem amor, o coração
Seria pedra no peito.
Reformador (FEB) Junho 1962
Ante os espinhos à frente,
Coração, chora de leve!..
Quem partiu está presente.
Reformador (FEB) Junho 1962
O Temor da Morte
"Os espíritas não temem a morte por não terem dúvidas sobre o futuro,
encaram sua aproximação a sangue frio,
como quem aguarda a libertação pela porta da vida
e não pela porta do nada."
Allan Kardec (Capítulo II de "O céu e o Inferno")
"Suporta as mágoas do
mundo.
Não te lastimes em vão.
O céu refulge mais
lindo
Nas horas da
escuridão."
Ormando Candelária
por Chico Xavier
Reformador (FEB) Janeiro 1965
‘Reformador’
“Um ser que morre, uma folha que que cai, um mundo que desaparece, não são, nas harmonias eternas, mais do que um silêncio, necessário a um ritmo que não conhecemos ainda.”
Luiza Michel, Maio 1903
“Com que cuidado se devem cultivar
as
Pequenas virtudes que brotam dos pés
da cruz!
São elas: a humildade, a paciência,
a doçura,
a benignidade, a condescendência, a
jovialidade,
a compaixão, o perdão das ofensas, a
simplicidade,
a candura, em suma: Toda espécie de
virtudes que,
semelhantes à modesta violeta, amam
a obscuridade,
sustentam-se com o orvalho e, embora
façam pouca
sombra, embalsamam o ar de suave fragrância.”
Anônimo, Maio 1903
“As
boas ações triunfam da modéstia do seu
autor e de toda a simplicidade que as acompanha.”
Lúmen Setembro
1903
Pátria, como
Sócrates pela razão, como Jesus pela
Fraternidade.
Sócrates morre por inteligência e
Jesus por amor: não
há nada maior e mais doce:
Felizes, entre
todos, aqueles cuja morte é bela!”
Vitor Hugo, Junho 1903
“Agradece ao Pastor
Pobre rebanho humano,
A promessa cumprida:
Que depois do Sinai e do Tabor
Nova revelação envia à dor terrestre
Com a palavra querida
Do nosso caro Mestre.”
Anônimo, Maio 1905
Van
Ruyn, Outubro 1905