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terça-feira, 3 de janeiro de 2012

O Fim da Tempestade

O Fim da Tempestade

 8,23  Subiu Ele a uma barca com seus discípulos.
8,24   De repente, desencadeou-se sobre o mar uma tempestade tão grande, que as ondas cobriam a barca. Ele, no entanto, dormia.
8,25 Os discípulos achegaram-se a Ele e o acordaram, dizendo: - Senhor, salva-nos, nós pereceremos!        
8,26 E Jesus perguntou: “Porque este medo, onde está a vossa fé?” Então, levantou-se, deu ordem aos ventos e ao mar e fez-se grande calmaria.
8,27 Admirados, diziam: -Quem é este homem a quem até os ventos e o mar obedecem? 

        Sobre Mt (8,23-27) -Tempestade Aplacada - encontramos, no livro  de  Antonio L.  Sayão,
“Elucidações Evangélicas”, a seguinte lição:

            “Segundo já foi explicado, Jesus, como governador, diretor e protetor do nosso planeta, a cuja formação presidiu, missão que por si só indica a grandeza excelsa do seu espírito, tinha, por efeito dessa excelsitude, o conhecimento de todos os fluidos e o poder de utilizá-los conforme entendesse, de acordo com as leis naturais lhes que regem as combinações e aplicações.

            Ora, dados esse conhecimento e esse poder, tão fácil lhe era curar uma enfermidade, como aplacar uma tormenta, modificando as condições dos elementos que as produzem, todos de natureza fluídica, fazendo cessar entre eles o desequilíbrio que as ocasiona”


            Para Mt (8,26) -Onde está a vossa fé?... - , busquemos   “Caminho, Verdade e Vida”, de Emmanuel por Chico Xavier, os seguintes comentários:

            “A tempestade estabelecera a perturbação no ânimo dos discípulos mais fortes.

            Desorientados, ante a fúria dos elementos, socorrem-se de Jesus, em altos brados.

            Atende-os o Mestre, mas pergunta depois:

            - Onde está a vossa fé ?

            O quadro sugere ponderações de vasto alcance. A interrogação de Jesus indica claramente a necessidade de manutenção da confiança, quando tudo parece obscuro e perdido. Em tais circunstâncias, surge a ocasião da fé, no tempo que lhe é próprio.

            Se há ensejo para trabalho e descanso, plantio e colheita, revelar-se-á igualmente a confiança na hora adequada. Ninguém exercitará otimismo, quando todas as situações se conjugam para o bem-estar. É difícil demonstrar-se amizade nos momentos felizes.

             Aguardem os discípulos, naturalmente, oportunidades de luta maior, em que necessitarão aplicar mais extensa e intensivamente os ensinos do Senhor. Sem isso, seria impossível aferir valores.

            Na atualidade dolorosa, inúmeros companheiros invocam a cooperação direta do Cristo. E o socorro vem sempre, porque é infinita a misericórdia celeste, mas, vencida dificuldade, esperem a indagação:

            - Onde está a vossa fé?
           
            E outros obstáculos sobrevirão, até que o discípulo aprenda a dominar-se, a educar-se e a vencer, serenamente, com as lições recebidas.”     



2 de Janeiro


02 Janeiro


Aprende, ensina e esclarece.
Trabalha, ajuda e auxilia.
Não há maior desventura
Que a da existência vazia.


 Casimiro Cunha 
por Chico Xavier
in ‘Gotas de Luz”  (FEB  4ª Edição 1977)

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Compromisso com Jesus


Compromisso
com Jesus

            As dificuldades por nós encontradas para praticar a Doutrina Espírita e o Evangelho são, geralmente, criadas por nossos defeitos e imperfeições, porque esses mananciais de ensinamentos são vazados em linguagem simples e direta, apropriada a franco e rápido entendimento. Se Jesus deixou aos homens lições de prodigiosa simplicidade, Kardec, interpretando a vontade de Espíritos superiores a serviço do Mestre, teve o tino de manter sempre a clareza dos conceitos, convencido, por certo, de que a Doutrina nada mais é do que um reflexo do Evangelho, destinada ao trabalho de esclarecimento, a fim de colaborar para o restabelecimento do Cristianismo do Cristo, às vezes alterado e desatendido por subalternos interesses sectários e, o que é pior, de natureza irreligiosa.

            De fato, com o Espiritismo cristão, o verdadeiro Cristianismo retornou à Terra e a redimirá, se os espíritas não se esquecerem nunca de que a união é a mola que conservará o Espiritismo em progresso constante e que o respeito aos ensinos codificados por Kardec, respeito que somente será provado pela exemplificação em todos os momentos, assegurará a sucessão de triunfos que a Doutrina vem conquistando desde que foi lançada ao mundo.

            Como poderemos saber se somos dignos do legado de Allan Kardec? Praticando a Doutrina com fervor verdadeiramente evangélico e honrando o Evangelho com devotamento realmente doutrinário. Evangelho e Doutrina são as duas colunas mestras do Cristianismo redivivo. Temos, pois, necessidade de educar a vontade, para que não vacilemos na luta de cada dia, para que não falhemos quando mais precisão tivermos de afirmar a nossa fé e o nosso amor à causa espírita, que é, em última análise, a causa de Jesus. "A vontade é a gerência esclarecida e vigilante, governando todos os setores da ação mental", diz Emmanuel, que continua: "Sem ela, o Desejo pode comprar ao engano aflitivos séculos de reparação e sofrimento, a Inteligência pode aprisionar-se na enxovia da criminalidade, a Imaginação pode gerar perigosos monstros na sombra e a Memória, não obstante fiel à sua função de registradora, conforme a destinação que a Natureza lhe assinala, pode cair em deplorável relaxamento. Só a Vontade é suficientemente forte para sustentar a harmonia do Espírito."

            As dificuldades que costumam emperrar o exercício dos preceitos doutrinários e evangélicos podem originar-se dos nossos defeitos, porque o Evangelho, obra de Jesus, tem uma cristalinidade sem paralelo, e a Doutrina dos Espíritos, que Allan Kardec codificou magistralmente, fiel a seus mentores da Espiritualidade, é também acessível a qualquer inteligência e está fundamentada na moral do Cristo, tendo por objetivo a revelação de verdades que não podiam ser ditas senão quando se fez oportuno.

            Não há razão para espanto diante dos obstáculos criados por aqueles que não compreenderam ainda as belezas do bem-fazer. Quantos de nós olhamos indiferentemente para a água tranquila que bate na rocha descomunal e, coleando, segue o seu curso, semelhando admirável humildade. Entretanto, a grandeza e a resistência granítica da rocha nos impressiona, desviando-nos a atenção do líquido que transita sem maiores pretensões. Todavia, o trabalho persistente e sistemático da água vai, a pouco e pouco, vencendo e dominando a pedra, podendo perfurá-Ia ou desgastar-lhe as bordas. Assim acontece com o Evangelho e a Doutrina dos Espíritos, pois ambos procedem de Jesus, cujo trabalho suave, mas paciente e tenaz, triunfa sobre as almas divorciadas da Verdade. Tudo é questão de tempo. Uns se rendem mais depressa do que outros, mas todos se encontrarão um dia na mesma trilha, rumo a Deus, através do Cristo. Todas as criaturas humanas nasceram para viver em comunhão com Deus. Mas devem decidir por si mesmas o caminho que desejam seguir, porque foram dotadas de livre arbítrio e têm, assim, o privilégio da opção. Se escolhem mal, arcam com a responsabilidade de defrontar riscos desenganos, preocupações, até que a experiência lhes descerre os olhos e estimule a encontrar o verdadeiro caminho.

            A sabedoria divina, dando ao Espírito a imortalidade, não lhe acena com uma "doce vida" depois da morte. No trabalho de Deus não há férias nem aposentadoria. A morte é apenas a mudança de aspectos da Vida. Para que o Espírito possa ressarcir suas faltas e resgatar seus débitos morais, há a oportunidade da reencarnação, da volta do Espírito à vida material, por novos nascimentos em corpo carnal, que não pode ser o mesmo corpo já utilizado em vida anterior. Ora, como temos livre arbítrio, temos, consequentemente, responsabilidade e respondemos pelo que de inconveniente ou mau realizamos. Formamos assim o que comumente se chama "destino", traçado por nós mesmos e determinante do que nos aguarda na vida futura. Dito isto, claro está que não devemos queixar-nos da vida, porque temos a vida que criamos e não serão as lamentações que mudarão o curso da nossa trajetória. Esse assaz esclarecido servidor de Jesus, que é Emmanuel, dá-nos mais uma lição portentosa: "Para clarear a noção da responsabilidade pessoal, nunca é demais recorrer às lições vivas da Natureza. No plano físico, Deus é o fulcro gerador de toda energia; no entanto, o Sol é a usina que assegura a vitalidade terrestre. É o fundamento divino do mundo, mas a rocha é o alicerce que sustenta o vale. É o proprietário absoluto do solo; todavia, a árvore é o gênio maternal que deita o fruto. É o senhor supremo das águas; entretanto, a fonte é o vaso que dessedenta os homens. Igualmente, no plano moral, Deus é a raiz da justiça; no entanto, o legislador é o tronco dos estatutos de governança. É a cabeça insondável da sabedoria, mas o professor é a vértebra da escola. É a inspiração do trabalho; todavia, o operário é o agente da tarefa. É a essência do campo; entretanto, o lavrador é o instrumento da sementeira. Assim também ocorre na esfera de nossos deveres particulares. Tudo aquilo de que dispomos, incluindo afeições, condições, oportunidades, títulos e recursos, pertencem originariamente a Deus. Contudo, é forçoso zelarmos pelo setor das próprias obrigações, porquanto, queiramos ou não, responderemos a Deus, através das leis que orientam a vida, pelo serviço individual que nos cabe fazer."

            Que expõe o altamente evangelizado Emmanuel senão a ação da Lei de Causa e de Efeito, a lei cármica, que está sempre presente em nossa existência? Tenhamos, pois, muito cuidado com o nosso comportamento, estejamos onde estivermos, porque a Lei é onipresente. Não seja, você que nos lê, um peso morto na vida, interessando-se apenas pelo que diz respeito a si mesmo. E você, que está integrado numa organização espírita, não se mostre somente preocupado com o que deseja receber. Faça alguma coisa em favor dos outros, ajude alguém, auxilie o trabalho da casa espírita que está frequentando, obedecendo seriamente ao seu regulamento, mantendo silêncio e colaborando para que os menos experientes aprendam a cooperar, para que os trabalhos sejam realizados com toda a normalidade, com a disciplina individual e coletiva que favorece a ação benéfica dos Espíritos da seara de Jesus.

            Ser espírita não é exclusivamente frequentar sessões e tomar passes. É, principalmente, participar espiritualmente dos trabalhos, ajudando-os com bons pensamentos e prestando atenção ao que ali se diz e se recomenda, porque, compreendamos, os espíritas nada mais representam do que uma parte dos trabalhadores do Mestre. Paute seu comportamento pelo Evangelho e siga com empenho a Doutrina codificada por Allan Kardec, porque ela, conforme assevera ainda Emmanuel, "quer dizer Doutrina do Cristo e a Doutrina do Cristo é a doutrina do aperfeiçoamento moral em todos os mundos".

            Conforme lembra André Luiz, devemos "recordar a realidade de que o Espiritismo não tem chefes humanos e de que nenhum dos seareiros do seu campo de multiformes atividades é imprescindível no cenário de suas realizações".


por Boanerges da Rocha (Indalício Mendes)
“Reformador” (FEB) Dezembro 1972

03 / 03 O Evangelho ante os novos tempos

03/ 03    O Evangelho
ante os tempos novos


“Reformador” (FEB)  Dezembro 1972
por Francisco Thiesen

           
            Já sentimos que o Evangelho é o Código Supremo, o Cristianismo restaurado é a Religião Cósmica do Amor e da Sabedoria, e Jesus é a Culminância Evolutiva, a Perfeição Sideral, para nós inabordável de 'dentro' dos limites dimensionais em que nos movemos. Dessarte, importa que nos habituemos, respeitosamente, com a infinitude da amplidão da Mensagem e com a invulgar Excelsitude do seu Autor que, há dois milênios, transpôs todos os abismos, para nós ainda inconcebíveis, a fim de pessoalmente no Ia entregar, como elo de puro amor à nossa religação com o Supremo Pai, fim único daquela Religião a que ele serve e nos convoca a servir com ele.

            Irmão X[1], reproduzindo comentário de Instrutor desencarnado, diz:

             "Meu amigo, pergunte a cada homem e a cada mulher do seu caminho o que pensam do Cristo de Deus, e, pelas afirmativas pessoais que lhe derem, você reconhecerá, de pronto, em que situação íntima se encontra cada um deles, porquanto a nossa opinião individual sobre Nosso Senhor Jesus Cristo denota imediatamente a posição em que nos achamos, no território infinito da Vida Eterna."

            Estamos penetrando no limiar dos "tempos novos" exaustivamente anunciados. "São chegados os tempos ... " Da fronteira entre duas eras, da linha divisória da materialidade com a espiritualidade, do "homem velho" com o "homem novo", podemos contemplar duas realidades que se não substituem simplesmente, mas que, pouco a pouco, de unidade em unidade, evolutivamente se transfundem, demandando a Jerusalém Celeste, a Terra regenerada.

            Com o auxílio da "visão espiritual" estudaremos o ensinamento do Cristo, em espírito e verdade, como foi dito. Poderemos estudá-lo, no Espiritismo, apoiados na sabedoria contida em "O Evangelho segundo o Espiritismo", de Allan Kardec[2], que é obra vazada na interpretação de Espíritos Superiores e integrante da Codificação. A rigor, nenhuma outra deve ser lida antes desta. Mas, como diz o próprio Codificador, nela não se aborda a totalidade dos textos evangélicos.

            Além dessa, muitas obras que estudam temas evangélicos existem editadas pela FEB.[3]  São preciosas joias da Vida Maior, capazes de instruir e encantar a um só tempo, além daquelas de escritores encarnados dedicados à vivência com os sagrados textos.

             "Na consecução da tarefa superior, congregam-se encarnados e desencarnados de boa vontade, construindo a ponte de luz, através da qual a Humanidade transporá o abismo da ignorância e da morte.[4]

            Todavia, para os que aspiram ao conhecimento da integralidade dos ensinos de Jesus, a abordagem completa de quanto ficou registrado para a posteridade, a obra indicada, estudada na FEB e por ela editada, integrante do seu próprio programa, na qualidade de Casa de Ismael, é a intitulada "Os Quatro Evangelhos", ditada mediunicamente pelos próprios evangelistas, assistidos pelos apóstolos e por Moisés. Ê conhecida como "obra de João Batista Roustaing", porque foi ele o incumbido de coordenar e publicar os trabalhos recebidos do Alto. O Espírito Humberto de Campos[5] (13) situa Roustaing como um dos integrantes do grupo missionário que veio cooperar na Codificação Kardequiana, cabendo-lhe a "organização do trabalho da fé".

            Os Espíritos que ditaram a obra monumental informaram que ela constitui apenas o introito de trabalho de maior envergadura, que seria posteriormente revelado. No entanto, até hoje não tivemos notícias sobre a recepção, em algum lugar, do que viria a ser o trabalho propriamente dito. Mas, o "introito" está conosco, graças a Deus. Às vezes ficamos a pensar sobre a provável confusão que adviria com a recepção e publicação do trabalho ainda não transferido do Mundo Espiritual para a crosta terrena. É que o recebido tem causado apreensões em alguns, reservas em outros, conflitos e desolações em uns poucos, e, por espírito de imitação ou comodismo (trata-se de obra com mais de 2.000 páginas, em 4 volumes), omissão de muitos. Até hoje, escreveram-se artigos e livros, pronunciaram-se conferências, por vezes contundentes, contra essa obra. Porém, como "árvore que o Pai plantou", ela continua firme, orientando e consolando, ensinando e aprimorando corações.

            A obra em questão contém teses interessantes, além de explicar todos os versículos evangélicos e os Mandamentos. Uma delas, justo a que tem causado estranheza e celeuma, é a que versa sobre o Cristo de Deus, precisamente no pertinente ao "corpo fluídico" ou corpo sideral que o Divino Mestre utilizou para humanizar-se na Terra. Não abriremos, aqui, nenhuma polêmica; nem responderemos a quaisquer argumentos dos que se dedicam ao combate. Nosso escopo é bem mais modesto: coligimos dados para os que desejam instruir-se, para os que aspiram conhecer as obras edificantes, que estudam e constroem. Indicamo Ias com prazer, transcrevendo-lhes pequenos tópicos elucidativos.

            Infelizmente, há companheiros que recusam toda a obra de Roustaing, alegando:

            1) que muitas coisas contidas nos Evangelhos não são válidas;
            2) que não concordam com a tese "do corpo fluídico". Porém, outras teses, alias transcendentes, figuram na referida obra, sem que sofram contestação, inclusive quanto à da evolução em linha reta e dos  Espíritos infalidos.

            Aqueles que têm recusado mérito a "Os Quatro Evangelhos" apoiam, no entanto, toda a literatura mediúnica recebida nos últimos quatro decênios, literatura essa que confirma as mesmas teses contidas em Roustaing.  "Evolução em Dois Mundos[6]", que esmiúça detalhes da linha evolucionista da obra em exame, é um exemplo. Como, de resto, a quase totalidade das recebidas dos Espíritos Emmanuel e André Luiz, Humberto de Campos e outros.

            Importa, porém, oferecer aos leitores a palavra de Emmanuel, quanto à validade dos registros escriturísticos:

            "As peças nas narrações evangélicas identificam-se naturalmente, entre si, como partes indispensáveis de um todo, mas somos compelidos a observar que, se Mateus, Marcos e Lucas receberam a tarefa de apresentar, nos textos sagrados, o Pastor de Israel na sua feição sublime, a João coube a tarefa de revelar o Cristo Divino, na sua sagrada missão universalista.[7]"

            "Nos textos sagrados das fontes divinas do Cristianismo, as previsões e predições se efetuaram sob a ação direta do Senhor.[8] No referente à questão do "corpo fluídico", os que não o aceitam pretendem que Jesus viveu na Terra com um corpo carnal; gerado humanamente, não passando de Espírito encarnado, conquanto muito elevado. Teria estudado no Planeta (com ou sem os essênios), tornando-se mais tarde o Sublime Missionário. Já que aceitam as palavras de Emmanuel, deverão acolher a afirmativa da plena validade da Escritura, redigida sob a ação direta do Senhor. E, nesse caso, onde fica a virgindade de Maria? E a ressurreição?

            "Desde os seus primeiros dias na Terra, (Jesus) mostrou-se tal qual era, com a superioridade que o Planeta lhe conheceu desde os tempos longínquos do princípio.[9]

            "Antes de tudo, precisamos compreender que Jesus não foi um filósofo e nem poderá ser classificado entre o valores propriamente humanos, tendo-se em conta os valores divinos de sua hierarquia espiritual, na direção das coletividades terrícolas.[10]"

            "Que é a carne? Cada personalidade espiritual tem o seu corpo fluídico e ainda não percebestes, porventura, que a carne é um composto de fluidos condensados? Naturalmente, esses fluidos, em se reunindo, obedecerão aos imperativos da existência terrestre, no que designais por lei de hereditariedade; mas, esse conjunto é passivo e não determina por si. Podemos figura-lo como casa terrestre, dentro da qual o Espírito é dirigente, habitação essa que tomará as características boas ou más de seu possuidor[11]."

            E perguntamos nós: que casa teria sido necessária para as características do Médium de Deus?

            Na obra de Roustaing, os evangelistas, analisando o fato mediúnico do Tabor - a Transfiguração -, quando Jesus confabula com as personalidades de Elias e Moisés, revelam que ambos são um só, um único Espírito, o que é confirmado por André Luiz[12], quando escreve:

            "E, além de surgir em colóquio com Moisés (já que Elias é o mesmo Moisés, o autor simplesmente suprime o nome de Elias) materializado no Tabor, Ele mesmo é o grande ressuscitado, legando aos homens o sepulcro vazio e acompanhando os discípulos com acendrado amor, para que lhe continuassem o apostolado de bênçãos."

            E Emmanuel acentua, em página intitulada "Na Glória do Cristo"[13]: (21)

             "Ê inútil que cristãos distintos, nesse ou naquele setor da fé, se reúnam para confundir respeitosamente a mediunidade em nome da metapsíquica ou da parapsicologia - que mais se assemelham a requintados processos de dúvida e negação -, porque ninguém consegue empanar os fatos mediúnicos da vida de Jesus, que, diante de todas as religiões da Terra, permanece por Sol indiscutível, a brilhar para sempre."

            Em "Mecanismos da Mediunidade"[14], André Luiz nos apresenta estudos de rara beleza, em linguagem científica da atualidade, e entre muitas páginas que corroboram as assertivas da "Revelação da Revelação" figura esta:

            "Médiuns preparadores - Para recepcionar o influxo mental de Jesus o Evangelho nos dá notícias de uma pequena congregação de médiuns, à feição de transformadores elétricos conjugados, para acolher-lhe a força e armazená-Ia, de princípio, antes que se lhe pudessem canalizar os recursos."

            Logo adiante (págs. 169-170), ele nos revela os nomes de seus integrantes e prossegue:
           
             "Nesse grupo de médiuns admiráveis, não apenas pelas percepções avançadas que os situavam em contato com os Emissários Celestes, mas também pela conduta irrepreensível de que forneciam testemunho, surpreendemos o circuito de forças a que se ajustou a onda mental do Cristo, para daí expandir-se na renovação do mundo."

            Isso tudo ocorria com o Divino Mestre presente na crosta planetária. A realidade, se nos fosse descrita em suas minudências, seria de molde a causar-nos superlativo assombro, pois os recursos arregimentados e as técnicas utilizadas pelas Legiões do Infinito, para tornarem possível a estada do Governador Divino na Terra, ultrapassaram em grandiosidade, e complexidade, a mais fértil imaginação de que dispusesse a sabedoria terrena. Mais adiante, o autor acrescenta:

            "Em cada acontecimento, sentimo-lo a governar a matéria, dissociando-lhe os agentes e reintegrando-os à vontade, com a colaboração dos servidores espirituais que lhe assessoram o ministério de luz."

            No estudo de "Os Quatro Evangelhos", de igual modo que no das obras básicas da Codificação Kardequiana, não prescindiremos da "visão espiritual", mormente lembrando que foram escritos há mais de um século, com terminologia bastante pobre ao abordar assuntos científicos, se comparada à dos nossos dias. Aliás, André Luiz, em alguns de seus livros, deixa de reproduzir diálogos ou esclarecimentos por ele anotados, em seus contatos com Entidades Sublimes, por falta absoluta de palavras análogas nos vocabulários terrenos.

            Façamos nós, porém, a substituição de certas expressões, nos estudos sinceros, nas nossas meditações humildes em torno da portentosa obra, e sentiremos as claridades espirituais a banharem nossos pobres olhos. Apliquemos, por exemplo, os conhecimentos mediúnicos transmitidos por André Luiz e por Emmanuel, em nossos estudos evangélicos, inclusive aqueles pertinentes aos problemas de voltagem e amperagem no intercâmbio com os invisíveis; e as dúvidas desaparecerão.

            Querendo evitar distorções de interpretação no tocante às nossas palavras, devemos declarar que o fato de alguém não aceitar esta ou aquela tese da obra de Roustaing não constitui absolutamente nenhum desmerecimento, desde que realmente não sintonize com a respectiva onda de luz. E isto é válido em relação a qualquer obra ou ensino. Entre os que não aceitam Roustaing temos excelentes, valorosos companheiros, com meritórias realizações no campo doutrinário. Simplesmente, reclamamos para nós o direito de livremente estudar e divulgar o Evangelho Integral, em espírito e verdade. Vivemos, por determinação do Senhor, nesta época de profundas transformações, em ambiente social e mental do mais amplo pensamento livre e responsável, dentro do qual, à luz do Espiritismo, podemos trabalhar e lutar, sofrer e aprender, renovar e aprimorar, concordar e discordar, dentro do Mandamento Maior – "Amai-vos uns aos outros".


[1] (p.210)  - “Antologia Mediúnica de Natal” , Diversos Espíritos, Francisco C Xavier, 1ª Ed..
[2] - “O Evangelho segundo o Espiritismo”, de Allan Kardec, 57ª Ed..
[3] Sinopse de Livros Espíritas, 8ª Ed..
[4] p. 9 – prefácio de Emmanuel –“ Missionários da Luz” de André Luiz, por Francisco Cândido Xavier. 8ª Ed..
[5] (p.176) – “Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho”, Espírito Humberto de Campos, psicografia de Francisco C Xavier, 9ª Ed..
[6] “Evolução em Dois Mundos”. de André Luiz por Francisco C. Xavier e Waldo Vieira, 3ª Ed..
[7] p.158 – “O Consolador”, de Emmanuel, por Francisco C. Xavier. 5ª Ed..
[8] p.154 – “O Consolador”, de Emmanuel, por Francisco C. Xavier. 5ª Ed..
[9] (p.96) – “Caminho, Verdade e Vida”, de Emmanuel por Francisco C. Xavier, 5ª Ed..
[10] (p.158) – “O Consolador”, de Emmanuel, por Francisco C. Xavier. 5ª Ed..
[11] (p.34) – “Caminho, Verdade e Vida”, de Emmanuel por Francisco C. Xavier, 5ª Ed..
[12] (p.160) – Nos Domínios da Mediunidade”, de André Luiz,por Francisco C. Xavier, 7ª Ed..
[13] (p.199/200)  - “Antologia Mediúnica de Natal” , Diversos Espíritos, Francisco C Xavier, 1ª Ed..
[14] (p.169) “Mecanismos da Mediunidade”, de André Luiz, por Francisco C. Xavier e Waldo Vieira, 3ª Ed..


02 / 03 O Evangelho ante os novos tempos


02/ 03    O Evangelho
ante os tempos novos


“Reformador” (FEB)  Dezembro 1972
por Francisco Thiesen

                                                                       *  *  *

            A pergunta 321 do livro "O Consolador"[1], sobre qual a edição dos Evangelhos que melhor traduz a fonte original, foi assim respondida:

            "A grafia original dos Evangelhos já representa, em si mesma, a própria tradução do ensino de Jesus, considerando-se que essa tarefa foi delegada aos seus apóstolos. Sendo razoável estimarmos, em todas as circunstâncias, os esforços sinceros, seja qual for o meio onde se desdobrem, apenas consideramos que, em todas as traduções dos ensinamentos do Mestre Divino, torna-se imprescindível separar da letra o espírito. Podereis objetar que a letra deveria ser simples e clara. Convenhamos que sim, mas importa observar que os Evangelhos são o roteiro das almas, e é com a visão espiritual que devem ser lidos; pois, constituindo a cátedra de Jesus, o discípulo que deles se aproximar com a intenção sincera de aprender encontra, sob todos os símbolos da letra, a palavra persuasiva e doce, simples e enérgica, da inspiração do seu Mestre imortal."

            O Evangelho, diz André Luiz[2], é o Código de Princípios Morais do Universo, e não o livro de um povo apenas. E diz também, no que é confirmado por Emmanuel[3]: que em Jesus e em seus primitivos continuadores encontram-se os valores mediúnicos a serviço da Religião Cósmica do Amor e da Sabedoria.

            Vemos, assim, que o Evangelho, que nos incumbe divulgar (Ide e pregai = ide e exemplificai), é, na singeleza da letra que o veste, singular monumento de arte espiritual, por velar transcendente substância divina num primor tal de técnica avançada de comunicação que, em todas as épocas e lugares, dá a cada um, de maior ou menor cultura humanística, encarnado ou desencarnado, o ensinamento convenientemente dosado, quando dele "se aproxime com a intenção sincera de aprender".

            Considerando-se o permanente evolutir da Doutrina dos Espíritos e a progressividade da Revelação em curso, é evidente que o estudo sistemático e perseverante, a meditação e a prece, com amoroso serviço aos semelhantes, abrem-nos sempre maiores horizontes àquela "visão espiritual" lembrada por Emmanuel.

            Outrossim, no entendimento das lições do Cristo, mister se faz que alijemos do coração a pesada carga dos pensamentos, preconceitos e hábitos mentais, hauridos nas especulações filosóficas do materialismo ou absorvidos na mediocridade da escolástíca medieval.

            Como afirma Emmanuel[4],

             "a capacidade intelectual do homem terrestre é excessivamente reduzida, em face dos elevados poderes da personalidade espiritual".

             "Os elos da reencarnação fazem o papel de quebra-luz sobre todas as conquistas anteriores do Espírito encarnado."

            "O homem comum é uma representação parcial do homem transcendente",

            "a incapacidade intelectual do homem físico tem sua origem na sua própria situação, caracterizada pela necessidade de provas amargas".

            Por isso, relativamente ao estudo e compreensão do Evangelho, urge que entendamos, com André Luiz[5]:

            "O astrônomo, chumbado ao solo do Planeta, não solicitará às estrelas o abandono da rota que as leis cósmicas lhes assinalam no campo infinito, competindo-lhe a obrigação de aprimorar os aparelhos de ótica, de maneira a alçar seus objetivos, ante a grandeza celeste."

                                                                       * *  *



[1] p. 173 – “O Consolador”, de Emmanuel, por Francisco C. Xavier. 5ª Ed..
[2] (p.174) “Mecanismos da Mediunidade”, de André Luiz, por Francisco C. Xavier e Waldo Vieira, 3ª Ed..
[3] (p. 174), idem e (p.12)  “Encontro Marcado” de Emmanuel, por Francisco C Xavier, 2ª Ed..
[4] (p.115) – “O Consolador”, de Emmanuel, por Francisco C. Xavier. 5ª Ed..
[5] (p.8) – “Agenda Cristã”, de André Luiz, por Francisco C Xavier, 11 ª Ed..


01 / 03 O Evangelho ante os novos tempos




01/ 03    O Evangelho
ante os tempos novos


“Reformador” (FEB)  Dezembro 1972
por Francisco Thiesen


            "A missão dos espíritas, no Brasil, é divulgar o Evangelho em espírito e verdade." Ismael

"Reunidos em nome de Ismael, não tendes outros deveres
senão estudar os Evangelhos à luz da Santa Doutrina." Allan Kardec

"A cada povo a sua tarefa. A vossa, a maior, é o Evangelho:
tendes de educar os corações." Urias

(Da biografia de Bezerra de Menezes, no livro de Zêus Wantuil "Grandes Espíritas do Brasil", págs. 234/5, ed. FEB.)

            É imensa responsabilidade dos espíritas, no campo da evangelização dos Espíritos, por termos ingressado livremente na Doutrina do Consolador Prometido.

            Essa responsabilidade não é estática, mas dinâmica, crescente na medida do aprofundamento conceptual de cada um no espírito do Evangelho, na essência cristã contida na multifária e progressiva Revelação do Espírito da Verdade, cujas mensagens de luz fluem em catadupas, cristalinas e puras, iluminando as consciências de quantos, no carreiro da experiência, demandam as regiões da neblina.

            Em "O Consolador"[1], Emmanuel nos esclarece que:

            "para a iluminação do íntimo, só tendes no mundo o Evangelho do Senhor, que nenhum roteiro doutrinário poderá ultrapassar";

            "o Espiritismo em seus valores cristãos não possui finalidade maior que a de restaurar a verdade evangélica para os corações desesperados e descrentes do mundo";

            "a obra definitiva do Espiritismo é a da edificação da consciência profunda no Evangelho de Jesus Cristo";

            "só o trabalho de auto evangelização é firme e imperecível, só o esforço individual no Evangelho de Jesus pode iluminar, engrandecer e redimir o Espírito, porquanto, depois de vossa edificação com o exemplo do Mestre, alcançareis aquela verdade que vos fará livres".

            Na obra "Missionários da Luz"[2], André Luiz declara que "o Espiritismo evangélico é também o grande restaurador das antigas igrejas apostólicas, amorosas e trabalhadoras. Seus intérpretes fiéis serão auxiliares preciosos na transformação dos parlamentos teológicos em academias de espiritualidade, das catedrais de pedra em lares acolhedores de Jesus".

            Aliás, em "Paulo e Estêvão", - de Emmanuel[3], surpreendemos o generoso iluminado de Damasco clareando ao Procônsul Sérgio Paulo, em Nea-Pafos, o objetivo da mensagem do Cristo, em cuja revivescência está empenhada a Doutrina dos Espíritos, na atualidade:

             "O Salvador fundou a religião do amor e da verdade, instituição invisível e universal, onde se acolham todos os homens de boa vontade. Nosso fim é dar feição visível à obra divina, estabelecendo templos que se irmanem nos mesmos princípios, em seu nome.

            Avaliamos a delicadeza de semelhante tentame e estamos crentes de que as maiores dificuldades vão surgir em nosso caminho. É quase impossível encontrar o cabedal humano indispensável ao cometimento; mas é forçoso movimentar o plano. Quando falhem os elementos da instituição visível, esperaremos na igreja infinita, onde, nas luzes da universalidade, Jesus será o chefe supremo de todas as forças que se consagrem ao bem."

            O venerável Espírito Bittencourt Sampaio, autor, quando na vida física, no século passado, de "A Divina Epopéia", em mensagem psicografada por Francisco Cândido Xavier ("Reformador", jul. 1946), enfatizando a missão evangelizadora da Federação Espírita Brasileira, disse:

            "A bandeira de luz, desfraldada por Ismael, no Brasil, não convocou, em vão os servos do Cristo ao trabalho da concórdia e do amor."

             "Ao influxo de Ismael, compreendemos mais cedo, no Brasil, que a Doutrina Consoladora não se reduz a simples órgão de experimentação científica ou de reajustamento filosófico, nos quadros do conhecimento humano."

            "Daí, o característico religioso dos nossos trabalhos, a substância sublime do nosso depósito espiritual."

            Mas, para manter viva a chama do Ideal no trabalho de formação da mentalidade evangélica, enormes testemunhos têm sido exigidos, no curso do tempo, experimentando a fé de quantos se vinculam ao programa regenerador da Casa de Ismael. A esse respeito, o mesmo Bittencourt Sampaio, poucos meses depois da mensagem acima, por outro médium, dizia ("Reformador", mar. 1947):

            "Não é preciso que vos encareça a confusão e a perturbação que dificultam os problemas que tendes a resolver. É testemunho a exigir-se de todos os legionários do Evangelho para vencer os que buscam empanar o brilho desta Casa - fundada para tecer levar ao Brasil e ao Mundo a Nova Revelação. Eles anteveem a gloriosa jornada que a caravana vem realizando através dos tempos e procuram por todos os meios interromper essa marcha."




[1] p.123 – “O Consolador”, de Emmanuel, por Francisco C. Xavier. 5ª Ed..
[2] p. 84  –“ Missionários da Luz” de André Luiz, por Francisco Cândido Xavier. 8ª Ed..
[3] p. 340 – “Paulo e Estevão”, de Emmanuel, por Francisco Cândido Xavier, 9ª Ed..


2 de Janeiro


02 Janeiro


Aprende, ensina e esclarece.
Trabalha, ajuda e auxilia.
Não há maior desventura
Que a da existência vazia.

 Casimiro Cunha 
por Chico Xavier
in ‘Gotas de Luz”  (FEB  4ª Edição 1977)



domingo, 1 de janeiro de 2012

1 de Janeiro


01 Janeiro


 Porque Deus fez o Universo?
é uma pergunta infeliz
A resposta dá-se em verso:
Ele só fez porque quis.

 Octávio Caúmo Serrano 
in ‘Trovas da Codificação”  (1ª Ed. 1998  ‘Sal da Terra’)