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domingo, 16 de janeiro de 2011

Biografias - Aristides Spínola

Sem data certa, estarei postando algumas biografias de Espíritas do passado que, por motivos que não compreendemos bem, foram levados ao esquecimento.


        
  BIOGRAFIAS
Aristides Spínola

Caetité, Bahia
29-08-1850
Rio de Janeiro, RJ
09-07-1925

                Advogado do Espiritismo. É o que se pode dizer, logo de início, de Aristides de Souza Spínola, nascido na Bahia, tal como outros grandes espíritas: José Petitinga, Luiz Olímpio Teles de Menezes, Leopoldo Machado e Carlos Imbassahy. Homem voltado ao bem da pátria e do povo. Herdara do pai, o Cel. Francisco de Souza Spínola, deputado geral pela Bahia em três legislaturas, o pendor para a política, onde também se destacou, criado que fora “em rígidos princípios morais, sabendo ver o valor de um nome honrado”, como se lê na sua biografia, incluída em “Grandes Espíritas do Brasil”, de Zeus Wantuil. Antes, porém, de escrevermos sobre o espírita valoroso que ele foi, sempre pronto a defender o Espiritismo de ataques levianos, tão comuns até alguns anos atrás, torna-se necessário, para que melhor o compreendamos, anotar, embora de modo sucinto, algo de sua vida de homem público.
            Bacharelou-se em Direito em 1871, após cursar com brilhantismo a Faculdade de Direito de Recife, aluno assíduo, interessado em formar uma grande cultura jurídica. Advogou em sua terra natal, sem deixar de lado os estudos. A história, principalmente, o atraía. E tal era seu entusiasmo pela matéria, que percorreu, por mais de uma vez, o vale do rio são Francisco e outras regiões, para coligir apontamentos para seus estudos.
            Em 1878, bem moço ainda, foi eleito deputado provincial pela Bahia; de 1879 a 1880, Presidente da Província, hoje Estado, de Goiás, tendo sido elogiado pelo Imperador Pedro II, que exaltou os predicados morais e intelectuais de que já dera provas. Em 1881, na primeira eleição direta que houve, em nosso país, representou a Bahia na Assembléia Geral do Império. Conquistou, definitivamente, o eleitorado baiano. Reelegeu-se em 1885 e de 1886 a 1889. Sempre deputado geral. Não cabe narrar, nesta página, a atuação de Spínola na política brasileira, basta que se diga que tem seu nome registrado no Dicionário Bibliográfico Brasileiro, de Sacramento Blake, 1º Volume, onde é  repetida uma notícia biográfica do periódico “A Lei”: Um dia, lecionava Filosofia o sábio frei Antonio da Virgem Maria Itaparica e, num debate franco entre aluno e mestre, este, para assombro geral, convidou o moço a sentar-se na cátedra que ocupava e tomou lugar entre os discípulos, para ouvi-lo. Ao ser proclamada a República, exercia o cargo de 1º secretário da Câmara. Só em 1909 a 1911, voltou a eleger-se, afastando-se, então, definitivamente da política, para se dedicar à advocacia, ao estudo. Já era espírita. Adepto sincero e fervoroso da Doutrina Espírita. As palavras do seu biógrafo, insertas em “Reformador” e coligidas por Zêus Wantuil, sem indicação do autor, melhor do que podemos fazer, traça a figura do homem ilustre e bom: “-Dentro da política, do mesmo modo que fora dela, nunca deixou de ser impecável o seu proceder, o que, de par com a estima dos que a seu lado militavam no Parlamento, lhe assegurou a admiração e o respeito de quantos lhe apreciavam a ação parlamentar, invariavelmente visando a superior objetivo, assim como o saber e a moral postos ao serviço dessa ação. É indiscutível que, dispondo a seu talante de tantos fatores eficientes para a obra do engrandecimento humano, se em sua alma, ele encontrasse agasalho à ambição das glórias e grandezas mundanas, houvera sido um dos que os homens consideram grandes e houvera talvez vivido na opulência e nos gozos que a riqueza propicia. Tal, porém, não podia acontecer, pois seu espírito pairava acima das contingências humanas, em busca de objetivos mais altos, nobres e duradouros. Tão logo banhara a alma com as claridades do Espiritismo, pautou suas atitudes políticas pelos novos ensinos reveladores, até que, soada a hora, ele a tudo renunciou para se tornar, só e só, servo de Cristo e diligente obreiro do espiritismo.” “-Foi esse um passo difícil, - diz o “Reformador”, que exigiu de Aristides Spínola a virtude da humildade, renúncia que constituiu o ponto culminante da sua  trajetória terrestre, o grande exemplo, a lição magnífica que nos legou, lição e exemplo que fazem avultar imensamente aos nossos olhos a sua grandeza moral e no-lo mostram, soberbo e admirável, na sua verdadeira grandeza espiritual.” Ingressou, em 1905, na FEB, levado por Pedro Richard, e a ela se dedicou, de corpo e alma, durante 21 anos seguidos, até a sua desencarnação. E foi vice-presidente da Casa de Ismael, substituindo o  Dr. Geminiano Brazil, presidente em 1914, 1916 e 1917,1922 e 1924. Ao falecer, era, de novo, vice-presidente. Um abnegado. Não disputava cargos, mas encargos. Estava pronto a ser o porteiro da instituição, caso só ali pudesse ser útil.  Outra vez damos a palavra a seu biógrafo, talvez Guillon Ribeiro, talvez o próprio Richard, seu grande amigo. “-O que queria era trabalhar. E trabalhou sempre, e muito, e trabalhou bem.      Dentre os serviços prestados, merecem ser destacados os que ele teve ensejo de dispensar à FEB, como advogado, de todas as vezes que o espiritismo se viu alvejado pela ciência oficial, sob a forma de perseguições aos médiuns, por exercício ilegal da Medicina.
            O último caso dessa natureza verificou-se em 1923, com a vitória de Spínola na ação que intentaram contra a médium receitista e curador Inácio Bittencourt. Em todos esses episódios jurídicos, a quem o amor que consagrava à doutrina dos espíritos o levara a especializar-se inigualavelmente nesse gênero, encontrou oportunidade para produzir trabalhos que, tendo sempre conduzido ao triunfo as causas por ele pleiteadas, ficaram e permanecerão quais padrões indestrutíveis da sua vastíssima cultura jurídica e do profundo conhecimento que tinha, não somente do conjunto da Doutrina Espírita, mas também do espírito de cada um, dos princípios que a alicerçavam, do altíssimo objetivo da seus ensinos e da sua mais ampla finalidade. “Foi homem de Direito. Amante apaixonado da justiça. Defensor corajoso da mediunidade tão incompreendida e em nossa terra, perseguida. Com sereno entusiasmo se batia pela boa causa do espiritismo. E era jornalista de mérito, que colaborou nos grandes jornais do país.  Obras Publicadas: Além de trabalhos políticos e parlamentares, a tradução de ‘Ensaio de revista geral e da interpretação sintética do Espiritismo’, de E. Guel, e ‘Caridade Perseguida’, memorial de recurso criminal, ‘Estudos sobre os índios que habitam as margens do rio Araguaia (carajás).’

1ª Mensagem do Espírito de Bezerra de Menezes




Mensagem do Espírito de         Bezerra de Menezes



Fonte:  Editorial do  Reformador (FEB)  em 16.04.1926
           
            Foi aos 11.04.1900, há 26 anos, quase às 11:30 horas de outonal manhã, serena, suave, luminosamente rodeado da família que eram todos seus discípulos, deixava o alquebrado corpo material o espírita hoje considerado sem favor e com justiça - Missionário da Doutrina no Brasil.
            O seu trespasse, dizem os que a ele assistiram emocionados, revestiu-se das características dos que o vulgo define e simplifica nesta frase: “Morreu como um Justo!”... 
            ...Recordar-lhe o exemplo, evocar-lhe a memória em momento de acerbas lutas e lamentáveis desvios, qual o que vamos amargurando todos os que lhe tomamos o pesado legado, é dever tão grato como necessário.
            Presidente da Federação desde 1889  e a ela chamado justamente quando profundas divergências cendiam o rebanho espírita em torno de idéias personistas e secundárias, o ilustre mestre - que de fato o era - traçou logo o seu programa na orientação evangélica, que temos procurado manter dentro do lema: Deus, Cristo e Caridade.
            Dizer da projeção desse espírito de escol, desse servo de Jesus, na evolução da Doutrina em nosso país, fora tarefa superior às nossas forças, enquadrável aos demais nos moldes de um simples registro de noticiário e também inútil, porque a sua obra não foi esquecida e muito menos interrompida, mas aí está abrolhante de vida em cérebros e corações.
            Ela está no culto de respeitoso afeto que lhe tributam quantos o reconheceram pelo exemplo na vida de relação e quantos dele recebem o influxo do mundo espiritual, através de comunicados que são verdadeiras esmolas divinas, pela solidez da Fé e pelo espírito de Caridade - os traços inconfundíveis da sua personalidade humana.
            Médico ilustre, político prestigioso, ele que teve do mundo e no mundo todos os elementos de triunfo - talento, saber, fortuna, renome - tudo, tudo deu em nome d’Aquele que o chamava à colaboração do restabelecimento do seu reinado na Terra, realizando em toda a inteireza grandiosa o grandioso preceito: “Aquele que quiser seguir-me renuncie a si mesmo!”
            Era fatal, era lógico: o médico ilustre, o político eminente, o parlamentar brilhante, o diretor da Companhia S. Cristóvão, morreu pobre, paupérrimo...!
            Não teve necrológios brilhantes de colunas inteiras nas gazetas da época; não teve funerais pomposos com serpentinas de carruagens luxuosas; não teve exéquias realçadas com o registro de nomes feitos, mas teve um exército de pobres, de obscuras e humildes criaturas que ele amou e protegeu, serviu e consolou das quais muitas, ainda hoje entre nós, trocaram as lágrimas da saudade de então, pelos amavios de uma prece, nessa comunhão permanente que as tonaliza para lhe seguirem a esteira, apesar de todos os percalços e fraquezas.
            Para dar aos nossos caros irmãos e leitores uma idéia da lucidez com que desencarnou o prógono do Espiritismo Evangélico, que foi de todos nesta casa o mestre insubstituível, damos abaixo a comunicação dele recebida no Grupo Ismael, de que fora Diretor, no dia imediato ao do seu passamento quando esse Grupo, fiel ao seu programa, comemorava a ‘Ceia do Senhor’.

            “Paz. Quanta ventura gozas, Oh! minha alma! Quanto sonhei, alma pecadora, filho que eu era dos vícios e do crime, aqui vir em espírito, no dia em que os discípulos, comemorando as endoenças, lêem e gravam nas suas almas o testamento de Jesus, assistir a essa comemoração!
            Mãe Santíssima, puro abrigo de todos os infortúnios, manancial celeste que dessedenta todas as almas, foste tu de certo, celeste Esposa, quem, orando ao Senhor, dirigindo-lhe uma oração, qual só a Virgem Imaculada pode fazer, despiu a minha alma das fezes do mundo que acabo de deixar e me restituiu ao Teu amado Filho, como se eu houvera sido lá na Terra um verdadeiro discípulo Seu; como se tivesse direito de sentar-me à mesa do banquete divino, de comer o sagrado pão e de beber o generoso vinho!
            Mãe Santíssima! Abrigaste-me no teu mundo celestial, aqueceste meu Espírito no teu puríssimo e santo seio. Sê bendita, Senhora sempre boa. Baixa os teus olhos sobre os meus amigos, oh! Virgem Gloriosa!
            São também teus filhinhos, como eu, que aflito, gemi e padeci na Terra, sempre de olhos cravados em Ti. Dá que eles possam compreender, oh! Virgem Imaculada, esse ensinamento que nos mostra o teu amado Filho, rei absoluto deste planeta, curvado como humilde servo, diante dos humildes pecadores, a lhes limpar os pés do pó da estrada que, peregrinos, trilhavam! Que eles possam compreender esse - AMAI-VOS UNS AOS OUTROS - certos, convencidos de que o amor que irradiarem de suas almas pelos seus irmãos evola-se, livra-se aos páramos, donde reina sobre a terra o teu bendito Filho, porque é  amor elevadíssimo que de Jesus lhes vem.
            Meus companheiros, meus amigos, é demais a recompensa!
            Saudades! Ouvi de mais de um essa palavra. Mas saudades, por que?
            Vê tu, meu velho amigo (dirige-se a Sayão), vejam todos vocês, como é fraco o Espírito do homem.
            Vocês, espíritas, meus companheiros, que falam a todo momento comigo, têm saudades e choram! Eu também choro a minha fraqueza.
            Oh! Deus! Oh! Jesus Cristo! Quando, pelos verdadeiros elos da amizade, pela verdadeira compreensão de teus ensinos, se estancarão as nossas lágrimas e essa palavra deixará de ter sentido na linguagem das criaturas, vivendo todos sempre unidos e ligados pelo coração?
            Estou junto de vocês, meus caros companheiros. Peço-lhes que não quebrem nunca essa cadeia sagrada.
            Como isto é belo, como isto nos eleva as almas!
            Obrigado a todos vocês, a todos vocês, obrigado. O Bezerra estará sempre unido aos vossos corações. O Bezerra pede a Deus e Deus há de permitir que ele continue a trabalhar e a produzir na seara bendita.

quinta-feira, 6 de janeiro de 2011

A 'Mediunidade'



A  Mediunidade


Editorial da Edição de 15.12.1895 de Reformador (FEB)
(reeditado à pág. 27 no ano de 1917)
Escreveu o Dr. Bezerra de Menezes

            Quem empreende um trabalho delicado premune-se dos necessários instrumentos e se, posto em obra, reconhece que um mais daqueles instrumentos tem falhas, que os tornam inaptos para o desejado fim, despreza-os e procura outros.
            A mediunidade é instrumento valiosíssimo para a propagação da nova revelação comunicada à terra pelos espíritos do Senhor.
            A mediunidade foi para tal fim dada aos homens, que assumem por isso a responsabilidade de instrumentos vivos da vontade onipotente.
            O médium, que desempenha consciosamente e de boa vontade a alta missão que lhe foi dada, prestando seu aparelho tanto lhe permitirem suas condições psíquicas e as da vida de relação, receberá do juiz supremo de nossas ações o prêmio prometido aos trabalhadores da seara de Jesus.
            Aquele, porém, que fizer do divino dom meio de especulação, ou empregá-lo em crises fúteis e sem proveito para a humanidade, ou furtar-se ao serviço de sua missão
por preguiça ou qualquer outro motivo inconfessável, esse será repelido como instrumento imprestável.
            O que pode haver mais glorioso do que receber de Deus a faculdade de ser instrumento de seu Santíssimo filho, cooperando com Ele na obra de regeneração da humanidade terrestre?
            Quem, pois, será tão inimigo de si próprio que, em vez de empenhar-se por corresponder a tão alta confiança, cultivando aquela faculdade e pondo-a de boa vontade ao serviço a que foi destinado, se esquive à alta função, ou a empregue mal e de modo condenável?
            A mediunidade é uma graça, que faz o homem sócio de Jesus na propagação das verdades eternas; e, pois, é coisa de ser ambicionada com veemência, nunca, porém, desprezada ou desconsiderada.
            Quem a possui deve dar graças a Deus, e fazer o que estiver em suas forças por bem desempenhá-la.
            Como em tudo, o homem dotado da mediunidade é livre em aceitar ou recusar a graça, e em corresponder-lhe tíbia ou vivamente; mas, como em tudo, o homem dotado de mediunidade é responsável pelo modo como usar de sua liberdade com relação a esta missão que lhe foi dada.
            E muito maior será sua responsabilidade se for espírita, porque tem a compreensão de verdades que outros ignoram; e mais se pedirá a quem mais se tiver dado.
            Delicadíssima é a posição do médium, eleito do Senhor para instrumento do ensino de Jesus. Não é um simples propagandista, é uma máquina de propaganda.
            O médium, pois, deve ser cauto, mais do que qualquer outro, na satisfação das necessidades materiais; deve ser dedicado ao trabalho da vinha santa, deve incessantemente cultivar sua inteligência nos ensinos da doutrina, especialmente na parte que se refere à sua especialidade.
            O médium pode ser equiparado ao sacerdote, a quem não é lícito considerar levianamente as coisas do seu ministério.
            Também por isso o bom ou mal êxito dos trabalhos espíritas dependem mais das condições do médium do que da soma das condições de todos os outros circunstantes.
            Uma sessão, em que o diretor dos trabalhos e o médium forem crentes bem de alma, forem bem conhecedores da doutrina, forem trabalhadores de boa vontade e guardarem o respeito devido às coisas sagradas, dará sempre frutos preciosos, embora nem todos os circunstantes estejam compenetrados de seus deveres.
            O diretor dos trabalhos e o médium forem quem  eles se fazem, são as colunas principais do edifício, que será um monumento se os demais membros que constituem o Centro corresponderem de boa vontade para que haja uma concentração e unidade de pensamento para o bem, meios infalíveis de serem atraídos os bons e afastados os maus espíritos.
            Um trabalho feito nestas condições jamais será perturbado pelos enganosos, salvo se, para lição, lhes é permitido entrarem, caso em que sua atenção nunca poderá ficar oculta.
            Imagine-se, depois disso, o que será um trabalho feito em condições opostas: um diretor incompetente, um médium sem a consciência de seu dever e circunstantes mais dominados de curiosidade do que do desejo do bem.
            Não será uma calamidade, porque a misericórdia de Deus não o permite; mas será uma verdadeira bacanal, em que representarão os papéis que bem lhe parecerem os espíritos enganadores, sempre em tais casos tomados a sério, com prejuízo gravíssimo para a verdade e para o bem, porque a multidão de invisíveis que assistirem ao espetáculo sairão dele, em vez de edificados, mais incrédulos do que vieram.
            E a responsabilidade de tão lamentável desastre?
            Entre os dois extremos aqui figurados, é de simples extensão que existe uma longa escala, em cada um de cujos degraus diminuem as condições do trabalho em regra, e aumentam proporcionalmente os do trabalho contra a regra.
            Melhor fora que os autores deste último se abstivessem dele; porque isto menos lhes pesaria; melhor fora que o diretor incompetente; se não quisesse preparar-se, fosse assistir aos trabalhos de outros grupos, e que os indivíduos, em consciência não preparados, se deixassem  ficar em cada.
            Pelo menos assim, se não evitarem a responsabilidade de não se utilizarem do bem que lhes foi dado, evitarão a do escândalo que vão dar, trabalhando sem se terem convenientemente preparado.
            Nada disso se entende com o médium ainda não desenvolvido e que trabalhe para se desenvolver; mas este deve escolher onde praticar. 

quarta-feira, 5 de janeiro de 2011

Aron, um espírita


Aron é o que anuncia no blog: um espírita. Apenas isso. Suas origens mesclam o Judaísmo, o Catolicismo, a corrente Batista do movimento evangélico sem nunca ter tido outro entendimento sobre religião que não o do Espiritismo. Colecionou material de rara divulgação. Entende que é hora de sua veiculação.

quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

Ismael Gomes Braga e Abel Gomes - Daqui e de lá...



Profissão de Fé Cristã

           
Reformador (FEB) Out e Nov 1944
           
            “A forma concisa destas máximas parece destiná-las a serem decoradas pelas pessoas de boa memória. Achamos conveniente, no entanto, juntar-lhes, nas páginas que seguem, alguns breves comentários que o leitor poderá ampliar pelas suas próprias reflexões.
            Havendo mantido íntimas relações com Abel Gomes quando vivo, durante mais de trinta anos, procuramos fazer os comentários com a suas próprias idéias e aspirações.
                                   I.G.B. (Ismael Gomes Braga)

Profissão de Fé Cristã

1.         Amarei a Deus, acima de todas as coisas, com toda minhalma e entendimento.
2.         Executarei a Vontade Divina sobre todos os meus propósitos individuais.
3.         Aplicar-me-ei às lições do Mestre Jesus.
4.         Serei fiel ao Senhor.
5.         Servirei aos meus semelhantes como a mim mesmo,
compreendendo-lhes as necessidades e respeitando-lhes as opiniões.
6.         Aproveitarei o patrimônio sagrado do tempo com elevadas edificações.
7.         Transformarei os pântanos do mal transitório em lavouras do bem
para a eternidade.
8.         Terei meu veículo de manifestação como vaso divino que devo santificar.    
9.         Aprenderei a ciência de agradecer.
10.       Darei minha cooperação nos serviços do Pai com desinteresse e alegria.
11.       Receberei as bênçãos do Senhor, não só para meu aproveitamento, 
mas também para distribuí-las em seu nome.
12.       Colaborarei na obra do mundo sem apegar-me, guardando 
o meu ideal de suprema libertação.
13.       Compreenderei que o sacrifício é a lei na elevação espiritual.
14.       Desviar-me-ei de qualquer posse que traga cativeiro para minhalma.
15.       Honrarei minha tarefa no dia que passe, entendendo que representa 
um título da confiança de Deus, cuja bondade me chamará amanhã a serviço maior.
16.       Reconhecerei que todas as dificuldades do caminho evolutivo são
 páginas de luz para o meu aprendizado divino.
17.       Cultivarei o otimismo, diante de todos os obstáculos.
18.       Conservarei, aplicando-as na luta, as santas lições da experiência.
19.       Esquecerei todo o mal.
20.       Farei o bem antes de pregá-lo.
21.       Auxiliarei o mundo sem escravizar-me a ele.
22.       Procurarei ser cristão com meus pensamentos, palavras e atos, 
antes de tentar a cristianização do próximo.
23.       Exigirei de mim mesmo e serei benevolente com os outros.
24.       Cooperarei no serviço terrestre pela vitória do Bem para sempre.                              
Abel Gomes

                                   ***


1.         Amarei a Deus, acima de todas as coisas, com  toda a minhalma e entendimento.
           
            Amar a Deus sobre todas as coisas é o primeiro mandamento do Decálogo. As maravilhas da criação nos revelam uma Força, uma Sabedoria, um Amor previdente e paterno que tudo organiza e governa os mundos e os seres, desde as coisas infinitamente pequenas até as infinitamente grandes. Sentimo-nos uma partícula, ainda que minúscula, deste espetáculo majestoso da vida que palpita na Natureza toda e em nosso próprio ser. Nossa inteligência sente-se pequena, ínfima, para compreender, mas o coração enche-se de admiração e amor pelo Criador de todas essas maravilhas. Quanto maiores descobertas a Ciência realiza na Natureza, tanto mais nossa alma sente-se enlevada na adoração ao Ser Supremo, nosso Criador e Pai. Pelo amor a Deus sobre todas as coisas, passamos a amar a Deus sobre todas as coisas, passamos a amar a todas as obras de Deus, principalmente ao homem; seja ele já evolvido e bom, ou ainda primitivo e rude, é uma parte, como nós, da criação divina e caminha para o crescimento e perfeição, para elevar-se em afinidade ao seu criador.
            Como manifestação desse amor a Deus, a alma vive em prece e contemplação, elevando-se cada dia mais para a harmonia espiritual que rege os mundos superiores e desprendendo-se aos poucos da animalidade dos mundos primitivos. Mas a contemplação não é inerte e passiva; ao contrário, a alma age sempre na suprema aspiração de colaborar com Deus no aperfeiçoamento do mundo e dos seres; não ora pedindo repouso e paz mas pedindo compreensão e forças para trabalhar sempre e cada vez mais conscientemente na obra de Deus.

2.         Executarei a Vontade Divina sobre todos os meus propósitos individuais.

            Pela prece constante, o homem entra em afinidade com os Seres superiores que são Ministros e Executores da Vontade Divina, e sente os anseios de sufocar sua personalidade egoística e só executar os planos superiores da criação para o bem geral. É a aspiração sublime de sobrepor a vontade de Deus acima de todos os seus propósitos individuais de interesse particular. Executando a Vontade Divina, o homem entra em harmonia com as grandes forças da natureza divina e pode realizar obras grandiosas, pois que de fato se torna instrumento de Deus por intermédio dos bons Espíritos. Ao contrário, pretendendo realizar apenas sua felicidade individual, afasta-se daquelas correntes de força e torna-se estéril e infeliz. Para ser realmente feliz e útil, a primeira luta a travar-se é contra o egoísmo que só deseja a felicidade pessoal. Esquecer de si mesmo, só pensar em Deus e na obra divina, na preparação do bem para os outros, mesmo com sacrifício próprio. Assim chegaremos pelo esforço a executar a Vontade Divina sobre todos os nossos propósitos individuais e, então, seremos realmente filhos e colaboradores de Deus.

3.         Aplicar-me-ei às lições do Mestre Jesus.

            Nas páginas do Evangelho, Jesus traçou o roteiro para a alma que quer elevar-se para Deus pelo seu próprio aperfeiçoamento. É necessário estudar, meditar e praticar as lições do Divino Mestre para nos libertarmos das ilusões do egoísmo e da vaidade e entrarmos em afinidade com os Espíritos superiores que nos guiam e inspiram para a obra a realizar-se no mundo visível e no invisível. Não abandonarmos nunca as páginas de luz e vida do Evangelho

4.         Serei fiel ao Senhor.

            O servidor infiel procura servir-se a si mesmo, buscando antes a recompensa que o serviço. Só pela abnegação, pelo esforço constante em servir ao Senhor, sem pensar em prêmios, recompensas ou salários, o homem se eleva a tornar-se o fiel servidor que só pensa e deseja o bem do serviço, sacrificando todas as aspirações e recompensas morais ou materiais. E só ao servidor fiel o Senhor confia as forças necessárias às Suas grandes obras. Não é de um salto que venceremos nosso egoísmo e passaremos a pensar somente no bem alheio, como deve proceder o servidor fiel, porém, pelo exercício constante e a prece sincera, a pouco e pouco vamo-nos libertando de nossas aspirações mais elevadas do bem geral de todos os seres. A máxima concisa que o filósofo cristão nos dá com estas poucas palavras - Serei fiel ao Senhor - é o ideal a alcançarmos e que devemos ter sempre em mente em nossas preces; é a promessa repetida que devemos fazer a nós mesmos a cada instante, até que ela se torne um hábito mental e desça para o subconsciente, tornando-se aspiração de alma ansiosa por servir com fidelidade a Deus através de toda a criação, de todos os filhos de Deus.

5.         Servirei aos meus semelhantes como a mim mesmo, compreendendo-lhes as necessidades e        respeitando-lhes as opiniões.

                Assim como o serviço a Deus só tem mérito quando feito desinteressadamente, também o serviço aos homens - outra modalidade de servir a Deus - só tem valor quando não visamos recompensa alguma. Em geral temos mais empenho em demonstrar o erro na opinião alheia, em vencer as convicções dos outros, impondo-lhes as nossas como melhores, do que em prestar serviços reais. É uma recompensa moral que aspiramos, a de impor nossas idéias. Daí vem a sede de proselitismo, o espírito de seita que transforma em arena de luta o campo de trabalho, onde só deveríamos construir. As mais grandiosas revelações transformam-se em causas de divisão e malquerença em vez de unir os homens, quando do campo do serviço passamos às pugnas ideológicas. O espírito de serviço deve ser posto mais alto do que as opiniões e convicções do sectarismo. Por isso, o filósofo invisível continua repetindo-nos o que nos dizia aqui com a palavra e o exemplo: Prestemos serviços, respeitando as opiniões dos outros.

6.         Aproveitarei o patrimônio sagrado do tempo com elevadas edificações.

                Perder o tempo em banalidades, em polêmicas, em vez de aplicá-lo a construções reais, é um dos males de muitos que se envaidecem de seu saber e da superioridade de suas idéias e lançam-se a destruir ou desafiar quixotescamente para duelos de palavras. Aproveitemos, porém, nosso precioso tempo em construções úteis e deixemos os pobres e vaidosos falando sozinhos; assim, mais cedo compreenderão o seu erro e passarão a fazer coisas mais aproveitáveis.

7.         Transformarei os pântanos do mal transitório em lavouras do bem para a eternidade.

            Saber aproveitar o que nos parece o mal e transformá-lo em fonte de vida eterna é a lição divina na Natureza toda. A Natureza é um grande laboratório, onde tudo se transforma em bem. Se tomarmos apenas uma fase de transformação, sem vislumbrarmos a finalidade superior, supomos ser o mal, mas por fim é sempre o bem que se está processando. As mais rudes paixões da alma, são energias em preparação e que um dia serão aplicadas a grandes coisas. Esforcemo-nos para colaborar com a natureza divina, transformando ou abreviando a transformação do mal em bem. O pântano é um reservatório e transformador de matérias inúteis em adubo fertilizante que produzirá as mais ricas messes quando drenado e aproveitado pela inteligência do homem.

8.         Terei meu veículo de manifestação como vaso divino que devo santificar.   

            Esta máxima nos ensina a necessidade de conservar a saúde do corpo pela pureza e castidade, pela sobriedade e pela higiene que se estende também ao cultivo dos pensamentos e sentimentos puros e elevados.
            A pureza do corpo físico e do corpo astral são condições necessárias  às grandes realizações  do Espírito.

9.         Aprenderei a ciência de agradecer. 

            Vivemos cercados de benefícios e bênçãos que não sabemos agradecer. Aos nossos antepassados que prepararam todas as comodidades da civilização em que vivemos, aos pais e mestres que nos ampararam e guiaram os primeiros passos, à sociedade que nos protege, à Ciência que nos serve pelos seus sacerdotes, à colaboração de todos os homens que mesmo inconscientemente nos prestam toda sorte de serviços, aos Espíritos que generosamente descem até nós para nos esclarecer e guiar, a todos os filhos de Deus, enfim, devemos um infinito de gratidão, da qual muita vez, infelizmente, nos esquecemos. Principalmente nós que recebemos as graças da Terceira Revelação, a compreensão de que o bem é eterno e triunfa sempre do mal e, por isso mesmo nos tornamos os seres mais felizes da criação, devemos aprender a cantar o hino da gratidão sem descermos às queixas e lamentações dos ingratos.
            Se refletirmos sobre nosso débito para com Deus e a Humanidade passada e presente, seremos reconhecidos e sentiremos necessidade de prestar serviços, restituindo pelo menos pequena parte do muito que temos recebido. Nossa vida passará então a ser um hino de gratidão e amor, em vez de uma tempestade de queixas e reclamações injustas, como fazem os irrefletidos e ingratos. Devemos, pois, aprender a cultivar a ciência de agradecer.

10.       Darei minha cooperação nos serviços do Pai com desinteresse e alegria

            Só com desinteresse e alegria, podemos trabalhar na obra divina. O egoísmo e a sede de recompensas nos insulam e esterilizam, tornando-nos inúteis e infelizes.

11.       Receberei as bênçãos do Senhor, não só para meu aproveitamento, mas também para distribuí-     as em  seu nome.

            Receber os bens egoisticamente para si, é tornar-se indigno de recebe-los. O monopolizador, como o avarento, é um infeliz fechado no círculo de aço do seu egoísmo. Quem saiba distribuir os bens recebidos é o depositário fiel que receberá cada vez maiores bênçãos. Torna-se um sacerdote, um mediador entre Deus e os homens.

12.       Colaborarei na obra do mundo sem apegar-me, guardando o meu ideal de suprema libertação.

            Trabalhar com amor e dedicação nos serviços do mundo é obra divina, fonte de felicidade, por mais humilde que seja o trabalho; mas, apegar-se aos bens passageiros do mundo, com a certeza que temos de que não são nossos, são apenas empréstimos passageiros que teremos de restituir pela morte, senão mesmo antes, é escravizar a alma às coisas da Terra, privando-a do ideal de suprema libertação espiritual. Apegar-se ao mundo é criar a rede de encarnações dolorosas, como ensinam os budistas. Tenhamos sempre em mente que a Terra é uma escola bendita pelas suas dolorosas experiências santificantes, mas, pela nossa essência espiritual somos filhos de Deus, cidadãos do Infinito nas Eternidade e a nenhum lugar devemos prender-nos pelo apego passional.

13.       Compreenderei que o sacrifício é a lei na elevação espiritual.

            Sacrificar-se pelo bem é o maior de todos os bens, porque eleva o Espírito à afinidade com os Espíritos superiores. A sede de conforto e bem-estar embaraça a evolução da alma, prendendo-a a coisas passageiras e ilusórias.

14.       Desviar-me-ei de qualquer posse que traga  ativeiro para minhalma.

            Escravizar-se à riqueza, às posições, às honrarias do mundo, é prender-se às ilusões de um presente passageiro, ficar estacionário e preparar sofrimentos para o futuro, por ter-se que assistir ao esboroamento de sua ilusória felicidade, como construção sobre a areia. A alma deve desapegar-se de tudo que é passageiro e que terá de ser abandonado pela morte. Só assim será livre de dedicar-se ao bem eterno. Não temos posse de coisa alguma, somos apenas depositários temporários e administradores de bens divinos.

15.       Honrarei minha tarefa no dia que passe, entendendo que representa um título da confiança de Deus, cuja bondade me chamará amanhã a serviço maior.

            Os pequenos deveres da vida cotidiana são degraus que nos elevam a tarefas maiores e mais arriscadas. Quem se julga superior ao trabalho que lhe aparece, é ambicioso e pode sofrer tremendas quedas por falta de preparação sólida para empreendimentos de maior responsabilidade. Devemos cumprir prazerosamente todos os pequenos deveres, por mais humildes que sejam, para nos tornarmos aptos a tarefas mais elevadas, quando Deus julgar oportuno o momento de confiar-nos trabalhos de mais responsabilidade. Não tenhamos pressa de empreender grandes coisas, porque o mundo está repleto de insucessos e alguns deles muito tristes.

16.       Reconhecerei que todas as dificuldades do caminho evolutivo são páginas de luz para o meu    aprendizado divino.

            As dificuldades que o professor põe na frente do aluno, para exercitar-lhe a capacidade e preparar-lhe o futuro triunfo, devem ser abençoadas e tratadas com todo o esforço e a máxima boa vontade. A vida é a escola bendita e o Espírito é o eterno estudante.

17.       Cultivarei o otimismo, diante de todos os obstáculos.

            O obstáculos são provas necessária e quando encarados com otimismo e fé, tornam-se mais fáceis de serem transpostos. O otimismo é o grande remédio contra todas as dificuldades.

18.       Conservarei, aplicando-as na luta, as santas lições da experiência

            De todas as coisas, desde as máximas até as mínimas, nos fica uma lição experimental que não deve ser esquecida. Todos os acontecimentos da vida nos trazem novas experiências. De cada conversação, de cada leitura, de cada filme a que assistimos, colhemos alguma experiência própria ou alheia. O conjunto dessas experiências forma um tesouro imenso de conhecimentos a serem aplicados para futuros triunfos, para evitar insucessos. As mais santas lições da experiência são as que nos ficam da dor experimentada, dos grandes erros que cometemos e que aprenderemos a evitar no futuro, aplicando a experiência para transformar o mal passado, em bem no porvir.

19.       Esquecerei todo o mal

            Esquecer todo o mal e só pensar no bem. Esquecer até o mal que se fez, para só pensar no bem que se tem de fazer, é caminhar para a frente, para a vida, deixando aos mortos a tarefa de enterrar os seus mortos. Pensar só no bem, cultivar só o bem, para que a nossa alma perca a afinidade com o mal.

20.       Farei o bem antes de pregá-lo.

            Ensinar pelo exemplo da conduta é mais eficaz do que pelos discursos. Partir da prática do bem para a teoria do bem, é o exemplo que nos dão os grandes Espíritos. Os exemplos aproveitam a quem os pratica e a quem os recebe, e os discursos, mesmo os mais inflamados, por vezes são palavras ao vento que a ninguém aproveitam. Abel Gomes tem autoridade para dizer-vos isso, porque a sua pregação foi sempre a do exemplo e não a das palavras.

21.       Auxiliarei o mundo sem escravizar-me a ele.

            Empregar os bens do mundo para auxiliá-lo. Conquistar mesmo esses bens para aplicá-lo com desapego e superioridade de vistas, mas conservando-se acima e livre da escravização ao mundo.

22.       Procurarei ser cristão com meus pensamentos, palavras e atos, antes de tentar a cristianização       do próximo.

            Esta máxima é uma advertência contra o espírito de seita, a sede de proselitismo dos entusiastas para os quais o Cristianismo torna-se um campo de batalhas verbais improdutivas. Lutam por cristianizar os homens por todos os meios, até pelos meios menos cristãos, como nos demonstra, a História, esquecendo-se de aproveitar para si mesmos os bens que aparentam querer transmitir aos outros. Querer cristianizar a todos, menos a si mesmos, porque, em sua vaidade, já se julgam cristãos modelares. Devemos, porém, ser cristãos na vida, na conduta, e não só nos lábios. Ensinar pelo exemplo e não pela palavra apenas. Cristianizar primeiro a si mesmo para adquirir autoridade de ensinar aos outros, é o único caminho seguro.

23.       Exigirei de mim mesmo e serei benevolente com os outros.

            Ser rigoroso e exigente para consigo mesmo e benevolente para com os outros é construir sobre a rocha para a eternidade da vida. Realmente, os defeitos que nos prejudicam, os males que devemos expurgar, são os nossos mesmos e não os dos outros. A exigência para com outrem, a ausência de benevolência, fecha-lhes a alma à nossa influência; mas o exemplo de nossa conduta acha sempre, nas almas, as portas abertas.

24.       Cooperarei no serviço terrestre pela vitória do bem para sempre.

            Cooperar com todos os homens na obra divina de implantar o bem sobre a Terra, de construir o Reino de Deus para sempre nos corações, é a maior tarefa que teremos de alcançar na vida, quando a merecermos. Enquanto esperamos essa grande dita de nos tornarmos colaboradores diretos de Deus, como já são hoje Seus grandes Ministros, os Espíritos superiores, façamos nossas pequeninas tarefas com amor e carinho, porque os nossos grãos de areia talvez possam ser aproveitados pelos Preparadores do futuro. Se não servirem a outrem  os nossos esforços, pelo menos a nós mesmos servirão sempre, como os exercícios escolares sempre aproveitam ao aluno que os faz. 



Linguagem e Evangelho


Espírito Ismael Gomes Braga
(Mensagem recebida pela médium
Tânia de Souza Lopes na FEB, no RJ,
em sessão do ‘Grupo Ismael’, de 8-12-1983.)

            Irmãos em Cristo - que Ele nos ampare e envolva em suas vibrações poderosas!
            Sejam os nossos corações unidos pela linguagem vigorosado Amor, a única capaz de superar as barreiras erguidas pelos orgulhos e egoísmos que em nós ainda abrigamos.
            Sejam as nossas mentes iluminadas pela luz poderosa do conhecimento da Verdade Suprema, a única capaz de dissipar as brumas espessas das incompreensões que obstruem os processos evolutivos e os obliteram até que a Dor cumpra o seu papel terapêutico na desobnubilação das trevas ainda alojadas em nosso íntimo.
            Sejam as nossas palavras perenes lições de perdão e de compreensão, para que em nosso meio a linguagem atinja os objetivos para ela propostos pelo Cristo Divino: o de unir corações, aclarar consciências, regenerar, ajudar na disseminação das luzes do Bem Maior sobre a face da Terra.
            Quando as palavras forem exclusivamente veículos de Amor, mesmo configurando admoestações; quando as nossas mãos puderem unir-se no trabalho revigorante da Caridade - justamente elas que, no passado, empunharam armas, sustentaram bandeiras de lutas fratricidas, exterminando a vida física e lançando  a obscuridade moral sobre a vida espiritual; quando, enfim, mãos, inteligência e palavras forem colocadas a serviço do bem maior - o trabalho da Caridade -, nesse dia ruirão barreiras raciais, lingüísticas, econômicas ou morais. Todos seremos um círculo fraterno em que a linguagem exercerá exclusivamente o seu papel de fator de união, pois conjugará ininterruptamente os verbos amar e servir, em todos os momentos e lugares.
            Nesse porvir venturoso, embora longínquo - e que cabe a nós tornar mais próximo -, os homens escutarão uma nova mensagem que superará todas as barreiras à comunicação entre eles: ouvirão em seu coração as lições profundas do Evangelho, em espírito e verdade, fonte de todos os bens verdadeiros, base de todas as conquistas, para que o reino do Senhor deixe de ser um devir e se  torne eterno presente.
            Vosso companheiro e amigo de sempre,
                                               Ismael Gomes Braga

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

Os 100 livros espíritas que você deve ler antes de morrer...



              Em visita à livrarias cariocas, Aron, um espírita, observou que livros com títulos semelhantes ao do acima existem aos montes. Uns referem-se a lugares no mundo que o leitor deveria conhecer antes de morrer. Outros sugerem sofisticados restaurantes em todo canto da Terra.  Existem também aqueles que sugerem os filmes que deveriam ser vistos. Sempre antes de morrer... 
             Aron, um espírita, na certeza que você vai morrer um dia, sugere que você liste os 100 livros espíritas que deveria ler antes de morrer. Você vai se surpreender com o resultado! Rapidamente, chegará à conclusão que a grande maioria dos livros ditos espíritas não tem nenhuma importância para sua formação moral, filosófica ou mediúnica. Inclusive muitos daqueles colocados à venda no seu centro espírita...Assim sendo, permita-nos sugerir... Leia Kardec para entender Jesus!