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sábado, 6 de fevereiro de 2021

O Batismo

 

O Batismo     

A Redação    Reformador (FEB) 16 Janeiro 1919

             “Em verdade, em verdade te digo: se o homem não renascer pela água e pelo espírito, não pode entrar no reino dos céus.” João, Cap. II, V. 5.

             Foram estas as palavras do Divino Mestre a Nicodemos, que serviram e ainda servem de fulcro à cerimônia que a Igreja Católica instituiu como sacramento imprescritível.

            Nisto, aliás como em tudo que forma o seu cânone para não falir a regra de todos os tempos, os teólogos sectários sacrificaram à letra que mata o espírito que vivifica.

            E da exegese apaixonada e tendenciosa surdio, então, como flor de estação fria e nebulosa, em sentido inverso, inexpressivo e turbido (turvo) o conceito da salvação da alma numa graça toda eventual, subordinada a fórmulas de certo valiosas ao tempo de sua instituição, pelo simbolismo que representavam, mas que hoje perderam inteiramente a sua razão de ser.

            Entretanto, da mais rigorosa ortodoxia eclesiástica é a afirmativa de que Deus cria a alma para o corpo que ela deve habitar em uma existência única.

            Não se compreende assim, como da Onisciência Divina possa originar-se um ser inquinado de mácula e, ao demais, desigual ao infinito nos seus predicados essenciais de reabilitação.

            Pecado original?

            Mas, para admiti-lo como pontifica a Igreja, fora de mister renunciar em bloco àquelas palavras outras do mesmo Cristo no versículo seguinte ao supracitado, que dizem: “O que é nascido da carne é carne e o que é nascido de espírito é espírito.”

            Logo, portanto, a quem estuda os Evangelhos sem o prejuízo dogmático que tudo relega ao cômodo e absurdo magister dixit é lícito concluir que não responde o corpo por faltas do espirito, se faltas se pudessem atribuir a este, hereditariamente, quando ex-abrupto criado à revelia de toda a vontade e consciência próprias...

            Que, dentro das leis biológicas, a hereditariedade seja um fato e fato comprovado pela ciência, admite-se; mas, que ao espírito inédito, abrolhado à vida por um mistério insondável da Onipotência Divina se irroguem faltas a priore é coisa que mal se concebe ou, antes, que só se pode conceber pela frivolidade de consciências acomodatícias e negligentes no encararem estes problemas transcendentais.

            A cada época o seu ensino, em linguagem equivalente à sua cultura moral e científica, eis o que nos dizem agora os portadores da Boa Nova.

            O Precursor batizava em água preparando a geração do seu tempo para a compreensão do batismo do espírito em nossos dias. E se assim o fazia, acrescentam, é porque nesse tempo conformemente com as interpretações científicas para os Hebreus consoante as tradições da Gênesis (1), a água era considerada como princípio gerador dos reinos orgânico e inorgânico.

                 (1) Gênesis - C.I VV. 2-6-7-9-10-11-20 e Caps. 11-1-4-5-6-7.

             De notar é também que, ainda hoje, célebres naturalistas - como Haekel e outros consideram a monera, princípio vital, como germinativo inerente dos meios líquidos.  

            Seria o caso do nihil sub sole novum  (nada de novo sob o sol).

            De qualquer forma, porém a verdade é que o Batista não levava simbolicamente ao Jordão imbele (frágeis) criancinhas incapazes de compreender o símbolo.

            Aqueles que aceitavam a sua doutrina - a dos essênios - e pela penitência e propiciavam ao batismo do Espírito isto é, a receberem o Cristo, ele os batizava entornando lhes água sobre a cabeça para que renascessem por ela e pelo espírito, e não do Espírito Santo, como afirma a Igreja alterando o texto original das palavras de Jesus.

            Mas, admitindo-se que o batismo tal com o praticam as seitas neo cristãs, inclusive o catolicismo aberrante tenha a virtude de expungjr (eliminar) o estigma do pecado original  inconcebível dentro da lógica e do bom senso, ainda assim, pergunta-se: será cristão aquele  que, lavado e ungido no batistério, cria-se na impiedade e degenera em fanático por amor a fórmulas vãs, quando as não renega de todo para ser o homem moderno, armado para todos os triunfos e conquistas de um mundo que o Cristo dizia lhe não pertencer?

            Ninguém de boa-fé o dirá, mas a verdade é que todo o mundo continua a considerar pagão e renegado aquele que se não submete a fórmulas arcaicas e balofas duma liturgia inexpressiva, embora praticando obras de piedade e tolerância.

            E o que mais contrista é ver que espíritas, confrades nossos ainda vacilam na conduta que se lhes impõe em relação à respectiva prole.

            Isto significa simplesmente a força da tradição e do preconceito secularmente zelados pelo clero suspicaz (suspeito) e cioso de prerrogativas que criou de épocas em que elas poderiam justificar-se, mas que hoje perderam a sua razão de ser e hão de fatalmente anular-se pela nova ordem de coisas que o Espírito Santo (os espíritos elevados) vem inaugurar explicando racionalmente o simbolismo evangélico.

            Checada é a época ele serem ditas aquelas coisas que o Divino Mestre calou, por não estarem os seus coevos (contemporâneos) em estado de as compreender e para elucidação das quais enviaria o Consolador. (1)

             (1) João Cap. XVI – v.12

             Vejamos portanto, o que nos dizem os Evangelistas:

             “Assim, renascer pela água quer dizer renascer em novo corpo, e renascer pelo espírito o habitá-lo.” (2)

            (2) Roustaing-3º volume pag. 225.

             Era justamente da pluralidade das existências corporais que Jesus falava veladamente a Nicodemos, e isso que era com é, um fato hoje unanimemente proclamado pelos espíritos, tornou-se uma heresia para os que atribuíram a investidura única de únicos depositários e intérpretes da ciência divina.

             “Tempora mutantur”! (“os tempos mudam” ou “os tempos mudaram”)

             Hoje ninguém concebe privilégios tais de casta e aptidões graciosas: hoje todo o mundo admite que o homem só pode ser responsável por atos praticados livre e conscientemente, mas prossegue-se na subordinação cega a hábitos e costumes de longada praticados na mesma inconsciência de há vinte séculos, quando não no temor desse mesmo ódio sectário, que plantou a jornada grandiosa do Calvário.

             Espíritas, compenetremo-nos nós outros de que é preciso haver por oportuna ainda, aquela voz que clamava no deserto o – penitte. (penitenciar?)

             Penitenciar-nos é trabalhar, é estudar, é amar, é praticar os ensinos de Jesus.

            É na exemplificação das virtudes domésticas que importa batizar os nossos filhos, preparando-os em tarefa de lapidário paciente para o renascimento do espírito, ou seja para a graduação moral do planeta em melhoradas e sucessivas encarnações.

             Lavar um vaso exteriormente não é modificar lhe a essência.

            As cerimônias de caráter material podem, a rigor, valer relativamente pela significação moral que lhes emprestamos, mas não modificam substancialmente o espírito e a prova é que depois de vinte séculos de afusões (banhos), unções e aspersões simbólicas, a humanidade se debate em angústias indefiníveis, lembrando aquele fariseu meticuloso e mesureiro (bajulador, servil), requintado no seu formalismo ortodoxo mas porejando orgulho vanilóquios (falas sem sentido).

            Batizemos os nossos filhos em nome do Padre, sim, incutindo-lhes o amor de Deus sobre todas as coisas - em nome do Filho, ainda, lançando lhes na alma, da mais tenra idade o gérmen do amor do próximo, qual viva expressão de toda a Lei e os Profetas e em nome do Espírito Santo, também, preparando-os para receber os espíritos de luz que ora se abatem obre a Terra em revoadas de graças, para levantar a criatura do volutabro (lamaçal) das próprias paixões, do pecado original do seu orgulho para a compreensão em espírito e verdade das coisas santas, do Verbo de Deus.

            Tudo que não seja isso será iludir-nos à nós mesmos, com a agravante do acréscimo de responsabilidades decorrentes daquela palavra que diz: “muito se pedirá a aquém muito se houver dado e a quem pouco tiver tudo se tirará.”

            Aquele espírito austero e cristianíssimo que se chamou entre os homens Bittencourt Sampaio, em uma de suas obras mediúnicas lançadas no Grupo Ismael (4) verberando a indecisão e transigência em matéria de Fé, reproduz a apóstrofe dirigida à igreja de Laodicéia: sei as suas obras: não és quente nem frio. És morno.

                 (4) “Do Calvário ao Apocalipse”. Pág.230

            Não sejamos mornos também nós outros. Os frios pela renúncia literal de princípios que não temos a coragem moral de sustentar, ou quentes pela coerência dos nossos atos, extremados do sacrifício, embora, mas dentro da lei do amor.

            Aceitando a Revelação Espírita como desdobramento lógico da Revelação Messiânica, ou aceitamos integralmente os seus preceitos demonstrando lhes a eficiência prática ou renunciamos ao qualificativo de espíritas.

            Ser e não ser, não pode ser. Ou quente ou frio: morto é que não.


sexta-feira, 5 de fevereiro de 2021

À face da crítica

 

À face da critica

A Redação   Reformador (FEB) 16 de Janeiro de 1930

             Muitos são, de fato, os inimigos e contraditores da doutrina dos Espíritos.

            Não há, nisto, novidade maior, de vez que todas as doutrinas de qualquer tempo, encontram acérrimos opositores.

            E, quanto maiores e melhores forem os princípios novos a proclamar, tanto mais acérrimos serão os embates, discrimes (aquilo que separa) e controvérsias a vencer.

            O Espiritismo, que não é, essencialmente considerado, uma doutrina nova, a não ser na generalização do seu conhecimento e na prática dos seus processos e rendimentos, não poderá subtrair-se à lei de hostilidade necessária à sua evolução e definitivo triunfo.  Teremos assim, que no plano ideal, como no plano físico, a luta é condição intrínseca da própria vida. A passividade incondicional propendendo para a inércia, é a necrose da energia, é a própria morte.

            Logicamente, ninguém se preocupa com inimigos desvaliosos; nem se atiram pedras a árvores que não dão frutos.

            Ora, a doutrina espírita, por isso mesmo que fecunda de frutos opimos (abundantes), do ponto de vista individual como coletivo; por isso mesmo que afeta uma reforma profunda de hábitos e costumes, públicos e privados; a ferir, para erradicar, ideias e preconceitos embasados em tradições seculares, tem, e não poderia deixar de ter, inimigos pertinazes e pervicazes (obstinados), em todas as classes sociais.

            Sob um tal prisma, não há lamentar e sim exaltar com a crítica e sim exultar com a crítica insidiosas que nos movem os elementos antes suspeitos por interessados no desprestígio da causa, do que conscientes convictos de sua maleficência.

            Nesse jogo de paixões pouco nobres, sem dúvida, só podem iludir se os espíritos superficiais, os incultos, os que vêm, leem e pensam de conta alheia.

            Os que, porém, se não ajustam nem medem o raciocínio pelas bastilhas de tradições consagradas, sejam elas de ordem religiosa ou científica, esses, os que sabem e sentem que a Verdade não tem bonzos (sacerdotes ou homens místicos) invulneráveis nem códices definitivos no tempo e no espaço, não se deixam impressionar e menos açaimar (calar) por tais processos de reprimenda, virtualmente incompatíveis com a cultura filosófica do nosso tempo.

            Ao invés de nos alarmarmos ou nos agastarmos com essa critica mais interesseira que sincera, mais violenta que racional, devêramos todos nós torná-la como estímulo providencial e necessário ao revigoramento das próprias energias, para aumentar o patrimônio teórico e ampliar o campo experimental da prática doutrinaria.

            Em vez de polêmicas e retaliações estéreis e irritantes, doutrinamentos elevados, com vistas a equação de tantos de nossos problemas sociais e mesmo políticos, que encontram na ética doutrinária senão imediata e radical solução, ao menos atenuantes e perspectivas capazes de melhorar fatores e premissas.

            Em vez de círculos concêntricos a pivotarem (mudarem radicalmente) em esferas limitadas, de interesses pessoais e familiares; a vegetarem na sombra indecisa dos ambientes convencionais, uma organização menos passível de reflexos pessoais com programas definidos e moldados nas mais severas normas aconselhadas pelos Espíritos elevados, que são, de direito e de fato, os vexilários (porta-bandeiras) da causa.

            Não podemos nem devemos estagnar só por só na repetição de argumentos, a revidar libelos estafados e sediços (cediços – os que não deixam margem a dúvidas), fazendo o jogo mesmo dos trivialíssimos adversários em sua política de campanário (politicagem).

            Eles, esses adversários, não se renderiam com palavras, nem mesmo com fatos. Diante deles, a nossa atitude outra não pode ser, que a do sábio Gamaliel diante dos colegas doutos ao tratar dos Apóstolos e da doutrina d'O Cristo. Ou a doutrina era verdadeira e nada lhe deteria a consagração no tribunal da consciência, ou era falsa a doutrina e cairia por si mesma.

            O Espiritismo é a doutrina d'O Cristo, prometida para os tempos hodiernos (tempos atuais) e servida por esses mesmos Apóstolos, do alto daqueles simbólicos doze tronos de que nos falam os Evangelhos.

            São eles, esses Apóstolos, que nos enviam os seus arautos com aquelas verdades, aquelas muitas outras coisas que o Senhor tinha a dizer e não disse, por faltar à humanidade a madureza de compreensão.

            Essa madureza não se improvisou durante vinte séculos, porque ela é o fruto da experiência iterativa (repetida, reiterada) e dolorosa de muitas etapas de exílio para as gerações de uma só e sempre a mesma humanidade.

            Ainda hoje, em que pesem os progressos realizados, a ascensão de nível global para a compreensão das coisas do céu, muita gente reluta, repele e hostiliza estas verdades.

            Mas, que importa? Não temos nós visto o surto da doutrina em pouco mais de meio século?

            Não temos visto fariseus e saduceus convertidos e penitentes de todos os dias? Saulos, os haverá sempre, porque aberta está sempre a “Estrada de Damasco”. Somente a cada qual se assigna a hora que ninguém poderá precipitar de um segundo.

            As críticas de um Lombroso, muito mais que as estultícias (bobagens) de um cura de aldeia deveriam impressionar os bisonhos prosélitos espiritistas.

            Mas Lombroso um dia se converteu e se retratou.

            Citando um, poderíamos citar dez, cem, mil casos idênticos.

            Certo, os magnatas da Igreja, detentores de privilégios e regalos que os Apóstolos não possuíam e de que o grande Paulo se destituiu para melhor servir ao Senhor, dificilmente imitarão Lombroso; mas a nós que conhecemos a lei das reencarnações, não nos deve preocupar essa campanha, senão na parte em que ela nos pode aproveitar e que vem a ser: a correção dos nossos atos no que possam conter de legitimamente censuráveis para a sua crítica, e a piedade para essa mesma crítica no que ela traduza, em consciência, de injustiça e má fé.

            Proceder de outro modo seria perder um tempo inútil e precioso. Inútil porque lhes não modificaríamos o ânimo, e precioso porque necessário à edificação de nós mesmos.


quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

A maior tarefa

 


A maior tarefa

A Redação           Reformador (FEB) 1° Fevereiro 1930

             As melhores doutrinas em si, podem desvirtuar-se na aplicação e na prática, pelo conceito e erronia (equívoco) dos homens.

            O Espiritismo não poderá escapar à regra. Transcendentalíssimo em suas fontes, altamente benéfico em suas finalidades, ele se processa, contudo, na esfera mental dos seus adeptos, no círculo das possibilidades de cada qual, a produzir, assim, frutos heterogêneos e mesmo heteróclitos ou díspares, que só não se justificariam diante de um psiquismo uniforme e sintonizado pelos mais altos ideais humanos, sejam os de que se fez paradigma o Cristo de Deus, seu nato e fundamental patrono.

            Não há, portanto, como pretender sobrestar (descontinuar) nesse movimento aparentemente desarmonioso em aglutinados superficiais e convencionais, que o tempo não chega, as mais das vezes a consagrar, porque se resolvem em semi nulos de separatismo e discórdia entre os seus melhores propugnadores e expoentes, sem embargo dos melhores planos, propósitos e intenções.

            Esse malogro, essa flutuação inconsequente de energias, essa versatilidade e policromia de orientações serão, para observadores leigos e bisonhos, motivo de escândalo e desânimo, mas, para nós outros representam, apenas, aquele preliminar esboço da obra que se pudera comparar a da construção de um edifício a carrejar (carrear) e - dispor, em amontoado caótico, toda a espécie de materiais.

            Até que lhe sejam postos os alicerces, até que se lhe aprumem e ajustem paredes e traves, até que se lhe colme a crista (completar a cobertura) e tudo no traço perfeito da liga que o estruture e fixe em articulações mestras; e, finalmente, em remates ornamentais, ninguém lhe vislumbrará o efeito, a utilidade, a projeção, a estética.

            Todos somos, por mercê de Deus, operários do novo, majestoso edifício destinado às gerações futuras.

            Operários rudes, a carretearmos (transportar em carreta) o material bruto que lhe deve sustentar a arcabouço grande, enorme, imensurável como o ideal da humanidade para os preditos evos (eternidade).

            Pretendermos, só por nós superintender a tarefa ingente, sequer julgar-nos seus melhores quiçá únicos obreiros, fora insânia maior por colidir com a essência de todo o ensino, que prescreve, de modo iniludível, ser a obra de jesus e dela superintendentes e imediatos executores, os seus mensageiros.

            A estes, portanto, a prerrogativa das diretrizes superiores, como quem conhece o plano geral arquitetônico e o tempo necessário à consolidação de cada elemento utilizado.

            Não vai com isto dizer que possamos e devamos apassivar-nos (ficar passivos) de modo absoluto, abstraindo iniciativas uteis e dignas do nosso ambiente social: vai, porém, a explícita necessidade de nos precavermos para não imolar nesse escopo, sacrificando nas aras do cenáculo mundano em frutos de mera temporalidade transitória, o objetivo máximo do qual devem resultar todos os benefícios eternos, porque de projeção e realização no plano espiritual.

             Referimo-nos, é claro, ao saneamento moral que deve começar pelo sacrifício de nós mesmos, na imolação de todas as paixões inferiores.

            Em vez do prurido, das preocupações de parecer e aparecer fortes e unidos por combater os nossos detratores em obras de cunho material, o desejo imane de nos purificarmos intimamente aos nossos próprios olhos, à face de Deus.

            Esse trabalho profundo de mineiro precavido no âmago absconso (escondido) de caliginosas (sombrias) galerias, é o que nos há de fortalecer e levantar, diante do mundo cético e assombrado das próprias iniquidades.

            Unidos pela Fé, mas por essa Fé que identifica as almas porque fala antes ao sentimento que ao intelecto, aproximados, naturalmente, pela vibração e afinidade de nossas auras, no desejo insopitável (incontrolável) de imitar e servir ao Senhor, as nossas obras abrolharão também naturalmente e sem esforço, com a maleabilidade cantante e transparente dos veios fecundantes por, entre sebes (cercas) e pedrouços (montão de pedras).

            Sem essa obra preliminar, precípua (fundamental), por isso mesmo dificílima, todo o nosso afã resulta anódino (inócuo), incongruente e até contraproducente pelas críticas que suscita, pelo partidarismo que estimula, pelo personalismo que lisonjeia e desperta, a título mesmo de propaganda.

            De resto, é preciso redize-lo ainda e sempre, a propaganda espírita é apanágio (atributo) dos Espíritos, não dos homens, simples veículos na contingência, isso sim, de se tornarem bons veículos.

            Mas, para tanto, o que importa não é engrandecer o cenáculo terreno de monumentos materiais, fundações e asilos de dinamizada e precária beneficência moral e material.

            De monumentos tais, encontra-se referto o mundo, sem ter melhorado nunca, antes agravando sempre o seu pauperismo moral e material.

            Todas as seitas religiosas, maiormente a católica, todos os governos, todas as corporações leigas de caráter humanitário tem fundado asilos, creches, colégios e hospitais.

            E o que se verifica é o aumento de miséria por toda parte, a traduzir-se em tirania moral e indigência material - aumento de criminalidade, suicídios, roubos, adultérios, revoltas e desesperos - miséria, enfim, nos indivíduos, nas famílias, nas sociedades.

            Dir-se-ia que não pende do progresso material, do surto cientifico, da cultura intelectual a felicidade humana; mas, ao contrário, decresce esta na razão inversa da intensificação daquele.

            E daí a conclusão lógica, formal, absoluta de que a Doutrina Espírita como fórmula prática do Consolador Prometido apenas visa a reforma substancial das criaturas, ainda porque, realizada esta, tudo mais virá espontânea, incoercivelmente (irrepremivelmente), como fruto a tempo sazonado.

            Espiritualizar almas, afeiçoa-las à compreensão de si mesmas ao serviço da humanidade, eis o alvo maior, por não dizer único do Espiritismo.

            Construir na Terra o mais suntuoso monumento, será sempre entrega-lo às injúrias do Tempo, para os que na terra, em corpo, permanecem: - edificar nos corações é também construir na Terra, porém mais que para a Terra, porque é também realizar no plano espiritual, eterno e indestrutível para todas as gerações.

            O mundo passaria - disse Jesus, mas as suas palavras não passariam, por serem espírito e vida.

            Vivamos pois, e sempre, a palavra eterna, façamos de preferência, obra de espíritos para espíritos.


quarta-feira, 3 de fevereiro de 2021

Aconteceu na FEB

 

Aconteceu na FEB - 1

João Repórter (Antonio Wantuil de Freitas)

Reformador (FEB) Setembro 1955

 

            Sobrecarregado de serviços na FEB, que lhe tomam de catorze a dezesseis horas diárias, o presidente de nossa instituição, a não ser em casos excepcionais ou de urgência, só atende aos sábados.

            E exatamente num desses sábados é que foi procurado por uma senhora simples, modestamente vestida, que, acanhada e humildemente, lhe começou a falar:

            - Trago-lhe, senhor presidente, para o seu exame, alguns livros por mim recebidos. O primeiro me veio há quase trinta anos. Se agradarem à Federação, desde já pertencem a ela. Se não merecerem ser publicados, continuarei, como sempre, a mesma amiga desta Casa.

            Muito agradecido, minha Senhora, pela sua gentileza. Peço-lhe, porém, que tenha um pouco de paciência, pois que presentemente estamos com dezenove originais de obras a serem lidas.

            Não tenho pressa – disse ele – Apenas lhe pedia que marcasse o dia em que deverei voltar à sua presença.

            Poderá telefonar-me dentro de um prazo razoável ou, então, esperar que eu lhe dirija um telegrama, convidando-a a vir até aqui – respondeu-lhe o presidente da FEB.

            E os meses forram correndo, correndo, até que em outro sábado volta a médium:

            - O senhor já tem alguma notícia sobre os meus trabalhos?

            - Ainda não, minha senhora – foi-lhe informado. - - Poderá ficar tranquila em sua casa. Quando menos esperar, chegar-lhe-á às mãos o telegrama em que lhe rogaremos um vir até cá, para lhe darmos a opinião que nos solicitou.

            E lá se foi ela, humilde, simples, e toda bondade, na voz, nos gestos, no olhar, no todo.

            Novos meses se escoaram até que chegou a vez de ser lido o primeiro dos volumes. E palavra por palavra, frase por frase, tudo foi examinado. E tudo isso, após leituras e mais leituras de livros outros, mediúnicos ou não, quase todos rejeitados.

            Terminada a leitura, lá seguiu o telegrama convidando médium a comparecer à residência do presidente.

            - Minha senhora - foi-lhe dito – o seu primeiro livro merece publicado e a FEB terá muito prazer em apresentá-lo ainda este ano.  

            E a médium que durante quase trinta guardou para a FEB aquele trabalho, mas que por todo esse tempo se sentia acanhada, pelo seu gênio retraído, como que se transformou à frente do presidente, estampando-se lhe nos olhos sempre tão tristes, e revelando-se lhe na voz sempre doce e cheia de ternura evangélica, uma alegria toda espiritual.

            - Sinto-me satisfeita. Que esse trabalho possa, de alguma forma ser útil e que agrade a quantos a lerem. Os outros, os que o senhor ainda não leu, espero que também agradem. São mais recentes e a minha afinidade com os Espíritos já era maior. Se a Federação resolver publicar o terceiro, peço que só o faça em 1957, o ano do primeiro centenário da Codificação. Este, muito, muito me agradou.

            A palestra, já se vê, já sentiu o leitor desta crônica, versou agora sobre vida da médium, desde o seu nascimento em terras fluminenses, num lar espírita, sua passagem por várias cidades de Minas, sua vinda para o Rio, onde é humilde costureira, fatos ocorridos na sua infância, sua  ida a Pedro Leopoldo, em 1985, e onde não se pode encontrar com o Chico, sua veneração por Vinícius, sua admiração por André Luiz:, enfim, sobre os mais variados assuntos relacionados com médiuns mineiros e fluminenses, etc.  etc.

            Que me perdoem os leitores desta crônica escrita à última hora, já quase no momento de o “Reformador” entrar em máquina.

            O espaço que me foi dado Já não comporta mais, e mais também não quero dizer. Se tantos meses ficou o livro dela na fila deixarei o meu querido leitor, com essa curiosidade por saber lhe o nome.  

            Dir-lhe-ei apenas: - Seu nome, por enquanto, é simples e abreviadamente - Senhorita Y.

            Paciência, meu amigo, paciência. Fique tranquilo e você, qual aconteceu a ela, terá também o se dia de júbilo, quando aparecer o livro, cujo título é:  “'Nas Teias do lnfinito”.


 Aconteceu na FEB - 2

João Repórter (Antonio Wantuil de Freitas)

Reformador (FEB) Outubro 1955

 

            Com a minha croniqueta anteriores, publicada em “Reformador” de Setembro deixei na fila os leitores desta muito lida e relida revista, mas, em compensação, igualmente fiquei na fila, à espera de que também chegue o dia, em que os velhos amigos deixem de estar aborrecidos comigo, por me manter inabalável não lhes dizendo o nome real por inteiro da Senhorita Y.

            Para amenizar essa justa queixa que passaram a ter de mim, vou contar alguma coisa um pouco apenas, do que desejam, saber:

            A Senhorita Y apresenta uma mediunidade bem original. Seus livros não são propriamente psicográficos e, muito menos psicofônicos. São recebidos por uma forma diferente. Audiente e vidente, ela recebe ordem para se deitar e dormir. E dorme. Desprende-se lhe o Espírito. Vê o seu próprio corpo somático estendido na cama, com a aparência de morto. Chega-se a ela, em Espírito, o Guia. Trocam cumprimentos e seguem, seguem pelo Espaço à fora.

            Tudo que vê, tudo que se lhe desenrola à frente, é visto e observado como se encarnada estivesse. E o Guia lhe vai dando explicações e lhe descreve o que se passa até que recebe ordens de voltar à Terra, com a recomendação de lembrar-se do que via, ou de tudo esquecer.

            Acorda. Sensação desagradável. Ansiedade, saudade, um não sei que lhe faz lamentar o haver voltado ao corpo.

            Dias depois, ou mesmo alguns anos, recebe ordem para concentrar-se. Obedece. O Guia se aproxima e lhe fala: “Vais escrever sobre o que te foi mostrado em, tal época”.

            Lápis, papel, e inicia-se o trabalho sem que ela mesma saiba como começar. O lápis corre, vai correndo. Para. O Guia lhe recorda que não foi bem assim. Risca o que escreveu.  Escreve de novo. E assim, sem que uma vírgula deva ser mudada, as frases e os períodos vão se sucedendo, tudo perfeito, tudo concatenado, numa sequência admirável, prendendo o leitor, instruindo-o, espiritualizando-o, elevando-o e... doutrinando-o.

            De colégio, a Senhorita Y só conheceu o curso primário, todavia, sua instrução, conseguida por esforço próprio e pelo convívio com Espíritos de grande cultura, como o grande Camilo e o inolvidável Léon Denis, é bem acima da classe primária.

            Ao professor Paulo de 0liveira Ludka, que já me telefonou algumas vezes, curioso por saber o nome da Senhorita Y, aqui fica uma informação que ela me deu:

            - Há muitos e muitos anos, os Espíritos me aconselharam a estudar o Esperanto para

que eles me pudessem utilizar no setor. Nunca pude satisfazer-lhes o pedido. No meu segundo livro, porém, o senhor encontrará referências ao Esperanto.

            Que o meu companheiro Ludka fique também na fila, agora mais zangado comigo, porque não lhe contarei sequer o titulo desse segundo livro, que igualmente já tive a satisfação de ler.

            É possível que eu volte para o mês e, então, quem sabe ?, lhes direi todo o nome da Senhorita Y. A. P..


 Aconteceu na FEB - 3

João Repórter (Antonio Wantuil de Freitas)

Reformador (FEB) Novembro 1955

 

            Porque me meti eu nesta reportagem referente à mediunidade da Senhorita Y? Porquê? - Não sei. O certo, porém, é que venho pagando caro por haver abusado da paciência dos leitores da nossa querida revista. Já fui censurado inúmeras vezes, já vi muito nariz torcido por me negar a oferecer logo de vez, todas as informações exigidas pela   ansiedade desses milhares e milhares de leitores de “Reformador”. Visitas de amigos, telefonemas, cartas, telegramas e até cabogramas me deixam um pouco atrapalhado.

Todos querem porque querem saber o nome todo do médium, os títulos dos livros e muita coisa mais.  

            Devagar, meus amigos... Se ela, a médium, a autora dessa alegria que todo o meio espírita irá sentir, esperou tantos meses, não há razão de nos “revoltarmos” contra a “maldade” do repórter.

            O primeiro livro – “Nas Telas do Infinito” – consta de “Uma História Triste”, contada pelo nosso querido Bezerra, e de uma novela. – “O Tesouro do Castelo” do grande escritor português, Camilo Castelo Branco. Dentro em pouco estará nas livrarias.

            O segundo, mais volumoso, foi organizado por Léon Denis, baseando-se em notas  fornecidas por um suicida cujo nome nos é muito querido.  

            O terceiro, esse, só em 1957 virá a público. Dele falaremos mais tarde.

            A médium nasceu em Santa Teresa de Valença, no Estado do Rio, residiu, em várias cidades mineiras (Brasópolis, S. João D’EL Rei, Belo Horizonte, Itajubá, Lavras e Juiz de Fora) e há onze anos mora aqui, no Rio de Janeiro. Chama-se Yvonne A. Pereira.

            Sob muitos pontos de vista, assemelha-se ao nosso queridíssimo Chico: - simples, humilde, sem nenhuma vaidade, solteira e desprendida dos bens materiais.

            Creio haver satisfeito grande parte da curiosidade dos meus amigos. Que não me peçam mais. Esperem pelos livros. Tenham paciência.

 






     

 

 

 

 

 

terça-feira, 2 de fevereiro de 2021

O olhar de Jesus

 

 O olhar de Jesus

Emmanuel por Chico Xavier    Reformador (FEB) Janeiro 1956


             Recordemos o olhar compreensivo e amoroso de Jesus, a fim de esquecermos a viciosa preocupação com o argueiro que, por vezes, aparece no campo visual dos nossos irmãos de luta.

            O Mestre Divino jamais se deteve na faixa escura dos companheiros de caminhada humana.  

            Em Bartimeu, o cego de Jericó, não encontra o homem inutilizado pelas trevas, mas sim o amigo que poderia tornar a ver, restituindo-lhe, desse modo, a visão que passa, de novo, a enriquecer lhe a existência.  

            Em Maria de Magdala não enxerga a mulher possuída pelos gênios da sombra, mas sim a irmã sofredora, e, por esse motivo, restaura lhe a dignidade própria, nela plasmando a beleza espiritual renovada que lhe transmitiria, mais tarde, a mensagem divina da ressureição eterna.

            Em Zaqueu, não identifica o expoente da usura ou da apropriação indébita, e sim o missionário do progresso enganado pelos desvarios da posse e, por essa razão, devolve-lhe o trabalho e o raciocínio à administração sábia e justa.

            Em Pedro, no dia da negação, não repara o cooperador enfraquecido, mas sim o aprendiz invigilante, a exigir-lhe compreensão e carinho, e, por isso, transforma-o, com o tempo, no baluarte seguro do Evangelho nascente, operoso e fiel até o martírio e a crucificação.

            Em Judas, não surpreende o discípulo ingrato, mas sim o colaborador traído pela própria ilusão e, embora sabendo-o fascinado pela honraria terrestre, sacrifica-se, até o fim, aceitando a flagelação e a morte para doar-lhe o amor e o perdão que se estenderiam pelos séculos, soerguendo os vencidos e amparando a justiça das nações.

            Busquemos algo do olhar de Jesus para nossos olhos e a crítica será definitivamente banida do mundo de nossas consciências, porque, então, teremos atingido o Grande Entendimento que nos fará discernir em cada ser do caminho, ainda mesmo quando nos mais inquietantes espinheiros do mal, um irmão nosso, necessitado, acima de tudo, do nosso auxílio e de nossa compaixão.  


O suborno dos guardas

 


O Suborno dos Guardas

          28,11   Enquanto elas voltavam, alguns homens da guarda já estavam na cidade para anunciar o acontecimento aos sacerdotes. 28,12      Reuniram-se estes em conselho com os anciãos. Deram aos soldados uma importante soma em dinheiro, ordenando-lhes: 28,13  Vós direis que seus discípulos vieram retirá-Lo à noite, enquanto dormíeis. 28,14 Se o governador vier a sabê-lo, nós o acalmaremos e o tiraremos das dificuldades. 28,15 Os soldados receberam o dinheiro e seguiram suas instruções. E, essa versão, é, ainda hoje, espalhada entre os judeus.


         Para   Mt (28,11-15), -O Suborno dos Guardas - encontramos em “Elucidações Evangélicas”, de Antônio Luiz Sayão,  a orientação sobre essa passagem do evangelho:

             “A esse tempo, alguns dos guardas foram à cidade e referiram aos sacerdotes o que sucedera. Estes se reuniram em conciliábulo com os anciães e deram grande soma de dinheiro aos soldados, recomendando-lhes que dissessem:

            “ -Seus discípulos vieram durante a noite e o roubaram, enquanto dormíamos.”

            Os soldados receberam o dinheiro e fizeram o que lhes tinha sido recomendado. E, até hoje, essa versão, que então se espalhou, tem curso entre os judeus. (Mt 28,11-15) 


             O Suborno das Consciências persistiu até hoje. Leiamos “O Evangelho Segundo O Espiritismo ”,de Allan Kardec, que, em  seu Cap. I, nos oferece uma psicografia de Fénelon, recebida em 1861: 

            “Um dia, Deus, na sua caridade inesgotável, permitiu ao homem ver a verdade dissipar as trevas; esse dia foi o advento do Cristo.

            Depois da luz viva, as trevas voltaram; o mundo, depois das alternativas de verdade e de obscuridade, se perdeu de novo.

            Então, à semelhança dos profetas do Antigo Testamento, os Espíritos se põem a falar e a vos advertir: o mundo foi abalado em suas bases; o raio estourará; sede firmes!

            O Espiritismo é de ordem divina, uma vez que repousa sobre as próprias leis da Natureza, e crede que tudo o que é de ordem divina tem um objetivo grande e útil.

             Vosso mundo se perdia; a ciência, desenvolvida às expensas do que é de ordem moral, em tudo vos conduzindo ao bem estar material, revertia em proveito do espírito das trevas.

             Vós o sabeis, cristãos, o coração e o amor devem caminhar unidos à ciência. O reino do Cristo, após dezoito séculos, e malgrado o sangue de tantos mártires, ainda não chegou.

             Cristãos, tornai ao Mestre que quer vos salvar.

            Tudo é fácil àquele que crê e que ama; o amor o enche de uma alegria inefável.

            Sim, meus filhos, o mundo está abalado; os bons Espíritos vo-lo dizem sempre; curvai-vos sob o sopro precursor da tempestade, a fim de não serdes derrubados; quer dizer, preparai-vos, e não vos assemelheis às virgens estouvadas que foram apanhadas de surpresa à chegada do esposo.

          A revolução que se prepara é antes moral que material, os grandes Espíritos, mensageiros divinos, insuflam a fé, para que todos vós, obreiros esclarecidos e ardentes, façais ouvir vossa humilde voz, porque vós sois o grão de areia, mas sem grãos de areia não haveria montanhas.

             Assim, pois, que estas palavras: nós somos pequenos, não tenha mais sentido para vós.

            A cada um sua missão, a cada um seu trabalho.

            A formiga não constrói o edifício da sua república e os animálculos imperceptíveis não erguem os continentes? A nova cruzada começou; apóstolos da paz universal e não de uma guerra. São Bernardos modernos, olhai e marchai em frente: a lei dos mundos é a lei do progresso.”

 

Igreja e Política

 


Igreja e Política

por I. Pequeno (Antonio Wantuil de Freitas)

Reformador (FEB) Março 1947

             "Diário de Notícias", jornal de orientação católica, em seu editorial de 4 de Fevereiro, sob o título acima, publicou um longo estudo sobre o estado do Catolicismo dos dias atuais. Transcrevamos alguns trechos:

             “O governo, naquela época, foi, antes, o Sr. Getúlio Vargas, e o cardeal D. CarmeIo não escondeu suas preferências pelo queremismo (movimento político surgido em maio de 1945 com o objetivo de defender a permanência de Getúlio Vargas na presidência da República. O nome "queremismo" se originou do slogan utilizado pelo movimento: "Queremos Getúlio!); depois, passado o movimento de 29 de Outubro, o governo era a candidatura do general Dutra, e o cardeal D. Carmelo oferecia banquetes ao então ministro da Guerra e a seu patrono, o ex-sub-ditador de Minas, Sr. Valadares. Ultimamente, o chefe da Igreja em S, Paulo colocou-se, inteiro, sob as ordens do Sr. Macedo Soares.”

             Comentando a derrota vergonhosíssima do candidato do Sr. cardeal, registra o referido artigo da redação de “Diário de Notícias”:

             “Semelhante desfecho contribuirá para restituir aos católicos paulistas sua liberdade, desde que, escarmentado (punido), o cardeal D. Carmelo se resolva a dar à Igreja posição mais digna que a de “reboque” do Estado.”

             E para terminar, diz ainda:

             “Sempre a atração para o poder, que, de regra, e sobretudo nas atuais circunstâncias, vem afastando a Igreja cada vez mais do povo.”

             Se o ilustre redator de “Diário de Notícias” conhecesse o Apocalipse e a história do 666, certamente não nutriria a esperança de que a Igreja venha a tomar o bom caminho.

 


segunda-feira, 1 de fevereiro de 2021

Evitando a tentação

 


Evitando a tentação

Emmanuel por Chico Xavier

Reformador (FEB) Janeiro 1956

 

            “Vigiai e orai para não entrardes em tentação."Jesus em Marcos 14:38.

             Vigiar não quer dizer apenas guardar. Significa também precaver-se e cuidar. E quem diz cuidar afirma igualmente trabalhar e defender-se.

            Orar, a seu turno, não exprime somente adorar e aquietar-se, mas, acima de tudo, comungar com o Poder Divino, que é crescimento incessante para a luz, e com o Divino Amor, que é serviço infatigável no bem.

            Tudo o que repousa em excesso é relegado pela Natureza à inutilidade.

            O tesouro escondido transforma-se em cadeia de usura. A água estagnada cria larvas de insetos patogênicos.

            Não te admitas na atitude de vigilância e oração, fugindo à luta com que a Terra te desafia.

            Inteligência parada e mãos paradas impõem paralisia ao coração que, da inércia, cai na cegueira.

            Vibra com a vida que estua, sublime, ao redor de ti, e trabalha infatigavelmente, dilatando as fronteiras do bem, aprendendo e ajudando aos outros em teu próprio favor. Essa é a mais alta fórmula de vigiar e orar para não cairmos em tentação.


Cresçamos para o bem

 


Cresçamos para o bem

Emmanuel por Chico Xavier

Reformador (FEB) Janeiro 1956

 

            “Porque aquele que Deus enviou fala as palavras de Deus; 

pois não lhe dá Deus o espírito por medida.” João 3:34.

            

           Observa a munificência (generosidade) das concessões divinas por toda a parte.

            Enquanto o homem raciona a distribuição desse ou daquele recurso, Deus não altera as suas leis de abundância.

            Anota na Terra em torno de ti:

            O Sol magnificente nutrindo a vida em todas as direções...

            O ar puro e sem medida...

            A fonte que se dá sem reservas...

            Tudo infinitamente doado a todos.

            Tudo liberalmente repartido.

            Qual ocorre às concessões do Senhor na ordem material, acontece no reino do espírito.

            As portas da sabedoria e do amor jazem constantemente abertas. Os tesouros da Ciência e as alegrias da compreensão humana, as glórias da arte e as luzes da sublimação interior são acessíveis a todas as criaturas.

            No entanto, do rio de graças da vida, cada alma somente retira a porção de riquezas que possa perceber e utilizar proveitosamente.

            Estuda, observa, trabalha e renova-te para o bem.

            Amplia a visão que te é própria e auxilia os outros, ajudando a ti mesmo.

            Recorda que Deus a ninguém dá seus dons por medida, contudo, cada alma traz consigo a medida que instalou no próprio íntimo para a recepção dos dons de Deus.