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segunda-feira, 5 de setembro de 2011

51 Trabalhos do Grupo Ismael



51


SESSÃO DE 29 DE MAIO DE 1940


Manifestação   sonambúlica


            Terceira do mesmo espírito que nas duas sessões anteriores se apresentara, dando na última o nome Miguel e dizendo-se ex-maiorial da inquisição na Espanha. Quase ao termo da  manifestação, exprime a surpresa e a satisfação lhe causara o aparecimento ali de outro Espírito que fora seu lugar tenente no comando das falanges que o tinham por chefe . Estudara-se, pelo Evangelho de João, o episódio da entrada de Jesus em Jerusalém.


Médium: J. CELANI


            Espírito. – Comparo a placidez do meu Espírito quando baixo entre vós com as minhas manifestações de alguns anos atrás, quando o ódio me empolgava  o ser e o desejo que me animava era o de aniquilamento desta Casa, de onde parte a palavra de ordem para os servidores na Nova Revelação, despida de preconceitos e dos vícios que envenenaram e  derrubaram o Cristianismo da Igreja, deixando de pé apenas escombros, prestes também a ruir por sua vez. Volvo ao passado longínquo; comtemplo a trajetória de um Vicente de Paulo, de um  Francisco de Assis  e de alguns outros que se formaram e operaram dentro dessa Igreja e inquiro de mim mesmo porque não segui a trajetória desses Espíritos, balizada pela renúncia e pela caridade; porque não me deixei levar pela mão desses luminares que hoje admiro e a humanidade venera, edificada ante seus exemplos.
            Orgulho! Presunção cientifica! Dito isto, que mais preciso dizer para que compreendais a minha falência, a falência de todos aqueles que não souberam assimilar a lição simbólica da entrada de Jesus em Jerusalém.
            Não vi, não viram os meus comparsas e ainda não vê a Igreja moderna que toda a obra do Cristo é obra de humildade e renúncia. Ele era e é imensamente evolvido em ciência e em moral. Entretanto, seus Evangelhos são modelos de simplicidade e candura, sem preocupações de forma, de estilo, de arroubos científicos, que constituem a marca da presunção e da falência das criaturas.
             A Igreja não viu e não vê que é essa a causa da derrocada que ameaça a humanidade. Quem acendeu os archotes que iluminaram o caminho do moderno paganismo? Foram a falência moral e os preconceitos dessa Igreja a que servi com a inteligência, porém não com o coração.
            Como salvar o mundo da fúria pagã que ameaça devasta-lo? Será fortalecendo a autoridade dos que mentiram á consciência, pondo sob o alqueire dos seus interesses a luz viva da verdade e calcando aos pés a essência moral do ensino do Cristo de Deus?
            A minha maior tristeza, o sofrimento que mais me acicata é não ter despertado a mais tempo, para escalpelar com palavras de fogo os erros e os crimes de lesa-humanidade que o mau sacerdote pratica quotidianamente nos seus templos.
            Diz me aqui o meu mentor que o Cristo profligava erros e crimes com palavras de amor e não com palavras de fogo. Perdoai-me: é força de expressão, filha deum temperamento combativo, apanágio de um Espírito lutador.
            Eu quisera, passo a passo, com o mesmo entusiasmo que demonstrei outrora, desfazer a minha obra tenebrosa, para apagar todos os estigmas que assinalam o meu caminhar através dos séculos. Quisera levantar em cada consciência pervertida um templo de fé ardente e de amor à obra do Cristo; implantar em cada coração insensível uma partícula de amor, de amor que não possuo, mas que me seria concedido, para salvar as criaturas de Deus.
            Amigos, o maior sofrimento do Espírito criminoso é o espetáculo que se lhe apresenta aos olhos como consequência de suas obras. Não, ele nunca terá paz, enquanto não cancelar uma por uma suas faltas contra a lei de amor e caridade.
            A minha vinda aqui é um alivio para mim, porque comigo vêm muitos sofredores a quem eu transviei e outros que ainda se mostram irredutíveis na estrada escura do mal.
            Não sei bem se a minha presença entre vós vos dará proveito; pelo que me concerne, sinto um encorajamento, um anseio forte de voar ás maiores alturas. Mas, ai de mim! Faltam-me as asas para tais ovôos. É me preciso conquista-las.

            (Dirigindo-se a outro desencarnado):

            Convencer-se alguém de seus erros e confessa-los não é trair. Então porque procuras perturbar a minha manifestação, quando não compreendes o grande bem que é para o Espírito a confissão sincera da sua falência? Tu também virás por tua vez.
            Sim, és valente; eu igualmente o era e em dado momento a força e a clareza do raciocínio me foram tiradas como por encanto. Em seguida, veio a trava, o embotamento, a incapacidade de pensar e de agir. Quereis experimentar? Se queres experimentar, renuncia ao mal e procura servir ao Cristo e não a igrejas, pequenas ou grandes.
            Como? Rompendo as cadeias dessa disciplina degradante, para adotar a do amor. Se não tens forças, como é então que te jactavas? Nenhum mal te virá deles, desde que abjures o mal, para conhecer o bem. Interpor-se-á entre o teu e os seus Espíritos a muralha da Verdade. Foi assim que me sucedeu a mim.
            Eu lhes ouvia os clamores, é certo, e as objurgatórias contra o que qualificavam de felonia. Pouca mossa  me fizeram ... (Curto silencio). Não te direi, para que possas apressar a tua resolução.
            Se sou feliz? Como não se há de ser feliz, quando se renuncia ao mal? Não confundas tristeza com sofrimento. A tristeza é peculiar ao Espírito que se arrepende do seu passado de treva. Sofrimento é o teu e foi o meu.
            Sim, mas confio em que te trarei a este colégio. Fica certo de que a tua ciência nada vale. Virás abeberar-te em fonte de água viva, que te dará aspirações novas para aproveitamento da tua inteligência de escol.
            Não será de um salto. Todas as disciplinas demandam método e tempo para o seu aprendizado. Sob a simplicidade está a transcendência. Virás, eu sei; virás. Sim, estás em boas mãos. Esse convence com o coração. Com a ternura. Vai com ele.
            (Breve silencio).
            Meus amigos, que grande ventura inesperada para o meu Espírito. Direi mais tarde de quem se trata. Não fazia ideia do que me ia suceder. Em meio da minha palestra surge-me...
            Oh! Senhor, obrigado pela esmola. Obrigado também a vós outros que me dispensais a vossa atenção.
            Deus vos abençoe.

*

Comunicação final,   sonambúlica


                        Futuras alavancas para a obra do Espiritismo no Brasil.  - Quem era o Espírito que acabara de manifestar-se.  - Suas possibilidades intelectuais para uma grande tarefa na terra. - Efeitos de trabalhos como esses a que se entrega o Grupo ‘’Ismael”. - Incorporação, às fileiras do Cristo, de numerosas falanges de transviados. – Aperto do cerco aos componentes do Grupo. – Oração e vigilância. – Preparação de médiuns. – Preço à Virgem.


Médium: J. CELANI



            Meus companheiros, rendei graças ao Senhor pelas esmolas que recebeis. Se elas não são maiores, bem o sabeis, é porque os nossos merecimentos são pequenos.
            Esses Espíritos que aqui aportam serão duas alavancas futuras, para a obra do Espiritismo no Brasil. Estão em preparo, em estudo, armazenando cabedais para as tarefas terrenas, expiatórias do passado e preparatórias de novas ascensões. Deixemos que o trabalho prossiga por mais algumas sessões para se tornar patente aos vossos olhos.
            O Espírito que acaba de falar é o mesmo que aqui esteve na ultima sessão. Miguel é o seu nome. Meu conhecido de longes eras; foi perseguidor do Frederico e do Ulysses.
            Cultíssimo orador no seu tempo, filósofo profundo, é um Espírito, enfim dotado de vastas possibilidades intelectuais para uma grande ação no seio da sociedade terrena.
            São estes trabalhos que aqui se fazem, ignorados, sem os atavios que encantam os sentidos, os que produzem no infinito efeitos formidáveis, qual o de atrair para as fileiras do Cristo, numerosas falanges de transviados, que tanto embaraçam e dificultam a nossa tarefa, valendo-se das vossas falências para consecução de seus fins.
            Mas, não vos iludais: á medida que melhorarem os vossos trabalhos, apertar-se-á o cerco, surgirão as sugestões para as discórdias, virão as insidias, as dificuldades crescerão.
            Portanto, orai e vigiai; estudai e meditai, para que os trabalhos possam continuar sem interrupção. Sabeis que é penosa a preparação de médiuns que não trazem do passado cabedais suficientes. Precisam ser aqui envolvidos num ambiente apropriado à ação que lhe cabe exercer.
            Eis o que tinha para dizer-vos, meus caros companheiros, ao termo da vossa jornada de hoje.
            Mãe Santíssima, apieda-te do servo que pretende voar tão alto. Fortalece o meu ânimo para servir-te servindo aos meus irmãos. Ampara-me para atender a todos os que compareçam a comungar conosco nas horas da aflição.
            Deus vos abençoe. Levai para os vossos lares a sua benção e levai convosco a certeza de que sobre todos os de boa vontade pairam o olhar da Mãe das mães e do divino Pastor. – Richard.




Luiz Sérgio e seus amigos




Extratos do livro
 Cascata de Luz

 
            'A fé sem obras é como um riacho seco.'    Irmã Arlene ( Pg. 33 )      



            'A Doutrina é o remédio da alma, é o farol guiando os homens pela longa estrada da evolução. Aquele que não procurar tornar-se bom não será digno do chamado de Cristo.'                                                                                                  Irmã Arlene ( Pg. 34 )



          '( I Coríntios, Cap XVIII, v.1 )  -  “ Se  eu  falar as línguas dos homens e dos anjos, e não tiver caridade..' Luiz Sérgio ( Pg. 53 ) 'Só compreendemos a magnitude da obra doutrinária se abraçarmos a caridade; sem ela não existe doutrina alguma, e quem diz isso é Paulo de Tarso'



            'A vinha é a mesma, assim como todos os chamados. Agora, tornar-se digno trabalhador do Cristo requer uma transformação de vida, infelizmente ainda difícil para os orgulhosos. '   Luanda ( Pg. 146 )


            '...cada trabalhador do Senhor tem de colocar a isca no anzol e esperar pacientemente a hora de alimentar os peixes que nadam no mar da vida, muitos deles saciados pelos apetites da carne.'        Um conferencista ( Pg. 152 )

                                                                                                   
            'Somente a humildade e o amor colocam-nos no caminho de Jesus.' Francisca Thereza (Pg. 174)


            'O homem que procura renovar-se encontrará Deus através do longo e estreito caminho de Jesus.'    Francisca Thereza ( Pg. 175 )

            'O espírita não teme o seu próximo, deve temer, sim, seus próprios fracassos como espírita.'  Ir. Ianá ( Pg. 233 )
               
                                                                                                                                     
                'Para nós, o que faz bem ao homem é ele tornar-se bom e caridoso.' Ir. Ianá (Pg. 234)

5 de Setembro


05 Setembro



Maricota enjeitou
Dez filhos de porta em porta;
Hoje, ela quer reencarnar,
Quando nasce, nasce morta.


  Cornélio Pires
por Chico Xavier
in ‘Espírito de Cornélio Pires’  (3ª Ed. FEB  1991)




domingo, 4 de setembro de 2011

4 de Setembro



4  Setembro

O suor da paciência
Encontra a luz por remate
Não há provação difícil
O medo é que nos abate.


  Casimiro Cunha
por Chico Xavier
in ‘Poetas Redivivos’  (1ª Ed. FEB 1969)



sábado, 3 de setembro de 2011

'Palavras de Caridade'



Palavras de Caridade

por Auta de Souza

inPoetas Redivivos’ (1ª Ed FEB  1969)


O apoio… A simpatia… Uma oração apenas,
Carregada de fé na Bondade Divina...
A bênção do sorriso... A página que ensina
A vencer o amargor das lágrimas terrenas...

O minuto de paz... O auxílio que armazenas,
Na supressão do mal, ao trabalho em surdina...
O bilhete fraterno... Uma flor pequenina...
O socorro... A brandura... As palavras serenas...

A esmola... A roupa usada... O copo de água fria...
O pão... O entendimento...  Um raio de alegria...
Um fio de esperança... A atitude sincera...

Da migalha mais pobre à dádiva mais rica,
Tudo aquilo que dás a vida multiplica
Nos tesouros de amor da glória que te espera !...

3 de Setembro


3  Setembro

Perdoa e ajuda amparando
Como as terras generosas
Que dão, em troco de estrume,
Pão e bênção, vida e rosas.


  Casimiro Cunha
por Chico Xavier
in ‘Poetas Redivivos’  (1ª Ed. FEB 1969)

sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Dr Bezerra pergunta...



Que são os dores do mundo, em face da perspectiva da felicidade que nós outros vislumbramos num futuro talvez ainda longínquo para vós, mas que será realidade eterna, porque eterno só o bem o é?


Bezerra de Menezes (Espírito)
in Trabalhos do Grupo Ismal por Guillon Ribeiro pg. 159

'Divergências nas Fileiras Espiritas'


                    ...............................


                Se há divergências nas fileiras espíritas, se não reina nelas a fraternidade cristã, é porque verdadeiramente nem todos comungam no Espírito do Cristo, para execução da tarefa que aceitaram e a que procuram servir.
            Se assim é, meus companheiros, precisamos, primeiro que tudo, pregoar os preceitos da doutrina entre os espíritas, antes de os levarmos às turbas que vivem na ignorância destas verdades. Só assim haverá verdadeiro progresso, no sentido espiritual, entre os crentes da Nova Revelação. Quando assim falo, não me olvido de que sois homens e pecadores e que eu sou espírito, que aí vivi e senti os grilhões da carne, por entre os anseios de espiritualidade.
            Mas, perdoai-me, meus companheiros e amigos. Nas minhas palavras não vão censuras, apenas um incitamento às grandes conquistas que podeis realizar, se abrirdes inteiramente os vossos corações à penetração do amor do Cristo e as vossas inteligências às inspirações dos seus mensageiros de Luz e Verdade. Perdoai-me e crede na minha súplica constante à Mãe das mães, Rainha dos Céus, ao Espírito meigo, protótipo do amor e da bondade, para que a todos vós estenda o manto de defesa dos servos de Jesus Cristo.


           ................................


          Bittencourt Sampaio (Espírito)                                                         in 'Trabalhos do Grupo Ismael' por Guillon Ribeiro pg.157

'Cantos Cármicos'


Cantos Cármicos

     Karma é uma palavra sânscrita que quer dizer “ação”, mas é empregada em Espiritualismo para expressar a lei e causa e efeito, segundo a qual toda ação produz um efeito na vida do agente, no presente ou no futuro próximo ou remoto, estendendo-se esses efeitos pelas diversas encarnações do Espírito.
           
          O melhor resumo que eu conheço dessa doutrina de “Karma” ou “Carma” é um poemeto que eu sei de cor. Diz:

            “Como um oceano de cordas de ouro, tece-se em rede entrançada por todo o universo como única unidade, a lei do destino, severamente justa e sem nenhum fim.
            Nem mesmo um universo inteiro seria capaz de impedir a ação do menor dos pensamentos. Se foi lançado um pensamento, ele vibrará eternamente para criar a sorte, de conformidade com a lei cósmica.
            E nenhuma ação, por mais simples que seja, será algum dia esquecida. Um dia, voltará a quem a praticou, como onda de resgate da sorte.
            Portanto, não amaldiçoes a tua sorte, mesmo que ela te fora rigorosamente; porque ela consiste somente das dores que tu mesmo anteriormente causaste.”

            Como vê, não só a ação material, mas também o pensamento e, portanto, a palavra, formam o destino, segundo essa lei cármica, tanto para o bem como para o mal.
            
            Quando minhas queridas netas tiverem madureza bastante para estudar a lei de carma, poderão encontrar essas lições em revistas do meu tempo ou talvez em livro.
       
              Talvez elas perguntem:

            “Se a lei é inexorável como ensina a filosofia hindu, então, por que N. S. Jesus Cristo, na Oração Dominical, nos ensina a pedir perdão a Deus de nossas dívidas cármicas?”
          
            Respondo: Ele nos ensinou a pedir: “Perdoa as nossas dívidas como nós perdoamos as ofensas que recebermos, para que Deus nos perdoe; porque recebendo as ofensas e perdoando sempre, estamos pagando as dívidas antigas, sem contrair novas dívidas. Estamos vencendo a nós mesmos.

            “O perdão de Deus, portanto, é o auxílio que Ele nos concede para vencermos o passado de erros e pecados e construirmos para nós mesmos um futuro feliz. Deus não revoga Suas sábias leis, mas nos ajuda a cumpri-las, para nosso próprio bem.”
           
            Deus não pune. Ele “castiga” para salvar. Cast-ig-ar, quer dizer “tornar casto ou puro”.

            A Justiça da Lei tem por finalidade corrigir nossos defeitos. Não se pense que basta perdoar ao ignorante por não ter estudado a lição para que ele fique sabendo a lição que não foi apreendida. É preciso ajudá-lo a aprendê-la, e a ajuda para o recalcitrante e preguiçoso é o castigo menor, para que ele não sofra o castigo maior, de vida inteira: de conservar sua ignorância sobre matéria que ele precisa saber.
          
           Em suma, pela Lei de Karma, tudo que fazemos, dizemos ou pensamos, virá a recair sobre nós mesmos, formando nosso destino. Diz-se “o homem é o artífice de seu próprio destino”.

            O Cristianismo ensina com outras palavras a mesma lei. Jesus resumiu assim a Lei:

            “Tudo que desejares que os homens te façam, faze-o tu também a eles; porque nisso consistem a Lei e os Profetas” (Mateus, 7:12).
          
             Toda a Religião, portanto, expressa pela Lei e pelos Profetas, está contida nesse simples ensinamento de Karma, segundo as palavras de N. S. Jesus Cristo.
         
            Para exemplificar o que ensinou, Ele não reagiu contra os maus, não se defendeu, deixou calmamente que o caluniassem, prendessem, açoitassem, crucificassem, sem ter contra eles um pensamento ou uma palavra de revolta, contra todas as injustiças que os maus lhe quiseram fazer.
         
            Depois lhes reapareceu, brilhante e vivo como dantes, para lhes demonstrar, pela ressurreição, que a vida não é o corpo que eles perseguiram: a vida é eterna e indestrutível, porque é a centelha de Deus que anima e vivente.
          
            Diante da Lei de Karma, há pessoas que consideram inútil a prece. É erro grave assim pensar, porque a prece é ato de humildade, pelo qual reconhecemos nossa pequenez
Diante do Criador, a quem tudo devemos, e nossa humildade nos ajuda a vencer os efeitos penosos da Lei de Justiça perfeita.
         
           Além disso, a melhor prece não é pedido, é agradecimento, e nos põe em afinidade com os bons que nos ajudam a melhorar nossas próprias qualidades e vencer nossos defeitos.
           
           Devemos orar sempre. A oração nos eleva espiritualmente, nos põe em afinidade com os bons espíritos, nos aproxima da perfeição, nos fortalece na dor e nas provações.
          
           Não orar é uma arrogância do orgulhoso que supõe poder tudo sozinho, quando a verdade é que nada podemos sem o auxílio dos outros: nascemos na dependência, vivemos em dependência, morremos em dependência.
       
          A prece é uma das grandes forças da natureza. O grande médico Alexis Carrel escreveu um livro sobre o poder da prece na cura de doenças incuráveis para a medicina. Ele viveu nos hospitais e observou que em muitos casos já perdidos para a medicina, a prece operou o milagre da cura do moribundo
          
          Há muitos outros médicos que atestam o poder da prece para curar doenças incuráveis.
      
         Outros atribuem essas curas à fé e à auto-sugestão, o que vem a dar no mesmo.
   
         O pensamento é uma força criadora ou demolidora, e na prece o pensamento se torna mais poderoso, mais operante.
        
         Devemos orar sempre, por nós mesmos, pelos nossos parentes e amigos, e mais ainda pelos nossos inimigos, pelos vivos e pelos mortos, pelos bons e pelos maus ou infelizes. Ser mau é uma grande desgraça. 

        Precisamos socorrer os maus com as nossas orações, para que eles melhorem.

Ismael Gomes Braga
in “Cartas a Laura” (1ª Ed Floresta 1998)




O Tesouro Verdadeiro


    
    Emmanuel e Chico Xavier, autor e antena psíquica,  trazem-nos  três pérolas da literatura espírita ressaltando a luz que jorra dessa mensagem evangélica ...

O Tesouro 
Verdadeiro

6,19   Não ajunteis para vós tesouros na terra, onde a ferrugem e as traças corroem, onde  os  ladrões  furtam e  roubam.
6,20   Mas ajuntai para vós tesouros no céu, onde nem a traça nem a ferrugem os consomem, e onde os ladrões não penetram nem roubam.
6,21    Porque, onde está o teu tesouro, lá está também teu coração. 
6,22 Os olhos são a luz do corpo. Se os teus olhos forem bons, todo o teu corpo terá luz; 6,23 Se os teus olhos estiverem  em mal estado, todo o  corpo estará em trevas. Se a luz que está em ti  são trevas, quão espessas deverão ser as trevas!

      Para Mt (6,19-23), -O Tesouro Verdadeiro -  lemos em  “Caminho, Verdade e Vida”, de Emmanuel por Chico Xavier, o que se segue:
           
            “Em todos os agrupamentos humanos, palpita a preocupação de ganhar. O espírito de lucro alcança os setores mais singelos. Meninos, mal saídos da primeira infância, mostram-se interessados em amontoar egoisticamente alguma coisa. A atualidade conta com mães numerosas que abandonam seu lar a desconhecidos, durante muitas horas do dia, a fim de experimentarem a mina lucrativa. Nesse sentido, a maioria das criaturas converte a marcha evolutiva em corrida inquietante.
            Por trás do sepulcro, ponto de chegada de todos os que saíram do berço, a verdade aguarda o homem e interroga:
            -Que trouxeste?
            O infeliz responderá que reuniu vantagens materiais, que se esforçou por assegurar a posição tranqüila de si mesmo e dos seus.
            Examinada, porém, a bagagem, verifica-se, quase sempre, que as vitórias são derrotas fragorosas. Não constituem valores da alma, nem trazem o selo dos bens eternos.
            Atingida semelhante equação, o viajor olha para trás e sente frio. Prende-se, de maneira inexplicável, aos resultados de tudo o que amontoou na Crosta da Terra.  A consciência inquieta enche-se de nuvens e a voz do Evangelho soa-lhe aos ouvidos:  Pobre de ti, porque teus lucros foram perdas desastrosas!  “E o que tens ajuntado, para quem será?” 

            Para Mt (6,20) - tesouros no céu... - trazemos, do “Pão Nosso”, de Emmanuel por Chico Xavier, o texto que se segue:

            “Em todas as fileiras cristãs se misturam ambiciosos de recompensa que presumem encontrar, nessa declaração de Jesus, positivo recurso de vingança contra todos aqueles que, pelo trabalho e pelo devotamento, receberam maiores possibilidades na Terra. O que lhes parece confiança de Deus é ódio disfarçado aos semelhantes. Por não poderem açambarcar os recursos financeiros à frente dos olhos, lançam pensamentos de crítica e rebeldia, aguardando o paraíso para a desforra desejada.
            Contudo, não será por entregar o corpo ao laboratório da natureza que a personalidade humana encontrará, automaticamente, os planos da Beleza Resplandecente. Certo, brilham santuários imperecíveis nas esferas sublimadas, mas é imperioso considerar que, nas regiões imediatas à atividade humana, ainda encontramos imensa cópia de traças e ladrões, nas linhas evolutivas que se estendem além do sepulcro. Quando o Mestre nos recomendou ajuntássemos tesouros no céu, aconselhava-nos a dilatar os valores do bem, na paz do coração.
             O homem que adquiriu fé e conhecimento, virtude e iluminação, nos recessos divinos da consciência, possui o roteiro celeste. Quem aplica os princípios redentores que abraça, acaba conquistando essa carta preciosa; e quem trabalha diariamente na prática do bem, vive amontoando riquezas nos Cimos da Vida.
            Ninguém se engane, nesse sentido.
            Além da Terra, fulgem bênçãos do Senhor nos Páramos Celestiais, entretanto, é necessário possuir luz para percebê-las.
            É da lei que o Divino se identifique com o que seja Divino, porque ninguém contemplará o céu se acolhe o inferno no coração ”.

            Para  Mt (6,22) - Se teus olhos forem bons, todo o tem corpo terá luz... -    leiamos  “Palavras de Vida Eterna” de Emmanuel por Chico Xavier:

            Olhos... Patrimônio de todos.
            Encontramos, porém, olhos diferentes em todos os lugares.
            Olhos de malícia... Olhos de crueldade... Olhos de ciúme... Olhos de ferir... Olhos de desespero... Olhos de desconfiança... Olhos de atrair a viciação... Olhos de perturbar... Olhos de registrar males alheios... Olhos de desencorajar as boas obras... Olhos de frieza... Olhos de irritação...
           Se aspiras, no entanto, a enobrecer os recursos da visão, ama e ajuda, aprende e perdoa sempre e guardarás contigo os “olhos bons”, a que se referia o Cristo de Deus, instalando no próprio espírito a grande compreensão suscetível de impulsionar-te à glória da Eterna Luz.”

                                      



2 de Setembro


2  Setembro

Espíritas, companheiros
Da grande Luz restaurada,
Tracemos a nossa estrada,
Na glória do amor cristão;
Na luta, na dor, na prova,
Busquemos na Boa Nova
O Livro da Redenção.


  Castro Alves
por Chico Xavier
in ‘Poetas Redivivos’  (1ª Ed. FEB 1969)



quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Allan Kardec e o Grupo Ismael


A Comunicação do
Espírito de Allan Kardec
no Grupo Ismael
Data: 14 de Junho de 1979

in “Allan Kardec – Pesquisa Biobibliográfica
e Ensaios de Interpretação” Volume III
( Ed. FEB 1980)

           
            O livro “Allan Kardec”, no conjunto dos três volumes que o integram, ficou inteiramente concluído no dia 31 de maio de 1979, data em que Francisco Thiesen assinou a Introdução constante no volume II.

        Em 7 de junho de 1979, uma semana após, o Espírito de Allan Kardec esteve presente no Grupo Ismael, da Federação Espírita Brasileira, onde fora visto pelos médiuns Olímpio Giffoni e Hernani T. de Sant’Anna, tendo o primeiro deles confirmado não apenas a presença do Codificador no recinto dos trabalhos, como também transmitido uma comunicação de Romualdo, a respeito. Sete dias depois, aos 14 de junho de 1979, segundo medianeiro que o vira psicografou-lhe uma mensagem, cujo texto, na íntegra, já divulgado em “Reformador” de outubro de 1979 (p. 325), no corpo do artigo “Programa e Obra de Ismael”, de Alberto Nogueira da Gama, é o seguinte:

         “Meus nobres e respeitáveis amigos,

        Como discípulo fiel, mas tão precário quanto me impôs ser a condição humana, realizei o melhor que pude o trabalho que o Mestre me confiou. De regresso ao mundo espiritual, constatei que somente o essencial foi concluído.

        Antes, porém, que me pudesse abespinhar por isso, o Divino Amigo me fez sentir, na generosidade da sua sabedoria, que a semente lançada à terra era boa e daria os frutos desejados, no tempo certo e de acordo com o programa superior, traçado nas Alturas. Cabia-me aceitar que ao trabalhador basta o seu trabalho; compreender que o tempo deve exercer, em tudo, a sua quota de ação; perceber que era indispensável aguardar que se cumprissem, através das idades e dos acontecimentos, todos os itens previstos pela sapiente visão do Supremo Governador dos destinos de nosso planeta e de nossa Humanidade.

        Não precisei angustiar-me, portanto, com as ocorrências que fizeram a história dos primeiros tempos de nossa Doutrina, na face do orbe, pois acompanhei, na posição do operário sempre em serviço, o transplante da Árvore do Consolador para as plagas do Brasil e os esforços apostolares aqui desenvolvidos para assegurar-lhe a sobrevivência e o desenvolvimento.

        Chegado o tempo de mais efetiva disseminação da Mensagem Espírita no mundo, era necessário, porém, que tudo fosse revisto e consolidado; aplainadas, com todo o cuidado, arestas e asperezas; corrigidas algumas omissões; podado certos excessos de interveniência humana; esclarecidas determinadas dúvidas de interpretação.

        Fácil é de entender-se esse imperativo, desde que se tenha em vista que se trata agora de nova e verdadeira entrega do Paracleto a todos os povos da Terra.

        Dado que entendestes, com a vossa lucidez espiritual e o vosso devotamento, essa requisição do Cristo que nos dirige, devo agora agradecer o vosso empenho e o vosso devotamento, assegurando-vos que tudo está pronto para que o êxito coroe o desdobramento dos tentames que terão de ser empreendidos, para que a luz alcance e clareie todos os vales e todos os planaltos do orbe.

        O trabalho do Senhor a ninguém pertence, mas é de todos os que atendem ao seu chamado, para a cooperação humilde e desinteressada, sincera e eficaz.

        Nada, realmente, se constrói sem trabalho, sem solidariedade e sem tolerância; sem Deus, sem Cristo e sem Caridade.

        Que, pois, o Amor e o espírito de serviço sejam os vossos conselheiros permanentes em todas as situações, certos de que o Espiritismo é Jesus de volta, para consolo e redenção de todos os seres humanos.  
                                                     
Allan Kardec



1 de setembro



1  Setembro

Sê forte em qualquer trabalho,
Cada luta é uma lição,
Tristezas e desalentos
São cupins no coração.


  Casimiro Cunha
por Chico Xavier
in ‘Cartilha da Naturezaa’  (4ª Ed. FEB 1988)