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sábado, 8 de junho de 2013

Purgatório



Purgatório

Emmanuel
por Chico Xavier
Reformador (FEB) Jan 1959


            Indubitavelmente, quando transviados na Terra, conduzimos para o túmulo o inferno do remorso, alojado nos escaninhos da consciência.

            É aí, nos precipícios da sombra, com os quais sintonizamos aspirações e desejos, que passamos a sofrer as justas consequências de nossos erros deliberados, azorragues de dor que nos atormentam a memória, nas telas sucessivas de agonia do arrependimento, como que a imobilizar-nos a ideia em cárceres de aflição e terror, resultantes de nossa própria criação mental a enovelar-se sobre nós mesmos.

            Entretanto, o Socorro Divino jamais falha e chega o momento em que o inferno convertido em purgatório salutar renasce conosco no berço terrestre, situando-nos, mediante a forma física, no reduto doméstico ou no quadro social suscetíveis de conduzir-nos ao reajuste.

            É por isso que vemos no mundo as mais dolorosas enfermidades e as mais aflitivas mutilações, de permeio com os desgostos familiares e com as provações mais profundas, a se revelarem através de inibições deploráveis, de chagas íntimas, de incompreensões, de amarguras, de miséria angustiosa e pauperismo desolador...

            Cada consciência que ressurge na carne, no campo da dívida a resgatar, carreia consigo a cruz salvadora em que se lhe redimirá o espírito, à frente da vida eterna.

            Não olvides, pois, que a riqueza da fé representa a claridade bendita em que é possível estender os talentos do amor, clareando os quadros de nossos gravames e compromissos.

            Lembra-te de que conhecimento superior traduz responsabilidade e que responsabilidade pede acerto de contas.

            A nós outros, portanto, a quem coube o quinhão maior da luz, compete o serviço incessante no bem dos outros, para que através da oportunidade de hoje possamos libertar-nos do purgatório de ontem, pavimentando em nós mesmos o abençoado caminho de ascensão a luminoso porvir.



Na Esfera Espírita




Na Esfera Espírita

Emmanuel
por Chico Xavier
Reformador (FEB) Jan 1959

            Realmente, saberás pronunciar as mais belas palavras;
            escreverás os livros mais nobres;
            produzirás poemas de eloquente beleza;
            reunirás multidões ao redor de tua vigorosa influência;
            exteriorizarás faculdades mediúnicas espantosas;
            materializarás os desencarnados ante a observação da ciência;
            receberás mensagens brilhantes suscetíveis de arrancar a admiração e o respeito dos espíritos mais cépticos;
            transmitirás com segurança avisos e apontamentos do Plano Superior;
            transportarás contigo olhos percucientes e lúcidos, divisando quadros inesquecíveis do campo extra físico, sensibilizando os companheiros até às lágrimas;
            improvisarás orações de conteúdo sublime;
            reterás a mais sadia convicção acerca da imortalidade da alma;
            desfrutarás o mais elevado apreço entre os irmãos de fé, pelos tesouros de inteligência e cultura que te exornem a individualidade;
            acumularás a riqueza do raciocínio e a bênção da confiança;

            todavia, se não fores bom no trato com os outros, se não exemplificares os princípios santificantes que esposas na luta de cada dia, iluminando e aprimorando a ti mesmo para clarear o teu santuário doméstico e aperfeiçoar a região de trabalho a que deves servir, não conseguirás acordar os semelhantes para o caminho da perfeição, porque, em matéria de Cristianismo e, consequentemente de Espiritismo, apenas o exemplo guarda poder transformador capaz de despertar as consciências que nos rodeiam impulsionando-as da inércia na sombra para a vitória na luz.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

'Revelação dos Papas' - Paulo



6
‘Revelação dos Papas’
(Obra Mediúnica)

- Comunicações d’Além Túmulo -


Publicada sob os auspícios da
União Espírita Suburbana
Rua Dias da Cruz 177, Méier

Officinas Graphicas d’A Noite
Rua do Carmo, 29           1918

Paulo, apóstolo

À vidente apresenta-se um homem alto, meio calvo, barba branca e longa,
cabelos anelados, trajando túnica  escura e tendo sobre o ombro um manto claro.
O espírito, que se conservou de braços abertos durante o tempo que ditou a sua comunicação,
estava circundado de luz branca, brilhante como prata e contornada de raios verdes.

                      ______________

          O mundo, quando eu o habitei, era apenas planeta no começo da sua vida de provação e, portanto, de evolução e aperfeiçoamento dos homens.

          Nessa época, poucos tinham intuição do papel que o seu planeta fora chamado a representar no concerto harmonioso do Universo, raros os que puderam, naquela quadra, compreender o desideratum da Divina Sabedoria. Entre os que podiam alguma coisa perceber da Infinita Justiça, estava este que ora vos fala, após 18 séculos; mas o que pude compreender então nada é em comparação ao que hoje sei e compreendo e posso ensinar-vos. Não sou mais aquele que acreditava fosse a justiça de Deus coisa que, em certos momentos, se amolda aos interesses e às conveniências dos homens.

          Nos meus dias de vida terrena, pensava eu que a Terra era o único centro para o qual Deus volvia os Seus olhos complacentes e misericordiosos, supunha que, além dela, nada mais existia digno de atenção do supremo Arquiteto; julgava ser a humanidade que me cercava a única que tinha a missão de glorificar e honrar a Divina e Sublime Sabedoria.

          Nunca imaginei que pudessem existir outros centros, outros mundos, outras Terras, onde outras tantas humanidades cumpriam também as suas provações e trabalhavam para o evoluir constante do Universo; jamais poderia conceber que fora deste planeta outras vidas mais positivas, completas e perfeitas se desdobrassem pelo infinito além, contribuindo todas para o esplendor e a magnificência da obra do Criador.
         Afigurou-se me sempre que, após a morte, me encontraria num céu aberto, circundado de nuvens, estrelas e anjos, e que ao meu lado sentiria a voz e o calor emanado desse Ente pelo qual me converti e por cuja glória me sacrifiquei. Pensei que ouviria, logo ao fechar os olhos, aquela música de que me falavam as escrituras e que as harmonias celestes viriam imediatamente acariciar o meu espírito. Julguei, enfim, fosse o próprio Deus que viria abrir a porta por onde eu devia entrar, após o sacrifício que fizera da vida por amor da Sua Doutrina, e esperava vê-lo, tocá-lo, apalpá-lo, como prometiam as Escrituras e como eu mesmo ensinava aos que me pediam informação acerca da natureza intima de Deus.

          Fui o maior e o mais fiel observador dos mandamentos do Sinai; decidido e irredutível inimigo dos cismas, das seitas, dos credos pagãos e dos dogmas profanos que, na minha época, fervilhavam por toda parte; mantive o mais absoluto desprezo por tudo o que não fosse a verdade pura, revelada pelos profetas e pelos santos.

          Procurei sempre confundir a hipocrisia, destruir os falsos ensinos dos judeus; combati pela palavra, e com ardor inquebrantável, todos os erros do Antigo Testamento e procurei edificar uma nova Canaã para os que chamava filhos de Deus.  Nunca me preocupei com o exterior das coisas: o âmago, o fundo e a essência foram sempre o objeto da minha predileção.

          Abandonei sempre as palavras pela ação; fui homem de fatos e de provas e jamais me deixei arrastar pela puerilidade das coisas vãs.

          Nunca no meu espírito a dúvida e a incerteza encontraram agasalho: a firmeza e a inflexibilidade foram sempre as minhas melhores armas de combate.

           De tudo, porém, quanto fiz e edifiquei uma única coisa ficou e continuará de pé: a afirmação categórica que sempre fiz da existência de Deus, da Sua onipotência, da Sua infalível justiça, da Sua infinita misericórdia, do amor e da sabedoria também infinitos.

          Tudo quanto preguei com relação a alma humana, ao destino final da criatura, às penas e recompensas eternas, ao modo de vida dos eleitos e puros espíritos - tudo isso é diante da verdade que hoje conheço e que (não me sinto humilhado em confessar) é completamente oposta à que ensinei, aquela pela qual tanto me sacrifiquei.

          Estou, neste instante, falando ao mundo onde vivi e onde as minhas palavras foram sempre ouvidas com respeito e acatamento, mas sinto que outro dever, mais imperioso que aquele que outrora ditava essas palavras, me obriga a vir a este mesmo mundo, a este planeta em cuja atmosfera ecoa ainda a minha voz, em cujos espíritos ainda encontram asilo os meus ensinamentos; digo - é aqui mesmo nesta mesma Terra, que venho retificar o que, há 18 anos, preguei, o que ensinei como a última expressão da verdade.

          Sinto que os dias que vão correndo e as horas que vão passando sejam tão ligeiros e fugazes para os que me ouvem neste momento, porque se assim não fora, haviam de ver aí mesmo, nessa vida que estão vivendo, o acerto do que lhes afirmo dizendo que a verdade por mim explicada outrora, os ensinamentos que ontem divulguei pelos homens, as lições que dei às criaturas, podem ser resumidos em algumas palavras, encerrando em breves e ligeiros conceitos, em curtos e sintéticos ensinamentos.

          Todas as bíblias, todos os dogmas fundidos, condensados, não valem uma palavra, uma letra dessa verdade sublime que hoje venho pregar, que ora venho semear.

          Nada do que está escrito vale este punhado de palavras, este conjunto de frases, esta reunião de ensinamentos que vos venho trazer como presente de velho amigo que, um dia, tendo dado a outrem qualquer objeto e, mais tarde, reputando-o insignificante, se apressasse em vir substituir esse objeto por outro mais belo e duradouro. Aqui tendes, pois, o presente: - Deus não é, como pensais, um homem, um ser material - digo material no sentido em que tomais a palavra matéria - um ser vivendo vida perecível, sujeito às vicissitudes da matéria, sofrendo os prejuízos desta e exposto a alterar-se a decompor-se, a desagregar-se, a desaparecer, portanto. Não; Deus não é um ser como vós outros, não tem a vossa matéria, nem as vossas necessidades e os vossos desejos, tão pouco reveste a forma que revestis; os Seus atributos são muito diversos dos que ornam os seres humanos, muito diferentes daqueles que caracterizam a vossa matéria.

           Deus sem ser, pois, material, sem existir debaixo de uma forma determinada, é, entretanto, um ser vivo, palpitante, integro; não teve começo e não terá fim, sendo portanto, infinito, eterno, imutável e infinitamente perfeito.

          Ele é a vida de todas as coisas, o princípio e o fim de tudo; é a inteligência e a sabedoria que edificam, que conservam e mantém tudo quanto existe na Terra e no Universo.

          Deus é a alma de tudo, a consciência do Universo, a síntese de todas as forças, de todas as vontades, de todas as energias.

          Deus é o equilíbrio de tudo, o prumo que regula todas as coisas, a bússola que orienta toda a natureza.

          Deus é mais ainda: é o Pai, o Amor, a Misericórdia e o infinito e supremo Bem. Não é visível - mas existe e podeis senti-lo; não é palpável - mas podeis tocá-lo com a vossa razão; não é ouvido - mas podeis escutar a Sua voz no fundo da vossa própria consciência; não é redutível - mas podeis conte-lo dentro dos limites da vossa fé; não é um homem - mas é um espírito e podeis contemplar a Sua imagem no vosso próprio espírito.

          Deus não tem forma - mas podeis distingui-lo no bem, na verdade, na justiça e no amor.

          Deus não é divisível - mas podeis senti-lo por toda parte, na Terra, no seio da natureza, no mar, no céu, no Universo, no infinito!

          Deus é, desse modo, o espírito que anima e vivifica tudo o que prende e unifica toda a natureza, é a força propulsora de tudo que se move e agita no Universo; mas não podeis medir, nem calcular Sua ação.

          Se Deus não e homem, se a Sua natureza íntima não pode ser definida nem compreendida por vós outros, contudo, a Sua justiça e a Sua lei podem perfeitamente caber dentro da vossa compreensão e - aí está a sabedoria - o que é infinito produzindo efeitos cabíveis no que é estreito e reduzido, como o vosso entendimento e a vossa razão.

          Se Deus não pode ser visto nem tocado -  no sentido em que compreendeis o contato - podeis, todavia, senti-lo nos efeitos da Sua sabedoria, nas manifestações de tudo que existe e na irradiação da suprema e infinita justiça!

          O infinito é o ponto onde Deus habita, onde a Sua grandeza e o Seu amor se fazem sentir.

          Deus é infinito - por isso, deveis procurá-lo no infinito; não tem forma - por isso, deveis buscá-lo no ilimitado, no incomensurável. Deus é invisível - por isso, O procureis não na forma, mas na essência das coisas. É infinitamente bom, misericordioso, infinitamente sábio e infinitamente Pai amantíssimo - por isso, ireis encontrá-lo no infinito de todas as perfeições.

          A vida futura, que a uns se apresenta como primavera em flor, ou como inferno, terrível pesadelo para muitos, nada mais é que a voz das consciências que, após a morte, se reúnem em pontos diferentes do Universo.

          Cada uma leva para ali a suas misérias, as suas fraquezas, as suas dores e os seus remorsos - este está, como dizeis, no inferno; ou transporta as suas virtudes, os seus dons morais, as suas boas obras, a paz e a tranquilidade das suas consciências - aí tendes o céu.

          O que existe, pois, no chamais outro mundo nada encerra de misterioso nem sombrio, visto que é o que daqui levais convosco.

          A vida futura, portanto, é preparada aqui na Terra pelas vossas próprias mãos e podeis daqui mesmo, se quiserdes, escancarar as fornalhas do inferno ou abrir as portas do céu, que vos dará a paz e a doçura infinitas; e as existências múltiplas vos são dadas como meio de conquistar as delícias do céu e apagar as chamas do inferno que devoram a vossa consciência.

            Cada um leva para ali as suas misérias, as suas fraquezas, as suas dores e os seus remorsos – este está, como dizeis, no inferno; ou transporta as suas virtudes, os seus dons morais, as suas boas obras, a paz e a tranquilidade das suas consciências – aí tendes o céu.

            O que existe, pois, no que chamais outro mundo nada encerra de misterioso nem sombrio, visto que é o que daqui levais convosco.

            A vida futura, portanto, é preparada aqui na Terra pelas vossas próprias mãos e podeis dizer daqui mesmo, se quiserdes, escancarar as fornalhas do inferno ou abrir as portas do céu, que vos dará a paz e a doçura infinitas; e as existências múltiplas vos são dadas como meio de conquistar as delícias do céu e apagar as chamas do inferno que devoram a vossa consciência.

          Podeis, assim, conseguir, a vosso belo prazer, o que mais vos agradar; ou os esplendores do céu, ou as torturas e os homens do inferno.

          Deus não consente que nenhuma alma pereça para sempre - por isso é infinitamente bom; para Ele não há pecados sem remissão - por isso é infinitamente misericordioso; não consente que um filho sofra pelo que fez o seu pai e vice e versa - por isso é infinitamente justo: nenhum poder existe que atenue o Seu - por isso é onipotente; dispensa a todos os espíritos o mesmo afeto - por isso é o Infinito e Inesgotável Amor.

          Podeis, portanto, escolher o que mais vos agradar, o que mais vos convier - ou a paz do céu, ou o desassossego do inferno, pois tudo depende da vossa vontade e do vosso esforço. Um dia sereis produto de vós mesmos, a felicidade ou infortúnio que vos sobreviver será resultante da vossa atividade ou da inércia a que vos entregardes na vida.

          Concito-vos daqui a preferir o céu, isto é, a paz da consciência depois da transformação a que chamais morte; convido-vos a vir habitar o céu, de preferência ao inferno; chamo-vos para a casa de Deus, a habitá-la, a residir nela para sempre.
          Vinde, pois para o céu, para a paz, para a felicidade eterna. Não é isso jornada tão difícil como vos parece, o caminho é de fácil percurso.

          Praticai boas obras, sede humildes, generosos e modestos; praticai o bem em toda a parte e sob todas as formas; perdoe aos vossos semelhantes por maior que seja a ofensa que vos tenha sido feita; sede sempre compassivos e piedosos para com os que gemem, para com os que sofrem; evite ferir para que não vos firam; não calunieis para que não vos caluniem; recebei sempre com um sorriso o que a maledicência proferir contra vós; evitai sempre que puderes, o escândalo público, a difamação do vosso semelhante, ainda mesmo quando for vosso inimigo.

          Perdoai, perdoai sempre e sempre, para que Deus também vos perdoe para sempre.

          Praticai a caridade, mas aquela de que fala de Jesus: “Que a mão esquerda não veja o que a direita der”.

          Aqui vos deixo traçado o caminho que vos conduzirá ao céu; preferi-o ao oposto que os levará às torturas do inferno. Que as minhas palavras de hoje medrem nos vossos corações como as de outrora. Tenho dito. Adeus!

                                                            Paulo, apóstolo
Julho de 1916


quinta-feira, 6 de junho de 2013

Não há milagres no Espiritismo


Não há milagres
 no Espiritismo

Túlio Tupinambá (Indalício Mendes)

            Certo cidadão da nossa política escreveu, há tempos, um artiguete, explicando as razões pelas quais não acreditava nos fenômenos espíritas. Perdera um filho na guerra e um amigo lhe havia informado que, segundo certa comunicação do Além, o rapaz estava ainda encarnado e bem de saúde. Efetivamente, era uma contradição. Semelhante fato, porém, não serve de argumento contra o Espiritismo. Se no mundo físico estamos sujeitos a ser enganados por pessoas brincalhonas ou mentirosas, o mesmo sucede no mundo espiritual, porque o fato de um Espírito deixar o invólucro carnal não lhe confere uma moralidade que ele não possuía antes, assim como também não lhe altera a personalidade. Lá, como cá, o Espírito está sujeito à educação, que pode dar resultados dentro de pouco ou de muito tempo. Tudo depende, evidentemente, do caráter em jogo.

            O referido político, que é médico e já fez muitas vezes profissão de fé ateísta, não poderia mesmo aceitar o Espiritismo, como não aceita nenhuma outra doutrina religiosa. Portanto, o seu cepticismo já está encruado.

            Há muita gente que vai para o Espiritismo à procura do maravilhoso. Quer "milagres", esquecida de que o privilégio milagreiro está com a Igreja. Está ou esteve, porque, hoje, com o progresso, com o avanço da Ciência, com a rapidez das comunicações, a indústria milagreira perdeu sua força e está desaparecida. Antigamente, qualquer coisa servia para embair a ingenuidade popular. Até um cometa que aparecia no céu era explorado pelos industriais do milagre. Hoje, entretanto, as coisas estão mudando. A Igreja, dotada de extraordinária faculdade mimética, vai-se adaptando depressa a situações que, antes, justificavam enérgicas reprimendas dos piedosos bonzos da Inquisição.

            Mesmo dentro da seara espírita, o trabalho educativo é cada vez mais necessário. Todos os dias o Espiritismo recebe novos adeptos e a maioria vem do Catolicismo, decepcionada porque a Igreja só lhes oferece quimeras, preocupando-se com o número dos que frequentam os templos e comparecem a certas exteriorizações festivas. Alguns chegam ao Espiritismo imbuídos das ideias adquiridas no credo que abandonaram. E intentam fazer reformas nas práticas espíritas. Querem santos, como se nós adotássemos ídolos em nossa crença. Procuram adaptar ritos que não são aceitos no Espiritismo. Daí o fato de certos confrades pouco esclarecidos pretenderem realizar "batismos", "casamentos", etc., como se o Espiritismo pudesse ser confundido com certas religiões que, para sobreviverem, tiveram de condescender com o paganismo, adotando-lhe métodos e sistemas.

            Por isso, é importante que a Doutrina seja cada vez mais disseminada, não só pela palavra escrita como pela palavra falada. Doutrina, Doutrina, Doutrina e Doutrina.

            Os que assim procedem, da maneira a que nos referimos, merecem nossa paciência, mas não podemos com eles concordar, porque, se o fizermos estaremos concorrendo para a deturpação dos princípios e postulados divulgados por Allan Kardec.

            Não é a assiduidade a sessões fenomênicas que define o espírita, mas o seu conhecimento da Doutrina e o esforço que realiza por exemplificá-la em cada vinte e quatro horas de sua vida. Não nos interessam ritos, imagens, cânticos e demonstrações materiais de poder temporal, de pompa e vaidade. O que realmente nos interessa, e a quantos queiram permanecer fiéis à Doutrina Espírita, é a reforma íntima de cada um, a melhoria do homem, o apuramento moral, o estabelecimento da paz interior e exterior, o culto do bem, o combate ao mal pelo exercício da bondade, da caridade e do amor, porque isto, em última análise, é Cristianismo puro.

            O espírita verdadeiro não estimula desarmonias, não dá curso à maledicência, não cede a impulsos egoístas, não dá mostras de intolerância, mas é firme em suas convicções, fiel à Doutrina e dotado de sólida determinação no cumprimento de seus deveres para com o Espiritismo.

            Estudemos as lições doutrinárias, diariamente, porque encontraremos sempre novos pontos de esclarecimento e de orientação. E, sobretudo, guiemos os novos, aqueles que estão começando a sua jornada espírita, fazendo que se esqueçam totalmente das fantasias que religiões falidas ou em vias de decomposição lhes inculcaram na alma. Uma das grandes tarefas do Espiritismo é reformar o homem, preparando-o para o Terceiro Milênio, já às nossas portas.
Reformador (FEB)  Maio 1959



5. 'Revelação dos Papas' - Paulo




5
‘Revelação dos Papas’
(Obra Mediúnica)

- Comunicações d’Além Túmulo -


Publicada sob os auspícios da
União Espírita Suburbana
Rua Dias da Cruz 177, Méier

Officinas Graphicas d’A Noite
Rua do Carmo, 29         1918

Pedro, o apóstolo


O médium vê um homem de barba e cabelo brancos, envolto em luz também branca.
 A irradiação luminosa impede que ele distinga as suas vestes.
                                                            _________________


           Meus irmãos, quem vos visita hoje é Pedro, a quem chamais apóstolo e guarda das portas do céu.

          O humilde espírito que ora baixa à Terra para vos falar, em nome de Deus e de Jesus, é aquele a quem denominais santo e proclamais fundador da Igreja, que dizeis ser do Nosso Senhor Jesus Cristo.

           Tendes hoje, junto a vós outros, o espírito de Pedro — o humilde pescador da Galileia, que vem a vossa presença para dissipar as trevas que ainda envolvem a vossa consciência, impedindo-vos a visão clara e perfeita das coisas a que chamais sagradas.

           Deus, meus irmãos, coloca-me nesta hora perante a cristandade para que lhe fale em Seu nome, desmentindo tudo quanto de falso e absurdo se afirma a Seu e a meu respeito.

          Ides ouvir a palavra do humilde e obscuro pescador da Galileia, do mais fraco e pequeno discípulo do Mestre, que neste momento olha para mim e me ordena que diga a verdade inteira e pura, como pura é a consciência do meu amado Mestre, em cuja presença falo.

          Jesus está me acenando e dizendo: “Pedro, fala como falei, prega como eu preguei, ensina como ensinei, guia como guiei, nega como neguei, afirma como afirmei, ama como o teu Mestre amou e perdoa como ele perdoou. Pedro, fala, proclama, anuncia, profetiza, promete, garante em nome do teu Pai e abençoa em nome do teu Mestre”.

          O pescador vai, pois falar, declarar o que sabe; vai dizer o que todos precisam saber desde já; vai confiar as palavras do Mestre e destruir o erro e a mentira ensinando em nome de Jesus e também no seu.

          Fui discípulo de Jesus e ouvi dos seus lábios a verdade que hoje proclamo: recebi dele os ensinamentos que ora divulgo pelos homens; bebi na fonte inesgotável, que é o Evangelho do Mestre, todas as lições que vos venho trazer.

          Fui humilde e obscuro pescador, jamais recebi a luz das instruções que, no meu tempo, era difundida pelos homens.
          Os meus pais me destinaram no mar e o mar exigia de mim apenas duas coisas: robustez física e coragem para lutar contra a fúria dos elementos. A minha inteligência era, por isso, inculta e acanhada, vida do marujo, e eu era dos mais audazes e resolutos.

          Todo o meu saber se limitava às coisas do mar, às necessidades da vida do marujo, e eu era dos mais audazes e resolutos.

          Nada compreendia do que dizia respeito à filosofia, às superiores cogitações a que se entregavam os doutores nas sinagogas, onde eu assistia, absorto, aos atos religiosos e divinos, unicamente levando até ali pela fé simples e ingênua do homem do mar. Nada sabia das coisas sublimes de que se ocupavam os doutores da Lei; nada percebia do que estava escrito no Antigo Testamento, que o meu mestre pescador lia a tardinha, sentado na proa da nossa barca, explicando-nos aquilo que a sua inteligência, também precária e desprovida de luzes e do preparo com que a instrução aperfeiçoa o nosso entendimento e esclarece a nossa razão, mal podia compreender.

          Nada, portanto, sabia eu das verdades eternas e dos ensinamentos trazidos ao mundo pelos profetas de Israel.

          Leigo, obscuro, ignorante e simples, vivi até o dia em que fui ouvir o Mestre, que, então, falava aos pescadores da Galileia, ensinando-lhes a interpretar o Decálogo que Moises recebera no alto do Sinai.

          Jesus falava mansamente; a sua voz, pausada e firme, era cheia de ternura e encanto e abalava os corações dos que ouviam, arrebatados de assombro, as grandes verdades expostas, com tanta simplicidade e clareza por aquele homem moreno, de tez lisa e ampla, cabelos cor de vinho claro que bebíamos a hora do repasto.

          Jesus sentara-se sobre o bordo da barca de Luís, e dali dizia aos pescadores, agachados no fundo das suas barcas, a verdade emanada de Deus, que o incumbira de trazê-la aos homens para libertá-los das trevas do obscurantismo.

          Quando Jesus terminou era noite já, e, ao clarão dos fachos que acedemos para acompanhá-lo até a margem, escolheu os que desejavam aprender dele - que era bom e manso - as sublimes verdades da vida eterna, da bondade infinita de Deus e também da Sua infinita misericórdia.

          Jesus disse: “Quereis acompanhar-me, vinde. Dar-vos-ei outro ofício, outra tarefa, outro trabalho, mas não pagarei salário, como faz o vosso mestre pescador, porque sou muito pobre, nada tenho para mim e muito menos para dar. Meu Pai, entretanto, vos pagará um dia, e, garanto-vos, aquele dentre vós que mais se esforçar para servi-lo Ele pagará generosa e fraternamente.”

          “São estas as condições em que ides trabalhar; se vos agradam, aceitai-as, se não, deixai-me ir só, ficai com o vosso mestre pescador”.

          Eu e Thiago fomos os primeiros que bradaram: “Não mais vos abandonaremos Senhor; morreremos ao vosso lado.”

          Jesus sorriu e acrescentou: “Refleti bem no que ides fazer, pois eu venho para sofrer e todos aqueles que me pertencem sofrerão também.”

          Tomamos o compromisso de comer o mesmo pão e beber a mesma água que o nosso Mestre.

          Partimos. Caminhamos dia e noite para chegar a Palestina, onde o esperavam ansiosos para ouvi-lo.

          Ali chegados, embora cansados e famintos, sentiam-nos satisfeitos, contentes e confortados, sem que soubéssemos porque.

          Nada do que nos ofereciam para matar a fome e mitigar a sede foi devorado com sofreguidão, avidez.

          Alguns bocados foram suficientes para refazer as forças perdidas durante a marcha penosa, através dos campos e das cidades que percorremos.

          Jesus tocou apenas num bocado de pão e bebeu um pouco d’água, que lhe ofereceu uma mulher que se aproximara para beijar-lhe a mão e ofertar-lhe aquela água do seu poço, por ser - dizia ela - a mais fresca do lugar. Daí por diante, começou para mim nova vida, nova era: tudo se me afigurava claro e risonho; toda a dificuldade que até então encontrava para compreender o porquê e a razão de ser das coisas desapareceu e, dentro de alguns dias, eu explicava aos que procuravam o Mestre, durante o seu repouso, as grandes verdades que ouvira dele durante a jornada.

          Quando se me perguntava onde havia estudado para falar assim, com tanto acerto, ficava embaraçado para responder, e era sempre Thiago que me socorria, dizendo: “Foi o Mestre quem nos ensinou a falar assim.”

          Tinha então adquirido tanta facilidade de raciocínio e exposição, que a mim mesmo causava assombro.

          Jesus dizia-me: “Tu és fraco, não tens a coragem e a energia de João, a coragem e a resignação de Simão; não obstante, a tua palavra medrará, a tua boca derramará as claridades divinas sobre os teus irmãos. Mas, olha lá, não te deixes levar pelo teu gênio inquieto, sôfrego, altivo e intolerante.”

          “Tu não és homem para a firmeza e para o sacrifício. Possuis virtudes, mas não tens ainda a fé bem enraizada no fundo da tua alma.  Toma cuidado, pois, contigo mesmo; o teu inimigo está na tua própria alma, vê se te livras dele.”

           Pensava, meditava sobre estas palavras do Mestre e dizia comigo mesmo: Onde irei buscar a força e a coragem de que me fala sempre o mestre? E desatava a chorar copiosamente, pedindo a Deus me tornasse digno da missão que eu tomara sobre os ombros, concedendo-me a graça de ser um verdadeiro discípulo do Seu Filho.

          Continuamos sempre unidos, sempre juntos - Mestre e discípulos, caminhando de terra em terra, espalhando a luz da verdade que Jesus punha nos nossos lábios.

          Por toda a parte éramos ouvidos com atenção e respeito, chegando a receber em alguns lugares, aplausos extraordinários, que se traduziam nas ofertas trazidas ao mestre e a nós, no agasalho e conforto que nos ofereciam povos inteiros.

          Correram assim os dias, os meses e os anos, até chegar o momento do sacrifício do Mestre. Todos os discípulos se resignaram a ver aproximar-se a hora do martírio de Jesus, conformando-se com a afronta que publicamente ia suportar nosso Senhor Jesus Cristo.

          Pedro era o único que não se conformava com a idéia de ver o seu Mestre sacrificado; mas, quando lhe diziam - “Se não queres vê-lo torturado, humilhado e morto, dá a tua vida por ele” - a minha resposta era o silêncio.

          Recolhia-me dentro de mim mesmo, apavorado ante a idéia de me deixar imolar pelo Mestre.

          Jesus fitava-me sempre e dizia:

          “Meu Pedro, meu filho, és fraco, mas a tua palavra terá força; continua, pois.”

          Chegara a hora da condenação de Jesus e o galo cantara já duas vezes, pois duas vezes eu fora interrogado sobre as minhas relações íntimas com o Rabino da Galileia e o negara, declarando jamais tê-lo visto, sequer de relance.

          À terceira pergunta respondi negativamente, como às outras, mas desta vez Jesus apresentou-se na minha frente e disse: “ - És fraco, Pedro, mas eu te perdoo.”

          Olhei em volta e não mais encontrei o Mestre. Chorei toda a noite; não dormia, não comia, não tinha sossego, não encontrava alívio em parte alguma; a cada passo parecia-me ouvir o Mestre: “És fraco Pedro, mas eu te perdoo.”

          Aqui tendes o que fui enquanto estive junto de Jesus: fraco e vacilante, tendo fé pouco firme e confiança muito limitada na Infinita Sabedoria e na Misericórdia Divina.

          Jesus me perdoou, dando-me esta luz que trago e intercedendo junto ao Seu Pai pelo pescador da Galileia, fraco e vacilante.

          Após a morte, o espírito de Pedro ficou errante, confuso, ouvindo sempre a voz do Mestre ecoar-se nos ouvidos: “És fraco Pedro, mas eu te perdoo.”

          Fui, pois, dos discípulos de Jesus o mais fraco e o menos crente.

          Por que razão havia de caber-me uma tarefa tão espinhosa, qual a de defender a sua doutrina após a desencarnação do Mestre?

          Por que havia de merecer o espírito que está na vossa presença a graça de ser no mundo o esteio da doutrina de Jesus, defendendo-a dos golpes desferidos contra ela e os seus adeptos pelos grandes da Terra, que procuravam, pelo ultraje e massacre, abafar a voz do Messias ainda ecoando dos lábios dos discípulos e dos crentes?

          Para que me chamais príncipe dos apóstolos, quando fui o último deles?

          Por que haveis de acreditar tenha sido eu o organizador da Igreja, se, por ocasião da sua fundação, Pedro já se achava na eternidade, de onde sai hoje para vir dizer-vos estas grandes verdades?

          Nosso Senhor Jesus Cristo me confia hoje a magna tarefa de vir dizer-vos que a verdade está toda inteira no Espiritismo, que é o seu Evangelho em espírito e verdade, anunciando-vos ao mesmo tempo, que o Mestre mandará ao mundo muitos espíritos bem-aventurados para vos ensinarem as verdades eternas e as restabelecerem onde os homens as desvirtuaram, comprometendo a sua doutrina, procurando apagar o nome do seu Pai e o seu no coração da criatura eterna.

          Pedro vem, assim dizer-vos que não acrediteis seja ele o porteiro do céu - que não existe senão na imaginação dos fracos e embusteiros, interessados em afastar-vos do caminho da verdade e da luz.

          O céu, que só existe na paz das consciências dos bons e dos puros, tem uma única chave, e esta está na vossa própria mão - a caridade.

          Vós mesmos é que sois porteiros do céu, onde haveis de viver um dia, quando terminardes a vossa provação terrena. Pedro, meus amigos, foi fraco e vacilante ao lado do Mestre e não teve a resignação, a coragem e a confiança dos seus companheiros; para que, pois emprestar ao humilde pescador da Galileia honras e títulos que não merece?

          Ficai certos e seguros de que tudo quanto vos contam a seu respeito são criações dos homens. Pedro foi grande, eloquente e sábio enquanto esteve ao lado do Mestre, recebendo as irradiações sublimes do seu espírito divino.

          Tudo isso desaparece, porém, no momento em que negou o Mestre, na hora em que abandonou o compromisso de acompanhá-lo até a morte, comer o mesmo pão e beber a mesma água que o Mestre, faltando deste modo à sua palavra e confirmando as de Jesus: “És fraco, Pedro; não serves para o martírio e para o sacrifício. És fraco, Pedro, mas eu te perdoo”.

          E perdoou-me, o meu querido Mestre, o meu divino Jesus, e vai conceder-me novamente a graça de voltar à Terra, para continuar a sua obra, concluir o que há mil e novecentos anos não tive forças para sustentar.

          Volto, e desta vez o galo não mais cantará e não mais ouvirei aquelas terríveis palavras que tantas vezes me escaldaram os ouvidos: “És fraco, Pedro, mas eu te perdoo”.

          Jesus me falará e ouvirei sempre a sua voz; mas esta será um incitamento, um conforto que me alentará na luta em prol da verdade eterna, que voltei a defender.

          Ficai, porquanto, certos, meus irmão, que Pedro voltará entre vós, porém mais forte, mais enérgico, mais firme na sua crença, mais inabalável na sua fé, confiando, em absoluto, no seu Deus e no seu Jesus, que o enviaram aqui para dizer-vos estas verdades e ainda mais - que será Pedro o escolhido para dizer-vos muitas outras verdades em ocasiões diversas, em emergências difíceis, em situações perigosas nas quais vos achareis um dia na Terra.

          Pedro vem, pois, à vossa presença declarar que não é santo, nem príncipe dos apóstolos; de todos os espíritos que acompanharam Jesus na Terra, foi ele o que mais se perturbou após a sua desencarnação, e isso por ter sido o mais fraco e o menos crente de todos.

         Pedro já teve outras missões após aquela em que esteve entre vós. O seu espírito evoluiu, caminhou para poder hoje falar-vos humildemente, dizendo: “ Sou pequeno e fraco, conservo ainda a simplicidade e a rudeza do pescador dos mares tempestuosos da Galileia; estou em meio do caminho e tenho muito que andar para chegar à perfeição. Nada sei, muito me falta aprender ainda, muito tenho que estudar para alcançar o título de espírito sábio. Nada, pois, deveis conferir-me, nenhum título deveis dar-me, nenhuma honra deveis tributar ao meu nome, quando vos referirdes a mim, dizei sempre - o pescador da Galileia. Isto me honrará muito mais que o principado que injustamente me ofereceis.

          Aconselho-vos à prática do bem e da caridade, da justiça e do amor ao vosso semelhante e também o respeito à lei de Deus e a observância rigorosa dos ensinamentos de Jesus.

          Agradeço-vos a todos o ouvirem-me com atenção e afeto. Que Deus vos proteja e Jesus vos acompanhe em todos os atos da vida.

          Adeus, até breve.
Pedro, o pescador da Galileia.
Junho de 1916


quarta-feira, 5 de junho de 2013

4b. 'Revelação dos Papas'



Do Blog: Neste ponto, retornamos ao texto da obra publicada pela UES, em 1918.
4b
‘Revelação dos Papas’
(Obra Mediúnica)

- Comunicações d’Além Túmulo -


Publicada sob os auspícios da
União Espírita Suburbana
Rua Dias da Cruz 177, Méier

Officinas Graphicas d’A Noite
Rua do Carmo, 29
1918


Amor Divino
(Prefácio)

Distingue a vidente um espírito muito luminoso destacando-se de um fundo prateado,
circundado de luz azul e fachos verdes. A intensidade da irradiação impede-a de distinguir
 do espírito as suas vestes, os traços fisionômicos, etc.   É belíssimo o aspecto deste espírito.

_________________

          Sou o Amor Divino, que baixa para envolver a todos vós que tendes confiança na infinita misericórdia do Pai.

          Sou o Amor Divino, que vos visita nesta hora de tristeza e dor para consolar-vos, dizendo:
           
            - Não vos deixeis abater pelos sofrimentos e pelas vicissitudes que vos afligem.
          Jesus está convosco, avizinha-se da Terra, está sobre as nuvens, pronto para baixar ao mundo na hora em que o planeta, abalado por essa tormenta que o assola neste momento aflitíssimo, ficar completamente em trevas, e fazer nascer o Novo Dia da paz, da luz, da justiça e do amor. (registre-se que a Europa vivia o pior momento da 1ª Guerra Mundial)

          Ficai tranquilos porque Jesus não vos abandonou, nem abandona: Ele vela agora, mais do que nunca, por vós outros. O Mestre está com os olhos fitos em vós, acompanhando os vossos passos, observando a vossa marcha em busca da luz e da verdade.

          Tende fé porque os que acreditarem neste sombrio momento serão confortados no meio das desgraças, do desabar das convenções, dos preconceitos, do ruir dos templos de pedra sem luz e sem Deus, do baquear de todas essas coisas inúteis que vos infelicitaram até agora. Tende fé, não desanimeis, pois os que tiverem fé verão Jesus, ouvirão a Sua voz no meio da tormenta que se vai estender por toda a Terra. Os crentes serão poupados, os que estiverem com Jesus hão de presenciar a guerra de longe, as suas casas serão guardadas pelos anjos do Senhor - espíritos bem-aventurados que baixarão, por ordem do Eterno, para proteger-vos.

          Tende fé, meus irmãos; lede com atenção as páginas deste livro santo, onde a palavra de Jesus consola todas as almas, anima e encoraja todos os espíritos, alenta os corações, dá rumo às consciências desnorteadas.

          Lede com respeito este livro sagrado, ditado por Jesus, que o escreveu pela boca dos Seus enviados, pelo punho dos seus mensageiros vindos das regiões luminosas do Céu, a fim de vos encaminharem para o bem e para a salvação.

          Aqui está este livro, nos vo-lo oferecemos para ser o vosso guia nesse vale de lágrimas e de espinhos onde viveis no cumprimento da vossas provações. Foi Deus quem o mandou escrever para vos oferecer neste momento angustioso da vossa vida terrena; foi Jesus quem presidiu a sua elaboração.

          Aceitai-o, pois: é presente de subido valor, prenda de rara importância, jóia de brilho ainda desconhecido para vós.


terça-feira, 4 de junho de 2013

5.5 'Lendo e Comentando'



5.5  ‘Lendo e Comentando’ (extratos)
por Hermínio Miranda


            “...não adianta plantar em terreno árido e seco; só depois de preparada a terra, vinga a semente, especialmente se choverem sobre ela algumas lágrimas. Que se há de fazer? Depois, lá na frente, numa curva do caminho, quando a estrada desemboca no além-túmulo, muitos de nós nos dizemos esta frase amarga e penosa: "Ah! se eu soubesse!" Não faltaram advertências, mas quem é que tem coragem suficiente para quebrar as cadeias do passado e agir em consonância com essa realidade?”
Reformador (FEB) Maio 1964