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segunda-feira, 6 de setembro de 2021

Pensamentos de Jax

 


“A esmola ostensiva é tão ignóbil como o amor interesseiro.”

Pensamentos de Jax

Reformador (FEB) Fevereiro 1920

 


Pensamentos de Jax

 


 “Não merece muito o que dá muito, nem pouco o que dá pouco: o fiel da balança da justiça divina é – a intenção.”

Pensamentos de Jax

Reformador (FEB) Fevereiro 1920




Pensamentos de Jax

 



“Há quem chore por não dar uma esmola, sem saber que o pranto é já uma prática da caridade.”

Pensamentos de Jax

Reformador (FEB) Fevereiro 1920

 


Pensamentos de Jax

 


“Caridade não é monopólio de ninguém: filha do amor, irradiação do amor, habita em todos os corações. Quando São Paulo colocou a caridade, mesmo acima da fé, evangelizou-a, universalizou-a: porque Deus é de todos; Deus é caridade.”

Pensamentos de Jax

Reformador (FEB) Fevereiro 1920


sexta-feira, 3 de setembro de 2021

O fenômeno da morte aparente



O fenômeno da morte aparente

por Heitor Modesto

Reformador (FEB) Agosto 1925

            A propósito dos casos da morte aparente, fenômeno que acontece com certos médiuns, de que trata a medicina legal e foi objeto de um de nossos artigos nu, dos passados números de Reformador, escreve-nos o Sr. Heitor Modesto, redator dos debates da Câmara dos Deputados, publicista, e que se vem entregando ultimamente ao estado dos assuntos espiritualistas:

            “Tenho para mim que o primeiro requisito que um homem deve apresentar, para pesquisar o mistério da vida e descobrir a verdade sobre a nossa origem e o nosso destino, é a boa-fé, muito embora se diga que a boa-fé é o apanágio da ignorância. Boa-fé, porém, não se entenda credulidade fácil, abandono cômodo do raciocínio, senão honestidade em confessar aquilo que impressione o nosso juízo e convença a nossa razão. A boa-fé, assim, diz mais respeito a nós mesmos que ao próximo.

            Não sou um espírita sectário- sou apenas um homem de boa-fé, que procura descobrir a verdade.

            Ao citar enfaticamente a opinião de Richet, colhida no tratado de Metapsíquica, o Sr. Medeiros e Albuquerque refere-se, com ar de penalizada ironia, a constantes alusões dos espíritas à obra desse notável mestre, como sustentáculo da doutrina espírita.

            É um engano de observação do ilustre polígrafo. Os espíritas não se referem às conclusões pessoais escritas de Richet, mas à conclusão de sua obra, naquilo que o eminente cientista, numa lamentável manifestação de – respeito humano – (segundo a definição católica romana) diante da intolerância da ciência oficial, expos aos olhos da crítica de modo tão perturbador, como aconteceu nos trabalhos sobre o ectoplasma, sem aventurar-se a prosseguir, preferindo cobrir todo o supranormal de suas conclusões científicas com o manto de uma nova esfera de conhecimentos humanos, que ele não define, mas de que pretende ser o classificador – a Metapsíquica.      

            O verdadeiro Espiritismo jamais se valeu do embuste para propaganda de suas ideias.

            Ainda neste momento tenho em mão o número de maio deste ano da “Revue de Metapsychique” – sob o título “Um falso médium desmascarado”, um artigo do notável Dr. Osty, dando o compte renda (relatório) de sua admiração dos fenômenos apresentados por Madame Albertine, esposa de Bourniquel, um nome assaz conhecido como escritor espírita (Les tèmoins posthumes, etc.)

            A boa fé e a honestidade da “Revue Spirite”, de Paris, fazendo-se veículo de um fato escandaloso, por atingir uma das bases das investigações de Bourniquel, vem mostrar à evidência a sinceridade que os verdadeiros espíritas desejam que reine sobre as suas investigações, muito embora se pudesse alegar que cem fraudes não destroem a verdade controlada uma só vez e que os mais notáveis médiuns, como Eusápia Paladino, foram apanhados em fraude.

            Veja, porém, que me estendo demasiado em entrar no verdadeiro objetivo desta carta, escrita especialmente para apresentar-lhe um exemplo a mais, às suas interessantes afirmativas sobre o fenômeno da morte aparente.

            A narrativa, que me foi feita pelo Sr. J. G., capitalista, homem culto e lúcido, eu a ouvi na presença do meu ilustre amigo Dr. Domingos Barbosa, este ano, em S. Lourenço.

            O Sr. J. G. internara sua esposa numa das mais afamadas casas desta capital, para sujeita-la a uma delicada operação cirúrgica. Realizada essa, foi declarado pelos médicos presentes, depois de rigorosa verificação, que a operada sucumbira. Estava morta.

            O marido, não se conformando com o veredicto dos médicos, fez com que ministrassem à morta – várias injeções, sem o menor resultado.

            Isso aconteceu à tarde. Amigos e parentes se encarregaram das providências exigidas em tais casos e o corpo foi vestido devidamente, rodeado de círios e coberto de flores, enquanto aguardava a hora do enterramento, que seria no dia seguinte.

            Ao velar, longas horas durante à noite o – cadáver – de esposa, o Sr. J. G. não se conformava com o desenlace brusco daquela vida tão cara aos sentimentos de amor conjugal.    Era como a gota d’água a bater naquele monoideísmo tenaz. Ela não morreu!

            Quase à meia noite conseguiu ele, ainda uma vez, que o médico de plantão num gesto mais de delicada concessão social, que de alcance científico, desse no – cadáver – mais uma injeção, aliás sem resultado algum.

            Pela madrugada, ao passar pela porta do quarto onde estava a – morta – um enfermeiro, pediu-lhe para sair. J. G. ainda uma vez, que obtivesse do médico de serviço o favor de fazer mais uma injeção no corpo da esposa, porque –estava certo de que ele não morrera. O enfermeiro propôs lhe de preferência um calmante para os nervos, visivelmente abalados pelas emoções violentíssimas que havia sofrido o já então viúvo. Não era mais possível recurso algum, além de que o médico de plantão estava dormindo. Não se conformou o Sr. J. G. com a a desculpa do enfermeiro e foi em pessoa acordar o médico e pedir lhe que mais uma vez desse uma injeção no corpo, considerado há muito como cadáver. Após relutância feroz e quase agressiva, o médico, vendo que não havia outro meio de repousar, consentiu em levantar-se e ir à câmara mortuária, fazer - pela última vez - uma tentativa de trazer de novo à vida a operada de véspera. Feita a injeção, momentos depois o corpo começou a suar, não tardando a manifestação de movimentos de pálpebras, denunciando a vida.

            Tão sensacional foi esse caso, que ainda agora, segundo diz o Sr. J. G. , o ilustre diretor da casa de saúde onde ele se deu  quando se encontra o ex viúva, tem por costume perguntar lhe – “Como vai a nossa ressuscitada?”

            Como explicar este fato? Simples coincidência de morte suposta com o abalo nervoso do esposo inconsolável? Monoideísmo resultante de ligação ódica entre os esposos? Sugestão de qualquer entidade invisível?

            São passados quatro anos, desde que Mme. J. G. voltou à vida. Dizem os médicos que foi a injeção que fez voltar à vida o corpo da morta aparente. Oficialmente está certo. Se os médicos tem o privilégio      de decretar a morte, devem tê-lo também para sancionar a volta à vida...

            Madame J. G. até hoje está viva. Ela mesma ouviu a narrativa de sua morte e sorria ao esposo amantíssimo, ao vê-lo narrar o seu desespero, quando a julgou perdida para sempre.

            Sem mais, desculpando-me da importunação, peço-lhe que me considere sempre um dos seus mais atentos leitores e admiradores.


Bilhetes

 

Bilhetes

por G. Mirim (Antônio Wantuil)

Reformador (FEB) Dezembro 1946

 

    “Rogo-vos, irmãos, que noteis bem aqueles que causam as dissensões e os escândalos contra a Doutrina que aprendestes, e apartai-vos deles; porque esses tais não servem ao Cristo nosso Senhor, mas ao seu ventre; e com palavras doces e lisonjas enganam os inocentes.  Paulo – Rom. XVI-17-18.

             As palavras acima transcritas, extraídas da Epístola do grande e incomparável Apóstolo dos Gentios, representam uma advertência a quantos tenham ingressado nas fileiras espíritas. Elas merecem meditadas na atualidade, diante do trabalho dos espíritos adversários que sopram, através dos seus médiuns, as dissensões e consequentes escândalos tão do gosto dos adeptos das velhas religiões, por lhes favorecerem os planos de enfraquecer-nos, aproveitando-se da desunião da família que, se unida, representaria sério embaraço aos seus planos de domínio das consciências.

            Com palavras doces, cheias de aparente amor pela Doutrina, lisonjeando um grupo ou uma criatura, à cata de auxiliares favoráveis aos seus planos, fingindo-se cheios de boas intenções, esses tais, diz o Apóstolo, procuram satisfazer ao próprio ventre, às suas ambições autoristaristas, lançando ataques, distribuindo conselhos separatistas, gerando confusões, deturpando propósitos nobilíssimos, espalhando mentiras, demolindo sempre, sem respeito à verdade dos fatos. 


Reencarnação - Cap. VI-a - As causas dos nossos sofrimentos

  “Reencarnação

- estudo sobre as vidas sucessivas."

Capítulo VI a  ‘As Causas Dos Nossos Sofrimentos’  

 por Aurélio A. Valente 

Editora: Moderna - Ano: 1946

Biblioteca Espírita Brasileira

Nota do blog: Após a postagem, melhor identificaremos cada um dos citados ao longo deste capítulo.

 

            Em qualquer parte do mundo que paremos para observar a humanidade, ficamos impressionados com os contrastes. Ao lado dos palácios há sempre casos humildes; defronte de um prédio, onde, entre prazeres e risos, festeja-se o nascimento de uma criança, vemos pessoas circunspectas, com semblantes angustiados acompanhando um enterro; perto de um clube onde dança-se, canta-se e come-se regaladamente, há uma casa na qual pessoas tristes, com fisionomias sombrias permanecem em redor do leito de um doente em estado grave; perto de um edifício luxuoso onde se homenageia um homem de elevada posição social, presta-se socorro a um outro que foi esmagado por um carro, e assim, seria interminável a série de citações.

            Porque tudo isso, quando o objetivo de todos é ter uma vida ditosa: riquezas, bem estar, conforto, a felicidade, enfim, sob todos os seus aspectos?

            É que a Terra é um mundo de expiação, de sofrimentos sem conta, provações penosas, reparações cheias de embaraços. Aqui neste planeta está uma legião de espíritos desgraçados, falidos, para expurgarem-se de suas faltas, expiarem seus crimes, repararem todos os males causados, em busca da conquista de sua emancipação espiritual.

            O homem tem um objetivo sagrado, portanto; viver, mas viver bem, instruir-se para sair das trevas da ignorância, moralizar-se, espiritualizar-se, para alcançar uma situação mais favorável, em que a existência não lhe seja tão amarga e tão atribulada, e o pão de cada dia tão feio, duro, com sabor de suor e lágrimas.

            Todos nós temos o direito à vida, a usufruir aquilo que a natureza nos concede, porém, piores que animais, os homens, enchendo-se de egoísmo, vaidade e orgulho, querem suplantar os outros, de modo infame, sumamente abjeto, como não fizeram os nossos ancestrais, que não tinham as luzes da ciência e a revelação religiosa que hoje temos.

            Há momentos em que os homens apresentam-se com ambições de proporções assustadoras, parecendo que uns querem a desgraça dos outros para viverem livremente, embora tenham que pisar direitos alheios e saltar por cima dos cadáveres, e ainda se jactem de civilizados, instruídos e moralizados.

            Nas grandes calamidades, epidemias, enchentes, guerras, terremotos, há uma notícia que apavora mais que a encarcerados das penitenciárias. Semelhantes a hienas, eles se atiram sobre os cadáveres para despojá-los de todo que possa ser convertido em dinheiro; cortam os dedos para tirarem os anéis; arrebentam bocas retorcidas pelo terror, para arrancarem as dentaduras que tenham ouro, profanam os corpos mutilados; violam tudo, e fogem rapidamente a fim de gozarem longe, o produto de tão miserável e lúgubre rapina; mas... se esses entes nos causam horror e revolta pelo desrespeito aos mortos e pela desgraça alheia, piores ainda, mil vezes piores, são aqueles que espoliam os vivos.

            Na ocasião das crises econômicas e financeiras, aparecem abutres que esvoaçam sobre os homens, para alimentarem-se da sua carne, da sua miséria, das suas horas de fome, enfermidade e incertezas de conseguir uma casa para morar. Essas criaturas destituídas de todo sentimento nobre, querem enriquecer, querem ser felizes, gozar conforto, preparar o futuro para uma velhice descansada, querem divertir-se em casinos, cabarés, gastar prodigamente no jogo, satisfazer os seus caprichos sensuais com mulheres sem juízo.

               E esses fatos repetem-se em todos os tempos, em todos os países, sem que haja uma força humana capaz de refreá-los. Tudo isso é produto do materialismo. É essa ideologia desagregadora dos laços da fraternidade que leva os homens a agirem de modo pior, mil vezes pior que os animas. E ainda dizemos que o mundo está civilizado!!! Essa ideologia adulterou os princípios religiosos e cada um quer fazer sua própria religião, coadunando o seu caráter de moralidade precária com a religião de convenção social.

            O Espiritismo pretende acabar com esses desregramentos, com essas ambições sem termos, ensinando a Lei da Reencarnação, e procurando educar o povo para estabelecer no mundo uma “Nova Era de Fraternidade”, advertindo a todos que ninguém entrará no reino de Deus sem haver pago o último centil, segundo sentenciou Jesus.

            A nosso ver, é um grande erro que está arraigado na humanidade, atribuir-se à inflação monetária todos os males de uma situação de emergência, às crises econômicas as causas das revoluções. Todos os males que afligem a humanidade terrena têm um só nome - a crise espiritual.

            Queres uma prova, leitor? Ei-la:

            “Um homem talentoso, artista, dotado de sentimentos morais, finos e elevados, achava-se desde a mocidade afetado de um desejo que tinha por objeto exclusivo as meninas de cinco anos. Os vestidinhos curtos, as pernas â mostra excitavam-no loucamente. Desde que as crianças cresciam, e mesmo antes de se tornarem púberes, pediam para ele todo atrativo. Os adultos, homens e mulheres foram-lhe toda a vida indiferentes. Sua paixão intensa eram as meninas. Reconhecendo cedo essa anomalia do seu desejo, conseguiu dominá-lo toda a vida. Contentava-se em acaricia-las sem lhes fazer mal e sem que percebessem os seus secretos sentimentos. Seus sentimentos morais e seus princípios foram sempre bastante fortes para impedirem-no a ir mais longe. (“A Questão Sexual”, de Augusto Forel, páginas 252-253).

            Os grifos são nossos.

            É um caso isolado, pode-se objetar, todavia, u fato só tem impedido de uma proposição firmar-se em teoria. É um exemplo e basta, porém, afirmarmos, não é um caso isolado.

            Esse homem julgou-se realmente doente e recorreu ao médico, porém, quantos estão nessas condições e consideram-se bons? E quantos compreendendo que estão efetivamente enfermos não ousam confessar a ninguém a sua penosa situação, dominam-se e nada confessam?

            Desse modo, não se deduz logicamente que um homem espiritualmente elevado é capaz de resistir a todas as tentações do mal? Acaso o homem probo não prefere passar fome e miséria a conspurcar o seu nome? Quantas mulheres preferem morrer a manchar seu corpo com o contato impuro de um atrevido sensual? Quantas mulheres sacrificam-se pelos seus filhos e maridos que as martirizam contribuindo para a sua beleza estiola-se pouco a pouco, como uma delicada flor a fanar-se sob os raios ardentes de um sol de estio.

            É preciso educar o povo para acabar com essas desgraças. Agora que o mundo prepara-se para o porvir de após guerra, sistemas sobre sistemas inventam-se; todavia, nenhum resultado satisfatório será obtido, se não houver a espiritualização do mundo. E para isso, é preciso instruir e educar o povo nos elevados ensinamentos da Doutrina Espírita, que é a própria Doutrina de Jesus – em Espírito e Verdade...

            Educar é ensinar, mas ensinar com a Verdade, e não sob convenções puramente sociais de castas e privilégios.

            Educar é ensinar a alguém que não devemos fazer o mal, não por medo da polícia ou do cárcere, mas pelo horror ao crime e ao erro. O homem de bem não teme a polícia, nem se apercebe das leis repressivas, entretanto tem medo de manchar a sua consciência, a sujar suas mãos com qualquer ato vergonhoso. A sua confiança no seu valor pessoal é tanta que nunca se arma para defender-se mesmo quando ameaçado.

            E essa educação que preconizamos, dentro dos sãos princípios do Espiritismo deve ser ministrada sem tirarmos a liberdade do nosso semelhante, pois esse bem do Céu vem diretamente de Deus e deste modo é necessário respeitarmos. Aquele que não a devem ter, ficam paralíticos, mas conservam a sua faculdade de raciocínio, logo, ainda lhe fica a liberdade de consciência. Meditando sobre esta verdade foi que o grande pensador Victor Hugo disse: “é permitido, mesmo ao mais fraco, ter uma boa ideia e expô-la.” 

            Dos Estados Unidos da América do Norte, essa grande e gloriosa nação, veio-nos a afirmativa do que acabamos de dizer.

            A Lei Seca, que por meio da força tirou o copo das mãos dos viciados e até dos que não o eram e nem se excedam gerou a mais terrível categoria de bandidos que já assolou aquele País e quiçá o mundo: os gangsters, os bandos de salteadores e contrabandistas que usavam de todos os recursos da ciência moderna para o crime. Somente quando essa lei foi revogada é que eles extinguiram-se, assim mesmo com grande dificuldade.

            A humanidade terrena é uma aglomeração de seres de diversas idades espirituais, que trabalham sem cessar pelo seu próprio progresso. Por esta razão há os revoltados e os conformados, os broncos e os inteligentes, os maus e os bons, os fracassados e os vencedores, os apáticos e os idealistas.

            Para compreender essas aparentes desigualdades da sorte, é preciso recorrer ao Espiritismo, como já temos dito, estudando a lei dos renascimentos sucessivos.

            De modo geral, essa legião que povoa a Terra está vivendo em expiação - reparação – provação, e raramente em missão gloriosa e abençoada, pois assim o é sempre.


terça-feira, 31 de agosto de 2021

O Trabalho Espírita

 

O Trabalho Espírita

por Inaldo Lacerda Lima

Reformador (FEB) Julho 1966

             O Espiritismo, quando praticado por pessoas sérias, altamente responsáveis, estudiosas, muito tem de semelhança com o Cristianismo primitivo. Caracteriza-se pela simplicidade nos trabalhos, nas reuniões, nos serviços de auxílio aos necessitados; destaca-se pela moral elevada de seus adeptos ou obreiros que se esforçam no sentido de zelar pela pureza doutrinária; convence pela seriedade de seus movimentos sociais, confraternativos, intelectuais; faz-se respeitar pela sisudez do exercício mediúnico, em que as manifestações se apresentam completamente isentas de aparatos materiais, de ritos e outras esquisitices.

            Conforme nos elucidam relatos mediúnicos a respeito do modo pelo qual os discípulos de Jesus se comportavam, no exercício do mandato evangélico, após o drama do Calvário, o Espiritismo se apresenta como continuação da obra do Cristo, já agora de maneira mais avançada quanto ao teor de suas revelações, porquanto contando com possibilidades novas e com fatores proporcionadas por dezenove séculos de experiências diversas, por vezes dolorosas.

            O Centro Espírita de nossos dias, bem orientado nos princípios básicos da Terceira Revelação, constituído de elementos conscientes da Missão do Consolador entre os homens e despidos da roupagem perigosa do personalismo extravagante e doentio, muito se próxima da chamada “Casa do Caminho”, onde os apóstolos recebiam os filhos da dor e da tristeza para um duplo tratamento – a cura da alma e a correção da conduta.

            A preocupação inicial dos apóstolos, dando continuidade à obra do Mestre Jesus, não era de fabricar novos apóstolos, mas ajudar a Humanidade a despertar para uma consciência espiritual, religiosa. Eles sabiam que os apóstolos novos viriam natural e gradativamente na pessoa daqueles mais reconhecidos que, em recebendo o auxílio, em compreendendo a verdade, se resolvessem a FICAR, para sempre, entre os arautos da Verdade, na disposição sincera de se tornarem também obreiros.

            Essa mesma compreensão rege o trabalho espírita na hora presente, pois o espírita sabe que o propósito primeiro da doutrina revelada pelo Espírito da Verdade e codificada por Allan Kardec não é multiplicar espíritas, mas curar a Humanidade, despertando os homens para uma consciência cristã autêntica, iluminando o coração humano, preparando o mundo para o grande advento da Era do Espírito. Os espíritas crescerão em número, naturalmente. Todos os dias surgirão aqueles que, uma vez acordados, não se satisfarão apenas com a compreensão da necessidade de uma conduta de auto vigilância. Eles se integrarão no trabalho, conscientes de uma verdade sobremodo soberana e que muitos colaboradores antigos esquecem: não se compreende espírita de braços cruzados. Porque Espírita é aquele que constrói, que realiza, que constrói, que realiza a obra do Senhor, sempre humilde, compreensivo, paciente, porém, intimorato, decidido e guiado pelo bom senso.

            O trabalho espírita é obra inteiramente de amor e de alta responsabilidade. E o homem que já portador de uma consciência espírita sabe que a seara em que opera não é propriedade sua, mas de Deus, e cujo plenipotenciário é Jesus. Por conseguinte, diante do bem a ser feito, ele não espera uma ordem especial; ele realiza, ele trabalha. E se alguém cochila a seu lado, ele não exprobra, não brada, não acusa, não condena – mas adverte, compassivo e fraterno, que os trabalhadores de fato são poucos e os espíritas representam, na parábola evangélica, os obreiros convocados à hora última para a vinha o Senhor.  

            Trabalho espírita é, portanto, obra de consistência destinada a desafiar o próprio tempo e a sobrepor-se a interesses materiais e transitórios. É trabalho de unificação doutrinária, de fraternidade verdadeira, de integração cristã.

            Cada instituição religiosa é um centro vivo de comunhão espiritual; razão por que nos disse certa vez respeitável confrade a propósito do inesquecível companheiro Arthur Lins de Vasconcelos: “é um seareiro que se sente responsável pela edificação e desenvolvimento de qualquer sociedade espírita, em qualquer ponto do país onde ela se situe.”

            Eis um exemplo típico de conduta espírita, em que o homem espírita se sente no dever de amar a missão do Espiritismo, não apenas em termo de simpatia, mas sobretudo de dedicação, interesse e esforço.

            Presentemente, as atenções de todo o Brasil espírita se encontram voltadas para Brasília. É que a construção da Casa de Ismael, na nova Capital, parece apresentar-se como um teste do Mundo Maior à compreensão e no esforço de cada um de nós. Ao mesmo tempo que preocupa, entusiasma. Todos queremos ser parcela vivas para o sublime total. Todos opinamos pela divisão da responsabilidade do soerguimento do venerando edifício. Todos nos sentimos, nesta hora, mais do que nunca, espíritas. É a conclusão a que chegamos diante das mensagens refertas de fé, entusiasmo e empenho que de todos os recantos da Pátria do Evangelho chegam à Federação Espírita Brasileira.

            Não foi por acaso que o Codificador inscreveu, com caracteres de esperança, no pedestal simbólico da Doutrina viva: Trabalho, Solidariedade, Tolerância.

 





segunda-feira, 30 de agosto de 2021

Decálogo para Estudos Evangélicos

 Decálogo para Estudos Evangélicos

Por André Luiz / Chico Xavier

Fonte: Livro: ‘Lindos Casos’ de Ramiro Gama

 


         

         “Na noite de 21 de Março de 1952, no Centro Espírita Luiz Gonzaga, em Pedro Leopoldo, discutia-se sobre a melhor maneira de orientar a pregação espírita cristã, quando André Luiz externou-se a respeito do assunto, com a seguinte página, em psicografia de Chico Xavier:

 1. Peça inspiração divina e escolha o tema evangélico destinado aos estudos e comentários da noite.

2. Não fuja ao espírito do texto lido.

3. Fale com naturalidade. 

4. Não critique, a fim de que a sua palavra possa construir para o bem. 

5. Não pronuncie palavras reprováveis ou inoportunas, suscetíveis de criar imagens mentais de tristeza, ironia, revolta ou desconfiança. 

6. Não faça leitura, em voz alta, além de cinco minutos, para não cansar os ouvintes.

7. Converse ajudando aos companheiros, usando caridade e compreensão.

8. Não faça comparações, a fim de que se verbo não venha ferir alguém.

9. Guarde tolerância e ponderação.

10. Não detenhas indefinidamente a palavra; outros companheiros precisam falar na sementeira do bem."

sábado, 28 de agosto de 2021

Perseverança

 


Perseverança

por Juvanir Borges de Souza

in “Tempos de Transição” (pg. 266 1ª ed. FEB)

             “O adepto sincero da Doutrina Espírita, aquele que já assimilou seus princípios e procura vivenciá-los em sua conduta, dificilmente se deixa dominar pelas hesitações diante do desconhecido, ou de fatos novos, ou das constantes solicitações da vida, com seus variados graus de inquietudes.

            Isto se deve à própria natureza da Doutrina, que inspira segurança fundamentada na realidade viva das coisas e não em meras criações mentais. Estando o Espiritismo na ordem natural, concepções e criações da imaginação cedo ou tarde cedem à realidade...”

 


sexta-feira, 27 de agosto de 2021

O Espiritismo e a Mulher


O Espiritismo e a Mulher

Vinélius Di Marco / Indalício Mendes

Reformador (FEB) Junho 1962

            Vivemos num século de reivindicações gerais, num século de reajustamentos sociais, que representam indiscutível tomada de contas. Tudo isso, porém, se processa em ambiente de inquietação, porque o mundo vive assustado, presa do medo e sujeito a perturbações decorrentes da educação materialista em que se desenvolveu.

            Povos fracos realizam o velho sonho da autonomia, da autodeterminação, como é moda dizer-se, ansiando por dirigirem seus próprios destinos. O desmoronamento da opressão colonialista comprova a sabedoria dos Espíritos também quanto ao conceito de liberdade e justiça.

            Defendem as mulheres brasileiras, no momento, a modificação do art. 6º do Código Civil, que colocou a mulher casada em nível inferior ao do silvícola: “São relativamente incapazes a certos atos, ou à maneira de os exercer, os menores de idade, as mulheres casadas, os pródigos e os silvícolas.”

            Em virtude do regime patriarcal estabelecido no Brasil antigo, tão desumano quanto o matriarcado, ainda hoje as mulheres brasileiras sofrem inadmissíveis restrições e coações incompatíveis com a mentalidade moderna.

            No parágrafo único do referido artigo está dito que “os silvícolas ficarão sujeitos ao regime tutelar estabelecido em leis e regulamentos especiais, o qual cessará à medida que se forem adaptando à civilização do País”. Quer dizer que a lei se preocupou em amparar o silvícola, o que é mais do que justo, mas deixou a mulher entregue à própria sorte...

            Ainda há países onde as mulheres são tratadas como escravas, sujeitas ao domínio arbitrário e à vontade tirânica dos homens. Tudo isso terá de desaparecer e desaparecerá mais depressa do que se poderia prever há cinquenta anos.

            Vale lembrar que, há mais de um século, já continha ‘O Livro dos Espíritos”, codificado por Allan Kardec, a defesa da mulher.

            Considerava iguais aos direitos dos homens os seus direitos e afirmava que a inferioridade moral da mulher em certos países provém “do predomínio injusto e cruel que sobre ela assumiu o homem. É o resultado das instituições sociais e do abuso da força sobre a fraqueza. Entre homens moralmente pouco adiantados, a força faz o direito” (1)

            Perguntados: “... uma legislação, para ser perfeitamente justa, deve consagrar a igualdade dos direitos do homem e da mulher?” – os Espíritos responderam: “Dos direitos, sim; das funções, não. Preciso é que cada um esteja no lugar que lhe compete. Ocupa-se do exterior o homem e do interior a mulher, cada um de acordo com a sua aptidão. A lei humana, para ser equitativa, deve consagrar a igualdade dos direitos do homem e da mulher. Todo privilégio a um ou a outro concedido é contrário à justiça. A emancipação da mulher acompanha o progresso da Civilização. Sua escravização marcha de par com a barbaria. Os sexos, além disso, só existem na organização física. Visto que os Espíritos podem encarnar num e noutro, sob esse aspecto nenhuma diferença há entre eles. Devem, por conseguinte, gozar dos mesmos direitos”. (1)

            É indispensável que ambos, o homem e a mulher, compreendam a alta significação do papel que representam na vida e não se deixem vencer por sentimentos que conduzam à debilitação da família. Não devem esquecer que o cumprimento dos deveres importa muito mais do que a satisfação de alegados direitos. Cada qual precisa sacrificar um pouco do seu próprio “eu” em benefício da vida matrimonial, da harmonia que pode tornar imperecível o amor conjugal. A humildade esclarecida é tão útil quanto a necessidade de saber renunciar.

            Por qualquer coisa, nos dias que correm, sobrevêm desquites, frutos de divergências entre esposos que não se esforçam, as mais das vezes, para encontrar um clima de compreensão real. A educação materialista afrouxa o sentimento. Num mundo dito cristão, mas que de cristão só guarda a aparência, quem domina e decide é o materialismo, desde o lar à vida mundana. O desequilíbrio moral provém justamente do abandono dos princípios evangélicos. Pensa-se muito em dinheiro e em prazeres nem sempre defensáveis. No ambiente materialista do mundo atual, os assuntos do espírito não interessam tanto quanto aqueles que proporcionam vantagens imediatas. Falta reflexão, não há tempo para pensar no espiritual. A vida é absorvente, agitada, fatigante, porque o dinheiro e os prazeres dos sentidos exigem muito da criatura humana não espiritualizada.

            Os Espíritos ensinam que os dois – homem e mulher – cabe “o dever de se ajudarem mutuamente a suportar as provas de uma vida cheia de amargor” (1) quando a provação lhes bate à porta.   

            Os vícios sociais, a ambição de aparecer bem nas reuniões elegantes, a vaidade exacerbada, a escassa noção de responsabilidade familial, provocam atritos entre os cônjuges. Cada vez um exige mais do outro e as exigências acabam por abrir entre eles um abismo. Somos favoráveis ao remédio do divórcio, quando a incompatibilidade entre marido e mulher é irremediável. Reprovamos, porém, a fragilidade dos laços matrimoniais atualmente, pois se rompem pelos mais fúteis e ridículos pretextos.

            A razão dessa fragilidade está na falta de educação moral, na ausência de obrigações espirituais, na carência de orientação evangélica, que subordinem o homem e a mulher a preceitos éticos indispensáveis à estabilidade do vínculo conjugal.

            A mulher acha bonito fumar e beber álcool, frequentar reuniões e espetáculos impróprios à visita da virtude. As conversações livres são comuns, durante as quais o tema preferido é o sexo. Pensa-se muito no adultério e há quem considere a infidelidade uma demonstração de bom-tom... As peças de teatro e os filmes cinematográficos, com poucas exceções, oferecem tramas licenciosos, porque asseguram excelentes tramas licenciosos, porque asseguram excelentes resultados financeiros. No rádio e na televisão, o “humorismo” predominante é deletério, acintosamente imoral. Eles entram livremente, pelo som e pela imagem, na intimidade dos lares. Para lá dirigem os germes da corrupção moral, de forma sutil, insidiosa, simuladamente humorística, mas que tem por fim gangrenar o espírito da mulher, da criança, da juventude. As canções, tanto no Carnaval como fora dele, têm, não raro, muita inconveniência. Mas são gravadas e difundidas pelo Brasil inteiro.

            Para combater essa ofensiva organizada da corrupção, somente a educação moral com base evangélica poderá ter efeito. Mas será um trabalho moroso, embora de resultados fecundos, se convenientemente orientado. É mister, por isso, que se lute com o bem para rechaçar o mal.

     (1)     “O Livro dos Espíritos”, Allan Kardec, edição 1950, Cap. IX – Da lei de igualdade, n° 817, 822 e 819.    


quinta-feira, 26 de agosto de 2021

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Doutrina, aviso e conselho,

Dentro de casa ou no templo, 

Só valem quando mantidos

No clima do bom exemplo. 

                                                                                                   Reformador (FEB) Junho 1962

Comentários - 2

 

Muito luxo, muita festa,

Muito aplauso e muito vinho 

São nevoeiros dourados

Para ensombrar o caminho. 

                                                                                                   Reformador (FEB) Junho 1962

Comentários - 1

 

Chico Xavier

Se aspiras a triunfar,

Maneja as armas do amor. 

Jesus, cansado e vencido,

Foi o grande vencedor. 

                                                                                                   Reformador (FEB) Junho 1962

Cantigas do coração - 2

 

Sofre muito quem bem ama...

E não existe outro jeito. 

Sem amor, o coração 

Seria pedra no peito.

Reformador (FEB) Junho 1962

quarta-feira, 25 de agosto de 2021

Cantigas do coração


Ante a morte, ante os adeuses,

Ante os espinhos à frente,

Coração, chora de leve!..

Quem partiu está presente.

                                                                                                                                                    Reformador (FEB) Junho 1962

terça-feira, 24 de agosto de 2021

O Temor da Morte

O Temor da Morte

"Os espíritas não temem a morte por não terem dúvidas sobre o futuro, 

encaram sua aproximação a sangue frio,

 como quem aguarda a libertação pela porta da vida 

e não pela porta do nada."

Allan Kardec (Capítulo II de "O céu e o Inferno") 

sábado, 21 de agosto de 2021

Versejando...

 


"Suporta as mágoas do mundo.

Não te lastimes em vão.

O céu refulge mais lindo

Nas horas da escuridão."

Ormando Candelária 

por Chico Xavier

Reformador (FEB) Janeiro 1965


quinta-feira, 19 de agosto de 2021

Reformador (FEB)

 


‘Reformador’

             Revista criada pelo português Augusto Elias da Silva em 21 de Janeiro de 1883, visando a mais ampla divulgação do Espiritismo, logo transformou-se em porta voz oficial da Federação Espírita Brasileira (FEB), nascida poucos anos após. ‘Reformador', por 50 anos, foi o grande divulgador da mensagem espírita, enriquecida, após, com o início da “Era Chico Xavier”, caracterizada pelo lançamento do livro “Parnaso de Além-Túmulo, em 1932. ‘Reformador’ é rico em mensagens seja do Plano Maior seja de escritores encarnados, à época em que foram publicadas. Umas poucas foram selecionadas para compor esta página. Esperamos que sejam de seu agrado.

 

“Um ser que morre, uma folha que que cai, um mundo que desaparece, não são, nas harmonias eternas, mais do que um silêncio, necessário a um ritmo que não conhecemos ainda.”    

Luiza Michel, Maio 1903

 

“Com que cuidado se devem cultivar as

Pequenas virtudes que brotam dos pés da cruz!

São elas: a humildade, a paciência, a doçura,

a benignidade, a condescendência, a jovialidade,

a compaixão, o perdão das ofensas, a simplicidade,

a candura, em suma: Toda espécie de virtudes que,

semelhantes à modesta violeta, amam a obscuridade,

sustentam-se com o orvalho e, embora façam pouca

sombra, embalsamam o ar de suave fragrância.”

Anônimo, Maio 1903

             

“As boas ações triunfam da modéstia do seu

autor e de toda a simplicidade que as acompanha.” 

Lúmen Setembro 1903

 

                                                “Bem morrer, é morrer como Leônidas pela

    Pátria, como Sócrates pela razão, como Jesus pela

Fraternidade. Sócrates morre por inteligência e

 Jesus por amor: não há nada maior e mais doce:

 Felizes, entre todos, aqueles cuja morte é bela!”

Vitor Hugo, Junho 1903

 

“Agradece ao Pastor

Pobre rebanho humano,

A promessa cumprida:

Que depois do Sinai e do Tabor

Nova revelação envia à dor terrestre

Com a palavra querida

Do nosso caro Mestre.”

Anônimo, Maio 1905


          “Na Terra, o tempo se conta pelos anos, No céu, conta-se o tempo pelas obras.”

                                                                                                                            Van Ruyn, Outubro 1905

          “As almas nobres amam o amigo fraterno no inimigo presente.”                                                                                                                                Lavater, Julho 1906

              “Para ser espírita, isto é, discípulo de Cristo, é necessário ter a verdade nos lábios, a pureza no coração e a luz na inteligência.”                                                F. Arjona    Junho 1906

      “A caridade que veste nus e alimenta os famintos está certa, mas não está justa, se desconhece o Evangelho no santuário de seu coração.”  Pedro Richard   Reformador (FEB)................