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terça-feira, 25 de setembro de 2012

Epopeia da Vida



Epopeia
 da vida
Florsmar
Reformador (FEB) Novembro 1946


            Tudo na nossa vida de relação depende do rumo que damos ao nosso Espírito. Tanto o cientista que devotadamente procura servir a Humanidade, como o crente, o cristão que conhece seus deveres, devem trabalhar, pesquisando seu próprio coração, adaptando-o e preparando-o para o progresso moral e espiritual que lhes permitirá ser útil às outras criaturas.

            Trazemos a alma num constante conflito de interesses, presos às coisas efêmeras que formam o nosso íntimo patrimônio e tudo fazemos para harmonizar e satisfazer os anseios da nossa mal disfarçada ambição. Tais fatos melhor se evidenciam nos momentos de meditação e prece, quando patenteamos quanto estamos alheios à Doutrina que dizemos professar, porque o homem velho; mais por princípio do que por noção clara dos acontecimentos, carrega ainda sua bagagem de pretéritas existências, prenhe de preconceitos e restrições. Esse "homem velho" é que precisamos vencer, por meio da nossa reforma interior. Ele se esconde em nosso coração e resiste tenazmente aos nossos esforços. É mister, portanto, persistir.

            Se nos transportarmos ao âmbito espiritual da vida perceberemos que podemos progredir moralmente, rompendo o véu simbólico que enobrece a nossa visão. E assim poderemos transformar-nos nos artífices da nossa própria evolução, adquirindo gradual preponderância moral, à medida que nos vamos libertando dos grilhões pesados que nos prendem à matéria, ou melhor, às mil e uma pequeninas necessidades materiais a que nos habituamos. Se tivermos forças para continuar, chegaremos ao ponto de, um dia, vislumbrar, em pálida visão, o majestoso perfil do Cristo, levando ao recôndito de nossa alma a certeza da sobrevivência do nosso Espírito. E as ilusões desaparecem, dando-nos ensejo a que compreendamos que elas nos impediam de ver onde terminavam as nossas misérias e evitavam que pudéssemos vibrar no sentimento puro e sincero. Por misturarmos na taça rubra do coração os nossos bons anelos e as nossas maldades, não distinguimos com facilidade uns dos outros, até que encontremos a nossa "estrada de Damasco" .

            Geralmente, não queremos romper os laços que nos prendem ao passado, nem mesmo diante das mais palpáveis demonstrações de apoio vindas do Além. As advertências divinas descem dos céus e nos tocam o coração, mas, como não nos preparamos para recebê-las, cedo as esquecemos, embora, muitas vezes, elas nos provoquem lágrimas de funda emoção. Sim! São chocantes e comovedoras as observações espirituais, porque, envolvendo-nos em sutil manto de doces e suaves vibrações, desnudam nossas almas e a vida se nos parece bela e cheia de esplendor.

            Todavia, é bastante voltarmos ao campo comum da luta de cada dia para tudo se desfazer, ficando somente os resquícios daquela alegria íntima que passou, alegria que, por nossa imprevidência, não soubemos conservar dentro de nós, para conforto do nosso Espírito. Acontece, porém, que, qual Jesus, os seus bem-amados missionários não tomam conhecimento da nossa dolorosa ingratidão. Não se envergonham dos nossos molambos, nem temem a contaminação dos odores comuns ao nosso ambiente. Imunizados pelo amor e pela bondade, a tudo enfrentam, empenhados em servir, em levar a Caridade a todos os recantos, arrebanhando almas desgarradas, levando-as para o bem-aventurado redil do Senhor. Para eles o tempo é a eternidade e sua tarefa bendita vai disseminando esperanças, atraindo ao amor puro do Cristo todas as almas. 

            Um dia, depois de muito trabalhados pelos missionários do Além, havemos de conseguir conservar na taça rubra dos nossos corações essas delicadas pérolas de luz. Para isso, entretanto, será indispensável limpá-la do lodo das ilusões impuras.


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domingo, 23 de setembro de 2012

'e' e final - Simplicidade


‘e’ e final     Simplicidade
por José Brígido     (Indalício Mendes)

Reformador (FEB)
Dezembro 1946



            Que somos todos nós, senão prisioneiros? Por nossa própria vontade enfiamos a cabeça na golilha (argola de ferro com que se prendia o pescoço do criminoso ao pelourinho) dos desvios morais. Depois, gritamos por liberdade, protestamos contra as ordens a que nós mesmos nos prendemos... Não encontraremos a liberdade cá fora, mas dentro de nós. De lá é que ela terá de partir...  Sem vencermos as paixões que nos envenenam e enegrecem a alma, jamais seremos livres. E somente seremos livres quando formos simples.



Oskar Schindler


Tradução livre:

      "Nesta casa, de 1965 a 1974, morou Oskar Schindler. Ele salvou da morte em Auschwitz e outros campos, mais de 1200 judeus, durante a época o nacionalsocialismo."
      
      As datas são de nascimento e morte do Oskar.

      
      Esta placa encontra-se numa rua de Frankfurt próxima à estação de trens. 
      As fotos foram tiradas em diferentes aproximações o que dificulta a leitura do trecho final.



sábado, 22 de setembro de 2012

27. 'Amor à verdade'



27
“Amor à Verdade”
por Alpheu Gomes O. Campos
Marques Araújo & C. – R. S. Pedro, 216
1927



O doutrinador


            Fala um nosso Instrutor espiritual:

            “A luz e o amor à verdade sejam contigo.

            “Venho trazer-te alguns conselhos mais. Nunca deixes, em teus trabalhos, de aplicar todos os meios possíveis para esclarecer o Espírito em doutrinação.

            E quando pareça nada teres alcançado, não desanimes; antes pelo contrário, enche-te de coragem; a demora, muitas vezes, depende de certos acontecimentos que agora já podes compreender.

            “Os Espíritos ora trabalhados, são inimigos da doutrina, obsessores inveterados, que dispõem de numerosas falanges e contam muitas relações no seu meio de ação. Necessário se faz o esclarecimento desta classe de Espíritos. Pelo exposto, deves concluir que, enquanto um se comunica, os outros, em número regular, diligenciam defendê-lo, quer impedindo a formação dos quadros, quer atacando o doutrinador e pessoas circunstantes.

            “Poder-se-ia, desde o início, tolher a liberdade ao infeliz ligado ao médium, e obrigá-Io a ouvir a doutrinação; porém, como já alcançaste, as conversões por incorporação, são diminutas em face das realizadas por meio dos fluidos que fornecem os médiuns de efeitos físicos.

            “«Assim, o chefe da falange, enquanto afaga a esperança de vencer, envia emissários a busca de reforços, valendo, por esta forma, de atração de Infelizes que aqui vamos diretamente instruindo e convertendo. Deste modo, podemos fazer, com uma só comunicação, tanto ou mais serviço do que com três ou quatro.

            “E como nos grupos que se esforçam para o bem geral, os Espíritos que se manifestam devem converter-se, não se permite deixarem eles o médium, senão quando esclarecidos e dispostos a seguir novo caminho.

            “Os trabalhos nestas condições são mais proveitosos, sobretudo mais rápidos, porque se tornam contínuos e por maior espaço de tempo. De fato, a precipitação com que os Infelizes se lançam contra o doutrinador, que, sendo bem amparado e protegido, nada sofre, faz com que tenham grandes decepções, o que muito influi em seu pensamento levando-os a investigar a razão de tal resistência.

            “Já temos tido ensejo de produzir, assim, e em pouco tempo, conversões de hordas que, talvez, em vários dias, não pudessem, de outro jeito, ser doutrinadas.

            “Em todos os centros espiritas onde haja boa vontade, humildade e fé, poderemos assim proceder; e quanto mais se elevar o doutrinador, tanto mais nos aproximaremos para protegê-lo contra os ataques.

            “Embora não possas julgar pela observação numérica, podes, entretanto, pela sensibilidade, apreciar as alternativas do ambiente psiquico.

            “Nem sempre podemos ajudar certos grupos, embora os seus dirigentes revelem boa vontade, por lhes faltar, além das indispensáveis noções da doutrina, o espirito de observação, meticulosidade e discernimento, com que se deve receber toda comunicação. Ora, isso - não era preciso dizer - facilita extremamente as mistificações.

            “As faculdades anímicas nem sempre são convenientemente exercitadas. Entre os médiuns de toda categoria, encontram-se a vulto os sensoriais. Semelhante qualidade, porém, só a pouco e pouco se há de desenvolver. É isto sobretudo porque todo mortal traz ao lado a sua escolta, constituída por vítimas de outrora, que precisam ser auxiliadas hoje. Ao compasso da libertação de cada um é que pode ser educada a sensação espiritual. 

            “Os doutrinadores muito contribuiriam para a causa da regeneração, se fizessem jus à desopressão e subsequente desenvolvimento de faculdades preciosas que, estacionarias, se tornam inúteis, em vez de servir-lhes até para a fiscalização dos trabalhos, recebendo diretamente instruções e evitando o hábito corrente e muito perigoso de se fazer comunicar pelo médium um Espirito para dele receber as instruções.

            “De todas as práticas refutáveis do espiritismo, esta ocupa lugar salientíssimo.

            “As sessões espiritas convergem verdadeiras vagas de almas retardatárias, os mais variados representantes do mundo supraterrestre. É para um fim providencial - a conversão. Ora, ninguém que estude a doutrina, ignora o antagonismo entre os fluidos de Infelizes e os do Protetor. A aproximação de uns determina o afastamento de outros. Assim, em tais sessões, antes que se tenha dado a conversão dos espíritos aí reunidos, dificil se torna a manifestação dos superiores, que muito sofreriam para suportarem o meio, sem repelir os que aí foram para ser doutrinados.

            “Algumas vezes, é exato, fazem-no abnegadamente, quando reconhecem que o seu sacrifício é compensado; porém, na maioria das vezes, para protegerem o doutrinado r e o orientarem, do alto enviam as suas inspirações acompanhadas de eflúvios. Isso, entretanto, raramente surte o efeito desejado, porque o doutrinador, não tendo suas faculdades apuradas, não sabe distinguir os fluidos e tanto dos Maus como dos Bons recolhe as intuições.

            “Em todo o caso, é respeitado o livre arbítrio; e se as manobras do Infeliz são aceitas, fatal será seu domínio sobre o diretor, impedindo lhe chegue a luz para esclarece-lo.

            “Assim, vemos frequentemente cair grupos espíritas, embora bem intencionados, sem que, de certo modo, lhes possam valer seus amigos e reais protetores. Retiram-se estes em cata de outro núcleo de trabalho, permanecendo estacionário o grupo assim submetido.

            “Portanto, meus filhos, orai e vigiai. Porque, a vossa beira, enquanto na carne estiverdes, tereis sempre ocultos vingadores que vos veem pedir contas do passado. De vossa conduta depende a sua conversão. Assim tereis saldado uma dívida, dando lugar a outra vítima, que também tem o direito de ser auxiliada.

            “Vive, pois, o encarnado em permanente trabalho, sem que dele, muitas vezes, tenha o menor conhecimento. Jamais deixará de assim ser, porque é esta uma das razões da vida planetária.

            “Adeus, meu filho; Deus te ajude, Maria te abençoe; e a luz e o amor à verdade fiquem contigo.  José.”






26. 'Amor à Verdade"



26
“Amor à Verdade”
por Alpheu Gomes O. Campos
Marques Araújo & C. – R. S. Pedro, 216
1927

Espiritismo prático


            Certa vez, ao terminar das preces, a hora de repouso, percebemos, mercê da mediunidade sensorial, que possuímos, aproximação de Protetores.

            Interrogando-os se desejavam comunicar-se, foi obtida resposta afirmativa.

            Feita nova oração e dispostas as causas para colhermos a sideral mensagem, entra a escrever um Espirito que, saudando-nos com o conhecido cântico dos anjos, se dizia Paulo, o apóstolo. Sem embargo das palavras mansas e harmoniosas que usava, não nos sentíamos bem, como acontece todas as vezes que recebemos uma entidade superior; ao inverso, era ingrata a sensação que experimentávamos. Anda mouro na costa! - pensamos; e logo nos lembrou aquela admonenda do Mestre: ORAI E VIGIAI. Foi o que para logo fizemos: mentalmente pedimos nos fossem dados eflúvios em sinal da dignidade inculcada pelo manifestante. Nada veio: tratava-se de um mistificador, que nos haveria por certo bigodeado (enganado), se não fora a nossa sensibilidade.

            De novo oramos, suplicando a confirmação, por eflúvios também, de que o referido Paulo estava mistificando. Veio a confirmação, e com ela, graças ao cuidado tomado, a lição que aí segue, de nosso incansável Guia:

            “Paz de Maria seja com o meu filho.

            “Ás vezes, permite-se que os partidários da ignorância, obdurados (obcecados) inimigos da verdade espírita, tomem a nossa frente nas comunicações. A razão é porque o médium deve não só estar vigilante, como ainda, se prudente e esclarecido, repô-los no caminho verdadeiro.

            “Nem sempre, infelizmente, isso acontece. Antes pelo contrário: esquecendo conselhos, ou deveres, é comum deixar o médium de instruir os impostores, privando-se ele próprio de receber a lição grandiosa que o céu lhe deseja dar.

            “Os falsos instituidores pululam no espaço; e a ligeireza com que muita gente meneia o espiritismo tem concorrido para engrossar o número deles. Em vista do livre arbítrio, nem sempre podemos evitar o fracasso quer de médiuns e de adeptos. Na maioria dos grupos aonde repetidamente vamos por trabalhos de conversão, nada ou quase nada conseguimos: entontece-os a MILICIA DAS TREVAS. Inteligente, porém mau e despeitado, manhoso e atreito (acostumado) a engazopar (iludir), o inimigo da luz consegue parecer um Enviado, um Santo, uma alma pura. Usando linguagem mais empolada que substanciosa, prende a atenção da assistência e refoge (escapa apressado) a doutrinação.  O calor do discurso e a opulência da palavra não deixam ver debaixo da erva o trigonocéfalo... (serpente venenosa)

            “Ora, em quanto da parte dos espíritas perdurar tamanha inadvertência, esses inveterados sapadores procurarão, por todos os modos, insinuar-se, conquistar simpatias e confiança, estabelecer, em suma, a corrente necessária à sua dominação.

            “Dezenas de círculos trabalham sem nenhum resultado, porque vivem sob continua ação de falanges malignas. Fazendo, para se tornarem acreditadas, um que outro favor material, encabrestam um por um todos os médiuns. E o que custa, depois, a descravização!

            É bem difícil, na atualidade, a prática do espiritismo sem as maiores cautelas. Em tudo, aliás, há precauções a tomar.

            “Na lei de Deus nada passará; tem que ser cumprida a risca e inteiramente; a tarefa hoje negligenciada haverá de ser repetida amanhã.

            “Os centros que se deixam em tanta maneira ludibriar, não perdem somente o tempo: cometem faltas graves, por assumirem responsabilidades a que longe estão de dar cumprimento.

            “É necessário orar e vigiar. Quando não se possuem certas faculdades, como vidência e sensibilidade, mais vale a sessão sem comunicações, até que um médium de boa moral e, sobretudo, humilde possa contribuir para um serviço de cunho prático.

            “A prece atrai sempre os Espíritos do Senhor. Eles, porém, mensageiros do bem e do belo, cumpridores severos da lei, jamais a violarão. Daí o livre arbítrio respeitado.

            “A função do espírita consiste no esclarecimento dos Infelizes, na assimilação e propaganda dos ensinos que deve haurir não só das individualidades avançadas como das próprias manifestações inferiores.

            “Assim sendo, os gênios tutelares procuram quanto mais atender as preces, e então, em frente do que rogou, colocam a tarefa, isto é, o Espírito que lhe compete regenerar.

            “Na maioria das vezes, esse Espírito ou é turbulento e intenta lançar o pânico entre os assistentes, ou é hipócrita e insinua-se com roupagens de certo efeito. Senhoreando a assembleia, passa corno um graduado, não balançando mesmo em usurpar o nome de varões ilustres, ou dos chamados santos. Assim persiste até que, tendo chegado ao extremo, é levado a lugar onde possa ser descoberto e logo doutrinado.

            “Há, entre as tendas espiritas, algumas práticas de perigoso resultado. É uma a consulta, principalmente sobre assuntos estranhos à doutrina.

            “Nem sempre o médium tem próximo o seu real Protetor; além de que, é ele, mais do que qualquer outro, visado assim pelos inimigos da sua crença, como pelas vítimas de encarnações pretéritas. Pois algumas destas, ou qualquer daqueles, é que se prontificam, o mais dos casos, a responder às consultas, empregando comumente esforços para que a resposta satisfaça e se verifique o pedido.

            “Não quero com isso dizer que não se consultem os Espíritos: eles mesmos são felizes quando podem instruir seus irmãos; porém não é a tal ou tal Espirito que se deve consultar ou pedir, mas a Deus, em fervorosa prece.

            “Todo ser humano tem mediunidade pelo menos nos intuitiva. Se assim não fora, difícil se tornaria aos Espíritos guardíães conduzir os seus guiados.

            “A prece, pois, ao Pai, dá lugar a que o próprio Anjo de Guarda venha em auxilio do seu tutelado e lhe dê, por intuição, a resposta, ou atenda a rogativa, se for permitido.

            “Por um lado, evita-se, assim, que embusteiros tomem autoridade sobre as oficinas; por outro lado, consegue-se que as influências salutares possam aproximar-se, imprimir o necessário impulso, deitar a orientação precisa para conhecimento das leis supremas.

            “Se os espíritas souberem arredar esses entraves, colaborando de fato no plano divino, merecerão as luzes e auxílio que na maioria das vezes não alcançam depois da morte, - o que dá sempre aso a despeito, desilusões e consequência natural) acordo com os infelizes que lhes impediram o progresso, tornando-se, em regra, terribilíssimos obsessores.

            Quando, numa sessão espirita, impera a anarquia, quando os invisíveis ocupam os médiuns sem que o diretor o tenha ordenado, ou os abandonam à vontade, sem que possam ser tolhidos, não há duvidar: os chamados protetores, em tal meio, não passam de elementos degradados, almas tisnadas pelo vício da mentira. 

            “Em uma roda com proteção superior, nenhum espirito abandonará o aparelho sem que seja acompanhado de um mensageiro e com a permissão do doutrinador.

            “Esses pontos de espiritismo prático são facilmente reconhecidos pelos observadores atentos e de boa vontade.

            “Para que uma reunião tenha amparo e força, indispensável se torna a unificação dos pensamentos; a harmonia dos corações; a vigilância tanto do presidente e médiuns como dos circunstantes; a boa vontade; a intenção de trabalhar para esclarecer-se e esclarecer o próximo. O que tudo faz com que o doutrinante receba as inspirações e tenha poder para reter no médium o espírito que importa ser convertido.

            “Trabalha, meu filho, e concita os nossos irmãos ao trabalho produtivo. Dentre eles, muitos são bem intencionados; mas falta-lhes melhor compreensão da doutrina, o que só com esforço e paciente estudo irão lento e lento conquistando.” 


d. Simplicidade


d.     Simplicidade
por José Brígido     (Indalício Mendes)

Reformador (FEB)
Dezembro 1946

            Tudo seria mais simples se o homem quisesse retornar à simplicidade. Vamos encontrar nesse livro suave e confortador, que é "Imitação de Cristo", estas palavras edificantes: "O homem tem duas asas, por meio das quais ele se eleva acima das coisas da Terra: são a pureza e a simplicidade". Não é a ambição que perde o homem, quando é honesta e razoável. A desgraça dele está no egoísmo, que polui a ambição, tornando-a execrável. Dizer-se que a bondade desviriliza o caráter humano é uma injúria, porquanto o que ela produz é o fortalecimento moral, o revigoramento do espírito. O homem deve e precisa ter ambições, para corresponder aos objetivos superiores da vida. Desde, porém, que essas ambições sejam desvirtuadas pelo egoísmo e passem a constituir meio de coação e sofrimento para os seus semelhantes, tornam-se nocivas. Ser simples não é cair no abandono, na indiferença pelas coisas boas e belas que a vida tem: é justamente lutar pelo embelezamento e engrandecimento da vida, pelo aproveitamento honesto de tudo quanto ela nos pode oferecer. Ser simples é integrar-se na harmonia universal, pelo pensamento e pelos atos. O homem que não sabe odiar e que olha para os outros homens com o coração brando e amoroso, é um simples. A felicidade mora dentro de si, tanto que seus sofrimentos são atenuados pela resignação que a compreensão da vida oferece. Cantemos, com Exupery, este hino de fraternidade: 
               
                "A experiência mostra que amar não é olhar um para o outro, mas olhar juntos na mesma direção. Cada um se exalta por religiões que lhe prometem essa plenitude. Todos, sob palavras contraditórias, exprimem os mesmos impulsos. Dividimo-nos por causa de métodos que são frutos de nosso raciocínio, e não por causa de fins: estes são os mesmos. De nada vale discutir ideologias. Se todas se demonstram, todas também se opõem, e tais discussões fazem desesperar da salvação do homem. Quando o homem em toda parte, ao redor de nós, expõe as mesmas necessidades, queremos ser libertados. O que dá uma enxadada no chão quer saber o sentido dessa enxadada. E a enxada do forçado, que humilha o forçado, não é a mesma enxada do lavrador, que exalta o lavrador. A prisão não está ali onde se trabalha com a enxada. Não há o horror material. A prisão está ali, onde o trabalho da enxada não tem sentido, não liga quem o faz à comunidade dos homens. E nós queremos fugir da prisão". 


sexta-feira, 21 de setembro de 2012

c. Simplicidade



 c.     Simplicidade
por José Brígido     (Indalício Mendes)

Reformador (FEB)
Dezembro 1946

            Procuramos sempre a felicidade onde ela não se encontra. Um século de saturação materialista foi suficiente para desgraçar o homem. Hoje, sentimo-nos até envergonhados quando nos convidam a olhar o Sol que desponta, lindo, soberbo, vivificante, espargindo luz e calor sobre todos os homens, sobre todas as nações, indiferente ao credo político e religioso de cada um, às raças que se agridem, aos povos que se hostilizam. O homem, dotado de inteligência e livre-arbítrio, persiste em quebrar a harmonia universal. Afasta-se do ritmo normal que a Natureza dá a tudo que é seu e se afoga no sangue de inocentes, reclama cabeças em nome de estranha justiça, destrói lares, calcina cidades inteiras, levando a morte, o luto, a dor e a miséria a todos os recantos do planeta! No entanto, “são as mesmas as qualidades que fazem o bom senhor e o bom servo, o bom chefe ou o bom soldado. Um como outro é, antes de mais nada, um homem, e sabe o que esta palavra implica. Quem não sabe isso não sabe coisa alguma em parte alguma, e quem o sente é, em toda parte, o igual de todos. Eis o que chamo a simplicidade do coração, donde nasce a simplicidade da vida, dos gostos, dos costumes. Esta simplicidade é ao mesmo tempo a mais alta dignidade, a mais autêntica nobreza, a maior das forças. O homem simples não procura elevar-se com se arrancar da sua camada, com singularizar-se, escapando à lei comum. Ele bem sabe que a força nos vem pelas raízes. Conserva-se sempre em contato com o robusto sulco popular de que saímos, com a vida normal e estreme de complicações." (C. Wagner)




25e. 'Amor à Verdade'




25e
“Amor à Verdade”
por Alpheu Gomes O. Campos
Marques Araújo & C. – R. S. Pedro, 216
1927


            É da maior monta a notícia de todas estas coisas. A todo o mundo interessam. Ao espírita particularmente. Porque, em grupos sabiamente dirigidos, compostos de pessoas bem intencionadas, movidas do empenho de lançar a verdade e estabelecer a concórdia, muito se pode fazer pela evolução da humanidade ignara, que cega, se deixa encavalgar pelos cegos do espaço.

            Segundo observação de vidente e explicação dos Protetores, nas sessões com médiuns de efeitos físicos, onde haja, por exemplo, cem Espíritos para serem norteados, o primeiro serviço é separá-los em grupos consoante o avanço intelectual e as tendências de cada um. Com extrema facilidade o executam as almas adiantadas.

            Assim distribuídos, a cada classe toca um Instrutor. Ao mesmo tempo, outros trabalhadores extraem dos médiuns a força fluídica, encaminhando-a para os doutrinantes, que a empregam segundo as necessidades.

            Em duas horas de labor, pode converter-se, tal seja a capacidade moral dos médiuns, um pelotão de Infelizes. É claro, muito influi outrossim a concentração da assistência, que, quanto menor, melhor.

            Dois factos fisiológicos se passam, conforme vimos, durante os trabalhos: a sede e o bocejo. É este bastante útil ao médium, pelo desenvolvimento dos órgãos respiratórios. Por experiência própria o asseveramos. Dá-se com a extração dos fluidos e provoca a sede, indício de dispêndios orgânicos em tal sorte de atividade. O corpo realmente ha de reclamar, como reclama, reposição do que lhe foi subtraído.

            “Para a formação dos quadros há pouco descritos pelo vidente, disse-nos um Protetor, necessiramos material de variada espécie, que, manipulado, possa prestar-se às operações convenientes. Assim, permitimos que os Infelizes, rodeando o médium, saturem-no de seus fluidos pesados. Por nossa vez também lhe enviamos os nossos, para retirá-los de mistura, logo em seguida, e dar-lhes a aplicação que     já sabem.

            “Nota que também nisto se verifica a lei circulatória: se, por um lado, sacamos elementos, por outro os repomos; com eflúvios salutares e restauradores não só se retribui a dedicação do médium, mas segura-se o seu estado hígido (de saúde).

            “O organismo do que entra a desenvolver essa faculdade, quer-se prudentemente conduzido, até habituar-se de todo a tais permutas. Portanto, ao começo, é pequeno o serviço prestado. Não estando os seus tecidos, principalmente o nervoso, afeito às trocas, importa lentamente educa-las. A vontade, porém, opera milagres; o esforça perseverante é tudo”.

            Vamos encerrar este capítulo com uma palavra justificativa da insistência e largueza com que versamos a questão. Do alto nas veio:

            “O sistema de trabalho que assaz tem aproveitado não só aos meus filhos, como às almas aqui orientadas, está senda aceita par muitos adeptos com que os meus filhos tem palestrado. Contudo, a propagação é morosa, vista como se limita ao círculo das suas relações.

            “A matéria, entretanto, é digna de estudo, e mais, de propaganda. Devem os meus amigos fazê-la pelos meios que lhes parecer, convictos de que para isto serão favoniados (favorecidos).

            “É tempo de fazer ver a maneira de concorrer cada qual mais e melhor para o engrandecimento das almas, primeiro do espaço e logo da terra.

            “Desde remotas eras se aproveita a força latente dos encarnados para a ensinança dos desencarnados. A obra do Criador é sem intermissão. Por esse processo muito se tem realizado nos diferentes planetas. Na Terra, desde que o homem apareceu, sempre os mensageiros do Senhor doutrinaram os invisíveis a poder de demonstrações que exigem fluido dos humanos.

            “Se assim é, e só agora tem a graça de o conhecer em toda a plenitude, é que os tempos chegaram e urge desvelado o segredo. Se, ao tempo de Kardec, não foi isto propalado, é porque a humanidade não estava em ponto de compreendê-lo e lhe causaria, em certa maneira, enormes embaraços ao Codificador, que, sem embargo da grandiosa missão, expiava ainda o passado, mormente no tocante à vida de Jesus.

            “À obra, pois, meus amados filhos. Batalhem neste sentido, e nada para tão grande ofício lhes faltará.”



O Batismo


O Batismo
José Monteiro Lima
Reformador (FEB) Novembro 1946


            Moisés, o célebre legislador hebreu, no intuito de orientar o seu povo nos mais rudimentares preceitos de higiene, estabeleceu, além das leis de natureza político-religiosas, uma série de medidas que visavam defender a saúde daquele povo ainda inculto e agreste. Com efeito, o Velho Testamento recomenda lavar as mãos, os copos, os pratos, as camas, a roupa, etc., enfim, uma série de medidas de feição religiosa, cuja finalidade era formar certos hábitos indispensáveis à saúde do povo. Ora, o batismo judaico era, em última análise, uma dessas medidas de higiene, e, nesse ponto, ninguém tem maior autoridade para dizê-lo do que Flávio Josefo, célebre historiador 'judeu do 1º século. Profundo conhecedor das seitas religiosas do seu povo, diz, referindo-se a João, "chamado o Batista", que "a imersão na água (o batismo), agradável a Deus, era feita, não para a remissão dos pecados, mas para purificar, o corpo, desde que a alma tivesse sido purificada por uma via justa." (Antiguidades XVIII, 5, 2)

            A lavagem das roupas era também considerada um dos meios de santificação, mesmo antes da revelação do Sinai (Êxodo, XIX :10) e os rabis ligavam a isso o dever de banhar-se por imersão completa (Lev., XV:5; Números, XIX:7, etc.)

            Lendo os preceitos religiosos de outros povos antigos, chega-se à conclusão de que o batismo não começou com o Batista nem o batismo teve origem propriamente no povo judeu. Na antiga Babilônia, na índia, na China, etc., o batismo, no adulto ou na criança, de modo geral, se assemelhava ao batismo judaico-cristão. Mesmo entre os antigos pagãos, astecas, incas, etc., o batismo era praticado muito antes da influência do Cristianismo. Entre os pagãos, de onde provavelmente se originou o batismo que hoje se faz nas igrejas, a cerimônia, em geral, tinha lugar logo após o nascimento, ocasião em que o recém-nascido recebia o nome, sendo então colocado sob a proteção dos deuses.

            De acordo com os ensinos rabínicos, o batismo era praticado no antigo Judaísmo como meio de penitência, a fim de poderem pronunciar, em perfeita pureza, o nome de Deus nas orações. Os essênios, sem dúvida por isso, costumavam batizar-se, isto é, banhar-se, todos os dias pela manhã (The Jewish Encyclopedia, Isidore Singer, 2º vol., pág. 500).

            O batismo de João era, pois, um velho preceito de caráter religioso, que lembrava a ideia de purificação, cuja finalidade era evitar a propagação de doenças, sobretudo da lepra, comum entre os judeus daquela época. Jesus mesmo reconhecera a sua necessidade, tanto que, embora ele próprio não batizasse, os seus discípulos batizavam ainda mais que João (João, 4-:2). O próprio Batista via na tradição do batismo da água uma medida indispensável à saúde daquele povo que vivia em promiscuidade num país quente seco e poeirento. Jesus mesmo, para não escandalizar, pede ao Batista para ser batizado dizendo: "Deixa por agora, porque assim nos convém cumprir toda justiça" (Mat., 3:15). É claro que Jesus não tinha nenhum "pecado original" .

            Para Jesus o batismo tinha significação espiritual. Quando dois dos seus discípulos se aproximaram dele, e pediram que, no seu reino, lhes permitisse assentar-se um à sua direita e o outro à sua esquerda, Jesus respondeu: "Não sabeis o que pedis; podeis vós beber o cálice que eu bebo e ser batizado com o batismo com que sou batizado?" Eles responderam: "Podemos". Mas Jesus, como se já esperasse essa resposta, disse: "Em verdade vós bebereis o cálice que eu beber, e sereis batizados com o batismo com que sou batizado; mas assentar-se à minha direita ou à minha esquerda, não me pertence a mim conceder, senão àqueles para quem está preparado." (Marcos, 10:35-40) Compreende-se, pois, que Jesus aí não se refere ao batismo da água, mas às dificuldades e às lutas que teria de enfrentar. O cálice e o batismo simbolizam a vitória do seu Espírito diante das dificuldades terrenas. Não têm outra significação as suas palavras: "quem crer e for batizado será salvo", isto é, quem vencer a batalha da vida, quem vencer o mundo como ele venceu, alcançará a paz. A história do batismo da água para "lavar o pecado original" é pura invenção da Idade Média.

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quinta-feira, 20 de setembro de 2012

b. Simplicidade



 b.     Simplicidade
por José Brígido     (Indalício Mendes)

Reformador (FEB)
Dezembro 1946



            Se todos tivessem consciência de seu verdadeiro papel na vida, o mundo não estaria encharcado de sangue, dividido pelo ódio, enceguecido pela ambição criminosa. Às vezes queremos ser mais do que podemos e para conseguir os nossos objetivos acumulamos responsabilidades progressivamente maiores e mais pesadas. Depois, revoltamo-nos contra o sofrimento que nos bate à porta. Mas a dor que invade os lares é a mesma que não recua ante o poder dos déspotas nem vacila ante a riqueza dos argentários. Ela cumpre, inexoravelmente, democraticamente, a sua função saneadora. Os que a compreendem, aproveitam-na em benefício próprio, atenuando seus efeitos pela compreensão dos deveres que devem aceitar e cumprir. Ela retifica rumos. As mais das vezes, representa um brado de alerta, um toque de sentido, uma advertência que os imprevidentes costumam desprezar. "Toda vida presente nada é em si - disse-o Constâncio Vigil. Mas constitui uma oportunidade para que a alma se purifique e engrandeça". A bondade e a tolerância encerram elementos capazes de tornar o homem feliz. Se cada qual adquirir plena consciência de sua posição em face da vida, estará mais perto da felicidade do que imagina. Só não somos felizes quando nos deixamos obumbrar pelas nuvens espessas da ambição egoística. A alegria pura está na vida simples e isenta de preconceitos. Se a Natureza é simples, se tudo nela é simplicidade, porque nós, que dela fazemos parte, não decidimos também ser simples? Preferimos embrenhar-nos em ínvios atalhos, onde nos esperam os espinhos das desilusões. Sentimos a volúpia da complexidade, amamos a confusão, abominamos a luz, porque o nosso íntimo abriga uma ânsia que se alimenta de nossa falta de espiritualidade. Buscamos com insensata persistência o lusco-fusco que precede a treva; abeiramo-nos do abismo por livre vontade, malgrado os sinais de perigo que a nossa intuição nos dá.





25d. 'Amor à Verdade'


25d
“Amor à Verdade”
por Alpheu Gomes O. Campos
Marques Araújo & C. – R. S. Pedro, 216
1927


            Acima dissemos, a força fluídica - trate-se da sua exteriorização, quer do seu emprego - varia com as disposições mentais de cada um. Certo, uma educação mais ou menos longa dessa faculdade é necessária; mas a vontade é o seu primeiro regulador, notadamente no tocante aos efeitos.

            Muita e utilíssima pode aos Trabalhadores fornecer quem se interesse pelo alívio e esclarecimento do próximo, quem procure sentir a doutrina e sublimar a caridade. Nas vibrações de nosso ser os Grandes leem maravilhosamente. Conhecedores da lei, respeitam nosso livre arbítrio. Só tomam de quem quer dar, só se valem de quem quer servir. Todos podemos, na medida do nosso desenvolvimento; por na salva (bandeja) de queridos antepassados um óbulo de luz com que esclarecer e salvar uma infinidade de irmãos retardatários. Todos podemos, na medida do nosso esforço em moralizar-nos, fornecer elementos para calar muito gemido. Um semelhante sofre? A seu lado, produzindo ou agravando o mal, existem sombras, que o punem de remotas injúrias. - Quereis valer-lhes? Rogai por eles. Substituindo pela fé os passes muito em voga, rogai por todos, pelo doente e pelos desencarnados. Os Luzeiros do astral baixarão e, tendo utilizado os vossos fluidos, já serenaram aquela agonia, já reconduziram estes operários, deitando bênçãos sobre quem Ihes deu força para trabalhar e mais ainda subir.

            O anverso agora. Sabemo-la por instruções também dos nossos Guias. O que para tanto préstimo não busca habilitar-se e deixa a toa tamanha riqueza, mais do que pode imaginar comete falta. É malefício deixar de fazer o bem possível. - Uma falta pequena, dir-se-á, uma falta por omissão... Engano! Para todas as suas obras ajudam-se os invisíveis de nossos fluidos. Quem, por amor, não os empresta aos divinos obreiros, cede-os fatalmente aos frívolos e maus. Estes a nada respeitam; para as suas peças e maldades só não podem retirá-las daqueles que, por uma longa e severa disciplina do pensamento, vão assegurando a assistência das almas boas. Desaproveitados é que não ficam os eflúvios do corpo humano: cristãos de verdade, oferecemo-los para o Bem; fúteis ou indiferentes, prodigalizamo-los para o Mal.




25c. 'Amor à Verdade'

25c
“Amor à Verdade”
por Alpheu Gomes O. Campos
Marques Araújo & C. – R. S. Pedro, 216
1927


            Pondo a mira em executar nossos deveres, caminhando e expiando os delitos de passadas encarnações, um dia, pela escrita, recebemos a um dos nossos Educadores, que nos disse correrem satisfatoriamente os trabalhos. Entre carinhosos conselhos, deu-nos a ver a obrigação de propagarmos tudo aquilo que obtínhamos. “Guardá-lo tanto montava como colocar a luz em baixo do alqueire. A atmosfera, ao receber os raios solares, difunde-os, levando a claridade a pontos mui distantes. Assim a verdade vem por um, mas é para todos. Ninguém vive só por si e para si. A todo o que se interessa realmente pela avançada geral, incumbe espargir a ciência adquirida. A infelicidade dos homens é consectário (consequência) do egoísmo e desmarcada ambição dos mais ilustrados. Falar, pois, de tais serviços aos amigos e confrades; demonstrar-lhes como se aproveita para o referido objetivo a força fluídica dos médiuns de efeitos físicos; conversar amplamente sobre doutrina assim consoladora que propulsora do progresso. Muitos dentre os homens trazem os seus
princípios, abafados, é exato, pela multidão de Infelizes; porém, ao serem chamados, receberão inspirações para atenderem. Com eles a pouco e pouco formar-se-á um núcleo capaz de acarrear muita prosperidade ao povo”.

            Colineando (alinhando)  esses conselhos, sempre que se apresentava oportunidade, versávamos com uns generalidades da doutrina, e com outros, já seu tanto enfronhados nela, a particularidade dos trabalhos.

            Ao toque de reunir acudiu primeiro o professor Aldo Muylaert. Ao cabo de quase um ano, acompanhava-nos Seraphim de Almeida, presidente do Grupo Espirita S. João Baptista.

            Orando constantemente pelo médium que desgarrara, conseguimos, com esforço não pequeno, libertá-lo da falange que o dominava. Readmitido aos trabalhos, segundo instruções dos Guias, veio de novo a cair, ao fim de alguns meses, por não aguentar a prova a que a Suprema Sabedoria houve por bem submetê-lo.

            Nunca tiveram nossas sessões assistência superior a dez pessoas, cláusula imprescindível para boa concentração e melhores resultados.

            Ademais doutros, menos assíduos, presentemente são nossos companheiros: Aldo Muylaert, catedrático do Lyceu e Escola Normal de Campos ; Dr. Renato Machado, médico; Seraphim de Almeida, industrial; Dr. Obertal Chaves, promotor público da comarca; José Martins Manhães, farmacêutico; Waldebrando Rossi, artista; Leovigildo Leal, guarda-lívros; Antonio Rangel de Souza, poeta.