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quinta-feira, 8 de setembro de 2011

54 Trabalhos do Grupo Ismael


54


SESSÃO DE 19 DE JUNHO DE 1940


Comunicação final,  sonambúlica


            Fora ponto estudado a natureza extra-humana de Jesus, a sua corporeidade fluídica.

            A verdade dos acontecimentos atuais, porque não a percebe o homem.- A força do seu tradicionalismo. - Método a seguir no estudo do Evangelho. - Mais orgulho do que verdadeira incompreensão, na questão da corporeidade fluídica de Jesus. - Soou a hora de se definirem os que são e os que não são do Cristo. - Multiplicação, por toda parte, de médiuns evangélicos. - O que é preciso, da parte do homem, para que a verdade se lhe apresente com mais clareza. - Os ataques à Casa de Ismael pela sua orientação evangélica. - O que seria o Espiritismo sem o Evangelho. - Verdadeiro papel do Espiritismo.- O que há por ai a fora em matéria de arregimentação espirita. - O labor da Federação nesse sentido. - Quando terá ela realizado a grande obra em que se empenha. - A quem de preferência são dirigidas essas palavras. -  Finalidade das reuniões do Grupo Ismael e os imensos resultados que já tem produzido. - A obra  dessa oficina de trabalho espiritual. - Onde, neste momento de convulsão, o homem encontrará Deus . - Prece à Virgem.


Médium: J: CELANI


            Paz, meus caros companheiros.
            Uma nuvem espessa intercepta a visão do homem, egoísta e mau, não o deixando ver, para além do seu mundo, as verdades dos acontecimentos e tudo mais que lhe possibilitará a crença nesse Cristo que a misericórdia divina permitiu fosse conhecido dos espíritas cristãos da Terra a Santa Cruz .
            O homem é tradicionalmente por índole, apega-se ao que foi ensinado e, quando o ensino lhe satisfaz às paixões, dificilmente modifica  o seu raciocínio, para aceitar coisas diversas que, no entanto, seriam para sua alma um novo deslumbramento e roteiro seguro na áspera jornada terrena.
            Aí, debruçado sobre esse monumento (o Evangelho), eu procurando extrair da letra o espírito. A certa altura, porém, o meu espírito, pobre em letras, empacava  (é o termo). Eu então orava, pedia, implorava a luz do Alto e, como um tênue sussurro de brisa, soavam aos meus ouvidos estas palavras: espera, avança, para levantares a cortina que te encobre a visão do largo horizonte que tens á tua frente.
            Continuava, passava além do ponto obscuro para minha inteligência, seguia avante. Outra dificuldade surgia; nova advertência. Desse modo, à força de estudo e meditação, de submissão e prece, a misericórdia do Senhor supria a minha pobreza espiritual e, assim, o que o intelecto não assimilava absorvia-o o coração, fazendo-me compreender que a miserabilidade da condição do homem ainda lhe não possibilita a compreensão de leis que demandam, para serem apreendidas, a conjugação dos esforços da humanidade, em sua ascensão para a ciência divina.
            Em toda essa questão (a na natureza extra corpórea de Jesus), há  mais orgulho, do que, verdadeiramente, incompreensão. É da natureza humana aferrar-se o homem aos seus pontos de vista e não abrir mão deles, embora conheça a luz e os testemunhos contrários ao que afirma.
            Mas, soou a hora de se definirem os que são e os que não são do Cristo. Realiza-se o trabalho de trituração, de pulverização, para a escolha daqueles que, pela humildade, pelas suas aquisições no conhecimento das verdades reveladas, se tornarão pregoeiros dessas mesmas verdades para as criaturas da Terra.
            Os médiuns vão surgir por toda parte, médiuns evangélicos, providos de formidáveis cabedais de ciência cristã, para serem os locutores dos verdadeiros Mestres do Infinito, na pregação dos ensinos que se enfeixam neste livro, preciosíssimo tesouro, cujo valor inigualável a humanidade começará então a apreciar devidamente.
            A natureza não dá saltos e não se dão pérolas a porcos, na frase severa do Evangelho. É preciso que o homem sinta a necessidade de modificar-se, para que sobre ele desça a luz com maior intensidade e a verdade se lhe apresente com mais clareza, de modo que ele possa conquistar pelos seus méritos aquilo que na sua ignorância e fatuidade quer que se lhe dê por graça.
            Há quem ataque a ‘’Casa de Ismael’’, pela sua orientação cristã em Jesus Cristo. Mas, que será o Espiritismo sem o Evangelho? Simples intercâmbio de vivos e mortos? Apenas o fenômeno da mesa falante, ou das materializações e outros, sem que deles se tirem ilações que aproveitem à educação moral do homem? Direi então que ai é que está a fantasmagoria, a palhaçada.
            O papel do Espiritismo não é o de iludir os sentidos, e sim o de tocar os corações, porque cristão não é aquele que diz: Senhor! Senhor!
            Ou o Espiritismo veio para regenerar o homem ilustrando lhe a inteligência com o conhecimento de verdades novas e enchendo-lhe o coração dos sentimentos de caridade e de fraternidade cristã, ou ele não é necessário ao  mundo, porque de lantejoulas o mundo está farto.
            Digo-vos, meus caros companheiros, não com autoridade, mas com o testemunho da minha visão de Espírito, que pouco se aproveita do que por aí vai em matéria de arregimentação espirita. Há grande numero de núcleos e agremiações, é verdade, mas sem direção, tem organização baseada da fraternidade e na disciplina peculiar aos que compreendem a verdadeira finalidade da doutrina e do homem. Todo um trabalho está por fazer-se, a fim de se aproveitarem tantos esforços despendidos, de modo a se congregarem todos sob a bandeira de Ismael.
            Será que minhas palavras encerram uma censura ao vosso labor? Não. vindes empregando os maiores esforços, de acordo com as vossas forças e possibilidades. A mais não sois obrigados. Como sei que as minhas palavras, quando vos calam no íntimo, merecem para logo as honras da publicidade, dirijo-as antes aos que labutam pelos rincões brasileiros, a fim de que as leiam e meditem. É possível que resulte delas alguns proveitos para as relações da Casa de Ismael com os colégios que por ai pregam a Doutrina Espirita sob variados aspectos e orientações.
            No dia em que conseguirdes formar um núcleo, por pequeno que seja, em cada Estado desse imenso país, núcleos esses afins convosco no modo de compreender, praticar e ensinar a doutrina pela palavra, escrita ou falada, mas, sobretudo, pela exemplificação dos seus ensinos, tereis realizado uma grande obra e ela, a doutrina, estará triunfante.
            Espalhar-se-á então em todas as direções a palavras evangélica, assim para os incultos de boa vontade, como para os de inteligência cultivada, mas cheios de orgulho e vaidade; para todos, enfim, como ponto de partida para a obra da missão que fará do Brasil o Coração do Mundo, a Pátria do Evangelho.
            Tal a finalidade destas reuniões que realizamos desde tantos anos, em corpo e em espírito buscando o Cristo de Deus, caindo e levantando. Dar-se-á que elas nada tenham produzido? Meus olhos contemplam toda a brilhante plêiade de obreiros que aqui deram os seus primeiros passos na nova cruzada, uns, perseguidores terríveis, tenazes, deste Colégio; outros que, indiferentes, se aproximavam, ouviam e se quedavam maravilhados, outros mais que, sofredores e cegos, procuravam um bruxuleio de claridade que lhes desanuviasse os caminhos ásperos da expiação. Aqui vieram, pararam e beberam a água viva de que lhe falou o Mestre a borda do poço de  Jacó e se encaminharam para o Pastor.
            Essa a obra, ignorada até de vós mesmos, desta tenda de trabalho. Este mesmo que ora me serve de instrumento foi apanhado desorientado na estrada da vida, bem como Ulysses, Frederico e outros muitos. Não será isto, meus companheiros, um estímulo poderoso para a preparação de vós mesmos, a fim de que possais multiplicar os pães e os peixes com que mateis a fome aos viandantes que se abeiram dos portais da oficina de Ismael?
            O mundo se encontra convulsionado, batido pela dor. Chegou a hora em que a criatura inquire: será possível que Deus existe? Se no seu coração houver um resquício de sentimento que a torne merecedora de receber uma resposta, seu Guia lhe dirá: Deus está na renúncia, na fraternidade, na caridade. Se não houver esse resquício de sentimento, o infeliz será relegado, como empecilho à obra de implantação do reino do Senhor, para as trevas exteriores.
            Procurai plantar no corações um grão de fé; mas para isso, necessário é que os vossos tenham armazenado em grande cópia esse grão. Só assim podereis dá-lo a mancheias.
            Aí tendes o meu recado de hoje.
            Vamos agora pedir à Mãe santíssima aquilo que nos falta a execução do nosso programa tão grandioso.
            Maria, santelmo de todas as dores, protótipo de todas as virtudes, teu Espírito excelso, nós, soldados de teu filho, o tomamos para o nosso anjo tutelar, nas lutas da existência até a eternidade. Aqui está, Senhora, um pugilo dos que, no passado se reuniam nos templos e pedra dos apedrejadores de teu Filho. Eles pediram a mercê de poderem servi-lo, tomando sobre os ombros a pesada cruz de suas faltas e delitos. Não lhes faltes com as tuas bênçãos de mãe amantíssima, com o teu sublimado amor .Dá tenham eles forças para se purificarem, a fim de seguirem os exemplos dos grandes discípulos do divino Mestre.
            Abençoa-nos também a nós que do Infinito conjugamos os nossos esforços aos deles na tarefa que nos é comum, em favor de quantos batam às portas do Templo de Ismael.
            Paz, humildade e luz aos dirigentes dos povos, a fim de que se apercebam, de que a violência só conduz ao abismo. Paz seja convosco. – Richard.





8 de Setembro


8 Setembro


 Não te agastes, vida afora,
Seja a quem for, faze o bem.
Cada tonel do caminho
Somente dá do que tem.


  Casimiro Cunha
por Chico Xavier
in ‘Gotas de Luz’  (4ª Ed. FEB  1977)

quarta-feira, 7 de setembro de 2011

'A Evolução de Adão'


     “A Evolução de Adão”
por Jorge Damas Martins e Roberto Silveira

(Edição dos autores – 1ª Ed – 1984)

Prefácio     por          Felipe Salomão

ENSAIO SOBRE “EVOLUÇÃO”

            Escrever um livro não é tarefa fácil. Primeiro, porque o espírita, em geral, é um estudioso e tem ao seu dispor uma bibliografia excelente e diversificada. Depois, a escolha do tema é um desafio.

            Os autores do presente livro, Jorge Damas Martins e Dr. Roberto Silveira, conseguem com muita habilidade vencer os obstáculos acima.

            Apresentam-nos este “A EVOLUÇÃO DE ADÃO”, trabalho a quatro mãos, dentro de uma linha doutrinária muito coerente, num esforço perseverante de pesquisa e estudo de texto.

            O Jorge Damas Martins, conquanto ainda novato no movimento espírita[1], não ficou na rama das considerações Doutrinárias. Aprofundou-lhes o sentido e tem se esmerado em procurar “o espírito que vivifica” nos conceitos que lhe são oferecidos. Seu primeiro livro “PONTE EVANGÉLICA” —, recentemente editado, dá-nos esta confirmação.

            O Dr. Roberto Silveira, seu sogro, já está há mais tempo na Doutrina Espírita, tendo publicado “AGENDA DE UM PSIQUIATRA ESPÍRITA”, “AQUI E ACOLÁ” (A Psiquiatria nos Dois Planos da Vida) e “ELE ESTÁ BEM, OBRIGADO”. E aqui estão os dois reunidos para a apresentação deste estudo sobre a temática da evolução.

            Antes de mais nada, deve-se dizer que eles conseguem realizar verdadeira “costura”, abordando obras de Allan Kardec, J. B. Roustaing, Pietro Ubaldi, Emmanuel, André Luiz, num admirável poder de síntese. Evidentemente, as ideias expostas são o produto da sua interpretação e resultado da sua madureza espiritual. E eles as expõem dentro do espírito de liberdade que bem caracteriza a Doutrina Espírita. Liberdade, aliás, tão útil à oxigenação de ideias, de formulação de pensamentos e que permite a livre discussão dos assuntos, sem as amarras do dogmatismo ou a prisão do fanatismo.

            A primeira parte do livro, escrita pelo Jorge, trata da queda espiritual e sua demonstração nas chamadas “Sagradas Escrituras”. Começa com a substanciosa introdução “Lei, Liberdade e Consequências” onde o autor apresenta um verdadeiro tratado sobre evolução, dor e sua razão de ser no processo evolutivo, para o espírito que faliu. Aqui fica nítida a diferença entre a dor-resgate e a dor-aprendizado, com que pretendem justificar a necessidade do sofrimento para a caminhada do Ser rumo às finalidades maiores. E uma verdade irretorquível ressuma das ideias expostas: só há uma fatalidade — a da nossa evolução.

            A seguir, o texto do Gênesis é esmiuçado tim-tim por tim-tim. É como se colocasse uma lente de aumento sobre a narrativa escriturística para melhor esclarecê-la. E não fica na mera especulação interpretativa, segundo a “letra que mata”. Há a preocupação da explicação científica, segundo a física moderna, da qual André Luiz já revelara alguns conceitos, como o da “LUZ COAGULADA”, de que modernamente se fala.

            Há amarração de todos os textos e autores entre si, verificando-se uma sólida argumentação. E não fica por aí. Vai-se ao original para se descobrir o verdadeiro significado das palavras, a fim de melhor compreendê-las. Conquanto muito se tenha escrito sobre o assunto, aqui ADÃO, EVA, SERPENTE, ÉDEN, JARDIM DO ÉDEN, PARAÍSO, EXPULSÃO, PECADO, encontram o seu significado verdadeiro, sua simbologia é desvendada e uma explicação detalhada nos é apresentada.

            É uma tese e, somente como tal, poderá ser refutada, isto é, com apresentação de dados, de ideias, de argumentos.

            Até aqui se falou filosoficamente sobre a QUEDA. Na segunda parte, o Dr. Roberto Silveira, aborda o problema da QUEDA como fato consumado, isto é, nossa vida, depois de havermos nos rebelado contra a LEI DE DEUS.

            E, também, ele, apresenta uma inovação. É a tentativa de se partir de uma ideia apresentada pelo psiquiatra ALBERT MOREL, que aceitando a queda espiritual, encontra nela a causa dos desvios psíquicos da humanidade. E com a mestria que lhe é conferida pelos longos anos de trabalho psiquiátrico, o autor faz-nos uma emocionante narrativa da reencarnação. Não como deve ser, mas como é. Aqui as almas desfilam seus dramas e os seus problemas existenciais, cuja explicação lógica só a reencarnação pode dar. E, sabemos, reencarnação oriunda de queda, que todos nós nos iguala pelo simples fato de estarmos ligados a este mundo de expiação e provas, chamado Terra. Esta mesma razão que permitiu ao Cristo de Deus desafiar aos acusadores da chamada mulher adúltera: “Aquele que estiver sem pecado, atire a primeira pedra”. Evidentemente que Ele não falava somente aos homens ali presentes. Falava aos espíritos reencarnados, por isso mesmo submetidos à Lei, por estarem comprometidos e em queda espiritual. Por isso ninguém teve coragem para atirar pedra. Ele, o Filho de Deus, no entanto, estava sem pecado (“Quem de vós me arguirá de pecado?”), mas Espírito Puro ofereceu seu imenso amor na compreensão dos conflitos da alma humana, sem acusar e sem pactuar com o erro (“Vai e não peques mais”). Não se consegue ler a narrativa apresentada pelo Dr. Roberto Silveira aos poucos. Há um envolvimento emocional tão grande, que somos dominados pelo desejo de chegar ao fim, de ver a narrativa toda, para compreender o que se passa com o espírito comunicante. E aqui, com as luzes da Lei dos Renascimentos, tudo se explica, tudo se aclara.

            Enfim, o presente livro não é para ser lido. É para ser estudado, tanto e tais são os argumentos e ideias aqui apresentados.

            E, ao fazermos esta apresentação por deferência dos autores, concluímos afirmando que esta é uma obra que enriquece o patrimônio cultural espírita.
           
                                                          


[1] Nota do Blogueiro – Observação de Felipe Salomão em 1984. Já lá se vão quase 30 anos e a pena do Dr Damas só fez brilhar desde então.

7 de Setembro



7  Setembro


 Quem ama não desanima.
Por mais dor na alma sincera
O amor se faz esperança
Onde a razão desespera.
 


 Benedito Candelária Ir.
por Chico Xavier
in ‘ Mais Vida’  (1ª Ed. ‘Cultura Espírita União’ 1982)


53 Trabalhos do Grupo Ismael


53


SESSÃO DE 12 DE JUNHO DE 1940


Comunicação final,  sonambúlica


                A conquista da paz: como pode e deve o Espírito realiza-la. -  O ‘x’ do problema. -Temor que assalta a Igreja, ante as chamas que lhe envolvem as muralhas.  - O assombro, no espaço das falanges do mal, ante o desmoronamento de suas pretensões. -  Como interpretar a dor.-  Dificuldade da questão. - O que deverá sentir o Cristo neste momento. -  Quais as nações onde preferencialmente se originam as guerras.- Efeito dos desvirtuamentos infligidos aos ensinos do Cristianismo. - Paixões que se exteriorizam por palavras levianas e insensatas. - Advertência aos espíritas para que se abstenham de comentários insensatos. - Recomendação à prece. - Invocação à Virgem.


Médium: J. CELANI


            Meus companheiros, Deus vos abençoe e vos conceda a sua doce Paz! ... Quanto a desejam as criaturas, filhas de um mesmo Pai, colhidas inesperadamente no torvelinho de sofrimentos inenarráveis!
            E’ tão fácil, entretanto, a conquista desse bem supremo, desde que o Espírito se disponha a realiza-la, mediante um trabalho íntimo, no sentido de criar dentro de si um estado de serenidade e confiança!
            Todo aquele que crê no Supremo Poder, na Suprema Caridade, no Supremo Amor aguarda tranquilo, firmado na sua fé, que se cumpra a vontade de Deus, expressa imutavelmente na sua Lei, sábia e justa. Esse o ‘x’ do problema que, como se vê, é de fácil solução, mas que, no entanto, se conserva afastado das cogitações humanas neste século de idolatria e de perversão.
            Aquela, que devera ser o baluarte da mansidão e da autoridade moral, vê atemorizadas as chamas a lhe envolverem as muralhas e seus servos, estarrecidos, perguntam: Onde está o Cristo? O ‘’sacerdos magnus’’ inquire, sobressaltado: o defensor da Igreja abandona o seu vigário ao descrédito e às chacotas das massas pagãs?
            Não é menor, deste lado, o assombro entre as falanges aguerridas do mal, que pensavam restaurar, no seio da humanidade, as práticas do passado, concretizadas no ‘’crê ou morre’’.
            Há pouco, acompanhei o vosso estudo. Ouvi a leitura e os comentários que cada um de vós fez, sobre a maneira de interpretar-se a dor. É difícil a questão, porque os sentimentos se diferenciam, segundo a elevação dos Espíritos. Há quem sofra por ver malogrado o seu anseio de dominação; há quem sofra por não poder praticar o bem; há quem sofra por não poder impedir as hecatombes que devastam o mundo e assim por diante.
            Figurai-vos, então, o que deverá sentir, neste momento, o Cristo de Deus, contemplando na amplidão dos campos ensanguentados, os quadros que Ele debuxou para Jerusalém! A História como que se repete, em suas fases e períodos. É que o Espírito, quando na carne, quase sempre se compraz na prática dos vícios e dos crimes. Olvida facilmente as resoluções que tomou na Espiritualidade, e de acordo com o grau do seu progresso, e deixa-se dominar pelas tendências do homem velho.
            Poderemos, acaso, medir a extensão do sofrimento do Cristo, vendo, após vinte séculos da implantação da sua doutrina de amor, trucidar-se reciprocamente  os homens que se dizem cristãos? Porque, atentai bem, nas nações de onde se originam as guerras, a religião professada é uma das variantes do Cristianismo. Naquelas onde praticam o Xintoísmo, o Budismo, o Esoterismo e outras seitas religiosas semelhantes a essas em sua substância, os povos vivem mais ou menos aquietados e conformados com as suas condições. Não é sintomático? Será por defeito do Cristianismo? Não; é por efeito dos desvirtuamentos que o homem lhe infligiu aos ensinos através dos tempo.
            Ai tendes a razão das nossas constantes e férvidas advertências, a vós outros que praticais o mesmo Cristianismo, porém á Luz da Nova Revelação. Comedimento nas palavras e exteriorização de sentimentos cristãos, eis o caminho a seguir, porque é o que conduz à regeneração do mundo e a livra-lo de futuras hecatombes. Homens houve que anteviram os acontecimentos cujos primórdios se estão desenrolando.
            Chegam até nós os ecos das paixões que se exteriorizam por palavras levianas e insensatas, porque as criaturas, em vez de se recolherem dentro de si mesmas, para orar e meditar, discutem o poderio destes ou daqueles valentões que se atiram à arena para se entredevorarem como feras bravias. Ouvimos a repercussão de tais palavras e lastimamos  a insensatez do homem, a sua nenhuma preparação para compreender o que se passa, para enfrentar as consequências que se seguirão.
            Será possível que também aos espíritos precisemos ainda advertir, para que se abstenham desses comentários insensatos? Um único é o dever que lhe corre: o de implorarem a misericórdia do Altisssimo para os infelizes instrumentos do mal necessário; o de rogar ao Pai que lhes ilumine a inteligência e o coração, a fim de compreenderem que não só de pão vive o homem.
            De que serve a posse de imensos campos para a semeadura do grão, se a inclemência da Natureza pode devastar toda cultura e reduzir à fome as populações, que se lançaram à conquista deles com violência e fúria? Que valem os heroísmos, as condecorações, as gloríolas terrenas, símbolos do orgulho, ante a Majestade do Pai-Criador, que ordena a seus filhos se amem como irmãos?
            Oremos, meus caros companheiros, à nossa excelsa Mãe. Para as grandes dores, os grandes remédios. Como símbolo da doçura só o sentimento de Maria. Que Ela, pois, purificando com a sua virtude a prece do pecador, a conduza no seio de Jesus, advogando a causa da humanidade, que se deixou empolgar pelo espírito do mal, que tudo subverte.
            Que Ela acoberte com seu manto de piedade o Colégio de Ismael e não consinta que no coração de nenhum de seus membros penetre o vírus das paixões maléficas, que o levem, sequer em pensamento fugaz, a armar o braço fraticida para o assassínio de seu irmão.
            Que a Mãe santíssima defenda o eventual detentor do poder na Terra de Santa Cruz, para que não se interrompa o trabalho preparatório dos prepostos de Ismael à obra da sua missão.
            Meus companheiros, cuidado! O tempo atual é o predito, como bem o sentis.
            Apegai-vos à Virgem para poderdes, sem falir, chegar gloriosamente ao fim da vossa jornada , satisfeitos por haverdes cumprindo o vosso dever. Paz fique convosco. – Bittencourt.





terça-feira, 6 de setembro de 2011

01 Prá pensar...


06  Setembro

‘O Espiritismo é tão real quanto o Sol.’


 Roberto Silveira
in ‘Agenda de um Psiquiatra Espírita’  (1ª Ed. Novo Milênio 2001)


6 de Setembro



6  Setembro

 O amor em todo o Universo
Mostra uma lei singular:
Quanto mais alto se eleva,
Mais desce para ajudar. 


  Jovino Guedes
por Chico Xavier
in ‘ Mais Vida’  (1ª Ed. ‘Cultura Espírita União’ 1982)



Jesus não é Deus II


VI[1]

            Está limpo o terreno – a nossa arena.
            A sua igreja desceu às condições humanas do sacerdócio hebreu – e o Espiritismo subiu a emparelhar com ela, pelo modo como fizeram os apóstolos com a doutrina do Sacrificado.
            Tanto vale a sua crença como a minha, com a diferença, porém, de que a minha assenta sobre a última palavra do céu, que veio a reformar a sua; como a sua foi a última palavra a reformar a lei escrita, pela qual se batia contra ela o sacerdócio, firmado nos mesmos princípios em que se firma hoje o clero católico, para se bater contra a minha.
            A igreja, pela lei de progressividade da revelação religiosa e científica – por sua falibilidade, que já foi demonstrada e que não pode deixar de ser diante da lei do progresso, também demonstrada – e principalmente pelas promessas que foram feitas por Nosso Senhor Jesus: de mais ampla revelação, cujos sinais se encontram no Espiritismo; a igreja é uma seita, como ela qualifica o Espiritismo – seita tão veneranda diante desta nova, como era o sacerdócio diante da cristã.
            Podemos, pois, bater no mesmo terreno – com as mesmas armas – sem superioridade de qual de nós; porque, afastados os preconceitos, nós e vós não somos senão campeões que procuram a verdade à luz da razão[2] - e de conformidade com o critério infalível de toda a verdade.
            Discutido o primeiro ponto que nos nivelou, pela perda do caráter de infalibilidade, que se arrogava a vossa doutrina – e pela exibição do caráter divino da nossa, passemos a outras provas do nosso arrerto[3]: o Espiritismo veio limpar de erros o ensino da igreja, como o cristianismo limpou deles o ensino mosaico.
            Empregando esta linguagem, precisamos defini-la. Nem o cristianismo limpou todos os erros da lei escrita: pois que, para isso, fora preciso ensinar todas as verdades, o que o próprio Jesus categoricamente declarou que não fizera, nem o Espiritismo limpará todos os da igreja, filhos de sua interpretação literal das sagradas letras; pois que o ensino espírita também é progressivo – e a última verdade só será dada ao mundo quando este tiver atingido o último grau de progresso de que é capaz o homem terreno[4].
            Entretanto, a revelação espírita, no grau em que se acha, já põe à mostra inúmeros erros, que a igreja guarda como verdades eternas.
            É destas que vamos tratar, bom amigo, para provar-lhe: que nossa crença tem o mesmo caráter divino que a sua, que o senhor pôs em discussão: Jesus é Deus?
            Está claro, e esta é a dedução do estudo que temos trazido até aqui, que nenhum de nós pode recorrer a argumento de autoridade; porque a autoridade de sua lei é a mesma da nossa, firmando-se no Evangelho, de que ambos tiram sua razão de ser.
            A razão é o divino critério, aquela baseada na observação e na experiência – e este servindo de farol em meio das cerrações que nos envolvem; eis nossas armas – e eis os instrumentos que a nova revelação recomenda como meio de distinguir a verdade do erro.
            Deus não pode querer uma fé passiva (crer porque mandam crer) – uma fé que não dá mérito – que tolhe a liberdade: condição imprescindível para que o ser humano possa ter responsabilidade e dê razão de ser à justiça soberana.
            Deus só pode querer fé raciocinada, acorde e com a liberdade, que dá mérito e demérito, bases essenciais do julgamento.
            Como punir o Senhor a alma, que desertou da fé imposta por ser ela em tese e com relação a certos princípios, contrária a essa razão, que é uma luz, por Ele posta em nós, para nos guiarmos no exercício de nossa liberdade?[5]
            A igreja, por motivos puramente humanos, sujeita a razão à sua autoridade, que, pelos mesmos motivos, vestiu da infalibilidade divina.
            O Espiritismo, não aspirando as glórias e os poderes do mundo – e partindo do princípio da justiça eterna, cuja razão de ser é a responsabilidade do ser humano, indevidamente, porque “cada um segundo suas obras” [6] – e seguro de que não há responsabilidade sem liberdade efetiva, em todas as relações daquele ser, chega à conclusão de que o Pai, dando livre arbítrio ao filho, deu-lhe necessariamente a luz para servir-se dele.
            O contrário seria o mesmo que confiar um instrumento mortífero a quem não tem a ciência de utilizar-se dele.
            O homem é responsável pelos atos de sua liberdade, porque teve de Deus a razão, para guiar-se na prática de tais atos, a que não seria, se fosse arrastado por imposições de quem quer que seja, ainda que fosse o próprio Deus[7].
            Assim, pois, liberdade sujeita a uma autoridade indeclinável, não é liberdade – não provoca responsabilidade, que autorize a justiça de Deus.
            Só a liberdade livre de peias, que não sejam as da razão, pode arrastar responsabilidade – e juízo.
            Com isto, não varremos a igreja, nem sua legítima autoridade, apenas combatemos-lhe os excessos.
            A igreja ensina – e seu ensino tem a autoridade do saber e a experiência, fundamentos da mais respeitável competência; mas o ensino da igreja não pode ser imposto, porque assim anular-se-ia a liberdade e a responsabilidade do homem.
            A lei posta pelo espiritismo é esta:
            A igreja, com a sua competência ensina: o homem, com sua liberdade, esclarecida por sua razão, raciocina e aceita ou não o ensino da igreja, assumindo a responsabilidade de seu juízo.
            É como se diz em todos os ramos do exercício da atividade e da inteligência humana.
            O prático, o mestre ensina os meios que tem por melhores – a moral; o discípulo é livre de aceitar ou não os conselhos e as instruções, ou de seguir seu alvedrio, carregando por isto com a completa responsabilidade do bom ou do mal que lhe sobrevier.
            Acabe com sua infalibilidade e com a fé passiva, duas coisas repugnantes à razão universal – e Roma será a cabeça da religião de Jesus.
            Vamos adiante.                 

Livro:       ‘Jesus não é Deus’
(série de 20 artigos publicados no ‘Jornal do Brasil’ em 1895)
Autor:  Bezerra de Menezes (Max)
Coordenação e Notas: Jorge Damas Martins
           


[1] Ineditoriais; Espiritismo; Estudos Filosóficos;
  11.Março.1895, pág.2, Segunda-feira, “Jornal do Brasil”
[2] Ver II Cor. 3:17.
[3] Essa palavra não existe. Deve ser asserto, a mais próxima do contexto, e que quer dizer asserção, ou seja, afirmação, alegação, proposição sustentada como verdadeira. (Comentário de Luciano dos Anjos).
[4] Ver a opinião de Max, sobre a progressividade da revelação espírita, no Apêndice III
[5] Ver “LE” perg. 621: “Onde está escrita a lei de Deus?” – “Na vossa consciência.”
[6] Ver Mt. 16:27.
[7] Ver “LE” perg. 262.

segunda-feira, 5 de setembro de 2011

52 Trabalhos do Grupo Ismael



52



SESSÃO DE 5 DE  JUNHO DE 1940


Manifestação sonambúlica


            Quarta do mesmo Espírito que se vinha manifestando sob o nome de Miguel e que termina a sua manifestação, dirigindo palavras de exortação e conselho ao Espírito que se apresentara na sessão anterior e que ele revelou ter sido o seu braço forte, seu lugar-tenente na chefia das falanges que lhe obedeciam ao mando.


Médium: J. CELANI


            Espírito. – Ei-la a ronda terrível em torno do pequeno baluarte do Evangelho em  espírito e verdade. Sabeis, infelizes, o que isto significa? E’ a conquista do Bem para o Espírito que no passado se degradou, praticando ignomínias e toda sorte e miséria, que afastam a criatura da finalidade da sua criação.
            Meus amigos, quando convosco eu terçava, colocado em campo oposto ao vosso, o que maior admiração me causava era a tenacidade de alguns dos vossos companheiros que, premidos por dificuldades de toda ordem, a braços com inumeráveis dificuldades, apedrejados pelos homens e pelos Espíritos, firmes se conservavam na estacada  e, anônimos, ombreavam com a turba  multa que perambula  pelas ruas. Porque – inquiria eu – esse heroísmo ignorado e sem prêmio? Hoje, eu mesmo respondo a essa pergunta que então fazia intimamente. São os marcados com o selo do Cristo, para obra da evangelização cristã; são Espíritos que delinquiram no passado e que, redimidos pela dor numa travessia tenebrosa, servem ao próximo para servirem ao seu Senhor.
            Só o Espírito que desceu muito pode compreender quanto custa a ascensão para purificação moral. Eu tinha a embaraçar-me os passos que esse que foi meu lugar-tenente e que me substituiu na chefia dos combatentes, quando me vi envolvido pelas sentinelas do Cristo e não mais pude volver às minhas fileiras.
            Uma fração do meu exército me acompanhou. Lutei desesperadamente por atrair a parte restante para a nova situação em que me encontrava. Ele, porém, que fora um braço a serviço da inteligência que me guiava, resistiu, elaborando planos, ardis e insídias com que obstasse à obra dos vossos Guias aqui presentes, neste momento.
            Quando poderia eu pensar que com ela me defrontaria neste recinto! Instante de assombro para nós ambos. Ele não sabe o que se passa em torno de si. Vê-se só, cego, sem vontade. Mas, é todo ainda uma chama de ódio e de maldade. Não percebe que a única barreira que se opõe ao progresso do Espírito é orgulho, a presunção cientifica. No dia em que se despojar dessa lepra, compreenderá que a criatura nada é nada possui e nada pode sem o seu Criador.
            Foi assim que iniciei os meus passos pela nova senda: estudando e sofrendo. O sentimento, no entanto, era atenuado pela percepção da sua necessidade. É um sofrimento redentor esse, porque modifica  a alma, como o cadinho depura o metal precioso. Apenas um resquício conservo desse orgulho, bastante, contudo, para me obscurecer a visão e impedir a apreensão clara das grandes coisas que contemplo nesse laboratório formidável que é o Infinito.
            Há, nele, presentemente, um labor incessante de preparação das grandes tarefas na Terra. Os Espíritos mestres mergulham no passado da humanidade terrena e mostram aos discípulos atentos as causas remotas das grandes hecatombes de agora e em seguida lhes dão a ver o que será o mundo no futuro, dócil ao cumprimento das leis de Deus e entregue ao trabalho em o qual tereis a vossa tarefa.
            Muitos há que observam pesarosos esses cursos de preparação, porque sabem  que não podem participar da obra grandiosa, para a qual é preciso os conjuguem, formando perfeita unidade, a ciência e a moral.
            É interessante, direi melhor: edificante o que se passa, porque tudo o que se vai realizar, após a procela destes dias, tem o seu ponto de mira no Calvário, visto que tudo converge para o mandamento maior  - o amor ao próximo como a si mesmo.
            A inteligência desvairou; formaram-se bibliotecas de compêndios de filosofias complicadas. Entretanto, uma só sentença: amar ao próximo como si mesmo, resume toda a lei e os profetas.
            Vemos inúmeros corpos trucidados e os Espíritos em luta no espaço, o sangue a correr na Terra e por toda parte o pranto e o ranger de dentes. Por que? pergunta o homem iniciente dos ensinos do Cristo. Quando terá início a renovação anunciada? Quando a terra estiver aparelhada a receber os Espíritos Mestres, que não poderão conviver ombro a ombro com os egoístas e os orgulhosos. Eles precisam ter seu ambiente próprio, seus núcleos especiais e apoio semelhante ao que o Cristo teve dos seus prepostos.
            Sopra o vendaval preparando o caminho. A treva está como que em suspenso, porque antevê a derrocada da sua obra. Contempla o mundo e se espanta com a devastação feita pela concupiscência e pela imoralidade dos pensamentos entre os homens. Ela, porém, se engana: as gerações que habitam a Terra se transmutarão como por encanto. Na hora propicia, a palavra da Verdade encontrará eco nos corações, para a reforma e a purificação. Os incompatíveis com essa transmutação serão ceifados, como nos campos as vergônteas, pelos vendavais enfurecidos.
            Choro o meu passado de crimes, porque, mercê da misericórdia divina, entrevejo, embora palidamente, essas alvoradas de que não poderei participar, porque longa tem de ser a minha preparação, antes de voltar ao plano terreno para comungar com os novos levitas na hóstia santa do Cristianismo redivivo.
            Tudo vem a seu tempo  - diz-me aqui o meu mentor  - e é fato. Não podemos tomar de assalto a virtude, quando dela nos afastamos por longos anos de maldades e perversidades. Caminharei paciente, percorrendo a minha trajetória evolutiva, para, afinal, tomar o meu lugar na caravana do progresso terreno.

(Dirigindo-se a outro Espírito invisível):

            Sim! Gostaste? Ainda  é cedo. Precisas abrandar o teu furor para vires entre os homens de boa vontade trocar ideias que te esclareçam o entendimento. Eu também passei por esse caminho; sofri, até que, por fim, achei a vontade... Então! se não tens domínio sobre ti mesmo, como queres dominar os outros.

(Breve silêncio)

            Não é isso; é o teu orgulho. Quer lhe chames Deus, quer lhe chames poder, hás te confessar que, se aqui vens, é contra a tua vontade.
            Virás, a seu tempo... Não tens mais ninguém contigo. Blasonas! Repito: Ninguém mais te acompanha. 
            Deus, o Cristo, sim, e os seus servos, que formam legiões inumeráveis cheias de força, mas que não oprimem. A liberdade jamais é cassada definitivamente ao Espírito. Tu mesmo já não tens vontade e não a terás, enquanto for necessário que não a tenhas, para teu bem.
            Sim, recuperarás os cabedais da tua inteligência.  Simplesmente, não mais poderás emprega-los na prática do mal. Isso, não!
            Quando? Já te disse: tens que, primeiro, vir aqui. Mas, é preciso que abrandes o teu furor, que deixes a violência, para que o instrumento possa prestar-se á tua manifestação. Enquanto assim não acontecer, irás aprendendo, no ambiente desses Espíritos piedosos, que se acham a serviço do Cristo, daquele a quem nós dizíamos servir, lembras-te? Verás como é benéfica a obra da verdade caridade, da caridade cristã.

(Dirigindo-se aos componentes humanos do grupo):

            Meus irmãos, perdoai-me, pois era esse um trabalho necessário.  Trata-se um Espírito terrível, de formidável inteligência, mas de sentimentos precaríssimos, tão precários, que seria perigosa a sua manifestação.
            Os vossos amigos o estão preparando pouco a pouco, para encetar a obra da sua redenção. Tenhamos paciência. – Miguel.

*

Comunicação final,   sonambúlica

Necessidade da maior atenção aos trabalhos do Grupo para que este possa entrar numa fase construtiva. - Aviso sobre o esforço que a treva empregará para não o consentir. -  Maneira por que deve ser preparado o ambiente para o médium que carece de cabedais suficientes. -  Proveito e amplitude dos trabalhos em questão. - Conselhos a um dos membros do Grupo. - Invocação à Virgem.


Médium: J. CELANI


            Meus caros companheiros, Paz.
            Prossigamos na nossa tarefa, atentos ao dever e à responsabilidade que nos cabe e com o coração aberto à penetração do amor divino, ao amor de Jesus ao amor da Virgem, se queremos produzir algo de útil a nós mesmos e àqueles que recebem ou recolhem os ecos do que aqui se faz.
            Eu vos recomendo toda a atenção aos vossos trabalhos, para podermos entrar em nova fase construtiva. Animados desse propósito, tereis de topar com a obra do mal, da treva; tereis de lutar, de sentir a influência perturbadora, procurando desviar dessa tarefa o vosso pensamento. Portanto velhos soldados que sois desta cruzada; que sabeis de quanto é capaz a treva em torno de criaturas ainda com tendências pecaminosas  - guardai-vos, defendei-vos com a oração e a vigilância.
            Eu já vos disse, o médium sem cabedais precisa de ambiente que o ampare na sua produção. É necessária a mais perfeita concentração, nenhum desvio do pensamento do fim para que vos congregais, de modo que ele seja, tanto quanto possível, o transmissor fiel do que digam os Espíritos que se comunicam.
            Estes trabalhos são de grande proveito para todos. Tem uma amplitude que não podeis abranger e, como o bem não é de fácil conquista, concluirei dizendo que sobre vós chovem as setas contra as quais necessárias de escudo.

(Dirigindo-se a um dos membros do Grupo):

            Oh! M., procura um médium que te dê passes. Medica-te como espírita, compreendes? Pede uma receita e toma o remédio. Sê assíduo aqui, para que possas ter, oportunamente, a tua tarefa.

(Replicando ao que respondera M.):

            Não quis com o que disse atirar-te a primeira pedra. Quis dizer-te que estás enfermo e que precisas curar-te. Tens o teu livro arbítrio: atende, ou não. Trata-te como espírita, eis o que tenho a dizer-te. Tem paz, calma e fé.

*

            Meus companheiros, vamos pedir à Virgem que sobre todos, indistintamente, sobre os da Casa de Ismael e sobre os outros, que caminham afastados deste Colégio, estenda o manto do seu grande amor e ilumine com a luz do amor de seu Filho Jesus as consciências daqueles que receberam o mandato de diretores da Federação Espirita Brasileira.
            Ide para os vossos lares com os pensamentos e os corações predispostos a receber os eflúvios do amor dessa Mãe gloriosa e caridosa, que nada nega a seus filhos. Paz fique convosco. – Richard.