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domingo, 14 de julho de 2019

Mulher encurvada / Culto aos Sábados


Mulher Doente, Encurvada / Culto aos Sábados       
          
 13,10  Estava Jesus ensinando na Sinagoga em um sábado.
13,11  Havia, ali, uma mulher que, havia 18 anos, era molestada por um espírito de enfermidade que a mantinha doente: Andava curvada, e, não podia, absolutamente, erguer-se. 
13,12  Ao vê-la, Jesus chamou-a e disse-lhe: “ -Estás livre da tua enfermidade!” 
13,13  Impôs-lhe as mãos e, no mesmo instante, ela se endireitou, glorificando a Deus. 13,14 Mas, o sacerdote, indignado de ver que Jesus curava no sábado, disse ao povo. -São seis os dias em que se deve trabalhar; vinde, pois, nestes dias para vos curar, mas não em dia de sábado. 
13,15  “ -Hipócritas!” disse-lhes o Senhor. “ -Não desamarra cada um de vós, no sábado, o seu boi ou o seu jumento para os levar a beber? 
13,16  Esta filha de Abraão, doente há dezoito anos, não devia ser livre desta  prisão,  em dia de sábado?”
13,17 Ao proferir estas palavras, todos os seus adversários se encheram de confusão, ao passo que todo o povo, à vista de todos os atos que Ele praticava,se entusiasmava.



         Para Lc (13,10-13) -Mulher Doente, Encurvada - cabe recorrer a Antônio Luiz Sayão, em “Elucidações Evangélicas (ed. FEB)”:

            “Os judeus atribuíam a satanás, isto é, aos espíritos tudo o que não podiam compreender, nem explicar. Daí o empregarem muitas vezes o termo “possessão” referindo-se a casos que eram apenas de “doente”.

            O de que falam os versículos acima era um destes, de simples doença. Verifica-se isso, notando-se o seguinte: ao passo que o Evangelista, de acordo com o modo de ver de então e usando da linguagem então corrente, diz que a mulher estava possessa de um “espírito de enfermidade” -spiritum infirmitatis - Jesus, quando se lhe dirige, apenas diz: Mulher, estás livre da tua enfermidade - “ab infirmitate tua”. Entretanto, quando o caso era de possessão, isto é, de obsessão, de subjugação, Ele intimava o Espírito a que se afastasse.”

            Para Lc (13,14-17) -Culto do Sábado -   recorremos,  ainda,  a  Antônio Luiz Sayão,  em “Elucidações Evangélicas” (ed. FEB):

            “O sábado, Moisés o instituiu como meio de refrear a avareza, a cobiça, a ambição e a desumanidade dos senhores de escravos e de animais, que lhes não permitia descansar das fadigas do trabalho cotidiano.

            “O sábado foi feito em contemplação do homem e não o homem em contemplação do sábado”, como diz Marcos (2,27). Sua instituição representava uma medida útil, pois que destinada a proteger o corpo do esgotamento resultante do excesso de trabalho. Com esse único objetivo, é claro que de nenhum modo criava embaraço ou impedia a prática do bem. Como, pois, se poderia pretender defesa a de uma ação benfazeja, qual a de livrar um obsidiado das garras do seu obsessor, ou, como disse Jesus, libertar dos laços de satanás uma filha de Abraão?

            Note-se, porém, que o divino Mestre usou dessas expressões, não porque se tratasse de um caso de possessão, ou subjugação, por parte de espírito das trevas, mas, pois que assim o supunham todos, para que o seu ato fosse mais facilmente aceito, visto que, conforme ficou explicado na lição acima, o caso era de moléstia de enfermidade.”   

A Figueira Estéril




A Figueira Estéril                 

13,6 Disse-lhes também esta comparação: “-Um homem havia plantado uma figueira na sua vinha e, indo buscar fruto, não o achou. 
13,7  Disse ao viticultor: -Eis que há 3 anos venho procurando fruto nesta figueira, e não o acho. -Corta-a! -Para que ainda ocupa inutilmente o terreno? 
13,8  Mas o viticultor respondeu: -Senhor, deixa-a ainda este ano. Eu lhe cavarei ao redor e lhe darei adubo. 
13,9  Talvez depois disso dê fruto: Caso contrário, cortá-la-ei!”

          Para Lc (13,6-9) - A Figueira Estéril - leiamos a Antônio Luiz Sayão, em   “Elucidações Evangélicas” (ed. FEB):

            “Facilmente se apreende o sentido desta parábola, com a qual, sobretudo, o que Jesus teve  em mira foi por em evidência a longanimidade do Senhor e a assistência caridosa e devotada que incansavelmente nos dispensam os Espíritos prepostos à nossa guarda e progresso.

            Assim, segundo a parábola, aquele que se mostra rebelde às inspirações do seu anjo de guarda, ingrato à sua dedicação, indiferente ao auxílio que lhe presta, insensível a todos os benefícios que recebe; aquele que se obstina em viver contrariamente aos ditames da moral, sem dar, pelas provas por que passa, os frutos que devia produzir, é como a figueira que, apesar de todos os cuidados do agricultor, do auxílio que lhe dispensa, do adubo que lhe põe, permanece estéril, sem frutificar. Tem que ser cortada e retirada do campo onde fora plantada, pois que a sua permanência ali acabaria por prejudicar as outras plantas.

            Contudo, o agricultor, benévolo, paciente e desejoso sempre de vê-la produzir, não a corta logo; contenta-se em podá-la, na esperança de que, fortalecida assim a seiva que ainda lhe dá vida e que se acha como que adormecida, ela venha a se cobrir de frutos.

            Poda-a, pois, revolve-lhe a terra em derredor, chega-lhe em abundância estrume novo e espera.

            Verificando, por fim, que nada obteve, que estéril como era a árvore se conserva, manda cortá-la e lançá-la ao fogo, para que não continue a ocupar, junto das que abundantemente produzem, um lugar que pode ser ocupado por outra também produtiva.

            É o que faz conosco o Senhor.

            Ele nos faculta todos os recursos e meios de levarmos a efeito a nossa salvação, ou redenção, tendo chegado a enviar-nos o seu Filho bem amado, para nos mostrar, palmilhando-o até ao cume do Gólgata, Ele que nada tinha de que se remir, o caminho que à redenção conduz.

            Se, porém, apesar de tudo isso, perseverarmos na pratica do mal, temos que ser apartados da companhia daqueles que progridem, regenerando-se, para sermos lançados no fogo das torturas morais proporcionadas ao nossos delitos e crimes e das encarnações em mundos onde mais acerbos são os sofrimentos, até que, despertada a nossa consciência - a seiva espiritual que nos alimenta o ser - nos disponhamos à purificação dos nossos sentimentos, tornando-os, desse modo, dignos de receber, como co-herdeiros que somos, a parte que nos caiba da herança que Ele, o Pai Celestial, instituiu para todos os seus filhos, sem exceção.”


Luz para o Espírito



Só Deus é a Verdade total, só Ele a possui em toda a sua incomensurável extensão. Quanto a nós, peçamos a graça de ser gradualmente levados a uma claridade mais completa, que corresponda à que precisam nossos olhos. 
C. Wagner
 Reformador (FEB) Março 1923

Fenomenologia




FENOMENOLOGIA
Reformador (FEB) Abril 1923

Comunicações psicográficas

A 'Revue Spirite' transcreve da 'Luz y Union'  de Barcelona o seguinte caso:

Uma pessoa, desejosa de entrar em relações com um parente morto, visita Mme. Conant, médium psicográfica. Mas a médium, depois de apanhar o lápis, só escreve pontos e linhas incompreensíveis.

Depois de algum tempo, diz o médium contrariado: não continuemos, não há espírito nenhum que queira comunicar-se conosco.

Com grande surpresa sua lhe responde o visitante: É engano! Sinto-me feliz por ter vindo aqui. O sucesso foi completo! Antes de haverdes posto a mão sobre o papel, pedi mentalmente a um amigo que nos provasse sua identidade por sinais telegráficos, que ele conhecia muito bem.

Ele me deu esse prazer e tudo que me conta aqui é muito interessante.

A médium ignorava completamente o alfabeto Morse e estava convencida que escrevera sinais ininteligíveis.

A fé



A Fé transporta montanhas. 
A própria crença é muitas vezes uma montanha a ser transportada. Necessário se torna, pois, que a crença se melhore, se depure incessantemente 
e se conserve sempre na categoria de humilde instrumento da Fé.    
                                    
                                      C. Wagner                                             

Ditado


Bittencourt Sampaio

Ditados
Bittencourt Sampaio (espírito)
Reformador (FEB) Junho 1923

Meus filhos, com os meus votos de paz, no seio de Jesus, eu vos dou aqui uma miragem da vida do crente, nesta hora de agonias: a floresta espessa, fustigada pelo vento ululante e indomável.

Troncos seculares, lembrando colunas monolíticas, ramarias altas e vicejantes, estalam, trepidam, oscilam e caem com estrondo ao solo alagado pelo enxurro. O raio os fulmina, o vento os desgalha e, passada a tempestade, ei-los, lascados uns, outros nus, de rojo quase sempre, onde antes mais altaneiros e dominadores do horizonte se mostravam.

O pobre arbusto, a mimosa planta rasteira, a erva miúda, porém, nada sofreram; antes, lavaram-se nas águas fecundantes e no céu azul lhes surgem, no cair da noite clara, as estrelas que sorriem e que, sorrindo, vão a matinas, como prenúncio de um novo dia fecundo.

Bendita tempestade, para as humildes gramíneas, que se ocultam e rastejam no solo fértil.

Adeus, ou, melhor, até sempre e que a Virgem nos abençoe. 

quinta-feira, 11 de julho de 2019

Inspirações - 1



Inspirações – 1
por Angel Aquarod
Reformador (FEB) Março 1923

  ESPIRITISMO DEVE SER CRISTÃO?

Queres que te manifeste meu parecer sobre a controvertida questão de ser ou não cristão o Espiritismo.

O Espiritismo está ainda em formação e as diferentes tendências que em seu campo se refletem não são mais do que elaborações parciais, fragmentarias, para a constituição, um dia, de um todo solidário e harmônico.

Bem disseram os antigos definidores da ideia que o Espiritismo não era uma ciência, nem uma filosofia, nem uma moral, nem uma religião, senão, como aspiração para o futuro, a Ciência, a Filosofia, a Moral e a Religião, com o que, não se especializando em formas particulares, que excluam o que de verdade possam conter outras formas de expressão do ideal supremo, e marchando sempre de braço com o progresso, tem assegurada a sua durabilidade.

O Espiritismo, em verdade, é só Espiritismo, porque, sendo eclético, como o têm proclamado, na elaboração de seu corpo doutrinário, se bem se ligue, por este fato, a todas as escolas, das quais extra materiais para sua constituição, não concede exclusivismo a nenhuma. Da ciência toma os métodos de investigação e se nutre com suas verdades demonstradas; dos diferentes sistemas filosóficos seleciona quantos princípios que não chocam a razão ou não contradizem as verdades científicas; dos predicados morais existentes em ambos os mundos, o terrestre e o espiritual, manifestados ou quintessenciados, forma a sua ética. O sentimento religioso, puro, que em cataratas de luz desce das Alturas, sem forma alguma definida e menos exclusiva, de manifestação, e que, em maior ou menor desenvolvimento existe no íntimo da alma humana, o caracteriza como religião: religião da consciência, religião do sentimento, religião do amor; sem ritos, imagens, sacramentos, hierarquias sacerdotais, nem dogmas encobertos e indiscutíveis.

Deste modo, ainda que o Espiritismo seja só Espiritismo, enquanto permanece no período de sua formação, não vem fora de propósito qualquer adjetivo que se lhe adicione, para significar aquele de seus aspectos a que se faz referência, e, por conseguinte, tendo em conta o aspecto que de preferência cultiva um adepto, que ele aplique a si mesmo (ou lhe apliquem) o adjetivo com que se qualifica e determina esse aspecto.

Se, pois, não é fora de propósito, nem envolve impropriedade alguma que os espíritas, que cultivam principalmente o Espiritismo sob sua face científica, se denominem de científicos, não será tampouco heresia qualificar-se, respectivamente, os outros de psiquistas, filosóficos, humanitaristas, sociológicos, racionalistas, ecléticos, ou cristãos, segundo o aspecto (dos vários que integram o Espiritismo) que lhes mereçam preferência para ser cultivado e professado, ou a tendência ideológica predominante em suas almas para manifestar seus sentimentos. Assim, poderá ser cristão o Espiritismo? Como não há de poder sê-lo - respondo - se se pode afirmar, sem que seja possível demonstrar o contrário que ele é o complemento necessário do Cristianismo, já anunciado pelo Divino Mestre com o nome de “Consolador”?

Negar caráter cristão ao Espiritismo é negar-lhe o principal fundamento; é, além disso, decapita-lo, uma vez que a obra de Kardec - toda ela - assenta sobre o ideal cristão. Porque, é de supor que não se pretenda fique o Espiritismo circunscrito ao fenômeno físico, afastadas as consequências naturais e indeclináveis, isto é, as revelações e ensinos de caráter filosófico, moral e religioso, obtidos dos Espíritos, mediante o fenômeno mediúnico.

Todo o Espiritismo kardecista, e não kardecista, é uma solene e categórica afirmação cristã, e quem não queira reconhecer esta verdade está no seu direito, porém sua negação jamais destruirá a verdade afirmada e de maneira alguma chegará a constituir estado no campo espírita.

Poderá alegar-se ser problemática a existência do Cristo histórico. Pode, para muitos, ser problemática tal existência; porém, esses muitos não podem pretender formar escola dentro do próprio Espiritismo, com pretexto tal, pois que se encontram ante o dilema de, ou reconhecer que o Cristo existiu, ou repelir, totalmente, o Espiritismo em cujo nome pretendam repudiar o ideal cristão de seu seio. Se o Cristo não existiu, noventa por cento, quando menos, dos testemunhos dos Espíritos, em suas manifestações de além-túmulo, seriam falsos; porque não menos que a indicada é a proporção dos desencarnados que afirmam a existência do Cristo, declarando-se, muitos deles, testemunhas oculares da passagem do Redentor pela Terra e seus próprios discípulos. Não são poucos, igualmente, os que afirmam estar a seu serviço, que o veem, recebem suas ordens, acrescentando alguns que não só a direção invisível do Espiritismo está nele vinculada como também a da evolução do planeta, do qual o apontam como supremo Governador.

Ante a sã razão, um espírita, dos que possam chamar-se “de corpo e alma”, não pode sustentar um critério anticristão, nem menos pretender que renunciem os adeptos no título de cristãos, desde que o Espiritismo é o continuador do Cristianismo, seu complemento, como já disse, que o desenvolve, explica e esclarece, tirando-o do domínio da letra, para elevá-lo ao domínio do espírito, rasgando o véu de todos os mistérios, segundo testemunhos dos Espíritos desencarnados.

Portanto o dilema é: ou aceitar o Cristianismo como fundamento do Espiritismo, e sobretudo nos seus aspectos filosófico, moral e religioso, ou declarar que o Espiritismo é uma enorme mistificação e fugir dele como de algo que empesta. Porque, a não ser cristão, falsas seriam as comunicações dos Espíritos que o fundaram e dos que depois têm continuado a manifestar-se, ratificando a doutrina daqueles, e então em desagravo à verdade e à justiça, se impunha a necessidade de um soleníssimo “auto de fé”, em uma praça pública, para reduzir a cinzas numa pira, a quase totalidade das obras e publicações espíritas, que sustentam e defendam a mesma doutrina, por falsários.


Eis aí o dilema em toda sua terrível nudez. 

terça-feira, 2 de julho de 2019

O Evangelho na solução do grande enigma


O Evangelho na solução do grande enigma
por Camillo Silva

Reformador (FEB) Janeiro 1933

Desde as mais remotas eras homens tem havido que procuram resolver o problema da Vida espiritual, sem todavia encontrarem uma solução completamente satisfatória.

Os disseminadores das verdades do além-túmulo, em todas as épocas e sob vários aspectos, hão encontrado relativa facilidade para infiltrar nas massas humanas a crença na existência de um Ser Soberano, que rege o Universo, e na imortalidade da alma. Porém, a crença com que geralmente se depara na maioria das criaturas e cheia de obscuridade, de dúvidas e de incertezas.

Não sabendo, nem podendo explicar e, menos, justificar as múltiplas contingências dolorosas, a que não logram esquivar-se os pobres habitantes da terra; as condições do meio ambiente pouco salubre; as influências dos seres audaciosos ou perversos, tanto do plano material, como do invisível; os sofrimentos morais de toda ordem, que dilaceram as almas; as enfermidades físicas que entristecem os lares, ou enchem os leitos dos hospitais e outros inúmeros infortúnios, diante dos quais falta em muitos a resignação para os sofrer ou enfrentar serenamente e deles colher bons frutos, por ignorarem que as dores do presente têm origem no passado, em existências malbaratadas, maculadas por delitos de toda sorte, quase todos se deixam dominar pelo desânimo ou empolgar pelo desespero, com que ainda mais agravam a sua situação, atolando-se no pântano infecto dos vícios, mergulhando no mar revolto das paixões más.

Prova irrefragável é de que as religiões que o mundo já conheceu não conseguiram - pelo menos até hoje - refrear os ímpetos do desvario humano. Brahma e Buda, na Índia; Confúcio, na China, Moisés, no Egito; Sócrates e Platão na Grécia; Cristo, na Palestina; Maomé, em Meca, Kardec, na França, constituem, no dizer de Victor Hugo, fachos que surgiram no mundo a derramar luz, de acordo com as épocas e as regiões em que foi preciso aparecessem, e com as exigências do ponto de evolução em que o homem se encontrava.

Entretanto, malgrado a esses luminares, a humanidade ainda é bastante pervertida e sofredora!..

Será que os fachos de luz, a que alude o Grande Espírito de Victor Hugo, numa mensagem do além, pelo médium Fernando de Lacerda (‘Do País da Luz’ 3° vol.) não tenham tido a potencialidade suficiente para dissipar as trevas que envolvem as criaturas deste Orbe?

Não, que Deus, infinitamente sábio e misericordioso, não dá óbolos deficientes a seus filhos. Então, qual a causa do fenômeno? Em primeiro lugar, o livre arbítrio que todos possuem e que, embora relativo, é uma realidade, pois, do contrário, seriam os autômatos, em vez de autônomos, visto que, sem liberdade, não pode haver responsabilidade. Em segundo lugar, todos os indivíduos humanos, com exceção dos missionários são Espíritos falidos, que ainda conservam o seu íntimo fortemente influenciado pelos fatores horríveis de sua queda originária, o orgulho, o egoísmo e seus derivados, apesar dos muitos séculos já decorridos, fatores que predominarão até quando, pelos sofrimentos, lutas e trabalhos incessantes, os possamos eliminar.

Do manto tenebroso dos vícios e paixões que, animalizados, carregamos desde longas eras, muito nos custará despojar-nos, porque é bem certo o prolóquio: - os hábitos formam uma segunda natureza. Além disso, o esquecimento do passado, de outras vidas precedentes, mais acentuado nos que encarnam em mundos inferiores, por uma necessidade que a Doutrina Espírita explica perfeitamente, concorre para dificultar a marcha ascensional da humanidade, em demanda da perfectibilidade.

Há também um fato curioso, que sempre se verificou e ainda ocorre entre os seres terrenos: o de prevaricar o homem a todo o momento e mostrar-se lamentavelmente baldo de coragem ou de envergadura moral para sofrer as inevitáveis consequências das suas prevaricações, embora sabendo que qualquer ação gera, mediata ou imediatamente, um efeito correspondente, seja qual for a natureza dela - moral ou material.

Ora, isto forçosamente há de também contribuir para obscurecer os cérebros e perturbar as almas, e contribui, de fato, a ponto de impedir, de modo bem sensível, a assimilação da luz celestial, espargida pelos missionários que Deus envia ao mundo, o que faz parecer à primeira vista - quando em realidade assim não é - deficiente essa luz para esclarecer os Espíritos humanos, com o conhecimento dos altos destinos e esplêndidas perspectivas que lhes estão reservados.

Pois que o século que atravessamos, mais exigente se mostra do que os anteriores, no que concerne à observação e à análise, não há negar que a doutrina codificada por Allan Kardec é a que contém luz mais intensa para esclarecer e encaminhar os calcetas terrenos pela verdadeira estrada do progresso, traçada por Deus.

Porém, nesta doutrina, que é a Terceira Revelação, embora todos os seus adeptos estejam de pleno acordo quanto à sua base e a sua finalidade, nem todos, infelizmente, reconhecem o tríplice aspecto que a caracteriza de forma inequívoca e, ao mesmo tempo, encantadora: Ciência, Filosofia, Religião.

Assim é que alguns querem seja ela apenas ciência, outros, filosofia, e ainda outros, religião. Temos observado até censuras e críticas aos que pregam o Espiritismo pelo prisma moral, evangélico, feitas pelos que apenas o reconhecem pelo lado científico. São estes, principalmente - pois os que a aceitam como filosofia se mostram mais complacentes- os que, por vezes, classificam os que pregam o Evangelho de indivíduos possuídos de excessivo misticismo. Os que assim pensam, isto é, os que só admitem o Espiritismo como “uma ciência”, podem, não o duvidamos, estar bem intencionados; porém, a boa intenção nem sempre é documento bastante a garantir, de modo absoluto, a posse de um tesouro, mesmo em se tratando de enorme acervo de lucubrações intelectuais referentes a qualquer ramo de ciência, pois que os sábios de séculos anteriores foram, em muitas de suas concepções e afirmativas, rebatidos e contraditados de forma positiva pelos sábios de outros séculos mais recentes. A terra tem sido palmilhada desde todos os tempos por cientistas e filósofos, embora a maioria seja, no dizer de um alto Espírito: - “a do falso saber”. No entanto, a felicidade, a paz, a que todas as criaturas aspiram, até hoje não passou de delicioso sonho... de quimera, de utopia.

O Cristo, que é o Mestre dos mestres, quando veio ao mundo, apenas ministrou lições de amor fraternal e espiritual. Porque assim procedeu Ele, quando, sendo o maior dos sábios, tantas coisas transcendentais, sobre ciências e filosofias, nos poderia ter ensinado? Porque assim procedeu, quando vemos explicado sucintamente na obra de Roustaing que os Diretores de outros planetas, quando a estes descem, são recebidos festivamente pelas humanidades que os habitam, e recebem deles os mais preciosos ensinamentos e revelações de alto valor científico, filosófico etc.? É que nesses mundos, mais felizes do que o nosso, já não existe a ignorância que se gera do orgulho, do egoísmo, do materialismo!

Naqueles tempos, como infelizmente ainda hoje, o de que a humanidade mais necessitava era do conhecimento da terapêutica divina, capaz só ela de lhe curar as doloridas chagas da alma, chagas que nunca nenhum dos mais eminentes cientistas que o nosso mundo tem conhecido pode cicatrizar.

Portanto, aquele que procura seguir o roteiro traçado pelo Divino Mestre há vinte séculos, na Palestina, e hoje avivado pela luz brilhante da Terceira Revelação, não é místico, porém um ser inteligente, criterioso e esclarecido, que se esforça por cumprir os seus deveres para com Deus, que lhe fala através da consciência, e para com seus irmãos que habitam todos os planos materiais e siderais.

Sendo a ciência - no sentido literal - o conjunto dos conhecimentos humanos baseados na observação e no estudo, e sendo a filosofia a ciência geral dos seres, dos princípios e das causas, segundo Jayme de Segueir, ou: “amor da sabedoria”, conforme proclamava Pitágoras, compreende-se que esses grandiosos campos de ação do intelecto humano preocupem sobremaneira a todos quantos desejem desenvolver a mente. Porém, isso não basta, porque é necessário, indispensável mesmo, um critério são, uma razão esclarecida e, diante dessa circunstância, vemo-nos forçados a refletir nas palavras do Espírito de Michelet (‘Do País da Luz’, Fernando de Lacerda, 1º vol.), que assim falou:

“A primeira qualidade da razão devia ser a razoabilidade. Nos fatos de Natureza psíquica, quando a razão não os atinja, deixe atuar o sentimento... Nos fatos de natureza física, onde o sentimento hesite, deixe funcionar a razão. A razão é, de sua origem, fria e serena. Resultante da observação e do conhecimento adquirido, deve limitar-se a buscar, pacientemente, nos pecúlios que a enriqueçam. Negar o homem o que não conhece é começar por negar-se a si próprio, visto que tudo quanto ele é e tudo o quanto sabe foi sempre negado e repudiado.  
“Ela representa a soma do que o sentimento, essa coisa vaga, mas irresistível, que impele o progresso humano, arrancou ao desconhecido.”
 
Ora, se a boa razão só se consegue com a aquisição de sentimento e se este é a virtude por excelência, o que quer dizer - caridade em ação; se a caridade é justamente o que nos prescreve o Evangelho, claro está que deve ser este o escopo principal dos crentes espíritas, dos propagandistas em geral, sem olvidarem, no entanto, a parte científica e a filosófica, por úteis, indispensáveis mesmo, ao esclarecimento das inteligências e dos objetivos providenciais. Mas, se em Espiritismo a parte cientifica é o fenômeno, sob seus múltiplos aspectos e sob todas as modalidades que reveste e que variam ao infinito, e essa parte científica ainda está em seus primórdios, devido ao atraso moral da humanidade, é evidente que ele ainda nos reserva muitas surpresas, para quando descerem ao mundo (conforme ensina a obra de Roustaing, os Espíritos que no espaço se estão preparando para vir aqui auxiliar os cientistas em suas pesquisas e investigações. Serão os novos médiuns, possuidores de faculdades transcendentes, muito diversas e superiores a todas aquelas que já conhecemos, para maior avanço e progresso das ciências.

Demais, ninguém ignora que os fenômenos espíritas já conhecidos têm sido observados por muitos indivíduos, entre os quais se conta grande número que ainda continua a manter o mesmo ceticismo, ou indiferença de outrora. Todos apreciam, com maior ou menor entusiasmo, a maravilha de tais fenômenos; mas, não procuram conhecer a sua verdadeira finalidade, que é - o melhoramento, o aperfeiçoamento dos Espíritos !..

São prejuízos que precisam ser combatidos, pois que o Espiritismo tem por objeto destruir o materialismo, levantar os caracteres e não, apenas, satisfazer a curiosidades. Para tal se conseguir com bom êxito, convém que todos os propagandistas sinceros e entusiastas procurem uma forma criteriosa de obviar aqueles inconvenientes. Como consegui-lo?

Guardando fidelidade ao que se acha enunciado na primeira das Conclusões há pouco votadas pejo Conselho Federativo, constituído de representantes das Sociedades de todos os Estados do Brasil adesas à Federação Espírita Brasileira, nos seguintes termos, que a fizeram acolhida com imensa simpatia por todos aqueles representantes:

“Definida na codificação kardeciana como sendo a Terceira Revelação, ou, seja, o Consolador prometido por Jesus, as Sociedades adesas à Federação Espírita Brasileira reconhecem e proclamam ser o Espiritismo o mesmo Cristianismo em sua pureza e com o caráter de doutrina universal. Assim sendo e não podendo, em consequência, haver Espiritismo sem Cristianismo e não podendo haver Cristianismo sem edificação evangélica, as mesmas Sociedades reconhecem, como básicos para suas atividades, o estudo metódico e a a prática dos preceitos morais do Evangelho, à luz da Revelação Espírita”

Creio não ser preciso acrescentar mais, a fim de que se compreenda onde está a chave para a solução do grande enigma: - a felicidade humana!







segunda-feira, 1 de julho de 2019

Pedro professa sua fé




6,67 Então, Jesus perguntou aos doze: -Quereis vos também retirar-vos?” 
6,68 Respondeu-Lhe Simão Pedro: -Senhor, para quem iríamos nós? Tu tens as palavras da vida eterna; 
6,69 e nós cremos e sabemos que Tu és o Filho de Deus! 
6,70 Jesus acrescentou: “-Não vos escolhi a vós, os doze? Contudo, um de vós é diabo!” 6,71 Ele se referia a Judas, filho de Simão Iscariotis, porque era quem o havia de entregar, não obstante ser um dos doze.


           Para Jo (6,68), -Para quem iremos nós? Tu tens as palavras da vida eterna. -  tomemos  “Pão Nosso”, de Emmanuel por Chico Xavier:
                       
            “A medida que o Mestre revelava novas características de sua doutrina de amor, os seguidores, então numerosos, penetravam mais vastos círculos no domínio da responsabilidade. Muitos deles, em razão disso, receosos do dever que lhes caberia, afastaram-se, discretos, do cenáculo acolhedor de Cafarnaum.

            O Cristo, entretanto, consciente das obrigações de ordem divina, longe de violar os princípios da liberdade, reuniu a pequena assembléia que restava e interrogou aos discípulos:

            -Também vós quereis retirar-vos?

            Foi nessa circunstância que Pedro emitiu a resposta sábia, para sempre gravada no edifício cristão.

            Realmente, quem começa o serviço de espiritualidade superior com Jesus jamais sentirá emoções idênticas, a distância dEle. A sublime experiência, por vezes, pode ser interrompida, mas nunca aniquilada. Compelido em várias ocasiões por impositivos da zona física, o companheiro do Evangelho sofrerá acidentes espirituais submetendo-se a ligeiro estacionamento, contudo, não perderá definitivamente o caminho.

            Quem comunga efetivamente no banquete da revelação cristã, em tempo algum olvidará o Mestre amoroso que lhe endereçou o convite.

            Por este motivo, Simão Pedro perguntou com muita propriedade:

            -Senhor, para quem iremos nós?

            É que o mundo permanece repleto de filósofos, cientistas e reformadores de toda espécie, sem dúvida respeitáveis pelas concepções humanas avançadas de que se fazem pregoeiros; na maioria das situações, todavia, não passam de meros expositores de palavras transitórias, com reflexos em experiências efêmeras. Cristo, porém, é o Salvador das almas e o Mestre dos corações e, com Ele, encontramos os roteiros da vida eterna.”

            Para Jo (6,70) -o diabo - buscamos, na mesma fonte:

            “Quando a teologia se reporta ao diabo, o crente imagina, de imediato, o senhor absoluto do mal, dominando num inferno sem fim.

            Na concepção do aprendiz, a região amaldiçoada localiza-se em esfera distante, no seio de tormentosas trevas...

            Sim, as zonas purgatoriais são inúmeras e sombrias, terríveis e dolorosas, entretanto, consoante a afirmativa do próprio Jesus, o diabo partilhava os serviços apostólicos, permanecia junto dos aprendizes e um deles se constituíra em representação do próprio gênio infernal.

            Basta isso para que nos informemos de que o termo “diabo” não indicava, no conceito do Mestre, um gigante de perversidade, poderoso e eterno, no espaço e no tempo. Designa o próprio homem, quando algemado às torpitudes do sentimento inferior.

            Daí concluirmos que cada criatura humana apresenta certa percentagem de expressão diabólica na parte inferior da personalidade.

            Satanás simbolizará então a força contrária ao bem.

            Quando o homem o descobre, no vasto mundo de si mesmo, compreende o mal, dá-lhe combate, evita o inferno íntimo e desenvolve as qualidades divinas que o elevam à espiritualidade superior.

            Grandes multidões mergulham em desesperos seculares, porque não conseguiram ainda identificar semelhante verdade.

            E, comentando esta passagem de João, somos compelidos a ponderar: -Se, entre os doze apóstolos, um havia que se convertera em diabo, não obstante a missão divina do círculo que se destinava à transformação do mundo, quantos existirão em cada grupo de homens comuns na Terra?   
         

Incredulidade dos discípulos



Incredulidade dos Discípulos              

6,60 Muitos dos seus discípulos, ouvindo-o, disseram: -Duro é este discurso; Quem o pode ouvir? 
6,61  Sabendo Jesus que os discípulos murmuravam por isso, perguntou-lhes: “ -Isto vos escandaliza? 
6,62 Que será, quando virdes subir o Filho para onde estava antes? 
6,63 O espírito é que vivifica, a carne de nada serve. As palavras que Eu vos disse, são espírito e vida
6,64 mas, há alguns de vós que não creem...” Pois, desde o princípio, Jesus sabia quais eram os que não criam e quem o havia de trair; 
6,65  Ele prosseguiu: “ -Por isso vos disse: Ninguém  pode vir a Mim, se por Meu Pai não lho for concedido.” 
6,66 Desde então, muitos dos seus discípulos se retiraram e já não andavam com Ele.       

           Para Jo (6,60), -Incredulidade dos Discípulos -  tomemos  “Caminho, Verdade e Vida”, de Emmanuel por Chico Xavier:
                       
            “O Cristianismo é a suprema religião da verdade e do amor, convocando corações para a vida mais alta.

            Em vista de religião traduzir religamento, é primordial voltarmo-nos para Deus, tornarmos ao campo da Divindade.

            Jesus apresentou a sua plataforma de princípios imortais. Rasgou os caminhos. Não enganou a ninguém, relativamente às dificuldades e obstáculos.

            É necessário, esclareceu o Senhor, negarmos a vaidade própria, arrependermo-nos de nossos erros e convertermo-nos ao bem.

            O evangelista assinalou a observação de muitos dos discípulos: “Duro é este discurso; quem o pode ouvir?

            Sim, efetivamente é indispensável romper com as alianças de queda e assinar o pacto da redenção. É imprescindível seguir nos caminhos d’ Aquele que é a luz de nossa vida. Para isso, as palavras brilhantes e os artifícios intelectuais não bastam. O problema é de “quem pode ouvir ” a Divina Mensagem, compreendendo-a com o Cristo e seguindo-lhe os passos.”
           
            Para Jo (6,63) -As Palavras que Eu vos   disse,   são  Espírito  e  Vida -  leiamos
 “Palavras de Vida Eterna”, de Emmanuel por Chico Xavier:

      “Em todos os tempos surgem no mundo grandes Espíritos que manejam a palavra, impressionando multidões; entretanto, falam em âmbito circunscrito, ainda quando se façam ouvidos em vários continentes.

            Dante define uma época. Camões exalta uma raça. Shakespeare configura as experiências de um povo. Voltaire exprime determinada transformação social.

          A palavra de Jesus, no entanto, transcende lavores artísticos, jóias literárias, plataformas políticas, postulados filosóficos, fórmulas estanques. Dirige-se a todas as criaturas da Terra, com absoluta oportunidade, estejam elas nesse ou naquele campo de evolução. É por isso que a Doutrina Espírita a reflete, não por mera reforma dos conceitos superficiais do movimento religioso,  à maneira de quem desmontasse antigo prédio para dar disposição diferente aos materiais que o integram, em novo edifício destinado a simples efeitos exteriores. Os ensinamentos do Mestre, nos princípios espíritas-cristãos, constituem sistema renovador, indicação de caminho, roteiro de ação, diretriz no aperfeiçoamento de cada ser. Quando os manuseies, não te julgues, assim, apenas como quando se vê à frente de um espetáculo de beleza, junto do qual devas tão somente chorar, seja nutrindo a fonte da própria emotividade ou penitenciando-te, quanto aos próprios erros.

            Além das lágrimas, aprendamos igualmente a pensar, a purificar-nos, a reerguer-nos e servir.

            A necessidade da alma é semelhante à sede ou à fome, ao desajuste moral ou à moléstia, que são iguais em qualquer clima. A lição do Cristo é também comparável à fonte e ao pão, ao fator equilibrante e ao medicamento, que são fundamentalmente os mesmos, em toda parte.

            No trato, pois, de nós ou dos outros, é forçoso não olvidar que o próprio Senhor nos avisou de que as suas palavras são espírito e vida.”


Numa sinagoga em Cafarnaum



  Numa sinagoga em Cafarnaum
       
6,51 “ -Eu sou o pão vivo que desci do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente, e o pão, que Eu hei de dar, é a Minha carne para a salvação do  mundo;”  
6,52  A estas palavras, os judeus começaram a discutir, dizendo: -Como pode este Homem dar-nos de comer a Sua carne? 
6,53  Então, Jesus lhes disse: “ -Em verdade, em verdade vos digo: Se não comerdes a carne do Filho e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós mesmos; 
6,54 quem come a Minha carne e bebe o Meu sangue tem a vida eterna; e Eu o  ressuscitarei  no  último dia; 
6,55 pois a Minha carne é verdadeiramente uma comida e o Meu sangue, verdadeiramente, uma bebida; 
6,56  quem come a Minha carne e bebe o Meu sangue permanece em Mim e Eu nele; 6,57  assim como o Pai, que Me enviou, vive, e Eu vivo pelo Pai, assim também aquele que comer a Minha carne viverá por Mim; 
6,58  Este é o pão que desceu do céu, não como o maná, que vossos pais comeram e morreram. Quem come deste pão viverá eternamente.” 
6,59  Este foi o ensinamento de Jesus na sinagoga de Cafarnaum.

         Para  Jo ( 6,51-59),-O Pão da Vida - leiamos Bittencourt Sampaio por Frederico Jr, em “Jesus perante a Cristandade”:

            “Ouvindo estas verdades, muitos dos que cercavam o Divino Cordeiro murmuraram: 
duro é este discurso e não o podemos compreender!

            E por que não o podiam compreende?

       Porque buscavam nessa palavras a letra e tão-somente a letra, quando deviam procurar interpretá-las em espírito e verdade, desprezando o objetivo material que elas absolutamente não tinham.
            A carne de Jesus, o sangue de Jesus eram a sua doutrina; e o homem faminto de amor e sequioso de fé, devia comer dessa carne e beber desse sangue!

            E esse corpo aparente de homem, cumpria que Ele o entregasse à sanha dos escribas, para que, das suas dores, dos seus martírios, rebentassem, na superfície da Terra, as grandes sementeiras das quais os seus irmãos iriam colher os doces frutos do amor, da fé e da caridade.  

            Era duro o seu discurso e, porque não o compreenderam muitos dos que o ouviram, afastaram-se do Mestre Divino, deixando-o com os seus doze apóstolos, os amigos sinceros, aqueles com quem podia contar para a obra grandiosa da regeneração humana, espalhando, por toda parte, as luzes da sua Boa Nova, que um dia se traduziria na sublime apoteose da sua glória, pela concreção dos sentimentos apurados no cadinho da sua divina doutrina; o que nos tempos vindouros constituirá a maior prova, o maior testemunho da verdade por Ele ensinada, 
de que tudo sobre a Terra passaria, menos as suas palavras!