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sábado, 23 de janeiro de 2021

A praga do Espiritismo

 

A Praga do Espiritismo

por I. Pequeno (Antonio Wantuil de Freitas)

Reformador (FEB) Agosto 1948

             Anonimamente me vêm sendo enviados jornais católicos que dizem “cobras e lagartos” do Espiritismo, classificado, de praga, de comunista, de prejudicial à Família brasileira, de tudo, enfim.

            E têm razão os referidos jornais. E tem-na igualmente os livros católicos que não se cansam de queixar da tal “praga”. Os fiéis têm, aos poucos, abandonado os seus templos e os donativos lhes estão fugindo, obrigando-os a aumentar, dia a dia, os preços das suas cerimônias, e, nesta época em que a Imprensa vive a apelar para as Comissões de Preços, certamente receiam que lhes tabelem oficialmente os batizados, os casamentos, as missas, os sermões, etc., etc.

            Porque não fazem como os Espíritas, que tudo dão de graça? - Seria mais evangélico. Seria, sabem eles, mas isso não lhes convém, sendo-lhes preferível a aproximação com os Governos, a fim de tentarem que estes criem leis que levem à cadeia os praticantes da tal “praga”.

            No mesmo dia em que recebi um desses jornaizinhos católicos (1-7-48), “O Globo” publicou uma entrevista que lhe concedeu monsenhor Nabuco, auxiliar direto de S. Eminência o cardeal D. Jaime: “Há no Rio 442 igrejas e capelas. A Igreja sente necessidade de criar as missas dialogadas, a fim de atrair os fiéis!”

            Ora, se existem no Rio, entre igrejas e capelas, apenas 442, razão têm os reverendos de se queixarem da “praga do Espiritismo”, pois que, ao tempo em que a Polícia obrigava os Centros Espíritas a se registarem e os seus diretores a se deixarem fichar na seção de gatunos, já existiam para mais de quatrocentas sociedades espíritas registadas na Polícia do Distrito Federal. Hoje, o número é bem maior, e vivem todas elas abarrotadas de crentes, apesar de não lançarem mão do atrativo profano dos foguetórios e da pomposidade da liturgia romana.

            Se há 442 templos católicos, à espera de fiéis, e se há maior número de templos espíritas, abarrotados de crentes, concluímos, pelos próprios dados que nos ofereceram haver mais espíritas que católicos, realmente católicos, na Capital da República, cérebro do País.

            O interessante, porém, é que os fatos se estão passando tal qual sucedeu ao tempo do aparecimento do Cristo: quanto mais apelam para as leis de César, quanto mais violentas são as perseguições, maior número de criaturas aderem à Nova Revelação que o Cristo havia prometido para a época oportuna -- o Espiritismo.

            Quando Deus quer, reverendos ...


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Allan Kardec
Nascimento: 03 Outubro 1804
Desencarne: 31 Março 1869

 

sexta-feira, 22 de janeiro de 2021

22 de Janeiro

 


22 Janeiro

 

 Se pretendes o caminho

Da vida que aperfeiçoa,

Trabalha, incessantemente,

Aprende, serve e perdoa.

 

Casimiro Cunha 

por Chico Xavier

in ‘Gotas de Luz”  (FEB  4ª Edição 1977)

Concílios Espíritas

 


Concílios Espíritas

por Orlando Romero    Reformador (FEB) Agosto 1948

             O Espiritismo floresce exuberantemente no Brasil, e uma das causas que mais incorrem para a vulgarização dos seus sublimes preceitos é a liberdade de pensamento e de ação que a Doutrina faculta a todos os crentes. O entusiasmo e a inquietação são manifestações próprias do espírito humano em vias de progresso. Surgem as polêmicas e as divergências mais incongruentes; todavia, a essência da Doutrina Espírita não sofre abalos graças às lições que os maiores da Espiritualidade nos ministram, incansavelmente. Daí provém a solidez inabalável do Espiritismo. Kardec codificou-o, Roustaing ampliou-o e o Mensageiros do Senhor continuam a revelar novas verdades à medida que a Humanidade descerra as pálpebras e vislumbra novos e mais amplos horizontes. Se a incompreensão e a dúvida obscurecem ainda alguns espíritos, a culpa não pode caber à Doutrina, mas a homem insatisfeito ou descontente. Resta-nos somente uma alternativa: estudar e compreender. Os livros doutrinários, veículos da mais pura moral, as mensagens e os avisos são vastos. A literatura espírita avoluma-se dia a dia. Ao homem cumpre discernir pela reflexão metodizada e isenta de sectarismo. O Espiritismo não dogmatiza. Não é nem uma seita, nem uma ortodoxia, mas uma filosofia viva, aberta a todos os espíritos livres, filosofia que evolve, que progride. Não impõe nada; propõe.” Procurar por meio de concílios ou congressos ditar normas e fórmulas ao Espiritismo, seria circunscrever aos preconceitos humanos aquilo que emana de Deus. Cada qual deve auscultar a extensão dos postulados espíritas; convêm a cada qual medir a estreiteza da concepção humana. Ao inverso, o homem incorrerá na ingenuidade da criança que julgara, certa vez, poder represar as águas do oceano construindo um diquezinho de areia. Não; jamais poderemos ditar fórmulas às práticas espíritas como jamais nos será permitido limitar a luz do Astro Rei. Não seriam diretrizes traçadas por alguns homens, reunidos em conclave, que apressariam a evolução da Humanidade. Tais reuniões, bem o sabemos, dissolvem, acirram ódios, geram discórdias. As forças das trevas procuram, por todos os meios, impedir a marcha do Espiritismo, mas nada deterá a sua arrancada; nada impedirá a sua irradiação por todos os quadrantes do mundo, porque ele representa a árvore evangélica plantada pelo Pai Celestial! Unamo-nos em espírito, e procuremos compreender as grandes verdades da Doutrina Espírita, orando e vigiando, para não sofrermos os assaltos imprevistos das trevas.


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Ismael Gomes Braga 

Nascimento: Ubá,  16 Julho 1891
Desencarne: Rio de Janeiro, 18 Janeiro 1969 (77 anos)

Cartas do outro mundo - 2

 

Cartas do outro mundo - 2

por Ismael Gomes Braga     Reformador (FEB) Fevereiro 1947

             Na carta de Abel Gomes, que damos a seguir, há ensinamentos tão preciosos que seria falta grave os conservarmos sem publicidade. Poucas são as frases que só interessam ao destinatário e que substituiremos por pontilhado. - I. G. B.

             “... Felicito-te a calma na tormenta. Deus não nos concede problemas desnecessários. “Em tudo permanecem os desígnios do Mais Alto, convocando-nos à redenção... E por enquanto, peças imperfeitas que somos na bigorna da vida, é imprescindível que o fogo purificador nos modifique, nos desgaste, nos transforme, de modo que possamos brilhar, algum dia, no serviço de nosso Pai. Nesse sentido é necessário o trabalho incessante. Se nos faltasse a temperatura de alta tensão, quem sabe? Talvez voltássemos à frieza de outro tempo, provavelmente a ferrugem nos consumiria devagar, relegando-nos ao esquecimento dos séculos. É por esse motivo que o meu coração se rejubila contigo nas realizações da atualidade. Tudo parece escuro, incerto. No entanto, vejo mais além. Noto-te a alegria do trabalhador que não desfaleceu, do semeador que prossegue, convencido de que o Senhor da Seara a tudo atenderá no momento oportuno. Guarda tua paz como um dom, no círculo de provas abençoadas que são igualmente dons divinos. O homem comum repudia o sofrimento, porque a ignorância constitui pesado véu a obscurecer lhe a mente. Nunca é demais asseverar que a dor é a escola mais nobre, e que a luta é o clima superior, onde as qualidades mais altas da alma se retemperam e aprimoram...

            “Esperemos o melhor, confiado n'Aquele que nunca nos abandonou no precipício. Continua, pois, trabalhando no ideal do bem e da fraternidade, Sejam o Espiritismo e o Esperanto as duas lâmpadas em tuas mãos de sincero servidor dos Planos Mais Elevados. O obstáculo acentua o poder criador. A dificuldade exerce funções de incentivo sempre que o servo aprendeu a ligar-se à esfera impessoal do bem coletivo, a cujo serviço permanecemos. Nossas mais belas horas são justamente aquelas em que ouvimos a Voz do Senhor no imo da consciência, quando as vozes humanas se degeneram em tormentosa inquietação. E a Voz Divina, filho meu, pede-nos trabalho, concurso e compreensão, de vez que precisamos observar que se o homem mantém a sua fé em Deus, Deus igualmente depõe a Sua fé paternal no homem (1). Atendamos ao Pai e prossigamos.

            “Meu abraço pela tua missão junto da Venina. Ela precisava de ti e fizemos votos e movimentamos providências para que te demorasses em Tomba-Morro (2). A situação assim exigia, e estou satisfeito por haveres compreendido a necessidade de ação no que se refere ao socorro aos necessitados. Tua adesão aos trabalhos diretos encheu-me de alegria. Não convém circunscrevermos o apostolado ao campo intelectual. Sofremos limitações enormes quando ensinamos a semear, esquivando-nos ao esforço ativo e sacrificial do contato com a Terra. Nossa crença é mais pura, nossa mente mais iluminada, quando aprendemos a fazer nossa a dor dos nossos semelhantes, quando vencemos os percalços da teoria para amarmos de algum modo os irmãos que necessitam. Podes crer que poucas excursões em tua vida presente foram tão ricas de bênçãos. E que continues, meu filho, nesse sagrado ministério da ação é o que desejo para que teu verbo esteja tocado do poder criador. Enriquecerás, dessa forma, a tua mordomia espiritual e administrarás os bens do Altíssimo com eficiência cada vez mais alta... (3)”

            (1) Refere-se ao fato de conceder Deus missões ao homem e deixar-lhe o livre arbítrio de cumprir a tarefa como melhor lhe parece ou até não cumpri-la . É bem original a expressão: "Deus tem fé no homem", mas parece exata.

                (2) Os Guias levaram-me a uma casa do campo, num lugar chamado Tomba-Morro, onde trabalhamos quinze dias em penosos casos de desobsessão. O mais violento dos obsessores compareceu a uma sessão cm Pedro Leopoldo e agradeceu os esforços feitos em seu benefício. Graças a Deus e aos Guias, ele está mais consciente de sua responsabilidade.

                (3) Parece haver agradado ao Espírito o fato de havermos abandonado numerosos e cultos auditórios das cidades, para trabalharmos num meio obscuro do campo, durante duas semanas, em favor de sofredores desconhecidos e tímidos. Mas, se bons resultados foram obtidos, nós os devemos exclusivamente à paciência do Guia Que tudo fez em quinze longas sessões e outros serviços de assistência.


quinta-feira, 21 de janeiro de 2021

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 Antonio Wantuil de Freitas 

Nascido em Minas Gerais em 23 de Outubro de 1895.
 Desencarne no Rio de Janeiro em 11 de Março de 1974. 
Farmacêutico de profissão, foi presidente da Federação Espírita Brasileira durante 27 anos consecutivos. 

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    Iniciaremos hoje a postagem das imagens dos nossos 'notáveis'.  

Não temos todas de todos. 

Assim sendo, sua colaboração será mais que bem vinda. 

Favor enviar para gckauffman@gmail.com, 

nosso companheiro de trabalho neste blog. .

Fraternalmente,

Doutrina Espírita

 


Doutrina Espírita

A Redação      Reformador (FEB) Outubro 1946

             Não fora difícil dizer que alguma coisa de Kardec é menos boa, e diríamos que a sua obra prima é Introdução ao Estudo da DOUTRINA ESPIRITA, com a qual apresentou ao mundo, em 1857. O Livro dos Espíritos, realmente é maravilha de clareza, síntese, lógica, esse trabalho do Mestre.

            O cientista e filósofo de primeira grandeza, Gustave Geley, teve esta feliz expressão em seu Resumo da Doutrina Espírita:

             “Quantos sistemas filosóficos que apaixonaram muitíssimas gerações eram, em todos os sentidos, inferiores ao Espiritismo!”

             Nada mais verdadeiro! E uma prova disso é que, no curto espaço de menos de um século, a Doutrina espírita se impôs um pouco por toda a parte em meio de velhos sistemas consagrados pela propaganda de séculos e vai triunfando de sorte a prometer um domínio universal nos pensadores do futuro.

            Faltava, porém, até agora um compêndio breve para ampla divulgação dessa Doutrina, sem os embaraços econômicos que causam os volumes grandes e custosos, Nossos propagandistas fazem sacrifício imenso para distribuir volumes grandes e que desanimam o leitor ocupado e não alcançam sua finalidade. Considerando essa necessidade, a Federação Espírita Brasileira preparou um pequeno volume apresentando toda a Doutrina como vem exposta na Introdução, publicada em 1857, e um resumo da História do Espiritismo nestes 90 anos que se seguiram, nestes tempos de papel caríssimo e livros a preços inacessíveis, o novo volume terá grande missão a cumprir no mundo de língua portuguesa. Os propagandistas, a começar pela Editora, terão resposta clara, fácil, rápida, para pôr nas mãos das pessoas que nos interroguem o que é o Espiritismo.

             Em vez de oferecer um exemplar do livro completo, que talvez desanimasse o leitor ocupado, oferecemos diversos exemplares de Doutrina Espírita a pessoas que, se os lerem, certamente procurarão conhecer toda a obra de Kardec.

             Foi essa “introdução” a primeira obra doutrinária que se publicou em língua portuguesa, em 1866, na Bahia, e foi também, em Esperanto, que se anunciou a propaganda entre os esperantistas do mundo todo. Esperamos que os nossos propagandistas saibam empregar, com grande êxito, a nova arma que lhes é posta nas mãos.


Estatística Católica

 


Estatística Católica

por I. Pequeno (Antônio Wantuil)  Reformador (FEB) Outubro 1946

             A Voz de S. Antônio, jornal católico editado em Petrópolis, em seu número de Setembro p, passado, sob o título – “Não te impressiona?”, na primeira coluna da primeira página, insere um artigo assinado por Mons. Ascânio Brandão.

            Nesse artigo, queixa-se o reverendo de que “a nossa imprensa católica está hoje inferior em número à imprensa protestante e espírita. A imprensa católica perde cada dia em número e eficiência.”

            Ora, diante de outras declarações do clero, asseverando que a população brasileira é inteiramente católica, e diante da declaração que no referido artigo nos faz o reverendo, informando-nos de que a imprensa católica alcançou, na, estatística por eles realizada, apenas a 26%, cabendo os outros 74% aos “inimigos” da Igreja, chegaremos à conclusão de que os católicos brasileiros só o são para fins estatísticos, censitários, em cujas fichas foram arrojados como católicos todos os analfabetos que não sabiam preencher a ficha censitária e todos quantos não querem perder as boas graças da Igreja, enquanto ela recebe o prestígio indireto do meio oficial.

            O artigo do Monsenhor é, pois, a confissão de que entre a população que sabe ler, no Brasil, o Catolicismo só conta com 26% dos brasileiros, ou, talvez, menos, porque muita gente há que assina os jornais católicos, com receio de serem tachados de inimigos da “poderosa” Igreja.        

            Os próprios católicos sabem que a Igreja vive, há perto de um século, do oxigênio oficial.

            Seus templos de pedra já não são mais construídos com o trabalho e o esforço da fé, são no com as contribuições governamentais. Os próprios católicos, como vimos ultimamente em todos os grandes jornais de orientação católica (O Globo, Jornal do Brasil, etc.) protestaram contra o ato governamental que mandou presentear a Igreja com um terreno, na Praça Paris, do valor superior a cinquenta milhões de cruzeiros.

            Como veem, não somos nós, os espíritas, que protestamos; são os seus próprios adeptos, certamente cansados de verificar o mau emprego das quantias arrecadadas pelo Fisco, cada vez mais exigente no aumento dos impostos.

            Ruy Barbosa previu tudo isso, quando registrou em “O Papa e o Concílio” a sua opinião de que uma igreja que necessitasse do amparo governamental era uma igreja que caminhava para a falência.

            Quanto a nós, os espíritas do Brasil e do mundo, desejamos que a Igreja Católica se volte novamente para o Cristo, imitando lhe os exemplos e a simplicidade do Cristianismo inicial.

            Só assim poderá ela alcançar maior percentagem, na estatística da Cristandade que sabe ler.


quarta-feira, 20 de janeiro de 2021

Nova fase


 

Nova fase

por Ismael Gomes Braga

Reformador (FEB) Julho 1944

             A literatura espírita entrou em uma nova fase que fica marcada pelos romances mediúnicos de Geraldine Cummins, na Inglaterra, e Francisco Cândido Xavier, no Brasil. Esses romances escritos por grandes Espíritos que já eram ilustres quando Jesus desceu à Terra em sua gloriosa missão e que agora voltam para nos relatar acontecimentos históricos daquele tempo, fazendo assim reviver o nascimento do Cristianismo, seguem linhas paralelas nos diversos países. Não são cópia uns os outros; não. Todos têm originalidade, são escritos por personagens marcantes, depondo o que sabem e apreciando tudo com seus sentimentos, mas o plano geral é o mesmo: reviver no coração do homem o Cristianismo primitivo em toda a sua pujante força.

            Vejamos a lista apenas dos grandes romances recebidos por Geraldine Cummins, em lingua inglesa, que vão alcançando sucesso mundial, e notaremos que eles são sobre os mesmos temas tratados por Emmanuel, em livros escritos pela mão de Francisco Cândido Xavier. Eis essa lista:

             The Scripts of Cleophas (“Os manuscritos de Cleofas”). São as notas escritas por um contemporâneo e discípulo de Jesus, um dos dois a quem o Mestre apareceu no caminho de Emaús.

            The Great Days of Ephesus (“Os grandes dias de Êfeso”). Narração romântico-histórica dos tempos gloriosos de Êfeso.

            After Pentecost (“Depois de Pentecoste”). Relato dos primeiros anos do Cristianismo.

            When Nero was dictator (“Quando Nero era Ditador”). Igualmente um relato romântico-histórico dos acontecimentos nos dias da ditadura de Nero.

             Todos esses livros são apresentados por Espíritos que viveram naquele tempo, mas em forma de romances históricos, com valor artístico, são aceitos sem discussão, pois que não são apresentados como obras de ciência mas simplesmente como romances.

            Nessa mesma coleção inglesa aparecem dois outros livros, do Dr. F. H. Wood, ditados por Espírito ainda mais antigos, e que por isso mesmo nos fazem reviver o passado. O cenário já é outro, é o antigo Egito. Os títulos desses dois volumes são:

             Ancient Egypt Speaks (“O Antigo Egito nos fala”). Neste, uma antiga princesa babilônica que se tornou rainha do Egito vem nos falar e demonstrar sua existência real, servindo-se trar sua existência real, servindo-se para Isso de uma sua filha adotiva que hoje é a médium inglesa Rosemary, reencarnada em nossos dias, depois de uma longa série de reencarnações.

            This Egyptian Miracle (“Este Milagre Egipciano”). É a continuação do precedente, ampliando, defendendo e justificando aquela revelação do velho Egito.

            Esta nova coleção, aparecida nos últimos anos, segue um curso diferente das primeiras obras mediúnicas recebidas De fato, em Kardec e Roustaing, os Espíritos aparecem ditando tratados, compêndios de doutrina cristã, num empenho bem caracterizado de restaurar a doutrina de Jesus. São verdadeiros monumentos de sabedoria cristã os livros ditados nos primeiros anos a Kardec e Roustaing, no sentido de explicar, esclarecer e ampliar a Missão de Jesus. Em que pese ao farisaísmo moderno, cuja eruditíssima sapiência tem lutado para destruir as obras d Kardec e Roustaing que lhes incomoda o orgulho e lhes provoca as cóleras, esses monumentos da literatura mediúnica continuam desafiando os tempos. O sucesso alcançado pelos inimigos de Kardec e Roustaing tem sido geograficamente limitado. As obras continuam vivas noutros lugares e sempre prontas a se universalizarem, quando se oferecer clima favorável.

            Essa fase didática era absolutamente necessária. Formou os livros canônicos, ou básicos, da Terceira Revelação. Entrou-se, então, na forma romântica que apresenta as mesmas verdades, os mesmos ensinamentos, em leitura amena e indiscutível. As ideias entram para as almas como simples diversão, sem esforço nem discussões.

            O romance progrediu e hoje é iniciada essa nova fase de romances apresentando biografias e episódios históricos com grandes ensinamentos. Com esta nova fase, os grandes Espíritos vão alterando a mentalidade humana, e evitando a fúria dos demolidores impenitentes que atacam as obras puramente didáticas, mas são impotentes diante da novela, da ficção.

            Vemos com tristeza a luta furiosa que as Trevas fazem contra as grandes obras mediúnicas, num empenho apaixonado de abalar a fé na mediunidade, porque esta é o alicerce do Espiritismo. Quando conseguem lançar a dúvida sobre uma obra mediúnica de grande significação, como, por exemplo, a de J. B. Roustaing, abalam os fundamentos do Espiritismo e com isso regozijam-se quantos temem a luz da Terceira Revelação. Na verdade, o alvo de todas essas campanhas - por melhor mascaradas que elas se nos apresentem - é o Espiritismo mesmo, a grande ideia regeneradora. Na aparência atacam somente uma única obra os falsos profetas, mas essa única obra é mediúnica e o descrédito lançou sobre ela atinge a mediunidade em geral, ou, seja, a base mesma do Espiritismo. Quando conseguem abalar a base do Espiritismo, os espíritas desaparecem, dispersam: uns se tornam metapsiquistas, eternos experimentadores irritáveis e discutidores que nada constroem; outros, mais místicos, aos quais repugnam as eternas discussões estéreis, entregam-se ao estudo igualmente improdutivo das obras de Edouard Schuré e Rudolf Steiner, como fizeram na França e na Alemanha, e finalmente uma terceira categoria abandona completamente todos os movimentos espiritualistas e volta ao materialismo absoluto, de onde saíra, ou mais precisamente, de onde nunca saíra de fato. Essa é a obra nefanda que vem sendo realizada em vários países da Europa pelo eterno farisaísmo anticristão.

            Examinando o que já conseguiram na França, na Itália, na Espanha, teríamos razão de cair em pessimismo desalentador, ao ver que a mesma coisa estão tentando no Brasil. Pelo rádio, pelo jornal, pelo ivro, tentam lançar o descrédito sobre a mediunidade, atacando a letra de uma das maiores e mais respeitáveis obras mediúnicas já recebidas pelos homens, a que foi publicada por J. B. Roustaing. Nosso pessimismo, porém, é sem fundamento, porque os Guias do movimento espirita, compreendendo melhor do que nós os perigos a que está exposta a Terceira Revelação, assim minada pelos inimigos internos, já iniciaram a nova fase; já estão construindo de novo; já estão dando os mesmos ensinamentos em forma indiscutível de romances.

            Contra um bom romance não prevalecem ataques por mais hipócritas e astuciosos que sejam. Até os adversários da doutrina leem com agrado nossos melhores romances e não discutem sua doutrina; aceitam-na sem discussão, inconscientemente, intuitivamente, sem a pseudo lógica que confunde os “sábios” e os lança nas trevas.

            Essa nova fase está em pleno funcionamento. O sucesso dos romances de Zilda Gama e Francisco Cândido Xavier, entre nós, e dos de Geraldine Cummins no mundo de língua inglesa, demonstram cabalmente que os Espíritos superiores viram muito mais longe do que nós e prepararam a solução do problema, anulando a obra tenebrosa dos fariseus modernos.

            A propósito de um desses romances, estamos recebendo a seguinte crítica de um mestre em Espiritismo e Ocultismo:

             “O livro de André Luiz, psicografado pelo nosso querido Chico Xavier, é uma pérola de alto valor, e bem merece a recomendação do nobre Emmanuel que lhe escreveu o prefácio.

            “Oxalá muitos leiam, com o necessário entendimento, essa obra!

            “Fiquei satisfeito por encontrar nela várias confirmações de minhas ideias sobre a vida nas regiões astrais, próximas da terra material, como: a alimentação, os auxílios, as organizações sociais e culturais, a administração, os meios de locomoção, os campos de repouso, os jardins, bosques, flores, o rio, a música. Completei o meu conhecimento dessas coisas, e adquiri o conhecimento relativo aos bônus-horas, aeróbus, os ministérios, a organização da família, etc. Compreendi que, nessas regiões, próximo do orbe terráqueo, há uma espécie de atmosfera nutriente, trabalhos de várias espécies, comunicações com a Terra, com o Umbral, com a região elas Trevas, e também com as Regiões Superiores; os ministérios da Elevação e da União Divina são organizações muito nobres, lógicas e caritativas. Tenho lido algumas descrições dos planos astrais, em várias línguas; porém nenhuma tão clara e persuasiva, como no excelente “Nosso Lar”.

            Graças a Deus por tão abençoada Luz!

  Francisco Valdomiro Lorenz.”

             Nada de pessimismo, portanto, meus irmãos. A obra divina, superentendida pelos grandes Espíritos, pode ser um pouco atrasada, mas não anulada pelo orgulho dos homens.

Depois dessa nova fase, virá uma outra que já está em preparação, até iniciada: as obras espíritas mediúnicas ditadas diretamente em Esperanto, para toda a superfície do planeta, Já está em preparação o primeiro livro mediúnico recebido diretamente em Esperanto. Dentro de poucos meses os esperantistas - espiritas ou não - receberão essa agradável surpresa: vozes dos céus em uma língua comum de todos.

            Trabalhemos e oremos, confiados em Deus e em seus grandes Prepostos!


terça-feira, 19 de janeiro de 2021

Dogmas e mais dogmas

 

Dogmas e mais dogmas

por I. Pequeno (Antonio Wantuil de Freitas)

Reformador (FEB) Novembro 1946

             Enquanto os nossos irmãos protestantes não aceitam sequer a virgindade de Maria, os católicos dia a dia procuram conduzir aquele Espírito a uma categoria mais elevada. Depois de a apresentarem como mãe de Deus e de a subdividirem em tantas nossas-senhoras, quantas sejam necessárias aos interesses da Igreja, sob os mais extravagantes nomes, procuram agora convencer-nos, baseados numa lenda, de que Maria subiu aos Céus. tal qual Jesus, com o mesmo corpo apresentado entre nós.

            Referindo-se a esse culto prestado a Maria, em que a colocam em superioridade ao próprio Deus, por ser a genitora de uma das suas pessoas, disseram-nos os Espíritos que esse culto já ultrapassa ao que a Igreja rende ao próprio Cristo (Roustaing, IV-221); assim, diante dessa tendência do clero para deificar a Virgem, como Já o fizeram com Jesus, julgamos necessário transcrever o que disseram os Espíritos, quanto à posição espiritual de Maria, extraindo alguns trechos da 3ª edição da obra “Revelação da Revelação”:

                         - Maria era Espírito perfeito quando encarnou em missão: Perfeito, relativamente a nós, ao nosso planeta; não o era, porém, com relação aos mundos superiores. Espírito superior, de mui elevada hierarquia espírita, com relação a nós, não tinha ascendido ainda à perfeição sideral. (I-330).

                         - Após uma encarnação fluídica num planeta mais adiantado que a Terra, encarnação sofrida como consequência de pequenina falta, retornou aquele Espírito o caminho simples e reto do progresso e até hoje o trilha, pois que ainda não chegou ao cume, à perfeição sideral. (I-333).

                         - Conquanto não se ache ainda na categoria dos Espíritos puros, suas atuais encarnações estão de tal forma acima de nossas inteligências, que não podemos fazer ideia do que sejam. Sabemos, porém, que Maria é um Espírito inferior, muito inferior a Jesus. (I-331).

                         - O Senhor estava com Maria, mulher entre todas bendita, por ser, entre todas, Espírito muito puro no desempenho de uma missão na Terra. (I-369).

                         - Recomendando João a Maria e esta àquele, Jesus deu o testemunho da sua solicitude pelos encarnados e homenageou os sentimentos que devem animar os filhos com relação aos pais, sentimentos que devem ligar a grande família humana. (IV-498).

             Como vemos, apesar do muito respeito e da muita estima que nos merece o elevado Espírito de Maria, ao qual temos recorrido muitas vezes, não podemos concordar com os dogmas da Igreja, dogmas que tendem a fazer da Virgem o que já fizeram com o Cristo, deificando-a igualmente.

            Os espíritas também dirigimos preces a Maria, como o fazemos igualmente aos nossos guias e protetores; porém, entre a nossa veneração à Virgem e a outros grandes Espíritos e a divinização que lhe quer dar a Igreja, vai um infinito, um abismo quase igual ao que existe entre a criatura e o Criador, ou entre um planeta e o Universo.

            Se assim continuarem, dentro de mais alguns séculos já não mais terão a Trindade, visto que se tornará necessário criar um novo termo, no qual possam incluir as atuais três pessoas e mais o Espírito de Maria e talvez mesmo o de João Batista.

            Até lá, porém, o mundo já estará recristianizado. Os Espíritos já terão levado a verdade a todos os cantos da Terra, e os dogmas já não impressionarão a coletividade.

segunda-feira, 18 de janeiro de 2021

Confissões

Confissões - a

I. Pequeno (Antônio Wantuil)

Reformador (FEB) Fevereiro 1946

            Em continuação às transcrições que vimos fazendo de trechos do livro – ‘Deus’ - da autoria do Rev. Padre Huberto Rohden:

             “Dentro em breve estará encerrada a minha peregrinação terrestre - e eu aguardo, tranquilo, quase ansioso, esse termo final de uma longa jornada - tão longa e tão fugaz... Que novas maravilhas me revelará essa metamorfose, esse cair do pano, essa grande alvorada?...

            Partirei daqui para mundos ignotos, mundos de que tanto falei e escrevi, mundos por que tanto trabalhei e sofri, mundos que muitos dos meus ex-ouvintes e ex-leitores já conhecem de vista, e que eu anseio por conhecer também...”

            “Queriam alguns homens que eu mesclasse de elementos humanos, incertos, as tuas revelações divinas, infalíveis... Queriam que eu fizesse do teu Evangelho bandeira de interesses subalternos e chave para tesouros profanos ...

            “Mas, o teu reino não é deste mundo, e o teu Evangelho é por demais espiritual para não ser desespiritualizado pelo contato com as nossas materialidades cotidianas... Preferi sofrer a incompreensão e hostilidade de muitos a ser infiel a teu espírito e à minha consciência - e estou satisfeito com o que fiz.”

            “Sei que castigas o mal e premias o bem - mas não sei porque sofrem inocentes e exultam culpados,..

            “Sei que grandes crimes merecem grande punição - mas porque punem para sempre um verme da Terra? ...

            “Que glória ou prazer te podem dar os gemidos de Espíritos infelizes?”

            “Se sabes e desde sempre sabias que tantas almas não atingiriam seu destino feliz - porque não as deixaste na noite benéfica do não-ser?..porque chamaste ao luminoso dia da existência esses convidados à noite eterna?..

            “Disseram-me que havias criado milhares e miríades de seres incorpóreos dotados de grande poder, inteligência e beleza, destinados a serem felizes em tua companhia, mas que muitos desses seres se haviam revoltado contra ti e que tu os havias punido com penas eternas.

            "Cheio de pasmo e estupor ouvi deste primeiro fracasso do teu poder, da tua sabedoria e bondade - e fiquei desnorteado.”

            “Não sei como definir esse indefinível quê, esse misterioso algo que infundiste à matéria do teu universo”. Vejo que a matéria evolve, que progride, que procura subir de perfeição em perfeição, ela, que não possui propriamente espírito, nem alma, nem inteligência, nem vontade...”

            “Cheguei a compreender também que o teu céu não é algum lugar longínquo para onde deva a alma viajar após a sua separação do corpo - mas que o teu céu é um estado espiritual dessa mesma alma liberta, uma atitude moral, uma atmosfera divina criada dentro da alma na vida presente e revelada na vida futura ...”

            “No dia, Senhor, em que os homens inventaram que eras “pessoa”, começou a grande decadência...

            “Decadência, não tua, porque tu és eternamente forte, juvenil, indefectível; mas a grande decadência da tua divindade no conceito dos homens.

            “Modelaram-te os homens à sua imagem e semelhança, personalizando-te. Chegaram mesmo ao ponto de atribuir-te personalidade tríplice - e com isto correram enorme cortina de fumaça por diante de tua divina natureza."

            “Tu castigarás esse homem “injusto” ou “desajustado”?

            “Não, ele mesmo se castigará, porque toda culpa, quando não devidamente cancelada, leva no seio o germe da pena.”

            De acordo com o desejo dos nossos leitores, continuaremos no próximo número de ‘Reformador’ a transcrever as gotas filosóficas do Autor.

Confissões -b

I. Pequeno (Antônio Wantuil)   

Reformador (FEB) Março 1946

             Conforme prometemos, seguem mais alguns trechos do livro – ‘Deus‘- obra publicada em 1945 pelo Revmo. Sr. Padre Huberto Rohden:

             “Quem arremete com o crânio contra uma muralha de granito ofende mais a si mesmo do que ao granito.”

            “Muitos chegam ao ponto de se sentirem como que dispensados de serem bons pelo fato de serem abundantemente “religiosos”.

            “Não, não posso crer, meu Deus, que tu sejas tão cruel e insensato que crias um ser destinado a ser infeliz, que chames à existência era a uma humanidade fadada a perecer longe de ti, em terra estranha, faminta, no meio de animais imundos...”

            “Que Deus tão pouco divino serias tu se, no fim dos tempos, o teu adversário saísse mais vitorioso que tu? Se levasse consigo a maior parte da tua humanidade?”

            “O teu céu e o teu inferno não são lugares, no sentido comum do termo, são estados da alma, atitudes do espírito, perspectivas retas ou falsas do Eu.”

            “Estou no teu céu, no teu inferno quando estas coisas, divinas ou anti divinas, estiverem dentro de mim, em estado latente, agora - em estado manifesto no mundo futuro.”

            “O reino de Deus e o reino de Satã estão dentro do homem. E, aonde quer que o homem vá, leva consigo o seu céu ou o seu inferno.”

            “A vida, ao menos a do nosso planeta, é tua mortal inimiga, minha doce Caridade. Não penses que eu seja pessimista. Não o sou, como também não sou otimista - sou apenas sincero e desassombrado realista. E a realidade, aqui em nosso planeta, é esta: a vida que guerreia sem tréguas, é filha primogênita da excelsa divindade.”

            “Querem os homens fazer da religião uma tal ou qual magia ritual, um complexo de fórmulas cabalísticas - quando o teu Messias lhes disse que os teus cultores deviam cultuar-te no santuário da verdade e da justiça, no templo da sinceridade e da pureza, na ara (alta) da bondade e da caridade universal."

            “Todos eles desejariam ser amigos teus e discípulos do teu Cristo se encontrassem o Cristo genuíno e integral - não o Cristo envolto em mortalhas e sudários fúnebres, mas o Cristo vivo, Rei imortal dos século...

            “Todos eles, fartos de religião sobre Jesus, anseiam pela religião de Jesus."

            “Desde que fizemos as pazes e somos amigos, ó morte, compreendi que certas coisas que os homens tomam por miragem e fatamorganas (miragem que se deve a uma inversão térmica) são mais reais que todas as supostas realidades dos homens.”

            “Tu és, possivelmente, o único ser que não me queira mal pelo que disse. As tuas criaturas, mesmo as que vivem com o teu nome à flor dos lábios e com os teus símbolos nas vestes, me considerarão, talvez, irreverente, blasfemo, herege, ateu, herege, ateus, luciferino, porque algumas das coisas que eu disse de ti são grandes demais para caberem nos estreitos moldes da nossa humana filosofia. Entretanto, basta-me saber que tu me conheces e pões na balança o sincero amor que te consagro, no meio de todas essas noites da inteligência.” 

            Na impossibilidade de continuarmos com essas transcrições, porque acabaríamos por transcrever todo o livro do notável e erudito sacerdote, aqui ficamos seguros de que agradáveis foram para os nossos leitores essas pequenas pérolas que extraímos de tão magnífica obra filosófica.


domingo, 17 de janeiro de 2021

Confissões

 

                                                                      
Confissões

I. Pequeno (Antônio Wantuil de Freitas)

Reformador (FEB) Janeiro 1946

             Diante do grande número de cartas que recebemos, pedindo-nos transcrever mais alguns trechos do livro - ‘Deus’ - da autoria do revmo Padre Huberto Rohden, atualmente professor de uma universidade católica mantida pelos jesuítas na América do Norte, abaixo satisfazemos o desejo dos nossos leitores:

             “Por ora, é o dogma e a liturgia que dominam nas religiões e igrejas - dia virá em que a ética e a mística proclamarão o seu reinado dentro do homem e da sociedade. Prevalecerá o simbolizado sobre o símbolo, esse símbolo que, por ora, escraviza e quase que elimina o simbolizado.”

             “Os símbolos desunem, geram antagonismos, organizam sanguinolentas cruzadas de “fiéis” contra “infiéis”, acendem autos-de-fé para queimar “hereges”; fulminam anátemas e excomunhões contra os dissidentes da ortodoxia oficial - tudo isto é efeito natural e inevitável da prepotência dos símbolos divergentes, tudo isto é inerente à imperfeita e imatura espiritualidade humana, tudo isto é a vitória do símbolo sobre o simbolizado. Mas, quando despontar a grande alvorada espiritual, a maturidade espiritual do gênero humano; quando o simbolizado prevalecer plenamente sobre os símbolos, então convergirão todas as linhas divergentes da grande pirâmide para um e o mesmo vértice.”

             “Não estatuiu o Nazareno como alma do seu Evangelho a verdade, mas, sim, a  caridade - porque esta une, e aquela desune. A verdade, embora una em si, é vária nos homens que a contemplam. O homem não enxerga a verdade, só enxerga verdades - e cada uma dessas verdades tem a cor e o feitio de quem as contempla. A caridade, porém, é neutra, incolor, universal, essencialmente panorâmica e impessoal."

             “O que o chamado ateu nega é o deus da sua filosofia e do seu ambiente religioso. Esse deus cruel, mesquinho, vingativo, fraco, antropomorfo, choroso, amargurado, sem sorte nas suas obras, derrotado por seu inimigo, como inúmeras vezes aparece nas páginas da nossa literatura religiosa - esse deus não pode, naturalmente, ser afirmado nem amado por um sincero cultor da divindade, porque esse deus nem existe no mundo real, senão na imaginação doentia dos seus infelizes autores... E bom é que não exista, esse pseudo-deus.  Se existisse, devia todo homem sincero ser ateu...

             Aí têm os nossos amigos mais alguns conceitos filosóficos do famoso padre jesuíta. Lamentamos que o pouco espaço de que dispomos não nos permita fazer mais algumas transcrições.


sábado, 16 de janeiro de 2021

Porque me chamastes?

 

Porque me chamastes?

Dr. Paul Edwards (Revista: ‘LIGHT’, Londres, Abril 1903)

Reformador (FEB) Junho 1944

             “Em 1887, quando residia numa cidade da Califórnia, fui chamado para assistir aos últimos momentos de uma senhora de minha amizade, a quem eu muito estimava e que, em consequência de uma tísica pulmonar, se achava em tal extremidade. Sabiam todos que essa pobre e distinta senhora, essa mãe exemplar, estava irremediavelmente condenada a uma morte próxima. Ela acabou por também o saber e quis então preparar-se para o momento extremo.

             “Chamou os filhos para junto do leito e os abraçou um a um, em seguida ao que os despediu. Seu marido se aproximou em último lugar a fim de permutarem o supremo adeus. Achou-a no pleno gozo de suas faculdades intelectuais.

        - “Newton (é o nome do marido) - começou ela por dizer - não chores, porque eu não sofro. A minha alma está preparada e serena. Amei-te aqui na Terra; continuarei ainda a te amar depois da minha partida. Tenciono vir ao pé de ti, se me for possível; não o podendo, velarei do céu por ti e por meus filhos, até que venham reunir-se a mim. Agora; o meu mais vivo desejo é ir-me embora. Estou vendo muitas sombras que se movem em torno de nós, todas vestidas de branco. Ouço uma deliciosa melodia .. ' Oh! Cá está a minha Sadie, perto de mim, e sabe perfeitamente quem sou eu! "(Sadie era uma filhinha que ela perdera, havia dez anos). Sissy - disse-lhe o marido - minha Sissy, não vês que estás sonhando? - Ah! meu querido, replicou a doente, porque me chamaste? Agora me custará mais o ir-me embora. Sentia-me tão feliz no além; era tão belo, tão delicioso!" Após uns três minutos, acrescentou: “Novamente me vou e desta vez não voltarei, ainda mesmo que me chames”.

             “Durou esta cena oito minutos. Via-se bem que a agonizante fruía a visão perfeita e simultânea dos dois mundos, pois que falava das figuras do outro lado, que em torno dela se moviam, e dirigia ao mesmo tempo a palavra aos que aqui ainda se encontravam. Nunca me sucedeu assistir a um trespasse tão solene e impressivo" .



sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

Preocupações religiosas

                 

Preocupações religiosas

I. Pequeno (Antônio Wantuil de Freitas)

Reformador (FEB) Julho 1944

             Três são as religiões que atualmente contam com o maior número de adeptos no Brasil o Catolicismo, em que todos os socorros espirituais são tabelados, variando o preço conforme o aparato da cerimônia; o Protestantismo, no qual os mesmos socorros são mais ou menos gratuitos, porque os pastores só percebem ordenados mensais; e o Espiritismo, única religião do mundo em que o médium nada percebe, sob qualquer forma, visto que todos vivem de atividades outras que não a religiosa, da qual ainda tiram meios para oferecer socorro material aos que apelam para a sua interferência espiritual.

                       Essa verdade é conhecida hoje em todos os meios sociais do País. Se algum indivíduo, que se diz espírita, cobra qualquer preço pelo seu trabalho espiritual, todos sabem que tal criatura tanto tem de espírita como aqueles que, de quando em vez, são agarrados pela polícia, vestidos de padres, apesar de jamais terem pertencido ao quadro do clero. Uns e outros não são espíritas ou católicos. São, simplesmente, exploradores da credulidade do povo.

             No entanto, apesar de o Espiritismo ser a única religião que segue o preceito evangélico do “dai de graça o que de graça recebestes”, o reverendo padre Luis Salamero, C. M. F., em sua revista católica, publicou um longo artigo sob o título “A constância confirmada dos truques do espiritismo”, no qual, defendendo naturalmente a não diminuição das suas rendas, escreve os seguintes trechos:

             “... (os espíritas) se valem de uma suposta aparição ou revelação dos espíritos para ganhar dinheiro.”

            “... os médiuns fazer evocações ou chamadas por dinheiro.”

            “... e nunca faltam alguns incautos para dar o grude aos espertos evocadores.”

             O artigo do reverendo está repleto de termos da gíria. Assim, antes de o analisarmos, devemos informar os nossos leitores de que grude, para o reverendo, e ali pela Favela, quer dizer - dinheiro.

            Vê-se claramente, pelos trechos acima citados e por todo o resto da descompostura do reverendo, que a sua maior preocupação é o desvio do dinheiro, até então canalizado para o seu e para o bolso dos seus colegas.

            Lamentamos, de fato, que assim venha sucedendo. O padre Salamero não tem outra profissão e os seus paroquianos já lhe não oferecem o suficiente para a continuação da vida confortável que sempre tiveram os “representantes” d’Aquele que surgiu num estábulo e não possuía um lugar onde recostar a cabeça.

            A culpa não é nossa, reverendo, e o senhor está perdendo tempo e errando o alvo. O dinheiro que lhe foge das mãos não está conosco.

            Procure-os entre os órfãos, velhos e viúvas que socorremos ou entre aqueles que se dizem católicos e empregam as suas sobras em deleites pessoais.

            Como preocupação religiosa, reverendo, não lhe fica bem essa preocupação monetária. As ameaças do seu artigo, suplício eterno, fogo eterno e todas as outras, não mais produzem efeito. Os próprios católicos já não têm medo dessas tranquibernices (trapaças). É necessário, reverendo, mudar o disco da vitrola.             

            Se o rev . Luis Salamero, C. M. F., acredita realmente em Jesus, e, se deseja segui-lo, peço-lhe aceite o maior de todos os conselhos: leia os Evangelhos, mas faça-o com o espírito, sem essa execrável preocupação “religiosa” de pensar no bolso...