
Nova fase
por
Ismael
Gomes Braga
Reformador
(FEB) Julho 1944
A literatura espírita entrou em uma nova fase que fica
marcada pelos romances mediúnicos de Geraldine Cummins, na Inglaterra, e Francisco
Cândido Xavier, no Brasil. Esses romances escritos por grandes Espíritos que já
eram ilustres quando Jesus desceu à Terra em sua gloriosa missão e que agora
voltam para nos relatar acontecimentos históricos daquele tempo, fazendo assim
reviver o nascimento do Cristianismo, seguem linhas paralelas nos diversos
países. Não são cópia uns os outros; não. Todos têm originalidade, são escritos
por personagens marcantes, depondo o que sabem e apreciando tudo com seus
sentimentos, mas o plano geral é o mesmo: reviver no coração do homem o Cristianismo
primitivo em toda a sua pujante força.
Vejamos a lista apenas dos grandes
romances recebidos por Geraldine Cummins, em lingua inglesa, que vão alcançando
sucesso mundial, e notaremos que eles são sobre os mesmos temas tratados por
Emmanuel, em livros escritos pela mão de Francisco Cândido Xavier. Eis essa
lista:
The Scripts of
Cleophas (“Os
manuscritos de Cleofas”). São as notas escritas por um contemporâneo e
discípulo de Jesus, um dos dois a quem o Mestre apareceu no caminho de Emaús.
The
Great Days of Ephesus (“Os grandes dias de Êfeso”). Narração
romântico-histórica dos tempos gloriosos de Êfeso.
After
Pentecost (“Depois de Pentecoste”). Relato dos primeiros anos do
Cristianismo.
When
Nero was dictator (“Quando Nero era Ditador”). Igualmente um relato
romântico-histórico dos acontecimentos nos dias da ditadura de Nero.
Todos esses livros são apresentados por Espíritos que viveram
naquele tempo, mas em forma de romances históricos, com valor artístico, são
aceitos sem discussão, pois que não são apresentados como obras de ciência mas
simplesmente como romances.
Nessa mesma coleção inglesa aparecem
dois outros livros, do Dr. F. H. Wood, ditados por Espírito ainda mais antigos,
e que por isso mesmo nos fazem reviver o passado. O cenário já é outro, é o
antigo Egito. Os títulos desses dois volumes são:
Ancient Egypt Speaks (“O Antigo
Egito nos fala”). Neste, uma antiga princesa babilônica que se tornou rainha do
Egito vem nos falar e demonstrar sua existência real, servindo-se trar sua
existência real, servindo-se para Isso de uma sua filha adotiva que hoje é a
médium inglesa Rosemary, reencarnada em nossos dias, depois de uma longa série
de reencarnações.
This Egyptian Miracle (“Este Milagre
Egipciano”). É a continuação do precedente, ampliando, defendendo e
justificando aquela revelação do velho Egito.
Esta nova coleção, aparecida nos
últimos anos, segue um curso diferente das primeiras obras mediúnicas recebidas
De fato, em Kardec e Roustaing, os Espíritos aparecem ditando tratados, compêndios
de doutrina cristã, num empenho bem caracterizado de restaurar a doutrina de
Jesus. São verdadeiros monumentos de sabedoria cristã os livros ditados nos
primeiros anos a Kardec e Roustaing, no sentido de explicar, esclarecer e
ampliar a Missão de Jesus. Em que pese ao farisaísmo moderno, cuja eruditíssima
sapiência tem lutado para destruir as obras d Kardec e Roustaing que lhes
incomoda o orgulho e lhes provoca as cóleras, esses monumentos da literatura
mediúnica continuam desafiando os tempos. O sucesso alcançado pelos inimigos de
Kardec e Roustaing tem sido geograficamente limitado. As obras continuam vivas
noutros lugares e sempre prontas a se universalizarem, quando se oferecer clima
favorável.
Essa fase didática era absolutamente
necessária. Formou os livros canônicos, ou básicos, da Terceira Revelação.
Entrou-se, então, na forma romântica que apresenta as mesmas verdades, os
mesmos ensinamentos, em leitura amena e indiscutível. As ideias entram para as
almas como simples diversão, sem esforço nem discussões.
O romance progrediu e hoje é
iniciada essa nova fase de romances apresentando biografias e episódios
históricos com grandes ensinamentos. Com esta nova fase, os grandes Espíritos
vão alterando a mentalidade humana, e evitando a fúria dos demolidores
impenitentes que atacam as obras puramente didáticas, mas são impotentes diante
da novela, da ficção.
Vemos com tristeza a luta furiosa
que as Trevas fazem contra as grandes obras mediúnicas, num empenho apaixonado
de abalar a fé na mediunidade, porque esta é o alicerce do Espiritismo. Quando
conseguem lançar a dúvida sobre uma obra mediúnica de grande significação,
como, por exemplo, a de J. B. Roustaing, abalam os fundamentos do Espiritismo e
com isso regozijam-se quantos temem a luz da Terceira Revelação. Na verdade, o
alvo de todas essas campanhas - por melhor mascaradas que elas se nos
apresentem - é o Espiritismo mesmo, a grande ideia regeneradora. Na aparência
atacam somente uma única obra os falsos profetas, mas essa única obra é
mediúnica e o descrédito lançou sobre ela atinge a mediunidade em geral, ou,
seja, a base mesma do Espiritismo. Quando conseguem abalar a base do
Espiritismo, os espíritas desaparecem, dispersam: uns se tornam metapsiquistas,
eternos experimentadores irritáveis e discutidores que nada constroem; outros,
mais místicos, aos quais repugnam as eternas discussões estéreis, entregam-se
ao estudo igualmente improdutivo das obras de Edouard Schuré e Rudolf Steiner,
como fizeram na França e na Alemanha, e finalmente uma terceira categoria
abandona completamente todos os movimentos espiritualistas e volta ao
materialismo absoluto, de onde saíra, ou mais precisamente, de onde nunca saíra
de fato. Essa é a obra nefanda que vem sendo realizada em vários países da
Europa pelo eterno farisaísmo anticristão.
Examinando o que já conseguiram na França, na Itália,
na Espanha, teríamos razão de cair em pessimismo desalentador, ao ver que a
mesma coisa estão tentando no Brasil. Pelo rádio, pelo jornal, pelo ivro,
tentam lançar o descrédito sobre a mediunidade, atacando a letra de uma das
maiores e mais respeitáveis obras mediúnicas já recebidas pelos homens, a que
foi publicada por J. B. Roustaing. Nosso pessimismo, porém, é sem fundamento,
porque os Guias do movimento espirita, compreendendo melhor do que nós os
perigos a que está exposta a Terceira Revelação, assim minada pelos inimigos
internos, já iniciaram a nova fase; já estão construindo de novo; já estão
dando os mesmos ensinamentos em forma indiscutível de romances.
Contra um bom romance não prevalecem
ataques por mais hipócritas e astuciosos que sejam. Até os adversários da
doutrina leem com agrado nossos melhores romances e não discutem sua doutrina;
aceitam-na sem discussão, inconscientemente, intuitivamente, sem a pseudo lógica
que confunde os “sábios” e os lança nas trevas.
Essa nova fase está em pleno
funcionamento. O sucesso dos romances de Zilda Gama e Francisco Cândido Xavier,
entre nós, e dos de Geraldine Cummins no mundo de língua inglesa, demonstram
cabalmente que os Espíritos superiores viram muito mais longe do que nós e
prepararam a solução do problema, anulando a obra tenebrosa dos fariseus
modernos.
A propósito de um desses romances, estamos recebendo a
seguinte crítica de um mestre em Espiritismo e Ocultismo:
“O livro de André Luiz,
psicografado pelo nosso querido Chico Xavier, é uma pérola de alto valor, e bem
merece a recomendação do nobre Emmanuel que lhe escreveu o prefácio.
“Oxalá
muitos leiam, com o necessário entendimento, essa obra!
“Fiquei
satisfeito por encontrar nela várias confirmações de minhas ideias sobre a vida
nas regiões astrais, próximas da terra material, como: a alimentação, os auxílios,
as organizações sociais e culturais, a administração, os meios de locomoção, os
campos de repouso, os jardins, bosques, flores, o rio, a música. Completei o
meu conhecimento dessas coisas, e adquiri o conhecimento relativo aos bônus-horas,
aeróbus, os ministérios, a organização da família, etc. Compreendi que, nessas
regiões, próximo do orbe terráqueo, há uma espécie de atmosfera nutriente,
trabalhos de várias espécies, comunicações com a Terra, com o Umbral, com a
região elas Trevas, e também com as Regiões Superiores; os ministérios da
Elevação e da União Divina são organizações muito nobres, lógicas e
caritativas. Tenho lido algumas descrições dos planos astrais, em várias línguas;
porém nenhuma tão clara e persuasiva, como no excelente “Nosso Lar”.
Graças
a Deus por tão abençoada Luz!
Francisco Valdomiro
Lorenz.”
Nada de pessimismo, portanto, meus
irmãos. A obra divina, superentendida pelos grandes Espíritos, pode ser um
pouco atrasada, mas não anulada pelo orgulho dos homens.
Depois
dessa nova fase, virá uma outra que já está em preparação, até iniciada: as
obras espíritas mediúnicas ditadas diretamente em Esperanto, para toda a superfície
do planeta, Já está em preparação o primeiro livro mediúnico recebido
diretamente em Esperanto. Dentro de poucos meses os esperantistas - espiritas
ou não - receberão essa agradável surpresa: vozes dos céus em uma língua comum
de todos.
Trabalhemos e oremos, confiados em
Deus e em seus grandes Prepostos!