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terça-feira, 23 de fevereiro de 2021

Saibamos ser cristãos

 

Saibamos ser cristãos

Emmanuel por Chico Xavier     Reformador (FEB) Maio 1946

“Porque sem mim nada podeis fazer.” -  Jesus em João 15:5

             O divino poder do Cristo permanece batente em todas as criaturas. Todos os homens receberam-lhe sagrados dons, ainda que muitos se mantenham afastados da mística religiosa.

            Referimo-nos aqui, porém, aos cultivadores da fé que iniciam o esforço laborioso e longo da descoberta dos valores sublimes que vibram em si mesmos.

            Grande parte suspira por espetaculares demonstrações de Jesus em seus caminhos e companheiros incontáveis acreditam que apenas cooperam com o Senhor os que se encontram no ministério da palavra, no altar ou na tribuna de variadas confissões religiosas.  

            Urge, entretanto, retificar esse erro interpretativo.

            O Senhor está conosco em todas as posições da vida. Nada poderíamos realizar sem o influxo de sua vontade soberana.

            Diz-nos o Mestre com segurança: “eu sou a videira, vós as varas”. Como produzir alguma coisa sem a seiva essencial?

            Efetivamente, os aprendizes arguciosos poderão objetar que, nesse critério, também encontraremos os que praticam o mal, alicerçados nas mesmas bases. Respondendo, consideraremos somente que semelhantes infelizes enxertam cactos infernais na Videira divina, por conta própria, pagando elevado preço, perante o Governo do Universo.

            Reportamo-nos aos companheiros tímidos e vacilantes, embora bem intencionados, para concluir que, em todas as tarefas humanas podemos sentir a presença do Senhor, santificando o trabalho que nos foi cometido. Por isso, não podemos olvidar a lição evangélica de que seria abençoado qualquer esforço no bem, ainda que fosse apenas o de administrar um copo de água em Seu Nome.

            O Mestre não se encontra tão somente no serviço daqueles que ensinam a Revelação Divina através da palavra acadêmica, instrutiva ou consoladora. Acompanha os que administram os bens do mundo e os que obedecem as ordenanças do caminho concorrendo na edificação do futuro melhor, nas organizações materiais e espirituais. Permanece ao lado dos que revolvem o chão do planeta, cooperando na estruturação da Terra Aperfeiçoada, como inspira aos missionários da inteligência na evolução dos direitos humanos.  

            Saibamos cooperar, desse modo, nos círculos de serviço a que fomos chamados no concurso cristão. 

            Faze tanto bem, quanto esteja em tuas possibilidades, à obra parcial confiada às tuas mãos.  

            Por hoje, talvez te enganes, supondo servir às autoridades terrestres; no entanto, chegará o minuto revelador no qual reconhecerás que permaneces a serviço do Senhor. Une-te, pois, ao Divino Artífice, em espírito e verdade, porque o problema fundamental da nossa paz é justamente o de saber se vivemos n'Ele tanto quanto Ele vive em nós.


segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021

Da obra espírita

 


    “Desde que a obra espírita é de sentimento, necessário se faz que os grupos se afinem com os seus maiores, não em curtos instantes, mas constantemente, por meio da oração e de uma perfeita vigilância, a fim de que os trabalhos sejam produtivos e úteis. Fora disto, é remar contra a maré, como dizeis aí no vosso mundo.”

Bittencourt Sampaio (Espírito)

Reformador (FEB) Novembro 1944


Bilhetes

 

Bilhetes

por G. Mirim (Antonio Wantuil)        Reformador (FEB) Novembro 1944

                 O advogado italiano, Dr. Pietro Ubaldi, médium que recebeu a obra 'A Grande Síntese', também nos apresentou o livro - As Noúras, que já está sendo traduzido para o português. (*)

                A palavra noúras foi formada de raízes gregas: “nous” - inteligência, espiritualidade, e "reô" ou "roos" - corrente de pensamentos, correntes espirituais emitidas por Forças invisíveis.

            Essas correntes inspirativas, quando emitidas pelos Enteles (do grego - seres perfeitos) e recebidas pelos ultrafânicos (médiuns super-sensitivos), transformam-se nas elevadas mensagens que do Alto nos são enviadas, para facilitar-nos o estudo dessa nova ciência, a que chamamos Biosofia (ciência da vida).

            O pensamento dos Enteles desce sob a forma ondulatória, qual ondas hertzianas, e se localiza no cérebro, atingindo o órgão específico da inspiração ultrafânica - a epífise, já apresentada por TRESPIOLI “como o órgão que, mecanicamente, capta as noúras”.

            A glândula pineal é, desse modo, o órgão central, o condensador variável da sintonização e amplificação das recepções noúricas, colaborando, com ela, todo o organismo humano. O olho vibra a luz; o ouvido, o som; e o cérebro, o pensamento. E isto é hoje facilmente compreensível, depois do aparecimento da telegrafia sem fios e das comunicações radiofônicas.

            Aí têm os meus prezados leitores o resumo das concepções transmitidas ao erudito confrade Pietro Ubaldi; agora, desejo chamar a atenção dos poucos amigos que me leem, para a comunicação do Espírito de André Luiz, a primeira remetida para a nossa Revista, mensagem esta recebida pelo médium Francisco Cândido Xavier, de Pedro Leopoldo; Minas, publicada neste mesmo número do Reformador, sob o título - O Psicógrafo, e isto porque, não conhecendo o nosso Chico a obra em questão, foi por seu intermédio que acabamos de receber, não só a confirmação das teorias expendidas por Pietro Ubaldi, senão, também, conhecimentos outros que ampliam, desenvolvem e explicam racionalmente, e em linguagem acessível, aquelas concepções transmitidas ao confrade de Perúgia.

            Que os meus amigos, pois, abandonem o meu Bilhete e passem a ler a primeira comunicação que o Espírito de André Luiz enviou para os leitores do Reformador, mensagem reveladora de que outras muitas teremos a felicidade de receber.

 (*)  Do blog: Talvez ainda disponível nos sites de venda de livros usados.


quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021

"Nosso Lar" – extratos do prefácio do livro

 

"Nosso Lar" 

 Extratos do prefácio do livro ditado por Emmanuel

A Redação      Reformador (FEB) Abril 1944

             O Espiritismo ganha dilatada expressão numérica. Milhares de criaturas interessam-se pelos seus trabalhos, modalidades, experiências. Nesse campo imenso de novidades, todavia, não deve o homem descurar de si mesmo.

             “Não basta investigar fenômenos, aderir verbalmente, melhorar a estatística, doutrinar consciências alheias, fazer proselitismo e conquistar favores da opinião, por mais respeitável que seja, no plano físico. É indispensável cogitar do conhecimento de nossos infinitos potenciais, aplicando-os, por nossa vez, nos serviços do bem...

             “André Luiz vem contar a você, leitor amigo, que a maior surpresa da morte carnal é a de nos colocar face a face com a própria consciência, onde edificamos o céu, estacionamos no purgatório ou nos precipitamos no abismo infernal...

             “Guarde a experiência dele no livro d'alma. Ela diz bem alto que não basta à criatura apegar-se à existência humana, mas precisa saber aproveitá-la dignamente; que os passos do cristão, em qualquer escola religiosa, deve dirigir-se verdadeiramente ao Cristo, e que, em nosso campo doutrinário precisamos, em verdade, do Espiritismo e do Espiritualismo,  mas, muito mais, de ESPIRITUALIDADE”.

             Talvez fosse nosso dever guardar silêncio, dar essas palavras de Emmanuel como chave de ouro; porém elas estão no prefácio e o livro todo segue depois com seus episódios emocionantes e instrutivos...


Bilhetes

 

Bilhetes

por G. Mirim (Antonio Wantuil)        Reformador (FEB) Abril 1944

             Faz sessenta anos, mais ou menos, meu caro, leitor, que os fatos se passaram (*). Minha memória, no entanto, conserva nitidamente as ocorrências havidas em minha aldeia, ao tempo em que eu frequentava a escola do “Seu Mestre”, um pobre coitado que mal, muito mal sabia ler alguma coisa que fosse além da cartilha em que aprendíamos.

            Era feliz a minha aldeia natal. Todos nos conhecíamos e não nos preocupávamos com o progresso que diziam haver em localidades limítrofes. Ninguém assinava jornal. E quando, anualmente, o arraial era visitado pelo viajante angariador de assinaturas para os jornais da Corte, todos lhe respondiam que não tinham tempo “pra estudá jorná”. Tudo se resolvia dentro das nossas acanhadas fronteiras e a contento geral, porque a mentalidade dos meus conterrâneos nada exigia, compreendia e admitia, além do que lhes era conhecido ou ensinado pelos seus super-homens.

            Como no povoado aparecera, vinte anos antes, um pirata que se fez passar por médico, para explorar, ao máximo, aquele povo ingênuo, jamais consentiram que qualquer médico se instalasse no arraial, instigados que eram, constantemente, pelo “Zé da Botica” e pelo Sô Vigário, que tiraram partido do antigo fato, deturpando-o jeitosamente, a fim de continuarem a venda das xaropadas do primeiro e o recebimento dos pagamentos das promessas feitas aos santos milagrosos do segundo.

            - Estou a ver, daqui, da mesa em que escrevo este bilhete, na intuitiva visão do preconcebido, o leitor a gargalhar maliciosamente, num tom de mofa e de escárnio, rindo-se a bom rir dos meus pobres e ignorantes conterrâneos, descritos assim, na singeleza dos seus atos simples de rudes de pobres tabaréus.

            Mas, não se ria assim, meu amigo. Veja o que se passa na sua rica Antropópolis, cidade maravilhosa, cheia de bondes, de aviões e de rádios...

            Richet, o sábio que deslumbrou o mundo com o seu talento, Crookes, o gênio que tanto concorreu para o progresso de que você está gozando; Ford, o famoso fabricante dessa máquina que diminui distâncias - o automóvel, tantos gênios, meu amigo, de cérebro mais bem desenvolvido, se rirão de você, que não quer ouvir falar em Espiritismo, de você que se deixa guiar pelos mesmos interessados de sempre, que vivem a falar de piratas que se diziam médiuns, de loucuras e de caldeiras infernais.

            O povo da minha aldeia já se não deixa, hoje, conduzir pelo Zé da Botica e pelo seu associado. E você, meu amigo, quando se livrará da ignorância em que o acorrentaram?

          (*) Do Blog: 2021 - 1944 = Cabe somar 77 anos à data da publicação deste artigo em Reformador (FEB)..


terça-feira, 16 de fevereiro de 2021

A mulher e André Luiz

 

A mulher e André Luiz

por Jay Mac   Reformador (FEB) Janeiro 1966

            André Luiz, é o pseudônimo de um jovem médico fluminense desencarnado, que voltou, qual ocorreu com Fred Fígner, credenciado por altas esferas espirituais para, em nome de Jesus, esclarecer-nos sobre a vida post-mortem. Em suas numerosas experiências, psicografadas pelo Chico Xavier, focaliza algumas filhas de Eva, entre as quais destacamos as que aqui citamos, todas brasileiras.

            O livro "Nosso Lar" apresenta Laura, mãe de família, desencarnada, que acolheu André, em sua residência no plano espiritual; Zélia foi sua esposa no plano físico e, após algum tempo da passagem de André, casou-se novamente com o Dr. Ernesto, a quem André, do plano espiritual, com a ajuda de Narcisa, valorosa e diligente enfermeira desencarnada, recuperou de doença grave, superando o seu ciúme da ex esposa.

            No livro “Missionários da Luz” encontramos Etelvina e Ester, primas encarnadas que, em saída astral, ao apelarem para Alexandre, elevadíssimo instrutor espiritual, recebem a intercessão para o complicado caso de Ester, solucionado a instâncias de Etelvina. No mesmo livro encontramos a meiga, dedicada e compreensiva Raquel, que, preparada por Alexandre e seus cooperadores, proporcionou reencarnação reconciliadora em seu seio a Segismundo, desafeto do próprio marido Adelino, a quem assassinara em encarnação anterior, servindo o casal de nova oportunidade para que a Lei de Amor prevaleça, ao aceitar como filho a Segismundo.

            A nobre e bela mulher que vamos citar é Ismália, da obra “O Mensageiros”. Era casada, na Terra, com Alfredo, homem de largos recursos, a quem se dedicara sincera e profundamente. Um inescrupuloso individuo, tentando conquistá-la, armou-lhe uma cilada para convencer Alfredo de sua suposta Infidelidade, o que conseguiu provocando a separação do casal e a desencarnação prematura de Ismália, que não encontrou a devida compreensão do incauto marido. Alfredo é atualmente, no plano espiritual, na esfera adjacente à Crosta, o diretor de um posto socorrista avançado, para Espíritos desorientados, aonde Ismália, que se acha em esfera superior à de Alfredo, desce, de quando em vez, para amenizar o trabalho árduo do desavisado marido que amarga a separação provisória a que deu causa, da estremecida esposa.

            Outra valorosa e nobre mulher é Zenóbia (do livro “Obreiros da Vida Eterna”), enérgica e esclarecida diretora do posto socorrista do plano astral inferior denominado “Casa Transitória de Frei Fabiano” (por ele fundada). Zenóbia tinha, quando moça, na Terra, um pretendente a quem amava e por quem era amada, cujo carma, ou sejam, as circunstâncias da vida impediram de a ela se unir. Domênico, esse o seu nome, desiludido, ingressou no sacerdócio católico, tendo-se desmandado em ações condenáveis que o levaram, ao desencarnar, a regiões tenebrosas do astral inferior, semelhantes às o Inferno de Dante, de onde foi salvo, como muitos outros, por Zenóbia, com o auxílio dos protetores Jerônimo, Hipólito (ex-padre), Ernestina e Luciana, e do próprio André Luiz. No mesmo livro encontramos as cenas do passamento da grande missionária Adelaide Câmara, mais conhecida como Aura Celeste, assistida pelo Espírito do Dr. Bezerra de Menezes.

            Cipriana, na obra “No Mundo Maior”, é uma corajosa e piedosa mulher que, ao tomar-se leprosa e abandonada pelos filhos e pelo marido, não perdeu a fé inabalável na Misericórdia Divina. Atualmente, no plano espiritual, é chamada para casos de difícil solução, quando é necessária poderosa vibração de Amor, o que Cipriana proporciona, aparecendo com tal irradiação de luz do seu coração, que os obsessores, julgando encontrar-se na presença sublime de Maria de Nazaré, caem genuflexos e arrependidos, facilitando a ação dos protetores.

            Finalmente, Matilde, no livro “Libertação”, Espírito de elevada categoria espiritual que, com o concurso dos protetores Gúbio e André Luiz, libertou o seu filho Gregório, frustrado, revoltado, inteligente e implacável obsessor, sacerdote dos “Dragões do Mal”, que com os seus subalternos foi afastado das regiões do Umbral inferior depois de intenso esforço dos citados benfeitores, de onde também livraram Margarida, perseguida no plano físico por Gregório que a queria a seu lado e provocava a sua desencarnação lenta com o concurso de obsessores magnetizadores.

            Quem se der ao cuidado de ler estas obras terá uma verdadeira revelação e um roteiro para o que nos aguarda ao deixarmos o corpo denso.

                            (Ext. do “Correio da Manhã”, Agosto 1964.)


domingo, 14 de fevereiro de 2021

Será crime a caridade?

 


Será crime a caridade?

A redação  Reformador (FEB) Jan-Março 1943

             Jesus, reunindo os doze discípulos, deu-lhes poder sobre os espíritos imundos, para os expelirem e para curarem todas as doenças e enfermidades, relata Mateus, no cap. 10 do seu Evangelho. Disse-lhes o Senhor: “E pondo-vos a caminho pregai, dizendo que está próximo o reino dos céus.

            Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, limpai os leprosos, expeli os demônios: dai de graça o que de graça recebestes”.

            Mais tarde, nas últimas instruções que dava aos seus discípulos, Jesus de novo afirmou: “Em verdade, em verdade vos digo que aquele que crê em mim, fará as mesmas obras que eu faço e fará outras ainda maiores". (São João, caáp. 14. v. 12).

            O fato é que os discípulos, pondo-se a caminho, pregavam os ensinos do Cristo e confirmavam a sua pregação com as curas que produziam, curando toda classe de enfermidades, impondo as mãos sobre os doentes.

            E não se diga que Jesus tenha escolhido os seus discípulos entre a elite da sociedade israelita; eram eles homens iletrados, pescadores que ganhavam a sua vida pescando e vendendo o produto do seu labor.

            Além dos doze, Jesus escolheu outros 70 entre a turba que o seguia atônita e mandou-os dois a dois e ordenou que fizessem o mesmo que os 12 e quando eles voltaram, muito alegres, disseram: “Senhor, até os mesmos demônios se nos submetem em virtude do Teu nome”.

            Jesus lhes respondeu: “Eis aí vos dei eu poder de pisardes as serpentes, e os escorpiões, e toda a força do inimigo; e nada vos fará dano. E contudo, o sujeitarem-se vos os espíritos não é de que vós vos deveis alegrar, mas sim deveis alegrar-vos de que os vossos nomes estão escritos nos céus”. E exultando disse: “Graças Te dou, Pai, Senhor do Céu e da terra, porque escondeste estas coisas aos sábios e entendidos, e as revelaste aos pequeninos”. (São Lucas, cap. 10).

            Ainda disse Jesus, momentos antes de sua ascensão: “E estes sinais seguirão aos que crerem em mim: Expulsarão os demônios em meu nome; porão as mãos sobre os enfermos e os sararão". (São Marcos, cap. 16, v. 17 e 18).

            Há quase 80 anos, desde a introdução do Espiritismo no Brasil, tem-se pregado o Evangelho em espirito e verdade e confirmado a pregação com as curas de milhões de enfermos, dando-se de graça tanto as receitas, como os remédios, e a mão que traça estas linhas, por graça de Jesus, tem dado vista a cegos e curado milhares e milhares de doentes com a imposição das mãos, seguindo o preceito de Jesus. Milhares de outros têm feito o mesmo em todo o Brasil.

            Não sei com que intuito se tem procurado, e procura-se cercear a prática dessa caridade cristã que a tantas criaturas tem felicitado em todo o território brasileiro.

           O Sr. presidente da República que tão sábias providencias tem sabido tomar para favorecer os desprotegidos da sorte, os necessitados de socorro, a classe que trabalha, que luta para criar a sua prole, certamente não teve ainda ocasião de se inteirar do que se passa com referência à religião espirita e ás dificuldades que se antepõem â sua livre prática.

            Apelamos, pois, para S. Excia., para que nos seja dada a mesma liberdade de que gozam todas as outras religiões no nosso país. Que nos seja concedida a liberdade de “dar de graça o que de graça, e por acréscimo, Nosso Senhor Jesus Cristo nos outorga”.

            Inserto no “Correio da Manhã” de 6 do corrente, como objeto da "Crônica Espírita" que esse diário costuma publicar aos domingos, o artigo que vimos de transcrever é da lavra do velho trabalhador da Seara de N. S. Jesus Cristo, Fred Fígner, que, há muitas dezenas de anos, como médium curador, tem posto os dons mediúnicos que o Senhor lhe outorgou ao serviço do bem, curando um sem número de irmãos seus, presidiários, como ele, da carne, aliviando os sofrimentos de inúmeros outros e iluminando a muitos que, já evadidos dessa prisão, ainda escravizados se conservam ao mal, que é filho da ignorância e do erro, sempre fiel, o caridoso obreiro, ao preceito evangélico que manda se dê de graça o que de graça é recebido da munificência do Pai celestial.

            Assim, a frase interrogativa que ele tomou para epígrafe do seu articulado não significa, nem poderia significar, é bem de ver-se, que no seu espírito paire qualquer dúvida sobre a legitimidade da prática da caridade cristã, sob todos os seus aspectos. Fora absurdo supô-lo, por um instante sequer, pois ninguém, melhor do que ele, sabe quão profunda e absolutamente verdadeira é a sentença que serve de lema à Doutrina Espirita, estabelecendo que ela é a mesma doutrina do Crucificado, ou do puro Cristianismo. O que a sua interrogação exprime, legitimando-se plenamente, é antes um brado de angústia da sua alma de crente sincero, angústia de que também a nossa participa, diante de circunstâncias e conjunturas que somente se justificariam, ou, pelo menos, explicariam, se de alguma forma se pudesse capitular de delituoso o exercício da caridade.

            Entretanto, por muito que repugne à razão e à consciência desanuviadas admiti-lo, de tal natureza se tornou a mentalidade geral dos homens, no seio das sociedades ditas civilizadas e qualificadas de cristãs, que unicamente pela afirmativa pareceria possível responder-se à pergunta com que o nosso estimado companheiro de labor cristão encimou o seu artigo. Dir-se-ia, com efeito, que, por se haver tornado substancialmente cética e materialista entramada exclusivamente de egoísmo, de orgulho, de vaidade, de superlativa presunção, aquela mentalidade acabou, como aliás o estão revelando os fatos que há três anos se desenrolam em quase toda a superfície do planeta, por escravizar inteiramente as almas aos interesses mais subalternos e às ambições mais grosseiras, a uma cupidez tal, que as desvaira e cega para a visão do que quer que não esteja no âmbito da mais sórdida materialidade.

            Ora, a caridade é filha primogênita do amor, sentimento de ordem puramente espiritual, composto de devotamento, de desinteresse, de abnegação, de renúncia, numa palavra: de altruísmo Integral e, assim sendo, desde que sentimentos opostos ao amor são os que dominam o coração do homem a verdadeira caridade deixa de ser compreendida o termo continua de uso corrente, mas com uma significação totalmente abastardada, pois que a caridade passou a consistir em dar esmolas e em fazer donativos mais ou menos vultosos, com maior ou menor ostentação, sempre de modo a granjear para a vaidade o prêmio que esta vive a buscar ansiosamente: os elogios, os louvores mundanos, as honras da benemerência terrena. Ninguém mais portanto, entende, nem pode entender que a caridade seja qual a definiu o Apóstolo Paulo, dizendo, no capítulo 13 da sua Primeira Epístola aos Coríntios:

                 “Se eu distribuir todos os meus bens para sustento dos pobres e se entregar o meu corpo para ser queimado, se todavia não tiver caridade, nada disse se me aproveita. A caridade é paciente, é benigna, não é invejosa, não obra temerária nem precipitadamente, não se ensoberbece, não é ambiciosa, não busca os seus próprios interesses, não se irrita, não suspeita mal não folga com a injustiça mas folga com a verdade; tudo tolera, tudo crê, tudo espera, tudo sofre. A caridade nunca jamais há de acabar ou deixem de ter lugar as profecias, ou cessem as línguas, ou seja abolida a ciência".

             Daí, necessariamente e logicamente, o entender-se que faze-la de maneira diversa daquela, isto é, dando esmolas com ostentosa retumbância; faze-la, procurando, sem alarde, aliviar os sofrimentos aos enfermos do corpo, levantando o ânimo aos que se  deixaram abater, levando o conforto moral aos desalentados e desesperançados, libertando de seus perseguidores invisíveis os possessos do “demônio”, orientando, por meio da prece, para a fonte da misericórdia inesgotável, o pensamento e o coração do que se revolta e blasfema, é prática indébita da arte de curar, quando não simples curandeirismo muito embora não haja nesse proceder o mais pequenino laivo de dolo, que era, ao tempo das velharias obsoletas, o que constituía a figura jurídica (cremos ser assim que se dizia) característica da contravenção ou do delito.          

            Dado Isso, chega-se, de dedução em dedução, à conclusão lógica de que exercer a caridade, como a exercia Jesus, cuja vida foi toda ela um ato de caridade, e mandava que os seus seguidores de então e de todos os tempos a praticassem, é tão somente exercitar o curandeirismo, donde o corolário tremendo, mas irrecusável, de que o Cristo de Deus, o Messias prometido e mandado ao mundo, foi apenas o mais eminente curandeiro que a Terra já conheceu, não sendo também outra coisa os seus apóstolos, os seus discípulos e todos os cristãos primitivos, cuja fé e humildade lhes permitiam fazer o que os apóstolos e discípulos faziam.

            É possível e provável, quase certo mesmo, que nos lembrem, ou apresentem, como objeção ao que vimos de dizer, a divindade de Jesus, divindade que não só lhe facultava operar a série imensa dos “milagres” que produziu, como outorgar aos seus escolhidos a capacidade de igualmente os operar. Não colhe, todavia, a objeção.

            Em primeiro lugar, a sua divinização foi obra de cunho meramente humano, legitimada, até certo ponto, impossibilidade em que se encontravam os homens, devido ao enormíssimo atraso das inteligências de apreenderem e compreenderem as causas determinantes dos efeitos que observavam. Tais efeitos então tiveram que ser considerados “milagres”; como só uma divindade poderia realizar coisas que, pelo seu aspecto de prodígios extraordinários pareciam inteiramente fora para sempre da alçada das criaturas, a deificação daquele que as realizava em tão larga escala e só pelo poder da sua vontade foi a consequência natural. Progredindo porém a inteligência do homem, por virtude da lei universal da evolução, semelhante deificação perdeu a sua razão de ser e se acha hoje abolida completamente para os que têm olhos de ver e ouvidas de ouvir pela compreensão em espírito e verdade, graças ao advento do Consolador prometido, dos Evangelhos, onde não há uma palavra do Cristo de Deus, autorizando a divindade que lhe atribuíram; onde, ao contrário, superabundam, conforme se acha demonstrado, à saciedade, em Allan Kardec e em Roustaing, as com que Ele antecipadamente infirmou, privando-a de qualquer fundamento durável, a que a sua presciência lhe mostrava de antemão que viriam a atribuir-lhe, como efetivamente aconteceu.

            Em segundo lugar, tanto não era na qualidade de Deus que Ele praticava a caridade, como costumava praticá-la, com as características que mais tarde Paulo, por Ele inspirado, lhe assinaria, que declarou aos que lhe ouviam as prédicas: fareis as obras que eu faço e outras ainda maiores, dirigindo-se, não somente aos discípulos ou aos que no momento o rodeavam, mas aos que então e de futuro guardassem a sua palavra, isto é, lhe seguissem os ensinamentos, que Ele próprio resumira num mandamento único, o do amai a Deus sobre todas na coisas, amando ao próximo como a vós mesmos.

            O que acabamos de expender basta, parece-nos, para corroborar o que disse o irmão e amigo autor do artigo que nos moveu a traçar estas linhas e para lhe testificar a nossa solidariedade no doloroso espanto que o induziu a formular a interrogação com que intitulou o seu escrito. Entretanto, convém atendamos ainda a uma, pelo menos, das contestações que o espírito de seita não se furtará a contrapor-nos. Fá-loemos, contudo, de outra vez, para não alongarmos demasiado estas observações que, apesar de sumárias, já alcançaram excessiva longura.


Oração em nome de Jesus

 


Oração Em Nome de Jesus   

               16,24  “ -Até agora, não pediste nada em Meu nome: Pedi  e recebereis, para que a vossa alegria seja perfeita. 16,25  Disse-vos essas coisas em termos figurados e obscuros. Vem a hora em que já não Vos falarei por meio de comparações e parábolas mas Vos falarei abertamente a respeito do Pai. 16,26  Naquele dia pedireis em Meu nome e já não digo que rogareis ao Pai por vós. 16,27  Pois o mesmo Pai vos ama, porque vós Me amastes e crestes que saí de Deus. 16,28  Saí do Pai e vim ao mundo. Agora deixo o mundo e volto para junto do Pai!” 

      Para  Jo (16,27) -Pois o mesmo Pai vos ama... -  tomemos  “Pão Nosso”(FEB), de Emmanuel por Chico Xavier:

         “Ninguém despreze os valores da confiança. Servo algum fuja ao benefício da cooperação. Quem hoje pode dar algo de útil, precisará possivelmente amanhã de alguma colaboração essencial. Todavia, por enriquecer-se alguém de fraternidade e fé, não olvide a necessidade do desenvolvimento infinito no bem.

            Os obreiros sinceros do Evangelho devem operar contra o favoritismo pernicioso.

            A lavoura divina não possui privilegiados. Em suas seções numerosas, há trabalhadores mais devotados e mais fiéis; contudo, esses não devem ser categorizados à conta de fetiches e, sim, respeitados e limitados por símbolos de lealdade e serviço.

            Criar ídolos humanos é pior que levantar estátuas destinadas à adoração. O mármore é impassível, mas o companheiro é nosso próximo de cuja condição ninguém deveria abusar.

            Pague cada homem o tributo de esforço próprio à vida. O Supremo Senhor espera de nós apenas isto, a fim de converter-nos em colaboradores diretos. O próprio Cristo afirmou que o mesmo Pai que o distingue ama igualmente a Humanidade.

            O Deus que inspira o médico é o que ampara o doente. Não importa que asiáticos e europeus o designem sob nomes diferentes.

            Invariavelmente é o mesmo Pai.

            Conservemos, pois, a luz da consolação, a bênção do concurso fraterno, a confiança em nossos Maiores e a certeza na proteção deles; contudo, não olvidemos o dever natural de seguir para o alto, utilizando os próprios pés.”

             Para Jo (16,24) -Pedi e recebereis... - leiamos “Livro da Esperança”(FEB), de Emmanuel por Chico Xavier:

           Sonhamos felicidade e queremos auxílio.

            A Sabedoria do Universo, porém, colocou a vontade em nosso foro íntimo, à guisa de juiz supremo, a fim de que a vontade, em última instância, decida todas as questões que se nos referem à construção do destino.

            Anelamos tranquilidade, alentamos nobres aspirações, aguardamos a concretização dos próprios desejos, traçamos votos de melhoria... E, a cada passo, surpreendemos o concurso indireto das circunstâncias a nos estenderem, de mil modos, o apoio certo da Providência Divina.

            A assimilação, porém, de qualquer auxílio surge    condicionada    às    nossas    resoluções.

            Escolas preparam. Afeições protegem. Simpatias defendem. Favores escoram. Conselhos avisam. Dores advertem. Dificuldades ensinam. Obstáculos adestram. Experiências educam.  Desencantos renovam. Provações purificam.

            A máquina da Eterna Beneficência funciona matematicamente, em nosso favor, através dos múltiplos instrumentos da vida, entretanto, as Leis Eternas não esperam colher autômato em consciência alguma.

            A face disso, embora consideremos com o Evangelho que toda boa dádiva procede originalmente de Deus, transformar para o bem ou para o mal o amparo incessante que nos é concedido dependerá sempre de nós.”


quinta-feira, 11 de fevereiro de 2021

O problema do Mal

 

 O problema do Mal

por Rodolfo Calligaris     Reformador (FEB) Janeiro 1966

             Desde as mais priscas eras o homem tem observado que, a par das boas coisas que tornam a vida deleitável, outras existem ou acontecem que são o reverso da medalha, isto é só causam aflições, dores e prejuízos.

            Foi, por isso, induzido a crer seja o governo do mundo partilhado por duas potestades rivais: - Deus, fonte do Bem, e Satanás, agente do Mal.

            Essa crença nos dois princípios antagônicos em luta pela hegemonia foi e continua sendo a base das doutrinas religiosas de todos os povos.

            Entre estes, a ideia de que uns se salvam e outros se perdem para todo o sempre é geral, havendo até quem afirme que o número dos perdidos é muito maior do que a cifra dos bem-aventurados.

            Quer isso dizer que o Mal seria mais forte que o Bem e que Satanás estaria conseguindo derrotar a Deus, frustrando lhe os desígnios de salvação universal.

            Em que pese à ancianidade de tais conceitos, são falsos e insustentáveis, diríamos mesmo, heréticos.

            Com efeito, admitir o triunfo do Maligno, a dano da Humanidade, é o mesmo que negar ao Pai Celestial os atributos da onisciência e da onipotência, sem os quais não poderia ser Verdadeiramente Deus.

             O Espiritismo, que é o Paracleto anunciado pelo Cristo contrariando os ensinos da Teologia tradicional, esclarece-nos que o Bem é a única realidade eterna e absoluta em todo o Universo, sendo o Mal apenas um estado transitório, tanto no plano físico, como no campo social e na esfera espiritual.

            Para que se compreenda isto, é preciso, entretanto, considerar, não as consequências imediatas de tudo quanto observamos, mas sim os seus efeitos mediatos, futuros, porque só estes, ao longo dos anos, dos séculos ou dos milênios, é que farão ressaltar, nitidamente, a infalibilidade da Providência Divina frente aos destinos da Criação.

            Certos fenômenos geológicos, por exemplo, podem ter sido considerados catastróficos a época em que se deram: foram eles, porém, que compuseram os continentes e formaram os oceanos, emprestando-lhes os aspectos maravilhosos que hoje nos extasiam, provocando-nos arroubos de admiração.

            Muitas guerras internacionais e outras tantas revoluções intestinas, embora se constituam, como de fato se constituem, dolorosos flagelos para as gerações que nelas são envolvidas, dão ensejo, por seu turno, à queda de tiranos e opressores, à extinção de preconceitos e privilégios iníquos, à mudança de costumes arcaicos, ao regresso tecnológico e quejandos, resultando daí, em favor dos pósteros (que seremos nós mesmos, em novas reencarnações), a melhoria das instituições, maior liberdade de pensamento e de expressão, uma justiça mais perfeita, maior conforto nos sistemas de transporte, de comunicações, nos lares, etc.

            Quando não, é por meio delas que os maus se castigam reciprocamente, consoante o ensinamento: “quem com ferro fere, com ferro será ferido”. Um dia, ainda que longínquo, cansadas de sofrer o choque de retorno de suas crueldades, ditadas pelo egoísmo, pelo orgulho e outros sentimentos que tais, as nações aprenderão a valorizar a paz, buscando-a, então, sincera e veementemente, através da fraternidade e do solidarismo cristão.

            Assim também acontece com nossas almas.

            Criadas simples e ignorantes, mas dotadas de aptidões para o desenvolvimento de todas as virtudes e a aquisição de toda a sabedoria, hão mister de, vida pós vida, neste orbe e em outros, passar por um processo de burilamento que muito as fará sofrer.

            É a luta pela subsistência. São as enfermidades. As insatisfações. Os conflitos emocionais. Os desenganos. As imperfeições próprias e daqueles com os quais convivemos. Enfim, as mil e uma vicissitudes da existência.

            Nesse autêntico entrevero, usando e abusando do livre arbítrio, cada qual vai colhendo vitórias ou amargando derrotas, segundo o grau de experiência conquistada. Uns riem hoje, para chorarem amanhã, e outros que agora se exaltam, serão humilhados depois.

            Tudo, porém, concorre para enriquecer a nossa sensibilidade, aprimorar nosso caráter, fazer que se nos desabrochem novas faculdades, o que vale dizer, se dilatem nossos gozos e aumente nossa felicidade.

            Bendito seja, pois, o Espiritismo pela revelação dessa verdade à luz da qual se nos patenteia, esplendorosamente, a Bondade infinita de Deus!


quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021

Aparição na Galileia

 

Aparição na Galileia

          28,16   Os doze discípulos foram para a Galileia, para a montanha que Jesus lhes tinha destinado. 28,17  Quando O viram, adoraram-No. Entretanto, alguns hesitaram ainda, 28,18  Mas, Jesus, aproximando-Se, lhes disse: “Toda autoridade  me foi dada no Céu e na Terra. 28,19 Portanto, ide e ensinai a todas as nações; batizai-as em nome do Pai, do Filho e dos  Santos Espíritos. 28,20  Ensinai-as a observar tudo o que vos prescrevi. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim do mundo.”

          Para  Mt (28,19) -Ide e ensinai... - tomemos “Fonte Viva”(FEB), de Emmanuel por Chico Xavier:

             Estudando a recomendação do Senhor aos discípulos - ide e ensinai -, é justo não olvidar que Jesus veio e ensinou.

            Veio da Altura Celestial e ensinou o caminho de elevação aos que jaziam atolados na sombra terrestre. Poderia o Cristo haver mandado a lição por emissários fiéis... poderia ter falado brilhantemente, esclarecendo como fazer...

            Preferiu, contudo, para ensinar com segurança e proveito, vir aos homens e viver com eles, para mostrar-lhes como viver no rumo da perfeição.

            Para isso, antes de tudo, fez-se humilde e simples na Manjedoura, honrou o trabalho e o estudo no lar e, em plena atividade pública, foi o irmão providencial de todos, amparando a cada um, conforme as suas necessidades.

            Com indiscutível acerto,  Jesus é chamado o Divino Mestre.

            Não porque possuísse uma cátedra de ouro...

            Não porque fosse o dono da melhor biblioteca do mundo...

            Não porque simplesmente exaltasse a palavra correta e irrepreensível...

            Não porque subisse ao trono da superioridade cultural, ditando obrigações para os ouvintes...

            Mas sim porque alçou o próprio coração ao amor fraterno e, ensinando, converteu-se em benfeitor de quantos lhe recolhiam os sublimes ensinamentos.

            Falou-nos do Eterno Pai e revelou-nos, com o seu sacrifício, a justa maneira de buscá-lo.

            Se te propões, desse modo, cooperar com o Evangelho, recorda que não basta falar, aconselhar e informar. “Ide e ensinai”, na palavra do Cristo, quer dizer: “Ide e exemplificai para que os outros aprendam como é preciso fazer.”   

 

            Agora, a palavra do Dr. Bezerra de Menezes -Estarei contigo até a consumação dos Séculos, conforme lemos em “Veleiro de Luz”, psicografia de Mª Cecília Paiva:

             “Cumprindo sua promessa divina de que estaria com seus discípulos até a consumação dos séculos,  Jesus trouxe aos homens o coração ardente e vem fazendo a chamada para a tarefa cristã de seu apostolado.

            Em verdade, se sentes a fé grandiosa e sublime na vida imortal, se tens certeza que a vida terrestre é apenas um episódio passageiro, se vislumbras grandiosos panoramas além céu e sentes a necessidade de luz e progresso é porque Jesus se aproximou de teu coração e estua ao teu lado o Amor imensurável do Mestre.

            Se tua esperança na vida eterna é certa, se manténs a chama esmeraldina sempre acesa face aos sofrimentos, é porque Jesus está contigo, amando-te e doando-te a bênção da esperança.

            Se teu coração deseja minorar a amargura alheia, os olhos choram com os que sofrem e os lábios exprimem palavras de conforto e ânimo para os infelizes, se doas o que tens aos necessitados e ergues para a vida maior outras vidas que de ti se aproximam, indiferentes e desanimadas, é porque Jesus está ao seu lado, compelindo-te ao bem maior.

            Se guardas as palavras de vida eterna com ardor e fé e sentimentos a favor do irmão, é que Jesus habita contigo desde agora.

            Meu irmão, feliz irmão, que transitas neste mundo em busca de luz, conferiu-te o Mestre do Amor o dom sublime de Sua eterna presença, pela tua dedicação constante aos semelhantes.

            Ergue bem alto a tua lâmpada para que teus pés não  tropecem nas pedras do caminho, para que não tombes ao sabor dos obstáculos que surgirem.

            Ergue-a bem alto, esparzindo a luz da caridade por toda parte.

            Ao redor de ti formarão filas de necessitados do caminho; ao teu coração, hão de chegar os sedentos da vida; ao teu amor, virão os famintos do mundo.

            Levanta, pois, bem alto a lâmpada sublime, porque Jesus chegou e está contigo.

            Vence a batalha e apresenta triunfante a taça da vitória para a conquista de maiores troféus.

            Amigo meu, sigamos com Jesus. Ele está presente!”

 

         Para Mt (28,16-20), encontramos em “Ave Cristo”(FEB), de Emmanuel, recebido pela mediunidade de Chico Xavier, alguns trechos que nos orientam sobre o Cristianismo primitivo:

           

            “Dificilmente, à distância de séculos, poderá alguém perceber, com exatidão, a sublimidade do Cristianismo primitivo.

            Experimentados pela dor, amavam-se os irmãos na fé,  segundo os padrões do Senhor.

            Em toda a parte, a organização evangélica orava para servir e dar, em vez de orar para ser servida e receber. Os cristãos eram conhecidos pela capacidade de sacrifício pessoal, a bem de todos, pela boa vontade, pela humildade sincera, pela cooperação fraternal e pela diligência que empregavam no aperfeiçoamento de si mesmos.

            Amavam-se reciprocamente, estendendo os raios de sua abnegação afetiva por todos os núcleos da luta humana,  jamais traindo a vocação de ajudar sem recompensa, ainda mesmo diante dos mais renitentes algozes. Ao invés de fomentarem discórdia e revolta, entre os companheiros jungidos à canga da escravidão, honravam no trabalho digno a melhor maneira de amparar-lhes a libertação.

            Sabiam apagar os pruridos do egoísmo para abrigarem, sob o próprio teto, os remanescentes das perseguições. Inflamados de fé na imortalidade da alma, não receavam a morte. Os companheiros martirizados partiam como soldados de Jesus, cujas famílias, na retaguarda, lhes cabia proteger e educar.

            Assim é que a comunidade de Lião guardava sob a sua custódia de amor centenas de velhos, enfermos, mutilados, mulheres, jovens e crianças.

            A igreja de São João era, pois, acima de tudo, uma escola de fé e solidariedade, irradiando-se em variados serviços assistenciais.

            O culto reunia os adeptos para a prece em comum e para a extensão das práticas apostólicas, mas os lares de fraternidade multiplicavam-se, como impositivo da obra espiritual em construção.

            Muitas organizações domésticas tomavam a si a guarda de órfãos e o cuidado para com os doentes; todavia, ainda assim, o número de necessitados era, invariavelmente, muito grande.

            A cidade fora sempre um ponto de convergência para os estrangeiros. Perseguidos de vários lugares batiam às portas da igreja, implorando socorro e asilo.

            A autoridade da fé, expressa nos irmãos mais velhos e mais experientes, designava diáconos para diversos setores de ação.

            Os serviços de amparo e educação à infância, de conforto aos velhinhos abandonados, de sustentação dos enfermos, de cura dos loucos, distribuíam-se em departamentos especiais, expandindo-se, assim, em moldes mais completos, a primitiva organização apostólica de Jerusalém, na qual as obras de amor do Cristo, junto aos paralíticos e cegos, leprosos e obsessores.

No templo do lar

 

No templo do lar

Pio Ventania por Chico Xavier        Reformador (FEB) Setembro 1952

             Indiscutivelmente, o avanço cientifico do mundo estabelece múltiplos sistemas de cura na atualidade terrestre.

            Vitaminas e hormônios, eletricidade e magnetismo: fluidos e melodias são recursos empregados no fortalecimento da saúde humana. 

            Acreditamos, no entanto, que o culto doméstico do Evangelho é a fonte real da medicina preventiva, sustentando as bases do equilíbrio físio-psíquico.

            O centro da vida reside na mente e a mente se nutre de emoções e de ideias. E quem se coloca sob a orientação do Cristo, aceitando-lhe o governo espiritual no campo íntimo, harmoniza-se com a Boa Lei, purificando propósitos, elevando atitudes e sublimando resoluções que edificam a consciência e o coração para a Vida Superior.

            Os princípios evangélicos são elementos de vida e convenientemente aplicados no recesso do lar, sanam as chagas da maledicência, previnem a cólera destrutiva, curam os efeitos desastrosos da imprudência, afastam os perigos da antipatia gratuita, balsamizam as úlceras da desilusão e favorecem o clima da fraternidade e da confiança, suscetível de criar a felicidade verdadeira para quantos se empenham na evolução, no reajuste, na melhoria e na elevação.

            Pensar bem é edificar o que é bom. E somente Jesus é o Mestre do pensamento reto e purificado, a expressar-se em favor do erguimento comum no repouso e no trabalho, no silêncio e no ruído, na dor e na alegria, que constituem importantes posições de nossa viagem para os cimos da vida.

            Cultivar o Evangelho, no santuário familiar, é nortear a nossa experiência para o Reinado de Deus, em nós e fora de nós.

            Criar semelhante serviço, pois, no domicilio de nossas almas, é simples dever, porquanto, pela palavra que ensina e ajuda, aprenderemos a abrir as portas do coração para que, na intimidade de nós mesmos, possamos sentir a Divina Presença de Jesus, nosso Mestre e Senhor.


Liberdade absoluta

 


Liberdade absoluta

por Maria O’Neill

Reformador (FEB) 1º Fevereiro 1930

 

É tal a liberdade que possuímos

Que desculpa buscamos, quando erramos,

E subindo da Terra aos altos cimos,

Por termos livre arbítrio, limitamos.

 

Descontentes de nós, porque evoluímos.

Teorias, credos, templos inventamos

E, sem saber porque, quanto sentimos

lnvoluntariamente, aperfeiçoamos.  

 

Somos a gota de água igual ao todo

Que pode depurar-se e sobre o lodo

Conservar-se formosa e cristalina.

 

Na experiência que aduba a consciência

Encerra-se a moral, sem vã ciência.

Sabedoria que a viver ensina.


terça-feira, 9 de fevereiro de 2021

Bezerra de Menezes

 


Nascimento: Riacho do sangue, CE 29 Agosto 1831
Desencarne: Rio de Janeiro, RJ    11 Abril 1900