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domingo, 5 de maio de 2013

Ante a Vida




Ante a vida
Emmanuel
por Chico Xavier
Reformador (FEB) Dezembro 1969

            Não há lugar em que nos vejamos sem algum benefício a prestar ou alguma coisa a fazer.

            Seja qual seja a circunstância da estrada, aí encontramos a ocasião precisa para realizar o melhor.     

            Por isso mesmo, o tempo é o prodigioso indicador, descerrando-nos situações inesperadas ao dom de compreender e de auxiliar.

            Ainda mesmo nas trilhas mais obscuras da prova ou da aflição, somos defrontados por ensejos valiosos de renovação e progresso.

            Se te vês diante de rotinas deterioradas, conquanto a rotina seja abençoada escola de formação espiritual, é necessário reflitas nas possibilidades novas que se te descortinam à existência.

            Se obstáculos te surgem, amontoados na senda, reconsidera as próprias atitudes e observa que haverá chegado o instante para mais alto aproveitamento de teus recursos, nos domínios da expressão de ti mesmo, ante a seara do mundo.              

            Imagina o que seria a experiência na Terra sem a lei da mudança.

            Se a semente não fosse atirada à solidão, no seio da gleba, e se as árvores não renunciassem à posse dos próprios frutos, impossível seria acalentar a vida planetária. Se a infância não marchasse para a juventude e se a juventude não se dirigisse para a madureza, a evolução humana resultaria impraticável.

            Quando te reconheças à bica do desespero ou do desânimo, ergue-te sobre os motivos de tristeza ou desalento e contempla os quadros da Natureza em torno. Novos minutos se despencam do coração das horas em teu benefício, dezenas e centenas de criaturas aparecem por todos os flancos, a te endereçarem sorrisos de esperança, tarefas múltiplas te pedem devotamento e os dias sempre renovados te apontam o Céu, de horizonte a horizonte, como sendo imensa porta, libertadora, através da qual, em cada manhã, a Sabedoria do Senhor te convida, sem palavras, a recomeçar e progredir, trabalhar e viver.












sexta-feira, 3 de maio de 2013

13. 'Didaquê Espírita



13

Didaquê Espírita

compilação e coordenação
  Carlos Lomba
Ed.FEB 1948

CAPÍTULO V III


REENCARNAÇÃO    

332. Como denominais o fato de poder um Espírito habitar sucessivamente muitos corpos?

            - Reencarnação.

333. Porque devemos crer na reencarnação?

            - Porque só ela explica as diferenças materiais, intelectuais e morais que se notam entre os homens.

334. Quais são as diferenças materiais?

            - As de fortuna, saúde, conformação física e outras.

335. Quais são as diferenças intelectuais?

            - As que resultam do grau de inteligência de cada um.

336. Quais são as diferenças morais?

- As que se originam dos diferentes graus de virtude e de vício de cada um.

337. A reencarnação será um fato provado?

            - Sim, pelas aptidões inatas dos homens, pelas revelações dos Espíritos, pelas experimentações já procedidas e pelo próprio raciocínio.

338. Será nova essa crença?

            - Não; já nos mais remotos tempos, os maiores homens a professaram.

339. Jesus a aceitava?

            - Sim, suas palavras o atestam, às vezes mesmo claramente.

340. O Espírito se encarnará sempre em condições mais felizes que as da encarnação anteriores ?

            - Dele dependem as condições que se tornarem necessárias ao seu progresso.

341. Qual a razão disso?

            - A necessidade de a cada um ser oferecido um meio adequado para que saia do estacionamento, progredindo continuamente.

342. Donde provêm as diferenças que notamos entre os Espíritos encarnados?

            - De suas vidas anteriores. Cada qual colherá aquilo que semeou.

343. Como se explica o fato, tantas vezes observado, da manifestação de grandes talentos em crianças?

            - Pelas aptidões inatas, resultantes das conquistas anteriores.

344. Que entendeis por aptidões inatas?

            - A recordação vaga das encarnações precedentes.           

            Mozart compondo música, com a idade de sete anos, é uma prova disso.

345. Citai outros exemplos.

            - Há muitos: dentre eles citaremos o de Pascal, matemático aos doze anos; o de Mondeux, com sete anos de idade não encontrava problema que o embaraçasse; o de Fritz Van de Kerckove, que aos dez anos era pintor; o de Jaques Inaudi, hábil calculador aos oito anos, etc.

346. Podemos atribuir também a essa causa a precocidade de certos criminosos?

            - Certamente; o criminoso é um Espírito imperfeito, um desviado do bom caminho.

347. Os selvagens são seres como nós?

            - Sim; são quase sempre Espíritos em evolução retardada.           

348. Qual a necessidade de renascermos muitas vezes '!

            - A do nosso aperfeiçoamento, a fim de nos tornarmos dignos da felicidade que DEUS nos reserva.

349. Onde reencarnam os Espíritos?

            - Na Terra e noutros mundos a que chamamos planetas e estrelas.




quinta-feira, 2 de maio de 2013

Comparações (a palavra de Mateus)



O Reino dos Céus:  (Comparações)

À Rede de Pesca 

13,47 “O reino dos céus é semelhante ainda a uma rede que, jogada ao mar, recolhe peixes de toda espécie.
13,48  Quando está repleta, os pescadores puxam-na para a praia, sentam-se e separam nos cestos o que é bom e jogam fora o que não presta.
13,49 Assim será no fim do mundo: Os anjos virão separar os maus do meio dos justos
13,50 e os arrojarão à fornalha, onde haverá choro e ranger de  dentes.
13,51 Compreenderam tudo isto?  -Sim,  Senhor,  responderam  eles.
13,52 Por isso, todo escriba instruído nas coisas do reino dos céus é comparado a um pai de família que tira de seu tesouro coisas novas e velhas.”

Para  Mt  (13,53-58) -A Rede de Pesca - seguimos com os comentários encontrados em “Elucidações Evangélicas”, de Antônio Luiz Sayão:

            “Quanto à pesca, figura a escolha dos bons e o afastamento dos maus, como na parábola do joio e do bom grão. Por escribas designava Jesus os homens mais esclarecidos que as massas e incumbidos de espalhar no meio delas a luz contida no tesouro da inteligência e da erudição de que dispõem.

            Aquele que se serve da ciência que recebeu dos tempos antigos, para fortificar e, por assim dizer, tornar recomendável aquilo que quer tornar crido, é o que tira do seu tesouro coisas novas e coisas velhas. Significa isso que nós outros, os espíritas, devemos, dentro dos limites da nossa instrução, das nossas faculdades, investigar as crônicas antigas, escrutar as legendas, desencavar os velhos manuscritos sepultados no fundo das bibliotecas seculares ou dos conventos e, armados dos vetustos documentos que chegarmos a possuir, demonstrar aos tímidos, aos incrédulos, aos pseudo sábios a autenticidade e a ancianidade da ciência que professamos.”

            Para nos contar do Reino dos Céus, leiamos ao Espírito Sto. Agostinho, em “O Evangelho...” de Kardec:

            “O progresso é uma das leis da Natureza; todos os seres da Criação, animados e inanimados, a ele estão submetidos pela bondade de Deus, que quer que tudo engrandeça e prospere. A própria destruição, que parece aos homens o termo das coisas, não é senão um meio de atingir, pela transformação, um estado mais perfeito, porque tudo morre para renascer, e coisa alguma se torna em nada.”

            “A Terra, seguindo essa lei, esteve material e moralmente num estado inferior ao que está hoje, e atingirá, sob esse duplo aspecto, um grau mais avançado. Ela atingiu um dos seus períodos de transformação, em que, de mundo expiatório, tornar-se-á mundo regenerador; então, os homens serão felizes, porque a lei de Deus nela reinará.”


Comparações (a palavra de Mateus)


O Reino dos Céus:  (Comparações)
À Pérola de Alto Preço

13,45 “O reino dos céus é ainda semelhante a um negociante que procura pedras preciosas. 
13,46  Encontrando uma de alto preço, vai, vende tudo que possui e a compra.”

            Para  Mt  (13,45-46) - A Pérola de Alto Preço - encontramos comentários valiosos como aprendizado em “Elucidações Evangélicas”, de Antônio Luiz Sayão:
           
            “Aquele que recebe a palavra de Deus deve sentir-se tão feliz quanto o que, dando importância às coisas materiais, acha um tesouro, se é que se pode estabelecer comparação entre coisas tão diversas.

            Cumpre-lhe, então, guardar bem dentro do coração essa fonte de riquezas eternas e esforçar-se para que nenhum dos vícios da Humanidade lhe possa arrebatar o precioso achado.

            Vai o homem e vende tudo o que tem - Quer isto dizer: despoja-se dos erros, dos maus instintos, dos maus pendores, dos vícios, de tudo, em suma, que o prende à matéria, como os bens terrenos o prendem ao solo que os encerra.

            E compra o campo - Faz, para conservar aquele tesouro espiritual, todos os sacrifícios que a Humanidade exija.

            A pérola é, como o tesouro, a verdade, que o homem encontra, com o receber e agasalhar a palavra de Deus.”



Comparações (a palavra de Mateus)



O Reino dos Céus:  (Comparações)
Ao tesouro Escondido

13,44 “O reino dos céus é também semelhante a um tesouro escondido num campo. Um homem o encontra, mas o esconde de novo. E, cheio de alegria, vai, vende tudo o que tem para comprar aquele campo.”

          Encontramos importante aprendizado em “ Emmanuel ” (FEB), de Emmanuel por Chico Xavier:
           
Educação Evangélica

            “Todas as reformas sociais, necessárias em vossos templos de indecisão espiritual, têm de processar-se sobre a base do Evangelho.

            Como? - Podereis objetar-nos. Pela educação, replicaremos.

            O plano pedagógico que implica esse grandioso problema tem de partir ainda do simples para o complexo. Ele abrange atividades multiformes e imensas, mas não é impossível.

            Primeiramente, o trabalho de vulgarização deverá intensificar-se, lançando, através da palavra falada ou escrita do ensinamento, as diminutas raízes do futuro.

            Toda essa demagogia filosófico-doutrinária, que vedes nas fileiras do Espiritismo tem sua razão de ser. As almas humanas se preparam para o bom caminho.

             A missão do Cristianismo na Terra não era a de mancomunar-se com as forças políticas que lhe desviassem a profunda significação espiritual para os homens.

             O Cristo não teria vindo ao mundo para instituir castas sacerdotais e nem impor dogmatismos absurdos. Sua ação dirigiu-se, justamente, para a necessidade de se remodelar a sociedade humana, eliminando-se os preconceitos religiosos, constituindo isso a causa da sua cruz e do seu martírio, sem se desviar, contudo, do terreno das profecias que o anunciavam.

            Todas essas atividades bélicas, todas as lutas anti fraternas no seio dos povos irmãos, quase a totalidade dos absurdos, que complicam a vida do homem, vieram da escravização da consciência ao conglomerado de preceitos dogmáticos das Igrejas que se levantaram sobre a doutrina do Divino Mestre, contrariando as suas bases, digladiando-se umas às outras em nome de Deus.

            Aliado ao Estado, o Cristianismo deturpou-se, perdendo as suas características divinas.”

            “Há necessidade de iniciar-se o esforço de regeneração em cada indivíduo, dentro do Evangelho, com a tarefa nem sempre amena da autoeducação.

            Evangelizado o indivíduo, evangeliza-se a família; regenerada esta, a sociedade estará a caminho de sua purificação, reabilitando-se simultaneamente a vida do mundo.

            No capítulo da preparação da infância, não preconizamos a educação defeituosa de determinadas noções doutrinárias, mas facciosas, facilitando-se na alma infantil a eclosão de sectarismos prejudiciais e incentivando o espírito de separatividade, e não concordamos com a educação ministrada absolutamente nos moldes desse materialismo demolidor, que não vê no homem senão um complexo celular, onde as glândulas, com as suas secreções,  criam uma personalidade fictícia e transitória.

            Não são os sucos e os hormônios, na sua mistura adequada nos laboratórios internos do organismo, que fazem a luz do espírito imortal.

            Ao contrário dessa visão audaciosa dos cientistas, são os fluidos, imponderáveis e invisíveis, atributos da individualidade que preexiste ao corpo e a ele sobrevive, que dirigem todos os fenômenos orgânicos que os utopistas da biologia tentam em vão solucionar, com a eliminação da influência espiritual.

             Todas as câmaras misteriosas desse admirável aparelho, que é o mecanismo orgânico do homem, estão repletas de uma luz invisível para os olhos mortais.”

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Está o Espiritismo em perigo...


Está o Espiritismo em perigo
de tornar-se uma seita Protestante?

por Lincoia Araucano
(Ismael Gomes Braga)
Reformador (FEB)  Fevereiro 1948


            Escreve-nos talentoso amigo manifestando o receio de que o Espiritismo se torne simplesmente uma seita ou até uma série de pequenas seitas bíblicas, de conformidade com as múltiplas interpretações que cada grupo dê aos versículos evangélicos. A seu ver, a base sólida, a rocha que não teme procelas, é o estudo científico dos fatos. Fora disso tudo é vão, supõe o nosso prezado missivista.

            Os fatos realmente já responderam a essas ideias; seria desnecessário repetirmos aqui o que já deveria conhecer aquele amigo; mas haverá outros que necessitem conhecer essa verdade e vamos permitir-nos repeti-la.

            O estudo dos fatos conduziu Kardec à Codificação, que é genuinamente evangélica: estuda o Evangelho, o Decálogo e põe em prática a Doutrina cristã de amor e caridade. Não se detém eternamente nos fenômenos, mas passa dos fatos mediúnicos à Religião. Mais longe ainda do que Kardec vai Roustaing, sob a mesma inspiração, estudando igualmente o Decálogo e os versículos, um por um, dos quatro Evangelhos.

            Estariam errados esses grandes Missionários e certo o nosso ilustre missivista que deseja permanecer sempre nos fatos, isto é, no período pré-kardeciano?

            O estudioso de psicologia sabe que além da memória cerebral, material, que é caduca e falha, esquece 90 % do que aprende e ainda deforma em parte os 10 % que lhe restam, existe outra memória perfeita, eterna, inexorável que tudo conserva e transforma em aptidões, em faculdades, em instintos inatos, ou seja a memória espiritual que vai com o homem pela eternidade em fora.

            Toda a nossa civilização é vasada na Bíblia, em tudo que tem de melhor: somos espíritos formados na moral evangélica através dos séculos e milênios. Nossa intuição do bem e do mal é colhida na Bíblia em diversas encarnações como católicos, gregos, protestantes. Trazemos uma força imensa ao nascer, um critério especial entre o bem o mal, como colheita cristã.

            Aproveitar essa longa preparação para a futura evolução do espírito foi o que mui sabiamente fizeram Kardec, Roustaing e fazem todos os maiores Espíritos que se manifestam pelos nossos melhores médiuns. Leiam-se todas as obras recebidas por Francisco Cândido Xavier, por Zilda Gama, por Geraldine Coomins (Médium inglesa famosa à época), e ver-se-á que são a pregação do Evangelho em diversas formas.

            Vemos, nos países que abandonaram o Espiritismo evangélico, o nosso movimento cindir-se em grupinhos de "cientistas", vaidosos, discutidores, polemistas que se subdividem até desaparecerem de todo. Logo, nos fatos não existe aquela solidez "científica" a que se refere o nosso ilustre missivista. Muito ao contrário, do estudo apenas científico do Espiritismo só pode sair a convicção da imortalidade, mas nunca saiu o código moral necessário à vida em sociedade e indispensável à evolução espiritual do homem. Depois de provada a imortalidade "para os duros de coração" que não possuíam a intuição da imortalidade, os Espíritos nos enviam ao Evangelho e, quando os homens tentam fazer Espiritismo, sem Evangelho, nada conseguem, tudo se esboroa, como já vimos em diversos países do Velho Mundo.

            Tomado por base o Evangelho, o Espiritismo tem uma fonte de unidade mundial e produz frutos de amor, obras de solidariedade humana; mas, desprezado o Evangelho, divide-se ele em grupinhos de estudiosos sem finalidade alguma ou com a finalidade pré-kardeciana de demonstrar que o homem sobrevive à morte.

            Bozzano proclamou que só sobre os fatos deve constituir-se a verdade espiritista, no sentido de provar a sobrevivência, unicamente para isso. Para o espírita brasileiro que aceitou a Codificação kardeciana, essa fase da demonstração da sobrevivência já não interessa, já é pré-histórica. Interessa-lhe é o código de conduta que o há de tornar útil e feliz.

            Chegamos, pois, a conclusão diametralmente oposta ao nosso missivista. Não há perigo de tornar-se o Espiritismo uma seita cristã ou dividir-se em diversas seitas cristãs se ele se apegar ao Evangelho, mas é fora de dúvida que sem o Evangelho ele morre e desaparece sem fruto algum. O orgulhoso que tudo confia à sua ciência e despreza a Revelação, despreza o Espiritismo como a Terceira Revelação, assume a tremenda responsabilidade de opor-se ao Plano Divino, de combater os nossos maiores Mestres - o Cristo, Kardec, Roustaing, Emmanuel, André Luiz, o Espírito de Verdade - e de lançar a humanidade no materialismo.

            O nosso missivista, cujas qualidades de inteligência e moral são modelares, está iniciando a obra de derrotismo, de demolição do Espiritismo.

            Ser-lhe-ia impossível fundar um movimento espírita de elites científicas, reduzido a meia dúzia de sábios da sua esfera intelectual, porque precisamente os cientistas são orgulhosos, pretensiosos, querem impor condições à experimentação e supõem-se com o direito de exigir de Deus as condições em que se devem realizar os fenômenos que eles querem estudar para sua satisfação.   

            Temos de construir com a gente boa e simples, sem preconceitos, sem vaidades de escola, porque os "canudos" das nossas Universidades materialistas nada valem neste domínio, onde dependemos da caridade dos Guias e não podemos impor condições. Só temos que submeter-nos a condições.

            Fujamos desse orgulho científico e tratemos de construir humildemente com o Evangelho, porque só assim estaremos em afinidade com os nossos Maiores e não com as trevas que tudo procuram demolir.           

            Aconselhamos ao nosso ilustre missivista um pouco mais de humildade, um pouco mais de paciência com os ignorantes. Lembre-se de que o homem age 90% por sentimento e só 10% por meio de raciocínios filosóficos e científicos. Não tente demolir em nossas almas uma construção de dois mil anos, porque o resultado seria lançar-nos no materialismo demolidor.

            Não só estudemos, mas tentemos viver o Evangelho e estaremos com Kardec e com todos os outros Espíritos superiores que já trataram do assunto.

            Não nos iludamos com o "cientificismo" anti evangélico.






quarta-feira, 1 de maio de 2013

12. Didaquê Espírita




12

Didaquê Espírita

compilação e coordenação
  Carlos Lomba
Ed.FEB 1948

CAPÍTULO VII


OS ESPÍRITOS      b/b


282. O Espírito recorda-se das suas passadas existências?

            - Sim, se ele o deseja; do mesmo modo que um viajante procura recordar-se das peripécias da sua viagem.

283. O invólucro material é um obstáculo à livre manifestação das faculdades do Espírito?

            - Sim, do mesmo modo que um vidro opaco se opõem à livre emissão da luz.

284. Depois da morte, os Espíritos conservam o amor da pátria?

            - Para os Espíritos elevados a pátria é o Universo. Na Terra, a pátria, para eles, está onde se achem as pessoas que lhes são simpáticas.

285. Os Espíritos são sensíveis à recordação daqueles a quem amaram na Terra?

            - Muito, e essa recordação aumenta sua felicidade, se já são felizes; ou lhes serve de alívio, se são desgraçados.

286. Serão eles sensíveis às honras que se fazem aos seus despojos mortais?

            - Em geral não, porque compreendem a futilidade de todas essas coisas, mas há alguns que conservam em parte as preocupações materiais.

287. O Espírito que se considerasse bastante feliz em certo meio poderia estacionar-se indefinidamente nesse estado?

            - Indefinidamente não, pois o progresso é uma necessidade que cedo ou tarde é sentida pelo Espírito. Todos devem progredir, eis o destino.

288. Os Espíritos participam de nossas desgraças e se afligem com os males que nos atingem?

            Os Espíritos bons participam de nossas alegrias e se afligem quando não suportamos com resignação o a que chamamos males, pois vêm que assim não tiraremos resultado, por agirmos qual enfermo que recusa o remédio que o deve curar.

289. Quais dos nossos males afligem mais os Espíritos bons serão os físicos ou os morais?

            - Os morais. Eles se afligem pelo nosso egoísmo e dureza de coração, pois é daí que se origina todo o mal.

290. Que se deve entender por anjo de guarda?

            - Um Espírito de ordem elevada que nos assiste durante nossa permanência na Terra, e que nos aconselha por intermédio da nossa consciência.

291. Os Espíritos podem aliviar o mal de alguém e atrair a prosperidade?

            - As leis divinas são imutáveis e todos têm de se submeter a elas; mas, não obstante, os Espíritos podem ajudar-nos a ter paciência e resignação para suportarmos os males que nos devem conduzir ao bom caminho, bem como transmitir-nos intuições que nos sejam benéficas.

292. Os Espíritos têm alguma outra ocupação a não ser a de se melhorarem individualmente?

            - Sim, pois a vida espírita é movimento e ação constantes e nada tem de penosa para os bons Espíritos.

293. Em que consiste a felicidade dos Espíritos bons?

            - Em não ter ódios, inveja, ambição ou quaisquer das paixões que fazem desgraçados os homens. O amor que os une é para eles origem de suprema felicidade, e são felizes pelo bem que praticam.

294. Em que consistem os sofrimentos dos Espíritos inferiores?

            - Em invejarem tudo o que lhes falta para serem felizes, e não quererem trabalhar para que venturosos se tornem. Também se martirizam no ódio, no desespero e na ansiedade em que se debatem.

            295. Quais os maiores sofrimentos que os Espíritos podem experimentar?

            - Não se podem descrever todos os sofrimentos morais correlativos a certos crimes; entretanto, o maior castigo que eles podem sofrer é a CRENÇA DE ESTAREM ETERNAMENTE CONDENADOS.

296. Donde procede a doutrina do fogo eterno?

            - Imagem, como muitas outras, tomada pela realidade, e que já não atemoriza ninguém, pois que atualmente já se sabe ser ele a dor que nos desperta para o cumprimento dos nossos deveres.

297. Os Espíritos inferiores compreendem, a felicidade do justo? 

            - Sim, e isso é que faz o seu suplício.

298. Pode ser eterna a duração dos sofrimentos?

            - Não, porque Deus não criou seres consagrados eternamente ao mal. Tarde ou cedo sentirão eles o irresistível desejo de saírem do seu estado de inferioridade e serem felizes.

299. O Espírito separado do corpo pode comunicar-se conosco?

            - Sim, pode e fá-lo muitas vezes.

300. Por que meio o faz?

            - Servindo-se dos médiuns.

301. Que vem a ser um médium?

            - É uma pessoa apta a receber as comunicações dos Espíritos, seja pela escrita, pela audição, pela vidência ou por qualquer outro meio.

302. Todos podem ser médiuns?

            - Sim; em geral, todos podem cultivar a mediunidade, exercitando-se pacientemente durante um tempo mais ou menos longo.

303. A mediunidade é útil àquele que a possui?

            - Sim; e não somente a ele, mas a todos em quem os ensinamentos dos Espíritos podem inspirar pensamentos salutares, sentimentos louváveis.
           
304. Todos os Espíritos se podem comunicar?

            - Sim, quando a LEI o permite.

305. Porque concede a LEI essa permissão aos Espíritos maus?

            - Para servirem de ensino aos homens, mostrando-lhes a que triste estado os maus se acham reduzidos no outro mundo; e para que, por nossas instruções e nossas preces, eles adquiram bons sentimentos e se regenerem.

306. Como reconhecemos que um Espírito é bom?

            - Por suas comunicações, que não podem deixar de ser morais; por sua linguagem, que nunca será frívola e lisonjeira, seja para si próprio, seja para aqueles a quem se dirige.

307. Como devemos tratar os Espíritos maus, atrasados e imperfeitos?

            - Devemos moraliza-los, instruí-los e orar por eles.

308 Quais são as principais mediunidades?

            - São: a tiptológica, a sematológíca, a psicográfica, a auditiva, a vidente, a sonambúlica, a intuitiva e a de materializações.

309. Explicai esses termos.

            - O médium tiptólogo recebe as comunicações dos Espíritos por pancadas, mais ou menos fortes, nos objetos materiais que o cercam; o sematólogo, por sinais com antecedência combinados, como o movimento de móveis em sentido determinado; o psicógrafo, por escrito; o auditivo, ouvindo-lhes a voz; o vidente, vendo seus perispíritos, que então tomam a forma que tiveram na vida terrena; o sonâmbulo, emprestando-lhes o seu corpo, do qual o Espírito se apossa momentaneamente, servindo-se dele como se fosse o seu próprio; e o de materializações prodigalizando-lhes seus fluidos animalizados para que, combinando-os com os que se encontram no espaço, o Espírito apresente uma forma visível e tangível para todos.

310. Quais são os melhores médiuns?

            - Os que recebem comunicações de grande elevação moral.

311. Qual deve ser a conduta dos médiuns?

            - Como a sua faculdade lhes pode ser retirada, nunca devem abusar dela, seja para a satisfação de vã curiosidade ou para outro qualquer fim sem utilidade proveitosa à instrução e ao progresso de todos.

312. A mediunidade será uma novidade?

            - Não; ela foi praticada em todos os tempos; porém, em consequência do abuso que disso faziam, Moisés proibiu a sua prática aos Israelitas, realmente, então, incapazes de compreendê-la na sua finalidade divina.

313. Citai algumas provas da antiguidade dos médiuns.

            - Sócrates era inspirado por um Espírito familiar. Saul evocou o Espírito de Samuel. 

314. Há vantagem em praticar o Espiritismo?

            - Sim, contanto que se não fanatize e nem se perverta a sua finalidade.

315. Como se deve praticá-lo?

            - Desenvolvendo-se as mediunidades, assistindo regularmente às sessões de evocações, moralizando os Espíritos inferiores ou ajudando os sofredores, e, finalmente, seguindo os conselhos dos Espíritos guias.

316. Como se pode desvirtuar o Espiritismo e acarretar consequências perigosas?

1º. Fazendo evocações para divertir-se;
2º. recebendo comunicações pueris;
3º. evocando Espíritos contra pagamento dos que desejam ouvi-los.

317. Há perigo para alguém em receber comunicações, estando só?

            - Sim; perigo real. Os médiuns que sistematicamente as recebem, nessas condições, ficam quase sempre obsidiados no fim de pouco tempo.

318. Pode-se assistir a reuniões espíritas com toda classe de gente?

            - Não; somente com pessoas sérias, que se reúnam para o bem.

319. Deve-se procurar ser médium?

            - Sim; para ser-se útil aos homens, aos Espíritos e a si próprio.

320. É permitido ao médium recusar seus serviços?

            - A mediunidade é um dom provindo de DEUS e o médium não deve recusar seu concurso a uma obra útil.

321 . Que condições devem concorrer para uma boa sessão de evocação?

            - O recolhimento, a prece, a paz de consciência e o desejo de fazer o bem.

322. Os Espíritos podem ter influência sobre nós, quando nos achamos fora das reuniões espíritas?

            - Sim; e essa influência, apesar de nem sempre desconfiarmos dela, não deixa de ser real e muito importante.

323. Todos estão sujeitos a essa influência?

            - Sim; mesmo os que não conhecem o Espiritismo.

324. Como se exerce ela?

            - Os Espíritos obram sobre o nosso pensamento, sem que nos apercebamos disso; eles atuam, muitas vezes, materialmente sobre nós, pelo emprego do fluido, como faz o magnetizador.

325. Essa influência é sempre boa?

            - Depende do sentimento do Espírito: se ele é bom, sua influência é salutar; se é mau, a influência é perniciosa. Convém pois chamar a si os bons Espíritos e afastar os maus.

326. Como DEUS, que é bom, permite que os maus Espíritos nos venham induzir ao mal ou fazer-nos sofrer?

            - Para nos experimentar. Porque permite que o homem mau aconselhe os outros a praticarem um crime? O caso é idêntico. Além disso, os Espíritos maus não podem fazer o mal que desejam, sobretudo se a nós chamamos os bons.

327. Estarão os bons Espíritos dispostos a proteger-nos?

            - Sim; se os chamarmos. DEUS deu a cada um de nós um protetor, guia, ou anjo de guarda.

328. Basta a oração para afastar os Espíritos perversos? .

            - Certamente, não; é preciso fazer-se sempre o bem, e nunca o mal.

329. Que é uma obsessão?

            - A união de um Espírito mau a uma pessoa, com o fim de atormentá-la e fazê-la praticar atos ridículos ou maus. Nessas condições, pode mesmo tal pessoa ficar como se fosse atacada de demência.

330. Os médiuns estão expostos à obsessão?

            - Sim; quando se envaidecem ou passam a aceitar, sem exame sério, tudo quanto os Espíritos dizem.

331. Como podemos fazer cessar a obsessão?
1º. pela prece;
2º. pela moralização dos Espíritos maus;
3º. pelo abandono de todas as mediunidades que possuamos, trabalhando-se a própria moralização.